1869: TESS descobre o seu primeiro planeta do tamanho da Terra

Impressão de artista de HD 21749c, o primeiro planeta do tamanho da Terra descoberto pelo TESS da NASA, bem como o seu irmão, HD 21749b, um sub-Neptuno quente.
Crédito: Robin Dienel, cortesia do Instituto Carnegie para Ciência

O satélite TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA descobriu o seu primeiro exoplaneta do tamanho da Terra. Com o nome HD 21749c, é o mundo mais pequeno para lá do nosso Sistema Solar já identificado pela missão TESS.

Num artigo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters, uma equipa de astrónomos liderada pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology) relata que o novo planeta orbita a estrela HD 21749 – uma estrela muito próxima, a apenas 52 anos-luz da Terra. A estrela também hospeda um segundo planeta – HD 21749b – um “sub-Neptuno” quente com uma órbita mais longa de 36 dias, que a equipa relatou anteriormente e agora divulga em mais detalhe no presente artigo científico.

O novo planeta do tamanho da Terra é provavelmente um mundo rochoso, porém inabitável, pois orbita a sua estrela em apenas 7,8 dias – uma órbita relativamente íntima que daria ao planeta temperaturas superficiais na ordem dos 427º C.

A descoberta deste mundo do tamanho da Terra, no entanto, é excitante, pois demonstra a capacidade do TESS em encontrar planetas pequenos em redor de estrelas próximas. No futuro próximo, a equipa do TESS espera que o satélite revele planetas ainda mais frios, com condições mais adequadas para albergar vida.

“Para as estrelas que estão muito próximas e que são muito brilhantes, esperávamos encontrar até duas dúzias de planetas do tamanho da Terra,” diz Diana Dragomir, autora principal e membro do TESS, pós-doc no Instituto Kavli de Astrofísica e Pesquisa Espacial do MIT. “E aqui estamos – este seria o nosso primeiro e é um marco para o TESS. Define o caminho para encontrar planetas mais pequenos em torno de estrelas ainda mais pequenas, e esses planetas podem ser, potencialmente, habitáveis.”

O TESS caça planetas para lá do nosso Sistema Solar desde o seu lançamento a 18 de Abril de 2018. O satélite foi projectado para observar quase todo o céu em sectores que se sobrepõem mês a mês enquanto orbita a Terra. À medida que circula o nosso próprio planeta, o TESS concentra as suas quatro câmaras no céu a fim de monitorizar as estrelas mais próximas e brilhantes, procurando quedas periódicas na luz estelar que possam indicar a presença de um exoplaneta enquanto este passa em frente da sua estrela hospedeira.

Ao longo da sua missão de dois anos, o TESS visa identificar, para a comunidade científica, pelo menos 50 planetas pequenos e rochosos, juntamente com estimativas das suas massas. Até à data, a missão descobriu 10 planetas mais pequenos que Neptuno, quatro dos quais tiveram a sua massa estimada, incluindo π Men b, um planeta com o dobro da tamanho da Terra e com uma órbita de seis dias em torno da sua estrela; LHS 3844b, um mundo quente e rochoso ligeiramente maior que a Terra e que orbita a sua estrela-mãe em apenas 11 horas; e TOI 125b e c – dois “sub-Neptunos” que orbitam a mesma estrela, ambos com um período de translação de aproximadamente uma semana. Todos estes quatro planetas foram identificados a partir de dados obtidos durante os dois primeiros sectores de observação do TESS – uma boa indicação, escreve a equipa no seu artigo, de que “podem ser encontrados muitos mais.”

Dragomir seleccionou este recém-descoberto planeta do tamanho da Terra a partir dos primeiros quatro sectores de observações do TESS. Quando ficaram disponíveis, sob a forma de curvas de luz, ou intensidades da luz estelar, colocou-os num software que procura sinais periódicos interessantes. O software identificou pela primeira vez um possível trânsito que a equipa posteriormente confirmou como o quente sub-Neptuno que anunciaram no início deste ano.

Como é normalmente o caso para planetas pequenos, onde há um, é provável que existam mais, e Dragomir e colegas decidiram vasculhar novamente as mesmas observações para ver se conseguiam localizar outros mundos pequenos escondidos nos dados.

“Sabemos que estes planetas geralmente vêm em famílias,” explica Dragomir. “De modo que estudámos os dados novamente e este sinal pequeno ‘veio ao de cima’.”

A equipa identificou uma pequena queda na luz de HD 21749 que ocorria a cada 7,8 dias. Por fim, os investigadores identificaram 11 destes mergulhos periódicos, ou trânsitos, e determinaram que a luz da estrela estava a ser momentaneamente bloqueada por um planeta do tamanho da Terra.

Embora este seja o primeiro planeta do tamanho da Terra descoberto pelo TESS, já foram descobertos exoplanetas de tamanho idêntico, principalmente pelo Telescópio Espacial Kepler da NASA, um telescópio já reformado que monitorizou mais de 530.000 estrelas. No final, a missão Kepler detectou 2662 planetas, muitos dos quais eram do tamanho da Terra, e um punhado desses encontram-se na zona habitável da sua estrela – onde um equilíbrio de condições favorece a presença de vida.

No entanto, o Kepler observou estrelas muito mais distantes do que aquelas monitorizadas pelo TESS. Portanto, Dragomir diz que o acompanhamento de qualquer um dos longínquos planetas do Kepler, do tamanho da Terra, será muito mais complexo do que o estudo de planetas em órbita de estrelas muito mais próximas e brilhantes, que o TESS está a estudar.

“Dado que o TESS monitoriza estrelas muito mais próximas e brilhantes, podemos medir a massa deste planeta num futuro muito próximo, enquanto que para planetas do tamanho da Terra descobertos pelo Kepler, isso estava fora de questão,” acrescenta Dragomir. “Esta nova descoberta pelo TESS pode levar à primeira medição da massa de um planeta do tamanho da Terra. E estamos entusiasmados com esse valor. Será um valor parecido com o da Terra? Ou mais pesado? Não sabemos.”

Astronomia On-line
19 de Abril de 2019

 

1865: A vida pode estar a evoluir nos exoplanetas mais próximos

(CC0/PD) Buddy_Nath / Pixabay

Quatro dos mundos mais próximos do nosso Sistema Solar podem reunir condições para abrigar vida, sugere um grupo de cientistas que estuda a habitabilidade em planetas semelhantes à Terra.

Astrofísicos da universidade norte americana de Cornell acreditam ser possível descobrir vida nos planetas rochosos que orbitam a zona potencialmente habitável de anãs vermelhas próximas, apesar dos seus elevados níveis de exposição radioactiva.

De acordo com um novo estudo, cujos resultados foram publicados na semana passada no Monthly Notices, da Royal Astronomical Society, os cientistas concluíram que a vida terrestre evoluiu a partir de criaturas que suportaram níveis de radiação ultravioleta mais fortes do que aqueles a que os exoplanetas em causa estão expostos.

A partir de uma simulação sobre as condições de radiação ultravioleta que assolam estes exoplanetas, os cientistas determinaram que a exposição que sofrem é significativamente do que aquela que atingia a Terra há 3,9 mil milhões de anos.

Por isso, sustentam, a radiação ultravioleta não pode ser vista como um factor de exclusão na procura de planetas que podem potencialmente abrigar vida. “Os mundos mais próximos continuam a ser alvos atraentes para a procura de vida fora do nosso Sistema Solar”, pode ler-se na publicação.

Para a investigação, a equipa teve em conta quatro exoplanetas: Próxima b (o exoplaneta mais próximo da Terra – 4,2 anos-luz do nosso planeta, na constelação de Centaurus), o Ross-128b (10,89 aos-luz, na constelação de Virgo), o TRAPPIST-1e (39,6 anos-luz luz, na constelação de Aquarius) e ainda o  LHS-1140b (40 anos-luz, na constelação de Cetus).

Segundo os dados da equipa, o exoplaneta mais próximo da Terra recebe um nível de radiação ultravioleta 250 vezes maior do que o que temos hoje em dia na Terra. Por isso mesmo, os cientistas questionam: se a vida terrestre sobreviveu a níveis mais altos no passado, por que não pode a vida evoluir nestes exoplanetas?

A equipa frisa ainda que nem todos  os comprimentos de onda dos raios ultravioletas são igualmente prejudiciais, e que os níveis de ozono também são um factor importante a ter em conta quando se estuda a habitabilidade de um planeta.

ZAP //

Por ZAP
19 Abril, 2019

 

1852: O exoplaneta mais próximo da Terra parece ter um mundo vizinho

M. Kornmesser / European Southern Observatory
Conceito artístico do planeta Próxima b em órbita da sua estrela, Próxima Centauri

O exoplaneta mais próximo da Terra pode ter um vizinho. Uma equipa de astrónomos detectou um planeta candidato a orbitar a estrela Próxima Centauri, localizada a apenas 4,2 anos-luz do Sistema Solar e que abriga o mundo mais próximo da Terra, o Próxima b.

“É apenas um candidato. É muito importante sublinhar”, disse Mario Damasso, da Universidade de Turim, em Itália, durante uma apresentação na conferência Breakthrough Disc na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, citado pela agência Europa Press.

Damasso e a sua equipa analisaram as observações de Próxima Centauri captadas pelo HARPS (High Precision Radial Velocity Planet Searcher), instrumento que foi instalado num telescópio do Observatório La Silla do European Southern Observatory (ESO), no Chile, que acompanha e regista os pequenos movimentos estelares induzidos pela atracção gravitacional dos planetas em órbita.

Os dados deste instrumento ajudaram a descobrir o exoplaneta Próxima b (o mais próximo do Sistema Solar), entre muitos outros mundos extra-solares.

O Próxima b orbita a zona habitável da anã vermelha Próxima Centauri a uma distância orbital onde pode existir água líquida na superfície de um planeta. Contudo, não é ainda certo que o exoplaneta possa abrigar vida como a Terra. Tal como os cientistas explicam, é provável que o exoplaneta esteja bloqueado pela sua estrela, tendo, por isso um lado escaldante e um outro lado nocturno gelado. Além disso, as explosões na sua estrela podem ter-lhe retiro a sua atmosfera há muito tempo.

A discussão sobre a habitabilidade não será, à partida, arrastada para a confirmação do novo planeta (o potencial Próxima c), caso esta venha a acontecer. O mundo “vizinho” tem uma massa mínima aproximada de cerca de seis vezes a da Terra e orbita a 1,5 unidades astronómicas da Próxima Centauri e, por isso, será provavelmente muito frio.

Tal como relata o portal Space.com, esta distância orbital também faz com que seja mais difícil detectar o Próxima c, uma vez que a atracção do planeta na estrela é muito fraca.

A equipa acredita na detecção do novo planeta, mas sublinha que os dados são ainda preliminares. Além disso, o documento foi enviado para a revisão de pares e posterior publicação, não tendo, até ao momento, sido aceite para publicação.

Os cientistas disseram que a confirmação pode ser feita através de observações adicionais do HARPS, instrumentos semelhantes ou até pela medições feitas pela missão espacial europeia Gaia que produz mapas estelares. Se o Próxima c for realmente verdadeiro, o Gaia poderá ser capaz de o detectar. 

E se o planeta for real, múltiplas oportunidades se poderão abrir: os telescópios espaciais poderão, muito em breve, fotografar este mundo exótico. “Potencialmente, este é um laboratório espectacular para imagens directas”, disse Del Sordo, que participou na investigação e na apresentação dos seus resultados.

ZAP //

Por ZAP
16 Abril, 2019

 

1780: Instrumento GRAVITY abre novos caminhos na obtenção de imagens de exoplanetas

O instrumento GRAVITY montado no VLTI (Interferómetro do Very Large Telescope) do ESO obteve a sua primeira observação directa de um exoplaneta, utilizando interferometria óptica. Este método revelou uma atmosfera exoplanetária complexa com nuvens de ferro e silicatos no seio de uma tempestade que engloba todo o planeta. Esta técnica apresenta possibilidades únicas para caracterizar muitos dos exoplanetas que se conhecem actualmente. Esta imagem artística mostra o exoplaneta observado, HR 8799e.
Crédito: ESO/L. Calçada

O instrumento GRAVITY montado no VLTI (Interferómetro do Very Large Telescope) do ESO obteve a sua primeira observação directa de um exoplaneta, utilizando interferometria óptica. Este método revelou uma atmosfera exoplanetária complexa com nuvens de ferro e silicatos no seio de uma tempestade que engloba todo o planeta. Esta técnica apresenta possibilidades únicas para caracterizar muitos dos exoplanetas que se conhecem actualmente.

Este resultado foi anunciado numa carta à revista Astronomy & Astrophysics pela Colaboração GRAVITY, na qual foram apresentadas observações do exoplaneta HR 8799e usando interferometria óptica. Este exoplaneta foi descoberto em 2010 em órbita de uma estrela jovem de sequência principal, HR 8799, situada a cerca de 129 anos-luz de distância da Terra na constelação de Pégaso.

Os resultados, que revelam novas características de HR 8799e, necessitaram de um instrumento de muito alta resolução e sensibilidade. O GRAVITY pode usar os quatro Telescópios Principais do VLT do ESO em uníssono como se de um único telescópio enorme se tratassem, utilizando uma técnica conhecida por interferometria. Este super-telescópio — o VLTI — recolhe e separa de forma precisa a radiação emitida pela atmosfera de HR 8799e e a radiação emitida pela sua estrela progenitora.

HR 8799e é um exoplaneta do tipo “super-Júpiter”, um mundo diferente de qualquer um dos planetas existentes no Sistema Solar, já que é mais massivo e muito mais jovem do que qualquer dos planetas que orbita o nosso Sol. Com apenas 30 milhões de anos, este exoplaneta bebé é suficientemente jovem para dar aos astrónomos pistas sobre a formação de planetas e sistemas planetários. O exoplaneta é completamente inóspito — a energia que restou da sua formação e um forte efeito de estufa fazem com que HR 8799e apresente uma temperatura de cerca de 1000º C à sua superfície.

Esta é a primeira vez que interferometria óptica é utilizada para revelar detalhes sobre um exoplaneta e a nova técnica deu-nos um espectro extremamente detalhado com uma qualidade sem precedentes — dez vezes mais detalhado do que observações anteriores. As medições levadas a cabo pela equipa revelaram a composição da atmosfera de HR 8799e — a qual contém algumas surpresas.

“A nossa análise mostrou que HR 8799e tem uma atmosfera que contém muito mais monóxido de carbono do que metano — algo que não se espera do equilíbrio químico,” explica o líder da equipa Sylvestre Lacour, investigador do CNRS no Observatório de Paris – PSL e no Instituto Max Planck de Física Extraterrestre. “A melhor maneira de explicar este resultado surpreendente é com elevados ventos verticais no seio da atmosfera, os quais impedem o monóxido de carbono de reagir com o hidrogénio para formar metano.”

A equipa descobriu que a atmosfera contém igualmente nuvens de poeira de ferro e silicatos. Quando combinado com o excesso de monóxido de carbono, este facto sugere-nos que a atmosfera de HR 8799e esteja a sofrer os efeitos de uma enorme e violenta tempestade.

“As nossas observações sugerem uma bola de gás iluminada do interior, com raios de luz quente em movimento nas nuvens escuras tempestuosas,” explica Lacour. “A convecção faz movimentar as nuvens de partículas de ferro e silicatos, que se desagregam provocando chuva no interior. Este cenário mostra-nos uma atmosfera dinâmica num exoplaneta gigante acabado de formar, onde ocorrem processos físicos e químicos altamente complexos.”

Este resultado junta-se ao já impressionante conjunto de descobertas feitas com o auxílio do GRAVITY, as quais incluem a observação do ano passado de gás a espiralar com uma velocidade de 30% da velocidade da luz na região logo a seguir ao horizonte de eventos do buraco negro super-massivo que se situa no Centro Galáctico. Este novo resultado acrescenta mais uma maneira de observar exoplanetas ao já extenso arsenal de métodos disponíveis aos telescópios e instrumentos do ESO — abrindo caminho a muitas outras descobertas impressionantes.

Astronomia On-line
29 de Março de 2019

 

1681: Cientistas explicam por que são alguns exoplanetas estranhamente inclinados

NASA/JPL-Caltech, Sarah Millholland

À medida que novos exoplanetas vão sendo descobertos, o mistério adensa-se: Por que são alguns destes planetas estranhamente inclinados? Esta é a pergunta que há anos tira o sono aos cientistas, mas que pode ser respondida com uma nova investigação agora divulgada.

Durante quase uma década, os astrónomos tentaram explicar por que tantos pares de planetas fora do Sistema Solar têm uma configuração estranha: as suas órbitas parecem ter sido separadas por um poderoso mecanismo até então desconhecido.

Agora, uma nova investigação, levada a cabo por uma equipa de cientistas da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, pode ter encontrado uma justificação possível que está relacionada com a acentuada inclinação dos pólos destes planetas.

A descoberta, cujos resultados foram esta semana publicados na revista especializada Nature Astronomy, pode ter um impacto importante na forma como os cientistas estimam a estrutura, o clima e a habitabilidade dos exoplanetas quando tentam identificar planetas semelhantes à Terra.

A missão da NASA Kepler revelou que cerca 30% das estrelas são semelhantes às nossas “super-Terras” do Sol. Os seus tamanhos variam entre a dimensão da Terra e de Neptuno, tendo estes planetas órbitas quase circulares e complanares e demorando menos de 100 dias para dar uma volta à sua estrela.

Curiosamente, grande parte destes planetas existe aos pares com órbitas que estão fora dos pontos naturais de estabilidade. E é precisamente aqui que entra a obliquidade, o grau de inclinação entre o eixo de uma planeta e a sua órbita, tal como explicaram os astrónomos daquela universidade Sarah Millholland e Gregory Laughlin.

“Quando planetas como estes têm grandes inclinações axiais, em vez de pouca ou nenhuma inclinação, as suas marés são extremamente eficientes para drenar a energia orbital em direcção ao calor nos planetas”, explicou Millholland, autora principal do estudo em comunicado, acrescentando que a “dissipação vigorosa das marés empurra as órbitas”.

Uma situação semelhante ocorre entre a Terra e a sua Lua. A órbita lunar está a crescer lentamente devido à dissipação das marés, mas os dias na Terra estão gradualmente a alongar-se. Tendo isto em mente, Laughlin afirma que há uma conexão directa entre a inclinação excessiva destes exoplanetas e as suas características físicas.

“[A inclinação] afecta várias das suas características físicas, como o clima, o tempo e a circulação global”, observa Laughlin, dando conta que “as estações de um planeta com grande inclinação axial são muito mais extremas das que são observadas num planeta bem alinhado, onde os padrões climáticos são provavelmente triviais”.

A equipa vai continuar a trabalhar, examinando como é que as estruturas destes exoplanetas respondem a grandes a grandes obliquidades a longo do tempo.

ZAP //

Por ZAP
8 Março, 2019

 

1667: Está confirmado o primeiro exoplaneta… 10 anos depois e com a ajuda de um português

Investigador português integra a equipa que validou a existência do gigante gasoso Kepler 1658 b, encontrado a 2545 anos-luz da Terra, de onde há uma década foi lançado o satélite Kepler que até então tem detectado milhares de candidatos a exoplanetas

© D.R. Expresso

O gigante gasoso Kepler-1658 b, descrito como “Júpiter quente”, foi o primeiro planeta fora do Sistema Solar a ser identificado pelo telescópio da NASA. Desde então, somaram-se, em catadupa, muitos outros, mas a validação como exoplanetas é um processo moroso. A confirmação da existência do corpo celeste, situado a 2545 anos-luz, chega uma década depois de ter sido detectado, num processo de validação no qual esteve envolvido Tiago Campante, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço.

“A confirmação da natureza planetária de Kepler- 1658 b, dez anos após o lançamento do satélite Kepler, é um exemplo de como não é de todo trivial a validação de novos exoplanetas, especificamente aqueles que são detectados pelo método dos trânsitos”, afirma o astrofísico português.

© Expresso O astrofísico Tiago Campante fez parte do processo de confirmação científica do exoplaneta

Desde o lançamento, o engenho da NASA já identificou milhares de candidatos a exoplanetas através da observação da passagem dos corpos celestes durante o movimento orbital, quando passam diante das estrelas. A validação científica requer, contudo, uma análise posterior mais pormenorizada, à semelhança do sucedido com Kepler-1658 b, o que levou a concluir que o planeta é mais massivo do que as previsões iniciais.

“O facto de a estrela ser três vezes maior do que originalmente se pensava significa que o seu planeta também é três vezes maior”, esclarece Tiago Campante, acrescentando tratar-se de um “Júpiter quente”, com um período orbital de 3,8 dias, com uma translação oito vezes mais reduzida do que Mercúrio, tornando-se num “caso raro”.

A revelação já foi aceite para publicação na revista “The Astronomical Journal”.

msn notícias
André Manuel Correia
05/03/2019

 

Planeta exilado ligado a “flyby” estelar há 3 milhões de anos

Simulação do “flyby” de uma estrela binária por um sistema planetário jovem. Astrónomos da UC Berkeley e de Stanford suspeitam que um “flyby” deste género alterou a órbita de um planeta (em azul) em redor da estrela HD 106906 para permanecer ligado ao sistema num órbita oblíqua parecida à do proposto Planeta Nove no nosso próprio Sistema Solar.
Crédito: Paul Kalas

Alguns dos aspectos peculiares do nosso Sistema Solar – uma nuvem envolvente de cometas, planetas anões em órbitas estranhas e, caso realmente exista, um possível Planeta Nove longe do Sol – foram ligados à aproximação de outra estrela na infância do nosso sistema que “desarrumou” as coisas.

Mas será que os “flybys” estelares são realmente capazes de expelir planetas, cometas e asteróides, remodelando sistemas planetários inteiros?

Astrónomos da Universidade da Califórnia em Berkeley e da Universidade de Stanford pensam que encontraram agora uma arma fumegante.

Um planeta em órbita de um jovem sistema binário pode ter sido perturbado por outro par de estrelas que passou demasiado perto do sistema há 2-3 milhões de anos, logo após o planeta se formar a partir de um disco giratório de poeira e gás.

Se confirmado, isto reforça os argumentos de que os “raspões” estelares ajudam a esculpir sistemas planetários e podem determinar se abrigam ou não planetas com órbitas estáveis.

“Um dos mistérios decorrentes do estudo de exoplanetas é que vemos sistemas onde os planetas estão desalinhados, mesmo que nasçam num disco circular e achatado,” disse Paula Kalas, professor adjunto de astronomia da UC Berkeley. “Talvez um tsunami cósmico tenha atingido estes sistemas e reorganizado tudo, mas ainda não tínhamos provas. O nosso trabalho fornece uma rara evidência observacional de que um destes ‘flybys’ influenciou suavemente um dos sistemas planetários na Galáxia.”

Os astrónomos já estão à procura de uma passagem rasante estelar no passado do nosso Sistema Solar, mas dado que provavelmente ocorreu há 4,6 mil milhões de anos, a maior parte das evidências já desapareceram. O sistema estelar que os astrónomos estudaram, identificado pela designação HD 106906 e localizado a cerca de 300 anos-luz da Terra na direcção da constelação de Crux (Cruzeiro do Sul), é muito jovem e possui apenas mais ou menos 15 milhões de anos.

Kalas e Robert De Rosa, ex-pós-graduado da UC Berkeley que é agora investigador do Instituto Kavli para Astrofísica de Partículas e Cosmologia de Stanford, descrevem os seus achados num artigo aceite para publicação na revista The Astronomical Journal e que está disponível online.

Estrelas fugitivas

Kalas, que estuda sistemas planetários jovens e recém-formados a fim de tentar entender o que aconteceu nos primeiros anos do nosso próprio Sistema Solar, focou-se em HD 106906 originalmente em 2015 depois de aí se ter descoberto um planeta massivo numa órbita altamente invulgar. O planeta, com o nome HD 106906 b, tem 11 vezes a massa de Júpiter e orbita HD 106906 – que se descobriu recentemente ser uma estrela dupla – numa órbita inclinada 21 graus em relação ao plano do disco que contém todo o outro material em redor das estrelas. A sua distância actual até HD 106906 é equivalente a pelo menos 738 vezes a distância entre a Terra e o Sol, ou aproximadamente 18 vezes o equivalente à distância entre Plutão e o Sol.

Kalas usou o instrumento GPI (Gemini Planet Imager) acoplado ao Telescópio Gemini nos Andes Chilenos e o Telescópio Espacial Hubble para observar HD 106906 em mais detalhe e descobriu que a estrela binária tem também uma cintura cometária assimétrica. A estranha órbita do planeta e o facto de que o próprio disco de poeira é assimétrico indicam que algo perturbou o sistema jovem.

Kalas e seus colegas, incluindo De Rosa, propuseram que o planeta foi expulso do seu sistema por interacções com outro planeta ainda por descobrir no sistema ou por uma estrela passageira. Kalas e De Rosa agora acreditam que podem ter acontecido ambos os cenários: o planeta foi colocado numa órbita excêntrica quando passou perigosamente perto da estrela binária central, um cenário proposto em 2017 pela teórica Laetitia Rodet e colaboradores do Observatório de Grenoble, na França. Impulsos gravitacionais repetidos do binário teriam expulso o planeta para o espaço interestelar, mas as estrelas passageiras resgataram o planeta, empurrando a sua órbita para uma mais segura distância do binário.

O observatório espacial Gaia deu-lhes os dados que precisavam para testar a sua hipótese. O Gaia, lançado em 2012 pela ESA, recolhe medições precisas da distância, posição e movimento de 1,3 mil milhões de estrelas na Via Láctea, um catálogo 10.000 vezes maior do que o seu antecessor, Hipparcos.

Kalas e De Rosa reuniram informações do Gaia sobre 461 estrelas no mesmo enxame que HD 106906 e calcularam as suas posições anteriores no tempo – revertendo o relógio cósmico, por assim dizer – e descobriram que outro sistema binário pode ter passado perto o suficiente, há 3 milhões de anos atrás, para alterar o sistema planetário.

“O que fizemos foi encontrar as estrelas que podem ter dado a HD 106906 b um empurrão gravitacional extra, um segundo empurrão para que se tornasse de longa duração, como o hipotético Planeta Nove no nosso Sistema Solar,” disse Kalas.

Eles também descobriram que a estrela binária se aproximou com uma trajectória que estava a cerca de 5 graus do disco do sistema, tornando ainda mais provável que o encontro tivesse um impacto forte e duradouro em HD 106906.

Tais empurrões duplos podem ser importantes para estabilizar planetas, asteróides e cometas em redor das estrelas, explicou Kalas.

“O estudo do sistema planetário de HD 106906 é como voltar atrás no tempo para observar a nuvem de Oort a formar-se em redor do nosso jovem Sol,” realçou. “Os nossos próprios planetas gigantes ‘chutaram’ gravitacionalmente inúmeros cometas para grandes distâncias. Muitos foram expelidos completamente, tornando-se objectos interestelares como ‘Oumuamua, mas outros foram influenciados por estrelas que passavam perto. Esse segundo ‘pontapé’, devido a um ‘flyby’ estelar, pode separar a órbita de um cometa de quaisquer outros encontros com os planetas, salvando-o da perspectiva de expulsão. Esta cadeia de eventos preservou o material mais primitivo do Sistema Solar num congelamento profundo longe do Sol durante milhares de milhões de anos.”

Kalas espera que observações futuras, como as de um catálogo actualizado de medições do Gaia, esclareçam a importância do “flyby” por HD 106906.

“Começámos com 461 suspeitos e descobrimos dois que estavam no local do crime,” acrescentou. “O seu papel exacto será revelado quando recolhermos mais evidências.”

Astronomia On-line
5 de Março de 2019

 

1631: Descoberta “Terra quente” com uma órbita de 11 horas

GSFC / NASA
Ilustração do TESS em frente de um planeta de lava em órbita da sua estrela-mãe.

O caçador de exoplanetas TESS da agência espacial norte-americana descobriu uma “terra quente” de composição rochosa, a apenas 50 anos-luz de distância, que orbita a sua estrela anã em apenas onze horas.

Segundos os cientistas, que esta semana publicaram os resultados da nova descoberta na revista Astrophysical Journal, o planeta tem um raio correspondentes a cerca de 1,3 raios terrestres, o suficiente para manter uma atmosfera, mas o seu curto período orbital dá conta que está muito perto da sua estrela: a apenas sete raios estelares.

A temperatura superficial inferida é de cerca de 800 graus kelvin, bastante quente para reter uma atmosfera, embora seja possível, de acordo com dados obtidos pelo observatório espacial TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite).

Os Cientistas do CfA (Harvard Smithsonian Center for Atsrophysics) envolvidos na descoberta apontam, no entanto, que se o planeta tivesse sido formado num lugar próximo de onde se encontra agora, a sua atmosfera teria sido, muito provavelmente, removida quando a jovem estrela estivesse mais brilhante e tivesse uma actividade mais intensa.

De qualquer das formas, a proximidade do planeta oferece a oportunidade de caracterizar qualquer atmosfera que possa estar a usar espectros de trânsito e ocultação da fonte, e o resultado, interessante por si só, lança também luz sobre a formação do planeta, notam ainda os cientistas.

ZAP //

Por ZAP
25 Fevereiro, 2019

 

1490: A primeira exolua alguma vez descoberta vai ficar escondida durante a próxima década

NASA

Uma boa exolua é difícil de encontrar e provar que a primeira lua em torno de um exoplaneta realmente existe pode levar até uma década.

“Estamos a enfrentar alguns problemas difíceis em termos da confirmação da presença dessa coisa”, disse o astrónomo Alex Teachey, da Universidade de Columbia, numa reunião da American Astronomical Society a 10 de Janeiro.

Do tamanho de Neptuno e a orbitar um planeta semelhante a Júpiter, os telescópios da NASA, Kepler e Hubble, encontraram evidências do primeiro satélite natural fora do Sistema Solar – a primeira exolua. Apesar de os dados recolhidos não serem definitivos em Outubro, os investigadores esperavam voltar a observar o corpo para verificar ou rejeitar a hipótese da existência da primeira exolua.

Publicado a 3 de Outubro na revista Science Advances, a investigação conta que durante uma pesquisa a 300 exoplanetas, surgiu um gigante gasoso – Kepler-1625d – que mostrou características peculiares que apontaram para a presença de um objeto a oito mil anos-luz de distância, que o orbitava.

Caso se confirme as observações, a descoberta poderia fornecer importantes pistas sobre o desenvolvimento de sistemas planetários e poderia fazer com que os especialistas revejam as teorias de formação de luas em torno de planetas. Para verificar a hipótese formulada, a equipa pretendia voltar a utilizar o telescópio Hubble em maio, altura da passagem da exolua.

Porém, a equipa não usará o Hubble para estudar a lua novamente, depois de o comité que aloca o tempo de observação do Hubble ter negado tempo de pesquisa adicional durante a próxima janela de oportunidade em maio.

Apesar de decepcionante, Teachey diz que a decisão faz sentido. Sem saber precisamente quando e onde a lua aparecerá, a probabilidade de o telescópio produzir evidências mais conclusivas da existência da lua não é alta o suficiente.

Os investigadores não podem descartar que a evidência da lua não possa ser evidência de um segundo planeta. “Estamos a tentar ter muito cuidado em não chamar isto de descoberta”, disse Teachey.

Identificados mais de 100 planetas que podem ter luas com vida

Astrónomos dos Estados Unidos e Austrália identificaram 121 planetas fora do Sistema Solar nos quais acreditam que podem existir luas…

Telescópios baseados em terra tentam confirmar se o objeto é uma lua ou um segundo planeta baseado nos rebocadores gravitacionais do objeto no planeta conhecido. Este é um processo muito mais lento do que procurar luz de exoplanetas e exoluas que passam na frente das suas estrelas, que é o que os dados do Hubble e do Kepler revelam, e podem levar de cinco a dez anos, diz Teachey.

“Tudo está a sugerir que precisaremos de ser pacientes”, disse. “Se realmente está lá, está realmente lá.” Entretanto, os investigadores ainda estão à procura de outras exoluas nos dados do Kepler.

ZAP // Science News

Por ZAP
18 Janeiro, 2019

 

1477: Super-Terra gelada vizinha do nosso planeta pode abrigar vida primitiva

ESO / M. Kornmesser
Ilustração artística da superfície do Barnard b

Edward Guinan e Scott Engle, investigadores da Universidade de Villanova, no estado norte-americano da Pensilvânia, anunciaram que pode existir vida primitiva em GJ 699b, a super-Terra gelada que orbita a estrela de Barnard, localizada a apenas seis anos-luz do Sol.

Em comunicado recentemente divulgado, os astrofísicos afirmam que este mundo, também conhecido como a estrela de Barnard b, apesar de ser extremamente frio – pode atingir temperaturas até -170 graus Celsius – tem o potencial de abrigar vida primitiva.

Por ser gelado e sombrio, este exoplaneta seria, à partida, hostil para a vida tal como a conhecemos. Contudo, e de acordo com os cientistas, o exoplaneta pode abrigar vida caso se reúnam duas condições: ter um grande núcleo de ferro quente ou níquel e actividade geotérmica.

“O aquecimento geotérmico poderia abrigar ‘zonas de vida’ abaixo da sua superfície, semelhante aos lagos subterrâneos encontrados na Antárctida”, disse o co-autor do estudo, Edward Guinan. “Percebemos que a temperatura da superfície na lua gelada de Júpiter, a Europa, é semelhante à do Barnard b, mas devido ao aquecimento da maré é provável que a Europa tenha oceanos líquidos sob sua superfície gelada”, acrescentou.

O exoplaneta Barnard b, cuja descoberta foi anunciada em Novembro passado, é 3,2 vezes maior do que a Terra – o que lhe vale a classificação de super-Terra. O mundo orbita em 233 dias terrestres a sua estrela, que é considerada a nossa vizinha mais próxima depois do sistema de três estrelas Alpha Centauri, localizado a 4,3 anos-luz de distância.

Tal como observou Scott Engle, “a estrela de Barnard é quase duas vezes mais velha do que o Sol: tem 9 mil milhões de anos, em comparação com 4,6 mil milhões de anos solares”. “O Universo tem estado a produzir planetas do tamanho da Terra muito antes da nossa existência, ou até mesmo antes da existência do próprio Sol”, rematou o cientista.

A descoberta foi anunciada na passada semana no 233.º encontro anual da American Astronomy Society, que decorreu na cidade de Seatle.

SA, ZAP //

Por SA
15 Janeiro, 2019

 

1473: Descoberta super-Terra potencialmente habitável a 224 anos-luz

Gabriel Pérez / IAC

Investigadores da Universidade de Oviedo descobriram e caracterizaram um planeta na zona de habitabilidade de uma estrela anã vermelha.

Uma equipe de investigadores da Universidade de Oviedo e do Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC) descobriram e caracterizaram uma super-Terra a orbitar dentro da borda da zona habitável de uma estrela anã vermelha de tipo M0 chamada K2-286. Para isso, usaram dados do Telescópio Espacial Kepler.

O satélite Kepler foi projectado para descobrir exoplanetas. O método de procura consiste em medir o brilho vindo de uma estrela e observar se o seu brilho diminui periodicamente, como num eclipse. Se esta mudança no brilho ocorre, há um planeta a passar em frente da estrela regularmente.

A estrela K2-286, localizada na constelação de Libra a uma distância de 244 anos-luz, tem um raio de 0,62 raios solares e uma temperatura efectiva de 3650°C. O planeta tem 2,1 vezes o raio terrestre, um período orbital de 27,36 dias e uma temperatura de equilíbrio que pode ser cerca de 60ºC.

O planeta, de acordo com o estudo publicado em Dezembro na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, está localizado no limite interno da zona de habitabilidade, de modo que, sob as condições certas, poderia manter a água líquida na sua superfície, um requisito indispensável para o desenvolvimento da vida como a conhecemos.

O planeta é de interesse especial não só para ser localizado na zona habitável da sua estrela, mas por estar entre os mais adequados para a caracterização atmosférica futuro do Telescópio Espacial James Webb, bem como para uma monitorização para estabelecer a sua massa com precisão.

“Temos verificado que a actividade da estrela é moderada em comparação com outras estrelas de características semelhantes, o que aumentem as possibilidade de o planeta ter sido habitável”, referiram Javier de Cos e Enrique Díez.

“Este exoplaneta pode ser um candidato adequado para um instrumento de nova geração como ESPRESSO recentemente instalado nos telescópios VLT do Observatório de Paranal (Chile)”, acrescenta Jonay González, investigador no IAC.

ZAP //

Por ZAP
13 Janeiro, 2019