2432: Júpiter acabou de ser atingido por algo tão grande que se viu da Terra

Júpiter é o maior planeta do Sistema Solar, tanto em diâmetro quanto em massa, e é o quinto mais próximo do Sol. Este astro é observável da Terra a olho nu e recolhe a preferência de muitos astrónomos pela magia das suas cores, cicatrizes que são abissais impactos no planeta. Nesse sentido, um astrónomo amador captou algo espectacular com o seu telescópio caseiro, na passada quarta-feira.

Conforme iremos ver nas imagens, o astrónomo amador gravou acidentalmente um flash brilhante na superfície de Júpiter. Foi algo tão grande que a explosão foi vista da Terra, a 628.000.000 Km de distância.

Júpiter, o gigante gasoso que tem uma vida incrível

O maior planeta do sistema solar fornece frequentemente imagens impressionantes, como aquelas tiradas pela nave espacial Juno da NASA. Contudo, na passada quarta-feira, foi visto a olho nu, da Terra um flash inesperado. As imagens deixaram os astrónomos excitados com a possibilidade de se tratar de um impacto de meteoritos.

Ethan Chappel apontou o seu telescópio para o planeta gigante de gás na hora certa. Nessa altura, o astrónomo amador deu conta de ter captado uma mancha branca vista no lado esquerdo inferior do planeta, como podemos ver nas imagens a baixo.

Embora ainda não tenha sido confirmado por um segundo observador, parece que um grande asteróide atingiu o planeta gigante. O flash é breve e desaparece rapidamente, aumentando a ideia de que foi provavelmente causado por um impacto.

Outro impacto em Júpiter hoje. Um bólide (meteoro), mas não como aquele que deixou escombros escuros, o SL9, há 25 anos.

Escreveu no Twitter a astrónoma Dra. Heidi B. Hammel.

Imaged Jupiter tonight. Looks awfully like an impact flash in the SEB. Happened on 2019-08-07 at 4:07 UTC.

Impactos que deixaram marcas em Júpiter- grandes marcas!

O SL9 é o acrónimo para Comet Shoemaker-Levy 9. Este astro teve um impacto famoso em Júpiter em 1994. Hammel liderou a equipa que usou o Telescópio Espacial Hubble para estudar o impacto e como a atmosfera gasosa do planeta respondeu.

Algo notável a considerar é que o tamanho aparente do flash é quase o tamanho da Terra, que é minúscula ao lado do gigantesco planeta de gás. Para referência, cerca de três Terras poderiam caber dentro do Grande Ponto Vermelho de Júpiter, que também é visível.

Apesar de ter sido uma super explosão, isso não significa que o que quer que tenha atingido Júpiter tenha sido do tamanho de um planeta. Na realidade quer dizer que a colisão parece ter libertado muita energia explosiva. Bob King, do Sky and Telescope, diz que, se confirmado, este seria o sétimo impacto registado em Júpiter desde o Shoemaker-Levy e o primeiro em mais de dois anos.

Júpiter funciona como escudo anti asteróides da Terra

Portanto, Júpiter, dado o seu tamanho e, sobretudo, a sua poderosa força gravitacional, funciona como um escudo contra asteróides que se “aproximam” da Terra vindos do sistema solar exterior. Aliás, a terra seguramente já teria sido alvo de muitos, tendo em conta que muitas vezes só damos conta deles já eles estão na nossa vizinhança.

pplware
10 Ago 2019
Imagem: NASA
Fonte: Sky and Telescope

 

2328: Crew Dragon. Já se sabe o que causou a misteriosa explosão da nave da SpaceX

SpaceX / Flickr
Cápsula Dragon vai ser enviada para Marte, lançada da Terra pelo foguetão Falcon Heavy

A NASA e a SpaceX explicaram, finalmente, o motivo da explosão da nave espacial Crew Dragon. Apesar de terem sido divulgadas imagens da explosão, nenhuma das agências explicou as razões do desastre.

As imagens da nave espacial Crew Dragon a explodir durante um teste na plataforma de lançamento correram as redes sociais em Abril. A SpaceX confirmou que um dos seus foguetões explodiu num misterioso acidente, mas não revelou o que aconteceu especificamente.

Apesar de nenhuma das agências ter comentado o sucedido na altura, tanto a NASA como a SpaceX explicam agora que a explosão foi causada por um incêndio de titânio.

Crew Dragon Anomaly/Static Fire Test Explosion

On April 20th, an anomaly was reported during a Crew Dragon static fire test. This video was leaked on Twitter of the event and shows an explosion that appears to completely destroy the spacecraft. It's understood that this was the same capsule that flew during DM-1 and was going to launch during the in-flight abort (IFA) test later this year. At this time we aren't sure how much this will impact SpaceX's Commercial Crew schedule, but we assume there will be some substantial delays as they investigate the issue and work on replacing this capsule.The video has been confirmed by many credible sources. Despite its extremely low quality, some (like Scott Manley) are analyzing this footage to speculate where the anomaly originated.We posted the Twitter link to this video last night, but had gotten a few requests to post the video on here for easier viewing/sharing. ⚠️ This video contains strong language ⚠️Video from @Astronut099 on Twitter(https://twitter.com/Astronut099/status/1119825093742530560)

Publicado por Launch360 em Domingo, 21 de abril de 2019

 

Eric Berger @SciGuySpace

SpaceX told key NASA officials about the accident less than an hour after it occurred. “Within minutes,” an official told me recently. https://spacenews.com/bridenstine-says-leadership-changes-linked-to-urgency-in-nasas-exploration-programs/ 

Conforme explica o ScienceAlert, o objectivo é que os detalhes da ocorrência e a explicação do sucedido sejam transmitidos “em poucas horas”, em vez de meses, no caso de uma possível anomalia.

Ambas as agências recusaram-se a responder se os testes iriam continuar e qual foi o impacto da explosão da Crew Dragon.

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17 Julho, 2019

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2194: Os elementos pesados da Terra nasceram em explosões de super-nova

Impressão de artista de um colapsar.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA

O ouro das nossas jóias é de outro mundo – e isto não é apenas um elogio.

Numa descoberta que pode derrubar a nossa compreensão de onde os elementos pesados da Terra, como ouro e platina, vêm, uma nova investigação feita por um físico da Universidade de Guelph sugere que a maior parte destes materiais foram expelidos por um tipo de explosão estelar largamente negligenciada, bem longe no espaço e no tempo.

Cerca de 80% dos elementos pesados do Universo formaram-se provavelmente em colapsares, uma forma rara de explosão de super-nova, mas rica em elementos pesados, após o colapso de estrelas massivas e velhas tipicamente 30 vezes mais massivas do que o nosso Sol, disse o professor de física Daniel Siegel.

Essa descoberta anula a ideia generalizada de que estes elementos vêm principalmente de colisões entre estrelas de neutrões ou entre uma estrela de neutrões e um buraco negro, explicou Siegel.

O seu trabalho, em co-autoria com colegas da Universidade de Columbia, foi publicado na revista Nature.

Usando supercomputadores, os três cientistas simularam a dinâmica dos colapsares, ou estrelas antigas cuja gravidade faz com que implodam e formem buracos negros.

No seu modelo, os colapsares massivos e com rápida rotação ejectam elementos pesados, cujas quantidades e distribuição são “surpreendentemente semelhantes ao que observamos no nosso Sistema Solar,” explicou Spiegel.

A maioria dos elementos encontrados na natureza foram produzidos em reacções nucleares em estrelas e, finalmente, expelidos por enormes explosões estelares.

Os elementos pesados encontrados na Terra e noutras partes do Universo, de explosões remotas, variam de ouro a platina, de urânio a plutónio usados em reactores nucleares, até elementos químicos mais exóticos como o neodímio, encontrado em produtos electrónicos.

Até agora, os cientistas pensavam que estes elementos eram “cozinhados” principalmente em colisões estelares envolvendo estrelas de neutrões ou buracos negros, como numa colisão entre duas estrelas de neutrões observada por detectores terrestres bastante noticiada em 2017.

Ironicamente, disse Siegel, a sua equipa começou a trabalhar para entender a física dessa fusão antes das suas simulações apontarem para os colapsares como uma incubadora de elementos pesados. “A nossa investigação sobre estrelas de neutrões levou-nos a pensar que o nascimento de buracos negros, num tipo muito diferente de explosão estelar, podia produzir ainda mais ouro do que as fusões entre estrelas de neutrões.”

O que aos colapsares falta em frequência, compensa no fabrico de elementos pesados, realçou Siegel. Os colapsares também produzem flashes intensos de raios-gama.

“Oitenta por cento destes elementos pesados que vemos devem vir dos colapsares. Os colapsares são bastante raros em termos de ocorrência de super-novas, ainda mais raros do que as fusões de estrelas de neutrões – mas a quantidade de material ejectado para o espaço é muito maior do que a das fusões de estrelas de neutrões.”

A equipa espera agora ver o seu modelo teórico validado por observações. Siegel disse que instrumentos infravermelhos como os do Telescópio Espacial James Webb, com lançamento previsto para 2021, devem ser capazes de detectar a radiação indicadora de elementos pesados de um colapsar numa galáxia distante.

“Essa seria uma assinatura clara,” disse, acrescentando que os astrónomos também podem detectar evidências de colapsares observando as quantidades e a distribuição de elementos pesados noutras estrelas da nossa Via Láctea.

Siegel salientou que esta investigação pode fornecer pistas sobre a formação da nossa Galáxia.

“Tentar descobrir de onde vêm os elementos pesados pode ajudar-nos a entender como a Via Láctea foi ‘montada’ quimicamente e como se formou. Isto pode realmente ajudar a resolver algumas grandes questões da cosmologia, já que os elementos pesados são um bom rastreador.”

Este ano assinala-se o 150.º aniversário da criação da tabela periódica dos elementos químicos de Dmitri Mendeleev. Desde então, os cientistas acrescentaram muitos outros elementos à tabela periódica, um marco dos livros escolares e científicos de todo o mundo.

Referindo-se ao químico russo, Siegel disse: “Conhecemos muitos outros elementos químicos que ele não conhecia. O que é fascinante e surpreendente é que, após 150 anos a estudar os blocos fundamentais da natureza, ainda não entendemos bem como o Universo produz uma grande parte dos elementos da tabela periódica.”

Astronomia On-line
18 de Junho de 2019

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2168: Super-erupções do Sol podem “fritar” satélites e redes eléctricas nos próximos cem anos

CIÊNCIA

NASA

Na fronteira da Via Láctea, produz-se um dos espectáculos pirotécnicos mais brilhantes da galáxia. Algumas estrelas jovens e activas, por razões que os cientistas ainda desconhecem, lançam explosões de energia que podem ser vistas a centenas de anos-luz de distância.

Estas super-erupções têm uma potência arrebatadora, na ordem de centenas a milhares de vezes maior do que a maior já registada com instrumentos modernos na Terra. Até recentemente, de acordo com um comunicado, os investigadores supunham que estas explosões não poderiam acontecer no nosso antigo e tranquilo Sol.

Porém, um novo estudo, publicado na revista The Astrophysical Journal a partir de dados de diferentes telescópios, afirma que o sol também tem a capacidade de causar grandes erupções, ainda que apenas uma vez em cada poucos milhares de anos.

Se algo semelhante tivesse acontecido há mil anos, as consequências teriam sido reduzidas a uma aurora resplandecente no céu. Mas, agora, alertam os cientistas, isso causaria estragos nas comunicações via satélite e redes de energia do nosso planeta – uma catástrofe em escala global.

Yuta Notsu, investigador da Universidade da Califórnia em Boulder, é o principal autor do estudo, revelado na reunião anual da American Astronomical Society em St. Louis, EUA. Na sua opinião, os resultados devem ser um alerta para a vida no nosso planeta.

“O nosso estudo mostra que as super-erupções são eventos raros”, disse Notsu, de acordo com a ABC. “Mas há uma possibilidade de que possamos experimentá-lo nos próximos 100 anos”.

Se uma super-chama viesse do Sol, a Terra provavelmente estaria no caminho de uma onda de radiação de alta energia. Tal explosão poderia interromper a electrónica mundial, causando apagões e curtos-circuitos nos satélites de comunicação em órbita.

Os cientistas descobriram este fenómeno pela primeira vez graças ao Telescópio Espacial Kepler. A nave da NASA, lançada em 2009, procura planetas que giram em torno de estrelas distantes da Terra. Mas também encontrou algo estranho: às vezes, a luz das estrelas distantes parecia subitamente e momentaneamente mais brilhante.

As explosões de tamanho normal são comuns no Sol. “Quando o nosso Sol era jovem, era muito activo porque girava muito rápido e provavelmente gerava chamas mais poderosas”, explicou o investigadores. “Mas não sabíamos se existem grandes labaredas no Sol moderno com uma frequência muito baixa”.

Para descobrir, Notsu e uma equipa internacional de cientistas voltaram-se para dados da sonda Gaia da Agência Espacial Europeia (ESA) e do Observatório Apache Point, no Novo México. Durante uma série de estudos, o grupo usou os instrumentos para delinear uma lista de super-chamas provenientes de 43 estrelas que se assemelhavam ao nosso Sol. Depois, submeteram esses eventos raros a uma análise estatística rigorosa.

A conclusão: a idade é importante. De acordo com os cálculos da equipa, as estrelas mais jovens tendem a produzir o maior número de super-erupções. Mas as estrelas mais antigas, como o nosso Sol, agora com ​​4,6 mil milhões de anos, também as produzem. “Estrelas jovens têm super-chamas uma vez por semana”, afirmou Notsu. “O Sol faz isso uma vez a cada poucos milhares de anos em média.”

Notsu está convencido de que este grande evento acontecerá, embora não saiba dizer quando. No entanto, isso poderia dar tempo para nos prepararmos, protegendo a electrónica no solo e em órbita da radiação no espaço.

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14 Junho, 2019

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1986: Explosão de Yellowstone poderia levar a Terra à Idade do Gelo

CIÊNCIA

Jon Sullivan / Wikimedia
A lagoa de Morning Glory, no Parque Nacional de Yellowstone

Uma erupção do super-vulcão de Yellowstone causaria uma reacção em cadeia de extinções na Terra, dando início a uma Idade do Gelo, avisam os geólogos.

O super-vulcão de Yellowstone, situado no noroeste do estado de Wyoming, nos Estados Unidos, é um dos vulcões mais temidos de todo o mundo e os cientistas são os primeiros a afirmar que temos razões para nos preocuparmos.

Apesar de não haver sinais urgentes de que a caldeira esteja prestes a explodir, os investigadores desconfiam de que um dia o super-vulcão irá mesmo explodir e as consequências serão verdadeiramente catastróficas, adianta a Sputnik News.

Não será uma explosão que irá acabar instantaneamente com a vida na Terra, mas irá vitimar aproximadamente 87.000 pessoas de imediato e tornar dois terços do território dos Estados Unidos inabitável.

Segundo os geólogos, a cinza do vulcão iria cobrir o nosso planeta em apenas 48 horas. Como consequência, a temperatura iria baixar cerca de 2ºC durante 20 anos. Este arrefecimento poderia ter efeitos catastróficos no nosso ecossistema, dando início a uma reacção em cadeia de extinções.

Naomi Woods, investigadora da Universidade da Virgínia, escreveu no site Quora que, “devido a correntes de ventos predominantes, tudo que fica a leste do super-vulcão seria a região mais prejudicada. Tudo o que estiver nas proximidades ficaria completamente destruído”, revela o Daily Express.

A cientista explica ainda que a luz solar seria incapaz de conseguir passar pela camada espessa de partículas de cinza, fazendo com que a nossa atmosfera só se visse livre destas partículas muitos anos depois. “Entre 5-10 anos, se tivermos sorte, ou em 15-20 anos, se não tivermos.”

O grande volume da cinza lançada pelo vulcão iria tapar a luz solar, criando uma situação de crepúsculo que duraria anos. Se por um lado, seria o fim do aquecimento global, por outro, dar-se-ia início a uma Idade do Gelo. O resultado final resultaria no desaparecimento de plantas no planeta inteiro e, consequentemente, os animais herbívoros acabariam por morrer.

Este efeito dominó causaria extinções em massa. O futuro ficaria dependente das espécies capazes de se adaptar à escassez de recursos o mais rápido possível ou de esperar até a nuvem de cinza desaparecer.

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15 Maio, 2019


 

1968: Nave da SpaceX explodiu num misterioso acidente (mas não se sabe porquê)

SpaceX / Flickr

A SpaceX confirmou que um dos seus foguetões explodiu num misterioso acidente – mas não revelou o que aconteceu especificamente.

A empresa e sua principal cliente, a NASA, passaram as duas semanas desde a explosão da nova cápsula a dizer pouco sobre o que aconteceu. A NASA espera contar com a nave para transportar astronautas para o espaço no futuro e o seu sucesso é vital para o programa espacial. Mas não revelou quase nada sobre o que exactamente o que ocorreu de errado.

Hans Koenigsmann, vice-presidente de confiabilidade de voo da SpaceX, admitiu, de acordo com o The Independent, que houve uma “anomalia”. Mas a empresa continuou de boca fechada sobre os detalhes do problema.

O acidente de 20 de Abril ocorreu numa zona de pouso na Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, enquanto a SpaceX realizava um teste de propulsores de emergência projectados para impulsionar a cápsula em caso de falha no lançamento.

Uma tentativa de testar os oito motores SuperDraco provocou o acidente, demolindo o veículo inteiro num stand de testes, disse Koenigsmann a jornalistas no Centro Espacial Kennedy, da NASA.

“Pouco antes, antes de querermos lançar o SuperDraco, houve uma anomalia e o veículo foi destruído”, disse Koenigsmann. “Não houve feridos. A SpaceX tomou todas as medidas de segurança antes do teste como sempre faz.”

A conferência de imprensa foi convocada antes do lançamento, na sexta-feira, de uma missão não-tripulada de reabastecimento para a estação espacial internacional usando uma cápsula de carga construída pela SpaceX, a empresa privada de foguetes Elon Musk.

Koenigsmann recusou-se a caracterizar a natureza do acidente, incluindo se uma explosão ou incêndio estava envolvido. A NASA também hesitou em descrever o acidente.

Um vídeo do acidente mostrou a cápsula a explodir em pedaços. Um manto de fumo também foi observado a subir sobre a plataforma de lançamento à distância no momento do teste.

O Crew Dragon tinha sido programado para transportar os astronautas americanos Bob Behnken e Doug Hurley para a Estação Espacial Internacional numa missão de testes em Julho, embora o recente acidente, assim como alguns outros problemas no projecto do veículo, possam empurrar o evento para o final do ano ou até para 2020.

O veículo destruído foi uma das seis cápsulas construídas ou em produção final pela SpaceX e a primeira levada para o espaço. Um foguete SpaceX Falcon 9 lançou-o sem tripulação para a estação espacial em Março para uma visita de seis dias antes de regressar à Terra, mergulhando com segurança no Atlântico para recuperação.

A NASA concedeu 6,8 mil milhões de dólares à SpaceX e à concorrente Boeing Co para desenvolver sistemas separados de cápsulas para levar os astronautas para o espaço, mas ambas as empresas enfrentaram desafios e atrasos técnicos.

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13 Maio, 2019


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1911: Descobertos restos de uma explosão de uma estrela observada em 48 a.C

ESO / M. Kornmesser

Uma equipa europeia, em colaboração com o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, descobriu os restos de uma explosão de hidrogénio, que ocorreu há cerca de dois mil anos, na superfície de uma estrela, foi esta semana anunciado.

Em comunicado, o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) adianta que a descoberta, aceite para publicação na revista Astronomy & Astrophysics, ocorreu há cerca de dois mil anos “no exame globular de estrelas M22 (Messier 22)”, situado a 9.785 anos-luz da constelação de Sagitário.

A investigação, que descobriu um “remanescente de Nova” – uma explosão de hidrogénio que ocorre na superfície de uma estrela e que faz aumentar o seu brilho -, vem ao encontro dos registos “efectuadas por astrónomos chineses no ano 48 a.C.”.

“Esta descoberta (…) confirma uma das mais antigas observações que chegou aos dias de hoje, efectuada por astrónomos chineses em 48 a.C.”, assegura o instituto.

O IA refere que o enxame (aglomerados esféricos compostos por centenas de milhares de estrelas que orbitam fora da galáxia) foi observado pelo MUSE, um espectrógrafo que obtém um “espectro total de cada pixel do céu” e permite medir o brilho das estrelas em função da sua cor.

“O remanescente de Nova descoberto no enxame M22 (um dos 150 enxames globulares que orbita a Via Láctea) é uma nebulosa avermelhada de hidrogénio e outros gases, com um diâmetro de 8.000 unidades astronómicas. Mas apesar do tamanho, a nebulosa tem uma massa de apenas 30 vezes a da Terra”, aponta o instituto.

Citado no comunicado, Jarle Brinchman, investigador do IA e da Universidade do Porto, salienta que, tendo em conta que “a maioria dos eventos astronómicos têm durações demasiado longas”, é “excitante ter conseguido usar o inovador instrumento MUSE para encontrar os restos da explosão de uma estrela, da qual há registos históricos“.

Por sua vez, Fabian Göttgens, o primeiro autor do artigo, afirma que os instrumentos utilizados na investigação permitem confirmar “uma das mais antigas observações” que ocorreu fora do nosso Sistema Solar. “Esta observação permitiu-nos trazer escalas de tempo astronómicas para uma escala humana”, avança.

ZAP // Lusa

Por Lusa
1 Maio, 2019

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1816: Cientistas revelam a origem da explosão mais potente do Universo

ESO

O espaço, povoado por um número inimaginável de galáxias e estrelas, parece um lugar tranquilo. Mas é abalado por fenómenos espectaculares que libertam incríveis quantidades de energia.

Por exemplo, uma explosão de super-nova pode ser 30 vezes mais brilhante que uma galáxia inteira durante vários dias. As longas explosões de raios gama, os fenómenos electromagnéticos mais poderosos que observamos, libertam num segundo toda a energia que o Sol produzirá nos seus nove mil milhões de anos de vida.

Portanto, não é de surpreender que, se um desses eventos ocorresse na Via Láctea e fosse orientado para a Terra, terminasse com toda a vida.

Esses surtos foram descobertos em 1967, mas a origem é um mistério. O que pode libertar estas quantidades de energia em tão pouco tempo? O que podemos aprender sobre o assunto quando descobrimos?

A explicação mais plausível é que vêm da implosão de grandes estrelas, quando geram as super-novas super brilhantes. É difícil saber com acontece, porque os eventos são raros e há poucos para cada galáxia a cada milhão de anos.

Um estudo publicado na Nature Communications, e preparado por investigadores da RIKEN (Japão), concluiu que as longas explosões originam-se em jactos, isto é, em torrentes de partículas aceleradas até quase chegarem ao velocidade da luz, gerada pela morte de estrelas massivas.

“Embora tenhamos elucidado a origem dos fotões – a partir destes surtos – ainda há questões não resolvidas sobre como os jactos se originam em estrelas em colapso”, disse Hirotaka Ito, primeiro autor do estudo, em um comunicado, citado pela ABC. No entanto, continuou: “Os nossos cálculos devem fornecer uma maneira valiosa de explorar o mecanismo fundamental por trás desses eventos extremamente poderosos”.

Os investigadores têm procurado descobrir como estes surtos se formam há décadas. O que há lá fora que seja capaz de acelerar as partículas até esses níveis, de modo que cruzem o espaço entre as galáxias como se nada fosse. Nesse caso, os dados e um trio de supercomputadores conseguiram encontrar uma resposta.

A equipa de Ito concentrou-se na verificação do funcionamento do modelo de “emissão atmosférica atmosférica”, um dos que apresentou mais documentação para explicar os mecanismos de geração dos GRBs. De acordo com este modelo, à medida que um jacto estelar se expande e perde densidade, torna-se mais fácil para os fotões escaparem para o espaço.

Tudo é baseado na “relação Yonetoku”, uma associação que existe entre o espectro e a luminosidade dos GRBs. Isso não só ajuda a explicar o mecanismo de emissão de fotões com precisão, mas também permite que esses fenómenos seja “velas padrão”, objectos astrofísicos como estrelas variáveis ​​Cefeidas ou super-novas cuja luz e propriedades são tão estáveis ​​que nos permitem saber até que ponto estão e calcular distâncias no espaço.

Se este modelo estiver correto, os GRBs seriam um novo farol para sondar as profundezas do Universo. Além de aprender mais sobre a sua evolução e sobre os mistérios permanentes da energia e da matéria das trevas.

Para verificar a validade do modelo e da relação da Yonetoku, os cientistas recorreram a sofisticadas simulações hidrodinâmicas em três dimensões. Assim, desenharam cálculos de transferência de energia e estimaram a libertação de radiação da fotosfera dos jactos, a partir da explosão em volta de estrelas em colapso.

O modelo permitiu descrever o observado e mostrou que a relação de Yonetoku pode ser entendida como um efeito natural dos eventos que ocorrem dentro do jacto. Para Hirotaka Ito, isto “sugere fortemente que a emissão fotos-esférica é o mecanismo de emissão de GRBs”. Graças a isso, as poderosas explosões poderiam agora ser outra das ferramentas dos astrónomos para entrar na escuridão do desconhecido.

ZAP //

Por ZAP
7 Abril, 2019

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1808: Japão causou explosão em asteróide para explicar origem do sistema solar

NASA

A agência espacial do Japão anunciou esta sexta-feira que a sonda Hayabusa2 lançou um explosivo num asteróide para criar uma cratera na sua superfície e recolher amostras para encontrar possíveis pistas sobre a origem do sistema solar.

A missão desta sexta-feira é a mais arriscada para a Hayabusa2, já que exigia, por exemplo, que esta se afastasse imediatamente para não ser atingida por fragmentos da explosão.

A Agência de Exploração Aeroespacial do Japão informou que a Hayabusa2, após a explosão, conseguiu distanciar-se do asteróide e está intacta. O asteróide, denominado de Ryugu, encontra-se a cerca de 300 milhões de quilómetros do planeta Terra.

Pela primeira vez na história, o Homem conseguiu aterrar dois rovers não tripulados num asteróide. A proeza histórica aconteceu em Setembro do ano passado e deveu-se aos japoneses. Conhecidos por MINERVA-II1, os dois rovers saíram de uma nave espacial de origem japonesa, Hayabusa2, e aterraram num asteróide com um quilómetro de largura. O asteróide é conhecido por Ryugu.

Acredita-se que este asteróide seja um dos mais antigos a sobrevoar o espaço e, por isso, abundante em material orgânico que lançará novas evidências sobre a criação do planeta Terra.

O Hayabusa2, lançado no final de 2014 para conseguir amostras deste asteróide, conseguiu a primeira fotografia close-up do asteróide.

Em Outubro, os cientistas receberam os primeiros dados e fotos do rover MASCOT, que pousou recentemente na superfície do asteróide Ryugu, e ficaram completamente perplexos. Os dados obtidos apontam para uma quantidade extremamente baixa de poeira na superfície do objeto espacial e os cientistas ainda não sabem explicar o porquê.

Em Março deste ano, foram encontrados minerais que contêm água com elementos de oxigénio e hidrogénio na superfície do asteróide Ryugu. Os minerais foram descobertos durante a espectroscopia de infravermelho. A descoberta comprova, ainda que indirectamente, a teoria de que a água foi trazida para a Terra do Espaço.

Em Dezembro de 2019, o Hayabusa2 deixará o asteróide, chegando à Terra no final de 2020. A NASA tem trabalhado numa missão similar prevista para 2023.

ZAP // Lusa

Por ZAP
5 Abril, 2019

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1760: Há uma “estrela morta” que quer fugir da Via Láctea

Astrofísicos americanos descobriram uma “estrela morta” – um pulsar – extremamente incomum. Esse pulsar surgiu na sequência da explosão de uma super-nova que a acelerou a uma velocidade recorde.

Considerando a velocidade muito alta do seu movimento, a estrela poderá deixar a Via Láctea num futuro longínquo, supõem os cientistas, cujo estudo foi publicado na revista Astrophysical Journal Letters.

“A velocidade do seu movimento — 1.130 quilómetros por segundo (4,07 milhões de quilómetros por hora) — significa que irá fugir da galáxia num futuro longínquo. Actualmente não é claro o que aconteceu exactamente a este pulsar, no entanto, supomos que o movimento poderia ter sido acelerado por instabilidades hidrodinâmicas dentro da super-nova no momento em que explodiu”, declarou Dale Frail, do Observatório Nacional de Radioastronomia.

A maioria das estrelas gira em torno do centro da nossa galáxia com velocidade que normalmente não excede 100 quilómetros por segundo. No entanto, desde meados dos anos 2000, os astrónomos descobriram duas dezenas de estrelas que se movem com velocidade tão alta que quase “se libertaram” da força de gravidade da Via Láctea e a abandonaram.

Segundo opinam os astrónomos, essas estrelas começam a mover.se tão rapidamente devido à interacção com o buraco negro maciço no centro da galáxia ou à explosão de uma super-nova, caso se encontrem perto desses objectos.

No entanto, há excepções. Assim, os cientistas prestaram atenção ao pulsar PSR J0002+6216, localizado na constelação de Cassiopeia a uma distância de cerca de 6,5 mil anos-luz da Terra. Ao contrário da maioria dos outros objectos semelhantes, não se localizava dentro dos restos da super-nova nem numa região relativamente “limpa” do espaço aberto, mas perto do casulo da super-nova que explodiu.

Esta característica incomum da “estrela morta” obrigou Freyle e a sua equipa a estudar em detalhe tanto o pulsar como a nuvem de gás quente CTB 1, que fica a cerca de 50 anos-luz de distância. Os dados e imagens enviados pelo radiotelescópio VLA, usado pelos especialistas, trouxeram descobertas inesperadas.

Primeiro, descobriu-se que o PSR J0002+6216 se move a uma velocidade muito alta — a cada segundo afasta-se dos restos da super-nova à velocidade de 4,07 milhões de quilómetros por hora. Isso converte-o no segundo objeto mais veloz da galáxia depois da US 708, uma estrela “comum” que viaja a uma velocidade de 4,32 milhões de quilómetros por hora.

Além disso, a trajectória deste pulsar indica que nasceu no centro da CTB 1 há cerca de 10 mil anos, quando o seu progenitor explodiu.

No início, movia-se mais devagar do que se expandia o próprio casulo da super-nova, mas a velocidade do movimento do gás e da poeira caiu rapidamente devido às interacções com o meio interestelar. Isto aconteceu há cerca de cinco mil anos, segundo evidencia o rasto brilhante do pulsar, que surgiu após sair do casulo da super-nova.

Freyle e os colegas esperam que as observações da CTB 1 e do PSR J0002+6216 os possam ajudar a entender exactamente o que levou à “fuga” do pulsar para fora da Via Láctea e permitirão que os cientistas descubram os mecanismos internos do surgimento das super-novas.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
25 Março, 2019

Não só é lamentável que não se respeite a Língua Portuguesa, utilizando o BRASUQUÊS, como as “traduções” mantenham termos brasileiros como estes “QUILÔMETROS…” -> “A velocidade do seu movimento — 1.130 quilómetros por segundo (4,07 milhões de quilômetros por hora).


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1734: Um meteorito explodiu na atmosfera da Terra. Mas ninguém reparou

NASA detectou a enorme bola de fogo que aconteceu em Dezembro. Mas a explosão, que teve lugar sobre o mar de Bering, passou quase despercebida, apesar de ter sido a segunda maior em 30 anos.

Quando o meteorito explodiu na atmosfera terrestre sobre o mar de Bering, junto à península russa de Kamchatka, libertou dez vezes mais energia do que a bomba atómica lançada no final da II Guerra Mundial sobre a cidade japonesa de Hiroxima.

A enorme explosão, que aconteceu em Dezembro, foi detectada pela NASA, que só agora a divulgou. Mas passou quase despercebida, apesar de ter sido a segunda maior dos últimos 30 anos e a maior desde que uma bola de fogo atravessou o céu sobre Chelyabinsk, na Rússia, há seis anos.

Veja aqui o vídeo da explosão de 2013:

Segundo Lindley Johnson, responsável pela defesa planetária da NASA, explicou à BBC que este tipo de explosão em meteoritos na atmosfera da Terra só ocorre em média duas a três vezes num século.

Era meio-dia de dia 18 de Dezembro quando um meteorito com vários metros de comprimento entra na atmosfera da Terra a uma velocidade de 32 quilómetros por segundo. E explode a 25,6 km de distância da superfície terrestre, com um impacto energético de 173 quilo-toneladas.

De acordo com os cientistas da NASA a energia libertada foi apenas 40% da libertada na explosão sobre Chelyabinsk, mas o facto de ter acontecido sobre o mar fez com que não tivesse as mesmas consequências e ficasse de fora das notícias.

A explosão foi captada pelos satélites militares em final do ano e a NASA foi informada do ocorrido pela Força Aérea americana.

Os cientistas estimam que todos os dias caiam na Terra 48,5 toneladas de matéria meteórica. A quase totalidade desfaz-se em poeira ao entrar na atmosfera terrestre. Quando este fenómeno aumenta acontecem as chamadas chuvas de meteoritos.

Diário de Notícias
18 Março 2019 — 10:30

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1655: Há uma estrela em Andrómeda que explode todos os anos

ESO

A Andrómeda, a galáxia vizinha da Via Láctea, é o lar de uma super-nova – uma estrela que regularmente sofre erupções dramáticas que derramam das suas camadas exteriores, resultando numa grande concha de material ejectado.

O objeto em questão, conhecido como M31N 2008-12a, tem duas características marcantes: possui uma das maiores camadas de material já vistas em tal estrela e, devido a isto, ocorre mais frequentemente do que as novas recorrentes estudadas anteriormente. A descoberta é relatada na revista científica Nature.

“Quando descobrimos que o M31N 2008-12a entrava em erupção todos os anos, ficamos muito surpreendidos”, disse o co-autor Allen Shafter, da Universidade de San Diego State em comunicado.

Normalmente, este tipo de estrelas entram em erupção com menos frequência. Um padrão mais típico é ter novas explosões a cada dez anos. No entanto, as erupções anuais do M31N 2008-12a ao longo de milhões de anos de actividade levaram à formação da sua notável camada de material que agora se estende por quase 400 anos-luz de diâmetro.

Acredita-se que as novas recorrentes sejam causadas pela interacção entre uma anã branca, o remanescente de uma estrela morta e outra estrela. A anã branca rouba material de seu companheiro e, quando esse gás precipita na densa anã branca, ele é comprimido e aquecido até explodir.

Esta é a nova, quando a estrela pode tornar-se repentinamente um milhão de vezes mais brilhante e parte do material é lançada para o espaço, formando uma casca remanescente.

Além do tamanho e da frequência da erupção, há outro motivo pelo qual a equipa está interessada neste objeto. O sistema tem a característica de possuir uma enorme anã branca, potencialmente perto do limite de quanto material pode roubar antes de se tornar super-nova completa. A equipa quer observar este objecto neste processo.

Uma anã branca a transformar-se num super-nova é um evento moderadamente raro, com características muito específicas – tão específico que os astrónomos conseguiram usá-las como “bastões de medida” para descobrir a distância das galáxias. Estudar a física destas super-novas ajuda a entender o universo como um todo.

A equipa está agora a investigar se o que viram neste objecto é comum ou não no universo. Poderia até haver uma população desconhecida destes objectos.

ZAP // IFL Science

Por ZAP
3 Março, 2019

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1583: Satélite russo detecta “explosões” de luz desconhecidas na atmosfera da Terra

NASA

O telescópio de raios ultravioleta instalado no satélite russo Lomonosov detectou fortes “explosões” de luz de origem desconhecida na atmosfera da Terra.

“Parece que descobrimos novos fenómenos físicos. Ainda não sabemos qual é a sua natureza”, revelou Mikhail Panasuk, director do Instituto de Física Nuclear da Universidade Estatal de Moscovo à Sputnik.

O cientista explicou que, a uma altura de várias dezenas de quilómetros, o satélite Lomonosov registou várias vezes fortes “explosões” de luz, embora, por baixo, não houvesse nem nuvens nem tempestades. “O que causou a explosão? É uma questão em aberto”, disse Panasuk.

Ao mesmo tempo, o físico falou sobre a existência de outros fenómenos luminosos na atmosfera terrestre, alguns dos quais são bastante conhecidos, são os chamados sprites, descargas eléctricas que ocorrem na mesosfera e termosfera, e os elves, emissões de luz na parte superior de uma nuvem de tempestade.

O cientista acrescentou que registar os raios cósmicos de altas energias através dos dispositivos do satélite não é uma tarefa fácil, devido à poluição luminosa. Panasuk sublinhou que o telescópio capta as luzes artificiais urbanas, o que obviamente impede a identificação de vestígios de raios espaciais.

“O satélite regista fenómenos luminosos de origem artificial, mas aprendemos a distinguir os fenómenos naturais que precisamos”, acrescentou Panasuk.

O satélite autónomo russo Lomonosov da Universidade Estatal de Moscovo foi colocado em órbita terrestre em 2016. O aparelho foi projectado para observar fenómenos transitórios na atmosfera superior da Terra, bem como estudar as características da radiação da magnetosfera do planeta para estudos cosmológicos.

ZAP // Sputnik News

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1417: Catástrofe cósmica pode ter aniquilado tubarões pré-históricos gigantes

Mary Parrish / Wikimedia

A explosão de estrelas há 2,6 milhões de anos pode ter contribuído para a extinção em massa que varreu os oceanos pré-históricos da Terra, eliminando criaturas como o tubarão gigante conhecido como Megalodon.

Partículas cósmicas destas super-novas cobriram a superfície do planeta Terra de tal forma que podem ter causado cancro em grandes criaturas marinhas. Entre as fatalidades aparentes, encontrava-se o Megalodon – um tubarão do tamanho de um autocarro dos dias de hoje.

A teoria foi apresentada por Adrian Melott, um físico da Universidade do Kansas, nos EUA. “Não há nenhuma boa explicação para a extinção da megafauna marinha”, disse, citado pelo The Independent. “Esta pode ser uma. É essa mudança de paradigma – sabemos que algo aconteceu e, quando aconteceu, podemos pela primeira vez aprofundar e procurar as coisas de uma maneira definitiva”.

Para chegar a esta hipótese, Melott baseou-se no seu conhecimento sobre super-novas históricas e evidências do impacto que tiveram na Terra. Os antigos depósitos no leito do mar de isótopos de ferro – formas radioactivas de ferro – forneceram uma pista crucial.

As conclusões foram publicadas na revista Astrobiology a 12 de Dezembro. Melott afirmou que não havia outra forma de estes materiais chegarem à Terra, excepto devido a explosões de super-nova.

Mais apoio veio da estrutura do universo circundante. A Terra fica perto de algo chamado “Bolha Local” – uma enorme região de gás quente e denso que os astrónomos pensam que resultou de uma série de explosões de super-novas – a explosão de estrelas que atingiram o fim da sua vida. Devido à estrutura desta bolha, é possível que a Terra tenha sido banhada por raios cósmicos.

Durante este tempo, partículas chamadas “múons” teriam caído em grande número na superfície do planeta. Muóns – partículas elementares semelhantes a electrões muito pesados – penetram profundamente as criaturas vivas, incluindo humanos, e são responsáveis por cerca de um quinto da dose de radiação que recebemos.

Geralmente, isto não seria um grande problema. Porém, ao aumentar a exposição aos múons, os investigadores consideram que a radiação poderia ter levado a um aumento das taxas de mutação e cancro. Os maiores animais podem ter sido especialmente susceptíveis, uma vez que seriam atingidos por uma maior dose de radiação.

“Estimamos que a taxa de cancro aumentaria em cerca de 50% para algo do tamanho de um ser humano – e quanto maior, pior seria”, disse Melott. Isto poderia explicar porque é que o Megalodon, bem como um terço de outras grandes criaturas do mar, não conseguiu sobreviver na época seguinte da história do planeta, o Plistoceno.

Os eventos de extinção em massa estão ligados a mudanças climáticas drásticas. Embora raios cósmicos que bombardeiam a atmosfera também possam estar ligados a um clima em mudança, os autores admitem que esta é “uma afirmação controversa”.

ZAP // Phys

Por ZAP
15 Dezembro, 2018

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1397: Explosão enigmática de supernova confunde cientistas

JPL, Caltech / NASA
Modelo teórico de uma anã branca a explodir

Uma equipa internacional de astrónomos foi surpreendida pela estranha explosão, há 170 milhões de anos, de uma estrela que causou o aparecimento de uma super-nova.

Segundo o estudo, que vai ser publicado no jornal Astrophysical Journal Letters, trata-se de uma estrela Ia, corpo celeste cuja explosão é produzida quando uma anã branca rouba de uma estrela próxima uma quantidade de matéria superior à de que necessita, e se torna desequilibrada.

Estes corpos celestes geralmente aumentam o seu brilho gradualmente nas três semanas anteriores ao seu desaparecimento. Mas, de acordo com observações registadas em Fevereiro por astrónomos da Universidade Nacional da Austrália, no caso da SN 2018oh, também conhecida como ASASSN-18bt, o processo concluiu-se em apenas alguns dias.

Os astrónomos, liderados por Brad Tucker, detectaram uma emissão de luz adicional dois dias depois da explosão da SN 2018oh. O excesso de brilho pode ser explicado pela interacção entre a substância expulsa da anã branca e uma estrela próxima.

No entanto, os autores do estudo não encontraram nenhum vestígio de estrelas de grandes dimensões na região, o que os levou a considerar a possibilidade de que a super-nova tenha surgido a partir da fusão com outra anã branca que tivesse existido nas proximidades.

A explosão foi observada a dia 4 de Fevereiro pelo observatório ASAS-SN, pelo Telescópio Espacial Kepler e por outros instrumentos, que registaram a emissão luminosa cerca de 170 milhões de anos depois de a explosão ter acontecido.

Os astrónomos recolheram informação tão detalhada acerca da SN 2018oh, que uma equipa constituída por mais de 130 cientistas produziu três estudos diferentes [1, 2, 3], que descrevem o comportamento de uma super-nova com mais detalhe do que nunca.

Os cientistas caracterizam esta descoberta como uma observação sem precedentes do início da morte de uma estrela e acreditam que o achado possa vir a ser útil para determinar a taxa de explosão do Universo.

ZAP // Sputnik News

Por SN
9 Dezembro, 2018

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1320: Um sistema estelar na Via Láctea ameaça morrer com uma colossal explosão

ESO/Callingham et al.

Pela primeira vez, astrónomos encontraram um sistema estelar na Via Láctea que pode produzir uma explosão de raios gama – um dos fenómenos conhecidos mais brilhantes e energéticos do Universo.

O sistema estelar é oficialmente chamado 2XMM J160050.7-514245, mas os investigadores apelidaram-no de “Apep“, em homenagem à divindade egípcia do caos.  O nome relaciona-se com o facto de o sistema estar cercado de longos “cata-ventos” de matéria lançados no espaço.

Estes cata-ventos têm origem num par de estrelas binárias “Wolf-Rayet” que orbitam no centro do sistema. Estão tão perto um do outro que parecem uma única luz brilhante, abaixo da terceira estrela do sistema, mais fraca e mais distante.

As estrelas de Wolf-Rayet são sóis ultra-massivos que atingiram o fim das suas vidas e queimaram todo o seu hidrogénio. Portanto, fundem elementos mais pesados, girando rapidamente e lançando material para o espaço.

Estas estrelas são brilhantes o suficiente para que os astrónomos possam detectar a sua presença – mesmo quando residem noutras galáxias. Quando os seus núcleos entram em colapso, provocando super-novas, os astrónomos acreditam que podem criar longas explosões de raios gama, às vezes detectadas vindas do espaço profundo.

Num artigo publicado a 19 de Novembro na revista Nature Astronomy, investigadores relatam que a Apep é uma boa candidata para este tipo de explosão, tornando-se o primeiro sistema estelar do género descoberto na Via Láctea.

Os longos cata-ventos resultam de ventos estelares que se afastam do sistema binário a cerca de 3.400 quilómetros por segundo. As estrelas Wolf-Rayet devem estar a girar extraordinariamente rápido para atirar toda a matéria – quase rápido o suficiente para se separar, segundo o estudo.

Explosões de raios gama podem explicar porque (ainda) não encontrámos extraterrestres

Há finalmente uma explicação científica para o facto de os humanos não terem encontrado até ao momento vida extraterrestre. Não, não…

1312: NASA detecta pela primeira vez explosão magnética no lado escuro da Terra

NASA
As quatro sondas do programa MMS voam em formação para dentro e para fora da nossa magnetosfera

A Missão Multiescala Magnetosférica (MMS), projecto espacial composto por 4 satélites que foram lançados pela NASA em 2015, detectou uma explosão magnética no lado nocturno da Terra nunca antes vista.

De acordo com o artigo publicado a 15 de Novembro na revista Science, a missão obteve imagens de alta resolução do lado nocturno do planeta Terra, uma nova perspectiva que fornece à NASA informações sobre o funcionamento da reconexão magnética, “um processo de conversão de energia que ocorre em muitos contextos astrofísicos, incluindo a magnetosfera da Terra”.

Esta é a primeira vez que cientistas observam este fenómeno no lado escuro da Terra. Estas poderosas explosões magnéticas ocorrem com um fluxo de partículas alinhadas simetricamente em forma de cauda – uma “versão mais calma” da actividade caótica registada no lado solar da magnetosfera da Terra.

“Isto é muito importante, porque quanto mais sabemos sobre estas reconexões, melhor nos podemos preparar para eventos externos que que podem acontecer a partir deste fenómeno, em torno da Terra ou em qualquer ponto do Universo”, explica Roy Torbert, vice-investigador principal da missão MMS.

Os especialistas, que já tinham mapeado os detalhes desse fenómeno nesta parte da atmosfera em Outubro de 2015, agora viram-no, em forma de cometa, no lado nocturno da Terra, o que lhes dá uma nova visão do planeta, porque revela fluxos suaves de jactos de electrões de alta energia que se movem a uma velocidade de mais de 15 mil quilómetros por segundo.

A superfície da Terra encontra-se protegida da chuva constante de electrões e protões de alta velocidade que são libertados pelo Sol, através de um “guarda-chuva magnético“, cujo “tecido gira e ondula com energia enquanto arrasta as partículas para dentro dele “e, finalmente, voltam para o Espaço. Uma grande acumulação de partículas poderia “causar o caos de redes e sistemas eléctricos“.

Lançada em 13 de Março de 2015, a MMS é uma missão não tripulada da NASA, composta por uma formação tetraédrica de satélites que visa reunir informações sobre a microfísica da reconexão magnética, a aceleração de partículas energéticas e a turbulência, bem como os processos que ocorrem nos plasmas astrofísicos.

Segundo os autores do estudo, saber que estes fenómenos ocorrem é uma coisa; mas observar um deles a acontecer, em alta resolução, ajuda-nos a redefinir a forma como compreendemos a sua génese – não apenas na atmosfera do nosso próprio planeta, como também em todo o Universo.

ZAP // RT / Science Alert / NASA

Por ZAP
20 Novembro, 2018

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997: ENCONTRADAS QUASE 500 EXPLOSÕES EM NÚCLEOS GALÁCTICOS

Impressão de artista de um evento de ruptura de marés que acontece quando uma estrela passa fatalmente perto de um buraco negro supermassivo, que reage lançando um jato relativista.
Crédito: Sophia Dagnello, NRAO/AUI/NSF, NASA, STScI

Além das mil milhões de estrelas da Via Láctea, o observatório espacial Gaia da ESA também observa objectos extra-galácticos. O seu sistema automatizado de alerta avisa os astrónomos sempre que é detectado um evento transitório. Uma equipa de astrónomos descobriu que, ao ajustar o sistema automatizado existente, a nave Gaia pode ser usada para detectar centenas de transientes peculiares nos centros de galáxias. Encontraram cerca de 480 transientes ao longo de um período de cerca de um ano. O seu novo método será implementado no sistema o mais rápido possível, permitindo que os astrónomos determinem a natureza desses eventos. Os resultados serão publicados na edição de Novembro da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Em 2013, a ESA lançou a sua nave Gaia para medir a localização de mil milhões de estrelas na nossa Galáxia e dezenas de milhões de galáxias. Cada posição no céu entra na visão da sonda uma vez por mês, num total de aproximadamente setenta vezes durante a missão. Isto permite que a espaço-nave identifique eventos transitórios, como buracos negros supermassivos que rasgam estrelas ou estrelas que explodem como super-novas. O observatório Gaia nota uma diferença no brilho quando volta à mesma zona do céu um mês depois. Uma equipa de astrónomos do Instituto SRON para Pesquisas Espaciais da Holanda, da Universidade de Radboud e da Universidade de Cambridge encontrou agora quase quinhentos transientes ocorrendo nos centros de galáxias ao longo de um ano.

Os astrónomos Zuzanna Kostrzewa-Rutkowska, Peter Jonker, Simon Hodgkin e outros procuraram na base de dados do Gaia eventos transitórios em torno dos núcleos de galáxias entre Julho de 2016 e Junho de 2017. Usaram um catálogo de galáxias – a versão 12 do SDSS (Sloan Digitized Sky Survey) – e uma ferramenta matemática personalizada. A nova ferramenta permite que os investigadores identifiquem eventos luminosos e raros oriundos dos centros galácticos. Identificaram 480 eventos, dos quais apenas cinco foram captados antes pelo sistema de alerta.

Alertar rapidamente a comunidade astronómica é fundamental para muitos dos eventos descobertos. Para cerca de cem destes eventos, nada fora do comum foi observado pelo observatório Gaia no mês anterior e no mês após a detecção, indicando que o evento que levou à emissão de luz foi curto. “Estes eventos têm um grande valor porque permitem que os astrónomos estudem por um breve período buracos negros supermassivos anteriormente invisíveis,” explica Jonker. “Especialmente os eventos de curta duração, que podem indicar a localização dos até agora elusivos buracos negros de massa intermédia que destroem as estrelas.”

A explicação principal para a maioria dos eventos é que os buracos negros supermassivos que residem nos núcleos das galáxias tornam-se repentinamente muito mais activos à medida que a quantidade de gás que cai para o buraco negro aumenta e ilumina o ambiente próximo do buraco negro. Este novo combustível pode ser extraído de uma estrela rasgada pela enorme atracção gravitacional do buraco negro.

Peter Jonker, com Zuzanna Kostrzewa-Rutkowska e outros do seu grupo, iniciaram recentemente uma campanha para decifrar a natureza dos 480 novos transientes usando o Telescópio William Herschel situado em La Palma, Ilhas Canárias.

Astronomia On-line
11 de Setembro de 2018

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313: Astrónomo amador assistiu por acaso à explosão de uma estrela

Um astrónomo amador argentino assistiu ao que nenhum profissional alguma vez conseguiu: uma supernova, o momento inicial da explosão de uma estrela super-massiva em fim de vida, numa constelação a 70 milhões de anos-luz.

Víctor Buso estava a testar a sua nova câmara montada no telescópio quando lhe saiu a “lotaria cósmica” – há 1 hipótese em 100 milhões de se conseguir ver a luz inicial emitida por uma supernova.

Na noite de 20 de Setembro de 2016, no seu “Observatorio Buso”, como chama ao terraço da sua casa em Rosário, Argentina, Victor Buso apontou o telescópio para a galáxia NGC 613 – galáxia em espiral a 70 milhões anos-luz na constelação Sculptor (Escultor).

E como a câmara era nova, decidiu logo examinar as imagens à medida que eram tiradas para ver se funcionava bem. Por isso reparou logo num ponto de luz nas imediações de NGC 613, que antes não estava lá. Um ponto que estava cada vez mais brilhante. Era uma estrela que vivia os seus últimos momentos numa explosão cataclísmica.

Fenómeno raro e imprevisível

As imagens de Víctor Buso são as primeiras alguma vez captadas daquele breve momento: quando uma onda de energia se liberta do interior de uma estrela na explosão.

Os modelos informáticos já tinham simulado esta fase da supernova, mas nenhum ser humano tinha alguma vez testemunhado.

Geralmente os astrónomos detectam a supernova quando já aconteceu há uns dias, nunca no seu início como aconteceu a Buso.

© UC-Santa Cruz/Las Campanas Observatory Astrónomo amador assistiu por acaso à explosão de uma estrela

A astrónoma Melina Bersten e a sua equipa do Instituto de Astrofísica de La Plata souberam da sorte de Buso, a palavra espalhou-se e um “batalhão” de astrónomos e físicos apontou os seus telescópios para o fenómeno. Alguns conseguiram ver a explosão durante mais de dois meses.

Segundo o estudo agora publicado na Nature, os novos dados recolhidos permitem compreender melhor a estrutura de uma estrela mesmo antes do seu desaparecimento na explosão. Por exemplo, conseguiram avaliar que a massa inicial da estrela era 20 vezes maior que a massa do Sol.

MSN Notícias
22/02/2018

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253: Cientistas criam explosões de raios gama em laboratório pela primeira vez

ESO/A. Roquette

Investigadores de uma equipa internacional conseguiram recriar uma “mini versão” de uma explosão de raios gama em laboratório, abrindo novas vias para investigar as suas propriedades.

Explosões de raios gama são os eventos mais brilhantes já observados no universo, mas só duram alguns segundos ou minutos. Apesar da sua intensidade, os cientistas não sabem exactamente o que causa essas rajadas. Há até quem acredite que algumas dessas explosões podem ser mensagens enviadas por civilizações alienígenas avançadas.

Uma teoria bem aceite para uma das origens dos poderosos raios gama, no entanto, é que são emitidos com outras partículas libertadas por objectos astrofísicos maciços, como buracos negros.

Esta é a hipótese: quando activos, os buracos negros lançam determinados jactos. Esses jactos são principalmente compostos por electrões e “antimatéria”, os positrões. Esses jactos possuem campos magnéticos fortes auto-gerados. A rotação das partículas à volta desses campos produz potentes explosões de raios gama.

Isso torna as explosões de raios gama extremamente interessantes para os astrofísicos, uma vez que podem revelar propriedades-chave dos objectos dos quais se originam. Infelizmente, estudar essas explosões não é fácil precisamente porque não é fácil estudar buracos negros.

Não só as explosões são muito rápidas, como também são originadas em galáxias distantes, às vezes até a milhares de milhões de anos-luz da Terra. Logo, recriar essa radiação em laboratório é uma alternativa muito mais atractiva.

Um grupo que incluiu o cientista Gianluca Sarri, da Queen’s University Belfast, na Irlanda do Norte, além de colaboradores dos EUA, França, Reino Unido e Suécia, recentemente conseguiu criar a primeira réplica em pequena escala do fenómeno, usando um dos lasers mais intensos da Terra, o laser Gemini, hospedado no Laboratório Rutherford Appleton, no Reino Unido.

Um feixe desse laser é o equivalente a toda a energia solar que atinge a Terra condensada em alguns micrómetros (o equivalente à espessura de um cabelo humano). Atirando este laser num alvo complexo, os investigadores fizeram cópias ultra-rápidas e densas de jactos de raios gama, observando como se comportam.

A equipa viu, pela primeira vez, alguns dos fenómenos-chave que desempenham um papel importante na geração de rajadas de raios gama, como a auto-geração de campos magnéticos que duraram muito tempo.

Isso confirmou algumas das principais previsões teóricas da força e distribuição desses campos. Em suma, a experiência verificou a eficácia de modelos actualmente utilizados para entender explosões de raios gama.

A ideia da pesquisa é que entender como as explosões de raios gama se formam vai permitir saber muito mais sobre os buracos negros e assim abrir uma grande janela para compreender como o nosso universo nasceu e como irá evoluir.

Além disso, como um efeito colateral interessante, há a possibilidade de distinguir essas explosões de potenciais sinais criados de outra maneira.

O SETI procura mensagens de civilizações alienígenas e tenta capturar sinais electromagnéticos vindos do espaço que não podem ser explicados naturalmente. Embora se concentrem principalmente em ondas de rádio, as rajadas de raios gama também estão associadas a essa radiação.

Para isolarmos transmissões inteligentes, é necessário garantir que todas as emissões naturais sejam perfeitamente conhecidas para que possam ser excluídas. Esse estudo ajuda a compreender as emissões de buracos negros de modo que, sempre que detectamos algo semelhante, sabemos que não está a vir de uma civilização alienígena.

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica Physical Review Letters.

ZAP // HypeScience

Por ZAP
19 Janeiro, 2018

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