2128: O mistério da galáxia sem matéria escura foi finalmente resolvido

CIÊNCIA

NRAO/AUI/NSF; Dana Berry / SkyWorks; ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)

Uma equipa de cientistas Instituto de Astrofísica das Ilhas Canárias (IAC) esclareceu um dos mistérios da Astrofísica extra-galáctica de 2018: a alegada existência de uma galáxia sem matéria escura.

No modelo actual da formação de galáxias, é impossível encontrar estes aglomerados estelares sem matéria escura, já que esta estranha forma de matéria é fundamental para produzir o colapso do gás que forma as estrelas.

Em 2018, um estudo publicado na revista Nature anunciava a descoberta de uma galáxia sem matéria escura. A publicação teve um grande impacto entre a comunidade científica, fazendo mesmo a capa de várias revistas científicas.

Agora, e de acordo com uma nova investigação publicada na revista Monthly Notices da Royal Astronomical Society (MNRAS), uma equipa de investigadores do IAC diz ter resolvido o mistério da galáxia [KKS2000] 04 (NGC1052 -DF2) – também conhecida como “galáxia sem matéria escura” – através da sua observação minuciosa.

Neste trabalho, a equipa, que estava a estranhar o facto de todas as propriedades dependentes da distância da galáxia serem anómalas, voltaram a analisar os indicadores de distância disponíveis. Recorrendo a cinco métodos independentes para estimar a distância do objecto estelar, os especialistas descobriram que métodos coincidem num aspecto: a galáxia é muito mais próxima do que foi apontado na investigação original.

O artigo publicado na Nature afirmava que a galáxia estava a uma distância de cerca de 64 milhões de anos-luz da Terra. No entanto, a nova pesquisa revelou que a distância real é muito menor: cerca de 42 milhões de anos-luz.

Graças a estes novos dados, todas as propriedades da galáxia derivadas da sua distância voltaram a ser normais e encaixam-se dentro das tendências observadas e traçadas por galáxias com características semelhantes.

Em comunicado, a equipa explica que o facto mais importante que a nova investigação traz à luz é que o número de estrelas nesta galáxia é cerca de um quarto do que foi originalmente estimando. Quanto à sua massa, é cerca de metade do que foi inicialmente estimado. Esta diferença é interpretada pela presença de matéria escura, alterando assim as conclusões anteriores.

Os resultados da investigação mostram a importância de definir distâncias precisas para objectos extra galácticos. Por muito tempo, esta tem sido – e ainda é – uma das tarefas mais difíceis da Astrofísica: medir a distância de objectos que não conseguimos alcançar.

ZAP //

Por ZAP
7 Junho, 2019



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1694: Revelada origem de misteriosos sinais extra-galácticos

NASA

Novos achados lançam luz sobre a origem do misterioso fenómeno espacial FIRST J141918.9 e revelam que representa uma explosão longa de raios gama “órfã”.

Usando um conjunto de radiotelescópios, astrónomos europeus estudaram o FIRST J141918.9+394036 e chegaram a várias hipóteses para a origem do fenómeno misterioso.

Um transiente de rádio é uma substância extra-galáctica de evolução lenta cujo brilho tem diminuído gradualmente nos últimos anos. O recente estudo revelou que este fenómeno poderia ser um resplendor no rescaldo de uma poderosa explosão de raios gama.

Entretanto, descobriu-se que os raios gama emitidos são indetectáveis na Terra, o que dá o nome ao fenómeno – a primeira explosão “órfã” de raios gama na história, de acordo com o novo estudo publicado no arXiv.

A emissão de rádio proveniente do FIRST J1419+3940 também poderia ser explicada por uma nebulosa recém-nascida alimentada por uma jovem magnetar, caracterizada por um campo magnético extremamente forte.

Como o transiente tem características e galáxia hospedeira semelhantes à fonte de rádio associada às primeiras rajadas rápidas de rádio repetidas FRB 12102, alguns astrónomos supuseram que FIRST J1419+3940 é uma magnetar relativamente nova que gira rapidamente.

Os astrónomos confiaram numa rede de telescópios para descobrir qual das duas hipóteses é a mais plausível: “Para distinguir estas hipóteses, realizamos observações de rádio usando a Rede Europeia de Interferometria de Longa Linha de Base em 1,6 GHz para resolver a emissão de forma espacial e encontrar rajadas de rádio com duração de milissegundos”, informaram os astrónomos liderados por Benito Marcote.

A equipe de Marcote acredita que o FIRST J1419+3940 é uma pequena fonte de rádio com uma densidade de fluxo ao nível de 620 microjansky. Com uma distância de luminosidade de cerca de 283 milhões de anos-luz, o tamanho da fonte foi estimado em cerca de 5,2 anos-luz.

Paralelamente, as observações não detectaram explosões de duração ao nível de milissegundos de origem astrofísica a partir deste objeto e confirmaram que a emissão de rádio proveniente dele não é térmica.

Os investigadores notaram que o FIRST J1419+3940 ainda poderia produzir rajadas rápidas de rádio, admitindo que é necessário realizar mais estudos do local.

ZAP // Phys

Por ZAP
10 Março, 2019

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