2607: Já se sabe como foi o primeiro dia da extinção dos dinossauros

CIÊNCIA

Várias teorias foram tecidas sobre o que levou à extinção de dinossauros da face do planeta, há 66 milhões de anos, mas a mais aceite foi a queda de um asteróide que causou incêndios florestais maciços e um tsunami gigantesco.

O momento em que a atmosfera se encheu de grandes quantidades de enxofre, que provocou o arrefecimento global, finalmente condenou as espécies pré-históricas.

Agora, um novo estudo liderado por cientistas da Universidade do Texas confirmou essa hipótese, obtendo e analisando amostras dos detritos depositados dentro da gigantesca cratera subaquática de Chicxulub, localizada na Península de Yucatán. Com estas amostras, os investigadores conseguiram reconstruir os eventos geológicos, químicos e biológicos que ocorreram no dia seguinte à queda do asteróide.

Os investigadores perfuraram centenas de metros de sedimentos para obter amostras do núcleo da cratera, com mais de 180 quilómetros de diâmetro. As evidências obtidas incluem pedaços de carvão e misturas de rochas transportadas para lá pelo refluxo do tsunami e também indicam uma notável ausência de enxofre.

Com uma espessura de 130 metros, diversas matérias acumularam-se dentro da cratera nas primeiras 24 horas, o que fornece registos das consequências do impacto.

Segundo especialistas, o asteróide que caiu na Terra – e acabou com mais de 75% das espécies – atingiu uma força equivalente a 10 mil milhões de bombas atómicas usadas na II Guerra Mundial. A explosão incendiou áreas florestais e provocou um tsunami colossal, que atingiu o interior da actual Illinois e arrastou os restos dos ecossistemas incinerados de volta para a cratera.

A equipa descobriu que a área ao redor da cratera contém uma grande quantidade de rochas ricas em enxofre, embora os restos geológicos acumulados no interior não tenham esse elemento. Essa descoberta sustenta a teoria de que o impacto vaporizou o enxofre e o libertou na atmosfera, resultando no bloqueio da luz solar e, com isso, no arrefecimento do planeta.

Os investigadores estimam que tenham sido lançadas 325 mil milhões de toneladas métricas de matéria sólida para a atmosfera. “Fritamos e congelamos”, disse Sean Gulick, líder da investigação, em comunicado. “Nem todos os dinossauros morreram naquele dia, mas muitos morreram”, enfatiza.

Gulik chamou a fase de arrefecimento de “verdadeira assassina”. “A única maneira de produzir uma extinção em massa global como esta foi um efeito atmosférico”, disse.

O estudo foi publicado este mês na revista especializada Proceeding of The National Academy of Sciences.

ZAP //

Por ZAP
10 Setembro, 2019

 

2535: Afinal, não foi o frio que matou o urso das cavernas

CIÊNCIA

Jacek Halicki / Wikimedia

Uma equipa europeia encontrou provas de que não foi o frio que levou à extinção do urso das cavernas. Na verdade, foram os humanos.

Num artigo publicado em Agosto na revista especializada Scientific Reports, o grupo estudou o ADN mitocondrial dos restos destes animais e concluiu que as hipóteses anteriores que indicavam que o urso da caverna simplesmente não resistiu ao frio na Idade do Gelo estavam erradas. A investigação sugere que este factor esteve relacionado com a sua extinção, mas não foi decisivo no desaparecimento dos animais.

O trabalho da equipa incluiu provas mitocondriais de 59 restos de ossos encontrados em cavernas em toda a Europa. O estudo dos dados mostrou que as populações de ursos começaram a declinar muito antes do início da última Idade do Gelo, há aproximadamente 40 mil anos.

Os cientistas também descobriram que os ursos conseguiram sobreviver às eras glaciais anteriores sem grandes reduções na população. Os investigadores apontam que os humanos modernos começaram a povoar as áreas onde os ursos viviam no início da Idade do Gelo. Além disso, apontam que os neandertais também viviam na área, mas que coexistiram com os ursos das cavernas durante milhares de anos, por isso é improvável que tenham contribuído para a extinção.

Os cientistas sugerem que os humanos modernos terão tido habilidades de caça mais sofisticadas e eram menos relutantes em aventurar-se em cavernas onde os ursos poderiam estar a residir. Também apontam que os seres humanos modernos poderiam ter matado os ursos das cavernas por várias razões, incluindo caçá-los para comida, usar as suas peles para se aquecer e eliminá-los como potenciais ameaças.

O ADN mitocondrial também mostrou que os ursos tornaram-se mais isolados à medida que o seu número diminuía, o que tornava os sobreviventes mais propensos a doenças à medida que o fundo genético diminuía.

Os ursos das cavernas também eram sensíveis a um clima em mudança, de acordo com os cientistas. Como não eram carnívoros, as mudanças na vegetação durante a última Idade do Gelo tornaram a procura por comida mais difícil.

Os investigadores concluíram, assim, que os humanos que reduziram o seu número fizerem com que fosse impossível sobreviver à última Era do Gelo.

ZAP //

Por ZAP
28 Agosto, 2019

 

2323: Em 2100, não haverá tartarugas macho (e a culpa é das alterações climáticas)

CIÊNCIA

As tartarugas-marinhas-comuns nascidas num terreno fértil em Cabo Verde serão todas fêmeas por causa das mudanças climáticas, alertou um novo estudo.

Mesmo sob um cenário de baixas emissões, 99,86% das crias de tartarugas seriam fêmeas até 2100, de acordo com investigadores da Universidade de Exeter. Se as emissões continuarem inabaláveis, mais de 90% poderão ser incubadas em “altas temperaturas letais”, matando jovens antes de eclodirem.

Cabo Verde tem uma das maiores populações de nidificação de tartarugas do mundo, com cerca de 15% do total global de nidificação. O sexo das tartarugas é determinado pelas temperaturas em que são incubadas e as temperaturas quentes favorecem as fêmeas.

Os cientistas analisaram as projecções de temperatura do Painel Inter-governamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) para 2100 – baixa (1,8°C), média (2,8°C) e alta (3,4°C).

Actualmente, 84% das crias em Cabo Verde são do sexo feminino, de acordo com o artigo publicado na revista Marine Ecology Progress Series. Temperaturas mais quentes poderão, então, aumentar dramaticamente esse número.

“Sob todos os três cenários de mudança climática, em 2100 mais de 99% das crias seriam fêmeas – e em cenários de média e alta emissão não poderia haver machos”, disse a Lucy Hawkes da Universidade de Exeter, de acordo com o The Independent.

A principal autora Claire Tanner, que trabalhou no estudo como parte de um mestrado na instituição, acrescentou: “O que nos surpreendeu foi como até mesmo o cenário de baixas emissões tem efeitos prejudiciais para esta população. O que isso mostra é que agora é a hora de agir sobre a mudança climática – antes que seja tarde demais para impedir as estimativas vistas neste artigo”.

As projecções baseiam-se no comportamento actual de aninhamento e os cientistas dizem que as tartarugas podem adaptar-se ao acasalar no início do ano, quando é mais frio. Em teoria, a selecção natural favorecerá as tartarugas que fizerem isso, mas a velocidade da mudança climática significará que não conseguem evoluir suficientemente rápido.

Os cientistas disseram que as tartarugas podem beneficiar de características específicas, como sombra debaixo das árvores, o que poderia fornecer condições um pouco mais frias.

A vida reprodutiva dos machos não é conhecida, portanto os machos mais velhos podem continuar a produzir anos após os novos machos deixarem de ser incubados, embora seja provável que, em algum momento, a população caia.

No ano passado, a investigação liderada pelo World Wide Fund for Nature (WWF) da Austrália descobriu que mais de 99% das tartarugas verdes que nasceram em partes da Grande Barreira de Corais eram fêmeas.

Também alertaram que as populações de tartarugas enfrentam “feminização completa” no futuro próximo. Em algumas praias do norte, perto da Grande Barreira de Corais da Austrália, os cientistas descobriram que praticamente todas as tartarugas jovens eram do sexo feminino, tal como mais de 85% dos adultos.

ZAP //

Por ZAP
17 Julho, 2019

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2124: Há uma nova hipótese para a misteriosa extinção dos neandertais

CIÊNCIA

Uma equipa de cientistas liderados por Anna Degioanni, da Universidade de Aix-Marseille, na França, criou um modelo populacional que lhes permitiu traçar uma nova hipótese sobre a misteriosa extinção dos neandertais.

Os neandertais desapareceram há cerca de 40 mil anos, por razões ainda desconhecidas. Os cientistas têm apontado várias hipóteses para tentar explicar o fenómeno como a expansão do Homo Sapiens na Eurásia, a existência de eventos catastróficos, epidemias massivas e até mudanças climáticas.

A equipa de Degioanni debruçou-se sobre cenários alternativos para explicar a extinção, criando para isso um modelo para simular a população neandertal.

O modelo matemático simulou cenários em que os neandertais foram extintos ao longo de um período de 10 mil anos ou menos, tendo por base a linha de tempo sobre estes ancestrais humanos. A equipa incluiu parâmetros demográficos de referência – como taxas de sobrevivência, migração e fertilidade -, traçados com base em grupo de caçadores-colectores modernos e grandes primatadas da actualidade. Além disso, foram também analisados dados paleogenéticos e empíricos de estudos anteriores.

O modelo mostrou que a extinção dos neandertais poderá ter ocorrido durante este período de 10.000 anos e estar relacionada com a uma diminuição na taxa de fertilidade entre as mulheres jovens, com menos de 20 anos de idade, em 2,7%.

Factores como o aumento da mortalidade entre crianças ou até mesmo entre os adultos – devido a epidemias ou guerras – não parecem tão prováveis, já que teriam causado um “desaparecimento demasiado rápido”, explicou a investigadora à agência AFP.

“Por outro lado, uma ligeira diminuição na taxa de fertilidade de mulheres jovens é compatível com o cronograma conhecido da sua extinção”, acrescentou. A cientista explicou que, apesar de pequena, esta redução terá sido suficiente, tendo em conta o período em análise, para ditar o fim dos neandertais.

Os cientistas frisam que o estudo “não tenta explicar porque é que os neandertais desapareceram, mas tenta identificar como é que [o fenómeno] pode ter acontecido”.

O resultado da investigação foi esta semana publicado na revista PLOS ONE.

ZAP //

Por ZAP
6 Junho, 2019



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1961: Ave extinta há 136 mil anos volta a existir

CIÊNCIA

Cientistas dizem que a espécie, um tipo de ralídeo, ressurgiu através de um processo chamado evolução iterativa

Uma ave extinta há 136 mil anos, um tipo de ralídeo, voltou a existir depois de evoluir novamente, escreve o The Independent,, citando cientistas.

A última espécie sobrevivente de aves não voadora no oceano Índico terá voltado através de um processo “evolução iterativa”. Isto significa que em duas ocasiões distintas, separadas por milhares de anos, este tipo de ralídeo colonizou um atol chamado Aldabra, e em ambos ficou sem a capacidade de voar.

A evolução iterativa acontece quando estruturas iguais ou similares evoluem a partir do mesmo ancestral comum mas em momentos diferentes, o que significa que o animal surge por duas vezes. Esta é a primeira vez que este fenómeno foi visto em aves desta família, originária de Madagáscar mas que colonizou repetidamente outras ilhas. Muitos dos que deixaram essa ilha morreram ou foram comidos.

O atol Aldabra não tem predadores, o que ajuda a explicar a gradual perda da capacidade de voar deste tipo de ralídeo. Mas entretanto o atol desapareceu completamente quando foi coberto pelo mar e o ralídeo acabou por ser destruído, como tudo o resto na ilha, há 100 mil anos.

Entretanto, o nível da água do mar baixou novamente e o atol foi mais uma vez tomado por ralídeos sem capacidade de voar. Ao comparar os ossos da espécie antes e depois da extinção, os investigadores descobriram que a evolução aconteceu duas vezes. “Estes fósseis únicos fornecem provas irrefutáveis de que um membro da família dos ralídeos colonizou o atol, provavelmente a partir de Madagáscar, e tornou-se independente da capacidade de voar nas duas ocasiões, disse o investigador Julian Hume, ligado ao Museu da História Natural de Londres.

Diário de Notícias
10 Maio 2019 — 21:49

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1801: Um campo nos EUA revela como foi o último dia dos dinossauros na Terra

CIÊNCIA

(dr) Robert DePalma / University of Kansas

Uma enorme ondulação num mar interno e uma chuva de esferas de vidro foram as condições às quais a biodiversidade continental ou marinha não conseguiu sobreviver na América do Norte.

Dinossauros e peixes morreram e foram enterrados numa questão de horas ou mesmo dezenas de minutos após a queda do asteróide Chicxulub.

Esta é a imagem apresentada na sexta-feira em comunicado da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, prevendo uma publicação futura da revista Proceedings of National Academy of Sciences. A imagem apocalíptica vem de um achado paleontológico – não de uma hipótese sobre o último dia dos dinossauros.

O paleontólogo Robert DePalma levou a cabo durante seis anos as escavações no depósito Tanis em Dakota do Norte, perto do município de Bowman, na formação geológica de Hell Creek. Os achados mostram que é um campo que demonstra o abate massivo num período de tempo tempo muito curto, após o impacto do Chicxulub no Golfo do México.

De acordo com o co-autor do estudo, os fósseis da área representam “o primeiro conjunto de mortes massivas de grandes organismos já encontrado” e correspondem à fronteira cretácea e paleogénica. A um tiranossauro rex e um tricerátops juntaram-se a uma variedade de mamíferos, um grande número de insectos e outros seres. Ali estão os esqueletos do extinto réptil Mosasaurus, moluscos amonites, esturjões e peixes-espátula.

Os peixes, muito mais bem conservados, têm algumas esferas de vidro com vários milímetros de diâmetro nas brânquias. Os cientistas têm a certeza de que guardam esses vestígios de um evento desastroso, como a chuva de rochas derretidas, enquanto nadavam com as bocas abertas. Eles estimam que na região, localizada a mais de 3.200 quilómetros da cratera, choveu cristal entre 45 minutos e uma hora após o impacto.

A camada de rocha sedimentar que cobria todo o conjunto de restos ósseos é rica em irídio, um elemento raro na crosta terrestre, mas não nos asteróides. Os cientistas acreditam que esta camada se acumulou devido a ondas gigantes – mas não propriamente um tsunami.

Na sua opinião, era mais provável que fosse um seicha, as típicas ondas estacionárias de um corpo de águas parcialmente fechadas expostas aos efeitos de um forte terremoto. Esse fenómeno ocorreria em Dakota antes de um tsunami atingir uma região tão distante do Golfo do México.

ZAP // Russia Today

Por ZAP
3 Abril, 2019

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1745: As vaquitas estão extinguir-se à nossa frente. Já só há 10 em todo o mundo

Paula Olson, NOAA / Wikipedia

A vaquita marinha, o cetáceo mais pequeno do mundo, está à beira da extinção, havendo apenas cerca de dez criaturas vivas, segundo cientistas. O ser humano é o principal responsável pelo seu contínuo desaparecimento.

As vaquitas são um animal não muito conhecido no mundo marinho. O que faz sentido, visto que só há cerca de dez destes animais vivos. Na última semana, cientistas anunciaram que a sua população pode variar seis e 22 — no melhor dos casos.

O Phocoena sinus, ou vaquita marinha, é normalmente encontrado nas águas do norte do golfo da Califórnia. É também conhecido como marsuíno-do-golfo-da-califórnia, toninha-do-golfo, boto-do-pacífico e cochito.

A sua população tem vindo a diminuir com o passar dos anos. Ainda em 2016, o ZAP noticiava que restavam apenas cerca de 60 vaquitas em todo o mundo. Agora, quase três anos depois, o número de vaquitas é seis vezes menor.

O Comité Internacional para a Recuperação da Vaquita (CIRVA) anunciaram os números com base num programa de monitorização acústica realizado em 2018. Entretanto, desde a elaboração do estudo, foi anunciada a morte de mais uma vaquita.

De acordo com o Science Alert, na última terça-feira, a Sea Shepherd, organização de vida selvagem marinha, fez uma patrulha de rotina numa pequena área de refúgio de vaquitas na parte mais setentrional do golfo.

Esta pequena porção de água é o lar onde as poucas vaquitas que restam vivem. A utilização de redes para pesca é proibida por lei nesta zona, mas, mesmo assim, continuam a ser a causa de morte de muitos animais desta espécie.

“Uma das criaturas mais incríveis da Terra está prestes a ser varrida do planeta para sempre”, disse a advogada Sarah Uhlemann, directora de programas internacionais do Centro de Diversidade Biológica, com sede nos EUA.

Apesar do México ter banido o uso de redes nesta zona, críticos afirmam que não houve reforço do policiamento marinho. O trabalho de combater o seu uso fica a encargo dos voluntários da Sea Shepherd, que durante a noite procuram e removem as redes. Só no ano passado, segundo o Science Alert, foram removidas quase 400.

Se pararmos as operações, a vaquita ficará extinta“, disse Jack Hutton, imediato da Sea Shepherd, à Associated Press no início do mês. “Sabemos que vamos continuar a ser atacados. Sabemos que estamos a arriscar as nossas vidas, mas se não o fizermos, a vaquita não tem chances”, acrescentou.

É possível ajudar a Sea Shepherd na protecção das vaquitas, fazendo uma doação única ou mensal à fundação, aqui.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
22 Março, 2019

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1660: Sabemos finalmente o que matou a vida marinha na extinção em massa mais mortal da História

kevinzim / Flickr
Trilobite

O aumento das temperaturas acelerou o metabolismo das criaturas, aumentando as suas necessidades de oxigénio. No entanto, também esgotou o oxigénio dos oceanos, fazendo com que os animais (literalmente) sufocassem.

Há cerca de 252 milhões de anos, a Terra sofreu uma devastação catastrófica – um evento de extinção tão grave que destruiu quase toda a vida na Terra. É chamado de Evento de Extinção Permiano-Triássico, também conhecido como A Grande Morte.

Até 70% de todas as espécies de vertebrados terrestres foram mortas, assim como 96% de todas as espécies marinhas, incluindo o famoso trilobite, que já havia sobrevivido a dois outros eventos de extinção em massa.

É amplamente aceite que a mudança climática é a culpada – em particular a actividade vulcânica de longo prazo na Sibéria, que expeliu tanto material na atmosfera que envolveu o mundo num manto de cinzas durante um milhão de anos, bloqueando a luz solar, reduzindo o ozono, fazendo cair chuva ácida e elevando as temperaturas.

Agora, os cientistas mostraram o que erradicou a vida marinha: o aumento das temperaturas acelerou o metabolismo das criaturas, aumentando as suas necessidades de oxigénio, ao mesmo tempo que esgotou o oxigénio dos oceanos. Como resultados, os animais literalmente sufocaram.

O problema é que, actualmente, estamos a vivenciar um aquecimento atmosférico muito semelhante – e muito mais rápido.

Segundo Justin Penn, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, “esta é a primeira vez que fazemos uma previsão mecanicista sobre o que causou a extinção que pode ser directamente testada com a análise do registo fóssil, permitindo-nos fazer previsões sobre as causas de extinção no futuro”.

A equipa realizou uma simulação por computador das mudanças pelas quais a Terra passou durante A Grande Morte. Antes das erupções vulcânicas da Sibéria, as temperaturas e níveis de oxigénio eram semelhantes às de hoje, pormenor que deu aos investigadores uma boa base para trabalhar.

Posteriormente, os cientistas elevaram os gases de efeito estufa na atmosfera do modelo para imitar as condições após a erupção, o que elevou a temperatura da superfície do mar em cerca de 11 graus Celsius. Esse aumento teve como resultado um esgotamento de oxigénio de cerca de 76% – e cerca de 40% no fundo do mar, principalmente em profundidades maiores.

Para observar de que forma esse esgotamento poderia afectar a vida marinha, a equipa incluiu no estudo dados de requisitos de oxigénio de 61 espécies modernas. E tal como se previa, foi um autêntico desastre. “Muito poucos organismos marinhos permaneceram nos mesmos habitats em que viviam – ou fugiram ou morreram“, disse o oceanógrafo Curtis Deutsch, também da Universidade de Washington.

Os mais prejudicados foram as criaturas mais sensíveis ao oxigénio, com a devastação mais pronunciada em altas latitudes, longe do Equador. Quando a equipa comparou os seus resultados com o registo fóssil, confirmou as suas descobertas.

Os animais que vivem nas águas mais quentes ao redor do Equador podem migrar para latitudes mais altas, onde encontrarão habitats semelhantes aos que acabaram de deixar. No entanto, o mesmo não acontece com os animais que já vivem em latitudes mais atas, uma vez que não têm para onde fugir.

No total, isso causou mais de 50% da perda marinha da Grande Morte. O restante foi provavelmente causado por outros factores, como a acidificação pelo CO2 das armadilhas siberianas e um declínio acentuado na vida das plantas causado pelo desbaste do ozono.

Os cientistas afirmam que é importante prestar atenção a estes factos, uma vez que o aquecimento dos oceanos da Terra está a acelerar cada vez mais.

“Sob um cenário de emissões como o de hoje, em 2100 o aquecimento no oceano terá atingido 20% do aquecimento no final do Permiano-Triássico, e no ano 2300 atingirá entre 35 e 50%”, disse Penn.

É importante não esquecer que “este estudo destaca o potencial para uma extinção em massa decorrente de um mecanismo similar sob mudanças climáticas antropogénicas”, concluem os cientistas.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
4 Março, 2019

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1627: Há três datas prováveis para o Apocalipse. Duas das quais ainda este século

(CC0/PD) photoshopper24 / pixabay

A humanidade corre o risco de ser extinta devido à colisão da Terra com um corpo celeste, a uma catástrofe natural ou até tecnológica. Este cenário não é uma fantasia saída dos filmes de Hollywood, mas antes fruto das previsões de vários cientistas.

Apesar de existirem várias e diferentes opiniões sobre a data do fim do mundo, não é ainda certo quando vai acontecer. Ainda assim, o cientistas estão certos de uma coisa: vai ocorrer ainda este século. Tendo em conta as várias correntes sobre o fenómeno, a Sputnik News compilou três previsões científicas próximas sobre o evento apocalíptico.

2036

Entre os possíveis eventos que poderiam levar ao fim do mundo um dos mais populares é a colisão da Terra com um asteróide. É a velha máxima: A questão não é se um asteróide vai colidir com a Terra, é quando.

De momento, o asteróide mais preocupante para os cientistas é o Apophis, que em 13 de Abril de 2029 se aproximará do nosso planeta a uma distância de 38 mil quilómetros (uma distância dez vezes menor do que a existente entre a Terra e a Lua).

Há uma pequena possibilidade de o asteróide entrar numa zona perigosa de 600 metros, onde o campo gravitacional da Terra mudará a sua trajectória de voo. Se isso acontecer, o Apophis colidirá com a Terra em 2036.

Segundo os cientistas da Universidade Técnica Estatal Bauman de Moscovo, na Rússia, na zona de risco, e caso se dê a colisão do Apophis com a Terra em 2036, encontra-se o Extremo Oriente russo, os países da América Central e África Ocidental.

2026

Há mais de 50 anos, o cientista americano Heinz von Foerster publicou com os seus colegas um artigo na revista científica Science, no qual revelou a data exacta do Dia do Juízo Final – 13 de Novembro de 2026. Nesse dia, a população da Terra deixará de crescer exponencialmente e tenderá ao infinito, escreveram os especialistas.

Para fazer os cálculos, Foerster usou dois parâmetros que determinam o destino de qualquer forma de vida: fertilidade e esperança de vida. Em 1975, o astrofísico alemão Sebastian von Hoerner teve em contra outros parâmetros ligados à actividade humana e estabeleceu que o Apocalipse chegará entre 2020 e 2050, quando a população da Terra aumentará a tal ponto que não será capaz de se alimentar.

Os cientistas americanos, por sua vez, usaram números actuais nas fórmulas produzidas de von Hoerner e revelaram que o fim do mundo não deverá acontecer antes de 2300 e 2400 devido ao aquecimento global provocado pelas actividades humanas.

Século XXI

Em 1972 o Clube de Roma, organização informal que reúne intelectuais, cientistas e futurólogos, apresentou um relatório sobre os limites de desenvolvimento da civilização. Os autores analisaram o crescimento da população, a indústria e o consumo dos recursos não renováveis, a deterioração do ambiente e revelaram que existe uma grande possibilidade de o colapso acontecer já no século XXI, se a humanidade não mudar seu comportamento, política e desenvolvimento tecnológico.

Nos anos 1980, diversos matemáticos estabeleceram que, conhecendo o início e duração da humanidade, é possível prever quando esta termina. Esta hipótese chama-se “argumento do Dia do Juízo Final”. Segundo os matemáticos, se quisermos analisar um qualquer processo, o mais possível é que o façamos em meados desse processo, mas não no seu início ou no fim, ou seja, a nossa civilização está a metade do caminho e ainda teremos pela frente alguns séculos ou milénios.

Entretanto, há quem que acredite que colapso da humanidade ocorrerá já em breve. Por exemplo, o futurologista Aleksei Turchin, no livro “Estrutura da Catástrofe Global”, analisa diferentes métodos de cálculo da data exacta do Apocalipse e a maioria aponta que o Dia do Juízo final chegará no século XXI.

Estas previsões vão ao encontro do Relógio do Apocalipse que, no passado mês de Janeiro, actualizou os seus ponteiros, dando conta que estamos a dois minutos do fim – no ano passado, os ponteiros marcavam já esta posição, assinalando, pela terceira vez desde que o relógio existe, a maior aproximação à meia noite.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
23 Fevereiro, 2019

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1626: Afinal, um asteróide pode não ter sido o “assassino” dos dinossauros

Ntvtiko / Deviant Art

Há 66 milhões de anos, algo mudou o mundo. Cerca de 75% das espécies de plantas e animais morreram, erradicando os dinossauros. Isto marcou o fim do Cretáceo e foi o início de uma nova Era – o Cenozóico – a era dos mamíferos.

Mas não se sabe exactamente o que causou esta extinção em massa da Terra. Registos fósseis e geológicos mostram tempos turbulentos que abrangem um milhão de anos – um impacto gigante de asteróides e intensa actividade vulcânica que se espalhou pelo mundo. Mas o relacionamento entre os fenómenos e o evento de extinção ainda não é claro.

A maioria dos paleontologistas e geólogos acredita que a última extinção em massa de animais na Terra, que ocorreu há 65,5 milhões de anos, foi causada pela queda de um asteróide que formou a gigante cratera de Chicxulub, com cerca de 300 quilómetros, no fundo do mar ao largo da costa do sul do México. A queda do asteróide é inegável, mas o seu papel na extinção dos dinossauros continua a ser objeto de debate.

Em 1989, o paleontólogo Mark Richards sugeriu que a razão para o seu desaparecimento foi o derrame maciço de magma no local do actual planalto indiano de Decã, que ocorreu mais ou menos na mesma época.

Recentemente, os cientistas encontraram indícios de que as ondas sísmicas que surgiram após a colisão entre o asteróide e a Terra “acordaram” os vulcões. As suas emissões, segundo alguns geólogos, ampliaram as consequências do impacto do asteróide e mataram grande parte da fauna marinha.

Duas equipas de geólogos e geoquímicos tentaram resolver este problema calculando a idade dos depósitos vulcânicos em diferentes pontos do planalto, utilizando dois métodos de datação diferentes que detectam a presença de urânio e outros isótopos instáveis de vários elementos nas rochas. Este método torna possível determinar o tempo de erupções vulcânicas com precisão.

Os cientistas analisaram os minerais expelidos pelos vulcões através de medições e obtiveram resultados que indicaram que as erupções vulcânicas no planalto Deccan começaram aproximadamente ao mesmo tempo da queda do asteróide, de acordo com o estudo publicado na revista Science.

Por outro lado, o seu papel na extinção tornou-se agora ainda mais obscuro devido ao período de tempo em que as suas erupções atingiram o pico, bem como às diferenças nas medições dos cientistas.

Descobriu-se que a maioria dos fluxos de magma ocorreu após a queda do asteróide, representando cerca de 70% do volume total de todas as rochas. Esta descoberta põe em dúvida a teoria de Richards e sugere que os vulcões não foram os principais “assassinos” dos dinossauros, mas estiveram activamente envolvidos na destruição da flora e fauna do período Mesozoico.

As análises de datação também sugerem que os vulcões no planalto de Decã irromperam de forma episódica. Os cientistas contaram quatro grandes “surtos” de vulcanismo, um dos quais ocorreu cerca de algumas dezenas de milhares de anos antes da queda do asteróide.

Naquela época, o nível geral de actividade vulcânica duplicou, o que deveria ter tido um impacto extremamente negativo no clima do planeta, elevando a possibilidade de extinção em massa dos habitantes da Terra. Dessa forma, os vulcões teriam sido tão responsáveis pelo cataclismo como o asteróide.

Futuras escavações na Índia mostrarão qual das teorias está mais próxima da verdade e revelarão quem foi o verdadeiro assassino dos dinossauros, répteis marinhos e outros seres vivos da era mesozoica.

ZAP // Science Alert / Sputnik News

Por ZAP
23 Fevereiro, 2019

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1565: “Deserto submarino” no Pacífico pode provocar desastre ambiental

Uma equipa de cientistas acredita que o desaparecimento progressivo da estrela-do-mar-girassol, cuja causa é ainda desconhecida, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos, pode vir a causar um desastre ambiental no Pacífico. 

Os cientistas alertam para este “deserto submarino” através de uma novo artigo científico publicado na quarta-feira passada na revista especializada Science Advances.

“Nunca vi um declínio desta magnitude numa espécie tão importante”, disse o autor principal do estudo, Drew Harvell, em declarações ao The Washington Post.

A pesquisa dá conta que a doença que afecta a estrela do mar, que prejudicou significativamente a estrela-do-mar-girassol (Pycnopodia helianthoides), pode estar por detrás de surtos de doenças infecciosas que desde 2013 colocam em risco várias espécies de animais, incluindo rãs, corais e até morcegos.

Os investigadores frisam ainda que esta espécie marinha está à beira da extinção, pedindo, por isso, às autoridades que tomem medidas, tentando salvar a espécie através de um programa de reprodução com estrelas-do-mar-girassol em Washington, Canadá e Alasca. Por outro lado, escreveram, o declínio desta espécie coincidiu com o período que aquecimento global que ocorreu no Pacífico entre 2013 e 2015.

A equipa monitorizou o progressivo desaparecimento da estrela-do-mar-de-girassol através de incursões em águas rasas na área entre 2006 e 2014, nas quais foram contabilizadas entre “duas a 100 estrelas” dessa espécie, sendo depois registado uma queda significativa no número de espécies a partir desse momento.

Por último, os cientistas afirmam ainda que o maior inimigo das estrelas-do-mar-de-girassol – os ouriços-do-mar-roxos (Strongylocentrotus purpuratus) – estão a multiplicar-se no fundo do mar, tornando a sobrevivência destas estrelas-do-mar ainda mais complicada, uma vez que se alimentam da vegetação, que é também um elemento-chave para o ecossistema da área em causa do Pacífico.

De acordo com o Oceanário, a estrela-do-mar-girassol é uma das maiores estrelas-do-mar, sendo a mais rápida de todas as espécies já conhecidas. A espécie é capaz de se deslocar 50 centímetros por minuto. Nos Estados Unidos, é também conhecida como sea pigs (porcos do mar), nome devido à sua voracidade.

ZAP //

Por ZAP
7 Fevereiro, 2019

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1524: Ameaça de extinção. Queda de asteróides na Terra aumentou dramaticamente nos últimos anos

As colisões de asteróides gigantes com a Terra aumentaram dramaticamente nos últimos 290 milhões de anos, de acordo com uma nova investigação científica. Cientistas dizem que é um alerta “para o próximo evento de extinção em massa” que devemos tentar evitar.

Nos últimos 290 milhões de anos, aumentou a frequência com que asteróides gigantes têm caído na Terra, comparativamente com os 700 milhões de anos anteriores, de acordo com um estudo publicado no jornal científico Science.

Muitos cientistas têm defendido que os impactos de asteróides com a Terra são uma ameaça constante para o planeta, embora rara. Esta nova pesquisa desafia essa ideia, mostrando, pela primeira vez, dados estatísticos que vão no sentido de confirmar que a média de colisões espaciais com o planeta tem flutuado no tempo.

Investigadores norte-americanos e britânicos compilaram uma lista de crateras de impacto na Terra com uma dimensão superior a 20 km de largura – para criar uma cratera deste tamanho é preciso um asteróide de 800 metros de largura, pelo menos, explicam os cientistas à Associated Press.

Com recurso a imagens da Órbita de Reconhecimento Lunar da NASA, estudaram os destroços em torno destas crateras de modo a conseguirem situá-las no tempo, através da datação radiométrica.

Desta forma, contabilizaram 19 crateras que teriam 290 milhões de anos e nove que teriam entre 291 e 650 milhões de anos.

Todavia, o facto de a Terra ter mais de 70% de oceanos e glaciares atenua algumas crateras antigas, pelo que nem todas terão sido contabilizadas, como atesta a co-autora da pesquisa, Rebecca Ghent, cientista planetária da Universidade de Toronto, em declarações divulgadas pela Associated Press.

Para contornar este problema, os cientistas analisaram também crateras de impacto na Lua. Por se encontrar no mesmo caminho da colisão espacial que a Terra, a Lua é um excelente objecto de análise porque, sendo geologicamente inactiva, as suas crateras são mais duradouras. Já na Terra, as crateras são, muitas vezes, “apagadas” pela erosão e pela deslocação dos continentes.

Foi extrapolando dados da Lua que os cientistas chegaram a um total de 260 quedas de asteróides na Terra nos últimos 290 milhões de anos.

Assim, a actual taxa de colisão espacial é de 2.6 vezes mais do que nos 700 milhões de anos anteriores.

Um alerta para a fragilidade da vida humana

“É apenas um jogo de probabilidades”, trata de destacar a investigadora que liderou o estudo, Sara Mazrouei, da Universidade de Toronto, no Canadá. “Estes eventos continuam a ser raros e distantes entre si que não estou muito preocupada quanto a isso”, frisa citada pela Associated Press.

Porém, o cientista Avi Loeb, da Universidade de Harvard, nos EUA, que não esteve envolvido na pesquisa, leva os números mais a sério e considera, num email enviado àquela agência de notícias, que “esta taxa de impacto aumentada representa uma ameaça para o próximo evento de extinção em massa que devemos observar e tentar evitar com a ajuda da tecnologia”.

“Isto demonstra quão arbitrária e frágil é a vida humana“, nota ainda Loeb.

“Embora as forças que impulsionam” os eventos de extinção em massa “sejam complicadas e possam incluir outras causas geológicas, como grandes erupções vulcânicas, combinadas com factores biológicos, os impactos de asteróides desempenharam certamente um papel nesta saga em andamento”, diz ainda o co-autor da investigação Thomas Gernon, da Universidade de Southampton, no Reino Unido, citado pela Phys.org.

“A questão é se a mudança prevista nos impactos dos asteróides pode ser directamente relacionada com os eventos que ocorreram há muito tempo na Terra”, constata Gernon.

Também não é possível saber se a taxa de impactos continua a crescer ou se está em queda.

Os cientistas não conseguem igualmente explicar a que se deve este aumento das colisões espaciais com a Terra nos últimos 290 milhões de anos.

Pode ter a ver com grandes colisões ocorridas há mais de 300 milhões de anos no cinturão principal de asteróides entre as órbitas de Marte e Júpiter, como explica outro co-autor do estudo, William Bottke, do Instituto de Investigação Southwest no Colorado, nos EUA, em declarações divulgadas pelo The Guardian.

Bottke salienta que quando os asteróides colidem, podem provocar detritos que se deslocam para a Terra ou para a Lua. “Se a separação inicial for grande o suficiente, o aumento nos impactos pode durar centenas de milhões de anos”, acrescenta.

O cientista planetário concluiu que foi precisamente um tipo de fenómeno semelhante que causou o impacto que há 65 milhões de anos levou à extinção dos dinossauros.

Apesar de tudo, as possibilidades de um asteróide cair na Terra continuam reduzidas e não há ameaças latentes, de acordo com os últimos dados divulgados pela NASA.

O asteróide que maior risco coloca tem 1,3 km de comprimento e apresenta 99,988% de possibilidades de falhar a colisão com a Terra quando passar perto do planeta daqui a 861 anos, como destaca a Associated Press.

SV, ZAP //

Por SV
26 Janeiro, 2019

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1387: Quando as alterações climáticas varreram 96% de toda a vida na Terra

Estudo lança nova luz sobre grande extinção em massa ocorrida há 252 milhões de anos, que varreu 96% de toda a vida do planeta. Um aumento de temperatura de 10 graus Celsius foi click que desencadeou tudo

© DR

Foi o maior episódio extinção alguma vez ocorrido no planeta. A grande extinção em massa do fim do Permiano, como é conhecida, e que ocorreu há 252 milhões de anos, varreu 96% das espécies da face da Terra, mas até hoje o que esteve na sua origem tem sido um mistério para a ciência.

Agora, um grupo de cientistas de duas universidades americanas avança uma nova explicação: o que aconteceu foi um aumento rápido da temperatura, de cerca de 10 graus Celsius, causado por uma sucessão de erupções vulcânicas, que fez cair drasticamente a quantidade de oxigénio nos oceanos.

A vida que ali fervilhava não conseguiu adaptar-se e desapareceu para sempre. De forma simples e directa, foi um episódio de alterações climáticas.

A tese é avançada hoje na revista Science por um grupo de investigadores das universidades americanas Washington e Stanford, que ao conhecimento dos dados fósseis da época juntaram um modelo computacional do clima da época e conseguiram assim simular com grande precisão o fenómeno então ocorrido.

“Foi a primeira vez que se fez uma simulação preditiva do que causou aquela extinção em massa, e os nossos resultados coincidem com o que sucedeu”, explica Justin Penn, o primeiro autor do artigo hoje publicado.

Este resultado, sublinha o mesmo investigador, “permite-nos agora fazer estimativas sobre possíveis extinções no futuro”. E aqui as conclusões tornam-se inquietantes: estas extinções massivas podem ocorrer de novo com o aumento da temperatura média da atmosfera do planeta – soa familiar?

Durante a grande extinção do Permiano, praticamente todas as espécies marinhas que então existiam desapareceram de vez. Depois de uma série erupções vulcânicas na Sibéria, houve uma acumulação de gases na atmosfera, a temperatura dos oceanos aumentou e as águas acidificaram-se. Isso fez cair para níveis mínimos a disponibilidade de oxigénio nos oceanos e a quase totalidade das espécies marinhas não conseguiram adaptar-se.

O modelo dos investigadores reproduz esse ambiente e também a extinção em massa ocorrida, que é por sua vez comprovada pelos registos fósseis.

O trabalho mostra, além disso, que a maior devastação na vida terrestre da altura ocorreu nas latitudes mais altas. Nos trópicos ela também aconteceu, mas nas latitudes altas, a vida pura e simplesmente desapareceu por falta de oxigénio. Este dado é confirmado pela distribuição geográfica dos registos fósseis.

“A assinatura daquele mecanismo feito de aquecimento global e diminuição de oxigénio está no próprio padrão geográfico que encontrámos e que ficou patente também no nosso modelo”, garante um dos coordenadores do estudo, Jonhatan Payne, da Universidade de Stanford.

De acordo com o estudo, metade das extinções então ocorridas na vida marinha são explicadas pelo aquecimento da temperatura e consequente quebra no oxigénio. A outra (quase) metade ficou a dever-se à acidificação das águas, que causou perdas drásticas na sua produtividade. E é este quadro, que começa a ter algo de familiar, que preocupa o autores do estudo.

“Se as emissões de gases com efeito de estufa continuarem como até agora, no final do século as águas oceânicas superficiais terão atingido 20% da temperatura a que chegaram há 252 milhões, para atingir os 50% em 2300”, alerta Justin Penn. E sublinha: “Este estudo mostra o potencial de extinções em massa de um mecanismo idêntico ao aconteceu no Permiano, desta vez causado por uma mudança climática antropogénica“.

Diário de Notícias
Filomena Naves
07 Dezembro 2018 — 12:40

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1285: Fóssil com 75 milhões de anos adensa mistério sobre a extinção das aves

CIÊNCIA

Brian Engh / dontmesswithdinosaurs.com
Exemplares de Mirarce eatoni, ilustração de Brian Engh

Há mais de 65 milhões de anos, aves de centenas de espécies diferentes voavam sobre as florestas. Mas, depois do cataclismo que destruiu a maioria dos dinossauros, apenas um grupo de aves sobreviveu.

O mistério é exactamente esse: porque é que apenas uma família sobreviveu? A descoberta de um fóssil de um dos grupos extintos, “primos” das aves de hoje, aprofunda o enigma.

O fóssil com 75 milhões de anos, de um pássaro do tamanho de um peru, é o esqueleto mais completo descoberto na América do Norte dos chamados “enantiornitinos”, ou “oposto de aves” – assim chamados porque os ossos das suas patas são formados de maneira diferente nas aves modernas.

Descoberto em 1992 na área de Grand Staircase-Escalante, no Utah, pelo paleontólogo Howard Hutchison, da Universidade da Califórnia, o fóssil permaneceu relativamente intacto no Museu de Paleontologia da Universidade da Califórnia, até que a estudante de doutoramento Jessie Atterholt o começou a estudar em 2009.

Os dois investigadores colaboraram com Jingmai O’Conner, especialista em enantiornitina, para analisar o fóssil. Com base no seu estudo, publicado a 13 de Novembro na revista PeerJ, os enantiornitinos do final do período Cretáceo eram extremamente semelhantes aos ancestrais das aves de hoje, capazes de voar com agilidade.

“Sabemos que as aves no início do Cretáceo, há cerca de 115 a 130 milhões de anos, eram capazes de voar, mas não eram tão bem adaptadas como as aves modernas“, disse Atterholt. “O que este novo fóssil mostra é que os enantiornitinos desenvolveram algumas das mesmas adaptações para estilos de voo avançados altamente sofisticados”.

O osso do peito do fóssil, onde os músculos do voo se ligam, é mais profundamente desgastado do que outros enantiornitinos, o que implica um músculo maior e um voo mais forte, mais semelhante aos pássaros modernos. Em forma de V, o osso é mais semelhante ao dos pássaros modernos, ao contrário do osso com a forma de U dos pássaros anteriores.

Scott Hartman
Esqueleto de Mirarce eatoni

“Esta ave em particular tem cerca de 75 milhões de anos, cerca de 10 milhões de anos antes do cataclismo”, referiu a investigadora. “Uma das coisas misteriosas sobre os enantiornitinos é que os encontramos em todo o Cretáceo, durante cerca 100 milhões de anos de existência, e foram muito bem sucedidos“.

Fósseis de enantiornitinos são encontrados em todos os continentes. Em muitas áreas, são mais comuns que o grupo que levou às aves modernas”, afirmou Atterholt. “No entanto, as aves modernas sobreviveram e os enantiornitinos foram extintos”.

Uma hipótese recentemente proposta argumenta que os enantiornitinos viviam na floresta, por isso, quando a área florestal ficou envolta em fumo depois da queda do asteróide que sinalizou o fim do Cretáceo e dos dinossauros não-aviários, estas aves também desapareceram. Muitos enantiornitinos têm fortes garras curvadas, ideais para se empoleirarem e escalar.

“Acho que é uma hipótese realmente interessante e a melhor explicação que ouvi até agora”, disse Atterholt. “Mas precisamos de fazer estudos rigorosos sobre a ecologia dos enantiornitinos, porque, de momento, esta parte do quebra-cabeças não é explícita“.

ZAP // Phys

Por ZAP
14 Novembro, 2018

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1180: Falha no sistema de água pode ter ditado o fim de uma das maiores cidades antigas

CIÊNCIA

(CC0/ PD) sharonang / Pixabay

Em 1200, a maior cidade do mundo era Angkor, território onde hoje se localiza o  Cambodja. Repentinamente, a maioria dos habitantes da cidade começou a abandonar a região no século XV, levando a cidade ao colapso – os cientistas podem agora ter descoberto o motivo.

Historiadores e cientistas têm apresentado hipóteses para justificar o êxodo massivo desta cidade que contava com uma área de mil quilómetros quadrados. Agora, um novo artigo, publicado na semana passada na revista Science Advances, sugere que terá sido o sistema de distribuição de água a ditar o seu fim.

Durante cem anos, a população de Angkor construiu e expandiu as suas redes de canais, diques, barragens, poços e outras estruturas importantes para a administração da água. No entanto, no século XV, e de forma quase inexplicável, muitos plebeus e o próprio rei de Angkor abandonaram a cidade.

Especialistas justificam esta saída com uma possível guerra com um reino vizinho, localizado na actual Tailândia, mencionando também uma provável substituição do hinduísmo pelo budismo.

No entanto, a nova publicação aponta o sistema de água como o principal culpado. Segundo a mesma, a população pode ter deixado a cidade após inundações inesperadas, seguidas por décadas de chuvas escassas, que acabara por desencadear uma séria de falhas no maior sistema aquífero do mundo pré-industrial, notam os investigadores.

O co-autor da investigação e geofísico da Universidade de Sidney, na Austrália, Dan Penny, desenvolveu juntamente com o resto da equipa um modelo computorizado que avalia de que forma as rápidas mudanças climáticas durante os períodos de chuva podem ter afectado o sistema de distribuição de água desta cidade.

Recorrendo a várias simulações, os cientistas concluíram que os canais começaram a corroer, alargando-se consequentemente devido ao volume do fluxo de água. Por este motivo, a água foi sendo desviada de forma desigual pelas intersecções da rede, reabastecendo apenas alguns canais. A distribuição irregular foi ainda mais afectada devido aos sedimentos que foram se acumulando nos canais.

De acordo com os cientistas, a ocorrência de todos estes fenómenos levou à falha total da rede de água, ditando assim, e de forma inesperada, o desaparecimento de Angkor – a maior cidade do mundo à luz da época.

Por ZAP
22 Outubro, 2018

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1177: Diminuição de insectos tem efeitos “inimagináveis” para os seres humanos

CIÊNCIA

Ecuador Megadiverso / Flickr

A diminuição do número de insectos é um problema muito mais grave do que se julgava. Nova investigação afirma que essa diminuição põe em causa cadeia alimentar e traz “consequências inimagináveis para os seres humanos”.

O estudo publicado a 15 de Outubro na revista Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, foca-se nos artrópodes – animais invertebrados que possuem exoesqueleto rígido e vários pares de apêndices articulados – como gafanhotos, moscas, mosquitos, borboletas, formigas, aranhas, escorpiões e centopeias.

De acordo com a Visão, no estudo é feita uma comparação com dados obtidos durante os anos 70, concluindo que a biomassa destes insectos diminuiu entre 10 a 60 vezes.

Para além da diminuição no número de insectos registado, o estudo revelou ainda “declínios simultâneos em lagartos, sapos e pássaros que comem artrópodes“.

A investigação afirma também existir um outro culpado para a diminuição das populações destes insectos. Em estudos do ano passado sobre o desaparecimento de insectos voadores na Alemanha, foi sugerido que o culpado seria a utilização de pesticidas.

Contudo, este novo estudo concluiu que o culpado teria de ser outro visto que o uso de pesticidas caiu mais de 80% no Porto Rico desde 1969. Neste país, com a diminuição de enormes quantidades de insectos na floresta tropical de El Yunque, também se registou uma diminuição dos seus predadores como os lagartos, pássaros e sapos.

Retirando os pesticidas como os prováveis culpados para o desaparecimento destas populações, os investigadores apontam o aquecimento global como o verdadeiro culpado.

“Nos últimos 30 anos, as temperaturas na floresta aumentaram 2ºC e o nosso estudo indica que o aquecimento do clima é a força por trás do colapso da cadeia alimentar da floresta”, afirmam os investigadores.

O estudo avisa ainda que, caso se confirme a influência das alterações climáticas nos ecossistemas tropicais, os efeitos podem ser muito mais significativos do que aquilo que se previa.

Bradford Lister, um dos autores do estudo e biólogo do Instituto Politécnico de Rensselaer, em Nova York, dedica-se desde os anos 70 à análise dos insectos da floresta tropical de El Yunque.

Entre 1976 e 1977, Bradford deslocou-se à floresta para registar o número de insectos e de predadores existentes. Agora, 40 anos depois, o biólogo regressou à mesma tarefa acompanhado por Andrés García, da Universidade Nacional Autónoma do México.

“Foi logo óbvio mal entrámos naquela floresta. Menos pássaros a voar, as borboletas, antes abundantes, tinham todas desaparecido”, revelaram os investigadores.

Para além dos pássaros, as populações de traças, aranhas e gafanhotos também sofreram uma diminuição. No caso dos lagartos Anolis, existiu um decréscimo de mais de 30%.

Esta diminuição que agora atinge os animais que se alimentam de insectos, poderá chegar nos próximos anos às plantas. Isto porque, sem polinizadores, as plantas não têm como se expandir e, sem florestas tropicais, “será mais uma falha catastrófica em todo o sistema da terra que vai atingir os seres humanos de formas inimagináveis”, afirmam.

ZAP //

Por ZAP
21 Outubro, 2018

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1156: A Terra precisará de 5 milhões de anos para recuperar da extinção em massa de mamíferos

CIÊNCIA

Mark Dumont / Flickr
O rinoceronte-negro, nativo de África, é uma das espécies em perigo iminente de extinção

Muitas espécies de mamíferos vão desaparecer nos próximos 50 anos se nada for feito pela sua conservação, e a natureza poderá demorar três a cinco milhões de anos a recuperar essa perda. A evolução das espécies não está a conseguir acompanhar as extinções em massa.

Uma equipa de cientistas das universidades de Aarhus, na Dinamarca, e de Gotemburgo, na Suécia, chegou a esta conclusão a partir de simulações computacionais sobre a evolução das espécies e de dados sobre a evolução das relações e do tamanho das espécies de mamíferos sobreviventes e extintas.

De acordo com o estudo, publicado nesta segunda-feira na revista PNAS, a evolução das espécies não está a acompanhar o ritmo a que as espécies estão a desaparecer.

Os cientistas estimam que serão necessários cinco a sete milhões de anos para que a biodiversidade entre os mamíferos volte aos patamares anteriores à evolução dos homens modernos, isto se, ressalvam, em geral, os mamíferos se diversificarem a uma taxa considerada normal.

Num cenário mais optimista, em que os humanos deixam de destruir os habitats naturais, serão precisos três a cinco milhões de anos para os mamíferos se diversificarem o suficiente para regenerarem os ramos da árvore da sua evolução que os cientistas estimam virem a perder-se nos próximos 50 anos.

Espécies de mamíferos “criticamente em perigo”, como o rinoceronte-negro, nativo de África, estão em risco elevado de desaparecer dentro de cinco décadas, advertem, realçando que, tal como no passado, muitas espécies poderão extinguir-se sem deixar um “parente” próximo que dê continuidade à linhagem.

A União Internacional para a Conservação da Natureza, citada pelo Science Alert, prevê que 99,9% das espécies “criticamente em perigo” e 67% espécies em risco de extinção serão perdidas nos próximos 100 anos.

Matt Davis / Aarhus University

O portal de Ciência nota ainda que as cinco extinções em massa registadas nos últimos 450 milhões de anos deveram-se a desastres naturais no entanto, agora o cenário é diferente – é a actividade humana que está a dizimar espécies de mamíferos.

Os investigadores salientam ainda que a sua análise poderá ser usada para priorizar a conservação de diferentes espécies ameaçadas de extinção.

ZAP // Lusa / Science Alert

Por ZAP
17 Outubro, 2018

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1041: Asteróide que poderia destruir a Humanidade é oito vezes maior que Lisboa

(dr) ESO / M. Kornmesser
O asteróide Palma, com uma largura de 192 km, tem mais de metade do tamanho do 2004 EW95 (na figura)

Enquanto explorava uma galáxia distante, a NASA conseguiu medir o tamanho de um asteróide. É oito vezes maior do que a cidade de Lisboa e poderia causar uma destruição em massa – ou até extinguir a humanidade, em caso de impacto com o planeta Terra.

Conhecido como Palma, o asteróide foi descoberto em 1893 pelo astrónomo francês Auguste Charlois, na cintura principal de asteróides entre Marte e Júpiter. Este corpo celeste orbita em torno do sol por uma trajectória constante e não aparenta ser uma ameaça para o nosso planeta.

Para medir o asteróide, os astrónomos aguardaram pela passagem do asteróide em frente ao raio da galáxia, num fenómeno chamado “ocultação” que afecta as características dos sinais recebidos pelas antenas terrestres e através das antenas VLBA em Washington, Califórnia, Texas, Arizona e Novo México, conseguiram medir o asteróide.

A análise levou os astrónomos a concluir que o corpo celestial difere significativamente de um círculo perfeito e tem 192 quilómetros de largura – quase oito vezes maior do que a cidade de Lisboa, que tem cerca de 25 km de  largura.

O próximo passo para os astrónomos será determinar melhor a verdadeira forma deste asteróide, através da combinação de dados de rádio com observações ópticas. “Usar a técnica de observar a ocultação por asteróides com o VLBA revelou-se um método extremamente poderoso para calcular a dimensão do Palma”, disse Kimmo Lehtinen, do Instituto de Investigação Geoespacial da Finlândia.

“Além disso, a técnica permite também identificar imediatamente formas invulgares ou a existência de asteróides binários – o que significa que, sem qualquer dúvida, será usada para estudos futuros de asteróides”, acrescentou Lehtinen.

Em maio de 2015, o Palma bloqueou as ondas de rádio da galáxia 0141+268 ao criar uma sombra enquanto passava em frente do planeta, o que ajudou os astrónomos a avaliarem o seu tamanho, fazendo uma estimativa daquilo que poderia ser a sua forma.

Por ZAP
19 Setembro, 2018

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1010: Humanos levaram milhares de anos a extinguir as aves-elefante

Faziam parte da megafauna que habitou Madagáscar durante milhares de anos. Pesavam meia tonelada, atingiam três metros de altura e já eram caçadas pelo homem há 10 mil anos, o que levou a uma revisão radical das estimativas do início da presença humana na ilha

Durante milhares de anos, a ilha de Madagáscar foi o habitat de uma megafauna – hoje integralmente extinta – onde se incluíam lémures e tartarugas gigantes, hipopótamos e dois géneros distintos de “aves elefantes”, incapazes de voar, de uma família intitulada Aepyornithidae. A maior, a Aepyornis, chegava à meia tonelada de peso e aos três metros de altura, pondo ovos maiores do que os dos dinossauros, com um volume 160 vezes superior aos das galinhas. Extinguiu-se há pouco mais de mil anos. A segunda, Mulleronis, pesava cerca de 150 quilos. Os restos mortais mais recentes foram datados de meados do século XIII. Ambas eram caçadas pelo homem. Mas, agora, descobriu-se que isso já acontecia há muito mais tempo do que se suspeitava.

De acordo com um estudo publicado na revista científica Advances Science Mag, investigadores de Madagáscar, Estados Unidos e Reino Unido descobriram sinais de acção humana em ossadas de aves-elefante datadas de há 10.500 anos, incluindo “marcas de corte e fracturas consistentes com imobilização e desmembramento”. Uma descoberta que obrigará os cientistas a reavaliarem toda a dinâmica da extinção da megafauna da ilha, da intervenção humana nesse processo e da própria colonização humana do território.

Com base em investigações anteriores, estimava-se que a presença humana na ilha tivesse começado há cerca de 2500 anos. Ou seja: seis mil anos mais tarde do que agora é revelado. Acreditava-se, igualmente, que esta presença tivesse ditado a extinção relativamente rápida de todos os “gigantes” da ilha. Mas, ao serem encontrados vestígios tão antigos da caça destes animais, as evidências mostram agora que esta actividade não terá impedido a coexistência entre o homem e a megafauna durante largos milhares de anos.

Diário de Notícias
Pedro Sousa Tavares
13 Setembro 2018 — 10:53

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1002: O pássaro que protagonizou o filme “Rio” está extinto

CIÊNCIA

O pássaro azul que protagoniza o filme “Rio” está extinto. A ararinha-azul torna-se, assim, numa das oito espécies de pássaro que desapareceram do planeta Terra. 

De acordo com um estudo realizado pela BirdLife International e publicado no início do mês na ScienceDirect, a ararinha-azul, um pássaro que ficou muito famoso por ter aparecido no filme “Rio”, está extinta.

Esta ave torna-se assim numa das oito espécies de pássaro, quatro das quais nativas do Brasil, que desapareceram do planeta Terra. A culpa, neste caso em particular, é da desflorestação, que lhe destruiu o habitat, condenando-a à extinção.

Segundo o estudo da organização ambiental, esta é a primeira vez na história em que o número de espécies extintas na parte do país que fica no continente é maior do que o número de extinções nas ilhas.

Stuart Butchart, que liderou a equipa de investigação, refere que “90% das extinções de pássaros nos séculos mais recentes aconteceu em ilhas, mas os resultados confirmam que há uma onda crescente de extinções no continente por causa da perda de habitat, degradação por causa de técnicas agrícolas insustentáveis e exploração madeireira”.

Além disso, adianta o Observador, a ararinha-azul tornou-se na primeira espécie a ser considerada extinta este ano, ao lado de outras como o gritador-do-nordeste, o limpa-folha-do-nordeste, a trepadeira-de-cara-preta, o abibe-preto, a caburé-de-pernambuco, a arara-azul-pequena e o papagaio de Nova Caledónia.

Em estado selvagem, já não existe nenhuma. Apesar disso, ainda há entre 60 e 80 ararinhas-azuis em cativeiro espalhadas pelo mundo.

A notícia é desoladora, mas a BirdLife International acredita que é possível que alguns desses pássaros sejam postos em liberdade para poderem repovoar as florestas do Brasil se houver um esforço entre os proprietários destes animais.

Se isso acontecer, “Rio” torna-se realidade. no filme, uma ararinha-azul – Blu – foge do cativeiro em Minnesota e viaja com uma fêmea da mesma espécie até ao Brasil para repovoar a floresta. Resta saber se, na vida real, o “felizes para sempre” também existe.

ZAP //

Por ZAP
11 Setembro, 2018

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954: O frio pode ter contribuído para a extinção dos neandertais

CIÊNCIA

Michael Brace / Flickr

Uma equipa internacional de investigadores concluiu que as mudanças climáticas e o frio podem ter desempenhado um papel mais importante na extinção dos neandertais do que se pensava até então. 

Os investigadores chegaram a estas conclusões, publicadas nesta segunda-feira na revista Proceedings of the Natural Academy of Sciences, graças a novos registos naturais de estalagmites, que destacam as mudanças no clima europeu há mais de 40 mil anos.

A cada ano, as estalagmites crescem em camadas finas e, qualquer mudança na temperatura ambiente, muda automaticamente a sua composição química. Por isso, as camadas destas formações vão preservando um arquivo natural de mudanças climáticas ao longo de milhares de anos.

Tendo em conta este registo natural, os investigadores analisaram estalagmites de duas cavernas romenas, que revelaram registos mais detalhados sobre as mudanças climáticas sentidas na Europa comparativamente aos dados que havia até então.

A análise das estalagmites revelou uma série de condições prolongas de frio extremo e seca, sentidas na Europa entre 44 mil e 40 mil anos atrás. As camadas destas formações evidenciaram um ciclo de temperaturas que foram baixando gradualmente, permanecendo assim durante séculos – ou até milénios -, voltando depois ao calor de forma abrupta.

Depois, os investigadores compararam estes registos paleoclimáticos com dados arqueológicos neandertais e encontraram uma correcção entre os período frios e a ausência de ferramentas utilizadas pelos neandertais, revela a Europa Press.

Os investigadores apontam que a população neandertal diminuiu consideravelmente durante os período de frio extremo, sugerindo assim que as mudanças climáticas desempenharam uma papel importante no declínio desta população.

Vasile Ersek, co-autor do estudo e professor no Departamento de Geografia e Ciências Ambientais da Universidade de Northumbria, em Inglaterra, recorda que os neandertais viveram na Eurásia durante cerca de 350 mil anos. Mas, há 40 mil anos, durante a última era do gelo e logo após a chegada dos humanos mais “modernos” à Europa, foram extintos. Há anos que o desaparecimento desta população inquieta os investigadores.

“Durante muitos anos questionamos o que poderia ter levado ao fim dos neandertais, se teriam sido levados ao limite pela chegada dos humanos modernos ou se teria havido outros factores envolvidos”, explica Ersek, acrescentando que o novo estudo “sugere que a mudança climática pode ter desempenhado um papel importante na extinção da população.

Importância da dieta alimentar

Os investigadores acreditam também que os humanos modernos (Homo sapiens) conseguiram sobreviver a estes período de frio porque estavam melhor adaptados a este ambiente do que os neandertais.

Na Idade Paleolítica, os Homo neanderthalensis foram o auge da sofisticação: dominaram a Europa e parte da Ásia durante 300 mil anos, produziram ferramentas e jóias, construíram cavernas e cuidaram dos seus doentes e idosos. Pensa-se até que tenham criado um tipo primitivo de medicina dentária.

Eram ainda caçadores habilidosos e tinham aprendido a controlar o fogo contudo, tinha uma dieta menos diversa do que os humanos modernos, vivendo principalmente à base da carne que caçavam – fonte de alimento que se tornava mais escassa com o frio, deixando a população mais vulnerável.

Em comparação, os homens modernos já incorporavam, juntamente com a carne, peixe e plantas na sua dieta alimentar, tornando a sua alimentação mais rica e potenciado a sua taxa de sobrevivência às adversidades climatéricas.

Ersek explica ainda que este ciclo de “intervalos climáticos hostis”, nos quais o clima variava abruptamente e as temperaturas eram extremamente baixas – foi responsável pela natureza demográfica da Europa.

ZAP //

Por ZAP
1 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 3 erros ortográficos ao texto original)

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874: Foi a preguiça que ajudou à extinção do Homo erectus

Uma nova investigação científica conclui que o Homo erectus, um dos antepassados primitivos dos humanos, se extinguiu por ser preguiçoso, pelo menos em parte.

Escavações arqueológicas feitas na zona central da Arábia Saudita, em áreas que foram ocupadas por antigas populações humanas da Idade da Pedra, revelaram que o Homo erectus recorreu a “estratégias de menor esforço” para fazer ferramentas e recolher recursos.

Dados divulgados em comunicado pela Universidade Nacional da Austrália (ANU), cujos investigadores apuraram que a preguiça do Homo erectus também contribuiu para a sua extinção, a par da sua incapacidade para se adaptar às alterações climáticas.

“Não parecem, realmente, ter-se esforçado”, afiança o investigador que liderou as pesquisas arqueológicas, Ceri Shipton da Escola de Cultura, História e Linguagem da ANU. “Não sinto que fossem exploradores a olhar para lá do horizonte”, acrescenta Shipton, notando que “não tinham o mesmo sentido de curiosidade que nós temos”.

“Para fazerem as suas ferramentas de pedra, usavam quaisquer rochas que conseguissem encontrar caídas em torno do seu acampamento que eram, maioritariamente, de baixa qualidade comparativamente com as que os fabricantes de ferramentas de pedra usaram mais tarde”, acrescenta o investigador.

Nas escavações, os arqueólogos detectaram “um grande afloramento rochoso de pedra de qualidade a uma curta distância de uma pequena colina”, relata Shipton. “Mas em vez de subir a colina, eles usavam simplesmente qualquer bocado que rolava e caía no fundo”, destaca o investigador.

Uma postura que contrasta com o Homo sapiens e os Neandertais que subiam às montanhas para encontrar pedra de qualidade, transportando-a através de longas distâncias.

“Não eram apenas preguiçosos, mas também muito conservadores“, repara ainda Shipton, realçando que “as amostras de sedimentos mostram que o ambiente em torno deles estava a mudar”, mas que “eles faziam exactamente as mesmas coisas com as suas ferramentas”, não revelando “qualquer progresso”.

No fim de contas, “o ambiente tornou-se demasiado seco para eles“, conclui o investigador.

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Por ZAP
13 Agosto, 2018

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