1402: Descoberta espécie de salamandra que respira através de “árvores de Natal”

CIÊNCIA

Pierson Hill
Um espécime adulto da nova espécie identificada

Uma equipa de biólogos norte-americanos identificou uma nova espécie de salamandra num anfíbio que, até agora, só foi encontrado em três locais nos estados norte-americanos da Florida e do Alabama. 

De acordo com a Universidade Estadual do Texas, cujos investigadores são co-autores da descoberta, esta é a primeira espécie descoberta em quase meio século.

Durante décadas, a existência deste animal era considerado apenas um boato. Os habitantes locais chamavam estes anfíbios de “enguia-leopardo”, por causa das manchas escuras que cobrem a sua pele. Os cientistas admitem as semelhanças visuais, mas o apelido não está nada relacionado com o grupo que o animal ocupa no reino animal, uma vez que a espécie em causa não é um peixe.

Trata-se de um anfíbio, apesar de passar praticamente toda a sua vida em água doce. O espécime encontrado tem muitas características em comum com o axolote do México, especialmente devido às guelras em forma de ramos que possui, a que alguns internautas compararam com um árvore de natal.

A grande diferença do seu “primo” mexicano, está relacionada com o facto de ter dois membros dianteiros e nenhum posterior. De acordo com os cientistas, este animal pode atingir um metro de comprimento, um valor muito superior ao já registado pelos axolotes.

Pierson Hill

A equipa, que descreveu a descoberta num artigo científico publicado esta quinta-feira na revista PLOS One, apelidou a espécie de Siren reticulata.

Do ponto de vista genético, é “irmã” de todas as espécies de salamandras cujo genoma foi sequenciado. No entanto, o seu habitat é muito restrito, consistindo em vários rios e lagos do extremo noroeste da Florida e do sul do Alabama. Os biólogos consideram urgente um estudo sobre sua a distribuição e ecologia.

“Não só poderíamos encontrar uma nova espécie interessante, mas também encontramos outro lembrete de que o livro da vida tem ainda muitas páginas para escrever”, disse o biólogo texano Sean Graham. A análise genética praticada nas novas espécies de Sireae, de acordo com estimativa do cientistas, torna altamente provável que outras salamandras deste tipo sejam descobertas

ZAP // RT

Por ZAP
9 Dezembro, 2018

 

1304: Cientistas encontraram um pássaro que é três espécies numa só

CIÊNCIA

(dr) Lowell Burket

Cientistas encontraram um pássaro incomum na Pensilvânia que guarda um incrível segredo genético: esta toutinegra é o híbrido de três espécies diferentes de pássaros.

Uma equipa de cientistas encontrou um passo incomum na Pensilvânia, cuja mãe era um híbrido de dois toutinegras e o pai era uma toutinegra de um terceiro género totalmente diferente. Assim, este pássaro é três espécies numa só, algo “extremamente raro”, afirma David Towes, do Cornell Lab of Ornithology.

Híbridos de pássaros não são incomuns. Aliás, a toutinegra de Brewster (que, neste caso, era o híbrido da mãe deste pássaro “3 em 1”) é conhecida desde 1874. Além disso, sabe-se que a hibridação pode levar ao desenvolvimento de novas espécies.

No entanto, em casos normais, entram apenas duas espécies na equação. O facto de este pássaro ser um híbrido de três espécies é algo muito incomum que, além de fascinante, revela também algo alarmante sobre o declínio do número de toutinegras em Appalachia, uma região no leste dos Estados Unidos.

(dr) Cornell Lab of Ornithology

Segundo o ScienceAlert, este pássaro foi visto, pela primeira vez, em maio de 2018 por Lowell Burket, que chegou à conclusão que esta ave tinha uma coloração semelhante às das toutinegras de asas douradas (Vermivora chrysoptera) e às de asa azul (Vermivora cyanoptera). No entanto, o seu canto era muito mais parecido com a de uma toutinegra Setophaga pensylvanica.

Depois de avistar o pássaro várias vezes, Burket relatou a sua descoberta no site de observação de pássaros do The Cornell Lab of Ornithology, o eBird. “Tentei fazer com que o email soasse um pouco intelectual para que os investigadores não pensassem que eu era um maluco”, disse Burket.

“Uma semana depois estava já com David Toews a recolher as medidas e uma amostra de sangue desta espécie. Foi uma manhã muito interessante e muito emocionante para nós”, lembra Burket. Poucos dias depois, Towes enviou uma mensagem a Burket, pontuada com vários pontos de exclamação – o observador amador de pássaros estava correto em relação às suas observações.

Os investigadores estudaram os genes que codificam a coloração e usaram-nos para descobrir como seria a ave mãe – chegando a uma mãe toutinegra de Brewster e a um pai toutinegra dos castanheiros. Esta é a primeira vez que esta combinação híbrida é vista. O estudo foi publicado recentemente na Biology Letters.

Mas o que é fascinante, é também preocupante, dado que algumas populações de toutinegras de asas douradas diminuíram drasticamente em Appalachia. Um novo tipo de evento de hibridação pode indicar que não há parceiros suficientes para todos, de modo a que as aves são obrigadas a procurar outras espécies para opções reprodutivas.

Persiste, todavia, uma outra preocupação. Sabemos que alguns híbridos de aves continuam férteis e são capazes de se reproduzir, mas não se sabe se este híbrido triplo será capaz de fazer o mesmo. Mesmo que consiga, as parceiras achá-lo-ão demasiado estranho para o escolherem como companheiro.

Mas nada como esperar por novos desenvolvimentos. Quem sabe se este pássaro “3 em 1” não será pai em breve.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
18 Novembro, 2018

 

 

1273: As mais antigas pegadas de réptil já encontradas estão no Grand Canyon

CIÊNCIA

Stephen Rowland

Milhares de pessoas passam todos os dias no Parque Nacional do Grand Canyon, nos EUA. Até agora, passaram despercebidas 28 pegadas deixadas por uma criatura pequena, semelhante a um réptil, com 310 milhões de anos.

“É o trilho de pegadas mais antigo já descoberto, num intervalo de rochas que ninguém achava que teria caminhos, e estão entre as primeiras pegadas de répteis do planeta“, disse Steve Rowland, professor de geologia da Universidade do Nevada que estuda caminhos fósseis na região.

Rowland, que apresentou as descobertas no recente encontro anual da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados, referiu que as pegadas foram criadas na altura em que o super-continente Pageia ainda se estava a formar.

O investigador foi alertado pela primeira vez para o fóssil na primavera de 2016 por um colega que estava a percorrer o trilho com um grupo de estudantes.

“A minha primeira impressão foi que parecia muito estranho por causa do movimento lateral”, disse Rowland. “Parecia que dois animais estavam a andar lado a lado. Não fazia nenhum sentido”.

Quando chegou em casa, fez desenhos detalhados e começou a formular hipóteses sobre a “peculiar linha” deixada pela criatura. “O animal poderia estar a andar contra um vento muito forte que soprava de lado”, disse ele.

Stephen Rowland
Ilustração do movimento do réptil feito por Stephen Rowland

Outra possibilidade era o declive ser muito íngreme e o animal ter-se esquivado enquanto subia a duna de areia. Mais uma alternativa: o animal poderia estar a lutar com outra criatura ou envolvido num ritual de acasalamento.

Rowland planeia publicar as descobertas com o geólogo Mario Caputo, da Universidade de San Diego, em Janeiro. O investigador também espera que a pedra seja colocada no museu de geologia do Parque Nacional do Grand Canyon para fins científicos e interpretativos.

Enquanto isso, Rowland considera a possibilidade de as pegadas pertencerem a uma espécie de réptil que ainda não foi descoberta.

Os primeiros dinossauros, de acordo com paleontólogos, surgiram no fim do período Triássico, ou seja, há 240 milhões de anos. O concorrente principal dos dinossauros eram os crocodilos. Dinossauros e crocodilos são parentes próximos, cujos antepassados se dividiram em meados do período Triássico.

A criatura, cujas pegadas foram encontradas, terá sido um dos primeiros representantes da sua espécie, deixando pegadas que resistiram 310 milhões de anos, ou seja, 2 milhões de anos após o possível aparecimento dos répteis.

ZAP // Sputnik

Por ZAP
12 Novembro, 2018

 

1272: ADN da múmia mais antiga das Américas revela a origem dos índios

CIÊNCIA

(dr) Friends of America’s Past
O Homem da Gruta de Spirit estava envolto num manto com duas camadas de tecido

Cientistas dinamarqueses decifraram o ADN da mais velha múmia das Américas, encontrada há meio século no sul dos EUA.

Durante muito tempo, especialistas acreditaram que os antepassados dos índios modernos se tinham deslocado para as Américas vindos do sul da Sibéria e da cordilheira de Altai, numa única onda de migração que ocorreu há cerca de 14 ou 15 mil anos.

Porém, a descoberta em 2012 do homem de Kennewick, mais parecido com os povos indígenas da Austrália e Oceânia do que com os povos asiáticos, fizeram com que muitos cientistas pensassem que teria havido três ondas de migração de antepassados dos índios e que todas ocorreram em períodos diferentes e com origens diferentes.

Os seguidores desta teoria acreditam que os representantes de algumas destas ondas migratórias se teriam extinguido completamente no passado remoto e não sobreviveram até os nossos dias. Devido à forma bastante estranha do crânio, estes povos poderiam ter pertencido aos chamados “paleoamericanos“, que nada têm relacionado com os índios modernos e os seus antepassados.

No entanto, Eske Willerslev, da Universidade de Copenhaga, e a sua equipa provaram que esta teoria estava parcialmente errada após terem decifrado o ADN da múmia mais velha da América do Norte, que se formou de modo natural numa caverna no actual do estado norte-americano do Nevada.

Os resultados do estudo, publicado na Science Advances, revelaram a origem dos índios modernos e a história da sua distribuição pelo continente.

Disputas pelos restos mortais da múmia

Os restos mortais deste homem antigo, que têm aproximadamente 10,6 mil anos, foram encontrados em 1940 na caverna de Spirit pelos arqueólogos Sydney e Georgia Wheeler. A idade da múmia foi identificada nos anos 90.

Esta múmia atraiu muita atenção por ser a mais antiga múmia “natural” das Américas. Porém, ao saber da descoberta, os índios que habitavam no Nevada exigiram que lhes devolvessem os restos dos “seus antepassados” para serem sepultados.

Depois de 18 anos de disputas, os especialistas prometeram aos índios que a múmia seria sepultada se fosse provado o seu parentesco com os povos modernos e não tivesse relação com os paleoamericanos.

Os paleontólogos dinamarqueses recolheram amostras de tecidos e ossos da múmia e extraíram o seu ADN. Willerslev e a sua equipa compararam a amostra com o ADN de outros povos antigos dos Estados Unidos, Brasil e da América Central, descobrindo muitos detalhes interessantes sobre a vida e migração dos antigos habitantes do continente.

Os laços de parentesco da múmia de 10 mil anos

Os resultados mostraram que os povos antigos que habitavam o Novo Mundo há cerca de 10 mil anos tinham laços de parentesco entre si e eram parentes próximos dos índios modernos.

Por um lado, a descoberta desmente parte da teoria sobre as várias ondas de migração – a diferente origem dos povos.

Por outro lado, diferenças significativas no ADN indicam que, logo após terem migrado para as Américas, os antepassados dos índios dividiram-se em três grupos. Um destes grupos, incluindo os parentes da múmia de Spirit, ficou na América do Norte e os outros dois dirigiram-se para sul, colonizando o continente inteiro.

Um processo semelhante poderá ter ocorrido há cerca de oito mil anos, quando habitantes da América Central começaram a penetrar no sul e no norte, dando origem aos antepassados dos índios de hoje.

ZAP // Sputnik

Por ZAP
11 Novembro, 2018

 

1248: Cientistas descobrem parte do Grand Canyon na Austrália

CIÊNCIA

Hostelworld.com
Grand Canyon, EUA

Uma equipa de investigadores encontrou provas de que, no passado remoto, os territórios da Austrália e dos Estados Unidos teriam estado ligados, fazendo parte de um super-continente.

Apesar de a ilha da Tasmânia, na Austrália, e o Grand Canyon do Arizona, nos Estados Unidos, se situarem a uma distância de milhares de quilómetros, uma equipa de investigadores acaba de confirmar que existe uma conexão geológica entre estas duas regiões.

Segundo o portal Phys.org,há 1,1 mil milhões de anos, estas duas regiões estiveram ligadas dado que pertenciam ambas ao super-continente Rodínia, cuja configuração tem sido objecto de debate no seio do mundo científico há mais de duas décadas.

A equipa de investigadores, liderada pelo cientista Jacob Mulder, encontrou uma estranha semelhança entre as rochas sedimentares do chamado Rocky Cape Group da Tasmânia e as do Unkar Group, localizado no Grand Canyon, no sudoeste dos Estados Unidos.

As rochas da Tasmânia confundiram os cientistas porque “não se assemelhavam” aos seus vizinhos australianos, pertencentes ao período Mesoproterozoico, explicou Mulder. Perante esta inconsistência, a equipa decidiu analisar os grãos minerais de zircónio, que constituem uma pequena proporção das rochas, para descobrir, então, a sua origem.

Esta experiência permitiu aos cientistas concluir que “as rochas do Grand Canyon não só são semelhantes às rochas da Tasmânia, como têm a mesma idade“.

Além disso, os “zircões detríticos presentes nas rochas sedimentares do Grand Canyon também apresentam a mesma estrutura geoquímica que os zircões nas sequências mesoproterozóicas da Tasmânia”, disse o autor do estudo, publicado recentemente na revista Geology.

“Juntas, estas evidências apoiam a tese de que as rochas sedimentares tasmanianas faziam parte do mesmo sistema de bacias mesoproterozóicas que agora estão expostas no Grand Canyon”, confirmou Mulder.

“Concluímos que, embora agora esteja do lado oposto do planeta, a Tasmânia deve ter estado ligada ao oeste dos Estados Unidos no Mesoproterozóico”, acrescentou o especialista.

Mulder defende ainda que  um futuro estudo aprofundado sobre a configuração do super-continente seria crucial para “entender os segredos da Rodínia, que tem permanecido um mistério durante décadas”.

ZAP // Sputnik News

Por SN
6 Novembro, 2018

 

1234: Raro polvo-Dumbo filmado nas águas profundas do Pacífico

CIÊNCIA

Nas águas profundas do Pacífico, ao largo da costa do estado norte-americano da Califórnia, uma equipa de cientistas marinhos teve a sorte de capturar uma rara e maravilhosa aparição: um fantástico polvo Dumbo.

Apesar de serem absolutamente adoráveis, é muito difícil observar polvos Dumbo (Grimpoteuthis) frequentemente, uma vez que esta espécie vive bastante abaixo da superfície do oceano, onde raramente os humanos se aventuram.

Felizmente, a equipe de E/V Nautilus é capaz de explorar estas profundidades com a ajuda de veículos subaquáticos operados remotamente, como o ROV Hercules. Actualmente, a sua expedição passa por estudar o Davidson Seamount, um vulcão extinto no Santuário Marinho Nacional da Baía de Monterey, na Califórnia.

Esta é uma captura em vídeo excepcional e a reacção dos cientistas vai exactamente nesse sentido: “Meu Deus é o pequeno Dumbo?”, indagou um especialista, repetindo-se quase de imediato de um coro entoando “Dumbo”, “Meu Deus”, “Tão bom!”.

Filmadas pela câmara de alta resolução do ROV Hercules, as imagens capturaram detalhes extraordinários do cefalópode enquanto este vai girando, ondulando o seu manto, virando e batendo as barbatanas nas laterais da sua cabeça, de forma semelhante às orelhas do célebre elefante dos desenhos animados da Disney, o Dumbo.

Normalmente, esta espécie de polvos mede cerca de 20 a 30 centímetros, embora um espécime incomum já tenha sido registado com quase 2 metros de comprimento.

A três quilómetros de profundidade, a região onde este incrível Dumbo foi avistado é conhecida como um oásis, uma espécie de jardim de águas profundas com corais e esponjas – e está repleto de polvos!

Recentemente, numa outra expedição na mesma área, a equipa descobriu o maior berçário de polvos do mundo, tendo contabilizado mais de mil espécimes de Muusoctopus robustus, enrolados em si mesmos, de forma a proteger os seus ovos.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
3 Novembro, 2018

 

1232: Cientistas “ressuscitam” um dos mais antigos “ancestrais” dos humanos

CIÊNCIA

(dr) SCRIPPS RESEARCH

Cientistas da China e dos Estados Unidos criaram uma bactéria sintética cujas características se parecem com as dos ancestrais das mitocôndrias, as “centrais de energia” das células.

Os eucariotas são todos os seres vivos – humanos, animais, fungos e plantas – com células eucarióticas que têm um núcleo complexo rodeado por vários organelos, diferenciando-se dos organismos unicelulares procariontes. Os cientistas acreditam que os eucariotas apareceram quando os seus ancestrais “assimilaram” várias bactérias e arqueias.

As mitocôndrias são uma boa ilustração deste processo, isto porque possuem uma membrana dupla que as separa do resto da célula e o seu próprio ADN e sistema de síntese de proteínas.

Actualmente, acredita-se que a “assimilação” de mitocôndrias foi um passo-chave na evolução dos “nossos ancestrais” unicelulares e teve lugar nas primeiras etapas deste processo.

Peter Schultz, um dos autores do estudo publicado recentemente na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), e a sua equipa criaram o primeiro “instrumento” que permite verificar esta teoria e entender se que forma as bactérias conseguiram penetrar e sobreviver dentro das células dos nossos ancestrais. Para isso, os cientistas transformaram radicalmente o ADN de uma bactéria bacilar.

Posteriormente, os especialistas inseriram estas bactérias em células de leveduras com mitocôndrias danificadas por um processo semelhante. Como mostrou a experiência, o aparecimento de micróbios dentro das células de leveduras fez com que as últimas ressuscitassem e permitiu iniciar um ciclo de multiplicação, levando consigo parte das novas “mitocôndrias”.

“Estes organismos sintéticos permitirão verificar duas teorias-chave sobre as etapas mais importantes da evolução de vida – a transição do ARN (ácido ribonucleico) para o ADN e a transição das células procariontes para eucariotas com mitocôndrias”, comentou o Peter Schultz.

No futuro, os cientistas planeiam mudar o genoma da bactéria bacilar para que seja ainda mais parecido com mitocôndrias reais. Novos experiência, acredita Schultz e a sua equipa, ajudarão a entender quando e como os ancestrais das bactérias começaram a usar esta simbiose.

ZAP // Sputnik News

Por SN
2 Novembro, 2018

 

1224: Terra atacada por extraterrestres hostis. Invasão começou em New Jersey

Há 80 anos, os EUA viveram horas de pânico com a primeira fake news de que há registo. Durante a emissão radiofónica da CBS, o ator Orson Welles interrompeu a programação para dar uma notícia de última hora: os marcianos estavam a invadir New Jersey. A notícia aterrorizou os ouvintes, que acreditaram que a Terra estava sob ataque de alienígenas hostis.

De acordo com o relato do locutor, tinham ocorrido explosões inusitadas em Marte e, como consequência, nuvens de gás dirigiam-se para a Terra. A música voltou à emissão, até que foi novamente interrompida por outra notícia igualmente assustadora: tinha sido avistado um objecto estranho num campo do estado norte-americano de New Jersey.

No entanto, as notícias eram falsas. O brilhante desempenho de Welles era, na verdade, a interpretação de uma versão de rádio-teatro do romance “A Guerra dos Mundos” (1898), de H. G. Wells, que narrava a invasão de extraterrestres ano nosso planeta.

Esta interpretação fazia parte de uma série semanal de transmissões dramáticas criadas em parceria com o Mercury Theatre on the Air para a emissora CBS, segundo a transcrição do próprio programa.

Para a produção deste episódio, Welles recorreu de forma genial a todos os recursos radiofónicos da época, interrompendo o programa musical com blocos de notícias de “última hora”. Além disso, o actor entrevistou ainda supostos especialistas e testemunhas oculares de foram a dar credibilidade à sua história.

Tal como nota a Deutsche Welle, a peça dava conta aos ouvintes que, apesar do perigo, era possível deter os invasores alienígenas, que iam incendiando exércitos completos e lançando gás tóxico na cidade de New York. O programa acabou por desencadear o pânico nas ruas da cidade.

Apesar de o programa ter conotações claramente teatrais, muitos dos norte-americanos sintonizados acreditaram que a ameaça alienígena era real, e as manchetes dos jornais no dia seguinte comprovaram isso mesmo – o pânico generalizado.

“Milhares de ouvintes saíram a correr das suas casas em New York e New Jersey, muitos dos quais com toalhas no rosto para se protegerem do ‘gás’ que o invasor estaria a espalhar”, escreveu o Daily News no dia seguinte, citado pelo Live Science.

British Library
Ilustração da edição de 1906 de “A Guerra dos Mundos”, de H.G.Wells, por Henrique Alvim Corrêa

No entanto, é importante frisar que, à luz da época, os americanos viviam sob o medo real que uma guerra atravessasse o país.

Na altura, em 1938, os norte-americanos iam recebendo informações terríveis sobre a Alemanha nazi, enquanto os britânicos já testavam máscaras de gás, caso fossem assolados por um ataque bélico. O EUA estavam envolvidos numa onda de medo.

Enquanto a peça teatral ia sendo transmitida, muitos norte-americano ligaram para a polícia, relatando nuvens de fumaça no horizonte, supostamente fruto das batalhas que as pessoas iam travando com os marcianos. Alguns habitantes foram ainda mais longe, afirmando ter visto alienígenas. Outros, por sua vez, estavam convencidos que os invasores fossem alemães. – o pânico estava instalado.

Como frisou a revista Slate, no 75º aniversário do programa de Orson Welles, as verdadeiras fake news só foram difundidas no dia seguinte através de meios de comunicação que descreveram histórias de pânico e histeria em massa nas ruas.

Na altura, jornais como o New York Times ou o Boston Daily Globe aproveitaram o momento para descredibilizar os novos média, rotulando-os com fonte pouco fidedigna e pouco responsável. Actualmente, acredita-se que essas notícias tenham sido clara e extremamente inflamadas, não sendo possível falar em histeria nas ruas.

(dr)
NYT

Curioso é que o pânico gerado pela adaptação da “Guerra dos Mundos” continua bem actual. E, também na época, a peça de Welles desencadeou discussão, até Adolf Hitler abordou o assunto, gracejando com “homenzinhos verdes que invadiam países”.

Apesar de o director da emissora explicar, em 1938, que o objectivo da emissão passava apenas pelo entretenimento, em 1955, e em entrevista à BBC, apresentou outras motivações: “Quando fizemos o programa dos marcianos, estávamos fartos de que tudo o que vinha dessa caixinha mágica, a da rádio, fosse simplesmente engolido”.

Assim, sustentou, a encenação foi, de certa forma, um ataque à credibilidade da rádio. “Nós queríamos fazer com que as pessoas entendessem que não podiam aceitar tudo o que saísse dos microfones”, explicou.

Tudo isto aconteceu há 80 anos, numa pacata noite de domingo, a 30 de Outubro, na véspera do Halloween. No entanto, o assunto não podia ser mais atual. As fake news assombram hoje, mais do que nunca, os média, afectando leitores, ouvintes e telespectadores.

É ainda de salientar que todo este pânico foi gerado numa época onde não existam redes sociais – que certamente teriam aguçado toda a polémica. Actualmente, as fake news não são menos recorrentes, o seu propósito é que é outro – passamos do entretenimento às campanha eleitorais e às influências nas urnas. É incontestável: as fake news são transversais ao próprio tempo.

ZAP // Deutsche Welle / LiveScience

Por ZAP
31 Outubro, 2018

 

1198: lha havaiana desapareceu do mapa (e a culpa foi do furacão Walaka)

Imagens de satélite, divulgadas esta semana, revelam que a East Island foi aniquilada por fortes tempestades na sequência do furacão Walaka, um dos furacões mais intensos do Pacífico, que atingiu a região no início do mês.

Imagens de satélite, divulgadas esta semana pelo Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos, mostram a faixa de areia branca quase inteiramente desaparecida após a passagem do furacão Walaka, que passou pelas ilhas do noroeste do Havai como uma enorme tempestade de categoria 3, no início deste mês.

East Island, juntamente com a vizinha Tern Island, também danificada pelo furacão, eram um importante local de reprodução de foca-monge-do-havai, uma espécie em grave perigo de extinção, e a casa da tartaruga verde, também ameaçada, além de outras espécies de aves marinhas. East Island era a segunda maior ilha do atol French Frigate Shoals e um autêntico abrigo de biodiversidade.

Este habitat vital, que agora existe apenas debaixo das ondas do mar, não poderá voltar a ser um território seguro e seco para estes animais. Apesar de os investigadores ainda não terem avaliado a escala da ameaça à vida selvagem local, sugerem que a escala é grave.

“As espécies são resilientes até certo ponto”, disse o biólogo Charles Littnan, da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). “Mas essa resiliência pode terminar.”

(dr) East Island after Hurricane Walaka
East Island, antes e depois do furacão

Ao Huffington Post, Charles Littnan, director da Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA, disse que, muito provavelmente, vai demorar vários anos até se conseguir perceber o que a perda da ilha representa para estas espécies. Além disso, o biólogo destacou ainda que a probabilidade de ocorrências como esta aumenta com as alterações climáticas.

Por sua vez, o superintendente da reserva marinha de Papahanaumokuakea, Athline Clark, descreve as imagens de satélite como “impressionantes” e afirma que, apesar de as implicações a longo prazo não serem claras, o desaparecimento da ilha vai ter efeitos significativos nos ciclos de reprodução futuros.

Os cientistas não têm a certeza se o desaparecimento desta ilha é um incidente isolado. “Vamos assistir a muitas histórias semelhantes nos próximos anos“, escreveu o ambientalista Bill McKibben, citado pelo ScienceAlert.

ZAP //
Por ZAP
25 Outubro, 2018

 

1195: A criatura viva mais pesada do Mundo está a ser devorada (e pode morrer)

CIÊNCIA

Para um visitante desprevenido, o Pando não passa de mais um bosque de álamos. Porém, durante 14 mil anos, as suas raízes têm guardado um segredo genético que o torna bem mais interessante.

O Pando é uma área de 43 hectares perto de Fish Lake, no estado de Utah, nos EUA. Apesar de ser semelhante a outros bosques, alguns cientistas consideram-no como “o maior organismo vivo do mundo”.

O bosque é composto por 47 mil árvores, que estão ligadas por um sistema de raízes e, por isso, são idênticas geneticamente. “Todas estas árvores são, na realidade, uma só árvore”, explicou o geógrafo Paul Rogers, do departamento de Ecologia da Universidade Estatal do Utah.

O bosque reproduz-se, portanto, de duas formas. Uma acontece quando as árvores deixam cair as sementes que, depois, germinam. Mas a mais comum ocorre quando os seres libertam brotos das raízes, permitindo o nascimento de novas árvores, que são chamadas “clones”.

O Pando não é o único bosque clone, mas é o mais extenso. Como os especialistas o consideram como um só organismo, somam o peso de todas as árvores, o que significa que o bosque pesa cerca de 13 milhões de toneladas.

Desta forma, o bosque é o ser vivo mais pesado no planeta. Não se pode dizer que seja o maior organismo vivo do mundo porque, segundo alguns cientistas, essa liderança pertence ao fungo Armillaria ostoyae, localizado na Floresta Nacional de Malheur, em Oregon, EUA.

Rogers liderou um estudo, publicado na revista Plos One, que revela que nos últimos 40 anos o Pando deixou de crescer, tendo até diminuído de tamanho. O geógrafo não sabe quão rapidamente continuará em redução, mas acredita que “em 10 anos, irá diminuir de tamanho significativamente”.

Os alámos podem viver entre 100 a 130 anos. O problema é que estão a morrer sem que haja uma nova geração que os substitua. “É como se fosse uma cidade com 47 mil habitantes de 85 anos”, comparou Rogers.

De acordo com a investigação, a principal causa para a incapacidade de expansão é o facto de se ter concentrado na zona uma grande quantidade de veados e vacas, que comem os brotos antes que estes consigam crescer.

“Temos de começar a reduzir o número de animais que estão a comer as árvores“, alertou o especialista em Ecologia. “Se o bosque colapsar, todas as espécies que dependem dele também vão desaparecer”.

Para Rogers, as soluções passam por ampliar as cercas que protegem algumas zonas do bosque, trabalhar com os criadores de gado para que retirem as vacas da área e sacrificar alguns veados.

A ideia é “dar espaço ao Pando para que recupere”. “Aprender sobre o Pando serve para saber como viver de forma compatível com a nossa Terra”, concluiu o investigador.

ZAP // BBC
Por ZAP
25 Outubro, 2018

1138: Descoberta causa da falha na Soyuz. Astronautas que sobreviveram voltam ao espaço na primavera

Aubrey Gemignani / NASA
Lançamento do lançador Soyuz-FG com a nave espacial Soyuz TMA-20M no Cosmódromo de Baikonur, Março de 2016

Os astronautas Alexey Ovchinin e Nick Hague deverão voltar ao espaço na primavera de 2019, depois da nave espacial Soyuz MS-10 ter sido obrigada na quinta-feira a aterrar de emergência devido a uma falha no motor.

O anúncio do regresso do russo Alexey Ovchinin e o do norte-americano Nick Hague ao espaço na primavera de 2019 foi feito hoje pelo director da Roscosmos, Dmitry Rogozin.

“Os dois astronautas definitivamente vão voar. Estamos a planear o voo para a primavera do próximo ano”, disse Rogozin numa mensagem publicada na rede social Twitter, na qual colocou uma foto sua com Alexei Ovchinin e Nick Hague, todos sorridentes.

A nave espacial Soyuz MS-10, com dois tripulantes a bordo, foi obrigada a aterrar de emergência devido a uma falha no motor, depois de ter descolado no Cazaquistão rumo à Estação Espacial Internacional onde permaneceriam durante seis meses.

De acordo com os planos, estava previsto que a nave cumprisse quatro voltas à terra para seis horas depois acoplar na Estação Espacial Internacional.

Os astronautas Alexei Ovichinin, da Roscosmos, e Nick Hague, da NASA, aterraram na quinta-feira nas estepes do país da Ásia central na sequência da falha no motor do foguetão russo que os deveria transportar para a Estação espacial internacional.

O administrador da NASA, Jim Bridenstine, disse numa declaração que Hague e Ovchinin estavam em boas condições de saúde e que seriam transportados para o Centro de Treino Cosmonauta Gagarin na Cidade das Estrelas, nos arredores de Moscovo.

Acrescentou ainda que ia ser iniciada “uma investigação apurada sobre a causa do incidente”.

Na Estação Espacial Internacional encontram-se, desde Junho, os membros da Missão 57, o comandante Alexander Gerst da Agência Espacial Europeia, a piloto da NASA, Serena Auñon-Chancellor e o piloto da Roscosmos Serguei Prokópiev.

Astronautas aterram de emergência após falha na Soyuz

Equipa de astronautas que seguia esta quinta-feira a bordo da nave-espacial Soyuz rumo à Estação Espacial Internacional (EEI) foi obrigada…

As causas da avaria

Uma colisão entre secções do foguetão pode ter sido a “causa directa” da avaria que obrigou a nave espacial russa Soyuz MS-10 a aterrar de emergência pouco depois do lançamento, disse hoje o director da agência espacial russa Roscosmos, Serguei Krikaliov.

“Ainda não há versões definitivas, mas o que é evidente é que a causa directa foi a colisão de um elemento lateral que faz parte da primeira secção do foguetão. Na verdade, ao separar-se ocorreu um contacto entre a primeira e segunda secção”, disse Krikaliov à agência russa Novosti.

O director da Roscosmos não descarta que o foguetão “se tenha desviado da trajectória programada e que a parte inferior de uma das secções se tenha destruído“.

Serguei Krikaliov indicou que a comissão governamental que investiga o acidente deve apresentar os primeiros resultados oficiais da perícia no próximo dia 20 de Outubro.

“Os primeiros fragmentos [do foguetão] recuperados na estepe do Cazaquistão vão ajudar a estabelecer as causas da avaria”, disse.

Entretanto, o Comité de Emergência do Ministério do Interior do Cazaquistão informou hoje que foi encontrado um fragmento da Soyuz M-10 a cerca de 40 quilómetros da cidade de Zhezkasgán e que já foi enviado para os especialistas da Roscosmos.

Krikaliov sublinhou que os lançamentos de foguetões Soyuz-FG ou similares foram suspensos até que sejam determinadas, de forma definitiva, as causas da avaria de quinta-feira.

“É possível que o lançamento da nave cargueiro Progress, que estava programado para o dia 31 de Outubro, venha a ser adiado e a próxima missão tripulada prevista para o dia 20 de Dezembro vai conhecer uma nova data”, informou o responsável.

ZAP // Lusa

Por Lusa
13 Outubro, 2018