2561: Descoberta extinção massiva mais antiga do que a dos dinossauros

CIÊNCIA

Malcolm Hodgskiss
Rochas estudadas na Baía de Hudson, no Canadá

Uma equipa de cientistas norte-americano encontrou evidências de uma extinção em massa mais antiga do que a dos dinossauros, revelou um novo estudo.

De acordo com a investigação, cujos resultados foram publicados na revista científica especializadas Proceedings of the National Academy of Sciences, em causa estão estranhas pistas encontradas em algumas rochas no Canadá.

Estas rochas revelam indícios de uma extinção massiva e até então desconhecida de organismos maior do que a dos dinossauros, que há 65 milhões de anos ditou o fim destes animais e fez a Terra perder quase três quartos das suas plantas e animais.

A extinção antiga agora descoberta envolveu microrganismos que moldaram a atmosfera da Terra, abrindo depois caminho para o aparecimento de animais maiores.

“Isto indica que, mesmo quando a Biologia da Terra é completamente composta por micróbios, poderia considerar-se um enorme evento de extinção que não fica marcado em registos fósseis”, explicou o co-autor do estudo, Malcolm Hodgskiss, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, citado em comunicado.

Para descobrir os traços dos microrganismos, que não deixaram “pegadas” fósseis, a equipa de cientistas norte-americanos debruçou-se no estudo do óxido de bário – um mineral não metálico que encapsula registos de oxigénio na atmosfera – recolhidos nas Ilhas Belcher, na Baía de Hudson, Canadá.

Amostras deste mineral revelaram que a Biosfera do Terra passou por enorme mudanças que terminaram há cerca de 2.000 milhões de anos com uma extinção em massa que pode estar relacionada com a diminuição dos níveis de oxigénio. “O facto de esta amostra geoquímica ter sido preservada foi muito surpreendente”, disse Hodgskiss.

Esta relação entre a proliferação da vida e o oxigénio atmosférico deu aos cientistas novas evidências sobre a hipótese da Grande Oxidação, também conhecida como Holocausto de Oxigénio ou Revolução do Oxigénio, tal como observa o portal Phys.org.

Este evento envolveu uma enorme mudança ambiental que, provavelmente, ocorreu há cerca de 2,4 mil milhões de anos.

De acordo com esta hipótese, a fotossíntese de microrganismos antigos e a erosão das rochas libertaram para a a atmosfera uma grande quantidade de oxigénio que desencadeou um crescimento explosivo na diversidade de minerais na Terra.

ZAP //

Por ZAP
2 Setembro, 2019

 

A “grande probabilidade” da humanidade extinguir-se em 30 anos

CIÊNCIA

Deserto (Reuters) © TVI24 Deserto (Reuters)

Já lá vai o tempo em que os cientistas e a população consideravam que as alterações climáticas seriam um problema que só afectaria as gerações futuras. A comunidade científica está a apelar aos governos para tomarem atitudes drásticas para conter um aquecimento devastador, e até mesmo fatal, para o planeta e que pode acontecer mais depressa do que se pensava.

Um novo estudo, publicado na terça-feira, alerta para o risco de extinção da própria humanidade nas próximas décadas, caso não sejam tomadas medidas urgentes. A investigação do Breakthrough National Centre for Climate Restoration, na Austrália, aponta para “a grande probabilidade de a civilização humana chegar ao fim” em 30 anos se as tendências actuais permanecerem inalteradas.

Segundo as conclusões, grande parte da Terra vai apresentar condições climatéricas “para lá do limiar da sobrevivência humana”, em 2050. Este cenário apocalíptico teve em conta prospeções científicas recentes, caso os objectivos do Acordo de Paris falhem, algo que se avizinha provável, de acordo com vários estudos e com o próprio Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

Com base nas previsões, este grupo de cientistas desenhou a seguinte timeline:

De acordo com o relatório, em 2050, 55% da população mundial estaria sujeita a mais de 20 dias anuais de calor superior ao aceitável pelo organismo humano. Em vários países africanos, estas ondas de temperaturas elevadas durariam mais de 100 dias por ano, afectando a agricultura e a possibilidade de produzir bens alimentares.

Aliado ao calor, a Terra seria atormentada por eventos meteorológicos extremos, como secas, incêndios florestais e cheias.

A falta de recursos e mantimentos poderia adensar as tensões sociais em muitos países, fazer proliferar doenças e pandemias e, até, levar a uma guerra à escala mundial, que culminaria, por fim, na extinção da humanidade.

Será que estamos a caminhar para este desastre apocalíptico?

O estudo aponta que estas são previsões “extremas”, que, no pior cenário possível, culminariam com “o fim da civilização humana”. Contudo, os cientistas afirmam que é possível limitar o aquecimento a 1,5 graus Celsius se os governos se aliarem e agirem imediatamente.

Um conselho que foi já dado, vezes sem conta, pelo Secretário-Geral da ONU. Há dois anos, enquanto discursava na Web Summit, António Guterres admitiu que “o Acordo de Paris não é suficiente e mesmo que os objectivos do comité sejam alcançados, as temperaturas vão subir mais de três graus [até ao final do século] e também é claro que nem todos os países estão a cumprir aquilo que foi estabelecido”.

Num discurso mais recente, em Setembro de 2018, numa conferência especial do clima, salientou que, se os governos de todo o mundo não tomarem medidas para deter o aquecimento global até 2020, corremos o risco de perder a batalha contra as alterações climáticas.

Em Novembro do mesmo ano, um relatório da ONU deu mais algumas más notícias sobre os progressos (ou a falta deles) no ambiente desde que o Acordo de Paris foi assinado. Segundo o “Emissions Gap Report 2018”, as nações de todo o mundo estão a falhar a tarefa de limitar o aquecimento global em 2 graus e precisam do triplo dos esforços para atingir os objectivos até 2030.

O relatório anual afirmava ainda que, em vez de diminuir, o nível global de emissões de CO2 aumentou em 2017 0,7 giga-toneladas, fixando-se agora em 53,5 giga-toneladas. Para limitar o aquecimento global em 1,5 graus, as emissões de gases com efeito de estufa devem ser reduzidas em 55% até 2030, e em 25% para travar um aquecimento de 2 graus.

Durante a abertura da cimeira COP24, a presidente da Assembleia Geral da ONU, Maria Espinosa, garantiu que, ao ritmo que estamos a testemunhar as mudanças hoje em dia,a humanidade está em “risco de desaparecer. Precisamos de tomar acções urgentes e com audácia. Sejam ambiciosos, mas também responsáveis pelas gerações futuras”.

O retrato negro desta “futurologia climática” não se fica por aqui. Segundo um estudo publicado pelo Met Office, do Reino Unido, a média de temperaturas globais na Terra pode ultrapassar os objectivos do Acordo de Paris em apenas cinco anos. Os cientistas desta instituição estão a prever um aumento provável da temperatura em mais de 1 grau, até 1,5 graus Celsius, em relação ao níveis pré-industriais antes de 2022.

As previsões vão também ao encontro das conclusões publicadas num relatório da Organização Meteorológica Mundial, divulgado em Novembro do ano passado. Os dados recolhidos pela instituição apontam para um provável aumento das temperaturas globais entre 3 e 5 graus Celsius até ao final do século.

Neste documento foram ainda publicados os seguintes indicadores preocupantes:

Os modelos climáticos para as mudanças possíveis provocadas pelas alterações climáticas já fizeram correr muita tinta nos últimos anos, mas um estudo destacou-se em relação aos restantes, pela firmeza com que sublinhou que os cenários mais pessimistas do clima “são os mais fiáveis“. Esta investigação, publicada no jornal “Nature”, indica que, se as emissões seguirem as tendências actuais, há 93% de hipóteses de o aquecimento global ultrapassar os 4 graus até ao final deste século.

A ciência mostra-nos também hoje que aqueles que nas últimas décadas se dedicaram ao estudo do aquecimento global falharam importantes previsões. Não souberem quantificar a dimensão e a gravidade que estão a assumir os fogos florestais, as secas, as chuvas e as tempestades; falharam na avaliação do degelo na Antárctida e na Gronelândia, bem como na sua implicação para a subida do nível do mar; e falharam na identificação de uma série de problemas de saúde pública, que matam já milhares de pessoas por ano.

Dados recentes deixam preocupações crescentes com o ambiente

A luz ao fundo do túnel

O ano de 2030 parece ser apontado como a meta para salvar ou condenar o planeta Terra. De acordo com a ONU, temos 11 anos para limitar o aquecimento global em 1,5 graus. As Nações Unidas garantem que, para isso, são necessárias “transições sem precedentes em todos os aspectos da sociedade“.

Para tal, a ONU aponta que é necessário limitar a produção de gases com efeito de estufa, que, apesar de terem crescido em 2017, viram uma estagnação nos dois anos precedentes.

Para além disto, os especialistas salientam que o cumprimento das metas do Acordo de Paris pode salvar mais de um milhão de vidas por ano. Para isto, os países que assinaram o tratado foram chamados a assinar um “manual de condutas” para assegurar que todos os objectivos são cumpridos, na cimeira do COP24, que se realizou em Dezembro de 2018.

Para além disto, estão a ser desenvolvidas tecnologias que visam combater as alterações climáticas. A força crescente das energias renováveis está já a impedir que milhões de toneladas de CO2 cheguem à atmosfera.

Esta diminuição pode ainda ser especialmente sentida em Portugal que, de acordo com dados da Eurostat, reduziu emissões de CO2 em 9%, mais do triplo da média europeia (2,6%).

Por fim, há ainda a esperança que os EUA voltem a integrar o Acordo de Paris e a juntar forças com os restantes países do mundo para tentar travar o aquecimento global.

msn notícias
tvi24
Susana Laires



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1680: Espécies alienígenas invasoras são as responsáveis pelas recentes extinções globais

chiaralily / Flickr

A Terra está no meio de uma sexta extinção em massa, mas nem toda a culpa pode ser directamente atribuída à mudança climática.

Plantas e animais que foram introduzidos artificialmente por humanos em novas regiões estão a causar estragos na fauna nativa.

De facto, um novo estudo, publicado na revista Frontiers in Ecology e the Environment, mostra evidências de que estas espécies alienígenas invasoras são mais responsáveis pelas extinções globais do que qualquer outro factor.

Uma espécie pode fazer com que outra fique extinta quando um desequilíbrio nas suas populações leva a acumular recursos locais, deixando a outra sem comida ou sem habitat.

Uma equipa internacional de investigadores escreveu que 25% das extinções de plantas e 33% das extinções dos animais envolvem espécies não-nativas. Em comparação, os animais nativos são responsáveis por menos de 5% das extinções de plantas e 3% das extinções de animais.

Anteriormente, os cientistas argumentavam que não importava se uma espécie é nativa ou não-nativa: o que um organismo faz é mais importante do que de onde vem. Mas, de acordo com os autores do novo estudo, este argumento pode estar totalmente errado.

“Os impactos das espécies nativas na condução das extinções são muito menos difundidos em comparação com os das espécies exóticas”, escrevem os autores. A equipa, liderada por Tim Blackburn, professor de biologia de invasão da University College London, baseou estas conclusão em dados da versão 2017 da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas.

Em muitos casos, espécies não-nativas são introduzidas por seres humanos, seja por acidente ou de forma propositada – muitas vezes para controlar uma população nativa.

O sucesso das espécies invasoras colocam-nas em concorrência com espécies nativas.

Por vezes, a mudança climática e a degradação do habitat podem direccionar uma espécie existente para uma região vizinha. Estes casos não têm o mesmo impacto que as espécies introduzidas por seres humanos em regiões distantes do seu ambiente nativo. Os primeiros são muito menos destrutivos do que os segundos.

“Espécies nativas em surtos – mesmo aquelas que expandem o seu alcance em território adjacente – são menos propensas do que as espécies exóticas a encontrar nativos residentes que carecem de experiência evolutiva com eles”, escreveram os autores.

Em contraste, o transporte a longa distância introduz espécies que evoluíram com necessidades biológicas totalmente diferentes e, portanto, têm maior probabilidade de sobrecarregar os locais.

Mesmo nos raros casos em que espécies nativas causam extinções, a interferência humana ainda é a causa-raiz. Por exemplo, os humanos caçavam as lontras do mar, que normalmente mantêm as populações de ouriços-do-mar roxos sob controlo. Sem as lontras, a população de ouriços-do-mar explodiu e comeu enormes quantidades de alga marinha, não deixando nada para as vacas-marinhas de Steller, que acabaram extintas.

No entanto, a forma mais prejudicial de interferência humana observada no novo artigo é a introdução de novas espécies. Quando o dano se torna perceptível, geralmente, é tarde demais para ser revertido.

ZAP // Inverse

Por ZAP
8 Março, 2019

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