2123: Alterações climáticas ameaçam Algarve até ao final do século

girolame / Flickr

Até ao final do século, o Algarve pode ter mais eventos meteorológicos extremos e uma maior mortalidade devido a ondas de calor, assim como problemas causados por cheias e pelo avanço do mar, aponta um estudo recentemente divulgado.

A subida do nível do mar, o aumento da temperatura e a diminuição dos recursos hídricos são os factores que se prevê que tornem a região do Algarve mais vulnerável até ao final do século, aponta o cenário traçado no Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas (PIAAC).

Segundo disse à Lusa o coordenador científico do plano, Luís Dias, um modelo estatístico desenvolvido no plano estima que “a mortalidade no Algarve associada a eventos particularmente quentes pode subir de 2% para 7%“, sobretudo no sotavento (leste) algarvio, sendo Alcoutim “a situação mais preocupante”.

“Em cenário de alterações climáticas, Julho e Agosto passam a ser meses muito quentes”, o que pode modificar a tendência da ocupação turística no Algarve, refere aquele responsável, que nota a possibilidade de passarem a haver duas épocas turísticas, de tempo mais ameno, intervaladas por dois meses muito quentes.

No que respeita à subida do nível do mar, as zonas mais afectadas poderão ser Faro e Quarteira – mais vulneráveis por terem ocupação urbana -, mas também Lagos e Tavira, neste último caso devido ao aumento da probabilidade da ocorrência de cheias e inundações, acrescentou o especialista.

De acordo com Luís Dias, apesar de actualmente ainda ser possível travar o avanço do mar com a alimentação artificial de praias e a criação de dunas, essas soluções poderão não ser suficientes daqui a 40 ou 50 anos, tendo que ser equacionadas outras medidas, como a construção de paredões ou, mesmo, a deslocalização de parte da população.

Por outro lado, “devem ser tomadas medidas no espaço público para proteger as áreas urbanas de cheias e inundações”, sendo necessário também que as cidades tenham mais condições para que os habitantes enfrentem o calor: através de mais espaços verdes, presença de água, sombreamento e até uso de micro-aspersores para pulverizar água.

A diminuição de recursos hídricos é outra ameaça que paira sobre a região, que actualmente já enfrenta períodos de seca, com um agravamento do cenário na agricultura que pode ser mitigado pela implementação da dessalinização de água do mar.

“Mantendo-se a agricultura no estado em que está e o consumo no estado em que está, e partindo do princípio que não haverá alteração, no pior cenário, por volta de 2080 teremos que construir uma central de dessalinização”, refere.

O PIAAC envolveu responsáveis universitários, autarcas e técnicos de instituições públicas na elaboração de propostas de medidas de adaptação que, a longo prazo, contribuam para minimizar os impactos das alterações climáticas em vários sectores.

O coordenador não científico do plano, Filipe Duarte Santos, é membro do centro de investigação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, tendo sido um dos revisores do relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC).

Esta iniciativa envolveu um investimento superior a 470 mil euros, verba financiada em 85% pelo Fundo de Coesão, através do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso dos Recursos, e em 15% pelos municípios algarvios.

ZAP // Lusa

Por Lusa
6 Junho, 2019



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1917: Antigo oceano de magma que cobriu a Terra pode ter dado origem à Lua

Dana Berry / SwRI
A colisão planetária: impressão de artista do impacto que criou a Lua da Terra

Uma equipa de cientistas japoneses apresentou uma nova teoria para a origem da Lua, na qual sustentam que um corpo celeste sólido colidiu com a Terra quando ainda estava coberto de magma quente. Este evento catastrófico terá provocado uma ejecção de magma que deu origem à maior parte do nosso satélite.

A hipótese melhor aceite entre a comunidade cientifica – a Teoria do Grande Impacto – sustenta que o sistema Terra-Lua foi formado como resultado de um grande impacto, quando um corpo celeste do tamanho de Marte colidiu com a Terra, tendo o material resultante desta explosão dado origem à base do nosso satélite natural.

Simulações computorizadas revelaram que a maior parte da Lua terá sido formado com os restos do objecto sólido que colidiu com a Terra. Contudo, a análise das rochas recolhidas da Lua durante as missões Apolo mostram que a maior parte da Lua é composta por material terrestre. Ou seja, a Lua compartilha também do “ADN” da Terra.

Agora, o novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Nature Geoscience, sustenta que cerca de 50 milhões de anos após a formação do Sol, a ainda jovem Terra foi coberta por um oceano magma quente, enquanto que o objecto que terá colidido com o planeta era formado por materiais sólidos. Após a colisão, explicam os cientistas japoneses, o magma expandiu-se e entrou em órbita para formar a Lua.

De acordo com a mesma publicação, e devido à grande diferença de temperatura entre magma líquido e os compostos sólidos do corpo, grande parte do material expelido expandiu-se em volume no Espaço. Inicialmente, a ejecção de magma seguiu os fragmentos do proto-planeta em torno da Terra, mas rapidamente os ultrapassou. Enquanto a maior parte do material resultante do impacto caiu de volta no oceano de magma, a vasta nuvem de material derretido permaneceu em órbita e, eventualmente, terá dado origem à Lua.

“No nosso modelo, cerca de 80% da Lua é composta de materiais proto-Terra”, explicou o co-autor da investigação Shun-ichiro Karato. “Na maioria dos modelos anteriores, cerca de 80% da Lua é composta pelo objecto que colidiu com a Terra. É uma grande diferença”.

No fundo, os cientistas japoneses pegaram na Teoria do Grande Impacto e adicionaram a variável magma para dar resposta à ainda desconhecida origem da Lua. Esta não será a resposta final, mas unifica a teoria predominante com observações mais recentes.

ZAP //

Por ZAP
3 Maio, 2019

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1862: A Lua é mesmo fruto de um evento catastrófico (e compartilha do “ADN” da Terra)

© F. Gomes – Blogue Eclypse

Os cientistas não têm dúvidas: a Lua nasceu de um evento catastrófico. Uma equipa de especialista afirma ter novas e convincentes evidências que apoiam a teoria do grande impacto, que sustenta que o satélite se formou depois de um corpo com o tamanho de Marte ter impactado a Terra, há 4,5 mil milhões de anos.

A conclusão é de uma equipa de cientistas do Observatório da Montanha Púrpura da Academia Chinesa de Ciências, que levou a cabo uma análise isotópica in situ em três meteoritos lunares fornecidos pela agência espacial norte-americana (NASA).

Os resultados evidenciaram um grau extremamente elevado de fraccionamento isotópico de cloro, que é um forte indicador de condições de temperatura e energia ultra-altas, comummente produzidas durante a colisão entre gigantes corpos celestes.

Em comunicado da Academia Chinesa de Ciências, Wang Ying, cientista que participou na investigação, explicou que o fraccionamento de isótopos de cloro é um processo pelo qual o cloro-25 (o isótopo mais leve deste elemento) evapora mais do que o cloro-37, o seu “homólogo” mais pesado, em condições extremas de temperatura.

Por isso, concluiu o especialista, o elevado grau de fraccionamento isotópico de cloro nos meteoritos lunares analisados apresenta novas e convincentes evidências de que a Lua é “filha” de um evento catastrófico, sustentando a teoria do impacto.

“A hipótese do grande impacto oferece interpretações racionais para muitas observações, como a velocidade de rotação da Lua e o tamanho relativamente grande da Lua comparativamente à Terra”, completou HSU Weibiao, cientista do observatório chinês.

E acrescenta: “Além disso, as rochas lunares trazidas pelos astronautas da [missão] Apolo contêm a mesma composição isotópica de oxigénio do que a Terra. Noutras palavras, os dois corpos compartilham o mesmo conjunto de ‘ADN”.

O projecto sobre a origem da lua começou em 2011, tendo os seus resultados sido a semana passada publicados na revista científica especializada Scientific Reports.

A teoria do grande impacto foi proposta pela primeira vez em meados de 1975 por investigadores dos institutos norte-americanos de Ciências Planetárias de Tucson e de Astrofísica Harvard-Smithsonian. Desde então, produziram-se várias investigações, muitas da quais associadas a modelagens numéricas, que têm apontado esta hipótese como a mais consensual entre a comunidade científica.

SA, ZAP //

Por SA
18 Abril, 2019

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