3352: Duas estrelas vão colidir em 2083 (e ofuscar todas as outras)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

LSU Department of Physics & Astronomy

Há um par de estrelas numa dança cósmica que se estão a preparar para explodir. As duas estrelas formam um binário chamado V Sagittae na constelação de Sagitta.

As estrelas aumentaram 10 vezes o seu brilho ao longo do século passado. No entanto, é neste século que a sua luz será ainda mais brilhantes. Aliás, de acordo com o NewScientist, o par de estrelas vai brilhar tanto que a sua explosão será visível a olho nu.

V Sagittae é composto por uma anã branca, que é o cadáver queimado de uma estrela e outra estrela com cerca de quatro vezes mais massiva. À medida que os dois se circundam, o plasma é puxado da estrela para a anã branca, fazendo com que se aproximem.

Bradley Schaefer, da Universidade Estadual da Louisiana e os seus colegas examinaram fotografias do par de estrelas desde 1890 até ao presente e descobriram que estão a ficar exponencialmente mais brilhantes desde então.

Quando modelaram esse brilho, os cientistas descobriram que as duas estrelas deveriam estar a aproximar-se rapidamente, girando cada vez mais rapidamente. Os investigadores calcularam que as estrelas de V Sagittae esmagar-se-ão em 2083, produzindo uma enorme explosão. “O destino de V Sagittae é inevitável”, disse Schaefer. “Defina o seu calendário.”

Nas últimas semanas de espiral em direcção à outra, a maior parte da massa da estrela será sugada pela anã branca e as duas fundir-se-ão numa única estrela gigante. A explosão resultante provavelmente superará todas as estrelas no céu nocturno. Será pelo menos tão brilhante quanto Sirius, que é a estrela mais brilhante – e pode até ficar tão brilhante como Vénus. Esse brilho durará cerca de um mês, depois do qual começará a desaparecer.

“Não tivemos uma [explosão temporária de luz] no céu a ficar tão brilhante desde a Super-nova de Kepler em 1604”, disse Schaeffer, em comunicado divulgado pelo EurekAlert. “Poderá procurar em cidades poluídas pela luz e haverá uma nova estrela lá”.

Cientistas descobrem tipo totalmente novo de explosão estelar

Cientistas observaram uma super-nova a explodir durante apenas algumas semanas, o que despertou a sua atenção pela rapidez do processo….

Schaeffer apresentou este trabalho numa reunião da Sociedade Astronómica Americana no Hawai em 6 de Janeiro.

ZAP //

Por ZAP
11 Janeiro, 2020

spacenews

 

3296: Surto violento de buraco negro fornece novas informações sobre a evolução de enxames galácticos

CIÊNCIA/ESPAÇO

Cavidades gigantes no meio intra-enxame em raios-X (a azul, observado pelo Observatório de raios-X Chandra) foram escavadas pelo surto de um buraco negro. Os dados em raios-X estão sobrepostos numa imagem óptica pelo Telescópio Espacial Hubble (em vermelho/laranja), onde a galáxia central que provavelmente contém o buraco negro super-massivo culpado é também visível.
Crédito: cortesia dos investigadores

Há milhares de milhões de anos, no centro de um enxame de galáxias muito longínquo (15 mil milhões de anos-luz, para sermos exactos; este valor é a distância própria, que é diferente do tempo de viagem da luz até nós), um buraco negro expeliu jactos de plasma. À medida que o plasma saía do buraco negro, empurrava material, criando duas cavidades a 180 graus uma da outra. Da mesma forma que podemos calcular a energia de um impacto de asteróide pelo tamanho da sua cratera, Michael Calzadilla, estudante no Instituto Kavli de Astrofísica e Investigação Espacial, usou o tamanho destas cavidades para descobrir o poder da explosão do buraco negro.

Num artigo publicado recentemente na revista The Astrophysical Journal Letters, Calzadilla e co-autores descrevem o surto no enxame galáctico SPT-CLJ0528-5300, ou SPT-0528 para abreviar. Combinando o volume e a pressão do gás deslocado com a idade das duas cavidades, foram capazes de calcular a energia total da explosão. Com uma energia superior a 1054 joules, uma força equivalente a mais ou menos 1038 bombas nucleares, esta é a erupção mais poderosa já relatada num enxame galáctico distante. Os co-autores do artigo incluem Matthew Bayliss e o professor assistente de física Michael McDonald, ambos do mesmo instituto.

O Universo está repleto de enxames de galáxias, colecções de centenas e até milhares de galáxias permeadas com gás quente e matéria escura. No centro de cada aglomerado, há um buraco negro que passa por períodos de alimentação, onde devora o plasma do enxame, seguidos por períodos de surtos explosivos, em que dispara jactos de plasma. “Este é um caso extremo da fase de explosão,” diz Calzadilla sobre a observação de SPT-0528. Embora a explosão tenha acontecido há milhares de milhões de anos, antes da formação do nosso Sistema Solar, a luz do enxame de galáxias demorou cerca de 6,7 mil milhões de anos até chegar ao Chandra, o observatório de raios-X da NASA que orbita a Terra.

Dado que os enxames de galáxias estão cheios de gás, as primeiras teorias previram que, à medida que o gás arrefecia, os enxames teriam altas taxas de formação estelar, formação esta que precisa de gás frio. No entanto, estes aglomerados não são tão frios como o previsto e, como tal, não estavam a produzir novas estrelas à taxa esperada. Algo estava a impedir que o gás arrefecesse completamente. Os culpados eram buracos negros super-massivos, cujas explosões de plasma mantêm o gás demasiado quente nos enxames de galáxias para a rápida formação de estrelas.

A explosão registada em SPT-0528 tem outra peculiaridade que a diferencia de outras explosões de buracos negros. É desnecessariamente grande. Os astrónomos veem o processo de arrefecimento do gás e libertação de gás quente dos buracos negros como um equilíbrio que mantém a temperatura no enxame de galáxias – que ronda os 10 milhões de graus Celsius – estável. “É como um termostato,” diz McDonald. A explosão de SPT-0528, no entanto, não está em equilíbrio.

De acordo com Calzadilla, se determinarmos a quantidade de energia libertada à medida que o gás arrefece para o buraco negro vs. a quantidade de energia contida na explosão, esta última é largamente superior. Na analogia de McDonald, a explosão de SPT-0528 é um termostato com defeito. “É como se arrefecêssemos o ar 2 graus e a resposta do termostato seria aquecer a sala 100 graus,” explicou McDonald.

No início de 2019, McDonald e colegas divulgaram um artigo que analisava um enxame de galáxias diferente, que exibe um comportamento completamente oposto ao de SPT-0528. Em vez de uma explosão desnecessariamente violenta, o buraco negro neste enxame, o Enxame da Fénix, não é capaz de impedir o arrefecimento do gás. Ao contrário de todos os outros enxames galácticos conhecidos, o da Fénix está repleto de berçários estelares, o que o diferencia da maioria dos enxames de galáxias.

“Com estes dois enxames de galáxias, estamos realmente a olhar para os limites do que é possível nos dois extremos,” diz McDonald acerca do enxame SPT-0528 e do Enxame da Fénix. Ele e Calzadilla também vão caracterizar enxames de galáxias mais normais, a fim de entender a evolução dos aglomerados de galáxias ao longo do tempo cósmico. Para explorar isto, Calzadilla está a caracterizar 100 enxames de galáxias.

A razão para a caracterização de uma colecção tão grande de enxames galácticos é porque cada imagem telescópica captura os enxames num momento específico no tempo, enquanto os seus comportamentos ocorrem ao longo do tempo cósmico. Estes aglomerados cobrem uma variedade de distâncias e idades, permitindo que Calzadilla investigue como as propriedades dos enxames mudam ao longo do tempo cósmico. “Estas são escalas de tempo muito maiores do que uma escala humana ou que podemos observar,” explica Calzadilla.

A investigação é semelhante à de um paleontólogo que tenta reconstruir a evolução de um animal a partir de um registo fóssil esparso. Mas, em vez de ossos, Calzadilla está a estudar enxames de galáxias, variando de SPT-0528 (com a sua violenta explosão de plasma) numa extremidade até ao Enxame da Fénix (com o seu rápido arrefecimento) na outra. “Estamos a observar diferentes instantâneos no tempo,” diz Calzadilla. “Se construirmos amostras suficientemente grandes de cada um destes instantâneos, podemos ter uma noção de como um enxame de galáxias evolui.”

Astronomia On-line
31 de Dezembro de 2019

 

spacenews

 

3242: Há mil milhões de anos, cem mil estrelas explodiram furiosamente no coração da Via Láctea

CIÊNCIA

Nogueras-Lara et al. / ESO

O coração da Via Láctea é um local bastante sossegado, com um buraco negro pouco activo e poucos nascimentos de estrelas. Porém, novas observações revelaram que nem sempre foi assim.

Há mil milhões de anos, a Via Láctea sofreu uma ronda furiosa de explosões de estrelas. De acordo com os astrónomos, foi “um dos eventos mais energéticos em toda a história da Via Láctea”. Este evento, segundo os cientistas, poderia contradizer as nossas ideias sobre a taxa de formação de estrelas na nossa galáxia.

O centro galáctico é, segundo explica o ScienceAlert, uma região de estrelas densas que medem cerca de 490 anos-luz no meio da Via Láctea, em torno de um buraco negro super-massivo. Esta região viu alguma formação estelar nas últimas dezenas de milhões de anos.

Com base na densidade estelar, os astrónomos concluíram que o centro galáctico tem estado bastante ocupado a produzir novas estrelas. Estudos anteriores descobriram que a formação estelar tem sido bastante contínua ao longo de 13,5 mil milhões de anos de história da galáxia.

Agora, foram feitas novas observações de alta resolução com o Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul para o que os astrónomos chamam de uma pesquisa “sem precedentes” do centro galáctico. Este esforço foi projectado especificamente para revelar a história da formação de estrelas do nosso coração galáctico – e os resultados da contam uma história muito diferente.

“Ao contrário do que foi aceite até agora, descobrimos que a formação de estrelas não é contínua”, disse Francisco Nogueras-Lara, astrónomo no Instituto de Astronomia Max Planck, na Alemanha, em comunicado.

De acordo com a análise dos dados, a equipa concluiu que 90% das estrelas do centro galáctico se formou durante a primeira metade da história da galáxia (entre oito e 13,5 milhões de anos atrás). Depois disso, passaram-se seis mil milhões de anos com muito poucos nascimentos de estrelas.

Há mil milhões de anos, de repente, começaram a formar-se estrelas a um ritmo furioso. No espaço de menos de 100 milhões de anos, nasceram estrelas com uma massa combinada de até 42 milhões de vezes a massa do Sol, de acordo com o estudo publicado esta semana na revista científica Nature Astronomy.

“As condições na região estudada durante a explosão de atividade devem parecer-se com as das galáxias de explosão estelar, que formam estrelas a taxas de mais de 100 massas solares por ano”, disse Nogueras-Lara.

Actualmente, a taxa de formação de estrelas da Via Láctea é lenta – cerca de uma a duas massas solares por ano. Durante um evento de explosão de estrelas, são produzidas diferentes estrelas extremamente massivas com muito calor e brilho. Estas estrelas têm vidas curtas e brilhantes – cerca de 10 milhões de anos – antes de se tornaram super-novas.

É exactamente isso que os investigadores pensam que aconteceu no centro da Via Láctea há mil milhões de anos. Estas observações podem ajudar a restringir e detalhar os eventos que contribuíram para este tempo extraordinário na história da galáxia.

ZAP //

Por ZAP
21 Dezembro, 2019

 

spacenews

 

3233: VLT observa região central da Via Láctea e descobre formação estelar primordial muito intensa

CIÊNCIA

Obtida com o instrumento HAWK-I montado noVLT do ESO, no deserto chileno do Atacama, esta imagem mostra a região central da Via Láctea com uma resolução angular de 0,2 segundos de arco, o que significa que o nível de detalhe obtido pelo HAWK-I corresponde, aproximadamente, a estar em Lisboa e conseguir ver um campo de futebol no Porto. A imagem combina observações em três bandas diferentes de comprimentos de onda. A equipa utilizou os filtros de banda larga J (centrado a 1250 nanómetros, no azul), H (centrado a 1635 nanómetros, no verde) e K (centrado a 2150 nanómetros, no vermelho), para cobrir a região do infravermelho próximo do espectro electromagnético. Ao observar nesta região de comprimentos de onda, o instrumento HAWK-I vê para lá da poeira, conseguindo observar determinadas estrelas na região central da Galáxia que, de outro modo, seriam invisíveis.
Crédito: ESO/Nogueras-Lara et al.

O VLT (Very Large Telescope) do ESO observou a região central da Via Láctea com uma resolução extraordinária e revelou novos detalhes sobre a história da formação estelar na nossa Galáxia. Graças a estas novas observações, os astrónomos descobriram evidências de um evento dramático na vida da Via Láctea: um episódio de formação estelar tão intenso que resultou em mais de uma centena de milhar de explosões de super-novas.

“O rastreio que efectuámos a uma enorme região do Centro Galáctico deu-nos informações sobre o processo de formação estelar nessa região da Via Láctea,” disse Rainer Schödel do Instituto de Astrofísica de Andalusia, em Granada, Espanha, que liderou as observações. “Contrariamente ao que se pensava até agora, descobrimos que a formação de estrelas não ocorreu de forma contínua,” acrescenta Francisco Nogueras-Lara, que liderou dois novos estudos da região central da Via Láctea quando esteve a trabalhar no mesmo instituto em Granada.

No estudo, publicado na revista Nature Astronomy, a equipa descobriu que cerca de 80% das estrelas situadas na região central da Via Láctea se formaram nos anos mais primordiais da nossa Galáxia, há cerca de 8—13,5 mil milhões de anos atrás. A este período inicial de formação estelar seguiram-se cerca de 6 mil milhões de anos durante os quais nasceram muito poucas estrelas. Esta fase terminou com um episódio muito intenso de formação estelar que ocorreu há cerca de mil milhões de anos quando se formaram nesta região central, durante um período de menos de 100 milhões de anos, estrelas com a massa combinada de, provavelmente, algumas dezenas de milhões de sóis.

“As condições na região estudada durante a altura desta intensa actividade deve ter-se assemelhado àquelas que vemos em galáxias com ‘formação explosiva de estrelas’, as quais formam estrelas a taxas superiores a 100 massas solares por ano”, explica Nogueras-Lara, que se encontra agora a trabalhar no Instituto Max Planck de Astronomia, em Heidelberg, Alemanha. Actualmente, toda a Via Láctea forma estrelas a uma taxa de cerca de uma ou duas massas solares por ano.

“Esta intensa actividade, que deve ter resultado na explosão de mais de uma centena de milhar de super-novas, foi provavelmente um dos eventos mais energéticos em toda a história da Via Láctea,” acrescenta Nogueras-Lara. Durante esta intensa actividade de formação estelar, formaram-se muitas estrelas massivas; uma vez que o tempo de vida destas estrelas é menor que o das estrelas de pequena massa, as suas vidas chegaram ao fim muito mais depressa, terminando em violentas explosões de super-nova.

Este trabalho de investigação foi possível graças a observações da região central galáctica obtidas com o instrumento HAWK-I montado no VLT do ESO, no deserto chileno do Atacama. Esta câmara infravermelha observou para lá da poeira, dando-nos uma imagem extremamente detalhada da região central da Via Láctea, a qual foi publicada em Outubro na revista da especialidade Astronomy & Astrophysics por Noguera-Lara e uma equipa de astrónomos de Espanha, Estados Unidos, Japão e Alemanha. A imagem mostra a região mais densa da Galáxia, repleta de estrelas, gás e poeira, onde existe ainda um buraco negro super-massivo. Esta imagem tem uma resolução angular de 0,2 segundos de arco, o que significa que o nível de detalhe obtido pelo HAWK-I corresponde, aproximadamente, a estar em Lisboa e conseguir ver um campo de futebol no Porto.

Esta é a primeira imagem divulgada no âmbito do rastreio GALACTICNUCLEUS. O programa tirou partido do grande campo e elevada resolução angular do instrumento HAWK-I para produzir imagens extremamente nítidas da região central da nossa Galáxia. O rastreio estudou mais de 3 milhões de estrelas, cobrindo uma área correspondente a mais de 60.000 anos-luz quadrados à distância do Centro Galáctico (um ano-luz corresponde a cerca de 9,5 biliões de km).

Astronomia On-line
20 de Dezembro de 2019

 

spacenews

 

3176: Estrelas mortas estão a explodir em todo o Universo (e a matéria escura pode ser a culpada)

CIÊNCIA

Estrelas mortas estão a explodir em todo o Universo e não sabemos porquê. No entanto, agora, dois investigadores consideram que minúsculos buracos negros feitos de matéria escura podem ser os culpados.

Um par de cientistas, Joseph Bramante e Javier Acevedo, da Universidade Queen, têm uma nova teoria sobre o que pode fazer explodir estrelas mortas, ou seja, anãs brancas, transformando-as em super-novas.

O gatilho oculto que desencadeia a reacção em cadeia destrutiva, segundo sugere a equipa, pode ser um minúsculo buraco negro feito de matéria escura que cresce no núcleo da estrela, de acordo com a New Scientist.

Os astrónomos observaram estrelas anãs brancas – os cadáveres de estrelas demasiado pequenas para serem super-novas – a detonar, mas não conseguiram desenvolver modelos que explicassem o porquê. O novo estudo, publicado em Agosto na revista científica Physical Review D, preenche o gatilho que faltava.

A dupla fez uma simulação no computador do que aconteceria se matéria escura encontrasse uma anã branca com entre 1 e 1,4 vezes o tamanho do sol. Anãs brancas maiores devem ter suficiente pressão interna para criar um buraco negro.

Bramante e Acevedo consideram que a matéria escura, quando entra na anã branca a cerca de 1% da velocidade da luz, é muito mais quente do que o material que faz a estrela. Após a reacção da matéria escura e da matéria na estrela, a matéria escura deve arrefecer e acumular-se no centro.

Assim, a matéria escura – a substância misteriosa e invisível que compõe a maior parte da matéria no universo – acumula-se no centro de uma anã branca até que esta chegue ao limite, entrando em colapso, desmoronando-se e explodindo.

“O segredo das super-novas é que, nos modelos de computador, nunca conseguimos que façam a ignição final”, disse, em declarações ao New Scientist, a astrofísica da Universidade de Charleston, Ashley Pagnotta, que não trabalhou no estudo. “Tem de haver sempre um gatilho injectado.”

Os investigadores não têm certeza de como poderiam confirmar a sua ideia, porque os cientistas ainda não descobriram como observar a matéria escura. Fazer isso durante uma super-nova seria ainda mais difícil. “Seria algo como o tamanho de um protão, mas ainda é extremamente massivo”, disse Joseph Bramante ao mesmo jornal.

Tanto a matéria escura como a antimatéria têm tirado o sono aos cientistas. O mundo em que vivemos é apenas feito de matéria, apesar de o Big Bang dever ter criado quantidades iguais de matéria e antimatéria.

Em relação à matéria escura – que compõe cerca de 80% de toda a matéria do Universo – as observações astronómicas mostram que uma massa desconhecida está a influenciar as órbitas das estrelas nas galáxias, mas ninguém foi capaz de determinar as propriedades microscópicas exactas destas partículas. Aliás, só sabemos da existência da matéria escura devido ao efeito gravitacional que causa na matéria visível, denunciando o seu “rastro”.

Há alguns cientistas que defendem que a matéria escura é composta por uma partícula elementar hipotética – o axião – que desempenha um papel importante para explicar os misteriosos “buracos” no Modelo Padrão da Física de Partículas.

ZAP //

Por ZAP
11 Dezembro, 2019

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3154: NASA gravou acidentalmente a explosão de um cometa a aproximar-se do Sol

CIÊNCIA

Rolando Ligustri / phys.org

Astrónomos usaram dados do telescópio espacial TESS para estudar a explosão de um cometa durante a sua aproximação ao Sol.

A investigação resultou num artigo publicado em Novembro na revista científica Astrophysical Journal Letters. Foi a primeira vez que a humanidade conseguiu imagens tão claras de um evento deste género.

O cometa em questão é o 46P/Wirtanen, que teve o ponto de maior aproximação com a Terra em 16 de Dezembro do ano passado. A explosão de gás e poeira captada pelo TESS, entretanto, começou em 26 de Setembro, dissipando-se durante os 20 dias seguintes.

A explosão começou com um brilho forte e aconteceu em duas fases. O primeiro episódio durou cerca de uma hora e foi seguido por outro mais gradual, que foi aumentando a intensidade durante 8 horas. Os investigadores acreditam que a segunda fase pode ter ocorrido pelo espalhamento gradual da poeira, que aumentou a intensidade do brilho.

NASA @NASA

Boom: the most detailed observation of the formation & dissipation of a naturally-occurring comet outburst. @UofMaryland astronomers used @NASA_TESS data to capture a clear start-to-finish image sequence of the explosive emission of dust, ice & gases. https://go.nasa.gov/2RoOb95 

Após a explosão, de acordo com o CanalTech, o 46P/Wirtanen ficou praticamente indetectável durante duas semanas. Imagens do TESS são captadas a cada 30 minutos, o que permitiu aos astrónomos analisar cada fase da explosão com bastante detalhe.

“Com imagens frequentes num período de 20 dias, pudemos avaliar as mudanças de brilho com muita facilidade”, explicou Tony Farnham, autor principal do estudo, em comunicado. “Não conseguimos prever quando um cometa vai explodir. Mas mesmo que, de alguma forma, pudéssemos agendar essas observações, não poderíamos ter acertado melhor no tempo. A explosão aconteceu poucos dias depois de as observações começarem”.

Os cometas viajam pelo Sistema Solar geralmente acompanhados de um pouco de evaporação do gelo no seu núcleo. Conforme se aproximam do Sol, os gases aumentam, formando uma atmosfera difusa chamada “coma”. Essa actividade pode ser intensificada pela explosão espontânea de uma área da superfície.

Ainda não se sabe o que pode causar estas explosões, mas as imagens do TESS são o primeiro passo para compreendermos estes eventos, que até são comuns. Sabe-se que está relacionado com a actividade na superfície do cometa, mas o gatilho que faz com que uma gigantesca nuvem de gás e poeira se espalhe rapidamente é desconhecido.

De acordo com cálculos estimados dos cientistas, o cometa 46P/Wirtanen soltou cerca de um milhão de quilogramas de massa durante a explosão, o que pode ter criado uma cratera de aproximadamente 20 metros de diâmetro na sua superfície.

O Cometa 46P/Wirtanen foi descoberto em Janeiro de 1948 pelo astrónomo norte-americano Carl Wirtanen, e é um dos poucos cometas que são, às vezes, visíveis a olho nu – fica tão brilhante como uma estrela fraca.

ZAP //

Por ZAP
7 Dezembro, 2019

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3070: Hubble estuda explosão de raios-gama com a mais alta energia já observada

CIÊNCIA

Novas observações do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA investigaram a natureza da poderosa explosão de raios-gama GRB 190114C através do estudo do seu ambiente.
As explosões de raios-gama são as explosões mais poderosas do Universo. Emitem a maior parte da sua energia sob a forma de raios-gama, luz muito mais energética do que a luz visível que podemos ver com os nossos olhos.
As observações do Hubble sugerem que esta explosão em particular emitiu uma emissão tão poderosa porque a estrela em colapso estava situada num ambiente muito denso, mesmo no meio de uma galáxia brilhante a 5 mil milhões de anos-luz de distância.
Crédito: ESA/Hubble, M. Kornmesser

Novas observações do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA investigaram a natureza da explosão de raios-gama GRB 190114C.

As explosões de raios-gama são as explosões mais poderosas do Universo. Emitem a maior parte da sua energia sob a forma de raios-gama, radiação que é muito mais energética do que a luz visível que podemos ver com os nossos olhos.

Em Janeiro de 2019, um GRB extremamente brilhante e longo foi detectado por um conjunto de telescópios, incluindo os telescópios Swift e Fermi da NASA, bem como pelos telescópios MAGIC (Major Atmospheric Gamma Imaging Cherenkov). Conhecido como GRB 190114C, parte da luz detectada do objecto tinha a maior energia já observada: 1 TeV (um Tera electrões-volt) – cerca de um bilião de vezes mais energia por fotão do que a luz visível. Os cientistas têm tentado observar uma emissão energética tão alta a partir de GRBs há muito tempo, de modo que esta detecção é considerada um marco na astrofísica de alta energia.

As observações anteriores revelaram que, para atingir esta energia, o material deve ser emitido de uma estrela em colapso a 99,999% da velocidade da luz. Este material é então forçado através do gás que rodeia a estrela, provocando um choque que cria a própria explosão de raios-gama. Pela primeira vez, os cientistas observaram raios-gama extremamente energéticos desta explosão em particular.

Vários observatórios terrestres e espaciais começaram a estudar GRB 190114C. Os astrónomos europeus receberam tempo de observação com o Telescópio Espacial Hubble para observar a explosão de raios-gama, estudar o seu ambiente e descobrir como esta emissão extrema é produzida.

“As observações do Hubble sugerem que esta explosão em particular estava num ambiente muito denso, bem no meio de uma galáxia brilhante a 5 mil milhões de anos-luz de distância,” explicou um dos autores principais, Andrew Levan do Instituto para Matemática, Departamento de Astrofísica e Física de Partículas da Universidade Radboud na Holanda. “Isto é realmente invulgar e sugere que talvez seja por isso que produziu esta radiação excepcionalmente poderosa.”

Os astrónomos usaram o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, juntamente com o VLT (Very Large Telescope) do ESO e o ALMA (Atacama Large Milimeter/submilimeter Array) para estudar a galáxia hospedeira deste GRB. O instrumento WFC3 (Wide Field Camera 3) foi fundamental para estudar se as propriedades ambientais do sistema hospedeiro, composto por um par próximo de galáxias em interacção, podem ter contribuído para a produção destes fotões altamente energéticos. O GRB ocorreu dentro da região nuclear de uma galáxia massiva, um local bastante único. Isto é indicativo de um ambiente mais denso do que aquele onde os GRBs são normalmente observados e poderá ter sido crucial para a produção dos fotões altamente energéticos observados.

“Os cientistas têm tentado observar emissão de energia muito alta a partir de explosões de raios-gama há muito tempo,” explicou o autor principal Antonio Ugarte Postigo do Instituto de Astrofísica da Universidade da Andaluzia na Espanha. “Esta nova observação é um passo vital para o entendimento das explosões de raios-gama, dos seus arredores imediatos e de como a matéria se comporta quando se move a 99,999% da velocidade da luz.”

Astronomia On-line
22 de Novembro de 2019

 

3068: O primeiro protótipo em tamanho real da Starship explodiu durante um teste

TECH

O primeiro protótipo completo em aço inoxidável da nave Starship da empresa norte-americana Space X explodiu durante um teste levado a cabo na passada quarta-feira, 20 de Novembro, nos Estados Unidos.

O incidente ocorreu nas instalações da Space X no estado norte-americano do Texas.

A empresa, liderada pelo multimilionário e também CEO da Tesla Elon Musk, não adiantou as causas das explosão, mas o portal Space.com adianta que o incidente com o protótipo (o Starship Mk1) sofreu uma anomalia durante um teste de pressão criogénica.

Por sua vez, o NASA Space Flight dá conta que a falha ocorreu quando os tanques de propulsão da nave espacial foram testados. O teste em causa, a primeira carga criogénica do navio da Space X, consistia em encher os tanques destinados ao metano e ao oxigénio com um líquido criogénico, detalha o mesmo portal.

Nas imagens captadas é possível ver a parte superior do Mk1 a emergir após uma explosão que foi seguida por uma grande nuvem de vapor.

Numa publicação no Twitter, Musk revelou que a Space X vai agora concentrar-se no desenvolvimento de protótipos mais avançados e não vai reparar o Mk1.

Everyday Astronaut @Erdayastronaut

Starship MK-1 appears to have blown its top off during a pressure test today. My guess… this will be a good time for @spacex to move onto their next, more refined and higher quality versions (MK-2/3) instead of reparing MK-1. @elonmusk, any chance you’ll just move onto MK-3?

Elon Musk  @elonmusk

Absolutely, but to move to Mk3 design. This had some value as a manufacturing pathfinder, but flight design is quite different.

A empresa aeroespacial corroborou as palavras do seu fundador. “O objectivo do teste de hoje [desta quarta-feira] era pressionar os sistemas ao máximo, para que o resultado não fosse completamente inesperado. Não houve feridos ou um sério revés”, apontou a Space X, citada em comunicado.

O protótipo “serviu como um guia de produção valioso, mas o design de voo é bastante diferente (…) A decisão de não voar neste dispositivo de teste já tinha sida tomada e a equipa vai agora concentrar-se na construção do Mk3, projectado para a órbita”.

Foi em Setembro do ano passado que o Mk1 foi apresentado por Musk, tendo o visionário estimado que o primeiro voo desta nave espacial seria levado a cabo dentro de 1 a 2 meses, no qual o veículo subiria cerca de 20 quilómetros e depois retornaria à Terra.

A Space X está também a produzir um protótipo Mk2, um veículo interplanetário reutilizável que tem como objectivo o transporte de cargas e pessoas para Lua e, posteriormente, para Marte. O seu primeiro voo está programado para 2022.

Recentemente, Elon Musk revelou quanto custará operacionalmente cada missão da Starship. Segundo o empresário, o custo será menor do que o de um pequeno foguete.

Musk revela o preço de uma viagem a Marte a bordo da Space X. O regresso é grátis

Elon Musk, que sonha fazer viagens interplanetárias através da sua empresa Space X, revelou agora o preço de um destes…

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Por ZAP
22 Novembro, 2019

 

3018: NICER avista explosão recorde de raios-X

CIÊNCIA

Ilustração que mostra uma explosão de raios-X do Tipo I. A explosão expele primeiro a camada de hidrogénio, que se expande e acaba por se dissipar. Em seguida, a radiação cresce até ao ponto em que liberta a camada de hélio, que ultrapassa a camada de hidrogénio. Alguns dos raios-X emitidos na explosão são espalhados para o disco de acreção. A bola de fogo arrefece rapidamente e o hélio assenta novamente para a superfície.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA/Chris Smith(USRA)

O telescópio NICER (Neutron star Interior Composition Explorer) da NASA, na Estação Espacial Internacional, detectou um pico repentino de raios-X por volta das 22:04 do dia 20 de Agosto. A explosão foi provocada por um enorme flash termonuclear à superfície de um pulsar, os remanescentes esmagados de uma estrela que há muito tempo explodiu como super-nova.

O surto de raios-X, o mais brilhante visto até agora pelo NICER, veio de um objecto chamado SAX J1808.4-3658, ou J1808 para abreviar. As observações revelam muitos fenómenos que nunca foram vistos juntos numa única explosão. Além disso, o surto em diminuição aumentou novamente e brevemente de brilho por razões que os astrónomos ainda não conseguem explicar.

“Esta explosão foi notável,” disse o investigador Peter Bult, astrofísico do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland e da Universidade de Maryland em College Park. “Vemos uma mudança de brilho em duas etapas, que pensamos ser provocada pela libertação de camadas separadas da superfície do pulsar e outras características que nos ajudarão a descodificar a física destes eventos poderosos.”

A explosão, que os astrónomos classificam como uma explosão de raios-X do Tipo I, libertou tanta energia em 20 segundos quanto o Sol em quase 10 dias. Os detalhes que o NICER capturou desta erupção recorde ajudarão os astrónomos a entender melhor os processos físicos que impulsionam surtos termo-nucleares deste e de outros pulsares explosivos.

Os pulsares são uma espécie de estrela de neutrões, o núcleo compacto deixado para trás quando uma estrela massiva fica sem combustível, colapsa sob si própria e explode. Os pulsares podem girar rapidamente e hospedar pontos quentes emissores de raios-X nos seus pólos magnéticos. À medida que o objecto gira, varre os seus pontos quentes na nossa linha de visão, produzindo pulsos regulares de radiação altamente energética.

J1808 está localizado a mais ou menos 11.000 anos-luz de distância na direcção da constelação de Sagitário. Gira 401 vezes por segundo e é membro de um sistema binário. A sua companheira é uma anã castanha, um objecto maior do que um planeta gigante gasoso, mas pequeno demais para ser uma estrela. Um fluxo constante de hidrogénio gasoso flui da companheira para a estrela de neutrões e acumula-se numa vasta estrutura de armazenamento chamada disco de acreção.

O gás nos discos de acreção não se move para dentro facilmente. Mas a cada poucos anos, os discos em redor de pulsares como J1808 tornam-se tão densos que uma grande quantidade de gás é ionizado ou despojado dos seus electrões. Isto dificulta a movimentação da luz pelo disco. A energia aprisionada inicia um processo descontrolado de aquecimento e ionização que retém ainda mais energia. O gás torna-se mais resistente ao fluxo e começa a espiralar para dentro, caindo finalmente no pulsar.

A “chuva” de hidrogénio até à superfície forma um “mar” global quente e cada vez mais profundo. Na base desta camada, as temperaturas e as pressões aumentam até que os núcleos do hidrogénio se fundem para formar núcleos de hélio, o que produz energia – um processo em funcionamento no núcleo do nosso Sol.

“O hélio acumula-se e cria a sua própria camada,” disse Zaven Arzoumanian, vice-investigador principal do NICER e co-autor do artigo. “Quando a camada de hélio tem alguns metros de profundidade, as condições permitem que os núcleos de hélio se fundam em carbono. Então, o hélio entra em erupção explosiva e lança uma bola de fogo termonuclear por toda a superfície do pulsar.”

Os astrónomos empregam um conceito chamado limite de Eddington – em honra ao astrofísico inglês Sir Arthur Eddington – para descrever a intensidade máxima de radiação que uma estrela pode ter antes que a radiação faça com que se expanda. Este ponto depende fortemente da composição do material acima da fonte de emissão.

“O nosso estudo explora este conceito de longa data de uma nova maneira,” disse o co-autor Deepto Chakrabarty, professor de física no MIT (Massachusetts Institute of Technology) em Cambridge. “Aparentemente, estamos a ver o limite de Eddington para duas composições diferentes na mesma explosão de raios-X. Esta é uma maneira muito poderosa e directa de acompanhar as reacções de queima nuclear subjacentes ao evento.”

Ao início da explosão, os dados do NICER mostram que o brilho dos raios-X diminuiu durante quase um segundo antes de aumentar novamente num ritmo mais lento. Os cientistas interpretam esta “paralisação” como o momento em que a energia da explosão se acumulou o suficiente para fazer explodir a camada de hidrogénio do pulsar para o espaço.

A bola de fogo continuou a crescer por mais dois segundos e, em seguida, atingiu o seu pico, explodindo a camada de hélio mais massiva. O hélio expandiu-se mais rapidamente, ultrapassou a camada de hidrogénio antes que pudesse dissipar-se e, em seguida, diminuiu de velocidade, parou e assentou-se à superfície do pulsar. Após esta fase, o pulsar aumentou novamente de brilho, cerca de 20%, mas apenas brevemente, por razões que a equipa ainda não entende.

Durante esta recente actividade de J1808, o NICER detectou outra explosão de raios-X, muito mais fraca, que não exibiu nenhuma das principais características observadas no evento de 20 de Agosto.

Além de detectar a expansão de diferentes camadas, as observações da explosão pelo NICER revelam raios-X reflectidos pelo disco de acreção e registam o piscar das “oscilações de rajada” – sinais de raios-X que aumentam e diminuem na frequência de rotação do pulsar, mas que ocorrem em locais da superfície diferentes dos pontos quentes responsáveis pelos seus pulsos normais de raios-X.

O artigo que descreve estas descobertas foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters e está disponível online.

Astronomia On-line
12 de Novembro de 2019

 

2839: Revelada explosão violenta no coração de um sistema que alberga um buraco negro

CIÊNCIA

lustração do buraco negro MAXI J1820+070.
Crédito: John Paice

Uma equipa internacional de astrónomos, liderada pela Universidade de Southampton, usou câmaras de última geração para criar um filme com alta taxa de quadros de um sistema com um buraco negro em crescimento e a um nível de detalhe nunca antes visto. No processo, descobriram novas pistas para a compreensão dos arredores imediatos destes objectos enigmáticos. Os cientistas publicaram o seu trabalho num novo artigo da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Os buracos negros podem alimentar-se de uma estrela próxima e criar vastos discos de acreção de material. Aqui, o efeito da forte gravidade do buraco negro e o próprio campo magnético do material pode emitir níveis de radiação em rápida mudança do sistema como um todo.

Esta radiação foi detectada no visível pelo instrumento HiPERCAM acoplado ao GTC (Gran Telescopio Canarias) em La Palma, Ilhas Canárias, e em raios-X pelo observatório NICER da NASA a bordo da Estação Espacial Internacional.

O buraco negro estudado tem o nome MAXI J1820+070 e foi descoberto no início de 2018. Fica a apenas 10.000 anos-luz de distância, na nossa própria Via Láctea. Tem uma massa equivalente a mais ou menos 7 sóis, que colapsou numa região do espaço inferior à cidade de Londres.

O estudo destes sistemas geralmente é muito difícil, pois as suas distâncias tornam-nos demasiado ténues e pequenos para serem observados – nem mesmo com o EHT (Event Horizon Telescope), que recentemente obteve a primeira fotografia do buraco negro no centro da galáxia M87. Os instrumentos HiPERCAM e NICER, no entanto, permitem que os investigadores registem “filmes” da luz do sistema a mais de 300 fps (“frames per second”, quadros por segundo), capturando “crepitações” violentas e “surtos” de luz visível e raios-X.

John Paice, estudante na Universidade de Southampton e do Centro Interuniversitário de Astronomia e Astrofísica, na Índia, foi o autor principal do estudo que apresentou estes resultados e também o artista que criou o filme. Ele explicou o trabalho da seguinte forma: “O filme foi feito usando dados reais, mas diminui para 1/10 da velocidade real para permitir que os surtos mais rápidos fossem discernidos pelo olho humano. Podemos ver que o material em redor do buraco negro é tão brilhante que ofusca a estrela que está a consumir, e as oscilações mais rápidas duram apenas alguns milissegundos – é o ‘output’ de mais de cem sóis emitido num piscar de olhos.”

Os cientistas também descobriram que quedas nos níveis de raios-X são acompanhadas por um aumento da luz visível (e vice-versa). E que os flashes mais rápidos no visível emergiram uma fracção de segundo após os raios-X. Tais padrões revelam indirectamente a presença de plasma distinto, material extremamente quente onde os electrões são despojados dos átomos, em estruturas profundas no abraço da gravidade do buraco negro, de outra forma pequenas demais para serem resolvidas.

Não é a primeira vez que isto é encontrado; uma diferença de fracção de segundo entre a luz raios-X e visível já foi observada noutros dois sistemas que hospedam buracos negros, mas nunca com este nível de detalhe. Os membros dessa equipa internacional estiveram na vanguarda deste campo ao longo da última década. O Dr. Poshak Gandhi, igualmente de Southampton, também encontrou as mesmas assinaturas temporárias nos dois sistemas anteriores.

Ele comentou acerca da importância destas descobertas: “O facto de vermos isto agora em três sistemas reforça a ideia de que é uma característica unificadora de tais buracos negros em crescimento. A ser verdade, deve estar a dizer-nos algo fundamental sobre como o fluxo de plasma em torno dos buracos negro opera.

“As nossas melhores ideias invocam uma ligação profunda entre os fluxos de plasma, para dentro e para fora. Mas estas são condições físicas extremas que não podemos replicar nos laboratórios da Terra e não entendemos como a natureza gere isto. Estes dados serão cruciais para acertar na teoria correta.”

Astronomia On-line
15 de Outubro de 2019

 

2800: O centro da Via Láctea explodiu (e foi há pouco tempo)

CIÊNCIA

ESO/Consórcio Gravity/L. Calçada

Um feixe de energia titânico e em expansão surgiu perto do buraco negro super-massivo no centro da Via Láctea, há apenas 3,5 milhões de anos, enviando uma explosão de radiação em forma de cone pelos dois pólos da Galáxia e pelo espaço profundo.

Essa é a conclusão resultante de uma investigação realizada por uma equipa de cientistas liderada por Joss Bland-Hawthorn do Centro de Excelência ARC da Austrália para todas as astrofísicas do céu em 3 dimensões (ASTRO 3D) e que será publicada em breve na revista especializada The Astrophysical Journal, estando disponível no Arxiv.

O fenómeno, conhecido como surto de Seyfert, criou dois enormes “cones de ionização” que cortaram a Via Láctea – começando com um diâmetro relativamente pequeno perto do buraco negro e expandiu-se bastante à medida que saíam da galáxia.

A explosão foi tão poderosa que impactou a corrente de Magalhães – uma longa trilha de gás que se estende das galáxias anãs próximas, chamadas Grandes e Pequenas Nuvens de Magalhães. O rio Magalhães fica a uma média de 200 mil anos-luz da Via Láctea.

A explosão foi muito grande, segundo disse a equipa de pesquisa da Austrália e dos EUA, para ter sido desencadeada por algo além de actividade nuclear associada ao buraco negro, conhecido como Sagitário A, ou Sgr A *, que é cerca de 4,2 milhões de vezes mais massivo do que o Dom.

“O surto deve ter sido um pouco como um feixe de farol“, disse Bland-Hawthorn, que também está na Universidade de Sidney, em comunicado divulgado pelo EurekAlert. “Imagine a escuridão e, então, alguém acende um farol por um breve período de tempo.”

Usando dados recolhidos pelo Telescópio Espacial Hubble, os cientistas calcularam que a explosão maciça ocorreu há pouco mais de três milhões de anos. Em termos galácticos, isso é surpreendentemente recente. Na Terra, naquele ponto, o asteróide que desencadeou a extinção dos dinossauros já tinha 63 milhões de anos no passado, e os ancestrais da humanidade, os australopitecos, estavam em andamento na África.

“Este é um evento dramático que aconteceu há alguns milhões de anos na história da Via Láctea”, disse Lisa Kewley, directora da ASTRO 3D. “Uma explosão maciça de energia e radiação veio directamente do centro galáctico para o material circundante. Isso mostra que o centro da Via Láctea é um lugar muito mais dinâmico do que havíamos pensado anteriormente. É uma sorte não residirmos lá”.

Os investigadores estimam que a explosão durou cerca de 300 mil anos – um período extremamente curto em termos galácticos.

Na condução da investigação, Bland-Hawthorn juntou-se a colegas da Universidade Nacional da Austrália e da Universidade de Sidney e, nos EUA, da Universidade da Carolina do Norte, da Universidade do Colorado e do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial em Baltimore.

O artigo segue o estudo também liderado por Bland-Hawthorn e publicada em 2013. Os trabalhos anteriores analisaram evidências de um evento explosivo maciço a começar no centro da Via Láctea, descartando uma explosão nuclear como a causa e tentativamente ligando-a a actividade em SgrA *. “Esses resultados mudam dramaticamente a nossa compreensão da Via Láctea”, disse a co-autora Magda Guglielmo, da Universidade de Sydney.

“Sempre pensamos na nossa galáxia como uma galáxia inactiva, com um centro não tão brilhante. Esses novos resultados abrem a possibilidade de uma reinterpretação completa da sua evolução e natureza”, continuou Guglielmo. “O evento que ocorreu há três milhões de anos foi tão poderoso que teve consequências no entorno da nossa galáxia. Somos testemunhas do despertar da bela adormecida.”

O trabalho mais recente confirma o SgrA * como principal suspeito, mas, segundo os investigadores, ainda há muito trabalho a ser feito. Como os buracos negros evoluem, influenciam e interagem com galáxias, concluem, “é um problema marcante na astrofísica”.

ZAP //

Por ZAP
8 Outubro, 2019

 

2432: Júpiter acabou de ser atingido por algo tão grande que se viu da Terra

Júpiter é o maior planeta do Sistema Solar, tanto em diâmetro quanto em massa, e é o quinto mais próximo do Sol. Este astro é observável da Terra a olho nu e recolhe a preferência de muitos astrónomos pela magia das suas cores, cicatrizes que são abissais impactos no planeta. Nesse sentido, um astrónomo amador captou algo espectacular com o seu telescópio caseiro, na passada quarta-feira.

Conforme iremos ver nas imagens, o astrónomo amador gravou acidentalmente um flash brilhante na superfície de Júpiter. Foi algo tão grande que a explosão foi vista da Terra, a 628.000.000 Km de distância.

Júpiter, o gigante gasoso que tem uma vida incrível

O maior planeta do sistema solar fornece frequentemente imagens impressionantes, como aquelas tiradas pela nave espacial Juno da NASA. Contudo, na passada quarta-feira, foi visto a olho nu, da Terra um flash inesperado. As imagens deixaram os astrónomos excitados com a possibilidade de se tratar de um impacto de meteoritos.

Ethan Chappel apontou o seu telescópio para o planeta gigante de gás na hora certa. Nessa altura, o astrónomo amador deu conta de ter captado uma mancha branca vista no lado esquerdo inferior do planeta, como podemos ver nas imagens a baixo.

Embora ainda não tenha sido confirmado por um segundo observador, parece que um grande asteróide atingiu o planeta gigante. O flash é breve e desaparece rapidamente, aumentando a ideia de que foi provavelmente causado por um impacto.

Outro impacto em Júpiter hoje. Um bólide (meteoro), mas não como aquele que deixou escombros escuros, o SL9, há 25 anos.

Escreveu no Twitter a astrónoma Dra. Heidi B. Hammel.

Imaged Jupiter tonight. Looks awfully like an impact flash in the SEB. Happened on 2019-08-07 at 4:07 UTC.

Impactos que deixaram marcas em Júpiter- grandes marcas!

O SL9 é o acrónimo para Comet Shoemaker-Levy 9. Este astro teve um impacto famoso em Júpiter em 1994. Hammel liderou a equipa que usou o Telescópio Espacial Hubble para estudar o impacto e como a atmosfera gasosa do planeta respondeu.

Algo notável a considerar é que o tamanho aparente do flash é quase o tamanho da Terra, que é minúscula ao lado do gigantesco planeta de gás. Para referência, cerca de três Terras poderiam caber dentro do Grande Ponto Vermelho de Júpiter, que também é visível.

Apesar de ter sido uma super explosão, isso não significa que o que quer que tenha atingido Júpiter tenha sido do tamanho de um planeta. Na realidade quer dizer que a colisão parece ter libertado muita energia explosiva. Bob King, do Sky and Telescope, diz que, se confirmado, este seria o sétimo impacto registado em Júpiter desde o Shoemaker-Levy e o primeiro em mais de dois anos.

Júpiter funciona como escudo anti asteróides da Terra

Portanto, Júpiter, dado o seu tamanho e, sobretudo, a sua poderosa força gravitacional, funciona como um escudo contra asteróides que se “aproximam” da Terra vindos do sistema solar exterior. Aliás, a terra seguramente já teria sido alvo de muitos, tendo em conta que muitas vezes só damos conta deles já eles estão na nossa vizinhança.

pplware
10 Ago 2019
Imagem: NASA
Fonte: Sky and Telescope

 

2328: Crew Dragon. Já se sabe o que causou a misteriosa explosão da nave da SpaceX

SpaceX / Flickr
Cápsula Dragon vai ser enviada para Marte, lançada da Terra pelo foguetão Falcon Heavy

A NASA e a SpaceX explicaram, finalmente, o motivo da explosão da nave espacial Crew Dragon. Apesar de terem sido divulgadas imagens da explosão, nenhuma das agências explicou as razões do desastre.

As imagens da nave espacial Crew Dragon a explodir durante um teste na plataforma de lançamento correram as redes sociais em Abril. A SpaceX confirmou que um dos seus foguetões explodiu num misterioso acidente, mas não revelou o que aconteceu especificamente.

Apesar de nenhuma das agências ter comentado o sucedido na altura, tanto a NASA como a SpaceX explicam agora que a explosão foi causada por um incêndio de titânio.

Crew Dragon Anomaly/Static Fire Test Explosion

On April 20th, an anomaly was reported during a Crew Dragon static fire test. This video was leaked on Twitter of the event and shows an explosion that appears to completely destroy the spacecraft. It's understood that this was the same capsule that flew during DM-1 and was going to launch during the in-flight abort (IFA) test later this year. At this time we aren't sure how much this will impact SpaceX's Commercial Crew schedule, but we assume there will be some substantial delays as they investigate the issue and work on replacing this capsule.The video has been confirmed by many credible sources. Despite its extremely low quality, some (like Scott Manley) are analyzing this footage to speculate where the anomaly originated.We posted the Twitter link to this video last night, but had gotten a few requests to post the video on here for easier viewing/sharing. ⚠️ This video contains strong language ⚠️Video from @Astronut099 on Twitter(https://twitter.com/Astronut099/status/1119825093742530560)

Publicado por Launch360 em Domingo, 21 de abril de 2019

 

Eric Berger @SciGuySpace

SpaceX told key NASA officials about the accident less than an hour after it occurred. “Within minutes,” an official told me recently. https://spacenews.com/bridenstine-says-leadership-changes-linked-to-urgency-in-nasas-exploration-programs/ 

Conforme explica o ScienceAlert, o objectivo é que os detalhes da ocorrência e a explicação do sucedido sejam transmitidos “em poucas horas”, em vez de meses, no caso de uma possível anomalia.

Ambas as agências recusaram-se a responder se os testes iriam continuar e qual foi o impacto da explosão da Crew Dragon.

ZAP //

Por ZAP
17 Julho, 2019

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2194: Os elementos pesados da Terra nasceram em explosões de super-nova

Impressão de artista de um colapsar.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA

O ouro das nossas jóias é de outro mundo – e isto não é apenas um elogio.

Numa descoberta que pode derrubar a nossa compreensão de onde os elementos pesados da Terra, como ouro e platina, vêm, uma nova investigação feita por um físico da Universidade de Guelph sugere que a maior parte destes materiais foram expelidos por um tipo de explosão estelar largamente negligenciada, bem longe no espaço e no tempo.

Cerca de 80% dos elementos pesados do Universo formaram-se provavelmente em colapsares, uma forma rara de explosão de super-nova, mas rica em elementos pesados, após o colapso de estrelas massivas e velhas tipicamente 30 vezes mais massivas do que o nosso Sol, disse o professor de física Daniel Siegel.

Essa descoberta anula a ideia generalizada de que estes elementos vêm principalmente de colisões entre estrelas de neutrões ou entre uma estrela de neutrões e um buraco negro, explicou Siegel.

O seu trabalho, em co-autoria com colegas da Universidade de Columbia, foi publicado na revista Nature.

Usando supercomputadores, os três cientistas simularam a dinâmica dos colapsares, ou estrelas antigas cuja gravidade faz com que implodam e formem buracos negros.

No seu modelo, os colapsares massivos e com rápida rotação ejectam elementos pesados, cujas quantidades e distribuição são “surpreendentemente semelhantes ao que observamos no nosso Sistema Solar,” explicou Spiegel.

A maioria dos elementos encontrados na natureza foram produzidos em reacções nucleares em estrelas e, finalmente, expelidos por enormes explosões estelares.

Os elementos pesados encontrados na Terra e noutras partes do Universo, de explosões remotas, variam de ouro a platina, de urânio a plutónio usados em reactores nucleares, até elementos químicos mais exóticos como o neodímio, encontrado em produtos electrónicos.

Até agora, os cientistas pensavam que estes elementos eram “cozinhados” principalmente em colisões estelares envolvendo estrelas de neutrões ou buracos negros, como numa colisão entre duas estrelas de neutrões observada por detectores terrestres bastante noticiada em 2017.

Ironicamente, disse Siegel, a sua equipa começou a trabalhar para entender a física dessa fusão antes das suas simulações apontarem para os colapsares como uma incubadora de elementos pesados. “A nossa investigação sobre estrelas de neutrões levou-nos a pensar que o nascimento de buracos negros, num tipo muito diferente de explosão estelar, podia produzir ainda mais ouro do que as fusões entre estrelas de neutrões.”

O que aos colapsares falta em frequência, compensa no fabrico de elementos pesados, realçou Siegel. Os colapsares também produzem flashes intensos de raios-gama.

“Oitenta por cento destes elementos pesados que vemos devem vir dos colapsares. Os colapsares são bastante raros em termos de ocorrência de super-novas, ainda mais raros do que as fusões de estrelas de neutrões – mas a quantidade de material ejectado para o espaço é muito maior do que a das fusões de estrelas de neutrões.”

A equipa espera agora ver o seu modelo teórico validado por observações. Siegel disse que instrumentos infravermelhos como os do Telescópio Espacial James Webb, com lançamento previsto para 2021, devem ser capazes de detectar a radiação indicadora de elementos pesados de um colapsar numa galáxia distante.

“Essa seria uma assinatura clara,” disse, acrescentando que os astrónomos também podem detectar evidências de colapsares observando as quantidades e a distribuição de elementos pesados noutras estrelas da nossa Via Láctea.

Siegel salientou que esta investigação pode fornecer pistas sobre a formação da nossa Galáxia.

“Tentar descobrir de onde vêm os elementos pesados pode ajudar-nos a entender como a Via Láctea foi ‘montada’ quimicamente e como se formou. Isto pode realmente ajudar a resolver algumas grandes questões da cosmologia, já que os elementos pesados são um bom rastreador.”

Este ano assinala-se o 150.º aniversário da criação da tabela periódica dos elementos químicos de Dmitri Mendeleev. Desde então, os cientistas acrescentaram muitos outros elementos à tabela periódica, um marco dos livros escolares e científicos de todo o mundo.

Referindo-se ao químico russo, Siegel disse: “Conhecemos muitos outros elementos químicos que ele não conhecia. O que é fascinante e surpreendente é que, após 150 anos a estudar os blocos fundamentais da natureza, ainda não entendemos bem como o Universo produz uma grande parte dos elementos da tabela periódica.”

Astronomia On-line
18 de Junho de 2019

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2168: Super-erupções do Sol podem “fritar” satélites e redes eléctricas nos próximos cem anos

CIÊNCIA

NASA

Na fronteira da Via Láctea, produz-se um dos espectáculos pirotécnicos mais brilhantes da galáxia. Algumas estrelas jovens e activas, por razões que os cientistas ainda desconhecem, lançam explosões de energia que podem ser vistas a centenas de anos-luz de distância.

Estas super-erupções têm uma potência arrebatadora, na ordem de centenas a milhares de vezes maior do que a maior já registada com instrumentos modernos na Terra. Até recentemente, de acordo com um comunicado, os investigadores supunham que estas explosões não poderiam acontecer no nosso antigo e tranquilo Sol.

Porém, um novo estudo, publicado na revista The Astrophysical Journal a partir de dados de diferentes telescópios, afirma que o sol também tem a capacidade de causar grandes erupções, ainda que apenas uma vez em cada poucos milhares de anos.

Se algo semelhante tivesse acontecido há mil anos, as consequências teriam sido reduzidas a uma aurora resplandecente no céu. Mas, agora, alertam os cientistas, isso causaria estragos nas comunicações via satélite e redes de energia do nosso planeta – uma catástrofe em escala global.

Yuta Notsu, investigador da Universidade da Califórnia em Boulder, é o principal autor do estudo, revelado na reunião anual da American Astronomical Society em St. Louis, EUA. Na sua opinião, os resultados devem ser um alerta para a vida no nosso planeta.

“O nosso estudo mostra que as super-erupções são eventos raros”, disse Notsu, de acordo com a ABC. “Mas há uma possibilidade de que possamos experimentá-lo nos próximos 100 anos”.

Se uma super-chama viesse do Sol, a Terra provavelmente estaria no caminho de uma onda de radiação de alta energia. Tal explosão poderia interromper a electrónica mundial, causando apagões e curtos-circuitos nos satélites de comunicação em órbita.

Os cientistas descobriram este fenómeno pela primeira vez graças ao Telescópio Espacial Kepler. A nave da NASA, lançada em 2009, procura planetas que giram em torno de estrelas distantes da Terra. Mas também encontrou algo estranho: às vezes, a luz das estrelas distantes parecia subitamente e momentaneamente mais brilhante.

As explosões de tamanho normal são comuns no Sol. “Quando o nosso Sol era jovem, era muito activo porque girava muito rápido e provavelmente gerava chamas mais poderosas”, explicou o investigadores. “Mas não sabíamos se existem grandes labaredas no Sol moderno com uma frequência muito baixa”.

Para descobrir, Notsu e uma equipa internacional de cientistas voltaram-se para dados da sonda Gaia da Agência Espacial Europeia (ESA) e do Observatório Apache Point, no Novo México. Durante uma série de estudos, o grupo usou os instrumentos para delinear uma lista de super-chamas provenientes de 43 estrelas que se assemelhavam ao nosso Sol. Depois, submeteram esses eventos raros a uma análise estatística rigorosa.

A conclusão: a idade é importante. De acordo com os cálculos da equipa, as estrelas mais jovens tendem a produzir o maior número de super-erupções. Mas as estrelas mais antigas, como o nosso Sol, agora com ​​4,6 mil milhões de anos, também as produzem. “Estrelas jovens têm super-chamas uma vez por semana”, afirmou Notsu. “O Sol faz isso uma vez a cada poucos milhares de anos em média.”

Notsu está convencido de que este grande evento acontecerá, embora não saiba dizer quando. No entanto, isso poderia dar tempo para nos prepararmos, protegendo a electrónica no solo e em órbita da radiação no espaço.

ZAP //

Por ZAP
14 Junho, 2019

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1986: Explosão de Yellowstone poderia levar a Terra à Idade do Gelo

CIÊNCIA

Jon Sullivan / Wikimedia
A lagoa de Morning Glory, no Parque Nacional de Yellowstone

Uma erupção do super-vulcão de Yellowstone causaria uma reacção em cadeia de extinções na Terra, dando início a uma Idade do Gelo, avisam os geólogos.

O super-vulcão de Yellowstone, situado no noroeste do estado de Wyoming, nos Estados Unidos, é um dos vulcões mais temidos de todo o mundo e os cientistas são os primeiros a afirmar que temos razões para nos preocuparmos.

Apesar de não haver sinais urgentes de que a caldeira esteja prestes a explodir, os investigadores desconfiam de que um dia o super-vulcão irá mesmo explodir e as consequências serão verdadeiramente catastróficas, adianta a Sputnik News.

Não será uma explosão que irá acabar instantaneamente com a vida na Terra, mas irá vitimar aproximadamente 87.000 pessoas de imediato e tornar dois terços do território dos Estados Unidos inabitável.

Segundo os geólogos, a cinza do vulcão iria cobrir o nosso planeta em apenas 48 horas. Como consequência, a temperatura iria baixar cerca de 2ºC durante 20 anos. Este arrefecimento poderia ter efeitos catastróficos no nosso ecossistema, dando início a uma reacção em cadeia de extinções.

Naomi Woods, investigadora da Universidade da Virgínia, escreveu no site Quora que, “devido a correntes de ventos predominantes, tudo que fica a leste do super-vulcão seria a região mais prejudicada. Tudo o que estiver nas proximidades ficaria completamente destruído”, revela o Daily Express.

A cientista explica ainda que a luz solar seria incapaz de conseguir passar pela camada espessa de partículas de cinza, fazendo com que a nossa atmosfera só se visse livre destas partículas muitos anos depois. “Entre 5-10 anos, se tivermos sorte, ou em 15-20 anos, se não tivermos.”

O grande volume da cinza lançada pelo vulcão iria tapar a luz solar, criando uma situação de crepúsculo que duraria anos. Se por um lado, seria o fim do aquecimento global, por outro, dar-se-ia início a uma Idade do Gelo. O resultado final resultaria no desaparecimento de plantas no planeta inteiro e, consequentemente, os animais herbívoros acabariam por morrer.

Este efeito dominó causaria extinções em massa. O futuro ficaria dependente das espécies capazes de se adaptar à escassez de recursos o mais rápido possível ou de esperar até a nuvem de cinza desaparecer.

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15 Maio, 2019


 

1968: Nave da SpaceX explodiu num misterioso acidente (mas não se sabe porquê)

SpaceX / Flickr

A SpaceX confirmou que um dos seus foguetões explodiu num misterioso acidente – mas não revelou o que aconteceu especificamente.

A empresa e sua principal cliente, a NASA, passaram as duas semanas desde a explosão da nova cápsula a dizer pouco sobre o que aconteceu. A NASA espera contar com a nave para transportar astronautas para o espaço no futuro e o seu sucesso é vital para o programa espacial. Mas não revelou quase nada sobre o que exactamente o que ocorreu de errado.

Hans Koenigsmann, vice-presidente de confiabilidade de voo da SpaceX, admitiu, de acordo com o The Independent, que houve uma “anomalia”. Mas a empresa continuou de boca fechada sobre os detalhes do problema.

O acidente de 20 de Abril ocorreu numa zona de pouso na Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, enquanto a SpaceX realizava um teste de propulsores de emergência projectados para impulsionar a cápsula em caso de falha no lançamento.

Uma tentativa de testar os oito motores SuperDraco provocou o acidente, demolindo o veículo inteiro num stand de testes, disse Koenigsmann a jornalistas no Centro Espacial Kennedy, da NASA.

“Pouco antes, antes de querermos lançar o SuperDraco, houve uma anomalia e o veículo foi destruído”, disse Koenigsmann. “Não houve feridos. A SpaceX tomou todas as medidas de segurança antes do teste como sempre faz.”

A conferência de imprensa foi convocada antes do lançamento, na sexta-feira, de uma missão não-tripulada de reabastecimento para a estação espacial internacional usando uma cápsula de carga construída pela SpaceX, a empresa privada de foguetes Elon Musk.

Koenigsmann recusou-se a caracterizar a natureza do acidente, incluindo se uma explosão ou incêndio estava envolvido. A NASA também hesitou em descrever o acidente.

Um vídeo do acidente mostrou a cápsula a explodir em pedaços. Um manto de fumo também foi observado a subir sobre a plataforma de lançamento à distância no momento do teste.

O Crew Dragon tinha sido programado para transportar os astronautas americanos Bob Behnken e Doug Hurley para a Estação Espacial Internacional numa missão de testes em Julho, embora o recente acidente, assim como alguns outros problemas no projecto do veículo, possam empurrar o evento para o final do ano ou até para 2020.

O veículo destruído foi uma das seis cápsulas construídas ou em produção final pela SpaceX e a primeira levada para o espaço. Um foguete SpaceX Falcon 9 lançou-o sem tripulação para a estação espacial em Março para uma visita de seis dias antes de regressar à Terra, mergulhando com segurança no Atlântico para recuperação.

A NASA concedeu 6,8 mil milhões de dólares à SpaceX e à concorrente Boeing Co para desenvolver sistemas separados de cápsulas para levar os astronautas para o espaço, mas ambas as empresas enfrentaram desafios e atrasos técnicos.

ZAP //

Por ZAP
13 Maio, 2019


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1911: Descobertos restos de uma explosão de uma estrela observada em 48 a.C

ESO / M. Kornmesser

Uma equipa europeia, em colaboração com o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, descobriu os restos de uma explosão de hidrogénio, que ocorreu há cerca de dois mil anos, na superfície de uma estrela, foi esta semana anunciado.

Em comunicado, o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) adianta que a descoberta, aceite para publicação na revista Astronomy & Astrophysics, ocorreu há cerca de dois mil anos “no exame globular de estrelas M22 (Messier 22)”, situado a 9.785 anos-luz da constelação de Sagitário.

A investigação, que descobriu um “remanescente de Nova” – uma explosão de hidrogénio que ocorre na superfície de uma estrela e que faz aumentar o seu brilho -, vem ao encontro dos registos “efectuadas por astrónomos chineses no ano 48 a.C.”.

“Esta descoberta (…) confirma uma das mais antigas observações que chegou aos dias de hoje, efectuada por astrónomos chineses em 48 a.C.”, assegura o instituto.

O IA refere que o enxame (aglomerados esféricos compostos por centenas de milhares de estrelas que orbitam fora da galáxia) foi observado pelo MUSE, um espectrógrafo que obtém um “espectro total de cada pixel do céu” e permite medir o brilho das estrelas em função da sua cor.

“O remanescente de Nova descoberto no enxame M22 (um dos 150 enxames globulares que orbita a Via Láctea) é uma nebulosa avermelhada de hidrogénio e outros gases, com um diâmetro de 8.000 unidades astronómicas. Mas apesar do tamanho, a nebulosa tem uma massa de apenas 30 vezes a da Terra”, aponta o instituto.

Citado no comunicado, Jarle Brinchman, investigador do IA e da Universidade do Porto, salienta que, tendo em conta que “a maioria dos eventos astronómicos têm durações demasiado longas”, é “excitante ter conseguido usar o inovador instrumento MUSE para encontrar os restos da explosão de uma estrela, da qual há registos históricos“.

Por sua vez, Fabian Göttgens, o primeiro autor do artigo, afirma que os instrumentos utilizados na investigação permitem confirmar “uma das mais antigas observações” que ocorreu fora do nosso Sistema Solar. “Esta observação permitiu-nos trazer escalas de tempo astronómicas para uma escala humana”, avança.

ZAP // Lusa

Por Lusa
1 Maio, 2019

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1816: Cientistas revelam a origem da explosão mais potente do Universo

ESO

O espaço, povoado por um número inimaginável de galáxias e estrelas, parece um lugar tranquilo. Mas é abalado por fenómenos espectaculares que libertam incríveis quantidades de energia.

Por exemplo, uma explosão de super-nova pode ser 30 vezes mais brilhante que uma galáxia inteira durante vários dias. As longas explosões de raios gama, os fenómenos electromagnéticos mais poderosos que observamos, libertam num segundo toda a energia que o Sol produzirá nos seus nove mil milhões de anos de vida.

Portanto, não é de surpreender que, se um desses eventos ocorresse na Via Láctea e fosse orientado para a Terra, terminasse com toda a vida.

Esses surtos foram descobertos em 1967, mas a origem é um mistério. O que pode libertar estas quantidades de energia em tão pouco tempo? O que podemos aprender sobre o assunto quando descobrimos?

A explicação mais plausível é que vêm da implosão de grandes estrelas, quando geram as super-novas super brilhantes. É difícil saber com acontece, porque os eventos são raros e há poucos para cada galáxia a cada milhão de anos.

Um estudo publicado na Nature Communications, e preparado por investigadores da RIKEN (Japão), concluiu que as longas explosões originam-se em jactos, isto é, em torrentes de partículas aceleradas até quase chegarem ao velocidade da luz, gerada pela morte de estrelas massivas.

“Embora tenhamos elucidado a origem dos fotões – a partir destes surtos – ainda há questões não resolvidas sobre como os jactos se originam em estrelas em colapso”, disse Hirotaka Ito, primeiro autor do estudo, em um comunicado, citado pela ABC. No entanto, continuou: “Os nossos cálculos devem fornecer uma maneira valiosa de explorar o mecanismo fundamental por trás desses eventos extremamente poderosos”.

Os investigadores têm procurado descobrir como estes surtos se formam há décadas. O que há lá fora que seja capaz de acelerar as partículas até esses níveis, de modo que cruzem o espaço entre as galáxias como se nada fosse. Nesse caso, os dados e um trio de supercomputadores conseguiram encontrar uma resposta.

A equipa de Ito concentrou-se na verificação do funcionamento do modelo de “emissão atmosférica atmosférica”, um dos que apresentou mais documentação para explicar os mecanismos de geração dos GRBs. De acordo com este modelo, à medida que um jacto estelar se expande e perde densidade, torna-se mais fácil para os fotões escaparem para o espaço.

Tudo é baseado na “relação Yonetoku”, uma associação que existe entre o espectro e a luminosidade dos GRBs. Isso não só ajuda a explicar o mecanismo de emissão de fotões com precisão, mas também permite que esses fenómenos seja “velas padrão”, objectos astrofísicos como estrelas variáveis ​​Cefeidas ou super-novas cuja luz e propriedades são tão estáveis ​​que nos permitem saber até que ponto estão e calcular distâncias no espaço.

Se este modelo estiver correto, os GRBs seriam um novo farol para sondar as profundezas do Universo. Além de aprender mais sobre a sua evolução e sobre os mistérios permanentes da energia e da matéria das trevas.

Para verificar a validade do modelo e da relação da Yonetoku, os cientistas recorreram a sofisticadas simulações hidrodinâmicas em três dimensões. Assim, desenharam cálculos de transferência de energia e estimaram a libertação de radiação da fotosfera dos jactos, a partir da explosão em volta de estrelas em colapso.

O modelo permitiu descrever o observado e mostrou que a relação de Yonetoku pode ser entendida como um efeito natural dos eventos que ocorrem dentro do jacto. Para Hirotaka Ito, isto “sugere fortemente que a emissão fotos-esférica é o mecanismo de emissão de GRBs”. Graças a isso, as poderosas explosões poderiam agora ser outra das ferramentas dos astrónomos para entrar na escuridão do desconhecido.

ZAP //

Por ZAP
7 Abril, 2019

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1808: Japão causou explosão em asteróide para explicar origem do sistema solar

NASA

A agência espacial do Japão anunciou esta sexta-feira que a sonda Hayabusa2 lançou um explosivo num asteróide para criar uma cratera na sua superfície e recolher amostras para encontrar possíveis pistas sobre a origem do sistema solar.

A missão desta sexta-feira é a mais arriscada para a Hayabusa2, já que exigia, por exemplo, que esta se afastasse imediatamente para não ser atingida por fragmentos da explosão.

A Agência de Exploração Aeroespacial do Japão informou que a Hayabusa2, após a explosão, conseguiu distanciar-se do asteróide e está intacta. O asteróide, denominado de Ryugu, encontra-se a cerca de 300 milhões de quilómetros do planeta Terra.

Pela primeira vez na história, o Homem conseguiu aterrar dois rovers não tripulados num asteróide. A proeza histórica aconteceu em Setembro do ano passado e deveu-se aos japoneses. Conhecidos por MINERVA-II1, os dois rovers saíram de uma nave espacial de origem japonesa, Hayabusa2, e aterraram num asteróide com um quilómetro de largura. O asteróide é conhecido por Ryugu.

Acredita-se que este asteróide seja um dos mais antigos a sobrevoar o espaço e, por isso, abundante em material orgânico que lançará novas evidências sobre a criação do planeta Terra.

O Hayabusa2, lançado no final de 2014 para conseguir amostras deste asteróide, conseguiu a primeira fotografia close-up do asteróide.

Em Outubro, os cientistas receberam os primeiros dados e fotos do rover MASCOT, que pousou recentemente na superfície do asteróide Ryugu, e ficaram completamente perplexos. Os dados obtidos apontam para uma quantidade extremamente baixa de poeira na superfície do objeto espacial e os cientistas ainda não sabem explicar o porquê.

Em Março deste ano, foram encontrados minerais que contêm água com elementos de oxigénio e hidrogénio na superfície do asteróide Ryugu. Os minerais foram descobertos durante a espectroscopia de infravermelho. A descoberta comprova, ainda que indirectamente, a teoria de que a água foi trazida para a Terra do Espaço.

Em Dezembro de 2019, o Hayabusa2 deixará o asteróide, chegando à Terra no final de 2020. A NASA tem trabalhado numa missão similar prevista para 2023.

ZAP // Lusa

Por ZAP
5 Abril, 2019

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1760: Há uma “estrela morta” que quer fugir da Via Láctea

Astrofísicos americanos descobriram uma “estrela morta” – um pulsar – extremamente incomum. Esse pulsar surgiu na sequência da explosão de uma super-nova que a acelerou a uma velocidade recorde.

Considerando a velocidade muito alta do seu movimento, a estrela poderá deixar a Via Láctea num futuro longínquo, supõem os cientistas, cujo estudo foi publicado na revista Astrophysical Journal Letters.

“A velocidade do seu movimento — 1.130 quilómetros por segundo (4,07 milhões de quilómetros por hora) — significa que irá fugir da galáxia num futuro longínquo. Actualmente não é claro o que aconteceu exactamente a este pulsar, no entanto, supomos que o movimento poderia ter sido acelerado por instabilidades hidrodinâmicas dentro da super-nova no momento em que explodiu”, declarou Dale Frail, do Observatório Nacional de Radioastronomia.

A maioria das estrelas gira em torno do centro da nossa galáxia com velocidade que normalmente não excede 100 quilómetros por segundo. No entanto, desde meados dos anos 2000, os astrónomos descobriram duas dezenas de estrelas que se movem com velocidade tão alta que quase “se libertaram” da força de gravidade da Via Láctea e a abandonaram.

Segundo opinam os astrónomos, essas estrelas começam a mover.se tão rapidamente devido à interacção com o buraco negro maciço no centro da galáxia ou à explosão de uma super-nova, caso se encontrem perto desses objectos.

No entanto, há excepções. Assim, os cientistas prestaram atenção ao pulsar PSR J0002+6216, localizado na constelação de Cassiopeia a uma distância de cerca de 6,5 mil anos-luz da Terra. Ao contrário da maioria dos outros objectos semelhantes, não se localizava dentro dos restos da super-nova nem numa região relativamente “limpa” do espaço aberto, mas perto do casulo da super-nova que explodiu.

Esta característica incomum da “estrela morta” obrigou Freyle e a sua equipa a estudar em detalhe tanto o pulsar como a nuvem de gás quente CTB 1, que fica a cerca de 50 anos-luz de distância. Os dados e imagens enviados pelo radiotelescópio VLA, usado pelos especialistas, trouxeram descobertas inesperadas.

Primeiro, descobriu-se que o PSR J0002+6216 se move a uma velocidade muito alta — a cada segundo afasta-se dos restos da super-nova à velocidade de 4,07 milhões de quilómetros por hora. Isso converte-o no segundo objeto mais veloz da galáxia depois da US 708, uma estrela “comum” que viaja a uma velocidade de 4,32 milhões de quilómetros por hora.

Além disso, a trajectória deste pulsar indica que nasceu no centro da CTB 1 há cerca de 10 mil anos, quando o seu progenitor explodiu.

No início, movia-se mais devagar do que se expandia o próprio casulo da super-nova, mas a velocidade do movimento do gás e da poeira caiu rapidamente devido às interacções com o meio interestelar. Isto aconteceu há cerca de cinco mil anos, segundo evidencia o rasto brilhante do pulsar, que surgiu após sair do casulo da super-nova.

Freyle e os colegas esperam que as observações da CTB 1 e do PSR J0002+6216 os possam ajudar a entender exactamente o que levou à “fuga” do pulsar para fora da Via Láctea e permitirão que os cientistas descubram os mecanismos internos do surgimento das super-novas.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
25 Março, 2019

Não só é lamentável que não se respeite a Língua Portuguesa, utilizando o BRASUQUÊS, como as “traduções” mantenham termos brasileiros como estes “QUILÔMETROS…” -> “A velocidade do seu movimento — 1.130 quilómetros por segundo (4,07 milhões de quilômetros por hora).


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1734: Um meteorito explodiu na atmosfera da Terra. Mas ninguém reparou

NASA detectou a enorme bola de fogo que aconteceu em Dezembro. Mas a explosão, que teve lugar sobre o mar de Bering, passou quase despercebida, apesar de ter sido a segunda maior em 30 anos.

Quando o meteorito explodiu na atmosfera terrestre sobre o mar de Bering, junto à península russa de Kamchatka, libertou dez vezes mais energia do que a bomba atómica lançada no final da II Guerra Mundial sobre a cidade japonesa de Hiroxima.

A enorme explosão, que aconteceu em Dezembro, foi detectada pela NASA, que só agora a divulgou. Mas passou quase despercebida, apesar de ter sido a segunda maior dos últimos 30 anos e a maior desde que uma bola de fogo atravessou o céu sobre Chelyabinsk, na Rússia, há seis anos.

Veja aqui o vídeo da explosão de 2013:

Segundo Lindley Johnson, responsável pela defesa planetária da NASA, explicou à BBC que este tipo de explosão em meteoritos na atmosfera da Terra só ocorre em média duas a três vezes num século.

Era meio-dia de dia 18 de Dezembro quando um meteorito com vários metros de comprimento entra na atmosfera da Terra a uma velocidade de 32 quilómetros por segundo. E explode a 25,6 km de distância da superfície terrestre, com um impacto energético de 173 quilo-toneladas.

De acordo com os cientistas da NASA a energia libertada foi apenas 40% da libertada na explosão sobre Chelyabinsk, mas o facto de ter acontecido sobre o mar fez com que não tivesse as mesmas consequências e ficasse de fora das notícias.

A explosão foi captada pelos satélites militares em final do ano e a NASA foi informada do ocorrido pela Força Aérea americana.

Os cientistas estimam que todos os dias caiam na Terra 48,5 toneladas de matéria meteórica. A quase totalidade desfaz-se em poeira ao entrar na atmosfera terrestre. Quando este fenómeno aumenta acontecem as chamadas chuvas de meteoritos.

Diário de Notícias
18 Março 2019 — 10:30

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