3050: Cientistas da NASA confirmam a existência de vapor de água na lua de Júpiter Europa

CIÊNCIA

Nova descoberta da NASA revela que vapor de água concentrado por cima da Europa dava para encher uma piscina olímpica em poucos minutos.

Fotos de Europa tiradas a várias distâncias
© NASA

Uma equipa de investigadores do Goddard Space Flight Center da NASA em Greenbelt, Maryland, detectou pela primeira vez a existência de vapor de água por cima da superfície da Europa. A equipa mediu o vapor olhando para a Europa através de um dos maiores telescópios do mundo no Hawai, anunciou esta tarde NASA na sua página oficial.

A equipa do centro da NASA relata a descoberta também na edição de hoje da revista Nature Astronomy, referindo que esta descoberta, revela que a água que sai da Europa (segundo referem a 2,360 kg por segundo) daria para encher uma piscina olímpica em poucos minutos.

“Para mim, o interessante deste trabalho não é apenas a primeira detecção directa de água acima da Europa, mas também a falta dela dentro dos limites do nosso método de detecção”. O investigador Paganini, que lidera a equipa, explica que foi detectado um sinal fraco e distinto de vapor de água apenas uma vez durante 17 noites de observações entre 2016 e 2017, mas em quantidade relevante.

Os investigadores usaram um espectrógrafo no Observatório Keck que mede a composição química das atmosferas planetárias através de luz infravermelha. Moléculas como a água emitem frequências específicas de luz infravermelha à medida que interagem com a radiação solar.

Animação que mostra como as moléculas de água, após apanhar luz solar, libertam radiação infravermelha
© NASA

Segundo explica o centro de investigação da NASA, a descoberta de existência de vapor de água presente na atmosfera de Europa vai ajudar os cientistas a perceber melhor o funcionamento interno da lua. Por exemplo, vai ajudar a apoiar uma ideia, da qual os cientistas estão confiantes, de que existe um oceano de água líquida, possivelmente duas vezes maior que o da Terra, afundado sob a concha de gelo da lua.

Diário de Notícias
DN
18 Novembro 2019 — 19:00

 

2626: Encontrados os restos de um continente perdido. Estavam enterrados debaixo do sul da Europa

CIÊNCIA

Ali McLure / Flickr

Até agora ninguém havia notado, mas sob os pés dos habitantes do sul da Europa, que inclui a Península Ibérica, jazem os restos de um antigo continente.

O continente afundou há muito tempo nas profundezas da Terra e a sua história, 250 milhões de anos depois, foi reconstruida passo a passo por uma equipa de geólogos das universidades de Utrecht, Oslo e do Instituto de Geofísica ETH em Zurique.

Os únicos restos visíveis desse continente perdido, conhecido como Grand Adria, são as rochas calcárias que podem ser encontradas nas cadeias de montanhas do sul da Europa. Os investigadores, que publicaram o seu trabalho na revista especializada Gondwana Research este mês, acredita que as rochas começaram a sua existência como sedimentos marinhos para mais tarde serem “raspados” a partir da superfície da Terra e elevados às suas posições actuais graças às colisões das placas tectónicas.

Por esse motivo, tanto o tamanho original como a forma e a história dessa massa terrestre desaparecida foram muito difíceis de reconstruir. No seu artigo, os geólogos explicam que grande parte dele constituiu, durante milhões de anos, o fundo de antigos mares tropicais rasos.

De acordo com Douwe van Hinsbergen, da Universidade de Utrecht, Grand Adria tinha uma história “violenta e complicada”. De facto, separou-se do sul do super-continente Gondwana, que entendia o que é hoje a África, América do Sul, Austrália, Antárctica, subcontinente indiano e Península Arábica, há 240 milhões de anos. A partir desse momento, começou a mover-se para o norte.

Os investigadores acreditam que, há cerca de 140 milhões de anos, Grand Adria era uma massa terrestre do tamanho da Gronelândia, coberta em grande parte por um mar tropical leve, onde os sedimentos se acumulavam lentamente para se transformarem em rochas. Mais tarde, entre 100 e 120 milhões de anos atrás, colidiu com o que é hoje a Europa, quebrando e sendo empurrado para o continente.

Apenas uma pequena parte das rochas de Gran Adria, arrancadas da crosta terrestre durante a colisão, conseguiu permanecer na superfície da Terra.

O estudo também teve de lidar com uma complicação adicional: as rochas de Grand Adria estão espalhadas por mais de 30 países, variando de uma faixa da Península Ibérica ao Irão. Da mesma forma que as rochas, também os dados da sua história se dispersaram.

Finalmente, até há menos de uma década, os geólogos não possuíam o software sofisticado necessário para realizar reconstruções tão complexas como esta. “A região do Mediterrâneo é simplesmente um desastre geológico. Tudo está dobrado, quebrado e empilhado.”

Para realizar o estudo, a equipa passou dez anos a recolher informações sobre as idades das amostras de rochas de Grand Adria, bem como a direcção dos campos magnéticos presos nelas. Com isso, conseguiram identificar não apenas quando, mas onde essas rochas se formaram.

Dessa maneira, os cientistas perceberam que, enquanto se deslocavam para o norte, Grand Adria girava no sentido anti-horário, empurrando e raspando outras placas tectónicas no seu caminho. No final, chegou à colisão com a Europa.

Embora isso tenha ocorrido a velocidades não superiores a 3 ou 4 centímetros por ano, o acidente destruiu completamente a crosta de Gran Adria, com cerca de 100 quilómetros de espessura, enviando a maior parte para as profundezas do manto da terra e logo abaixo do sul do continente europeu. Algumas partes deste continente perdido têm mais de 1.500 quilómetros de profundidade.

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13 Setembro, 2019

 

2601: O lago mais antigo da Europa revela como era o clima no Mediterrâneo no passado (e como será no futuro)

CIÊNCIA

Charlie Marchant / Wikimedia

O lago da Ocrida, entre a Albânia e o norte da Macedónia, é um dos mais profundos e antigos lagos da Europa. Lagos como este geralmente duram apenas algumas centenas de milhares de anos antes de ficarem cheios de sedimentos.

Mas esse não é o caso do lago da Ocrida, uma vez que é muito mais antigo do que isso. Agora, a sua idade permitiu aos investigadores abrir uma janela para o passado da bacia do Mediterrâneo.

De acordo com um estudo publicado este mês na revista especializada Nature, os cientistas conseguiram ter uma ideia de como era o clima nos últimos 1,36 milhões de anos no Mediterrâneo. Os investigadores mostraram que, durante períodos inter-glaciais quentes, as chuvas de inverno no Mediterrâneo aconteceram ao mesmo tempo que as monções de verão na África.

“Descobrimos uma tele-conexão entre as monções africanas e as precipitações de inverno na região do Mediterrâneo, assim como entre os sistemas climáticos tropicais e as chuvas nas latitudes médias a milhares de quilómetros de distância”, disse Alexander Francke, da Universidade de Wollongong, em comunicado, publicado pela Phys.

“Sempre que a radiação solar recebida do Sol é aprimorada no Hemisfério Norte, temos uma migração para o norte do sistema climático tropical e vemos um aumento das chuvas no inverno no lago da Ocrida. Vemos esse mecanismo de maneira consistente nos últimos 1,3 milhão de anos”.

A equipa recolheu sedimentos num local onde o lago tem 245 metros de profundidade. Os cientistas perfuraram 568 metros nos sedimentos e reconstruiram a história climática do lago durante toda a sua existência.

Ao combinar os dados com simulações de modelos climáticos, os investigadores conseguiram obter informações sobre o clima no centro-norte do Mediterrâneo. A região é caracterizada por Invernos húmidos e Verões secos e isso está relacionado com a sua interacção com o clima tropical africano, especialmente em termos de aquecimento da superfície do mar.

“Este sistema climático seria bastante estável durante o verão e o outono até que as temperaturas diminuam no inverno e o ar frio do norte faça com que todo o sistema fique instável. Esse sistema de baixa pressão move-se para leste em direcção à Península dos Balcãs e promove chuvas nos meses de inverno”, explicou Francke.

Mas não é apenas sobre o passado. Os modelos climáticos encontraram dificuldades em prever como a crise climática causada pelo homem afectará o Mediterrâneo nos próximos anos. Alguns apontam para os Invernos mais húmidos, outros para mais secos. Estes novos dados serão essenciais para refinar os modelos e fornecer pistas sobre o que o futuro reserva para o Mediterrâneo.

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9 Setembro, 2019

 

2489: NASA vai mesmo explorar Europa, a lua de Júpiter que pode ter vida extraterrestre

JPL-Caltech / NASA
A superfície brilhante de Europa, a misteriosa lua de Júpiter

A NASA deu luz verde a uma missão para explorar uma lua de Júpiter que é considerada um dos melhores candidatos para a vida extraterrestre.

A Europa – que é um pouco mais pequena do que a nossa lua – é um dos 79 satélites naturais do gigante gasoso e tem a particularidade de estar coberta de gelo na totalidade.

Há indícios, de acordo com o jornal britânico The Guardian, que sugerem que por baixo dessa crosta – que poderá ter dezenas de quilómetros de profundidade – pode mesmo haver um oceano. Os cientistas acreditam que nesta água pode ainda existir vida na forma de micro-organismos.

Europa parece ter o hat-trick de condições necessárias para começar a vida: água, possivelmente química e energia na forma de aquecimento de maré, um fenómeno que surge de rebocadores gravitacionais a agir na lua. Isso não só poderia impulsionar reacções químicas, mas também auxiliar o movimento de substâncias químicas entre rochas, superfície e oceano, possivelmente através de fontes hidrotermais.

A missão chamada Europa Clipper consiste na aproximação de uma nave à Europa. A missão irá procurar lagos subterrâneos e fornecer dados sobre a espessura da crosta gelada da lua. A equipa também espera confirmar a presença de plumas de água, previamente detectadas pela sonda Galileo da NASA e pelo telescópio espacial Hubble.

Se confirmado, isso significaria que os cientistas não precisariam de encontrar uma maneira de invadir a crosta gelada da lua para explorar a composição do oceano.

O anúncio significa que a missão recebeu autorização para o projecto final, a nave espacial a ser construída e os instrumentos a serem desenvolvidos e testados. “Estamos todos entusiasmados com a decisão que move a missão Europa Clipper um passo mais perto para desvendar os mistérios deste mundo oceânico”, disse Thomas Zurbuchen, um administrador associado da Directoria de Missões Científicas na sede da NASA em Washington.

A missão que teve luz verde esta quarta-feira deverá ser lançada em 2025 e Agência Espacial Europeia tem uma missão semelhante prevista para 2022.

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21 Agosto, 2019

 

2392: Nuvem radioactiva que cobriu a Europa vinha de uma instalação nuclear secreta na Rússia

CIÊNCIA

rclarkeimages / Flickr

Uma vasta nuvem de radiação nuclear que se espalhou pela Europa continental em 2017 originou-se num desconhecido acidente nuclear no sul da Rússia.

Uma equipa internacional de investigadores concluiu que a nuvem radioactiva detectada na Europa no fim de Setembro de 2017 pode ter sido causada por um acidente de reprocessamento de combustível nuclear na Associação de Produção de Mayak, uma instalação nuclear na região de Chelyabinsk dos Montes Urais, na Rússia, entre o meio-dia de 26 de Setembro e o meio-dia de 27 de Setembro.

A Rússia confirmou que uma nuvem de radiação nuclear foi detectada nos Montes Urais na época, mas o país nunca reconheceu qualquer responsabilidade pelo vazamento de radiação nem admitiu que um acidente nuclear tenha ocorrido em Mayak em 2017.

Em comunicado, o principal autor da investigação, o químico nuclear Georg Steinhauser, da Universidade Leibniz, em Hannover, na Alemanha, disse que mais de 1.300 medições atmosféricas em todo o mundo mostraram que foram libertados entre 250 e 400 terabecquerels de ruténio radioativo-106 durante esse período.

Ruténio-106 é um isótopo radioactivo do ruténio, o que significa que tem um número diferente de neutrões no seu núcleo. O isótopo pode ser produzido como um subproduto durante a fissão nuclear de átomos de urânio-235.

Embora a nuvem resultante da radiação nuclear tenha sido suficientemente diluída para não causar danos às pessoas, a radioactividade total estava entre 30 e 100 vezes o nível de radiação libertada após o acidente de Fukushima no Japão em 2011, disse Steinhauser ao Live Science.

A nuvem foi detectada em Setembro de 2017 na Europa central e oriental, na Ásia, na Península Arábica e até nas Caraíbas. Apenas ruténio-106 radioactivo foi detectado na nuvem Durante o reprocessamento do combustível nuclear – quando o plutónio e o urânio radioactivos são separados do combustível nuclear usado de reactores nucleares – o rutênio-106 é tipicamente separado e colocado em armazenamento de longo prazo.

Isso significava que qualquer libertação maciça de ruténio só poderia vir de um acidente durante o reprocessamento de combustível nuclear – e as instalações de Mayak eram um dos poucos lugares no mundo que realizavam esse tipo de reprocessamento, de acordo com os resultados publicados em Julho na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

Estudos meteorológicos avançados feitos como parte desta nova investigação mostraram que a nuvem de radiação só poderia ter vindo das instalações de Mayak. O estudo mostrou que o acidente de 2017 não foi causado por uma libertação simples de gás radioactivo. Em vez disso, um incêndio -ou mesmo uma explosão – poderia ter exposto trabalhadores a níveis nocivos de radiação.

A Rússia não reconheceu que algum acidente tenha ocorrido nas instalações de Mayak, talvez porque o plutónio é fabricado para armas termo-nucleares. No entanto, a Rússia estabeleceu uma comissão para investigar a nuvem radioactiva. A comissão russa decidiu que não há provas suficientes para determinar se um acidente nuclear foi responsável pela nuvem.

O acidente ocorreu pouco mais de 60 anos desde que um acidente nuclear em Mayak, em 1957, causou uma das maiores emissões de radiação na história da região, perdendo apenas para a explosão de 1986 e o incêndio na central nuclear de Chernobyl, na Ucrânia.

No acidente de 1957, conhecido como o desastre de Kyshtym, um tanque de lixo nuclear líquido explodiu nas instalações de Mayak, espalhando partículas radioactivas pelo local e causando uma pluma radioactiva de fumo que se estendeu por centenas de quilómetros.

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31 Julho, 2019

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Astrónomos espiam Europa bloqueando estrela distante – graças à missão Gaia

Este “retrato de família” mostra uma composição de imagens de Júpiter, incluindo a sua Grande Mancha Vermelha e as suas quatro maiores luas. De cima para baixo, as luas são Io, Europa, Ganimedes e Calisto. Europa tem quase o mesmo tamanho que a Lua da Terra, enquanto Ganimedes, a maior lua do Sistema Solar, é maior do que o planeta Mercúrio.
Enquanto Io é um mundo vulcanicamente activo, Europa, Ganimedes e Calisto são gelados e podem ter oceanos de água líquida sob a sua crosta. Europa, em particular, pode até abrigar um ambiente habitável.
Júpiter e as suas grandes luas geladas vão ser o foco da missão Juice da ESA. A sonda vai percorrer o sistema joviano durante cerca de três anos e meio, incluindo “flybys” das luas. Também vai entrar em órbita de Ganimedes, a primeira vez que qualquer lua, além da nossa, é orbitada por uma nave espacial.
As imagens de Júpiter, Io, Europa e Ganimedes foram captadas ela sonda Galileo em 1996, enquanto a imagem de Calisto é da passagem rasante da sonda Voyager de 1979.
Crédito: NASA/JPL/DLR

No dia 31 de Março de 2017, a lua de Júpiter Europa passou em frente de uma estrela de fundo – um evento raro que foi capturado pela primeira vez por telescópios terrestres graças aos dados fornecidos pela nave Gaia da ESA.

Anteriormente, só se tinha conseguido observar apenas outras duas luas de Júpiter – Io e Ganimedes – durante um evento como este.

Gaia opera no espaço desde o final de 2013. A missão visa produzir um mapa tridimensional da nossa Galáxia e caracterizar as inúmeras estrelas que chamam a Via Láctea de lar. Tem sido imensamente bem-sucedida até agora, revelando as posições e movimentos de mais de mil milhões de estrelas.

O conhecimento das posições exactas das estrelas que vemos no céu permite que os cientistas determinem quando vários corpos do Sistema Solar parecem passar em frente de uma estrela de fundo a partir de um dado ponto de vista: um evento conhecido como ocultação estelar.

O Gaia não é estranho a tais eventos – o telescópio ajudou os astrónomos a fazer observações únicas da lua de Neptuno, Tritão, enquanto passava em frente de uma estrela distante em 2017, revelando mais sobre a atmosfera e sobre as propriedades da lua.

As ocultações são extremamente valiosas; permitem medições das características do corpo em primeiro plano (tamanho, forma, posição e mais) e podem revelar estruturas como anéis, jactos e atmosferas. Tais medições podem ser feitas a partir do solo – algo que Bruno Morgado (Observatório Nacional do Brasil e LIneA) e colegas aproveitaram para explorar a lua de Júpiter, Europa.

“Nós usámos dados da primeira divulgação de dados do Gaia para prever que, do nosso ponto de vista da América do Sul, Europa passaria em frente de uma estrela brilhante em Março de 2017 – e para prever a melhor localização a partir da qual observar esta ocultação,” disse Bruno, líder da investigação que escreveu um novo artigo que relata as descobertas da ocultação de 2017. O primeiro lançamento de dados do Gaia teve lugar em Setembro de 2016.

“Isto deu-nos uma oportunidade maravilhosa para explorar Europa, já que a técnica fornece uma precisão comparável à das imagens obtidas por sondas espaciais.”

Os dados do Gaia mostraram que o evento seria visível a partir de uma faixa espessa que corta de noroeste a sudoeste toda a América do Sul. Três observatórios localizados no Brasil e no Chile foram capazes de capturar dados – foram tentados um total de oito locais, mas muitos tiveram más condições climatéricas.

De acordo com as medições anteriores, as observações refinaram o raio de Europa para 1561,2 km, determinando precisamente a posição de Europa no espaço e em relação ao seu planeta hospedeiro, Júpiter, e caracterizaram a forma da lua. Ao invés de ser exactamente esférica, Europa é conhecida por ser elipsóide. As observações mostraram que a lua tem 1562 km quando medida exactamente numa direcção (o chamado “semieixo maior” aparente) e 1560,4 km quando medida na direcção perpendicular (o “semieixo menor” aparente).

“É provável que possamos observar muitas mais ocultações como esta das luas de Júpiter em 2019 e 2020,” acrescentou Bruno. “Júpiter está a passar por uma região do céu que tem como fundo o Centro Galáctico, tornando mais provável que as suas luas passem em frente de estrelas brilhantes de fundo. Isto realmente ajudar-nos-ia a definir as suas formas e posições tridimensionais – não apenas para as quatro maiores luas de Júpiter, mas também para as mais pequenas, mais irregulares.”

Usando o segundo catálogo de dados do Gaia, lançado em Abril de 2018, os cientistas prevêem as datas de futuras ocultações de estrelas brilhantes pela lua Europa, Io, Ganimedes e Calisto nos próximos anos, e listam um total de 10 eventos de 2019 a 2021. Os eventos futuros incluem ocultações estelares de Europa (22 de Junho de 2020), Calisto (20 de Junho de 2020 e 4 de maio de 2021), Io (9 e 21 de Setembro de 2019, 2 de Abril de 2021) e Ganimedes (25 de Abril de 2021).

As restantes três já tiveram lugar em 2019, duas das quais – ocultações estelares de Europa (4 de Junho) e Calisto (5 de Junho) – também foram observadas pelos cientistas e para as quais os dados ainda estão em análise.

As próximas ocultações serão observáveis mesmo com telescópios amadores tão pequenos quanto 20 cm a partir de várias regiões do mundo. A posição favorável de Júpiter, com o plano galáctico no fundo, só ocorrerá novamente 2031.

“Os estudos das ocultações estelares permitem-nos aprender mais sobre as luas do Sistema Solar de longe e também são relevantes para futuras missões que visitarão esses mundos,” comentou Timo Prusti, cientista do projecto Gaia da ESA. “Como este resultado mostra, Gaia é uma missão extremamente versátil: não só avança o nosso conhecimento das estrelas, mas também do Sistema Solar mais amplamente.”

Um conhecimento preciso da órbita de Europa ajudará a preparar as missões espaciais que têm este satélite joviano como alvo, como a Juice (JUpiter ICy moons Explorer) da ESA e a Europa Clipper da NASA, que devem ser lançadas na próxima década.

“Estes tipos de observações são extremamente excitantes,” disse Olivier Witasse, cientista do projecto Juice da ESA. “Vai chegar a Júpiter em 2029; ter o melhor conhecimento possível das posições das luas do sistema ajudar-nos-á a preparar para a navegação da missão e à análise de dados futuros, e a planear toda a ciência que pretendemos fazer.

“Esta ciência depende de nós sabermos vários elementos como trajectórias precisas da lua e o conhecimento de quão próxima uma nave espacial chegará a um determinado corpo, de modo que quanto melhor o nosso conhecimento, melhor será esse planeamento – e a subsequente análise de dados.”

Astronomia On-line
30 de Julho de 2019

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2190: Sal de mesa descoberto numa Lua de Júpiter aumenta esperanças de vida alienígena

CIÊNCIA

JPL-Caltech / NASA
A superfície brilhante de Europa, a misteriosa lua de Júpiter

A descoberta dos compostos de sal de mesa na Europa, uma das luas de Júpiter, pode abrir a possibilidade de que haja lá vida alienígena ou que este seja um lugar habitável no futuro.

Acredita-se que Europa, uma lua congelada em torno de Júpiter, seja um dos mundos mais habitáveis do sistema solar. Foi primeiro avistado em detalhe pela sonda Voyager 1 em 1979, revelando uma superfície quase desprovida de grandes crateras.

Este satélite é principalmente feito de silicato e, segundo o Tech Explorist, tem uma crosta de gelo e provavelmente um núcleo de ferro e níquel. A sua atmosfera é composta maioritariamente por oxigénio e, por debaixo do gelo, água salgada. No entanto, as observações não permitiram saber ao certo como é a água salgada desta Lua.

Agora, um novo estudo, publicado esta quarta-feira na revista Science Advances, mostra que pode ser cloreto de sódio, conhecido como sal de mesa. Isto tem implicações importantes para a potencial existência de vida nas profundezas ocultas da Europa.

Os cientistas acreditam que a circulação hidrotermal no oceano, possivelmente impulsionada por fontes hidrotermais, pode naturalmente enriquecer o oceano em cloreto de sódio, através de reacções químicas entre o oceano e a rocha. Na Terra, acredita-se que as fontes hidrotermais sejam uma fonte de vida, como as bactérias.

De acordo com o The Conversation, descobriu-se que as plumas que emanam do pólo sul da lua de Saturno Enceladus, que tem um oceano semelhante, contêm cloreto de sódio, tornando tanto Europa quanto Enceladus alvos ainda mais atraentes para exploração.

Se olharmos para o espectro da luz reflectida da superfície, podemos inferir quais as substâncias que lá estão. Isto mostra evidências de gelo. A questão pertinente dos cientistas é se essas substâncias vêm do interior da Europa.

Para produzir ácido sulfúrico em água gelada, é necessário uma fonte de enxofre e energia para impulsionar a reacção química. Parte disso pode vir de dentro da lua na forma de sais de sulfato, alguns dos quais podem ser libertados por meteoritos, mas a explicação mais plausível é que vem da sua lua vulcânica, Io.

A equipa responsável por este novo estudo argumentou que o lado da Europa ao longo da sua órbita, o principal hemisfério, que é protegido do bombardeamento de enxofre, pode ser o melhor lugar para procurar evidências de quais sais realmente existem dentro da lua.

Os investigadores usaram o poderoso Telescópio Espacial Hubble e descobriram evidências de cloreto de sódio. Embora já houvessem suspeitas de sais na Europa, os dados mais recentes do Hubble permitiram que os cientistas o reduzissem a uma região chamada de terreno do caos. Isto significa que eles provavelmente virão do interior da Europa.

A vida como a conhecemos precisa de água líquida e energia. O facto da Europa ter um oceano líquido diz-nos que há água líquida e uma fonte de energia para impedir que ela congele. Mas a composição química do oceano também é crucial. Salmoura, “água salgada”, tem um ponto de congelamento menor do que a água pura, o que significa que torna a água mais habitável.

O sal, especificamente os iões de sódio no sal de mesa, é também crucial para toda uma gama de processos metabólicos na vida vegetal e animal. Em contraste, alguns outros sais, como os sulfatos, podem inibir a vida se presentes em grandes quantidades.

Os cientistas estavam ansiosos para puderem apontar que podem estar a ver apenas a ponto do icebergue de uma complicada cadeia de processos sub-superficiais. Mas, para aqueles que esperam que haja vida na Europa, a descoberta do cloreto de sódio é uma excelente notícia.

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Por ZAP
18 Junho, 2019

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2114: Há 2.000 anos, o clima na Europa mudou (e a culpa foi dos Romanos)

CIÊNCIA

A actividade humana está a mexer com o clima, causando um aumento da temperatura, do nível das águas do mar e tornando clima extremo ainda mais extremo.

Mas não é de agora. Os Romanos já estavam a mudar o clima milhares de anos antes de nós. Um artigo publicado recentemente na revista Climate of the Past, uma revista interactiva da União Europeia de Geociência, observa as mudanças de temperatura provocadas pela actividade humana durante o Império Romano.

Para o estudo, uma equipa internacional de cientistas usou estudos existentes sobre o uso da terra sob os antigos romanos para estimar o nível de poluição do ar emitido durante o Império. Então, com um modelo climático global habilitado para aerossol, tentou quantificar os efeitos que os humanos tiveram no ambiente local.

Os cientistas descobriram que, embora a desflorestação e várias mudanças no uso da terra tivessem um efeito de aquecimento de 0,15°C, isso foi compensado por um efeito de arrefecimento causado pela dispersão das emissões de aerossóis da queima da agricultura. O resultado foi uma queda geral na temperatura de 0,17°C, 0,23°C ou 0,46ºC (dependendo do cenário de baixa, intermediária ou alta emissão, respectivamente).

No entanto, esse efeito de arrefecimento não terá sido universal. Os resultados do modelo sugerem que as áreas da Europa Central e Oriental sofreram o arrefecimento mais extremo, enquanto partes do norte da África e do Médio Oriente teriam experimentado aquecimento.

Apesar de os cientistas estudarem o efeito do Império Romano no clima da Europa nas últimas duas décadas, esta é aparentemente a primeira peça de estudo a considerar o efeito contrário das emissões de aerossol, disse Joy Singarayer, da Universidade de Reading, no Reino Unido, ao New Scientist. “A novidade aqui está no seu pensamento sobre qual seria a contribuição do aerossol, o que parece ser bastante considerável”, disse.

Em contraste com a mudança climática actual, é improvável que esse arrefecimento tenha sido suficientemente significativo para ter um grande efeito na vida quotidiana na Europa romana. Particularmente, dado o período quente romano – um período de aquecimento natural – que ocorreu entre 250 a.C a 400 d.C.

Mas a queima da agricultura pode ter afectado o clima de outras formas, disse Anina Gilgen, do ETH de Zurique, na Suíça. Por exemplo, pelo aumento da poluição do ar em cidades próximas, mudanças nos padrões de precipitação e, consequentemente, disponibilidade de água.

Embora possa ser difícil avaliar com precisão os eventos climáticos passados, o artigo conclui que é provável que a influência humana na terra e na atmosfera tenha afectado o clima de escala continental durante a Antiguidade Clássica.

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5 Junho, 2019



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2089: O Etna voltou a acordar. O maior vulcão da Europa entra em erupção

Orietta Scardino / EPA

O vulcão Etna, situado na região italiana da Sicília, voltou a entrar em erupção esta quinta-feira, com novas fendas abertas na sua face sudeste.

Dois fluxos de lava percorrem algumas centenas de metros no cume do vulcão activo de maior altitude na Europa. A actividade é de intensidade média e caracterizada pela ejecção de cinzas, gases e rochas.

A erupção, no entanto, não afecta as operações no Aeroporto de Catânia, maior cidade dos arredores do Etna. “Estamos no início de uma nova fase eruptiva do Etna, que pode acabar rapidamente ou durar meses”, explicou o director do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV) em Catânia, Eugenio Privitera.

“Os fenómenos estão confinados ao cume do vulcão e não constituem um perigo para centros habitados e pessoas, mas é preciso controlar os fluxos de turistas na zona para sua própria segurança”, acrescentou.

Embora o Etna esteja activo há algum tempo, esta erupção foi significativa, já que foi a erupção do primeiro flanco (lateral), e não a erupção do cume, no Etna por mais de uma década. De acordo com o Programa Global de Vulcanismo da Smithsonian Institution, este paroxismo fazia parte de uma sequência vulcânica prolongada que começou em Setembro de 2013.

Apesar de ser um pouco imprevisível, o Etna está em erupção há anos. Já em Fevereiro deste ano, por exemplo, nuvens de cinzas foram vistas a subir em direcção ao céu a partir de uma série de pequenas explosões do chamado Telhado do Mediterrâneo.

Em Dezembro do ano passado, um sismo de magnitude 4,8 na escala de Richter atingiu a província de Catânia, na Sicília, junto ao monte Etna, fazendo pelo menos dez feridos e provocando alguns danos em edifícios. O sismo ocorreu dois dias depois de o Etna ter entrado em erupção, intensificando a actividade vulcânica na e actividade sísmica na região.

O vulcão do Monte Etna, na parte oriental da Sicília, está a escorregar lentamente para o mar. Um estudo mostrou que há um risco muito maior do que o anteriormente previsto de um colapso originar um tsunami. O Monte Etna está a deslizar para o Mediterrâneo a cerca de três a cinco centímetros por ano.

O Etna é o maior vulcão activo da Europa e um dos vulcões mais activos do mundo. É também a mais alta montanha da Sicília. A extensão total da sua base é de 1190 quilómetros quadrados, com uma circunferência de 140 quilómetros, o que o torna quase três vezes maior que o Vesúvio.

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1 Junho, 2019


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1511: Nova corrida espacial? Europa quer extrair recursos da Lua antes de 2025

Marshall Space Flight Center / NASA

A empresa ArianeGroup assinou um contrato de um ano com a Agência Espacial Europeia para estudar a possibilidade de enviar uma missão à Lua antes de 2025, que terá como objectivo extrair regolito.

Em comunicado, a empresa explica que o regolito é um material presente na superfície lunar a partir do qual é possível obter água e oxigénio, o que, no futuro, permitiria projectar a presença humana no satélite terrestre e produzir o combustível necessário para lançar missões exploratórias mais distantes.

“O uso de recursos espaciais pode ser uma chave para a exploração lunar sustentável e este estudo faz parte do plano abrangente da ESA para transformar a Europa num parceiro na exploração global na próxima década”, disse David Parker, da agência europeia.

Para realizar este estudo, o ArianeGroup uniu forças com a startup alemã PTScientists, que produzirá a sonda, e com a empresa belga Space Applications Services, responsável por fornecer instalações de controlo de solo e equipamentos de comunicação para a futura missão.

Desta maneira, “este inovador consórcio europeu poderia oferecer serviços para toda a missão”, desde o lançamento até o transporte de toda a carga até a Lua, segundo o comunicado da empresa.

“O ArianeGroup apoiará todos os projectos europeus actuais e futuros, de acordo com a sua missão de garantir à Europa acesso independente e soberano ao Espaço“, disse André-Hubert Roussel, CEO da empresa.

O anúncio acontece apenas algumas semanas depois que a sonda chinesa Chang’e 4 ter conseguido “colocar um pé” na face inexplorada da Lua pela primeira vez na história, um marco na exploração do cosmos que eleva o gigante asiático para a categoria de poder espacial. A perspectiva de uma competição entre as grandes potências pelos recursos da Lua reavivou a especulação sobre uma nova corrida espacial.

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22 Janeiro, 2019

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1493: Luas com oceano subterrâneo podem estar geologicamente “mortas”

NASA
Encélado, a lua gelada de Saturno

Há mais de duas décadas que os cientistas têm vindo a debater sobre qual lua do Sistema Solar tem a maior probabilidade de abrigar vida microbiana nos seus oceanos subterrâneos.

As candidatas mais mencionadas são a Encélado, a lua de Saturno, e a Europa, a lua de Júpiter, que têm oceanos no estado líquido debaixo das suas crostas congeladas. Contudo, um novo estudo levanta dados que sugerem que a hipótese de, com exceção da Encélado, estas luas estarem, na verdade, “mortas” por dentro – não apenas geologicamente, como também biologicamente.

Missões da NASA, como Galileo e Cassini, deram evidências de que estas duas luas abrigam oceanos globais subterrâneos, aquecidos pela atracção gravitacional dos planetas que orbitam.

Considerando o facto de que, na Terra, existem comunidades de seres a viver na escuridão e alta pressão do fundo do mar, não e difícil perceber como surgiu a suspeita de que a Encélado e a Europa possam abrigar micróbios alienígenas debaixo das suas crostas.

Na Terra, os micróbios que vivem no fundo do mar alimentam-se de substâncias químicas produzidas onde a rocha quente e a água do oceano se misturam continuamente. E, se estruturas semelhantes são encontradas em mundos alienígenas em que há oceanos subterrâneos, a perspectiva de encontrar vida fora da Terra fica mais plausível.

Porém, o estudo conduzido por Paul Byrne, geólogo planetário da Universidade Estadual da Carolina do Norte, “destrói” essa ideia.

Com a sua equipa, Byrne determinou quanta força seria necessária para quebrar a rocha oceânica de duas formas, conforme o que vemos na Terra: falha normais e falhas de impulso. Quanto mais força for necessária para quebrar a rocha, menos actividade geológica está a acontecer – isto é, menos interacções entre a rocha e a água do mar e, portanto, menor a possibilidade de ali haver algum tipo de vida.

Além de Encélado e Europa, Byrne analisou outras luas como Ganimedes (Júpiter) e Titã (Saturno), calculando a força das rochas de cada um desses mundos. Esses cálculos baseiam-se na espessura da camada de rocha sólida e fria que repousa sobre uma camada morna e quente, que não é capaz de ser quebrada.

Valores como a gravidade do corpo numa profundidade definida e o peso da água e do gelo no topo da superfície da lua foram acrescentados aos dados. E, de acordo com Byrne, os resultados iniciais sugerem que as rochas dessas luas são tão fortes que não há força conhecida grande o suficiente para quebrá-las.

Cientistas descobrem nova característica em lua de Saturno que assemelha ainda mais à Terra

O corpo celeste é considerado o mais parecido com o nosso planeta em todo o Sistema Solar. Titã, uma das…

Em cada uma das luas analisadas, a equipa fez os mesmos cálculos considerando diferentes valores para a força da rocha, com estes valores estando dentro do esperado para cada mundo – e os resultados não são promissores para a vida alienígena. “Para Europa, parece muito difícil fazer qualquer fractura nas rochas, e depois de olhar para Titã e Ganimedes, concluímos que não está a acontecer nada por ali”, disse Byrne.

Já para Encélado os resultados não são tão sombrios, uma vez que a lua é muito menor do que as outras três, o que reduz o peso da água e do gelo acima da superfície rochosa e, além disso, o seu núcleo é mais poroso.

Graças aos dados recolhidos pela sonda Cassini, os cientistas têm evidências de que rocha e água ainda interagem em Encélado, o que justifica as plumas de água que são expelidas por meio de fracturas na crosta congelada deste satélite de Saturno. Nessas plumas, inclusive, foi identificada a existência de moléculas orgânicas complexas.

Então, é possível concluir que Encélado é realmente a lua do Sistema Solar com as maiores probabilidades de abrigar algum tipo de vida, ainda que microbiana.

Este estudo poderá levar a NASA a mudar os seus planos, já que na mesa há um projecto chamado Europa Clipper com previsão de lançamento para 2022, justamente para buscar sinais de vida na lua de Júpiter, enquanto Encélado ainda não tem nenhuma nova missão específica com este objectivo.

De qualquer maneira, Byrne enfatiza que os resultados iniciais do seu estudo ainda não são conclusivos, apenas fornecendo fortes evidências de que as luas estudadas, com excepção de Encélado, podem estar “mortas” por dentro.

ZAP // Scientific American

Por ZAP
19 Janeiro, 2019

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1432: NASA quer enviar “toupeira nuclear” para procurar vida extraterrestre na lua de Júpiter

JPL-Caltech / NASA
A superfície brilhante de Europa, lua de Júpiter

A NASA quer criar uma máquina de perfuração com um reactor nuclear para procurar indícios de vida extraterrestre no oceano sub-glacial de Europa, a misteriosa lua de Júpiter.

Europa, um dos quatro maiores satélites de Júpiter, é um mundo oceânico cujas águas estão escondidas sob uma camada de gelo de vários quilómetros. Os cientistas acreditam que o oceano de Europa seja um dos possíveis refúgios de vida extraterrestre.

Os astrónomos descobriram que este oceano troca gases e minerais com o gelo da superfície do satélite, onde há substâncias necessárias para a existência de micróbios.

Estas descobertas forçaram o Congresso dos EUA a expandir significativamente o possível escopo da próxima missão da NASA — a estação interplanetária Europa Clipper. Há dois anos, os parlamentares ofereceram-se para enviar não um, mas dois veículos para Europa, um dos quais submergirá e procurará indícios de vida directamente nas águas do satélite de Júpiter.

Alexander Pawlusik / NASA
Concepção artística da “toupeira nuclear”

“Não sabemos a espessura exacta da camada de gelo de Europa – estima-se que seja de dois a 30 quilómetros, e é um grande obstáculo para qualquer veículo”, explicou Andrew Dombard, investigador da Universidade de Illinois.

Dombard e os colegas estão a pensar na possibilidade de criar um aparelho leve e resistente que possa perfurar o gelo e atingir a borda superior do oceano de Europa. A proposta foi apresentada a 14 de Dezembro na reunião anual da American Geophysical Union.

Conforme os cálculos dos cientistas, esta instalação pode ser criada apenas se for equipada com um reactor nuclear ou uma fonte clássica de radio-isótopo de calor e energia semelhante à do rover Curiosity e da sonda New Horizons.

O calor gerado pelo reactor pode ser usado para acelerar a perfuração e recolher amostras de água oceânica de Europa. De acordo com Dombard, o dispositivo perfurará um túnel com 15 quilómetros e fará “excursões” nas águas da lua de Júpiter para procurar potenciais camadas e mantas de micróbios.

Mas há dois problemas apontados por geólogos: o alto nível de radiação de Europa, que está na fronteira entre o “escudo magnético” de Júpiter e do espaço exterior, e as dificuldades do funcionamento do sistema de comunicação.

Para comunicar com a Terra, a “toupeira nuclear” instalará um transmissor de rádio na superfície de Europa através de conexões com o uso de fibra óptica e diversos repetidores de sinal. Esta abordagem vai permitir que o módulo de pouso não apenas faça um mergulho directo na superfície oceânica, mas também escave vários túneis laterais.

Para já, esta é ainda uma hipótese teórica, mas a NASA considera que esta missão poderá ser enviada para Júpiter cerca de um ano após o lançamento da missão intergaláctica Europa Clipper, que acontecerá aproximadamente em 2023.

As autoridades dos EUA ainda não aprovaram a versão final do projecto, mas já alocaram fundos substanciais para o seu desenvolvimento – 172 milhões de euros.

ZAP // Live Science

Por ZAP
20 Dezembro, 2018

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1173: Lâminas de gelo na lua Europa vão dificultar a sua exploração

JPL-Caltech / NASA
A superfície brilhante de Europa, a misteriosa lua de Júpiter

A lua Europa, uma das principais candidatas para procurar vida fora da Terra, tem uma espécie de floresta de lâminas de gelo que pode dificultar a aterragem de veículos espaciais.

Um estudo recente, publicado na Nature Geoscience, refere que nas regiões equatoriais da lua Europa há formações de gelo com cerca de 15 metros de altura que podem dificultar a aterragem de veículos espaciais no futuro.

Ao jornal Público, Daniel Hobley, geomorfologista da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, e um dos autores do artigo, explica que, “antes deste trabalho, supúnhamos que a superfície de Europa era gelada, mas que era relativamente uniforme”.

“Não tínhamos boas imagens da superfície, por isso estas suposições baseavam-se no que sabíamos sobre outros planetas e sobre as texturas mais comuns das superfícies de gelo na Terra”, continua o especialista.

Para saber mais sobre a superfície de Europa, a equipa calculou as taxas de sublimação da água gelada ao longo da superfície da lua, comparando-as com outros processos erosivos, como a colisão de objectos astronómicos e o bombardeamento de partículas.

Assim, os cientistas chegaram à conclusão de que, nas regiões equatoriais, a sublimação deve ser o principal processo erosivo e esse processo origina formações de gelo e neve chamadas “penitentes” – autênticas lâminas de gelo ou neve dura que se formam em grupo.

O processo de formação inicia quando a luz do Sol incide na superfície de gelo ou neve. Devido às condições – no deserto na Terra e na lua Europa -, o processo de sublimação começa imediatamente: o gelo passa do estado sólido para o estado gasoso sem se derreter.

Daniel Hobley explicou que os pináculos começam a formar-se se o Sol iluminar o gelo ou a neve todos os dias a meio do dia. “Começarão a ficar mais profundos, uma vez que o solo dessa depressão fica mais quente do que as paredes laterais”, refere, explicando que isso significa “que as lâminas de gelo são separadas por longos fossos lineares, tal como as penitentes que vimos na Terra.”

Estas formações de gelo tornam a lua Europa irregular nas regiões equatoriais.  “Concluímos que uma textura pontiaguda tal como aquela que descrevemos poderá tornar difícil aterrar na superfície de Europa perto do seu equador”, afirma Hobley.

Ainda assim, o cientista mantém esperança e sublinha que nada é impossível.

ZAP //

Por ZAP
21 Outubro, 2018

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926: Verão atípico põe a descoberto (estranhas) “Pedras da Fome” na Europa

NOTÍCIAS

A Europa enfrenta um verão atípico e, com isso, têm surgido mensagens “escondidas” um pouco por todo o território europeu. Desta vez, foram encontrados marcas misteriosas gravadas em pedras, que não são apenas vestígios das sociedades antigas, mas também alertas para os tempo difíceis que se aproximam.

A seca severa que atinge a Europa Central pôs a descoberto pedras antigas, que têm (estranhas) mensagens gravadas na sua superfície. Uma das pedras foi encontrada na República Checa e são vulgarmente conhecidas como “Pedras da Fome“, relevou a AP.

Normalmente, estas pedras não são visíveis pois ficam abaixo da linha de água do rio Elba, que flui através da cidade de Děčín, no norte do país. No entanto, com os níveis de água a atingir os recordes mais baixos na Europa, as rochas e as mensagens nelas gravadas ficaram novamente expostas.

Mais de uma dúzia de “Pedras da Fome” podem ser vistas na cidade, que acabam por registar os níveis mais baixos de água em séculos. Em 2013, um grupo de investigadores levou a cabo um estudo sobre as secas históricas na República Checa e descreveram estas rochas como pedras “esculpidas por anos de dificuldade e com as iniciais dos autores perdidos para a história”.

No passado, estas pedras serviam para medir os níveis das águas e, baixos níveis de água eram sinal de que tem difíceis se estavam a aproximar.

A mais antiga e famosa destas marcas, conhecida simplesmente por Hunger Rock, de acordo com o guia turístico da cidade, contém uma inscrição que data de 1616, onde se lê: “Se me vires, chora” (Wenn du mich siehst, dann weine).

Embora as inscrições legíveis mais antigas desta pedra em particular datem de 1616, existem outras rochas que já vivenciaram numerosas secas desde 1417.

Uma outra “Pedra da Fome” da Alemanha regista as condições climatéricas daquele ano de forma mais feliz: “Se voltares a ver esta pedra novamente, irás chorar, de tão superficial que as águas estavam em 1417”.

Outras há que dizem: “Nós choramos. Nós choramos. E tu vais chorar” e também “Quem me viu uma vez, chorou; Quem me vir agora vai chorar”.

As razões para estes alertas sinistros – como se soubessem o que está para vir – podem ser várias. Quando a seca e o calor chegam, significa não apenas que a colheita será má, mas também que haverá falta de comida e os preços irão subir, consequentemente.

Além disso, quando o nível das águas baixa drasticamente, o transporte fluvial torna-se mais difícil, ameaçando o sustento das famílias que vivem junto da costa.

Com o rio Elba no seu nível mais baixo em mais de meio século, a seca tem recordado também outro tipo de miséria: nesse mesmo canal têm sido encontradas bombas não detonadas da Segunda Guerra Mundial e granadas de mão, que estiveram submersas por mais de 70 anos.

Enquanto os cientistas ainda indagam com estes presságios para o futuro, a mais recente inscrição na “Pedra da Fome” encontrada na República Checa tenta, pelo menos, aliviar um pouco o clima – “Não chores, menina, não te preocupes. Quanto estiver seco, apenas pulveriza o teu campo” (Neplac holka, nenarikej, kdyz je sucho, pole strikej).

Fenómenos semelhantes têm sido relatados um pouco por toda a Europa, onde as condições atípicas e secas têm desvendado monumentos pré-históricos ou mensagens da Segunda Guerra Mundial.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
27 Agosto, 2018

(Foi corrigido 1 erro ortográfico ao texto original)

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546: Sonda Galileu viu água na lua Europa há 20 anos (mas a NASA não deu por isso)

K. Retherford / Southwest Research Institute
Vapor de água em Europa

A NASA anunciou ter mais sinais de que a lua Europa tem jactos de água. A sonda Galileu já os tinha visto em 1997, mas a NASA não tinha percebido.

Apesar de os dados serem antigos, uma nova análise da NASA acabou de dar aos cientistas mais uma razão para encarar a lua Europa como um dos principais alvos na busca de vida extraterrestre, depois de os investigadores terem encontrado sinais de plumas de água.

A NASA já tinha confirmado a existência de um oceano de água líquida debaixo da camada de gelo que compõe a superfície da lua de Júpiter, mas agora, quase dois anos depois, a agência espacial norte-americana tem mais novidades sobre esta descoberta.

Agora, há ainda mais evidências de que existem aberturas na superfície por onde a água é ejectada para o exterior. Esta teoria é muito antiga. Aliás, a sonda Galileu, que sobrevoou o satélite no final dos anos 90, já tinha passado por cima dessas plumas. Mas a NASA não deu por isso.

De acordo com o Observador, a sonda Galileu notou numa anomalia térmica. Enquanto sobrevoava a 206 quilómetros de altitude, observou um segundo campo magnético que parecia conter o principal. Mas ninguém sabia o que isso significava.

Mais tarde, a sonda Cassini sobrevoou Encélado e encontrou o mesmo fenómeno. Embora os astrónomos suspeitassem que essas anomalias eram provocadas por jactos de água, nem mesmo as imagens do Telescópio Hubble permitiram confirmar essas teorias.

Mas 20 anos depois, os investigadores centraram-se nas análises feitas pela sonda Galileu e analisaram-nas com mais atenção. “Os sinais da existência de plumas sempre esteve a um nível intrigante, mas não definitivo”, recorda o Instituto de Tecnologia de Califórnia.

“É difícil perceber a menos que se esteja à procura. Estas plumas são muito difusas – não é como se se estivesse a voar por cima de uma mangueira sem perceber”, descreve o Jet Propulsion Laboratory da NASA.

Quem tomou a iniciativa foi uma equipa da Universidade de Michigan, liderada por Xianzhe Jia, cujo estudo foi publicado na Nature. As plumas em Encélado, captadas pela Cassini, foram uma grande ajuda para a equipa, já que havia características do campo magnético de Encélado muito semelhantes às encontradas em Europa: os géiseres de água.

Contudo, ainda não há certezas absolutas. Para isso, teremos de esperar até que a NASA tenha a oportunidade de olhar melhor para Europa, nomeadamente durante a missão Europa Clipper, que poderá ser lançada em Junho de 2022. A ESA tem também uma missão planeada, a Jupiter Icy Moons Explorer, que deverá ser lançada na mesma altura.

ZAP //

Por ZAP
16 Maio, 2018

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542: DADOS ANTIGOS REVELAM EVIDÊNCIAS NOVAS SOBRE AS PLUMAS DE EUROPA

Impressão de artista de Júpiter e de Europa (no plano da frente) com a sonda Galileo depois de passar pela pluma expelida da superfície da lua. Uma nova simulação de computador dá-nos uma ideia de como o campo magnético interagiu com a pluma. As linhas do campo magnético (em azul) mostram como a pluma interage com o fluxo ambiente de plasma joviano. As cores vermelhas das linhas mostram áreas mais densas de plasma.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade de Michigan

Cientistas que reexaminavam dados de uma antiga missão desenterraram novas informações acerca da tentadora questão da habitabilidade da lua de Júpiter, Europa. Os dados fornecem evidências independentes de que o reservatório de água líquida à sub-superfície da lua pode estar a libertar plumas de vapor de água acima da sua camada de gelo.

Dados recolhidos pela sonda Galileo da NASA em 1997 foram submetidos a modelos computacionais novos e avançados para desvendar um mistério – uma breve curva localizada no campo magnético – que até agora não tinha explicação. Imagens ultravioletas anteriores pelo Telescópio Espacial Hubble em 2012 haviam sugerido a presença de plumas, mas esta nova análise usou dados recolhidos muito mais perto da fonte e é considerada um forte suporte que corrobora as plumas. Os achados foram publicados na edição de ontem da revista Nature Astronomy.

A investigação foi liderada por Xianzhe Jia, físico espacial da Universidade de Michigan, em Ann Arbor, EUA, autor principal do artigo científico. Jia é também co-investigador de dois instrumentos que viajarão a bordo da Europa Clipper, a próxima missão da NASA a explorar a potencial habitabilidade da lua.

“Os dados estavam lá, mas precisávamos de modelagem sofisticada para dar sentido à observação,” comenta Jia.

A equipa de Jia foi inspirada a mergulhar de volta nos dados da Galileo por Melissa McGrath do Instituto SETI em Mountain View, no estado norte-americano da Califórnia. Membro da equipa científica da Europa Clipper, McGrath fez uma apresentação aos cientistas da equipa, destacando outras observações de Europa pelo Hubble.

“Um dos locais que mencionou lembrou-me algo. A Galileo realmente fez um ‘flyby’ por esse local, e foi o mais próximo que já tivemos. Percebemos que tínhamos que voltar,” realça Jia. “Precisávamos ver se havia alguma coisa nos dados que nos pudesse dizer se havia ou não uma pluma.”

Aquando da passagem rasante de 1997, cerca de 200 km acima da superfície de Europa, a equipa da Galileo não suspeitava que a nave pudesse estar a raspar uma pluma emanada pela lua gelada. Agora, Jia e a sua equipa pensam que o seu percurso foi fortuito.

Quando examinaram a informação recolhida durante esse “flyby” há 21 anos atrás, os dados do magnetómetro de alta resolução decerto mostravam algo estranho. Com base no que os cientistas aprenderam ao explorar as plumas da lua de Saturno, Encélado – o material nas plumas fica ionizado e deixa um sinal característico no campo magnético – eles sabiam que o procurar. E lá estava em Europa – uma curva breve e localizada no campo magnético que nunca havia sido explicada.

A Galileo transportava o poderoso instrumento PWS (Plasma Wave Spectrometer) para medir ondas de plasma provocadas por partículas carregadas em gases situados em torno da atmosfera de Europa. A equipa de Jia também estudou esses dados, e também pareciam apoiar a teoria de uma pluma.

Mas os números, por si só, não conseguiam pintar a imagem completa. Jia colocou as assinaturas de magnetometria e de ondas de plasma num novo modelo 3D desenvolvido pela sua equipa da Universidade de Michigan, que simulou as interacções do plasma com corpos do Sistema Solar. O ingrediente final eram os dados do Hubble que sugeriam dimensões de potenciais plumas.

O resultado que emergiu, com uma pluma simulada, correspondia ao campo magnético e às assinaturas de plasma que a equipa retirou dos dados da Galileo.

“Agora parecem haver demasiadas linhas de evidência para descartar plumas em Europa,” comenta Robert Pappalardo, cientista do projecto Europa Clipper no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia. “Este resultado torna as plumas muito mais reais e, para mim, é um ponto de inflexão. Estes já não são sinais incertos numa imagem distante.”

Os resultados são uma boa notícia para a missão Europa Clipper, que pode ser lançada em Junho de 2022. Da sua órbita em torno de Júpiter, a Europa Clipper vai passar perto da lua em vários voos rápidos e de baixa altitude. Se as plumas estiverem a expelir vapor do oceano ou de lagos sub-superficiais de Europa, a Europa Clipper poderá recolher amostras de líquido gelado e de partículas de poeira. A equipa da missão está a preparar-se para examinar possíveis percursos orbitais, e a nova investigação terá lugar nessas discussões.

“Se as plumas existirem, e se pudermos ‘saborear’ directamente o que vem do interior de Europa, podemos saber mais facilmente se Europa tem os ingredientes para a vida,” comenta Pappalardo. “É o grande objectivo da missão.”

Astronomia On-line
15 de Maio de 2018

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