4362: Os dinossauros conquistaram o mundo após uma extinção em massa na Terra

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Chase Stone

Uma equipa internacional de cientistas identificou um evento anteriormente desconhecido de extinção massiva da vida na Terra que ocorreu há 223 milhões de anos e desencadeou a conquista do mundo pelos dinossauros.

O estudo liderado por Jacopo Dal Corso, da Universidade de Geociências da China, e Mike Benton, da Faculdade de Ciências da Terra da Universidade de Bristol, reviu evidências geológicas e paleontológicas para determinar o que aconteceu durante o período de crise chamado de Evento Pluvial Carniano.

Segundo os especialistas, a causa mais provável foram erupções vulcânicas maciças na província de Wrangellia, no oeste do actual Canadá, onde foram derramadas grandes quantidades de basalto vulcânico, que formava parte da costa oeste da América do Norte. As erupções foram tão grandes que gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono, geraram picos no aquecimento global.

Os fenómenos naturais e as mudanças climáticas causaram uma grande perda de biodiversidade no oceano e na terra. Muitas espécies de plantas e animais estavam a morrer – até desaparecerem completamente.

Logo depois, esse fenómeno de extinção abriu caminho para novas espécies que estavam a fomentar ecossistemas mais modernos, segundo os autores.

“Agora sabemos que os dinossauros originaram-se cerca de 20 milhões de anos antes deste evento, mas eram muito raros e sem importância até o Episódio Pluvial Carniano chegar”, disse Mike Benton, em comunicado, acrescentando que foram as condições áridas repentinas após um período molhado que durou cerca de um milhão de anos que deram aos dinossauros a sua oportunidade.

De acordo com os cientistas, este fenómeno não só foi benéfico para os dinossauros, como também deu origem a muitos grupos modernos de plantas e animais, incluindo algumas das primeiras tartarugas, crocodilos, lagartos e os primeiros mamíferos.

Além disso, as mudanças tiveram impacto na vida marinha. O evento deu início a recifes de coral de estilo moderno, bem como a novos tipos de plâncton, que podem ter causado profundas mudanças na química dos oceanos.

Até agora, os paleontólogos identificaram cinco grandes extinções em massa nos últimos 500 milhões de anos. “Cada uma delas teve um efeito profundo na evolução da Terra e da vida. Identificámos outro grande evento de extinção e, evidentemente, desempenhou um papel importante em ajudar a restabelecer a vida na terra e nos oceanos, marcando a origem dos ecossistemas”, concluiu Jacopo Dal Corso.

Este estudo foi publicado este mês na revista científica Science Advances.

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21 Setembro, 2020

 

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4220: Explosão de uma (ou mais) estrelas pode ter causado uma extinção em massa na Terra

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

Jesse Miller

A explosão de uma ou mais super-novas pode ter desencadeado uma extinção em massa na Terra, sugere uma nova investigação liderada por Brian Fields, professor de astronomia e física da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos.

A investigação, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, explora se fenómenos astronómicos podem ter sido responsáveis por uma extinção massiva há 359 milhões de anos, na fronteira entre os períodos Devoniano e Carbonífero.

A equipa liderada por Brian Fields sugere que os raios cósmicos libertados na sequência de explosões de super-novas próximas podem ter desencadeado esta extinção.

Os cientistas debruçaram-se sobre os períodos Devoniano e Carbonífero porque as rochas que remontam a esta época contêm centenas de milhares de gerações de esporos de plantas que parecem ter sido queimadas pela luz ultravioleta, que é evidência de um evento destruição de ozono de longa duração.

“Catástrofes terrestres, como vulcanismo em grande escala e o aquecimento global, também podem destruir a camada de ozono, mas a evidências destes fenómenos não são conclusivas para o intervalo de tempo em questão”, explicou Fields, citado em comunicado.

“Em vez disso, propomos que uma ou mais explosões de super-novas, a cerca de 65 anos-luz da Terra, podem ter sido responsáveis pela perda programa de ozono”.

A equipa explorou outras causas astrofísicas para justificar esta destruição da camada de ozono, como o impacto de meteoritos, erupções solares e até explosões de raios.

“No entanto, estes eventos terminam rapidamente e é improvável que causem a destruição duradoura da camada de ozono que ocorreu no final do período Devoniano”, disse Jesse Miller, co-autor do estudo e estudante na universidade norte-americana.

Por outro lado, justificaram, uma super-nova causaria um duplo golpe: a explosão banha imediatamente a Terra com perigosos raios ultra-violeta, raios-X e raios gama e, mais tarde, a explosão de detritos desta estrela atinge o Sistema Solar, submetendo o planeta a uma irradiação de longa duração de raios cósmicos acelerados pela super-nova.

Os danos que este fenómeno causa à Terra e à camada de ozono podem durar até 100.000 anos, frisaram ainda os cientistas, citados pelo portal Phys.org.

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25 Agosto, 2020

 

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4211: Afinal, pode não ter sido o Homem a levar o rinoceronte-lanoso à extinção

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA/GENÉTICA

Uma nova investigação sugere que a extinção do pré-histórico rinoceronte-lanoso não esteve relacionada com a caça excessiva praticada pelos primeiros humanos do mundo, tendo antes sido causada pelas mudanças climáticas.

Apesar de muitas investigações apontarem a actividade humana como a responsável pela extinção de algumas espécies pré-históricas, como o mamute-lanoso, o rinoceronte-lanoso e o leão-das-cavernas, um novo estudo aponta agora para o factor ambiental.

A nova investigação, cujos resultados foram publicados na revista científica especializada Current Biology, sugere que a extinção do rinoceronte-lanoso (Coelodonta antiquitatis) está relacionada com as mudanças climáticas.

Ao sequenciar o ADN antigo de 14 destes mega-herbívoros, os cientistas descobriram que a população de rinocerontes-lanosos permaneceu estável e diversa até alguns milhares antes de estes espécimes deixarem da Sibéria, quando as temperaturas terão aumentado muito para as espécies adaptadas ao frio.

“Inicialmente, pensava-se que os humanos apareceram no nordeste da Sibéria há 14.000 ou 15.000 anos, quando o rinoceronte-lanoso foi extinto (…) Mas, recentemente, houve várias descobertas de locais muito mais antigos ocupados por humanos, o mais famoso destes lugares tem cerca de 30.000 anos”, disse a autora principal do estudo, Love Dalén, da Universidade de Estocolmo, na Suécia, citada pela agência Europa Press.

Isto significa que o declínio desta espécie pré-histórica na região não coincide com o aparecimento dos primeiros humanos na zona: “De facto, vemos algo que se parece um pouco com um aumento no tamanho da população durante este período”, disse Dalén.

Os cientistas defendem que a extinção da espécie esteve relacionada com o aumento das temperaturas durante um curto período de tempo, conhecido como Bølling-Allerød, que ocorreu um pouco antes da última Era do Gelo.

“Deixamos a ideia de que os humanos assumem o controlo de tudo assim que entram num ambiente e, em vez disso, tentamos esclarecer o papel do clima nas extinções da mega-fauna (…) Embora não possamos descartar totalmente o envolvimento humano, sugerimos que a extinção do rinoceronte-lanoso esteve relacionada com o clima“.

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23 Agosto, 2020

 

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4056: What could drive humans to extinction?

We might play a role in our own extinction.

This stag doesn’t seem to mind a human extinction.
(Image: © Shutterstock)

The scene opens on a sparse, gray landscape, a gnarled tree in the foreground, bits of ash slowly drifting down from the sky. On the horizon, a few huddled figures stumble forward and into a bleak future. If this sounds familiar, it’s because it’s a common visual trope in many post-apocalyptic films. Usually, these films tell the story of a catastrophe — an asteroid strike perhaps, or a nuclear war — that causes humanity’s demise, and then follows the challenges that the remaining humans face as they try to save their species from extinction.

Such films grip the public imagination. But what if human extinction was less a cinematic scenario, and instead, a looming reality? That might seem like a sensational question, but in fact, dozens of researchers around the world spend their days grappling with this very possibility, and how we might avoid it.

Their task isn’t easy. There are multiple theories around what might ultimately cause human extinction — everything from alien invasions to catastrophic asteroid strikes. But among those investigating this question, there’s a general consensus that some risks to human life are more plausible than others. In the field, researchers have a name for these: They call them “existential risks.” What follows here is just a sampling — a few of the risks that researchers have at the top of their minds.

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Nuclear war

An existential risk is different to what we might think of as a “regular” hazard or threat, explained Luke Kemp, a research associate at the Centre for the Study of Existential Risk at Cambridge University in the United Kingdom. Kemp studies historical civilizational collapse and the risk posed by climate change in the present day. “A risk in the typical terminology is supposed to be composed of a hazard, a vulnerability and an exposure,” he told Live Science. “You can think about this in terms of an asteroid strike. So the hazard itself is the asteroid. The vulnerability is our inability to stop it from occurring — the lack of an intervention system. And our exposure is the fact that it actually hits the Earth in some way, shape or form.”

Take nuclear war, which history and popular culture have etched onto our minds as one of the biggest potential risks to human survival. Our vulnerability to this threat grows if countries produce highly-enriched uranium, and as political tensions between nations escalate. That vulnerability determines our exposure.

As is the case for all existential risks, there aren’t hard estimates available on how much of Earth’s population a nuclear firestorm might eliminate. But it’s expected that the effects of a large-scale nuclear winter — the period of freezing temperatures and limited food production that would follow a war, caused by a smoky nuclear haze blocking sunlight from reaching the Earth — would be profound. “From most of the modeling I’ve seen, it would be absolutely horrendous. It could lead to the death of large swathes of humanity. But it seems unlikely that it by itself would lead to extinction.” Kemp said.

Pandemics

The misuse of biotechnology is another existential risk that keeps researchers up at night. This is technology that harnesses biology to make new products. One in particular concerns Cassidy Nelson: the abuse of biotechnology to engineer deadly, quick-spreading pathogens. “I worry about a whole range of different pandemic scenarios. But I do think the ones that could be man-made are possibly the greatest threat we could have from biology this century,” she said.

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As acting co-lead of the biosecurity team at the Future of Humanity Institute at the University of Oxford in the United Kingdom, Nelson researches biosecurity issues that face humanity, such as new infectious diseases, pandemics and biological weapons. She recognizes that a pathogen that’s been specifically engineered to be as contagious and deadly as possible could be far more damaging than a natural pathogen, potentially dispatching large swathes of Earth’s population in limited time. “Nature is pretty phenomenal at coming up with pathogens through natural selection. It’s terrible when it does. But it doesn’t have this kind of direct ‘intent,'” Nelson explained. “My concern would be if you had a bad actor who intentionally tried to design a pathogen to have as much negative impact as possible, through how contagious it was, and how deadly it was.”

But despite the fear that might create — especially in our currently pandemic-stricken world — she believes that the probability that this would occur is slim. (It’s also worth mentioning that all evidence points to the fact that COVID-19 wasn’t created in a lab.) While the scientific and technological advances are steadily lowering the threshold for people to be able to do this, “that also means that our capabilities for doing something about it are rising gradually,” she said. “That gives me a sense of hope, that if we could actually get on top [of it], that risk balance could go in our favor.” Still, the magnitude of the potential threat keeps researchers’ attention trained on this risk.

From climate change to AI

A tour of the threats to human survival can hardly exclude climate change, a phenomenon that’s already driving the decline and extinction of multiple species across the planet. Could it hurl humanity toward the same fate?

The accompaniments to climate change — food insecurity, water scarcity, and extreme weather events — are set to increasingly threaten human survival, at regional scales. But looking to the future, climate change is also what Kemp described as an “existential risk multiplier” at global scales, meaning that it amplifies other threats to humanity’s survival. “It does appear to have all these relationships to both conflict as well as political change, which just makes the world a much more dangerous place to be.” Imagine: food or water scarcity intensifying international tensions, and triggering nuclear wars with potentially enormous human fatalities.

This way of thinking about extinction highlights the interconnectedness of existential risks. As Kemp hinted before, it’s unlikely that a mass extinction event would result from a single calamity like a nuclear war or pandemic. Rather, history shows us that most civilizational collapses are driven by several interwoven factors. And extinction as we typically imagine it — the rapid annihilation of everyone on Earth — is just one way it could play out.

A catastrophic event might leave only a few hundred or thousand survivors on Earth, which would bring humanity’s viability, as a species, into question. Alternatively, a collapse could wipe out only a segment of humanity, but consequently trigger global insecurity and conflict, reduce our resilience to other threats, setting in motion a more gradual decline. “We’re not talking about a single idea of what an extinction would look like, or how it would unfold. It’s more nuanced than that,” Kemp explained.

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There’s another angle to this as well: an existential risk to humanity doesn’t necessarily have to threaten our survival in order to be counted. A risk might be one that curtails our potential as a species — whether that’s our capacity to become a space- faring race, or to reach a certain level of technological dominion. “In some ways, that’s almost as much of a threat to our existence,” said Nelson. In other words, it shatters our idea of humanity’s purpose — which some might argue, is to progress. One prominent risk that fits into this category is artificial intelligence: researchers philosophize that intelligent robots, unintentionally unleashed on the world, might impose widespread surveillance on humans, or outpace us physically and mentally. That would usurp our dominance on the planet, and for many, could fundamentally alter the idea of what it means to be a human.

Humanity itself?

However wide-ranging these risks are, they all have one thing in common: humans play a key role in determining the severity of these risks. So what if humans are their own biggest extinction risk?

That’s a focus of Sabin Roman’s research. As a research associate at the Centre for the Study of Existential Risk, he models societal evolution and collapse, looking at past civilizations including the Roman Empire and Easter Island. As Roman sees it, the majority of existential risks are “self-created,” rooted in societies and the systems they produce. In his view, humanity’s attraction to continuous growth leads to exploitation, planetary destruction and conflict. Ironically, that only increases some of the biggest threats we face today, and our vulnerability to them. “A bit too much hinges on perpetual economic growth. If we tried to optimize something else, that would be good!” he said.

He likens our civilization to a line of dominos, where the risk isn’t so much the nudge that starts the cascade — it’s vulnerability to that threat. “[The domino line] is very vulnerable to any perturbation,” Roman said. “If we actually want to change something, there’s very little realistic impact we can have on external factors. It’s more our internal functioning as a society that can change.”

Kemp agrees with this logic: “When people ask me, ‘What’s the biggest existential risk facing humankind?’ I tend to strive for a curveball in response: [poor] international cooperation.” Surreal as it may seem, that’s why studying humanity’s potential demise is a pragmatic pursuit: it can illuminate humanity’s own role in hastening the threat, and its potential to scale it down. Nelson believes that the importance of this challenge means we should be ramping up research on existential threats. “We need more people working on this, and more institutions with more resources to do so.”

So, is that vision in the apocalyptic film the one that awaits humanity? We have no accurate predictions or simple answers about our fate here on Earth. But looking back at collapsed societies, one thing Roman’s sure of is that humans have never been better equipped to protect ourselves. “The thing that’s different with us is we can actually learn from all those past lessons,” Roman said. “The opportunity to learn is enormous.”

Originally published on Live Science.
25/07/2020
By Emma Bryce – Live Science Contributor

 

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4037: Quase todos os ursos polares podem desaparecer até 2100

CIÊNCIA/CLIMA

Scott Schliebe / U.S. Fish and Wildlife Service

A maioria das populações de ursos polares desaparecerá até ao final do século se o aquecimento global continuar ao ritmo actual, alerta uma nova investigação levada a cabo por cientistas da Universidade de Toronto, no Canadá.

No novo estudo, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica especializada Nature Climate Change, os cientistas explicam que a dieta destes animais consiste principalmente em focas, caçadas no gelo marinho.

Contudo, à medida que o gelo marinho derrete, os ursos têm menos hipóteses de conseguir apanhar as suas presas. Consequentemente, comem menos e torna-se mais difícil ganhar peso antes de uma jornada de jejum mais longa.

Para esta investigação, os cientistas usaram projecções de modelos para conseguir perceber quanto tempo é que durarão as futuras épocas de jejum nas populações de ursos polares. Calcularam também o número dias que os ursos podem sobreviver sem comida.

Combinando estes dados, a equipa de cientistas canadianos estimaram quantos dias podem passar sem que os ursos comam e consigam nutrir as suas crias, assegurando a sustentabilidade da população.

Os cientistas associaram a perda de gelo no mar do Árctico com um acentuado declínio na reprodução subsequente e a sobrevivência de quase todas as populações que vivem na região, escreve a Russia Today, frisando que apenas algumas populações escapariam.

“Embora as nossas projecções para o futuro dos ursos polares pareçam más, o lamentável é que podem até ser optimistas demais“, começou por dizer o principal autor do estudo, Péter Molnár, da Universidade de Toronto, citado em comunicado.

“Assumimos que os ursos polares usarão a sua energia corporal disponível de forma ideal ao jejuar. Caso contrário, a realidade poderá ser pior do que nossas projecções”, alertou.

E concluiu: “O desafio é que o gelo marinho do Árctico continua a desaparecer à medida que o mundo continuar a aquecer (…) E isto significa que os ursos polares de todo o mundo enfrentarão períodos mais longos sem comida, e isso afectará a sua capacidade de se reproduzir, sobreviver e persistir como [parte de] populações saudáveis”.

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22 Julho, 2020

 

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4018: A vida “só” precisou de 700 mil anos para recuperar na cratera do asteróide que dizimou os dinossauros

CIÊNCIA/GEOLOGIA

Ntvtiko / Deviant Art

A vida só precisou de 700 mil anos para recuperar na cratera do asteróide que dizimou os dinossauros há 66 milhões de anos, concluiu uma nova investigação que contou com a participação da Universidade de Granada, em Espanha.

De acordo com a nova investigação, cujos resultados foram publicados na revista Geology, após a rápida recuperação de alguns organismos, num intervalo de dezenas de anos, a vida no fundo do mar da cratera voltou aos seus níveis de abundância e diversidade anteriores em apenas 700 mil anos – um tempo “curto” na escala geológica.

Em causa está o impacto que dizimou o asteróides: há 66 milhões de anos, este corpo caiu em Chicxulub, na península de Yucatan, no México, causando uma das cinco grandes extinções em massa do período geológico do Fanerozoico.

O impactou causou uma cratera de 180 quilómetros de diâmetro, sendo a sua violência comparada à de mil milhões de bombas atómicas.  Alterou significativamente o meio ambiente global, causando grandes terramotos.

Cerca de 70% das espécies marinhas e continentais que viviam neste período foram extintas, representando este momento uma grande mudança evolutiva da vida na Terra.

“Esta recuperação não foi repentina, sendo antes o produto de diferentes fases de diversificação, estabilização e consolidação”, começou por explicar Javier Rodríguez-Tovar, professor da Universidade de Granada e co-autor do estudo, citado pela Europa Press.

“De acordo com as características dos traços e organismos que os geraram, confirma-se a importância biológica como factor-chave neste processo de recuperação rápida“, rematou.

O novo estudo abre uma nova linha de investigação sobre as extinções em massa, eventos de grande importância na compreensão da evolução da vida na Terra.

Foi um asteróide (e nada mais do que um asteróide) que dizimou os dinossauros

Uma equipa internacional de cientistas acaba de reafirmar que foi um asteróide – e nada mais do que este corpo…

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20 Julho, 2020

 

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4016: Golfinho extinto há 25 milhões de anos era o principal predador da sua comunidade

CIÊNCIA/BIOLOGIA

(dr) Robert W. Boessenecker
Ankylorhiza tiedemani

Extinto há cerca de 25 milhões de anos, este golfinho feroz, com quase cinco metros de comprimento, foi o principal predador da sua comunidade.

Uma equipa de cientistas identificou, recentemente, um esqueleto quase completo de um ancestral de golfinho com 4,8 metros de comprimento que viveu na actual Carolina do Sul durante a época do Oligoceno, há cerca de 25 milhões de anos.

Além de ser muito comprido, o animal tinha dentes grandes e parecidos com presas e parece ter sido capaz de caçar a alta velocidade como uma orca. O artigo científico foi publicado no dia 9 de Julho na Current Biology.

De acordo com o Science Alert, o esqueleto foi encontrado na década de 1990, mas foi classificado incorrectamente: trata-se do primeiro esqueleto de Ankylorhiza tiedemani (quase completo) a ser analisado. Até agora, esta criatura só foi estudada a partir de um fóssil parcial do focinho.

Os cientistas acreditam que o animal era um predador violento e que reunia em si uma mistura das características da baleia-assassina e do golfinho, o que proporciona uma maior compreensão sobre a evolução paralela destas duas espécies de animais marinhos. As características terão evoluído paralelamente, em vez de terem sido herdadas do mesmo ancestral.

Robert Boessenecker, investigador do College of Charleston, explicou que a evolução paralela terá acontecido devido aos ambientes aquáticos semelhantes que os dois animais ocupavam. Apesar de parecer óbvio que os animais do mesmo ambiente desenvolvem características semelhantes, não se trata necessariamente de um padrão.

Os golfinhos gigantes extinguiram-se há cerca de 23 milhões de anos. Desde então, outras baleias e golfinhos surgiram na Terra, ainda que, actualmente, a única baleia predadora (e temível) seja a orca.

“As baleias e os golfinhos têm uma história evolutiva longa e complicada e podemos não ter noção disso mesmo, com base nas espécies modernas. O registo fóssil abriu esse longo e sinuoso caminho evolutivo. Fsseis como Ankylorhiza ajudam a esclarecer toda a história” rematou Boessenecker.

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19 Julho, 2020

 

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3508: Dezenas de baleias azuis são vistas na Antárctida pela 1ª vez em 40 anos

CIÊNCIA/ANIMAIS

Após 60 anos de caça desenfreada às baleias azuis e jubarte, o litoral da Ilha Geórgia do Sul, na costa da Antárctida, virou um lugar vazio e abandonado.

A caça foi proibida em 1982 com a assinatura de um grande acordo internacional.

Trinta e oito anos depois, um grupo de pesquisadores da British Antarctic Survey (BAS) descobriu que essas baleias estão retornando ao local – em grande número! – repovoando a Ilha Geórgia do Sul.

Décadas de protecção e forte pressão do movimento ambientalista permitiram que as baleias azuis, até então ameaçadas de extinção, pudessem se reproduzir e repovoar a região.

Um milagre, pois 97% delas foram mortas pela caça ilegal até os anos 1980.

Em 2018, uma expedição da British Antarctic Survey registou apenas 1 avistamento e algumas confirmações acústicas (som emitido) de baleias azuis. Neste ano, uma nova expedição registou 36 avistamentos e 19 confirmações acústicas – 55 ao todo!

“Para uma espécie tão rara (baleia azul), esse é um número sem precedentes de avistamentos e sugere que as águas da Geórgia do Sul permanecem um importante local de alimentação para essas espécies raras e pouco conhecidas”, diz um comunicado para imprensa publicado no site da British Antarctic Survey.

A expedição de 2020 também encontrou evidências de uma comunidade incrível com 20 mil baleias jubarte!

“Após três anos de pesquisas, estamos emocionados ao ver tantas baleias retornando à Geórgia do Sul para se alimentar novamente”, diz a líder da equipe, Dra. Jennifer Jackson, bióloga de baleias no BAS.

“Este é um local onde a caça ilegal foi realizada extensivamente. Está claro que a protecção a favor das baleias funcionou“, concluiu.

The Greenest Post

 

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3354: O peixe-espátula chinês pode vir a ser o primeiro animal extinto em 2020

CIÊNCIA/ZOOLOGIA

Muséum d’histoire Naturelle / Wikimedia
Chinese paddlefish

O peixe-espátula chinês, considerado o maior peixe de água doce da China, pode ter entrado para a lista dos animais extintos.

Uma equipa de cientistas afirma que o peixe-espátula chinêsPsephurus gladius — já não existe, tendo sido provavelmente extinto em algum momento entre 2005 e 2010, de acordo com o Live Science.

Os investigadores recordam que o peixe já foi comum no rio Yangtze, mas factores como a sobre-pesca e a fragmentação do habitat selaram a destruição desta espécie.

“Como não existem espécimes em cativeiro nem tecido vivo conservado para uma possível ressurreição, o peixe deve ser considerado extinto de acordo com os critérios da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN)”, escreveu Hui Zhang, investigador da Academia Chinesa de Ciências da Pesca que liderou o estudo publicado, na edição de Março de 2020, da revista Science of the Total Environment.

De acordo com o mesmo site, o peixe-espátula chinês era uma criatura impressionante, com um ‘focinho’ grande e saliente, que lhe deu o apelido xiang yu (“peixe elefante” em mandarim). Este animal podia crescer até sete metros, colocando-o entre o esturjão e o peixe-jacaré como um dos maiores peixe de água doce do mundo.

A espécie foi considerada uma das mais ameaçadas da China em 1989, mas, apesar deste alerta, a sua população continuou a diminuir. A última vez que foi avistado foi em 2003.

A perda deste animal mostra o porquê da importância de garantir a sobrevivência de outras espécies ameaçadas de Yangtze, tal como o jacaré-da-china (Alligator sinensis), afirmam os investigadores.

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12 Janeiro, 2020

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3342: Vikings desapareceram da Gronelândia (e as morsas podem ajudar a explicar porquê)

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

nubui / Flickr

O colapso das colónias nórdicas da Gronelândia e o desaparecimento inexplicável dos Vikings que por lá viviam continua a ser um grande mistério. Mas, agora, investigadores sugerem que isso pode ter sido desencadeado, em parte, pela exploração excessiva do seu recurso mais valioso: as morsas.

Segundo a revista Newsweek, o marfim da morsa era comercializado na Europa, no início do período medieval, para ser usado em objectos como crucifixos e peças de jogos. As povoações nórdicas da Gronelândia mantinham uma espécie de monopólio sobre o produto, mas, apesar do sucesso, também pode ter sido esta grande procura que ditou a sua queda.

A análise de produtos de marfim desta época sugere que os comerciantes dependiam cada vez mais de animais menores, frequentemente fêmeas de regiões mais a norte. Por outras palavras, isto significava uma jornada mais longa e também mais perigosa que, muitas vezes, se traduzia depois numa recompensa menor.

A equipa de cientistas do Reino Unido e da Noruega analisou 67 peças de rostro — uma parte do crânio e focinho — que datam dos séculos XI e XV. Uma combinação do ADN e isótopos estáveis foi usada para determinar o sexo e a geografia do animal.

Os resultados dessa análise sugerem uma mudança para animais de um ramo evolutivo de morsa encontrado predominantemente na área ao redor da Baffin Bay, no noroeste do país. Essa teoria é apoiada pela presença de artefactos nórdicos entre os restos dos povoamentos dos Inuítes dos séculos XIII e XIV, dizem os investigadores.

Uma proporção mais alta de fêmeas sugere que houve uma pressão sobre os recursos, provavelmente causada pela exploração excessiva das populações de morsas — embora as mudanças climáticas (a chamada “Pequena Era do Gelo”) também possam ter contribuído.

À medida que a cadeia de suprimentos diminuía, parece ter havido uma preferência crescente na Europa continental pela presa de elefante, trazida pelas rotas comerciais da África Ocidental.

“Apesar de uma queda significativa, as evidências indicam que a exploração de morsas pode até ter aumentado durante os séculos XIII e XIV”, afirma James H. Barrett, investigador do departamento de Arqueologia da Universidade de Cambridge que liderou o estudo publicado na revista científica Quaternary Science Reviews.

“Enquanto os gronelandeses perseguiam as populações de morsas empobrecidas sempre para norte, para um retorno cada vez menor, deve ter chegado a um ponto em que era insustentável. Acreditamos que essa ‘maldição de recursos’ minou a resiliência das colónias da Gronelândia”.

O resultado foi uma “tempestade perfeita” entre menos recursos e menos procura, exacerbada ainda mais pelas alterações climáticas, que há muito se propõem como uma das razões do desaparecimento do povo nórdico na Gronelândia no século XV.

Os Vikings podem ter levado as morsas da Islândia à extinção

Uma investigação recente indica que a colonização da Islândia pelos Vikings pode ter levado a extinção da morda no país…

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10 Janeiro, 2020

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3332: Extinção de mamíferos da idade do gelo pode ter forçado humanos a inventar a civilização

CIÊNCIA/HUMANIDADE

Daleyhl / Wikimedia

O surgimento das civilizações pode não ter sido algo planeado e ponderado, mas sim uma opção de último recurso devido à extinção de grandes mamíferos da idade do gelo.

O Homo sapiens moderno evoluiu pela primeira vez entre 250 mil e 350 mil anos atrás. Mas os passos iniciais rumo a uma civilização começaram apenas há cerca de 10 mil anos, com as primeiras civilizações a surgirem há 6.400 anos.

Durante 95% da história da nossa espécie, não cultivamos, criamos grandes assentamentos ou hierarquias políticas complexas. Vivíamos em pequenos grupos nómadas, a caçar e a colectar. Depois, algo mudou.

Passamos da vida de caçadores-colectores para a colheita de plantas, depois o cultivo e, finalmente, as cidades. Surpreendentemente, esta transição ocorreu apenas após o desaparecimento da mega-fauna da idade do gelo — mamutes, preguiças, veados e cavalos gigantes. As razões pelas quais os humanos começaram a cultivar ainda permanecem incertas, mas o desaparecimento dos animais dos quais dependíamos para alimentação pode ter forçado a nossa cultura a evoluir.

Os primeiros humanos eram inteligentes o suficiente para cultivar. Todos os grupos de humanos modernos têm níveis semelhantes de inteligência, sugerindo que as nossas capacidades cognitivas evoluíram antes que estas populações se separassem há cerca de 300.000 anos e depois mudassem pouco depois. Se os nossos ancestrais não cultivaram plantas, não é que não tenham sido suficientemente inteligentes. Algo no ambiente os impedia — ou eles simplesmente não precisavam.

O aquecimento global no final do último período glacial provavelmente facilitou a agricultura. No entanto, é improvável que a agricultura fosse impossível em todos os lugares. Os eventos anteriores de aquecimento do clima não estimularam a aventura na agricultura. As alterações climáticas não podem ter sido o único factor.

A migração humana provavelmente também contribuiu. Quando as nossas espécies se expandiram do sul de África para a Ásia, Europa e depois as Américas, encontramos novos ambientes e novas plantas. Contudo, pessoas ocupavam estas partes do mundo muito antes do início da agricultura. A domesticação das plantas atrasou a migração humana em dezenas de milénios.

Se já existiam oportunidades para inventar a agricultura, a sua invenção tardia sugere que os nossos ancestrais não precisavam ou não queriam cultivar.

Caça abandonada

No entanto, algo mudou. Há 10 mil anos atrás, os seres humanos abandonaram repetidamente o estilo de vida de caçadores-colectores para a agricultura. Pode ser que, após a extinção de mamutes e de mega-fauna da época do Plistoceno, e a caça excessiva, o estilo de vida dos caçadores-colectores se tenha tornado menos viável, levando as pessoas a colher e depois cultivar plantas.

Talvez a civilização não tenha nascido do desejo de progredir, mas do desastre, como uma catástrofe ecológica forçou as pessoas a abandonar os seus estilos de vida tradicionais.

À medida que os humanos deixaram África para colonizar novas terras, grandes animais desapareceram em todos os lugares em que pisamos. Na Europa e na Ásia, a mega-fauna, como rinocerontes lanudos, mamutes e alces irlandeses. Na Austrália, cangurus e vombates gigantes desapareceram. Na América do Norte e do Sul foram os cavalos, camelos, tatus gigantes, mamutes e preguiças caíram.

Após as pessoas se espalharam para as Caraíbas, Madagáscar, Nova Zelândia e Oceânia, a sua mega-fauna também desapareceu. As extinções seguiam inevitavelmente os humanos.

Caçar animais grandes oferece um maior retorno do que caçar animais pequenos como coelhos. Contudo, os animais grandes reproduzem-se lentamente e têm poucos filhos em comparação com pequenos animais, tornando-os vulneráveis. Isto significava que caçávamos animais grandes mais rápido do que eles se conseguiam reproduzir. Foi, sem dúvida, a primeira crise de sustentabilidade.

Os humanos seriam então forçados a inovar, concentrando-se cada vez mais na colecta e no cultivo de plantas para sobreviver. Isto permitiu que as populações humanas se expandissem.

Comer plantas em vez de carne é um uso mais eficiente da terra, pelo que a agricultura pode sustentar mais pessoas na mesma área em comparação com a caça. As pessoas poderiam estabelecer-se permanentemente, construir assentamentos e posteriormente civilizações.

A agricultura e a civilização podem ter sido inventadas não porque foram uma melhoria em relação ao nosso estilo de vida ancestral, mas porque não nos restava escolha. A agricultura foi uma tentativa desesperada de consertar as coisas quando levamos mais do que o ecossistema poderia sustentar. Neste caso, abandonamos a vida dos caçadores da era do gelo para criar o mundo moderno, não com previsão e intenção, mas por acidente, por causa de uma catástrofe ecológica que criamos há milhares de anos.

ZAP // The Conversation

Por ZAP
8 Janeiro, 2020

spacenews

 

3218: A Terra já estava “envenenada” antes do asteróide que dizimou os dinossauros

CIÊNCIA

Ntvtiko / Deviant Art

Depósitos fósseis revelaram que a Terra já enfrentava uma situação instável  antes de o asteróide que dizimou os dinossauros ter atingido o nosso planeta. Esta situação de stress deveu-se ao aumento de carbono (CO2) nos oceanos.

Esta é a conclusão de uma equipa de cientistas da Northwestern University, nos Estados Unidos, que estudou a composição isotópica de cálcio em conchas fossilizadas de moluscos e caracóis, que datam do evento do período de extinção em massa do Cretáceo-Paleogeno, tal como explicam os cientistas em comunicado.

Na prática, a Terra estava já “envenenada” com carbono quando o asteróide que atingiu a Terra há 65 milhões de anos acabou com os dinossauros. O impacto do corpo rochoso com a Terra, recorda o portal ABC, atingiu a Terra com uma potência equivalente a dez mil milhões de bombas atómicas de Hiroxima.

Os cientistas descobriram que a química das conchas estudadas mudou em resposta a um aumento de carbono nos oceanos. Estes valores de carbono deveram-se a erupções longas (30.000 anos) na Deccan Traps, uma das maiores províncias vulcânicas da Terra (200.000 milhas quadradas), localizada na Índia.

Durante os anos que antecederam o impacto do asteróide, o Deccan Traps expeliu enormes quantidades de dióxido de carbono na atmosfera. A concentração de CO2 acidificou os oceanos, afectando directamente os organismos que ali viviam.

“Os nosso dados sugerem que o ambiente estava a mudar antes do impacto do asteróide (…) Estas mudanças parecem correlacionar-se com a erupção de Deccan Traps”, disse Benjamin Linzmeier, o autor principal do estudo.

“A Terra estava claramente sob stresse antes do grande evento de extinção em massa (…) O impacto do asteróide coincide com a instabilidade pré-existente do ciclo de carbono. Mas isso não significa que temos resposta para explicar o que realmente causou a extinção [dos dinossauros]”, apontou, por sua vez, Andrew D. Jacobson, que também participou na investigação, cujos resultados foram agora publicados na revista Geology.

Asteróide do tamanho do que aniquilou os dinossauros pode vir a atingir novamente a Terra

O matemático Robert Walker acredita que a Terra pode voltar a ser atingida por um asteróide com as dimensões daquele…

ZAP //

Por ZAP
18 Dezembro, 2019

 

spacenews

 

3121: Um golpe de má sorte pode ter ditado a extinção dos Neandertais

CIÊNCIA

Afinal, pode não ter sido culpa nossa. Uma investigação recente sobre o desaparecimentos dos neandertais sugere que, em vez de terem sido superados pelo Homo sapiens, os nossos ancestrais podem ter sido extintos por azar.

A população neandertal era tão pequena na altura em que os humanos modernos chegaram à Europa e ao Oriente Próximo que a endogamia e as flutuações naturais nas taxas de natalidade, nas taxas de mortalidade e nas relações sexuais poderiam ter resultado na sua extinção.

Os paleoantropólogos sugerem que os neandertais desapareceram há 40.000 anos, quase ao mesmo tempo em que humanos anatomicamente modernos começaram a migrar para o Oriente Próximo e para a Europa. No entanto, o papel que os humanos modernos tiveram na extinção dos neandertais é discutido.

Neste estudo, os cientistas da Universidade Tecnológica de Eindhoven, na Holanda, liderados pela líder da investigação Krist Vaesen, usaram modelos populacionais para explorar se as populações neandertais poderiam ter desaparecido sem factores externos, como a competição dos seres humanos modernos.

Os autores utilizaram dados de populações existentes de caçadores-colectores como parâmetros e desenvolveram modelos populacionais para populações neandertais simuladas de vários tamanhos iniciais (50, 100, 500, 1.000 ou 5.000 indivíduos).

De seguida, relata o Europa Press, os investigadores simularam para cada uma das suas populações modelo os efeitos da consanguinidade, os efeitos de Allee (onde o tamanho reduzido da população afecta negativamente a aptidão física dos indivíduos) e as flutuações demográficas aleatórias anuais em nascimentos, mortes e proporção de sexos, para ver se estes factores poderiam ter causado um evento de extinção.

Os resultados mostraram que é improvável que a consanguinidade, por si só, tenha levado à extinção.

Já os efeitos de Allee relacionados à reprodução, nos quais 25% ou menos das fêmeas neandertais deram à luz num determinado ano (como é comum em caçadores-colectores existentes), poderiam ter causado a extinção em populações de até 1.000 indivíduos.

Juntamente com as flutuações demográficas, os efeitos Allee e a consanguinidade poderiam ter causado a extinção em todos os tamanhos populacionais modelados nos 10.000 anos atribuídos aos investigadores.

É necessário salvaguardar que estes modelos populacionais são limitados devido aos seus parâmetros, baseados em caçadores-colectores humanos modernos, além de excluírem  o impacto do efeito Allee nas taxas de sobrevivência.

Os cientistas admitem que também pode ter sido possível que os humanos modernos tenham impactado as populações neandertais de maneira a reforçar os efeitos da consanguinidade e do Allee. No entanto, essa sugestão não é reflectida nos resultados desta investigação.

Os autores acrescentam que o estudo sugere que os neandertais não desapareceram por culpa dos seres humanos modernos. “O desaparecimento das espécies pode ser simplesmente devido a um golpe de má sorte demográfica“, rematam.

ZAP //

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30 Novembro, 2019

spacenews

 

2918: Os Vikings podem ter levado as morsas da Islândia à extinção

CIÊNCIA

nubui / Flickr

Uma investigação recente indica que a colonização da Islândia pelos Vikings pode ter levado a extinção da morda no país insular.

A Islândia foi a casa de uma subespécie de morsa que desapareceu em meados do século XIV, 500 anos depois a chegada dos colonos nórdicos ao país.

Esta descoberta, publicada recentemente na Molecular Biology and Evolution, sugere que os caçadores foram os principais responsáveis pelo desaparecimento do animal, apresentando evidências claras de que os seres humanos começaram a extinguir mamíferos marinhos mais cedo do que se pensava.

Os cientistas sabiam que aquela subespécie tinha vivido na Islândia, mas não tinham a certeza se os animais tinham desaparecido antes ou depois da chegada dos seres humanos. Para pôr fim à incógnita, Morten Tange Olsen e Xénia Keighley, da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, dataram os restos de 34 morsas encontradas no oeste da Islândia.

Três das morsas analisadas morreram após o ano de 874 – data em que se pensa que os colonos chegaram à Islândia – e as mais jovens datam entre 1213 e 1330. Isto significa que as morsas islandesas sobreviveram durante alguns séculos após a chegada dos humanos.

O ADN foi extraído de amostras de morsas encontradas em ambientes naturais e escavações arqueológicas. Posteriormente, os resultados foram comparados com os dados de morsas contemporâneas, revelando que as morsas islandesas constituíam uma linhagem geneticamente única, distinta de todas as outras populações históricas e actuais de morsas no Atlântico Norte.

Na Era Viking e na Europa Medieval, o marfim da morsa era um artigo de luxo de alta demanda. Segundo o New Scientist, esta caça à morsa é descrita numa saga islandesa do final do século XII: diz-se que o crânio e as presas da morsa foram enviados para Canterbury, no Reino Unido, para homenagear o arcebispo Thomas Becket, assassinado na catedral da cidade em 1170.

Por causa destes relatos, e por saberem que o marfim era uma mercadoria muito valiosa naquela época, Olsen e Keighley defendem que os colonos foram os responsáveis pelo desaparecimento das morsas islandesas. Ainda assim, os cientistas colocam em cima da mesa uma teoria alternativa: os animais podem ter fugido quando os seres humanos chegaram, como aconteceu noutras partes do Atlântico Norte.

Mas Keighley não acredita nesta teoria, principalmente devido à descoberta adicional que sugere que os animais, apesar de pertencerem a uma subespécie de morsa do Atlântico, apresentam uma assinatura genética dentro dessa subespécie diferente de qualquer outra.

Como a equipa não encontrou esta assinatura de ADN noutros lugares, isso indica que as morsas da Islândia não fugiram nem se juntaram a outras comunidades. Em vez disso, desapareceram – o que parece favorecer a teoria de que foram caçadas até à extinção.

Bastiaan Star, da Universidade de Oslo, na Noruega, diz que estes dados genéticos são intrigantes, mas ressalta que a análise foi realizada em ADN mitocondrial, que fornece informações relativamente limitadas.

Os seres humanos estão a levar animais terrestres à extinção há dezenas de milhares de anos, mas Olsen afirma que a sabedoria convencional indica que começamos a ter um impacto semelhante nas espécies marinhas há cerca de 500 anos. As morsas islandesas, extintas há cerca de 700 anos, desafiam este princípio.

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28 Outubro, 2019

 

2902: O asteróide que matou os dinossauros intoxicou os oceanos

CIÊNCIA

(dr) Universidade de Yale
Fósseis de algas calcárias

Uma nova investigação, liderada pela Universidade de Yale, confirma uma teoria antiga sobre o último grande evento de extinção em massa da História e de que forma esse evento afectou os oceanos da Terra.

Restos fósseis de algas calcárias ofereceram a primeira prova directa de que o evento de extinção em massa do Cretáceo-Paleogeno, há 66 milhões de anos, coincidiu com um aumento acentuado da acidez dos oceanos.

De acordo com os cientistas, a colisão de um asteróide aniquilou os dinossauros e causou uma extinção em massa na Terra. No entanto, havia uma outra hipótese em cima da mesa: a de que os ecossistemas estavam sob pressão devido ao aumento do vulcanismo.

“Os nossos dados não apoiam uma deterioração gradual das condições ambientais há 66 milhões de anos”, resumiu Michael Henehan, do Centro de Pesquisa em Geociências GFZ, na Alemanha, citado pelo Europa Press. O investigador e a sua equipa publicaram, no dia 21 de Outubro, um artigo científico na Proceedings of the National Academy of Sciences, no qual descrevem a acidificação do oceano durante o período referido.

A equipa analisou os isótopos do elemento boro nas conchas calcárias do plâncton (foraminíferos) e concluiu que houve um impacto repentino que levou à acidificação maciça dos oceanos, que levaram milhões de anos para se recuperarem da acidificação.

Em comunicado, Henehan explica que o impacto do corpo celeste deixou vestígios: a cratera Chicxulub, no Golfo do México, e pequenas quantidades de irídio nos sedimentos. Até 75% de todas as espécies animais foram extintas naquele momento, revela ainda.

Os investigadores reconstruiram as condições ambientais dos oceanos usando fósseis de núcleos de perfuração em águas profundas e rochas formadas naquela época. De acordo com a investigação, após o impacto, os oceanos tornaram-se tão ácidos que os organismos que formam as suas conchas de carbonato de cálcio não conseguiram sobreviver.

Quando as formas de vida nas camadas superiores dos oceanos se extinguiram, a absorção de carbono pela fotossíntese nos oceanos foi reduzida pela metade. Este estado durou várias dezenas de milhares de anos, antes de as algas calcárias se espalharem novamente. Além disso, passaram vários milhões de anos até a fauna e a flora se recuperarem e o ciclo de carbono atingir um novo equilíbrio.

Numa visita à Holanda, os cientistas encontraram provas destas descobertas numa camada muito grossa de uma rocha originária do Cretáceo-Paleogeno, que está preservada numa caverna. “Nesta caverna, acumulou-se uma camada particularmente grossa de argila imediatamente após o impacto”, explica Henehan. “Na maioria dos ambientes, o sedimento acumula-se tão lentamente que um evento tão rápido quanto o impacto de um asteróide é difícil de resolver no registo das rochas.”

Graças a esta quantidade extremamente grande de sedimentos, os cientistas conseguiram extrair fósseis suficientes para analisar e chagar a esta conclusão.

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25 Outubro, 2019

 

2815: Os últimos mamutes viveram numa ilha remota (e tiveram uma morte repentina)

CIÊNCIA

brettburton / Flickr

Segundo o mais recente estudo, os últimos mamutes viveram numa ilha do Árctico. As condições climatéricas e o “dedo” humano poderão ter sido a razão da sua extinção.

Num estudo de 2017, um grupo de cientistas norte-americanos sugeriu que a razão para a extinção dos mamutes foi uma “explosão mutacional” — um aumento acentuado do número de mutações negativas no ADN provocado pela diminuição da espécie.

Agora, um novo estudo publicado este mês na revista Quaternary Science Reviews descobriu onde morreram os últimos mamutes do planeta. As conclusões da investigação apontam que os últimos mamutes morreram há 4 mil anos, na ilha Wrangel, no Oceano Árctico.

A equipa de cientistas explica que uma combinação de factores pode ter levado à extinção deste majestoso animal. O habitat isolado, as condições atmosféricas extremas e até a acção do homem pode ter levado ao fim das últimas espécimes de mamutes.

De acordo com o EurekAlert, com o aquecimento global que começou há 15 mil anos, os mamutes foram perdendo área habitável. Até mesmo na ilha Wrangel, a subida dos nível do mar tramou os mamutes que lá viviam, e que aguentaram mais 7 mil anos do que os restantes.

Esta previsão vai contra estudos anteriores, que davam conta de que os mamutes se extinguiram há 15 mil anos. Outro estudo indica que desapareceram há 5.600 anos. Em ambos, os espécimes enfrentaram mudanças na sua composição isotópica, mostrando que houve mudanças no seu ambiente antes de se extinguirem localmente.

No caso dos mamutes da ilha de Wrangel, isto não se verificou, com a sua composição a manter-se intacta. Contudo, verificaram-se mudanças na dieta deste animal na região.

“Achamos que isto reflecte a tendência dos mamutes siberianos em depender das suas reservas de gordura para sobreviver durante os Invernos extremamente duros da era do gelo, enquanto os mamutes de Wrangel, vivendo em condições mais amenas, simplesmente não precisavam disso“, explicou Laura Arppe, que liderou a equipa de investigadores.

(dr) Juha Karhu
Dente de mamute encontrado na ilha Wrangel.

Segundo os cientistas, a sua morte repentina pode ser justificada por extremas condições meteorológicas. Por exemplo, o chão poderia ter ficado coberto por uma espessa camada de gelo, impedindo que estes encontrassem comida suficiente.

“É fácil imaginar que a população, talvez já enfraquecida pela deterioração genética e problemas de qualidade de água potável, poderá ter sucumbido após algo como um evento climático extremo”, disse Hervé Bocherens, co-autor do estudo.

É ainda colocada a possibilidade de os humanos terem culpa na trágica extinção dos mamutes. As primeiras evidências arqueológicas de humanos em Wrangel datam de apenas algumas centenas de anos após o osso de mamute mais recente. É improvável que se encontrem provas de que humanos caçavam mamutes nesta ilha, mas esta hipótese não pode ser descartada.

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11 Outubro, 2019

 

2794: Extinção em pixeis: estes são os animais ameaçados

CIÊNCIA

Os animais são quem mais tem sofrido com a questão das alterações climáticas. A cada dia que passa, mais uma espécie fica ameaçada de extinção.

Em 2008, o World Wildlife Fund juntou-se a uma agência de publicidade japonesa para criar uma campanha para alertar para este problema. A campanha usava fotografias de espécies em vias de extinção e, nestas imagens, cada pixel representava o número de animais que ainda existiam na natureza.

A campanha tinha como objectivo sensibilizar a população para o crescente desaparecimento de algumas espécies. Agora, e mais de uma década depois, as informações não estão actualizadas.

Por esse motivo, o programador Joshua Smith decidiu recriar a ideia, mas com dados dos últimos anos disponibilizados pelo Animal Planet. O novo conjunto de imagens, que para Joshua não passou de um “desafio de programação”, rapidamente se espalhou pela Internet.

“Cada pixel é um animal. Quanto mais pixelizada a imagem, mais próxima está a espécie da extinção”, escreveu o programador no título da galeria de imagens, que pode ser encontrada aqui.

Segundo o Público, as imagens não são totalmente fidedignas. A fotografia do leopardo-de-amur, por exemplo, tem apenas 49 pixeis, mas a lista do Animal Planet refere que existem pelo menos 60 exemplares da espécie.

Nos comentários, Joshua Smith explica que tentou criar uma imagem quadrada “o mais perfeita possível” usando apenas a proporção 7×7 ou 8×8. “Oito vezes oito dá 64. Como não conseguia atingir o número certo, achei melhor subestimar do que sobrestimar.”

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7 Outubro, 2019

 

2689: Cientista diz que avanços científicos podem levar à extinção humana

CIÊNCIA

fotorince / Canva

A evolução da ciência e tecnologia pode ser fundamental para evitar catástrofes, mas, ironicamente, pode também ser a causadora do fim da nossa espécie.

O estudo das mudanças climáticas baseia-se em simulações cada vez mais de longo prazo. As previsões da ciência já não são meras hipóteses de validação ou invalidação, mas geralmente são ameaças graves — de crescente alcance e severidade — que devem ser evitadas.

Prever o perigo que se aproxima exige uma resposta proactiva. Isto significa que, cada vez mais, a procura pela tecno-ciência tende a não apenas investigar passivamente o mundo natural, mas também a intervir activamente nele.

No caso do clima, uma coisa que isto gerou foi a proposta de “geo-engenharia” — o aproveitamento em larga escala dos sistemas naturais da Terra, a fim de combater as consequências desastrosas das mudanças climáticas.

As nossas antecipações dos perigos da natureza motivam-nos a tentar intervir nela e reinventá-la para os nossos próprios propósitos e fins. Assim, cada vez mais vivemos num mundo da nossa própria autoria, no qual a divisão entre o “natural” e o “artificial” está em colapso. Vemos isso desde a edição genética até às inovações farmacêuticas e novos materiais.

Embora algumas destas tecnologias sejam correctamente consideradas o auge do progresso e da civilização, a nossa ânsia por antecipar e impedir o desastre em si gera os seus próprios perigos. Isto foi o que nos levou à nossa situação actual: a industrialização, que foi originalmente impulsionada pelo nosso desejo de controlar a natureza, talvez a tenha apenas tornado mais incontrolável.

Os nossos esforços para prever o mundo tendem a mudá-lo de maneiras imprevisíveis. Além de desbloquear oportunidades radicais, como novos medicamentos e tecnologias, representa novos riscos para a nossa espécie. É um veneno e uma cura. Embora a consciência desta dinâmica possa parecer incrivelmente contemporânea, ela na verdade é surpreendentemente mais distante na história.

Cometas e colisões

Foi em 1705 que o cientista britânico Edmond Halley previu correctamente o regresso do cometa em 1758, que agora carrega o seu nome. Esta foi uma das primeiras vezes que os números foram aplicados com sucesso à natureza para prever o seu curso a longo prazo. Este foi o começo da conquista do futuro pela ciência.

Na década de 1830, outro cometa — o Cometa de Biela — tornou-se objecto de atenção quando John Herschel levantou a hipótese de que um dia se cruzaria com a Terra. Tal encontro “apagaria-nos” do Sistema Solar.

Em 1827, um jornal de Moscovo publicou um conto a prever os efeitos de uma iminente colisão de cometas na sociedade. Estratégias de mitigação plausíveis foram discutidas. A história evocava máquinas gigantes que actuariam como “defesas” planetárias para “repelir” o míssil extraterrestre. A conexão entre prever a natureza e intervir artificialmente já estava a começar a ser entendida.

O príncipe russo

O conto tinha sido escrito pelo excêntrico príncipe russo Vladimir Odoievsky. Numa outra história, “O Ano 4338”, escrita alguns anos depois, descreve a sua representação da futura civilização humana. O título veio de cálculos contemporâneos que previam a futura colisão da Terra com o Cometa de Biela, 2.500 anos depois.

Kirill Gorbunov / Wikimedia

A humanidade tornou-se numa força planetária. No entanto, a visão de Odoyevsky desse futuro resplandecente (completo com aeronaves, uso recreativo de drogas, telepatia e túneis de transporte através do manto da Terra) é-nos transmitida inteiramente sob essa ameaça iminente de total extinção. Mais uma vez, os cientistas neste futuro planeiam repelir a ameaça do cometa com sistemas de defesa balística. Também há menção a sistemas de controle climático.

Isto demonstra perfeitamente que foi a descoberta de tais perigos que primeiro arrastaram — e continuam a arrastar — as nossas preocupações ainda mais para o futuro. A humanidade apenas se afirma tecnologicamente, em níveis cada vez mais planetários, quando percebe os riscos que enfrenta.

Não é surpresa que, nas notas anexas do livro, Odoyevsky forneça talvez aquela que é a primeira metodologia para uma “ciência geral da futurologia”.

Fim da humanidade

Em 1799, o filósofo alemão Johann Fichte antecipou a nossa actual mega-estrutura de previsão planetária. Ele anteviu um tempo de previsão perfeita e argumentou que isso domesticaria o planeta inteiro, apagaria a natureza selvagem e até erradicaria inteiramente “furacões”, “terramotos” e “vulcões”. O que Fichte não previu foi o facto de que a própria tecnologia que nos permite prever também cria riscos novos e imprevistos.

Mas Odoyevsky gostou disto. Em 1844, ele publicou outra história intitulada “O Último Suicídio”. Desta vez, imaginou uma humanidade futura que se tornara novamente uma força planetária. A urbanização saturou o espaço global, com as cidades a crescer e a fundirem-se numa Ecumenópole — uma única e gigantesca cidade global.

No entanto, Odoyevsky alerta para os perigos que vêm com a aceleração da modernidade. Este é um mundo em que o progresso tecnológico descontrolado causou sobre-população e esgotamento de recursos. A natureza tornou-se inteiramente artificial, com espécies não-humanas e ecossistemas totalmente obliterados.

Alienado e deprimido, o mundo recebe um líder demagogo que convence a humanidade a extinguir-se. Numa última expressão do poder tecnológico, a civilização armazena todas as suas armas e começa a explodir o planeta inteiro.

Odoyevsky prenuncia, assim, a discussão contemporânea sobre o “risco existencial” e o potencial dos nossos desenvolvimentos tecnológicos para desencadear a própria extinção de espécies. Em 1844, a sua visão é sombria, mas surpreendentemente presciente ao reconhecer que o poder necessário para evitar uma catástrofe existencial é também o poder necessário para causá-la.

Séculos depois, agora que temos esse poder, não podemos recusá-lo ou rejeitá-lo — devemos exercê-lo com responsabilidade. Vamos torcer para que a ficção de Odeovskii não se torne na nossa realidade.

ZAP // The Conversation

Por ZAP
22 Setembro, 2019

 

2607: Já se sabe como foi o primeiro dia da extinção dos dinossauros

CIÊNCIA

Várias teorias foram tecidas sobre o que levou à extinção de dinossauros da face do planeta, há 66 milhões de anos, mas a mais aceite foi a queda de um asteróide que causou incêndios florestais maciços e um tsunami gigantesco.

O momento em que a atmosfera se encheu de grandes quantidades de enxofre, que provocou o arrefecimento global, finalmente condenou as espécies pré-históricas.

Agora, um novo estudo liderado por cientistas da Universidade do Texas confirmou essa hipótese, obtendo e analisando amostras dos detritos depositados dentro da gigantesca cratera subaquática de Chicxulub, localizada na Península de Yucatán. Com estas amostras, os investigadores conseguiram reconstruir os eventos geológicos, químicos e biológicos que ocorreram no dia seguinte à queda do asteróide.

Os investigadores perfuraram centenas de metros de sedimentos para obter amostras do núcleo da cratera, com mais de 180 quilómetros de diâmetro. As evidências obtidas incluem pedaços de carvão e misturas de rochas transportadas para lá pelo refluxo do tsunami e também indicam uma notável ausência de enxofre.

Com uma espessura de 130 metros, diversas matérias acumularam-se dentro da cratera nas primeiras 24 horas, o que fornece registos das consequências do impacto.

Segundo especialistas, o asteróide que caiu na Terra – e acabou com mais de 75% das espécies – atingiu uma força equivalente a 10 mil milhões de bombas atómicas usadas na II Guerra Mundial. A explosão incendiou áreas florestais e provocou um tsunami colossal, que atingiu o interior da actual Illinois e arrastou os restos dos ecossistemas incinerados de volta para a cratera.

A equipa descobriu que a área ao redor da cratera contém uma grande quantidade de rochas ricas em enxofre, embora os restos geológicos acumulados no interior não tenham esse elemento. Essa descoberta sustenta a teoria de que o impacto vaporizou o enxofre e o libertou na atmosfera, resultando no bloqueio da luz solar e, com isso, no arrefecimento do planeta.

Os investigadores estimam que tenham sido lançadas 325 mil milhões de toneladas métricas de matéria sólida para a atmosfera. “Fritamos e congelamos”, disse Sean Gulick, líder da investigação, em comunicado. “Nem todos os dinossauros morreram naquele dia, mas muitos morreram”, enfatiza.

Gulik chamou a fase de arrefecimento de “verdadeira assassina”. “A única maneira de produzir uma extinção em massa global como esta foi um efeito atmosférico”, disse.

O estudo foi publicado este mês na revista especializada Proceeding of The National Academy of Sciences.

ZAP //

Por ZAP
10 Setembro, 2019

 

2535: Afinal, não foi o frio que matou o urso das cavernas

CIÊNCIA

Jacek Halicki / Wikimedia

Uma equipa europeia encontrou provas de que não foi o frio que levou à extinção do urso das cavernas. Na verdade, foram os humanos.

Num artigo publicado em Agosto na revista especializada Scientific Reports, o grupo estudou o ADN mitocondrial dos restos destes animais e concluiu que as hipóteses anteriores que indicavam que o urso da caverna simplesmente não resistiu ao frio na Idade do Gelo estavam erradas. A investigação sugere que este factor esteve relacionado com a sua extinção, mas não foi decisivo no desaparecimento dos animais.

O trabalho da equipa incluiu provas mitocondriais de 59 restos de ossos encontrados em cavernas em toda a Europa. O estudo dos dados mostrou que as populações de ursos começaram a declinar muito antes do início da última Idade do Gelo, há aproximadamente 40 mil anos.

Os cientistas também descobriram que os ursos conseguiram sobreviver às eras glaciais anteriores sem grandes reduções na população. Os investigadores apontam que os humanos modernos começaram a povoar as áreas onde os ursos viviam no início da Idade do Gelo. Além disso, apontam que os neandertais também viviam na área, mas que coexistiram com os ursos das cavernas durante milhares de anos, por isso é improvável que tenham contribuído para a extinção.

Os cientistas sugerem que os humanos modernos terão tido habilidades de caça mais sofisticadas e eram menos relutantes em aventurar-se em cavernas onde os ursos poderiam estar a residir. Também apontam que os seres humanos modernos poderiam ter matado os ursos das cavernas por várias razões, incluindo caçá-los para comida, usar as suas peles para se aquecer e eliminá-los como potenciais ameaças.

O ADN mitocondrial também mostrou que os ursos tornaram-se mais isolados à medida que o seu número diminuía, o que tornava os sobreviventes mais propensos a doenças à medida que o fundo genético diminuía.

Os ursos das cavernas também eram sensíveis a um clima em mudança, de acordo com os cientistas. Como não eram carnívoros, as mudanças na vegetação durante a última Idade do Gelo tornaram a procura por comida mais difícil.

Os investigadores concluíram, assim, que os humanos que reduziram o seu número fizerem com que fosse impossível sobreviver à última Era do Gelo.

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Por ZAP
28 Agosto, 2019

 

2323: Em 2100, não haverá tartarugas macho (e a culpa é das alterações climáticas)

CIÊNCIA

As tartarugas-marinhas-comuns nascidas num terreno fértil em Cabo Verde serão todas fêmeas por causa das mudanças climáticas, alertou um novo estudo.

Mesmo sob um cenário de baixas emissões, 99,86% das crias de tartarugas seriam fêmeas até 2100, de acordo com investigadores da Universidade de Exeter. Se as emissões continuarem inabaláveis, mais de 90% poderão ser incubadas em “altas temperaturas letais”, matando jovens antes de eclodirem.

Cabo Verde tem uma das maiores populações de nidificação de tartarugas do mundo, com cerca de 15% do total global de nidificação. O sexo das tartarugas é determinado pelas temperaturas em que são incubadas e as temperaturas quentes favorecem as fêmeas.

Os cientistas analisaram as projecções de temperatura do Painel Inter-governamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) para 2100 – baixa (1,8°C), média (2,8°C) e alta (3,4°C).

Actualmente, 84% das crias em Cabo Verde são do sexo feminino, de acordo com o artigo publicado na revista Marine Ecology Progress Series. Temperaturas mais quentes poderão, então, aumentar dramaticamente esse número.

“Sob todos os três cenários de mudança climática, em 2100 mais de 99% das crias seriam fêmeas – e em cenários de média e alta emissão não poderia haver machos”, disse a Lucy Hawkes da Universidade de Exeter, de acordo com o The Independent.

A principal autora Claire Tanner, que trabalhou no estudo como parte de um mestrado na instituição, acrescentou: “O que nos surpreendeu foi como até mesmo o cenário de baixas emissões tem efeitos prejudiciais para esta população. O que isso mostra é que agora é a hora de agir sobre a mudança climática – antes que seja tarde demais para impedir as estimativas vistas neste artigo”.

As projecções baseiam-se no comportamento actual de aninhamento e os cientistas dizem que as tartarugas podem adaptar-se ao acasalar no início do ano, quando é mais frio. Em teoria, a selecção natural favorecerá as tartarugas que fizerem isso, mas a velocidade da mudança climática significará que não conseguem evoluir suficientemente rápido.

Os cientistas disseram que as tartarugas podem beneficiar de características específicas, como sombra debaixo das árvores, o que poderia fornecer condições um pouco mais frias.

A vida reprodutiva dos machos não é conhecida, portanto os machos mais velhos podem continuar a produzir anos após os novos machos deixarem de ser incubados, embora seja provável que, em algum momento, a população caia.

No ano passado, a investigação liderada pelo World Wide Fund for Nature (WWF) da Austrália descobriu que mais de 99% das tartarugas verdes que nasceram em partes da Grande Barreira de Corais eram fêmeas.

Também alertaram que as populações de tartarugas enfrentam “feminização completa” no futuro próximo. Em algumas praias do norte, perto da Grande Barreira de Corais da Austrália, os cientistas descobriram que praticamente todas as tartarugas jovens eram do sexo feminino, tal como mais de 85% dos adultos.

ZAP //

Por ZAP
17 Julho, 2019

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2124: Há uma nova hipótese para a misteriosa extinção dos neandertais

CIÊNCIA

Uma equipa de cientistas liderados por Anna Degioanni, da Universidade de Aix-Marseille, na França, criou um modelo populacional que lhes permitiu traçar uma nova hipótese sobre a misteriosa extinção dos neandertais.

Os neandertais desapareceram há cerca de 40 mil anos, por razões ainda desconhecidas. Os cientistas têm apontado várias hipóteses para tentar explicar o fenómeno como a expansão do Homo Sapiens na Eurásia, a existência de eventos catastróficos, epidemias massivas e até mudanças climáticas.

A equipa de Degioanni debruçou-se sobre cenários alternativos para explicar a extinção, criando para isso um modelo para simular a população neandertal.

O modelo matemático simulou cenários em que os neandertais foram extintos ao longo de um período de 10 mil anos ou menos, tendo por base a linha de tempo sobre estes ancestrais humanos. A equipa incluiu parâmetros demográficos de referência – como taxas de sobrevivência, migração e fertilidade -, traçados com base em grupo de caçadores-colectores modernos e grandes primatadas da actualidade. Além disso, foram também analisados dados paleogenéticos e empíricos de estudos anteriores.

O modelo mostrou que a extinção dos neandertais poderá ter ocorrido durante este período de 10.000 anos e estar relacionada com a uma diminuição na taxa de fertilidade entre as mulheres jovens, com menos de 20 anos de idade, em 2,7%.

Factores como o aumento da mortalidade entre crianças ou até mesmo entre os adultos – devido a epidemias ou guerras – não parecem tão prováveis, já que teriam causado um “desaparecimento demasiado rápido”, explicou a investigadora à agência AFP.

“Por outro lado, uma ligeira diminuição na taxa de fertilidade de mulheres jovens é compatível com o cronograma conhecido da sua extinção”, acrescentou. A cientista explicou que, apesar de pequena, esta redução terá sido suficiente, tendo em conta o período em análise, para ditar o fim dos neandertais.

Os cientistas frisam que o estudo “não tenta explicar porque é que os neandertais desapareceram, mas tenta identificar como é que [o fenómeno] pode ter acontecido”.

O resultado da investigação foi esta semana publicado na revista PLOS ONE.

ZAP //

Por ZAP
6 Junho, 2019



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