1752: A Terra é plana? Eles preparam expedição à Antárctida para o provar

Para os críticos da ciência dominante, basta que o percurso ao longo da costa do continente gelado do Pólo Sul leve mais de cem quilómetros para ficar “irrefutavelmente” demonstrado que têm razão.

Os defensores da teoria de que a Terra é plana, cujos números têm vindo a aumentar nos últimos meses muito devido a um vídeo no Youtube, decidiram subir a parada: de acordo com um artigo publicado na revista Forbes, este movimento pretende organizar uma expedição à Antárctida para “provar” as suas convicções: “Tudo o que temos de fazer para acabar com este debate de uma vez por todas é cobrir a distância ao longo da costa da Antárctida”, defendeu àquela revista Jay Decasby, modelo, membro proeminente do Movimento da Terra Plana e defensor de outras teorias, com os alegados super-poderes do ser humano que as autoridades não querem que conheçamos.

Veja aqui o vídeo que alimenta a teoria de que a Terra é plana:

E que provas definitivas procuram encontrar no destino? Não é a redoma gigante em que dizem estarem envolvidas a Terra e todo o sistema solar – termo do qual discordariam, visto classificarem de “adoradores do Sol” os defensores do heliocentrismo. Nem sequer um enorme muro de gelo, ao estilo Guerra dos Tronos, de onde poderá emergir a qualquer momento um exército de mortos-vivos.

Para Decasby, basta que o percurso ao longo da costa se prolongue por mais de 60 milhas (cerca de cem quilómetros) para ficar “irrefutavelmente” demonstrado que a Terra é plana. Isto porque, de acordo com a “ciência” do movimento, numa Terra redonda “a costa da Antárctida não tem mais do que 16, 5 milhas (26,5 quilómetros).

Ou seja: desde que lá consigam chegar, da perspectiva deste movimento, a teoria estará vingada.

O problema, antecipa Decasby, é que seguramente entrarão em acção forças ocultas dispostas a bloquear o progresso da ciência.”Já foi feito por exploradores anteriores (antes das as Nações Unidas terem sido estabelecidas e terem criado o Tratado da Antárctida que essencialmente tornou ilegal a exploração independente e privada da Antárctida), que conseguiram fazer mais de 60 milhas, o que irrefutavelmente prova o modelo da terra plana, mas tal como todas as outras montanhas de evidência, isso não é suficiente para os “redondos” de hoje”, antecipou.

O facto de, em 2018, Colin O’ Brady se ter tornado na primeira pessoa a fazer a travessia a solo da Antárctida, numa expedição de 932 milhas (quase 1500 quilómetros), cobertas ao longo de 54 dias, em nada abala a convicção de Decasby, para quem não existem quaisquer provas de que o aventureiro tenha feito mais do que “tirar muitas selfies” na neve.

O’Brady, contactado pela Forbes, lembrou que divulgou diariamente, através do seu site, as coordenadas de GPS relativas à posição em que se encontrava.

Diário de Notícias
22 Março 2019 — 14:14

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1491: Encontrada vida nas profundezas do manto de gelo da Antárctida

Vista do buraco a cerca de 1.070 metros abaixo do gelo, acima da superfície do lago subglacial na Antártida

As águas escuras de um lago nas profundezas do manto de gelo da Antárctida e a algumas centenas de quilómetros do Polo Sul estão cheias de vida bacteriana.

A descoberta tem implicações para a busca de vida noutros planetas – em particular no planeta Marte, onde os sinais de um lago enterrado de água salgada líquida foram vistos em dados reportados no ano passado pela agência espacial europeia que orbitava a nave Mars Express.

O líder da expedição John Priscu, professor de ecologia polar na Universidade de Montana, disse que os primeiros estudos de amostras de água retiradas do Lago Mercer – que está enterrado sob o gelo – mostraram que continham aproximadamente dez mil células bacterianas por mililitro.

Isto é apenas cerca de 1% de um milhão de células microbianas por mililitro normalmente encontradas no oceano aberto, mas um nível muito alto para um corpo de água sem sol enterrado nas profundezas da Antárctida.

Priscu disse que os altos níveis de vida bacteriana no lago escuro e profundamente enterrado eram sinais de que poderia suportar formas de vida mais elevadas, como animais microscópicos.

“Vimos muitas bactérias – e o sistema do lago tem matéria orgânica suficiente para suportar formas de vida maiores”, disse, “Nós realmente vamos procurar organismos maiores, como animais. Mas isto não será feito por mais alguns meses.”

A abundância de vida bacteriana no Lago Mercer complementa a descoberta de altos níveis de vida bacteriana no lago Whillans da Antárctida em 2013 – uma expedição que também foi liderada por Priscu.

Os cientistas teorizam que as bactérias no Lago Whillans – e possivelmente no Lago Mercer – estão a sobreviver de depósitos de carbono depositados por organismos fotos-sintetizantes entre cinco mil e dez mil anos atrás, quando os lagos enterrados podem ter estado ligados ao mar aberto.

O lago enterrado cobre uma área de cerca de 139 quilómetros quadrados sob a camada de gelo. A equipa de expedição usou brocas e água quente para abrir um poço do seu acampamento na superfície congelada até ao lago de água líquida.

Priscu disse que a equipa perfurou cerca de 1.068 metros de gelo, e a água tinha 30ºC de temperatura para que os investigadores pudessem recolher amostras de água e sedimentos do lago. O furo no gelo foi mantido aberto por cerca de dez dias.

(dr) Billy Collins/ SALSA
Operações de perfuração na Antárctida

A expedição retornou à Estação McMurdo na semana passada com mais de 60 litros de água do lago enterrado e um núcleo de sedimentos que media mais de cinco metros de comprimento – o núcleo de sedimentos mais profundo já capturado sob o gelo da Antárctida Ocidental.

Priscu espera que os estudos laboratoriais dos núcleos de sedimentos ajudem os cientistas a aprender mais sobre a actividade da camada de gelo da Antárctida Ocidental nas últimas dezenas de milhares de anos.

A equipa também enviou um veículo submarino operado remotamente e especializado para as águas escuras do lago subterrâneo, além de várias câmaras.

Priscu acredita que os mais de 400 lagos de água líquida enterrados em todo o continente congelado da Antárctida formam um ecossistema único de água líquida sob a espessa camada de gelo e as rochas congeladas da crosta continental antárctica.

“Aqui existe 70% da água doce do mundo – não faz sentido que não exista vida“, disse Priscu. O investigador também acha que qualquer vida abaixo da superfície congelada do planeta Marte pode seguir os padrões vistos nos lagos sub-glaciais da Antárctida.

Futuras expedições aos lagos de água líquida enterrados da Antárctida provavelmente concentrar-se-ão nos maiores corpos de água líquida enterrada – como o Lago Vostok, no leste da Antárctica.

ZAP // LiveScience

Por ZAP
18 Janeiro, 2019

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