5370: Há uma espécie ameaçada de pássaro australiano a “esquecer-se” da sua própria melodia

CIÊNCIA/BIOLOGIA

Val-birds / Flickr
Anthochaera phrygia

A espécie Anthochaera phrygia, uma ave característica do sudeste da Austrália e ameaçada de extinção, está a perder a sua “cultura musical”.

Uma investigação levada a cabo por cientistas da Universidade Nacional da Austrália descobriu que os Anthochaera phrygia estão a “esquecer” as suas melodias porque há poucos pássaros mais velhos para as ensinar às gerações futuras.

Estes pássaros de manchas amarelas e pretas aprendem os cantos territoriais com outros pássaros mais velhos. Quando as populações são já muito pequenas, não restam quase aves nenhumas para que os mais jovens possam aprender, explica a Nature.

A perda de habitat desde a década de 1950 reduziu tanto a população que, actualmente, existem apenas entre 300 a 400 pássaros em estado selvagem. A equipa, liderada por Ross Crates, localizou mais de 100 machos e gravou o canto das aves para, mais tarde, o comparar com registos históricos.

Segundo o estudo, publicado no dia 17 de Março na Proceedings of the Royal Society B, 27% dos machos cantaram melodias que diferiam das melodias típicas, enquanto que cerca de 12% recorreram ao canto de outras espécies de pássaros.

Como a perda de habitat e a competição entre pássaros maiores ameaçam Anthochaera phrygia, os cientistas defendem que a perda da sua “cultura musical” pode acelerar o seu declínio. A espécie é já classificada como “criticamente ameaçada” pelo Grupo do Meio Ambiente, Energia e Ciência (EES) do Governo de Nova Gales do Sul.

Citado pela CBS, Carl Safina, ecologista da Stony Brook University que não participou no estudo, disse que “temos de estar cientes da importância de preservar o canto dos pássaros – é possível ter uma população que ainda é geneticamente viável, mas não é viável em termos de transmissão de conhecimento cultural”.

“Alguns elementos do que esses pássaros precisam fazer para sobreviver não são instintivos, mas sim aprendido”, frisou.

A equipa da universidade australiana já começou a ajudar os pássaros mais jovens, em programas de reprodução em cativeiro, a aprender as suas próprias notas musicais, reproduzindo gravações de machos a cantar.

Por Liliana Malainho
22 Março, 2021


5246: Em mil milhões de anos a Terra poderá deixar de ter vida por falta de oxigénio

CIÊNCIA/TERRA/EXTINÇÃO/VIDA

Se há recurso que tomamos por garantido é o oxigénio, porque, na realidade, não temos memória de algum dia ter sido posto em causa. Contudo, no início da história e da vida da Terra, os níveis de oxigénio eram muito baixos.

Como um ciclo, daqui a mil milhões de anos, é possível que esses níveis voltem a baixar a ponto de extinguir a maioria da vida na Terra.

“Atmosfera oxigenada não é uma característica permanente”

O oxigénio é um dos elementos essenciais à vida na Terra, constituindo cerca de 21 por cento da atmosfera. Aliás, é graças a ele que organismos grandes e complexos, como os seres humanos, conseguem sobreviver.

Contudo, remetendo ao início da história da Terra, os níveis de oxigénio eram de tal forma baixos que não permitiam vida como a conhecemos hoje. Sabe-se agora que, de acordo com um novo estudo, esta realidade poderá repetir-se, daqui a mil milhões de anos.

Para chegarem a essa conclusão, dois investigadores modelaram os sistemas climáticas, biológicos e geológicos da Terra, de modo a prever a forma como as condições atmosféricas na Terra poderão vir a mudar.

Kazumi Ozaki, da Universidade de Toho, em Funabashi, Japão, e Chris Reinhard, do Instituto de Tecnologia da Geórgia, em Atlanta, EUA, dizem que a Terra irá manter níveis de oxigénio elevados durante os próximos mil milhões de anos. Contudo, numa mudança que se prevê radical, os níveis irão baixar para os conhecidos de há 2,4 mil milhões de anos.

Verificamos que a atmosfera oxigenada não é uma característica permanente. Disse Ozaki.

Idade do Sol poderá provocar a diminuição dos níveis de oxigénio

Os dois investigadores justificam a queda de oxigénio com uma razão central: à medida que o Sol envelhecer, tornar-se-á mais quente e, consequentemente libertará mais energia. Portanto, os investigadores supõem que, uma vez que o CO2 absorve calor e depois se desfaz, dar-se-á uma diminuição da quantidade de dióxido de carbono na atmosfera.

Então, os investigadores estimam que, em mil milhões de anos, os níveis de CO2 tornar-se-ão tão baixos que os organismos foto-sintetizadores, como as plantas, serão incapazes de sobreviver e de produzir oxigénio. Portanto, a extinção desses organismos será a principal causa da exponencial redução do oxigénio prevista por Ozaki e Reinhard.

Estamos a falar de um milhão de vezes menos oxigénio do que existe actualmente. Disse Reinhard.

Ainda que não seja para as gerações de agora, os investigadores preveem que, quando as mudanças na atmosfera começarem a ocorrer, irão progredir rapidamente. Aliás, os cálculos dos dois investigadores sugerem que a atmosfera poderá perder o seu oxigénio ao longo de apenas 10 000 anos.

A biosfera não pode adaptar-se a uma mudança ambiental tão dramática. Ressalvou Ozaki.

Oxigénio permite uma vida plena na Terra

Daqui a mil milhões de anos, os níveis baixos de oxigénio provocarão a drástica diminuição da vida terrestre, bem como a aquática, passando a Terra a ser exclusivamente microbiana.

Além disso, a camada de ozono da Terra, que é constituída por oxigénio, irá esgotar-se e expor o planeta e os seus elementos a níveis de luz ultravioleta e calor demasiado elevados. Mais, os investigadores preveem que haverá um aumento do metano para níveis 10 000 vezes mais elevados do que a quantidade presente, actualmente, na atmosfera.

O oxigénio, nas suas muitas formas, é uma bio-assinatura muito importante, uma vez que está entrelaçado com a vida plena na Terra. Disse Natalie Allen, da Universidade Johns Hopkins, em Maryland, EUA.

A investigação de Ozaki e Reinhard foi conduzida como parte de um projecto da NASA sobre a habitabilidade do planeta, tendo as previsões implicações na procura de vida noutros planetas. Isto, porque as bio-assinaturas que contêm oxigénio são tipicamente usadas para identificar planetas habitáveis.

Todavia, os investigadores sugerem que outras bio-assinaturas poderiam ser usadas para procurar vida alienígena, em vez do oxigénio. Por exemplo, as nuvens de hidrocarbonetos na atmosfera de um planeta podem fornecer uma assinatura de vida extraterrestre.

Pplware
Autor: Ana Sofia
03 Mar 2021


5242: A maior parte da vida na Terra vai desaparecer por falta de oxigénio em mil milhões de anos

CIÊNCIA/GEOQUÍMICA/TERRA

CharlVera / Pixabay

A previsão dos cientistas é catastrófica: dentro de mil milhões de anos, a atmosfera da Terra vai ter pouquíssimo oxigénio, tornando inabitável a vida aeróbica complexa.

No início da história da Terra, os níveis de oxigénio eram bem mais baixos do que são agora e uma equipa de investigadores acredita que possam cair novamente num futuro distante.

Os investigadores sugerem que a atmosfera da Terra manterá altos níveis de oxigénio nos próximos mil milhões de anos antes de regressar a níveis baixos que lembram aqueles que existiam antes do Grande Evento de Oxidação, há cerca de 2,4 mil milhões de anos, escreve a New Scientist.

“Descobrimos que a atmosfera oxigenada da Terra não será uma característica permanente”, diz Kazumi Ozaki, investigador da Toho University, no Japão, e co-autor do estudo publicado recentemente na revista Nature Geoscience.

À medida que o sol envelhece, torna-se mais quente e solta mais energia. Isto faz com que haja uma diminuição de dióxido de carbono na atmosfera. Os cientistas estimam que em mil milhões de anos, os níveis de dióxido de carbono vão ser tão baixos que os organismos foto-sintetizantes serão incapazes de sobreviver e produzir oxigénio.

“A queda no oxigénio será muito, muito extrema – estamos a falar de cerca de um milhão de vezes menos oxigénio do que existe hoje”, diz o co-autor Chris Reinhard, do Georgia Institute of Technology, nos Estados Unidos.

Paralelamente, os níveis de metano também vão aumentar drasticamente: até 10 mil vezes a quantidade existente na atmosfera.

“A biosfera não consegue adaptar-se a uma mudança tão dramática nas alterações ambientais”, diz Ozaki.

A vida terrestre deixará de existir, assim como a vida aquática. A camada de ozono vai-se esgotar, expondo a Terra e os seus oceanos a altos níveis de luz ultravioleta e calor do sol.

As novas previsões mostram que a presença de oxigénio é variável e pode não ser permanente num planeta habitável.

“Isto sugere que mesmo para planetas muito semelhantes à Terra ao redor de outras estrelas, grandes quantidades de oxigénio podem não ser detectadas na sua atmosfera, mesmo que possam suportar, ou ter suportado, vida complexa“, diz Kevin Ortiz Ceballos, da Universidade de Porto Rico.

Por Daniel Costa
3 Março, 2021


5220: Os tigres estão em risco e podem precisar de um “resgate genético”

CIÊNCIA/BIOLOGIA/GENÉTICA

(dr) Envato Elements

Os tigres estão sob ameaça e um novo estudo sugere que estes felinos podem precisar de um “resgate genético”. O acasalamento entre diferentes subespécies é uma opção.

Fragmentação do habitat, conflito entre humanos e vida selvagem, e caça ilegal são alguns dos problemas que põem em causa o futuro sustentável dos tigres, cujas populações mundiais estão em declínio e, com elas, também a sua diversidade genética, sugere um novo estudo.

Uma equipa de investigadores sequenciou 65 genomas de quatro subespécies de tigre para perceber o impacto destes problemas na sua diversidade genética. Os resultados mostram que existem fortes diferenças genéticas entre as diferentes subespécies, mas, surpreendentemente, estas surgiram há relativamente pouco tempo.

“O crescente domínio dos humanos em todo o mundo significa que a nossa compreensão de quais atributos de espécies e populações são mais adequados ao Antropocénico torna-se cada vez mais importante”, diz Elizabeth Hadly, professora de biologia ambiental da Universidade de Stanford, citada pelo portal Futurity.

O Antropocénico é um termo usado por alguns cientistas para descrever o período mais recente na história do planeta Terra.

Enquanto algumas populações estão bem adaptadas a um futuro dominado por humanos, outras nem tanto. Os resultados do estudo foram publicados na revista Molecular Biology and Evolution.

“A genómica de conservação está longe de ser uma ciência perfeita, mas este estudo feito com tigres sugere o poder da amostragem, adequada em toda a gama de espécies e do seu genoma”, acrescenta Hadly.

As subespécies de tigre começaram a exibir sinais de contracções significativas há cerca de 20 mil anos, altura que coincide com a transição da Idade do Gelo do Plistoceno e o aumento do domínio humano na Ásia, de onde a maioria das espécies são originárias.

Foram encontradas, por exemplo, adaptações genómicas a baixas temperaturas nos tigres-siberianos, que não se evidenciaram nas outras subespécies.

Apesar destas adaptações, tigres das populações estudadas têm baixa diversidade genética, sugerindo que se as populações continuarem a diminuir, o resgate genético pode precisar de ser considerado.

Uma forma pela qual o resgate genético pode ser necessário é através do acasalamento entre diferentes subespécies de tigre. Embora aumentar a diversidade genética seja um objectivo, outro pode ser seleccionar as características que conferem maior sobrevivência num mundo em mudança, explica o Futurity.

Por Daniel Costa
27 Fevereiro, 2021


5219: Poeira de asteróide encontrada na cratera Chicxulub encerra caso da extinção dos dinossauros

CIÊNCIA/GEOQUÍMICA/PALEONTOLOGIA

Uma equipa de investigadores acredita ter encerrado o caso da extinção dos dinossauros após ter encontrado poeira de asteróide na cratera que Chicxulub terá criado há 66 milhões de anos.

Desde os anos 1980 que a hipótese principal dos cientistas para explicar a extinção dos dinossauros era a morte por asteróide – em vez de uma série de erupções vulcânicas ou alguma outra calamidade global. Nessa altura, os cientistas encontraram poeira de asteróide na camada geológica que marca a extinção dos dinossauros.

Esta descoberta pintou um quadro apocalíptico de poeira do asteróide vaporizado e rochas do impacto a circular o planeta, bloqueando o sol e causando a morte em massa durante um inverno global escuro – tudo antes de regressar à Terra para formar a camada enriquecida em asteróide material que é visível hoje.

Nos anos 1990, a ligação foi fortalecida com a descoberta da cratera de impacto Chicxulub de 200 quilómetros de largura sob o Golfo do México, que tem a mesma idade da camada de rocha.

Agora, um novo estudo sela o acordo, segundo a equipa de investigadores que encontraram poeira de asteróide com uma impressão digital química correspondente dentro da cratera no local geológico preciso que marca o momento da extinção dos dinossauros.

“O círculo está agora finalmente completo”, disse Steven Goderis, um professor de geoquímica na Vrije Universiteit Brussel, na Bélgica, em comunicado divulgado pelo EurekAlert.

O sinal revelador da poeira do asteróide é o elemento irídio – que é raro na crosta terrestre, mas está presente em níveis elevados em certos tipos de asteróides. Aliás, um pico de irídio encontrado na camada geológica foi como a hipótese do asteróide nasceu.

No novo estudo, os investigadores descobriram um pico semelhante numa secção de rocha retirada da cratera. Na cratera, a camada de sedimentos depositada dias a anos após o impacto é tão espessa que os cientistas conseguiram datar com precisão a poeira em apenas duas décadas após o impacto.

“Estamos agora no nível de coincidência que geologicamente não acontece sem causa”, disse Sean Gulick, professor da Escola de Geociências da UT Jackson. “Isto acaba com qualquer dúvida de que a anomalia do irídio não esteja relacionada à cratera Chicxulub.”

A poeira é tudo o que resta do asteróide de 11 quilómetros de largura que chocou contra o planeta há milhões de anos, provocando a extinção de 75% da vida na Terra, incluindo todos os dinossauros não-aviários.

Os cientistas estimam que a poeira levantada pelo impacto circulou na atmosfera durante não mais do que duas décadas – o que ajuda a cronometrar o tempo de extinção. “Se se realmente colocar um relógio na extinção há 66 milhões de anos, poderia facilmente argumentar que tudo aconteceu em algumas décadas, que é basicamente o tempo que demora para que tudo morra à fome”, disse.

As maiores concentrações de irídio foram encontradas dentro de uma secção de cinco centímetros do núcleo da rocha recuperado do topo do anel do pico da cratera – um ponto de alta elevação na cratera que se formou quando as rochas ricochetearam e colapsaram com a força do impacto.

Além do irídio, a secção da cratera mostrou níveis elevados de outros elementos associados ao material do asteróide. A concentração e a composição desses “elementos asteróides” assemelhavam-se a medições feitas na camada geológica em 52 outros locais ao redor do mundo.

De onde veio o asteróide que dizimou os dinossauros? Investigadores de Harvard têm uma nova teoria

Uma equipa de investigadores da Universidade de Harvard tem uma nova teoria sobre o asteróide que dizimou os dinossauros e…

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A secção central e a camada geológica têm elementos terrestres em comum, incluindo compostos sulfurosos. Um estudo de 2019 revelou que rochas com enxofre não estão presentes em grande parte do restante do núcleo, apesar de estarem em grandes volumes no calcário circundante. Isso indica que o impacto atirou enxofre para a atmosfera, o que pode ter exacerbado o arrefecimento global e semeado chuva ácida.

Gulick e os seus colegas planeiam regressar à cratera este verão para começar a analisar locais no seu centro, onde esperam perfurar no futuro para recuperar mais material de asteróide.

Este estudo, publicado esta semana na revista científica Science Advances, é o mais recente de uma missão do Programa Internacional de Descoberta do Oceano em 2016, co-liderada pela Universidade do Texas, nos Estados Unidos, que colheu quase 914 metros de núcleo de rocha da cratera enterrada no fundo do mar.

Por Maria Campos
27 Fevereiro, 2021


5179: O fim dos neandertais pode estar relacionado com a inversão dos pólos magnéticos da Terra

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA/ASTROFÍSICA

NASA Goddard / Flickr
Conceito de artista do Campo Magnético da Terra

A extinção dos neandertais pode estar relacionada com o colapso temporário dos pólos magnéticos da Terra há 42 mil anos, sugere um estudo da Universidade australiana de Nova Gales do Sul e do Museu da Austrália Meridional.

Em comunicado, a equipa explica que o colapso temporário do campo magnético da Terra há 42 mil anos desencadeou uma série de mudanças climáticas que, por sua vez, levaram a mudanças ambientais e extinções de massa.

Este ponto de viragem na história do nosso planeta, que produziu tempestades eléctricas, auroras generalizadas e radiação cósmica, foi desencadeado pela reversão dos pólos magnéticos da Terra e mudança nos ventos solares.

No estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na Science, os cientistas baptizam este período como “Evento Adams” e sugerem que poderá explicar mistérios evolutivos, como a extinção dos neandertais ou o repentino surgimento de arte figurativa em todo o mundo, considerando que os humanos tiveram de procurar novos refúgios.

“Pela primeira vez, fomos capazes de datar com precisão o tempo e os impactos ambientais da última chave magnética do pólo”, explicou Chris Turney, professor da Universidade de Nova Gales do Sul e co-autor do estudo, citado em comunicado.

“As descobertas foram possíveis graças às antigas árvores Kauri da Nova Zelândia, que foram preservadas em sedimentos por mais de 40.000 anos (…) Usando as árvores antigas, pudemos medir e datar o pico nos níveis de radio-carbono atmosférico causado pelo colapso do campo magnético da Terra”, acrescentou.

Os investigadores compararam essa escala do tempo com registos de lugares de todo o Pacífico e elaboraram modelos climáticos globais para descobrirem que o crescimento das camadas de gelo e dos glaciares da América do Norte e as grandes alterações nos ventos e sistemas de tempestades tropicais podem remontar ao Evento Adams.

Uma das primeiras pistas foi a que indica que a mega-fauna da Austrália continental e da Tasmânia sofreu uma extinção simultânea há 42 mil anos.

É a descoberta mais surpreendente e importante em que já estive envolvido”, remata o professor Cooper do Museu da Austrália Meridional.

O campo magnético da Terra, recorde-se, funciona como um “escudo”, protegendo o planeta dos raios solar e cósmico. Quando os pólos invertem, este “escudo protector” pode diminuir até um décimo a sua capacidade protectora.

Apesar de poder demorar séculos, as radiações acabariam por atingir a superfície Terra, tornando as regiões inabitáveis e causando extinção de espécies.

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ZAP ZAP // Lusa

Por ZAP
22 Fevereiro, 2021


5148: De onde veio o asteróide que dizimou os dinossauros? Investigadores de Harvard têm uma nova teoria

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

Vídeo editado por meio de captura dado que não é disponibilizado o URL original

Uma equipa de investigadores da Universidade de Harvard tem uma nova teoria sobre o asteróide que dizimou os dinossauros e acredita ter descoberto onde se originou e como atingiu a Terra.

Chicxulub foi um asteróide que deixou para trás uma cratera na costa do México que se estende por 149 quilómetros e chega a 19 quilómetros de profundidade. O seu impacto devastador acabou com o reinado dos dinossauros ao desencadear a sua extinção em massa repentina, juntamente com o fim de quase três quartos das espécies de plantas e animais que viviam na Terra.

Avi Loeb, professor de ciência na Universidade de Harvard, e Amir Siraj, investigador de astrofísica, têm uma nova teoria que poderia explicar a origem e jornada do catastrófico corpo celeste – e outros como ele.

Usando análises estatísticas e simulações gravitacionais, Loeb e Siraj acreditam que uma fracção significativa de um tipo de cometa originado na nuvem de Oort, uma esfera de detritos na borda do Sistema Solar, foi desviado do seu curso pelo campo gravitacional de Júpiter durante a sua órbita e enviado para perto do Sol, cuja força de maré quebrou pedaços da rocha.

Isto aumenta a taxa de cometas como Chicxulub porque esses fragmentos cruzam a órbita da Terra e atingem o planeta uma vez a cada 250 a 730 milhões de anos.

“Basicamente, Júpiter actua como uma máquina de pinball“, disse Siraj, em comunicado. “Júpiter empurra estes cometas de longo período que chegam em órbitas que os trazem muito perto do Sol.”

“Não é tanto o derretimento que ocorre, que é uma fracção bem pequena em relação à massa total, mas o cometa está tão perto do sol que a parte que está mais perto do sol sente uma atracção gravitacional mais forte do que a parte que está mais longe do Sol, causando uma força de maré”, disse. “Temos o que é chamado de evento de interrupção da maré e, assim, estes grandes cometas que chegam muito perto do Sol dividem-se em cometas mais pequenos. E, basicamente, ao sair, há uma hipótese estatística de que estes cometas mais pequenos atinjam a Terra”.

Os cálculos da teoria de Loeb e Siraj aumentam as hipóteses de cometas de longo período impactarem a Terra por um factor de cerca de 10 e mostram que cerca de 20% dos cometas de longo período tornam-se “pastores solares” – cometas que passam muito perto do Sol.

A equipa afirma que a sua nova taxa de impacto é consistente com a idade de Chicxulub, fornecendo uma explicação satisfatória para sua a origem e de outros impactadores semelhantes.

Entender o Chicxulub, não só é crucial para resolver um mistério da história da Terra, mas pode ser crucial se tal evento ameaçar o planeta novamente. “O nosso artigo fornece uma base para explicar a ocorrência desse evento”, disse Loeb. “Estamos a sugerir que, na verdade, se se quebrar um objecto conforme se aproxima do sol, isso pode gerar a taxa de eventos apropriada e também o tipo de impacto que matou os dinossauros”.

A teoria também pode explicar a composição de muitos destes asteróides. “A nossa hipótese prevê que outras crateras do tamanho de Chicxulub na Terra têm mais probabilidade de corresponder a um asteróide com uma composição primitiva (condrito carbonáceo) do que o esperado dos asteróides convencionais do cinturão principal”.

Uma teoria popular afirma que Chicxulub é um fragmento de um asteróide muito maior que veio do cinturão principal, que é uma população de asteróides entre a órbita de Júpiter e Marte. Apenas cerca de um décimo de todos os asteróides do cinturão principal têm uma composição de condrito carbonáceo, embora se presuma que a maioria dos cometas de período longo a tenha.

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Evidências encontradas na cratera Chicxulub e outras crateras semelhantes sugerem que tinham condrito carbonáceo. Isso inclui um objecto que atingiu a Terra há cerca de dois mil milhões de anos e deixou a cratera Vredefort na África do Sul, que é a maior cratera na história da Terra, e o asteróide que deixou a cratera Zhamanshin no Cazaquistão, que é a maior cratera confirmada no último milhões de anos.

Segundo Loeb e Siraj, esta hipótese pode ser testada estudando ainda mais as crateras da Terra – e até aquelas na superfície da lua para determinar a composição dos asteróides.

Além da composição de cometas, o novo Observatório Vera Rubin, no Chile, pode ser conseguir ver a interrupção das marés de cometas de longo período quando ficar operacional no próximo ano.

Este estudo foi publicado esta segunda-feira na revista científica Scientific Reports.

Por Maria Campos
17 Fevereiro, 2021


4695: Sem o asteróide, os dinossauros teriam continuado a dominar a Terra

CIÊNCIA/BIOLOGIA

Os dinossauros não estavam em declínio na altura que foram extintos do planeta e poderiam mesmo ter continuado como o grupo dominante na Terra caso não fossem dizimados por um asteróide há 66 milhões de anos.

Esta é a conclusão de uma nova investigação levada a cabo por cientistas da Universidade de Bath e do Museu de História Natural, ambos no Reino Unido, que recorreu à análise de modelos estatísticos sobre a diversidade destes animais na época em que foram dizimados.

Na altura em que foram dizimados por um asteróide, no final do período Cretáceo Superior, os dinossauros estavam espalhados por todo o mundo, ocupavam todos os continentes e eram o animal dominante na maioria dos ecossistema terrestres da Terra.

No entanto, escreve a agência espanhola Europa Press, este assunto é ainda controverso entre paleobiólogos, que não conseguem chegar a um consenso sobre a diversidade destas animais à época do impacto do asteróide: há quem defenda que estavam a prosperar, mas há também quem defenda que estavam em claro declínio em todo o mundo.

Para dar resposta a este dilema, recolheu uma série de várias árvores genealógicas de dinossauros e usou modelos estatísticos para avaliar se cada um dos principais grupos de dinossauros ainda poderia produzir novas espécies neste momento.

Os cientistas não só descobriram que os dinossauros não estavam em declínio na altura em que foram extintos, contrariando estudos anteriormente publicados, como também concluíram que estes poderiam ter continuado a ser o grupo dominante de animais terrestres no planeta, caso não fosse o impacto do asteróide.

“O ponto principal do nosso artigo não é tão simples como olhar para algumas árvores e tomar uma decisão: os grandes vieses inevitáveis ​​no registo fóssil e a falta de dados muitas vezes podem mostrar um declínio nas espécies, mas pode não ser um reflexo da realidade da época”, explicou Joe Bonsor, autor principal do estudo, citado em comunicado.

“Os nossos dados não mostram que os dinossauros estavam em declínio. Na verdade, alguns grupos como os hadrossauros e ceratopsianos estavam a prosperar e não há evidências que sugiram que os dinossauros teriam sido extintos há 66 milhões de anos se o evento de extinção não tivesse ocorrido”, rematou.

Os resultados da investigação foram publicados na revista Royal Society Open Science.

Foi um asteróide (e nada mais do que um asteróide) que dizimou os dinossauros

Uma equipa internacional de cientistas acaba de reafirmar que foi um asteróide – e nada mais do que este corpo…

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ZAP //

Por ZAP
21 Novembro, 2020


4627: Neandertais e humanos estiveram em guerra durante 100 mil anos (e isso pode ter levado à sua extinção)

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA/PALEONTOLOGIA

Gleiver Prieto / University of Tübingen

A extinção dos Neandertais é um dos grandes mistérios da ciência. Agora, uma nova teoria de uma paleontólogo diz que a extinção desta espécie foi o resultado da perda de uma guerra de 100 mil anos anos com humanos anatomicamente modernos.

Os Neandertais e os ancestrais dos humanos modernos separaram-se em África há mais de 500 mil anos. A primeira espécie migrou para o Médio Oriente e espalhou-se por grande parte da Europa e da Ásia. Já os humanos anatomicamente modernos deixaram África há cerca de 200 mil anos. Por isso acredita-se que as duas espécies se cruzaram.

Isto pode indicar que as duas espécies viviam em harmonia e até cooperavam. De acordo com a BBC Future, os Neandertais não eram primitivos, pois eram relativamente avançados e tinham uma cultura.

O paleontólogo Nicholas R Longrich refere que “é tentador imagina-los a viver em paz com a natureza e uns com os outros”, mas “os Neandertais eram predadores e territoriais, por isso defendiam o seu território com violência e trabalhavam de forma cooperativa para combater os invasores. Isso significa que a extinção dos Neandertais pode não ter sido fácil.

Comportamento Territorial

Defender o próprio território e usar a violência para fazê-lo foi uma característica que todas as espécies herdaram dos seus ancestrais.

Longrich disse à BBC Future que “a agressão cooperativa evoluiu no ancestral comum dos chimpanzés e de nós mesmos há 7 milhões de anos”. Esse impulso é a raiz da violência organizada e da guerra. O especialista refere que “a guerra não é uma invenção moderna, mas uma parte antiga e fundamental de nossa humanidade”.

Os Neandertais eram notavelmente semelhantes aos humanos modernos, pois comportavam-se de forma semelhante. “Se os Neandertais partilhavam tantos dos nossos instintos criativos, também deviam ter muitos dos nossos instintos destrutivos”, refere o especialista.

Neste sentido, quando os ancestrais dos humanos modernos deixaram África e encontraram outras espécies de humanos arcaicos, o conflito e a guerra foram inevitáveis.

Uma análise no registo paleontológico mostra que há evidências de traumas nos ossos do Homo Sapiens e dos Neandertais. De acordo com algumas pesquisas, os homens jovens Neandertais mostravam sinais de ferimentos por traumas. Esses eram provavelmente os guerreiros dos grupos e isso pode indicar que foram feridos ou mortos em confrontos violentos.

As armas primitivas encontradas por arqueólogos em sítios pré-históricos contam também uma história de violência.

Há a possibilidade de os Neandertais e os primeiros humanos se terem envolvido em conflitos, e assim, os Neandertais resistiram às incursões dos humanos modernos nos seus territórios. Longrich afirma que esta situação “levou a uma guerra de 100 mil anos”, por isso, para os investigadores, é fácil perceber que a extinção dos Neandertais não foi rápida.

Os Neandertais eram adversários formidáveis e, por isso, difíceis de combater. Eram caçadores hábeis e tinham armas para resistir aos recém-chegados. Além disso, eram mais atarracados, mais fortes do que os nossos ancestrais, e provavelmente tinham melhor visão nocturna, o que poderia tê-los ajudado em conflitos nocturnos.

Como é que o Homo Sapiens venceu?

Segundo o Ancient Origins, a guerra entre as duas espécies fluiu por milhares de anos. A BBC Future relata que “em Israel e na Grécia, o arcaico Homo Sapiens ganhou terreno para recuar contra as ofensivas Neandertais”, ainda assim a espécie demorou cerca de 75 mil anos para alcançar a extinção dos Neandertais nos locais que hoje são Israel e Grécia.

É possível que os nossos ancestrais tivessem usado melhores técnicas de caça e tivessem outras vantagens estratégicas. Também os primeiros grupos de caça desta espécie eram provavelmente maiores do que os dos Neandertais, e sobretudo com mais lutadores.

A teoria de que nossos ancestrais acabaram por vencer os Neandertais através de violência, parece apoiar a visão de que estes desapareceram porque foram exterminados pelo Homo Sapiens.

No entanto, existem outras teorias para explicar a extinção dos Neandertais, incluindo doenças, falha na adaptação a ambientes em mudança e até mesmo falta de diversidade genética.

ZAP //

Por ZAP
10 Novembro, 2020


4619: Depois do asteróide que matou os dinossauros, algumas algas aprenderam a caçar para sobreviver

CIÊNCIA/BIOLOGIA

Nautilus E/V

Pequenas plantas oceânicas aparentemente inofensivas sobreviveram à escuridão causada pelo impacto que dizimou os asteróides, há 66 milhões de anos, ao aprender a comer outras criaturas vivas.

Grandes quantidades detritos, fuligem e aerossóis foram disparados para a atmosfera da Terra quando um asteróide de grandes dimensões colapsou com o nosso planeta, mergulhando-o na escuridão, arrefecendo o clima e acidificando o oceano.

Juntamente com os dinossauros e os repteis de grandes dimensões que vivam no oceano, as espécies dominantes de algas marinhas foram imediatamente exterminadas – à excepção de um raro tipo destas plantas, conta a agência noticiosa Europa Press.

Uma equipa internacional de cientistas, que contou com a participação de especialistas do Reino Unido, França e Estados Unidos, levou a cabo uma nova investigação para perceber como é que este tipo de algas conseguiram prosperar num ambiente tão hostil, que conduziu uma extinção em massa por quase toda a cadeia alimentar.

“Este evento estava mais perto de matar toda a vida multicelular neste planeta, pelo menos no oceano (…) Se removermos as algas, que foram a base da cadeia alimentar, tudo o resto deve morrer”, explicou o explica o geólogo da Universidade da Califórnia e co-autor do estudo Andrew Ridgwell, citado em comunicado.

“Queríamos saber como é que os oceanos da Terra evitaram este destino e como é o que o nosso ecossistema moderno marinho evoluiu novamente após estas catástrofe”.

Para encontrar respostas, a equipa analisou fósseis bem preservados das algas sobreviventes e criou modelos computorizados detalhadas para simular a provável evolução dos hábitos alimentares destes espécimes ao longo do tempo.

A maioria dos fósseis tinha escudos feitos a partir de carbonato de cálcio com alguns buracos. Estes buracos, explica o portal IFL Science, indicam a presença de flagelos, estruturas em forma de cauda que permitem que pequenos organismos nadem. “A única razão pela qual precisas de te mover é para apanhar a tua presa“, disse Ridgwell.

De acordo com os cientistas, estas algas alimentaram-se de outros organismos vivos através da fotossíntese para sobreviver, num fenómeno chamado mixotrofia.

Actualmente, existem poucos organismos terrestres com esta capacidade.

Segundo o estudo, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica Science Advances, depois de a escuridão causada pelo asteróide passar, estas algas mixotróficas expandiram-se desde as áreas da plataforma costeira para o oceano aberto.

Em oceano aberto, tornaram-se uma forma de vida dominante durante um milhão de anos, ajudando a reconstruir rapidamente a cadeira alimentar.

“Os resultados ilustram a extrema adaptabilidade do plâncton oceânico e a sua capacidade de evoluir rapidamente”, rematou Ridgwell.

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9 Novembro, 2020


4546: Extinção da fauna em Madagáscar pode dever-se à presença humana (e a mudanças climáticas)

CIÊNCIA/BIOLOGIA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Eugene Kaspersky / Flickr

Grande parte da fauna de Madagáscar e das ilhas Mascarenhas foi eliminada durante o último milénio. Neste sentido, uma equipa de cientistas analisou um registo do clima nos últimos 8000 anos nas ilhas. O resultado mostrou um ecossistema que tem sofrido com as mudanças climáticas e com o aumento da presença humana.

Quase toda a fauna de Madagáscar – incluindo o famoso pássaro Dodo, lémures do tamanho de um gorila, tartarugas gigantes e o pássaro elefante que tinha 3 metros de altura e pesava quase meia tonelada – desapareceu entre os últimos 500 e 1500 anos.

As ilhas Mascarenhas a leste de Madagáscar são de especial interesse porque estão entre as últimas ilhas do planeta a serem colonizadas pelo homem. Curiosamente, a sua fauna caiu apenas alguns séculos depois da colonização do homem.

A questão que os especialistas fazem é se estes animais foram vítimas de caça até à sua extinção pelos humanos, ou se eles desapareceram por causa das mudanças climáticas. Existem inúmeras hipóteses, mas a causa desta queda na fauna permanecia discutível.

Agora, num estudo publicado na Science Advances em Outubro, uma equipa de investigadores internacionais descobriu que a causa da extinção era provavelmente um “golpe duplo”, respondendo assim à questão que tem sido colocada por inúmeros especialistas. A extinção nas ilhas deve-se não só à presença de actividades humanas, como a um período particularmente severo a nível climático, que pode ter condenado a fauna.

Para este estudo, o professor Hanying Li, da Universidade Xi’an Jiaotong na China, reuniu detalhes sobre as variações climáticas na região. A fonte primária deste registo do clima veio da pequena ilha Mascarene de Rodrigues, no sudoeste do Oceano Índico, e que se situa a aproximadamente 1600 km a leste de Madagáscar.

Hanying Li e a sua equipa observaram os registos climáticos analisando os oligo-elementos, e isótopos de carbono e oxigénio de cada camada de crescimento incremental de estalagmites que recolheram numa das muitas cavernas da pequena ilha.

De acordo com Christoph Spötl, também autor do estudo, as “variações nas assinaturas geo-químicas forneceram as informações necessárias para reconstruir os padrões de precipitação da região nos últimos 8000 anos. Para analisar as estalagmites, usamos o método do isótopo estável no nosso laboratório em Innsbruck. ”

No seguimento dos resultados, Hai Cjheng – co-autor do estudo – explica que “apesar da distância entre as duas ilhas, as chuvas de verão em Rodrigues e Madagáscar são influenciadas pela mesma chuva tropical global que oscila ao norte e ao sul com as estações. E enquanto esta chuva permanecer mais ao norte de Rodrigues, as secas podem atingir toda a região de Madagáscar ”.

“A pesquisa na ilha de Rodrigues demonstra que o hidro-clima da região experimentou uma série de tendências de seca ao longo dos últimos 8 milénios”, observa Hubert Vonhof, cientista do Instituto Max Planck de Química em Mainz, e co-autor.

A tendência de seca na região começou há cerca de 1500 anos, numa época em que os registos arqueológicos começaram a dar sinais do aumento da presença humana na ilha, revela o portal SciTechDaily.

“Embora não possamos dizer com 100% de certeza que a actividade humana foi a culpada pela extinção da fauna na região, os nossos registos paleo-climáticos mostram que a fauna sobreviveu a todos os episódios anteriores”, ressalva Ashish Sinha, professor de ciências da terra na California State University Dominguez Hills, EUA.

O estudo lança uma nova luz sobre o desaparecimento da flora e da fauna das ilhas de Maurício e Rodrigues. “Ambas as ilhas tivessem sido rapidamente despojadas de espécies, incluindo o conhecido pássaro Dodo não voador de Maurício, e a tartaruga gigante de Rodrigues”, acrescenta Aurele Anquetil André, director da Reserva da Tartaruga e Caverna François Leguat em Rodrigues.

Segundo os investigadores que realizaram o estudo “aquilo que os dados mostram é a resiliência e adaptabilidade dos ecossistemas e da fauna das ilhas em episódios ​​de mudanças climáticas severas, até estas serem atingidas por actividades humanas e mudanças climáticas – as duas em conjunto são fatais”.

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25 Outubro, 2020

 

4362: Os dinossauros conquistaram o mundo após uma extinção em massa na Terra

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Chase Stone

Uma equipa internacional de cientistas identificou um evento anteriormente desconhecido de extinção massiva da vida na Terra que ocorreu há 223 milhões de anos e desencadeou a conquista do mundo pelos dinossauros.

O estudo liderado por Jacopo Dal Corso, da Universidade de Geociências da China, e Mike Benton, da Faculdade de Ciências da Terra da Universidade de Bristol, reviu evidências geológicas e paleontológicas para determinar o que aconteceu durante o período de crise chamado de Evento Pluvial Carniano.

Segundo os especialistas, a causa mais provável foram erupções vulcânicas maciças na província de Wrangellia, no oeste do actual Canadá, onde foram derramadas grandes quantidades de basalto vulcânico, que formava parte da costa oeste da América do Norte. As erupções foram tão grandes que gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono, geraram picos no aquecimento global.

Os fenómenos naturais e as mudanças climáticas causaram uma grande perda de biodiversidade no oceano e na terra. Muitas espécies de plantas e animais estavam a morrer – até desaparecerem completamente.

Logo depois, esse fenómeno de extinção abriu caminho para novas espécies que estavam a fomentar ecossistemas mais modernos, segundo os autores.

“Agora sabemos que os dinossauros originaram-se cerca de 20 milhões de anos antes deste evento, mas eram muito raros e sem importância até o Episódio Pluvial Carniano chegar”, disse Mike Benton, em comunicado, acrescentando que foram as condições áridas repentinas após um período molhado que durou cerca de um milhão de anos que deram aos dinossauros a sua oportunidade.

De acordo com os cientistas, este fenómeno não só foi benéfico para os dinossauros, como também deu origem a muitos grupos modernos de plantas e animais, incluindo algumas das primeiras tartarugas, crocodilos, lagartos e os primeiros mamíferos.

Além disso, as mudanças tiveram impacto na vida marinha. O evento deu início a recifes de coral de estilo moderno, bem como a novos tipos de plâncton, que podem ter causado profundas mudanças na química dos oceanos.

Até agora, os paleontólogos identificaram cinco grandes extinções em massa nos últimos 500 milhões de anos. “Cada uma delas teve um efeito profundo na evolução da Terra e da vida. Identificámos outro grande evento de extinção e, evidentemente, desempenhou um papel importante em ajudar a restabelecer a vida na terra e nos oceanos, marcando a origem dos ecossistemas”, concluiu Jacopo Dal Corso.

Este estudo foi publicado este mês na revista científica Science Advances.

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21 Setembro, 2020

 

 

4220: Explosão de uma (ou mais) estrelas pode ter causado uma extinção em massa na Terra

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

Jesse Miller

A explosão de uma ou mais super-novas pode ter desencadeado uma extinção em massa na Terra, sugere uma nova investigação liderada por Brian Fields, professor de astronomia e física da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos.

A investigação, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, explora se fenómenos astronómicos podem ter sido responsáveis por uma extinção massiva há 359 milhões de anos, na fronteira entre os períodos Devoniano e Carbonífero.

A equipa liderada por Brian Fields sugere que os raios cósmicos libertados na sequência de explosões de super-novas próximas podem ter desencadeado esta extinção.

Os cientistas debruçaram-se sobre os períodos Devoniano e Carbonífero porque as rochas que remontam a esta época contêm centenas de milhares de gerações de esporos de plantas que parecem ter sido queimadas pela luz ultravioleta, que é evidência de um evento destruição de ozono de longa duração.

“Catástrofes terrestres, como vulcanismo em grande escala e o aquecimento global, também podem destruir a camada de ozono, mas a evidências destes fenómenos não são conclusivas para o intervalo de tempo em questão”, explicou Fields, citado em comunicado.

“Em vez disso, propomos que uma ou mais explosões de super-novas, a cerca de 65 anos-luz da Terra, podem ter sido responsáveis pela perda programa de ozono”.

A equipa explorou outras causas astrofísicas para justificar esta destruição da camada de ozono, como o impacto de meteoritos, erupções solares e até explosões de raios.

“No entanto, estes eventos terminam rapidamente e é improvável que causem a destruição duradoura da camada de ozono que ocorreu no final do período Devoniano”, disse Jesse Miller, co-autor do estudo e estudante na universidade norte-americana.

Por outro lado, justificaram, uma super-nova causaria um duplo golpe: a explosão banha imediatamente a Terra com perigosos raios ultra-violeta, raios-X e raios gama e, mais tarde, a explosão de detritos desta estrela atinge o Sistema Solar, submetendo o planeta a uma irradiação de longa duração de raios cósmicos acelerados pela super-nova.

Os danos que este fenómeno causa à Terra e à camada de ozono podem durar até 100.000 anos, frisaram ainda os cientistas, citados pelo portal Phys.org.

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25 Agosto, 2020

 

 

4211: Afinal, pode não ter sido o Homem a levar o rinoceronte-lanoso à extinção

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA/GENÉTICA

Uma nova investigação sugere que a extinção do pré-histórico rinoceronte-lanoso não esteve relacionada com a caça excessiva praticada pelos primeiros humanos do mundo, tendo antes sido causada pelas mudanças climáticas.

Apesar de muitas investigações apontarem a actividade humana como a responsável pela extinção de algumas espécies pré-históricas, como o mamute-lanoso, o rinoceronte-lanoso e o leão-das-cavernas, um novo estudo aponta agora para o factor ambiental.

A nova investigação, cujos resultados foram publicados na revista científica especializada Current Biology, sugere que a extinção do rinoceronte-lanoso (Coelodonta antiquitatis) está relacionada com as mudanças climáticas.

Ao sequenciar o ADN antigo de 14 destes mega-herbívoros, os cientistas descobriram que a população de rinocerontes-lanosos permaneceu estável e diversa até alguns milhares antes de estes espécimes deixarem da Sibéria, quando as temperaturas terão aumentado muito para as espécies adaptadas ao frio.

“Inicialmente, pensava-se que os humanos apareceram no nordeste da Sibéria há 14.000 ou 15.000 anos, quando o rinoceronte-lanoso foi extinto (…) Mas, recentemente, houve várias descobertas de locais muito mais antigos ocupados por humanos, o mais famoso destes lugares tem cerca de 30.000 anos”, disse a autora principal do estudo, Love Dalén, da Universidade de Estocolmo, na Suécia, citada pela agência Europa Press.

Isto significa que o declínio desta espécie pré-histórica na região não coincide com o aparecimento dos primeiros humanos na zona: “De facto, vemos algo que se parece um pouco com um aumento no tamanho da população durante este período”, disse Dalén.

Os cientistas defendem que a extinção da espécie esteve relacionada com o aumento das temperaturas durante um curto período de tempo, conhecido como Bølling-Allerød, que ocorreu um pouco antes da última Era do Gelo.

“Deixamos a ideia de que os humanos assumem o controlo de tudo assim que entram num ambiente e, em vez disso, tentamos esclarecer o papel do clima nas extinções da mega-fauna (…) Embora não possamos descartar totalmente o envolvimento humano, sugerimos que a extinção do rinoceronte-lanoso esteve relacionada com o clima“.

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23 Agosto, 2020

 

 

4056: What could drive humans to extinction?

We might play a role in our own extinction.

This stag doesn’t seem to mind a human extinction.
(Image: © Shutterstock)

The scene opens on a sparse, gray landscape, a gnarled tree in the foreground, bits of ash slowly drifting down from the sky. On the horizon, a few huddled figures stumble forward and into a bleak future. If this sounds familiar, it’s because it’s a common visual trope in many post-apocalyptic films. Usually, these films tell the story of a catastrophe — an asteroid strike perhaps, or a nuclear war — that causes humanity’s demise, and then follows the challenges that the remaining humans face as they try to save their species from extinction.

Such films grip the public imagination. But what if human extinction was less a cinematic scenario, and instead, a looming reality? That might seem like a sensational question, but in fact, dozens of researchers around the world spend their days grappling with this very possibility, and how we might avoid it.

Their task isn’t easy. There are multiple theories around what might ultimately cause human extinction — everything from alien invasions to catastrophic asteroid strikes. But among those investigating this question, there’s a general consensus that some risks to human life are more plausible than others. In the field, researchers have a name for these: They call them “existential risks.” What follows here is just a sampling — a few of the risks that researchers have at the top of their minds.

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Nuclear war

An existential risk is different to what we might think of as a “regular” hazard or threat, explained Luke Kemp, a research associate at the Centre for the Study of Existential Risk at Cambridge University in the United Kingdom. Kemp studies historical civilizational collapse and the risk posed by climate change in the present day. “A risk in the typical terminology is supposed to be composed of a hazard, a vulnerability and an exposure,” he told Live Science. “You can think about this in terms of an asteroid strike. So the hazard itself is the asteroid. The vulnerability is our inability to stop it from occurring — the lack of an intervention system. And our exposure is the fact that it actually hits the Earth in some way, shape or form.”

Take nuclear war, which history and popular culture have etched onto our minds as one of the biggest potential risks to human survival. Our vulnerability to this threat grows if countries produce highly-enriched uranium, and as political tensions between nations escalate. That vulnerability determines our exposure.

As is the case for all existential risks, there aren’t hard estimates available on how much of Earth’s population a nuclear firestorm might eliminate. But it’s expected that the effects of a large-scale nuclear winter — the period of freezing temperatures and limited food production that would follow a war, caused by a smoky nuclear haze blocking sunlight from reaching the Earth — would be profound. “From most of the modeling I’ve seen, it would be absolutely horrendous. It could lead to the death of large swathes of humanity. But it seems unlikely that it by itself would lead to extinction.” Kemp said.

Pandemics

The misuse of biotechnology is another existential risk that keeps researchers up at night. This is technology that harnesses biology to make new products. One in particular concerns Cassidy Nelson: the abuse of biotechnology to engineer deadly, quick-spreading pathogens. “I worry about a whole range of different pandemic scenarios. But I do think the ones that could be man-made are possibly the greatest threat we could have from biology this century,” she said.

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As acting co-lead of the biosecurity team at the Future of Humanity Institute at the University of Oxford in the United Kingdom, Nelson researches biosecurity issues that face humanity, such as new infectious diseases, pandemics and biological weapons. She recognizes that a pathogen that’s been specifically engineered to be as contagious and deadly as possible could be far more damaging than a natural pathogen, potentially dispatching large swathes of Earth’s population in limited time. “Nature is pretty phenomenal at coming up with pathogens through natural selection. It’s terrible when it does. But it doesn’t have this kind of direct ‘intent,'” Nelson explained. “My concern would be if you had a bad actor who intentionally tried to design a pathogen to have as much negative impact as possible, through how contagious it was, and how deadly it was.”

But despite the fear that might create — especially in our currently pandemic-stricken world — she believes that the probability that this would occur is slim. (It’s also worth mentioning that all evidence points to the fact that COVID-19 wasn’t created in a lab.) While the scientific and technological advances are steadily lowering the threshold for people to be able to do this, “that also means that our capabilities for doing something about it are rising gradually,” she said. “That gives me a sense of hope, that if we could actually get on top [of it], that risk balance could go in our favor.” Still, the magnitude of the potential threat keeps researchers’ attention trained on this risk.

From climate change to AI

A tour of the threats to human survival can hardly exclude climate change, a phenomenon that’s already driving the decline and extinction of multiple species across the planet. Could it hurl humanity toward the same fate?

The accompaniments to climate change — food insecurity, water scarcity, and extreme weather events — are set to increasingly threaten human survival, at regional scales. But looking to the future, climate change is also what Kemp described as an “existential risk multiplier” at global scales, meaning that it amplifies other threats to humanity’s survival. “It does appear to have all these relationships to both conflict as well as political change, which just makes the world a much more dangerous place to be.” Imagine: food or water scarcity intensifying international tensions, and triggering nuclear wars with potentially enormous human fatalities.

This way of thinking about extinction highlights the interconnectedness of existential risks. As Kemp hinted before, it’s unlikely that a mass extinction event would result from a single calamity like a nuclear war or pandemic. Rather, history shows us that most civilizational collapses are driven by several interwoven factors. And extinction as we typically imagine it — the rapid annihilation of everyone on Earth — is just one way it could play out.

A catastrophic event might leave only a few hundred or thousand survivors on Earth, which would bring humanity’s viability, as a species, into question. Alternatively, a collapse could wipe out only a segment of humanity, but consequently trigger global insecurity and conflict, reduce our resilience to other threats, setting in motion a more gradual decline. “We’re not talking about a single idea of what an extinction would look like, or how it would unfold. It’s more nuanced than that,” Kemp explained.

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There’s another angle to this as well: an existential risk to humanity doesn’t necessarily have to threaten our survival in order to be counted. A risk might be one that curtails our potential as a species — whether that’s our capacity to become a space- faring race, or to reach a certain level of technological dominion. “In some ways, that’s almost as much of a threat to our existence,” said Nelson. In other words, it shatters our idea of humanity’s purpose — which some might argue, is to progress. One prominent risk that fits into this category is artificial intelligence: researchers philosophize that intelligent robots, unintentionally unleashed on the world, might impose widespread surveillance on humans, or outpace us physically and mentally. That would usurp our dominance on the planet, and for many, could fundamentally alter the idea of what it means to be a human.

Humanity itself?

However wide-ranging these risks are, they all have one thing in common: humans play a key role in determining the severity of these risks. So what if humans are their own biggest extinction risk?

That’s a focus of Sabin Roman’s research. As a research associate at the Centre for the Study of Existential Risk, he models societal evolution and collapse, looking at past civilizations including the Roman Empire and Easter Island. As Roman sees it, the majority of existential risks are “self-created,” rooted in societies and the systems they produce. In his view, humanity’s attraction to continuous growth leads to exploitation, planetary destruction and conflict. Ironically, that only increases some of the biggest threats we face today, and our vulnerability to them. “A bit too much hinges on perpetual economic growth. If we tried to optimize something else, that would be good!” he said.

He likens our civilization to a line of dominos, where the risk isn’t so much the nudge that starts the cascade — it’s vulnerability to that threat. “[The domino line] is very vulnerable to any perturbation,” Roman said. “If we actually want to change something, there’s very little realistic impact we can have on external factors. It’s more our internal functioning as a society that can change.”

Kemp agrees with this logic: “When people ask me, ‘What’s the biggest existential risk facing humankind?’ I tend to strive for a curveball in response: [poor] international cooperation.” Surreal as it may seem, that’s why studying humanity’s potential demise is a pragmatic pursuit: it can illuminate humanity’s own role in hastening the threat, and its potential to scale it down. Nelson believes that the importance of this challenge means we should be ramping up research on existential threats. “We need more people working on this, and more institutions with more resources to do so.”

So, is that vision in the apocalyptic film the one that awaits humanity? We have no accurate predictions or simple answers about our fate here on Earth. But looking back at collapsed societies, one thing Roman’s sure of is that humans have never been better equipped to protect ourselves. “The thing that’s different with us is we can actually learn from all those past lessons,” Roman said. “The opportunity to learn is enormous.”

Originally published on Live Science.
25/07/2020
By Emma Bryce – Live Science Contributor

 

 

4037: Quase todos os ursos polares podem desaparecer até 2100

CIÊNCIA/CLIMA

Scott Schliebe / U.S. Fish and Wildlife Service

A maioria das populações de ursos polares desaparecerá até ao final do século se o aquecimento global continuar ao ritmo actual, alerta uma nova investigação levada a cabo por cientistas da Universidade de Toronto, no Canadá.

No novo estudo, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica especializada Nature Climate Change, os cientistas explicam que a dieta destes animais consiste principalmente em focas, caçadas no gelo marinho.

Contudo, à medida que o gelo marinho derrete, os ursos têm menos hipóteses de conseguir apanhar as suas presas. Consequentemente, comem menos e torna-se mais difícil ganhar peso antes de uma jornada de jejum mais longa.

Para esta investigação, os cientistas usaram projecções de modelos para conseguir perceber quanto tempo é que durarão as futuras épocas de jejum nas populações de ursos polares. Calcularam também o número dias que os ursos podem sobreviver sem comida.

Combinando estes dados, a equipa de cientistas canadianos estimaram quantos dias podem passar sem que os ursos comam e consigam nutrir as suas crias, assegurando a sustentabilidade da população.

Os cientistas associaram a perda de gelo no mar do Árctico com um acentuado declínio na reprodução subsequente e a sobrevivência de quase todas as populações que vivem na região, escreve a Russia Today, frisando que apenas algumas populações escapariam.

“Embora as nossas projecções para o futuro dos ursos polares pareçam más, o lamentável é que podem até ser optimistas demais“, começou por dizer o principal autor do estudo, Péter Molnár, da Universidade de Toronto, citado em comunicado.

“Assumimos que os ursos polares usarão a sua energia corporal disponível de forma ideal ao jejuar. Caso contrário, a realidade poderá ser pior do que nossas projecções”, alertou.

E concluiu: “O desafio é que o gelo marinho do Árctico continua a desaparecer à medida que o mundo continuar a aquecer (…) E isto significa que os ursos polares de todo o mundo enfrentarão períodos mais longos sem comida, e isso afectará a sua capacidade de se reproduzir, sobreviver e persistir como [parte de] populações saudáveis”.

ZAP //

Por ZAP
22 Julho, 2020

 

 

4018: A vida “só” precisou de 700 mil anos para recuperar na cratera do asteróide que dizimou os dinossauros

CIÊNCIA/GEOLOGIA

Ntvtiko / Deviant Art

A vida só precisou de 700 mil anos para recuperar na cratera do asteróide que dizimou os dinossauros há 66 milhões de anos, concluiu uma nova investigação que contou com a participação da Universidade de Granada, em Espanha.

De acordo com a nova investigação, cujos resultados foram publicados na revista Geology, após a rápida recuperação de alguns organismos, num intervalo de dezenas de anos, a vida no fundo do mar da cratera voltou aos seus níveis de abundância e diversidade anteriores em apenas 700 mil anos – um tempo “curto” na escala geológica.

Em causa está o impacto que dizimou o asteróides: há 66 milhões de anos, este corpo caiu em Chicxulub, na península de Yucatan, no México, causando uma das cinco grandes extinções em massa do período geológico do Fanerozoico.

O impactou causou uma cratera de 180 quilómetros de diâmetro, sendo a sua violência comparada à de mil milhões de bombas atómicas.  Alterou significativamente o meio ambiente global, causando grandes terramotos.

Cerca de 70% das espécies marinhas e continentais que viviam neste período foram extintas, representando este momento uma grande mudança evolutiva da vida na Terra.

“Esta recuperação não foi repentina, sendo antes o produto de diferentes fases de diversificação, estabilização e consolidação”, começou por explicar Javier Rodríguez-Tovar, professor da Universidade de Granada e co-autor do estudo, citado pela Europa Press.

“De acordo com as características dos traços e organismos que os geraram, confirma-se a importância biológica como factor-chave neste processo de recuperação rápida“, rematou.

O novo estudo abre uma nova linha de investigação sobre as extinções em massa, eventos de grande importância na compreensão da evolução da vida na Terra.

Foi um asteróide (e nada mais do que um asteróide) que dizimou os dinossauros

Uma equipa internacional de cientistas acaba de reafirmar que foi um asteróide – e nada mais do que este corpo…

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ZAP //

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20 Julho, 2020

 

 

4016: Golfinho extinto há 25 milhões de anos era o principal predador da sua comunidade

CIÊNCIA/BIOLOGIA

(dr) Robert W. Boessenecker
Ankylorhiza tiedemani

Extinto há cerca de 25 milhões de anos, este golfinho feroz, com quase cinco metros de comprimento, foi o principal predador da sua comunidade.

Uma equipa de cientistas identificou, recentemente, um esqueleto quase completo de um ancestral de golfinho com 4,8 metros de comprimento que viveu na actual Carolina do Sul durante a época do Oligoceno, há cerca de 25 milhões de anos.

Além de ser muito comprido, o animal tinha dentes grandes e parecidos com presas e parece ter sido capaz de caçar a alta velocidade como uma orca. O artigo científico foi publicado no dia 9 de Julho na Current Biology.

De acordo com o Science Alert, o esqueleto foi encontrado na década de 1990, mas foi classificado incorrectamente: trata-se do primeiro esqueleto de Ankylorhiza tiedemani (quase completo) a ser analisado. Até agora, esta criatura só foi estudada a partir de um fóssil parcial do focinho.

Os cientistas acreditam que o animal era um predador violento e que reunia em si uma mistura das características da baleia-assassina e do golfinho, o que proporciona uma maior compreensão sobre a evolução paralela destas duas espécies de animais marinhos. As características terão evoluído paralelamente, em vez de terem sido herdadas do mesmo ancestral.

Robert Boessenecker, investigador do College of Charleston, explicou que a evolução paralela terá acontecido devido aos ambientes aquáticos semelhantes que os dois animais ocupavam. Apesar de parecer óbvio que os animais do mesmo ambiente desenvolvem características semelhantes, não se trata necessariamente de um padrão.

Os golfinhos gigantes extinguiram-se há cerca de 23 milhões de anos. Desde então, outras baleias e golfinhos surgiram na Terra, ainda que, actualmente, a única baleia predadora (e temível) seja a orca.

“As baleias e os golfinhos têm uma história evolutiva longa e complicada e podemos não ter noção disso mesmo, com base nas espécies modernas. O registo fóssil abriu esse longo e sinuoso caminho evolutivo. Fsseis como Ankylorhiza ajudam a esclarecer toda a história” rematou Boessenecker.

ZAP //

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19 Julho, 2020

 

 

3508: Dezenas de baleias azuis são vistas na Antárctida pela 1ª vez em 40 anos

CIÊNCIA/ANIMAIS

Após 60 anos de caça desenfreada às baleias azuis e jubarte, o litoral da Ilha Geórgia do Sul, na costa da Antárctida, virou um lugar vazio e abandonado.

A caça foi proibida em 1982 com a assinatura de um grande acordo internacional.

Trinta e oito anos depois, um grupo de pesquisadores da British Antarctic Survey (BAS) descobriu que essas baleias estão retornando ao local – em grande número! – repovoando a Ilha Geórgia do Sul.

Décadas de protecção e forte pressão do movimento ambientalista permitiram que as baleias azuis, até então ameaçadas de extinção, pudessem se reproduzir e repovoar a região.

Um milagre, pois 97% delas foram mortas pela caça ilegal até os anos 1980.

Em 2018, uma expedição da British Antarctic Survey registou apenas 1 avistamento e algumas confirmações acústicas (som emitido) de baleias azuis. Neste ano, uma nova expedição registou 36 avistamentos e 19 confirmações acústicas – 55 ao todo!

“Para uma espécie tão rara (baleia azul), esse é um número sem precedentes de avistamentos e sugere que as águas da Geórgia do Sul permanecem um importante local de alimentação para essas espécies raras e pouco conhecidas”, diz um comunicado para imprensa publicado no site da British Antarctic Survey.

A expedição de 2020 também encontrou evidências de uma comunidade incrível com 20 mil baleias jubarte!

“Após três anos de pesquisas, estamos emocionados ao ver tantas baleias retornando à Geórgia do Sul para se alimentar novamente”, diz a líder da equipe, Dra. Jennifer Jackson, bióloga de baleias no BAS.

“Este é um local onde a caça ilegal foi realizada extensivamente. Está claro que a protecção a favor das baleias funcionou“, concluiu.

The Greenest Post

 

 

3354: O peixe-espátula chinês pode vir a ser o primeiro animal extinto em 2020

CIÊNCIA/ZOOLOGIA

Muséum d’histoire Naturelle / Wikimedia
Chinese paddlefish

O peixe-espátula chinês, considerado o maior peixe de água doce da China, pode ter entrado para a lista dos animais extintos.

Uma equipa de cientistas afirma que o peixe-espátula chinêsPsephurus gladius — já não existe, tendo sido provavelmente extinto em algum momento entre 2005 e 2010, de acordo com o Live Science.

Os investigadores recordam que o peixe já foi comum no rio Yangtze, mas factores como a sobre-pesca e a fragmentação do habitat selaram a destruição desta espécie.

“Como não existem espécimes em cativeiro nem tecido vivo conservado para uma possível ressurreição, o peixe deve ser considerado extinto de acordo com os critérios da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN)”, escreveu Hui Zhang, investigador da Academia Chinesa de Ciências da Pesca que liderou o estudo publicado, na edição de Março de 2020, da revista Science of the Total Environment.

De acordo com o mesmo site, o peixe-espátula chinês era uma criatura impressionante, com um ‘focinho’ grande e saliente, que lhe deu o apelido xiang yu (“peixe elefante” em mandarim). Este animal podia crescer até sete metros, colocando-o entre o esturjão e o peixe-jacaré como um dos maiores peixe de água doce do mundo.

A espécie foi considerada uma das mais ameaçadas da China em 1989, mas, apesar deste alerta, a sua população continuou a diminuir. A última vez que foi avistado foi em 2003.

A perda deste animal mostra o porquê da importância de garantir a sobrevivência de outras espécies ameaçadas de Yangtze, tal como o jacaré-da-china (Alligator sinensis), afirmam os investigadores.

ZAP //

Por ZAP
12 Janeiro, 2020

 

3342: Vikings desapareceram da Gronelândia (e as morsas podem ajudar a explicar porquê)

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

nubui / Flickr

O colapso das colónias nórdicas da Gronelândia e o desaparecimento inexplicável dos Vikings que por lá viviam continua a ser um grande mistério. Mas, agora, investigadores sugerem que isso pode ter sido desencadeado, em parte, pela exploração excessiva do seu recurso mais valioso: as morsas.

Segundo a revista Newsweek, o marfim da morsa era comercializado na Europa, no início do período medieval, para ser usado em objectos como crucifixos e peças de jogos. As povoações nórdicas da Gronelândia mantinham uma espécie de monopólio sobre o produto, mas, apesar do sucesso, também pode ter sido esta grande procura que ditou a sua queda.

A análise de produtos de marfim desta época sugere que os comerciantes dependiam cada vez mais de animais menores, frequentemente fêmeas de regiões mais a norte. Por outras palavras, isto significava uma jornada mais longa e também mais perigosa que, muitas vezes, se traduzia depois numa recompensa menor.

A equipa de cientistas do Reino Unido e da Noruega analisou 67 peças de rostro — uma parte do crânio e focinho — que datam dos séculos XI e XV. Uma combinação do ADN e isótopos estáveis foi usada para determinar o sexo e a geografia do animal.

Os resultados dessa análise sugerem uma mudança para animais de um ramo evolutivo de morsa encontrado predominantemente na área ao redor da Baffin Bay, no noroeste do país. Essa teoria é apoiada pela presença de artefactos nórdicos entre os restos dos povoamentos dos Inuítes dos séculos XIII e XIV, dizem os investigadores.

Uma proporção mais alta de fêmeas sugere que houve uma pressão sobre os recursos, provavelmente causada pela exploração excessiva das populações de morsas — embora as mudanças climáticas (a chamada “Pequena Era do Gelo”) também possam ter contribuído.

À medida que a cadeia de suprimentos diminuía, parece ter havido uma preferência crescente na Europa continental pela presa de elefante, trazida pelas rotas comerciais da África Ocidental.

“Apesar de uma queda significativa, as evidências indicam que a exploração de morsas pode até ter aumentado durante os séculos XIII e XIV”, afirma James H. Barrett, investigador do departamento de Arqueologia da Universidade de Cambridge que liderou o estudo publicado na revista científica Quaternary Science Reviews.

“Enquanto os gronelandeses perseguiam as populações de morsas empobrecidas sempre para norte, para um retorno cada vez menor, deve ter chegado a um ponto em que era insustentável. Acreditamos que essa ‘maldição de recursos’ minou a resiliência das colónias da Gronelândia”.

O resultado foi uma “tempestade perfeita” entre menos recursos e menos procura, exacerbada ainda mais pelas alterações climáticas, que há muito se propõem como uma das razões do desaparecimento do povo nórdico na Gronelândia no século XV.

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ZAP //

Por ZAP
10 Janeiro, 2020

 

3332: Extinção de mamíferos da idade do gelo pode ter forçado humanos a inventar a civilização

CIÊNCIA/HUMANIDADE

Daleyhl / Wikimedia

O surgimento das civilizações pode não ter sido algo planeado e ponderado, mas sim uma opção de último recurso devido à extinção de grandes mamíferos da idade do gelo.

O Homo sapiens moderno evoluiu pela primeira vez entre 250 mil e 350 mil anos atrás. Mas os passos iniciais rumo a uma civilização começaram apenas há cerca de 10 mil anos, com as primeiras civilizações a surgirem há 6.400 anos.

Durante 95% da história da nossa espécie, não cultivamos, criamos grandes assentamentos ou hierarquias políticas complexas. Vivíamos em pequenos grupos nómadas, a caçar e a colectar. Depois, algo mudou.

Passamos da vida de caçadores-colectores para a colheita de plantas, depois o cultivo e, finalmente, as cidades. Surpreendentemente, esta transição ocorreu apenas após o desaparecimento da mega-fauna da idade do gelo — mamutes, preguiças, veados e cavalos gigantes. As razões pelas quais os humanos começaram a cultivar ainda permanecem incertas, mas o desaparecimento dos animais dos quais dependíamos para alimentação pode ter forçado a nossa cultura a evoluir.

Os primeiros humanos eram inteligentes o suficiente para cultivar. Todos os grupos de humanos modernos têm níveis semelhantes de inteligência, sugerindo que as nossas capacidades cognitivas evoluíram antes que estas populações se separassem há cerca de 300.000 anos e depois mudassem pouco depois. Se os nossos ancestrais não cultivaram plantas, não é que não tenham sido suficientemente inteligentes. Algo no ambiente os impedia — ou eles simplesmente não precisavam.

O aquecimento global no final do último período glacial provavelmente facilitou a agricultura. No entanto, é improvável que a agricultura fosse impossível em todos os lugares. Os eventos anteriores de aquecimento do clima não estimularam a aventura na agricultura. As alterações climáticas não podem ter sido o único factor.

A migração humana provavelmente também contribuiu. Quando as nossas espécies se expandiram do sul de África para a Ásia, Europa e depois as Américas, encontramos novos ambientes e novas plantas. Contudo, pessoas ocupavam estas partes do mundo muito antes do início da agricultura. A domesticação das plantas atrasou a migração humana em dezenas de milénios.

Se já existiam oportunidades para inventar a agricultura, a sua invenção tardia sugere que os nossos ancestrais não precisavam ou não queriam cultivar.

Caça abandonada

No entanto, algo mudou. Há 10 mil anos atrás, os seres humanos abandonaram repetidamente o estilo de vida de caçadores-colectores para a agricultura. Pode ser que, após a extinção de mamutes e de mega-fauna da época do Plistoceno, e a caça excessiva, o estilo de vida dos caçadores-colectores se tenha tornado menos viável, levando as pessoas a colher e depois cultivar plantas.

Talvez a civilização não tenha nascido do desejo de progredir, mas do desastre, como uma catástrofe ecológica forçou as pessoas a abandonar os seus estilos de vida tradicionais.

À medida que os humanos deixaram África para colonizar novas terras, grandes animais desapareceram em todos os lugares em que pisamos. Na Europa e na Ásia, a mega-fauna, como rinocerontes lanudos, mamutes e alces irlandeses. Na Austrália, cangurus e vombates gigantes desapareceram. Na América do Norte e do Sul foram os cavalos, camelos, tatus gigantes, mamutes e preguiças caíram.

Após as pessoas se espalharam para as Caraíbas, Madagáscar, Nova Zelândia e Oceânia, a sua mega-fauna também desapareceu. As extinções seguiam inevitavelmente os humanos.

Caçar animais grandes oferece um maior retorno do que caçar animais pequenos como coelhos. Contudo, os animais grandes reproduzem-se lentamente e têm poucos filhos em comparação com pequenos animais, tornando-os vulneráveis. Isto significava que caçávamos animais grandes mais rápido do que eles se conseguiam reproduzir. Foi, sem dúvida, a primeira crise de sustentabilidade.

Os humanos seriam então forçados a inovar, concentrando-se cada vez mais na colecta e no cultivo de plantas para sobreviver. Isto permitiu que as populações humanas se expandissem.

Comer plantas em vez de carne é um uso mais eficiente da terra, pelo que a agricultura pode sustentar mais pessoas na mesma área em comparação com a caça. As pessoas poderiam estabelecer-se permanentemente, construir assentamentos e posteriormente civilizações.

A agricultura e a civilização podem ter sido inventadas não porque foram uma melhoria em relação ao nosso estilo de vida ancestral, mas porque não nos restava escolha. A agricultura foi uma tentativa desesperada de consertar as coisas quando levamos mais do que o ecossistema poderia sustentar. Neste caso, abandonamos a vida dos caçadores da era do gelo para criar o mundo moderno, não com previsão e intenção, mas por acidente, por causa de uma catástrofe ecológica que criamos há milhares de anos.

ZAP // The Conversation

Por ZAP
8 Janeiro, 2020

 

3218: A Terra já estava “envenenada” antes do asteróide que dizimou os dinossauros

CIÊNCIA

Ntvtiko / Deviant Art

Depósitos fósseis revelaram que a Terra já enfrentava uma situação instável  antes de o asteróide que dizimou os dinossauros ter atingido o nosso planeta. Esta situação de stress deveu-se ao aumento de carbono (CO2) nos oceanos.

Esta é a conclusão de uma equipa de cientistas da Northwestern University, nos Estados Unidos, que estudou a composição isotópica de cálcio em conchas fossilizadas de moluscos e caracóis, que datam do evento do período de extinção em massa do Cretáceo-Paleogeno, tal como explicam os cientistas em comunicado.

Na prática, a Terra estava já “envenenada” com carbono quando o asteróide que atingiu a Terra há 65 milhões de anos acabou com os dinossauros. O impacto do corpo rochoso com a Terra, recorda o portal ABC, atingiu a Terra com uma potência equivalente a dez mil milhões de bombas atómicas de Hiroxima.

Os cientistas descobriram que a química das conchas estudadas mudou em resposta a um aumento de carbono nos oceanos. Estes valores de carbono deveram-se a erupções longas (30.000 anos) na Deccan Traps, uma das maiores províncias vulcânicas da Terra (200.000 milhas quadradas), localizada na Índia.

Durante os anos que antecederam o impacto do asteróide, o Deccan Traps expeliu enormes quantidades de dióxido de carbono na atmosfera. A concentração de CO2 acidificou os oceanos, afectando directamente os organismos que ali viviam.

“Os nosso dados sugerem que o ambiente estava a mudar antes do impacto do asteróide (…) Estas mudanças parecem correlacionar-se com a erupção de Deccan Traps”, disse Benjamin Linzmeier, o autor principal do estudo.

“A Terra estava claramente sob stresse antes do grande evento de extinção em massa (…) O impacto do asteróide coincide com a instabilidade pré-existente do ciclo de carbono. Mas isso não significa que temos resposta para explicar o que realmente causou a extinção [dos dinossauros]”, apontou, por sua vez, Andrew D. Jacobson, que também participou na investigação, cujos resultados foram agora publicados na revista Geology.

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Por ZAP
18 Dezembro, 2019

 

 

3121: Um golpe de má sorte pode ter ditado a extinção dos Neandertais

CIÊNCIA

Afinal, pode não ter sido culpa nossa. Uma investigação recente sobre o desaparecimentos dos neandertais sugere que, em vez de terem sido superados pelo Homo sapiens, os nossos ancestrais podem ter sido extintos por azar.

A população neandertal era tão pequena na altura em que os humanos modernos chegaram à Europa e ao Oriente Próximo que a endogamia e as flutuações naturais nas taxas de natalidade, nas taxas de mortalidade e nas relações sexuais poderiam ter resultado na sua extinção.

Os paleoantropólogos sugerem que os neandertais desapareceram há 40.000 anos, quase ao mesmo tempo em que humanos anatomicamente modernos começaram a migrar para o Oriente Próximo e para a Europa. No entanto, o papel que os humanos modernos tiveram na extinção dos neandertais é discutido.

Neste estudo, os cientistas da Universidade Tecnológica de Eindhoven, na Holanda, liderados pela líder da investigação Krist Vaesen, usaram modelos populacionais para explorar se as populações neandertais poderiam ter desaparecido sem factores externos, como a competição dos seres humanos modernos.

Os autores utilizaram dados de populações existentes de caçadores-colectores como parâmetros e desenvolveram modelos populacionais para populações neandertais simuladas de vários tamanhos iniciais (50, 100, 500, 1.000 ou 5.000 indivíduos).

De seguida, relata o Europa Press, os investigadores simularam para cada uma das suas populações modelo os efeitos da consanguinidade, os efeitos de Allee (onde o tamanho reduzido da população afecta negativamente a aptidão física dos indivíduos) e as flutuações demográficas aleatórias anuais em nascimentos, mortes e proporção de sexos, para ver se estes factores poderiam ter causado um evento de extinção.

Os resultados mostraram que é improvável que a consanguinidade, por si só, tenha levado à extinção.

Já os efeitos de Allee relacionados à reprodução, nos quais 25% ou menos das fêmeas neandertais deram à luz num determinado ano (como é comum em caçadores-colectores existentes), poderiam ter causado a extinção em populações de até 1.000 indivíduos.

Juntamente com as flutuações demográficas, os efeitos Allee e a consanguinidade poderiam ter causado a extinção em todos os tamanhos populacionais modelados nos 10.000 anos atribuídos aos investigadores.

É necessário salvaguardar que estes modelos populacionais são limitados devido aos seus parâmetros, baseados em caçadores-colectores humanos modernos, além de excluírem  o impacto do efeito Allee nas taxas de sobrevivência.

Os cientistas admitem que também pode ter sido possível que os humanos modernos tenham impactado as populações neandertais de maneira a reforçar os efeitos da consanguinidade e do Allee. No entanto, essa sugestão não é reflectida nos resultados desta investigação.

Os autores acrescentam que o estudo sugere que os neandertais não desapareceram por culpa dos seres humanos modernos. “O desaparecimento das espécies pode ser simplesmente devido a um golpe de má sorte demográfica“, rematam.

ZAP //

Por ZAP
30 Novembro, 2019