4282: O primeiro teste nuclear da História pode ter causado um grande número de cancros

CIÊNCIA/SAÚDE

Wikimedia
A Experiência “Trinity” foi o primeiro teste nuclear da história, conduzido pelos Estados Unidos a 16 de Julho de 1945

Uma equipa de cientistas mostrou que a Experiência “Trinity”, no Novo México, Estados Unidos, em 1945, pode ter causado vários casos de cancro devido à alta exposição à cinza nuclear.

A Experiência “Trinity” foi o primeiro teste nuclear da História, tendo sido conduzida pelos Estados Unidos, no deserto do Novo México, a 16 de Julho de 1945. É considerada o marco do início da chamada Era Atómica.

Agora, uma investigação levada a cabo por cientistas do Instituto Nacional do Cancro norte-americano mostra que a explosão fez com que muitas pessoas deste Estado tivessem sido expostas a altos níveis de radiação nuclear, conta o canal estatal russo RT.

“A detonação nuclear expôs os habitantes do Novo México a diversos níveis de radiação por causa da cinza nuclear, dependendo, em parte, da região do Estado em que viviam, quanto tempo estiveram dentro das estruturas protetoras nos meses posteriores ao teste e quanta radiação entrou nos seus corpos através de alimentos e água contaminados”, explicam os autores do estudo publicado, a 1 de Setembro, na revista científica Health Physics.

Uma situação que, segundo os cientistas, pode ter levado a vários casos de cancro, cujo número exacto ainda é desconhecido.

“A preocupação é que a inalação de plutónio poderá ter provocado um maior risco de cancro do pulmão, dos ossos ou do fígado. A dose de radiação seria uma consequência da inalação de partículas respiráveis ​​de cinza nuclear ou do solo contaminado”, assinala o estudo.

Tal como recorda o mesmo site, os habitantes do Novo México lutam há 75 anos para que o Governo dos Estados Unidos reconheça os danos causados pela “Trinity” ​​e inclua os afectados num programa federal de compensação.

Depois desta primeira experiência nuclear, os Estados Unidos lançaram, no mesmo ano, em plena II Guerra Mundial, duas bombas nucleares no Japão: a primeira em Hiroxima, baptizada de “Little Boy”, e a segunda em Nagasaki, denominada “Fat Man”.

Os bombardeamentos de Hiroxima e Nagasaki mataram, de imediato, pelo menos 120 mil pessoas, tendo feito muitas outras vítimas, nos anos seguintes, devido aos altos níveis de radiação.

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5 Setembro, 2020

 

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4210: Ex-Presidente dos EUA aprovou uma missão ao interior da Terra para conhecer “pessoas-toupeira”

HISTÓRIA/EUA

White House / Wikimedia
O ex-Presidente dos EUA John Quincy Adams.

O sexto Presidente norte-americano, John Quincy Adams, financiou uma viagem ao centro do nosso planeta, que serviria para conhecer as “pessoas-toupeira” que acreditavam viver debaixo da Terra.

John Quincy Adams foi o sexto Presidente dos Estados Unidos, governando de 1825 a 1829. Durante o seu mandato, ele aceitou financiar uma viagem ao centro da Terra para descobrir o que está debaixo da camada externa do nosso planeta e encontrar as “pessoas-toupeira” que lá vivem.

As “pessoas-toupeira” ou mole people são os sem-abrigo que vivem debaixo das grandes cidades, nas linhas de metro, ferrovias e esgotos. Assim, suspeita-se que Adams acreditasse na Teoria da Terra Oca, que sugere que a Terra é completamente oca, contendo outras camadas ocas, cada uma com a sua própria atmosfera.

Foi no século XIX que se propôs aceder a estas camadas interiores do nosso planeta através da vastos buracos na crosta terrestre. John Cleves Symmes Jr. foi um dos estudiosos que sugeriu que nos pólos da Terra havia aberturas gigantes que permitiam chegar às suas camadas ocas, escreve a IFLScience.

O buraco de Symmes

Foi então que Symmes decidiu fazer uma expedição ao Polo Norte para conhecer estes seres subterrâneos. Para tal, decidiu procurar a ajuda de 100 “bravos companheiros” que se juntassem a ele. Os aventureiros partiriam da Sibéria através do “gelo do mar congelado” com a ajuda de renas.

“Acredito que encontraremos terra quente e rica, abastecida com vegetais e animais, senão homens, ao chegarmos a um grau ao norte da latitude 82″, escreveu Symmes na circular divulgada.

A necessitar de financiamento, Symmes encontrou em John Quincy Adams a ajuda que tanto necessitava. Embora muitos mostrassem credulidade em relação à teoria de Symmes, o estudioso parece ter conseguido convencer o presidente norte-americano.

No entanto, Andrew Jackson sucedeu a Adams no fim do seu mandato e o financiamento à expedição ao Polo Norte caiu por terra. Symmes acabou por nunca fazer a sua tão desejada viagem até aos pólos, mas quem o fez, não viria a encontrar nada que corroborasse a sua arrojada teoria.

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23 Agosto, 2020

 

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4102: Quase metade dos russos acredita que a alunagem dos Estados Unidos foi uma farsa

CIÊNCIA/LUA/EUA/RÚSSIA

David Scott / NASA

Uma nova sondagem revelou que quase metade dos russo acredita que a alunagem dos Estados Unidos em meados de 1969 foi uma farsa do Governo.

A pesquisa de opinião, que contou com a participação de 1.600 adultos na Rússia, revelou ainda que apenas 31% dos inquiridos acredita que os astronautas norte-americanos pousaram na Lua no século passado, escreve a revista Newsweek.

A primeira alunagem, durante a qual os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin se tornaram as primeiras pessoas a pisar a superfície lunar, recorde-se, aconteceu durante a corrida espacial entre os Estados Unidos e a Rússia.

Ambas as nações estavam a expandir os seus programas espaciais na época e, oito anos antes, a Rússia tornou-se no primeiro país a enviar uma pessoa para o Espaço, o cosmonauta Yuri Gagarin, mas os Estados Unidos acabariam por “ganhar” a corrida lunar.

Pouco depois de os Estados Unidos alunarem, a União Soviética negou estar envolvida numa corrida espacial com a nação norte-americana, alegando não ter qualquer programa lunar ou ter criticado a agência espacial norte-americana.

Foram necessários anos para que os russos admitissem que estavam a tentar chegar à Lua. Em meados de 1989, o jornal norte-americano New York Times publicou um artigo sob o título “Os russos finalmente admitem que perderam a corrida para a lua”.

A mesma revista norte-americana detalha ainda que as teorias que defendem que a alunagem dos Estados Unidos foi uma farsa surgiram pouco depois da missão Apollo 11.

Em 2015, a Rússia sugeriu mesmo que se investigasse a chegada do Homem à Lua.

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3 Agosto, 2020

 

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3993: Japão e Estados Unidos assinam acordo de cooperação para exploração da Lua

CIÊNCIA/ESPAÇO

Marshall Space Flight Center / NASA

O Ministério da Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia do Japão e a agência espacial dos Estados Unidos (NASA) assinaram um acordo de colaboração entre os dois países no programa Artemis, para a exploração da Lua.

A informação é esta semana avançada pelos média japoneses.

“Demos um grande passo em direcção ao primeiro desembarque de japoneses na Lua”, disse o ministro Koichi Hagiuda em conferência de imprensa, citado pela Russia Today.

O acordo prevê uma alunagem para meados de 2024.

Segundo o documento, a participação japonesa passará pela criação da espacial Gateway.

O país contribuirá com tecnologias como baterias e sistemas de monitorização ambiental para o Gateway Outpost e o Logistics Outpost, a serem lançados em 2023, bem como para o International Housing Module, que será construído posteriormente, segundo detalha o The Japan Times.

O programa Artémis, recorde-se, visa estabelecer uma presença humana permanente na superfície e na órbita Lua, sendo composto por três elementos: o foguete SLS (Space Launch System), a cápsula Orion e a estação espacial Gateway.

Filha de Zeus e irmã gémea de Apollo, Artémis é a deusa grega da caça, das florestas, da Lua e dos animais. Apollo foi, precisamente, o nome do programa da NASA que possibilitou a chegada do Homem à Lua, em 1969.

“Vamos voltar à Lua para ficar”, foi assim que a agência espacial dos Estados Unidos descreveu, no fim de 2019, a sua missão lunar, frisando que a expedição abre portas para a Humanidade trabalhar e viver de forma sustentável fora do planeta Terra.

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13 Julho, 2020

 

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3759: “A Rússia não permitirá a privatização da Lua”, avisa Roscosmos

ESPAÇO/LUA/EUA/RÚSSIA

Doug Zwick / Flickr

A Rússia não permitirá a privatização da Lua, independentemente de quem avance a iniciativa, avisou o chefe da agência espacial russa (Roscosmos), Dmitri Rogozin, em entrevista ao jornal Komsomólskaya Pravda.

“Não permitiremos que ninguém privatize a Lua (…) É ilegal e vai em sentido contrário ao direito internacional”, sustentou o responsável da Roscosmos, cujas declarações são reproduzidas pela cadeia russa Russia Today.

Rogozin revelou também que a Rússia não pretende entrar numa corrida lunar com os Estados Unidos. “A Lua interessa-nos principalmente em termos da sua origem e conservação como satélite natural da Terra (…) Mas a Lua não é o nosso objectivo final. Não vamos entrar numa corrida lunar semelhante a uma competição eleitoral”, garantiu.

Na mesma entrevista, o responsável da Roscosmos revelou o calendário russo para a exploração lunar: o país pretende lançar a missão Luna-25 em 2021 e, três anos depois, em 2024, planeia enviar a sonda Luna-26 em órbita lunar.

Posteriormente, pretende lançar a a aeronave pesada Luna-27, que levará a cabo trabalhos científicos na superfície da Lua, visando perfurar o regolito lunar.

A declaração de Rogozin surge depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter assinado uma ordem executiva que estabelece a política do Estados Unidos sobre a exploração de recursos para lá da Terra, frisando que o país apoia esta actividade.

No documento assinado em meados de abril, o Trump frisa que o actual regime regulatório permite a utilização destes recursos, que podem ser encontrados na Lua ou em asteróides, apelando ainda à cooperação de outros estados ou entidades para explorá-los.

“Os norte-americanos devem ter o direito de participar da exploração comercial, extracção e uso de recursos no espaço sideral, de acordo com a lei aplicável. O espaço sideral é um domínio legal e fisicamente exclusivo da actividade humana, e os Estados Unidos não veem como um bem comum global”, pode ler-se no despacho.

O líder norte-americano recorda ainda que os Estados Unidos não fizeram parte do subsequente Acordo da Lua, datado de 1979, que estipula que o uso não científico de recursos espaciais será regido por uma estrutura reguladora internacional.

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30 Maio, 2020

3659: Misterioso avião espacial dos EUA vai voltar ao Espaço. Desta vez, sabemos porquê

CIÊNCIA/ESPAÇO/X37B

 

– Mais uma vez tive de recorrer a um editor de captura de écran (screen capture) para gravar o vídeo acima dado que não existe, no original, qualquer link para o reproduzir. Lamentável…

O avião espacial militar super-secreto dos Estados Unidos vai voltar ao Espaço para mais uma missão em 16 de Maio. Ao contrário das outras vezes, o Departamento da Defesa explicou o que lá vai fazer.

O avião espacial X-37B das Forças Armadas dos Estados Unidos está prestes a ser lançado para a sua sexta missão. A aeronave vai ser lançada a partir da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, na Florida, em 16 de maio. A Força Espacial dos Estados Unidos será responsável pelo lançamento, operações em órbita e pouso.

O X-37B é um veículo orbital desaparafusado que se assemelha a uma mini-versão do vaivém espacial da NASA, medindo apenas 8,8 metros de comprimento. De acordo com o portal IFLScience, esta será a sua primeira missão a usar um compartimento para hospedar experiências.

Uma das experiências vai testar a reacção de “materiais significativos” às condições do Espaço e outra vai estudar o efeito da radiação do ambiente nas sementes das plantas. A terceira experiência vai transformar a energia solar em energia de micro-ondas por radiofrequência e a transmissão dessa energia para a Terra.

A missão também implantará o FalconSat-8, um pequeno satélite construído e projectado por cadetes da US Force Academy que realiza cinco experiências separadas.

“Esta sexta missão é um grande passo para o programa X-37B”, afirmou Randy Walden, director executivo do programa do Departamento do Escritório de Capacidades Rápidas da Força Aérea, em comunicado. “Esta será a primeira missão X-37B a usar um módulo de serviço para hospedar experiências. A incorporação de um módulo de serviço nessa missão permite-nos continuar a expandir os recursos da espaço-nave e hospedar mais experiências do que qualquer uma das missões anteriores”.

O X-37B completou a sua última missão em Outubro de 2019, depois de orbitar a Terra por 780 dias.

Há muito pouca informação oficial publicada sobre as suas missões anteriores. O site da Força Aérea dos EUA afirma vagamente que os “objectivos principais do X-37B são duplos: tecnologias de espaço-naves reutilizáveis ​​para o futuro da América em experiências espaciais e operacionais que podem ser devolvidos e examinados na Terra”.

A falta de detalhes passada alimentou uma quantidade razoável de conspirações sobre as verdadeiras intenções do avião espacial. Uma teoria popular defende que está a testar propulsores numa órbita relativamente baixa, com o objectivo de lá colocar satélites de reconhecimento no futuro próximo.

Outros sugeriram que está a ser usado actualmente para algum tipo de aplicação militar ou de inteligência. De acordo com um relatório da revista Spaceflight publicado em 2012, a órbita do X-37B seguiu de perto a do antigo laboratório espacial da China, Tiangong-1, levando a especulações de que estava a ser usado para a vigilância do Espaço contra estados estrangeiros.

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Juntas, as missões X-37B acumularam 2.865 dias em órbita, durante sete anos de testes de tecnologia.

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8 Maio, 2020

 

3644: Administração Trump prepara acordo para a mineração da Lua

 

ESPAÇO/NEGÓCIOS

Os Acordos de Artemis, a que a agência Reuters teve acesso, propõem zonas de segurança em redor de futuras bases no satélite natural da Terra para prevenir danos ou interferência de países ou empresas rivais a operar nas mesmas áreas.

Lua cheia em Maio.
© EPA/Jesus Diges

O presidente norte-americano, Donald Trump, estabeleceu como objectivo voltar a pôr um homem — e a primeira mulher — na Lua até 2024, como primeiro passo ter uma “presença sustentável” de humanos no satélite natural da Terra depois disso. Segundo a agência Reuters, estão já a ser preparados os acordos legais que permitirão também a mineração da Lua.

A Lua pode ser um manancial de recursos raros, considerados vitais para o futuro do nosso planeta. Além de metais raros, tem o gás hélio-3 (que poderá ser eventualmente usado na fusão nuclear) e água, que pode ser convertida em combustível e permitir uma maior exploração espacial.

De acordo com as fontes da agência de notícias, a ideia passa pela criação de “zonas de segurança” em redor das futuras bases de diferentes países ou empresas, para prevenir danos ou interferências. O acordo visa também a criação de uma base legal internacional para a exploração comercial dos recursos lunares, que permita às empresas poderem ser proprietárias dos recursos que minarem — algo que já existe na legislação norte-americana desde 2015.

“Isto não é uma reivindicação territorial”, disse uma das fontes à Reuters, sob anonimato. As “zonas de segurança”, cujo tamanho pode variar dependendo da operação — vai permitir coordenar entre os diferentes actores espaciais sem reivindicação de território ou soberania.

“A ideia é que se vais aproximar-se das operações de alguém, e eles declararam uma zona de segurança em redor, então precisas de os contactar antecipadamente e decidir como o podes fazer em segurança para todos”, acrescentou.

Os EUA são signatários do Tratado do Espaço Exterior, de 1967, segundo o qual os corpos celestes e a Lua “não estão sujeitos a apropriação nacional por reivindicação de soberania, através do uso ou ocupação, ou quaisquer outros meios”.

Os acordos de Artemis (que vão buscar o nome ao novo programa da NASA de colocar humanos novamente na Lua) querem substituir um debate longo nas Nações Unidas, com os EUA a alegar que negociar com países que não têm qualquer presença espacial seria improdutivo.

A Administração Trump irá apresentar os seus planos nas próximas semanas aos parceiros que considera terem um interesse semelhante ao dos EUA na Lua, como o Canadá, o Japão, os países europeus e os Emirados Árabes Unidos. Contudo, não há planos para contactar a Rússia (parceiro na Estação Espacial Internacional) ou a China (que acaba de testar um novo foguetão, com um protótipo de um vaivém espacial e uma nave de carga, sendo que esta se desintegrou no regresso à atmosfera).

A 27 de maio, a NASA tem previsto voltar a lançar uma missão tripulada a partir de solo norte-americano pela primeira vez em quase nove anos, depois de uma parceria com a Space X de Elon Musk. Desde 2011 e do fim do programa de vaivéns espaciais que a NASA depende dos russos para colocar astronautas na Estação Espacial Internacional.

Diário de Notícias

DN

 

3575: Partes dos EUA e do México podem vir a enfrentar uma seca prolongada

CIÊNCIA/AMBIENTE

martin_heigan / Flickr

Cientistas alertam que partes dos Estados Unidos e do México podem vir a enfrentar uma seca prolongada num futuro próximo.

Com base numa análise dos níveis de precipitação desde a viragem do século, e como estes se igualam aos níveis de humidade do solo registados por anéis de árvores nos últimos 1200 anos, cientistas sugerem que a região sudoeste da América do Norte pode vir a enfrentar a pior seca de sempre, escreve o Science Alert.

De acordo com os cientistas, as condições registadas nesta região desde 2000 correspondem aos tempos de seca severa no passado e, por isso, esta seca prolongada (megadrought em Inglês) até pode já ter começado.

A equipa responsável pelo estudo, publicado, na última sexta-feira, na revista Science, identificou quatro secas prolongadas particularmente graves, sendo que os anos entre 2000 e 2018 estão a superar três dessas secas em termos de falta de humidade (e estão intimamente ligados à quarta, de 1575 a 1603).

A análise também mostrou que esta seca actual está a afectar áreas mais amplas, e de forma mais consistente, factor que a equipa de investigadores atribui às alterações climáticas.

As secas anteriores foram provocadas por factores naturais, como o arrefecimento da temperatura dos oceanos, que impediu que as tempestades chegassem à costa oeste dos Estados Unidos.

“Não importa se esta é a pior seca de todos os tempos. O que importa é que está a ser muito pior do que seria por causa das alterações climáticas”, afirma Benjamin Cook, cientista da Universidade de Columbia e um dos autores do estudo.

Esta pesquisa também mostra que o século XX foi o mais chuvoso dos 1200 anos abrangidos. “O século XX deu-nos uma visão excessivamente optimista de quanta água está potencialmente disponível. E isto mostra que estudos como este não são apenas sobre a história antiga, são sobre problemas que já nos afectam agora”, acrescenta Cook.

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21 Abril, 2020

 

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3156: Descoberta nova espécie de tubarão pré-histórico que podia chegar aos sete metros

CIÊNCIA

(CC0/PD) PIRO4D / Pixabay

Uma nova espécie de tubarão pré-histórico foi descoberta no Kansas, nos Estados Unidos. Este predador podia crescer até quase sete metros de comprimento.

De acordo com a revista Newsweek, Kenshu Shimada, da Universidade DePaul, e Michael J. Everhart, da Universidade Fort Hays State, identificaram esta nova espécie a partir de 134 dentes, 61 vértebras, escamas e cartilagens calcificadas encontradas em rochas da Carlile Formation, nos Estados Unidos.

Os restos analisados datam do Cretáceo Superior, período entre 66 e 100 milhões de anos. Nesta altura, a América do Norte foi separada em duas partes pelo Mar interior ocidental.

Segundo a mesma publicação, esta nova espécie pertence ao género Cretodus, do qual havia quatro espécies conhecidas. O predador recentemente descoberto foi apelidado de C. houghtonorum e mais detalhes desta descoberta foram publicados, em Novembro, no Journal of Vertebrate Paleontology.

“Este novo tubarão difere de todas as outras espécies conhecidas deste género por ter uma variedade distinta de dentes com formas únicas. A nossa análise mostrou que os dentes deste tubarão são diferentes (em tamanho e em forma) de qualquer outra espécie conhecida de Cretodus e que justificam o nome da nova espécie”, explica Everhart em comunicado.

Os investigadores afirmam que o C. houghtonorum era uma espécie grande, estimando que o espécime descoberto teria quase cinco metros de comprimento. No entanto, a sua análise também mostrou que a espécie poderia crescer até quase sete metros.

Relativamente à idade, o espécime analisado pelos investigadores norte-americanos mostra que morreu com cerca de 22 anos, mas a equipa acredita que a espécie poderia viver até aos 51 anos de idade.

Os cientistas dizem ainda que os tubarões recém-nascidos desta espécie teriam cerca de um metro, um “tamanho grande” que sugere que — tal como muitas espécies de tubarões que ainda vivem hoje em dia — os embriões comeriam os seus irmãos enquanto estavam no útero. Os investigadores dizem que isto mostra que o comportamento evoluiu no final do Cretáceo Superior.

Os fósseis do C. houghtonorum foram encontrados perto das barbatanas dorsais de um Hybodontiforme e dos dentes de um Squalicorax. Ambas eram espécies de tubarão mais pequenas e, com base na condição dos restos encontrados, sugerem que a nova espécie morreu logo depois de comer o Hybodontiforme, sendo que depois apareceu o Squalicorax e comeu a carcaça do tubarão maior.

Shimada e Everhart também observaram que a nova espécie provavelmente teria vivido ao lado do Cretoxyrhina mantelli, um dos maiores tubarões do Cretáceo Superior (poderia crescer mais de sete metros de comprimento e teria sido um predador alfa).

Os cientistas acreditam que as duas espécies poderiam ter vivido juntas uma vez que utilizavam ambientes diferentes — o C. houghtonorum ficava perto da costa e o C. mantelli em águas profundas e longe da costa “possivelmente representando um caso de particionamento de recursos entre as duas espécies”, concluíram.

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8 Dezembro, 2019

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3040: Com a ajuda de um radar, cientistas revelaram pegadas de mamutes e humanos pré-históricos

CIÊNCIA

(dr) Cornell University
Os cientistas no Monumento Nacional de White Sands, no Novo México, nos EUA

Espalhados pelo Monumento Nacional de White Sands, nos Estados Unidos, encontram-se os “rastos fantasma” de mamutes mortos há milhares de anos. Agora, investigadores conseguiram revelar pegadas de humanos.

De acordo com o Science Alert, esta descoberta, que remete para o final do Plistoceno, há cerca de 12 mil anos, foi possível graças ao radar de penetração no solo (GPR), capaz de analisar o que se passa por baixo da superfície do solo sem ser necessário escavar.

“Nunca pensámos analisar pegadas. Mas acontece que o próprio sedimento tem uma memória que regista os efeitos do peso e do momento do animal. Isso dá-nos uma forma de entender a biomecânica da fauna extinta que nunca tivemos antes”, declara em comunicado o investigador Thomas Urban, da Universidade de Cornell.

Entre as trilhas descobertas estão 800 metros de pegadas humanas, cruzadas com as impressões de um grande Proboscidea, possivelmente um mamute-colombiano (Mammuthus columbi).

Os resultados coincidem com a análise realizada no ano passado pela mesma equipa. Neste caso, no entanto, foram revelados muito mais detalhes sobre o sedimento subjacente, que podem mostrar como estas criaturas antigas estavam a caminhar.

“Mas há implicações maiores do que apenas este caso de estudo. A técnica poderia ser aplicada em muitos outros locais com pegadas fossilizadas, incluindo potencialmente de dinossauros”, explica Urban, um dos autores do estudo agora publicado na revista científica Scientific Reports.

Com o GPR, os cientistas não precisam de esperar pelas condições perfeitas para identificar e analisar as pegadas, algo que é particularmente útil nas paisagens instáveis de White Sands, assim como noutros lugares espalhados pelo mundo.

“Embora nunca possamos encontrar os restos fossilizados do animal que especificamente fez estas pegadas, sabemos como se moveu, quão grande era, quão rápido estava a andar, apenas por olhar para estas pegadas”, afirma a paleontóloga Lisa Buckley, que não esteve envolvida na pesquisa, em declarações à Gizmodo.

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16 Novembro, 2019

 

2980: Os fogos na Califórnia deixaram uma cicatriz na Terra (e vê-se do Espaço)

INCÊNDIOS/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

NASA

O maior incêndio já registado no condado de Sonoma, na Califórnia, queimou durante quase duas semanas tudo o que aparecia no seu caminho. Até agora, o fogo de Kincade queimou 31.467 hectares de vegetação e ainda está violento.

O seu caminho queimado e enegrecido foi agora revelado numa nova fotografia de satélite da NASA. Em 3 de Novembro, o Radiómetro Avançado de Emissão e Reflexão Térmica do Espaço (ASTER) a bordo do satélite Terra capturou a imagem dos danos.

Essa grande região de cinza escuro que percorre toda a extensão da fotografia é a cicatriz deixada pelo fogo. Está salpicada de pontos amarelados e com pixeis, que são os pontos de calor na visão da ASTER – ou seja, é aí que o fogo ainda arde.

É o maior incêndio da temporada de incêndios na Califórnia em 2019 até agora. Um relatório do National Interagency Fire Center divulgado na semana passada alertou que a temporada deve durar até Dezembro devido às condições de seca, com as chuvas previstas para o final deste ano.

Também é muito mias pequeno do que o maior incêndio do ano passado, o Mendocino Complex Fire, que atingiu 185.800 hectares em Julho, Agosto e Setembro.

De acordo com o Departamento de Silvicultura e Protecção contra Incêndios da Califórnia, nos 12 dias em que o incêndio de Kincade esteve a arder, foram destruídas 374 estruturas – incluindo edifícios residenciais e comerciais -e outras 60 foram danificadas. Por outro lado, apenas quatro pessoas ficaram feridas no incêndio e nenhuma morte foi relatada.

De acordo com o ScienceAlert, estima-se que o incêndio esteja 86% sob controlo e as ordens de evacuação emitidas foram levantadas. Algumas áreas permanecem em espera de evacuação e o Oficial de Saúde do Condado de Sonoma proclamou uma emergência de saúde local e emitiu uma Ordem de Saúde que ainda permanece. Para todos os outros, o National Interagency Fire Center aconselha a preparação.

“A melhor coisa que os cidadãos podem fazer é ser sensatos ao fogo”, afirmou o relatório. “Agora é a hora de se preparar para os incêndios florestais e ter um plano para estar pronto para os incêndios florestais se chegarem à sua área”.

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8 Novembro, 2019

 

2974: EUA querem trazer energia solar do espaço para a Terra

CIÊNCIA

A energia solar parece ser o caminho para substituir o petróleo no nosso planeta. Apesar de ainda estarmos a muitas décadas dessa completa transformação, há já planos e movimentações ambiciosas para recolher energia solar. Assim, conforme foi dado a conhecer, os EUA pretendem enviar energia solar do espaço para a Terra.

O Laboratório de Investigação da Força Aérea dos EUA (AFRL), em parceria com a empresa Northrop Grumman, terá um projecto para desenvolver uma sofisticada tecnologia orbital.

Americanos querem trazer energia solar do espaço para a Terra

De acordo com o que tem sido veiculado, a Força Aérea dos Estados Unidos está a trabalhar no desenvolvimento de um sistema que permite aos militares recolher energia solar no espaço e enviá-la para a Terra.

Conforme relata o Stars and Stripes, este projecto está em andamento no Laboratório de Investigação da Força Aérea em Albuquerque. É um projecto que conta com um financiamento acima dos 100 milhões de dólares e que foi baptizado como Projecto de Demonstração e Investigação Incremental de Energia Solar no Espaço (SSPIDR).

Esta tecnologia permitirá a recolha de enormes quantidades de energia solar no espaço. Posteriormente, essa energia será transmitida de forma concentrada para bases remotas dos EUA durante operações militares.

Como funcionaria a transferência dessa energia solar recolhida?

O SSPIDR recolherá a energia solar no espaço e irá converter a mesma numa radiofrequência para descer à Terra. No planeta, esta radiofrequência será então convertida de volta a energia por meio de estações receptoras no solo.

A ideia pode soar como algo vindo de um romance de ficção científica. Contudo, já existe esta técnica desde a década de 1960. O SSPIDR não só permitiria aos militares enviar energia para postos avançados remotos, como também eliminaria os riscos agora envolvidos no transporte de electricidade para postos avançados em regiões hostis.

Conforme é sabido, os militares actualmente têm que levar geradores de combustível diesel para postos avançados, expondo tropas a possíveis emboscadas. No entanto, o SSPIDR permitiria que os postos avançados recebessem energia sem colocar em risco a vida dos soldados americanos.

Segundo o Engadget, a China planeia lançar o desenvolvimento e o lançamento de um sistema semelhante até 2025.

Eficiência maior do que os painéis solares terrestres

Há um vasto leque de vantagens, inclusive a eficácia do SSPIDR sobre os painéis solares convencionais na Terra. O Departamento de Energia dos EUA estima que cerca de 30% da energia seja reflectida no espaço pela atmosfera da Terra. O SSPIDR poderia recolher energia durante todo o dia – se estiver posicionado correctamente no espaço – e transportá-la continuamente para a Terra.

Produza a sua própria energia eléctrica mas tenha estes cuidados

Nunca a energia solar esteve tão barata e nunca houve tanta vontade do mundo em geral produzir a sua própria energia. Depois de termos explicado que já é possível produzir a sua própria energia eléctrica, … Continue a ler

Pplware
06 Nov 2019

 

2951: Português entre os premiados com 2,7 milhões por imagem de buraco negro

CIÊNCIA

A equipa de cientistas, que inclui o astrofísico português Hugo Messias, que obteve a primeira imagem de um buraco negro recebe este domingo um prémio de três milhões de dólares (2,7 milhões de euros) pelo trabalho inédito.

A NASA também tem estudado os buracos negros
© NASA NASA/Reuters

O Prémio Breakthrough, atribuído nos Estados Unidos, reconhece avanços científicos de excelência, tendo como patrocinadores Mark Zuckerberg, um dos fundadores do Facebook, e Sergey Brin, ex-presidente da Google.

A “fotografia” do buraco negro – localizado no centro da galáxia M87, a 55 milhões de anos-luz da Terra, e com uma massa 6,5 mil milhões de vezes superior à do Sol – foi apresentada em Abril e foi conseguida graças aos dados recolhidos das observações feitas, no comprimento de onda rádio, com uma rede de oito radiotelescópios espalhados pelo mundo, que funcionaram como um só e com uma resolução sem precedentes.

O “telescópio gigante” foi designado Event Horizon Telescope, tendo Hugo Messias participado nas observações com um dos radiotelescópios, o ALMA, no Chile.

A equipa internacional de 347 cientistas que obteve a primeira imagem de um buraco negro super-maciço, neste caso a sua silhueta formada por gás quente e luminoso a rodopiar em seu redor, foi premiada na categoria de Física Fundamental.

A imagem dos contornos do buraco negro – o buraco em si, um corpo denso e escuro de onde nem a luz escapa, não se vê – permitiu comprovar mais uma vez a Teoria da Relatividade Geral, de 1915, do físico Albert Einstein, que postula que a presença de buracos negros, os objectos cósmicos mais extremos do Universo, deforma o espaço-tempo e sobreaquece o material em seu redor.

De acordo com a equipa científica envolvida na observação, a sombra do buraco negro registada é o mais próximo da imagem do buraco negro em si, uma vez que este é totalmente escuro.

Diário de Notícias
Lusa
03 Novembro 2019 — 09:15

 

2881: Cientistas criam vasos sanguíneos artificiais funcionais

CIÊNCIA

qimono / Pixabay

Cientistas nos Estados Unidos usaram impressão 3D para fabricar vasos sanguíneos funcionais que poderão vir a ser usados clinicamente em casos de doenças vasculares.

O resultado das experiências é relatado num estudo publicado esta terça-feira no boletim Applied Physics Reviews e mostra que “o vaso sanguíneo artificial é uma ferramenta essencial para salvar doentes com problemas cardiovasculares“, afirmou o principal autor Ge Gao.

A matéria prima para fabricar este tipo de vasos é biotinta obtida a partir de células da artéria aorta e de uma veia umbilical, que através de uma técnica de impressão 3D foi transformada em aortas abdominais colocadas em seis ratos de laboratório.

“Há produtos usados clinicamente feitos a partir de polímeros, mas não têm células vivas nem funções vasculares”, assinalou Gao, notando que usando materiais orgânicos se consegue preservar a complexidade natural do vaso sanguíneo e acelerar a formação de tecidos vasculares funcionais, mais fortes e menos dados a tromboses.

Depois de fabricado, o vaso sanguíneo artificial é refinado em laboratório para afinar as suas características físicas e biológicas, espessura, alinhamento das células, resistência, flexibilidade e capacidade para se contrair, como um vaso sanguíneo natural.

ZAP // Lusa

Por Lusa
22 Outubro, 2019

 

2866: Encontrado nos EUA um peixe que respira fora de água

CIÊNCIA

Brian Gratwicke / WIkimedia

O Departamento de Recursos Naturais do estado da Geórgia dos EUA anunciou que, pela primeira vez, um Channidae, uma espécie não nativa de peixe que já invadiu com sucesso outros 14 estados, foi vista nas águas da Geórgia pela primeira vez.

O peixe é uma espécie famosa invasora nos EUA e é um predador particularmente prejudicial para as espécies nativas porque pode competir com elas e superá-las. Pode crescer até mais de um metro e as fêmeas podem depositar até 100 mil ovos num ano em vários eventos de desova.

A característica mais marcante é que é um respirador de ar facultativo – pode respirar ar subaquático e regular – para que possa sobreviver em terra durante vários dias, o que também pode contribuir para o seu sucesso.

Em 2002, desencadeou um debate nacional sobre como lidar com espécies não-nativas assumindo o controlo após o infame incidente com estes peixes em Crofton, Maryland. Depois de terem sido encontrados seis peixes adultos em duas lagoas, ambas foram libertadas com pesticidas e todos os peixes – e mais de 1.000 jovens – foram destruídos.

De acordo com o IFLScience, este incidente, por sua vez, inspirou pelo menos filmes de monstros: Snakehead Terror, Frankenfish, Swarm of the Snakehead e o Fishzilla: Snakehead Invasion.

O animal foi relatado pela primeira vez na Geórgia após dois jovens terem sido encontrados num lago localizado em propriedade privada no país de Gwinnett, não muito longe de Atlanta. Foi um pescador que reportou os animais à Divisão de Recursos Naturais do Departamento de Recursos Naturais.

“A nossa primeira linha de defesa na luta contra espécies invasoras aquáticas são os nossos pescadores”, disse Matt Thomas, chefe de pesca da Divisão de Recursos da Vida Selvagem, em comunicado. “Graças ao rápido relato de um pescador, a nossa equipa conseguiu investigar e confirmar a presença dessa espécie neste corpo d’água. Agora estamos a tomar medidas para determinar se se espalharam a partir desse corpo d’água e, esperançosamente, impedir que se espalhe para outras águas da Geórgia”.

Em comunicado, o departamento pede às pessoas, especialmente aos pescadores, que aprendam a reconhecer os peixes de água doce. O conselho é, de acordo com o comunicado: “Mate-o imediatamente e congele-o”. Em seguida, é necessário anotar onde foi encontrado e alertar as autoridades. É ilegal importar, vender, transferir e possuir esta espécie sem uma licença válida para animais selvagens.

Estes peixes são nativas de partes da Ásia, como Rússia, China e Península Coreana. O animal espalhou-se para os Estados Unidos através de libertação não autorizada e os cientistas relataram a presença de populações reprodutivas na Florida, Hawai, Virgínia e Nova York. O peixe prefere água estagnada como lagoas e é principalmente devorador de peixes, mas também pode comer anfíbios, crustáceos e outros invertebrados.

ZAP //

Por ZAP
20 Outubro, 2019

 

2864: A educação científica está sob ataque legislativo nos Estados Unidos

CIÊNCIA

argonne / Flickr

São inúmeros os professores de ciências que trabalham diariamente nas escolas públicas dos Estados Unidos para garantir que os alunos estão equipados com o conhecimento teórico e prático necessário para enfrentar o futuro. No entanto, há alguns projectos de lei que ameaçam a integridade da educação científica no país.

Nos estados do Indiana, Montana e Carolina do Sul, os projectos de lei procuravam exigir a deturpação dos tópicos supostamente controversos dentro da sala de aula. Por sua vez, no Connecticut, Florinda e Iowa, os projectos de lei iam mais longe e visavam além da sala de aula, incluindo tópicos supostamente controversos nos padrões científicos estaduais.

Apesar destas diferenças, os projectos de lei tinham um objectivo comum: minar o ensino da evolução ou das alterações climáticas, avança o Scientific American.

O Indiana, por exemplo, tinha o intuito de obrigar as escolas a ensinarem uma alternativa à evolução, enquanto que o projecto lei de Montana exigiria que as escolas públicas do estado negassem as alterações climáticas nas aulas.

Qualquer um destes projectos seria um ataque ao objectivo da educação de ciências nas escolas públicas, uma vez que é suposto que os alunos tenham o direito de aprender certos tópicos científicos de acordo com a compreensão da comunidade científica. Entre os cientistas, o nível de aceitação da evolução situa-se nos 99% e o das alterações climáticas cifra-se em 97%, pelo que deturpar estes tópicos seria frustrar o ensino científico.

A Associação Nacional de Ensino de Ciências concorda. Em comunicado, a NSTA descreve a evolução como “um importante conceito unificador na ciência” que “deve ser enfatizado nas estruturas e currículos de educação científica do ensino”. Da mesma forma, a associação recomenda que os professores de ciências “enfatizem aos alunos que não existe controvérsia científica sobre os fatos básicos das alterações climáticas“.

Os legisladores, que deveriam defender os professores, apresentam este tipo de projectos de lei e pode haver uma razão para explicar esta atitude: servir as ideologias dos seus eleitores – religiosas, no caso da evolução; políticas, no caso das alterações climáticas.

Certo é que, se os professores de ciências das escolas públicas norte-americanas não conseguirem ensinar evolução ou alterações climáticas com precisão, a alfabetização científica de milhões de estudantes poderá estar em risco.

ZAP //

Por ZAP
19 Outubro, 2019

 

2784: Terramoto de 1964 libertou um fungo mortal no Pacífico

CIÊNCIA

Yakuzakorat / Wikimedia

Há duas décadas, uma infecção fúngica rara, mas mortal, começou a matar animais e pessoas nos EUA e no Canadá. Até hoje, ninguém sabia como chegou lá.

Agora, um par de cientistas apresentou a sua própria teoria: os tsunamis, provocados por um forte terremoto em 1964, encharcaram as florestas do noroeste do Pacífico com água que continha o fungo.

O fungo chama-se Cryptococcus gattii. Como muitas espécies de fungos, tende a preferir viver no solo, principalmente perto de árvores. Mas também podem invadir os pulmões dos animais vivos, onde começam a crescer novamente. A partir daí, podem infectar o sistema nervoso.

A maioria das pessoas expostas a C. gattii não fica doente e a doença não é contagiosa entre as pessoas. Mas é uma das infecções fúngicas mais mortais do mundo, capaz de adoecer pessoas perfeitamente saudáveis. A sua taxa de mortalidade pode chegar a 33%.

C. gattii tem vivido em ambientes tropicais e subtropicais, principalmente na Austrália e na Papua Nova Guiné. Porém, em 1999, estes surtos do mesmo tipo único de C. gattii começaram a aparecer ao longo do Noroeste do Pacífico Norte-Americano, sem uma explicação clara de como o fungo lá chegou. Desde então, os subtipos estabeleceram-se firmemente em toda a costa oeste, adoecendo centenas de animais e pessoas.

Tem havido várias teorias sobre como o C. gattii chegou ao Noroeste do Pacífico. Alguns cientistas argumentaram que surgiu pela primeira vez das florestas tropicais da América do Sul; outros especularam que veio da Austrália.

Os autores do novo estudo, publicado este mês na revista especializada mBio, teorizaram anteriormente que navios da América do Sul levaram o fungo para as águas costeiras do noroeste do Pacífico, logo após a abertura do Canal do Panamá em 1914, que estabeleceu um transporte relativamente fácil entre o Atlântico e Oceanos do Pacífico. O momento faria sentido, com evidências genéticas a sugerir que todas as populações de C. gattii nos EUA e no Canadá têm entre 66 e 88 anos.

Agora, os cientistas argumentam que o fungo conseguiu sustentar-se durante décadas nas águas do Noroeste do Pacífico antes que outro grande evento o espalhasse pelo continente: o Grande Terremoto do Alasca de 1964.

Ainda registado como o maior terremoto já detectado no Hemisfério Norte e o segundo maior do mundo – registando um 9,2 na escala Richter – o desastre natural matou mais de 100 pessoas, destruiu edifícios e desencadeou uma cadeia de tsunamis que chegaram até ao Japão, de acordo com o Gizmodo.

“Esse evento, como nenhum outro na história recente, causou um empurrão maciço de água do oceano nas florestas costeiras do [noroeste do Pacífico]”, escreveram os autores. “Esse evento pode ter causado uma exposição de C. gattii às costas regionais, incluindo as da ilha de Vancouver, Colúmbia Britânica, Canadá, Washington e Oregon”.

O caso dos autores é quase inteiramente circunstancial. Mas trazem algumas evidências convincentes. Por um lado, com base na análise genética, todas as cepas de C. gattii atualmente presentes no noroeste do Pacífico parecem ter chegado lá num grande evento décadas antes de 1999. As primeiras investigações de surtos também encontraram níveis mais altos de fungos nas árvores e nos solos mais perto do nível do mar. Além disso, pelo menos um paciente de Seattle adoeceu com C. gattii em 1971, quase três décadas antes dos surtos de 1999, mas após o tsunami.

Os autores observam que existem outros casos de desastres naturais que desencadearam surtos de doenças infecciosas raras. Por exemplo, um tornado de 2011 em Joplin, Missouri, pode ter espalhado uma onda de infeções devoradoras de carne causadas pelo fungo Apophysomyces.

Mesmo que a teoria seja verdadeira, ainda há a questão de por que passaram décadas até casos começarem a aparecer regularmente. Se é verdade que C. gattii pode sobreviver nas águas costeiras durante longos períodos de tempo, também precisamos de descobrir se há outras áreas do mundo que podem estar em risco.

Para esse fim, os autores estão a analisar amostras de água em todo o mundo para procurar vestígios do fungo que podem ter passado despercebidos.

ZAP //

Por ZAP
6 Outubro, 2019

 

2753: Verme com três sexos descoberto em lago tóxico

CIÊNCIA

(dr) Caltech

O lago Mono, na Califórnia, é um lugar inóspito para a maioria das espécies excepto bactérias e algas resistentes a águas alcalinas. Contudo, investigadores encontraram nele um estranho verme com três sexos.

Oito espécies de vermes microscópicos foram recentemente descobertas no lago Mono, na Califórnia, por investigadores do Caltech, nos Estados Unidos. Dessas oito espécies o instituto destaca uma, completamente desconhecida até agora, que tem três sexos: macho, fêmea e hermafrodita.

Para sobreviverem neste lago altamente salgado, as espécies revelaram ter uma grande resistência ao arsénico, fazendo delas “extremófilos” — organismos que conseguem sobreviver em condições geoquímicas extremas, prejudiciais à maioria das outras formas de vida na Terra.

O verme, temporariamente baptizado de Auanema sp., consegue sobreviver com níveis de arsénico 500 vezes superiores aos sustentados por seres humanos.

O New Atlas explica que o hermafroditismo é relativamente comum no reino dos invertebrados, mas que no caso deste verme as coisas são algo diferentes. Os típicos nemátodes só se dividem em dois géneros: machos e hermafroditas. Contudo, neste caso, foram encontrados exemplares do sexo feminino.

Os investigadores notaram que havia quase tantos hermafroditas como machos e fêmeas. Estes conseguem reproduzirem-se sozinhos, não precisando de um parceiro sexual. Os cientistas repararam também que nos primeiros ciclos reprodutivos, os vermes tendiam a ter machos ou fêmeas. À medida que envelheciam, havia uma maior probabilidade de terem crias hermafroditas.

“Uma possível explicação para este ciclo de vida de três sexos é que fêmeas e machos podem ajudar a manter a diversidade genética por meio de recombinação sexual, enquanto os hermafroditas podem-se dispersar em novos ambientes e estabelecer novas populações — já que eles podem aumentar a população por si próprios”, disse James Siho Lee, co-autor do estudo.

“Os extremófilos podem mostrar-nos muito sobre estratégias inovadoras para lidar com o stress”, disse o líder da equipa de investigadores, Pei-Yin Shih, citado pela Sputnik News. O estudo foi publicado na semana passada na revista científica Current Biology.

“O nosso estudo mostra que ainda temos muito que aprender sobre como estes animais de mil células dominaram a sobrevivência em ambientes extremos”, reconheceu.

ZAP //

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2 Outubro, 2019

 

2732: DARPA quer editar o genoma dos soldados norte-americanos para os proteger “dos pés à cabeça”

MUNDO (ALUCINADO)

pexels.com

O Pentágono quer explorar a possibilidade de editar a composição genética de um soldado para o proteger contra ataques químicos e biológicos.

Por parecer um enredo de ficção científica, mas Steven Walker, director da Agência de Projectos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA), revelou na passada segunda-feira que as Forças Armadas norte-americanas estão muito próximas de se tornar ainda mais intrusivas, caso os investigadores sejam capazes de editar, com sucesso, o genoma dos soldados.

A DARPA está a estudar esta possibilidade “para proteger um soldado no campo de batalha contra armas químicas e bacteriológicas controlando o seu genoma, garantindo assim que o genoma produz proteínas capazes de proteger automaticamente o soldado dos pés à cabeça”, explicou o responsável.

Walker reconheceu que a ideia pode soar um pouco heterodoxa, mas insistiu que os esforços de edição genética promovidos pela agência seriam, primordialmente, para proteger as tropas, e não para aprimorá-las. “Estas tecnologias são de uso dual: podemos usá-las para o bem ou para o mal. A DARPA está empenhada em usá-las para o bem, para proteger os nossos combatentes”, garantiu, num comunicado do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

A ciência ao serviço da defesa poderá fazer com que a DARPA vá ainda mais longe e consiga fornecer às Forças Armadas uma alternativa ao uso de vacinas. “Será impossível acumular vacinas e antivírus suficientes para proteger uma população inteira no futuro. No entanto, até agora, tudo o que temos é uma pesquisa”, advertiu Walker.

Ainda assim, segundo o Washington Examiner, o responsável sublinhou que é por este motivo que a DARPA está empenhada em reunir esforços para “transformar o corpo humano numa fábrica de anticorpos“.

Para que a técnica seja eficaz e útil, será necessário desenvolver ainda a capacidade de remover os genes editados – a chamada “remediação genética“. O programa Genes Seguros da DARPA terá com objectivo reverter os efeitos da já conhecida técnica de Redição genética CRISPR.

ZAP //

Por ZAP
29 Setembro, 2019

 

2721: Guerra nuclear entre Rússia e Estados Unidos mataria 34 milhões de pessoas em poucas horas

CIÊNCIA

Uma guerra nuclear entre a Rússia e os Estados Unidos mataria cerca de 34 milhões de pessoas em poucas horas, revelou uma nova investigação conduzida por cientistas norte-americanos.

A equipa de cientistas da Universidade de Princeton especializada em segurança e armas nucleares criou uma simulação apelidada de “Plano A”, na qual mostra a devastação que uma eventual guerra entre estes dois país provocaria, noticia a BBC.

De acordo com a emissora britânica, os danos seriam assustadores: em cerca de cinco horas, morreriam 34 milhões de pessoas e mais de 57 milhões ficariam feridas.

Os cientistas frisam na mesma investigação que o conflito se tornou “dramaticamente” mais plausível nos últimos dois anos, uma vez que tanto a Rússia como os Estados Unidos deixaram de apoiar medidas de controlo de armas.

“O risco de uma guerra nuclear aumentou dramaticamente depois de os Estados Unidos e a Rússia terem abandonado o tratado de controlo de armas nucleares (…) [Estes países] começaram a desenvolver novos tipos de armas nucleares e ampliaram as circunstâncias nas quais seria possível usar essas mesmas armas”, advertem.

A simulação, que resulta de um projecto do programa de Ciência e Segurança Global (SGS) da universidade norte-americana, contou apenas eventuais mortos e feridos, deixando de fora outros milhões de pessoas que poderiam contrair doenças ou outros problemas de saúde a longo prazo devido ao conflito, detalha o jornal britânico The Independent.

O objectivo da simulação, contaram os especialistas citados pela BBC, passa por chamar a atenção sobre as “consequência potencialmente catastróficas” de uma guerra nuclear entre os Estados Unidos e a Rússia.

Especialistas ouvidos pela emissora britânica consideram que estas simulações podem ser importantes para dissuadir potências mundiais a não chegarem a um confronto nuclear.

“Há já algum tempo que vemos este tipo de situações e são sempre alarmantes“, disse Sarah Kreps, professora da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, onde investiga os impactos da proliferação de armas de destruição em massa.

“Estas simulações são úteis para reforçar a dissuasão. Se não há transparência e se há optimismo sobre as consequências de um conflito nuclear, é mais provável que alguma das partes escale a sua posição, seja consciente ou inconscientemente”, apontou.

A guerra simulada

A equipa publicou no YouTube um vídeo com os resultados da simulação. A simulação começa com a Rússia a tentar impedir uma ofensiva dos Estados Unidos e de membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Na guerra simulada, os russos lançam um míssil nuclear de “advertência” na fronteira entre Alemanha, Polónia e República Checa. Com este ataque, o conflito escala: a Rússia envia aviões com um total de 300 ogivas nucleares e dispara mísseis de curto alcance contra base e tropas da OTAN na Europa.

Em resposta, a OTAN envia aviões que viajam rumo à Rússia com 180 ogivas nucleares. A esta altura do conflito, explica a BBC, o objectivo de cada força passa por evitar que o inimigo tenha oportunidade de se recuperar e, por isso, cada país lança ataques contra as 30 cidades mais povoadas do adversário.

Em cada bombardeio, seriam utilizadas entre 5 e 10 ogivas nucleares, dependendo do tamanho da cidade. O resultado: em 45 minutos, mais 85,3 milhões de vítimas, entre mortos e feridos. Em menos de cinco horas, haveria 91,5 milhões de vítimas: 34,1 milhões de mortes instantâneas e 57,4 milhões de feridos.

Estes números poderiam aumentar significativamente caso se contabilizassem as mortes a longo prazo causadas por resíduos radioactivos deixados no ar.

Um outro estudo, também conduzido por cientistas norte-americanos, concluiu que uma guerra entre estas duas potências mundiais mergulharia o planeta num inverno nuclear que duraria pelo menos uma década e que afectaria todo o globo.

ZAP // BBC

 

2703: Alterações climáticas podem propagar fungo de doença mortal

CIÊNCIA

Até ao momento, dois estados norte-americanos concentram a maioria dos 10 mil casos de febre do vale diagnosticados no país.

© iStock Até ao momento, dois estados norte-americanos concentram a maioria dos 10 mil casos de febre do vale diagnosticados no país.

Califórnia e Arizona, com desertos secos e estações chuvosas, possuem o ambiente e o clima ideais para que o fungo Coccidioides, causador da doença, sobreviva e prospere. Mas, de acordo com um estudo publicado recentemente no GeoHealth, as alterações climáticas, como o aumento da temperatura global, podem fazer com que o fungo se dissemine a nível global.

A estimativa é de que até o ano de 2100, o alcance do fungo cresça a ponto de aumentar em 50% o número de casos de febre do vale. Actualmente, o fungo está restrito ao território actual por conta das chuvas e da temperatura, mas as mudanças climáticas podem aumentar significativamente o seu raio de actuação. “Calculamos que poderia haver mais áreas em que esse fungo poderia viver no futuro”, afirmou Morgan Gorris, investigador do departamento de ciências do sistema terrestre da Universidade da Califórnia em Irvine e principal autor do estudo.

O fungo Coccidioides cresce durante o período de secas, criando esporos que podem ser lançados no ar pelo vento. Esses esporos são inalados, causando a febre do vale. Apesar dos sintomas serem leves, com tosse, febre e calafrios, a doença causa cerca de 200 mortes por ano nos Estados Unidos, vitimando principalmente idosos ou pessoas com o sistema imunológico comprometido.

O estudo comparou as chuvas, a temperatura e outros dados ambientais com as taxas de incidência da febre do vale para identificar as condições ambientais correlacionadas à doença. Com essas informações, a pesquisa pôde prever quais os locais nos quais a doença poderia ser encontrada tendo como base a previsão de condições climáticas para o futuro.

Assim, o resultado foi de que os estados ocidentais ao norte estão mais propensos a ‘receber’ o fungo. “Passará por Oklahoma, Colorado, Wyoming, áreas mais secas”, explicou James Randerson, professor do departamento de ciências dos sistemas terrestres da Universidade da Califórnia e co-autor da pesquisa. Afirmou ainda que a doença tem potencialidade para se propagar por outros países – já que as alterações climáticas afectam o mundo inteiro e a globalização que facilita o transporte de pessoas sobretudo de avião irá com certeza facilitar a sua propagação.

msn lifestyle
Liliana Lopes Monteiro
24/09/2019

 

2688: Jovens do mundo inteiro ocupam a ONU em inédita Cimeira do Clima

AMBIENTE

Justin Lane / EPA
O secretário geral da ONU, António Guterres, com a activista Greta Thunberg, de 16 anos

Mais de 500 jovens, representantes de mais de 140 países, ocuparam este sábado o espaço habitualmente destinado aos diplomatas da ONU.

A United Nations Youth Climate Summit, primeira cimeira da juventude sobre o clima, em Nova York, aconteceu este sábado, após as enormes manifestações contra o aquecimento global que tiveram lugar por todo o mundo na sexta-feira.

Os jovens compareceram em força à cimeira, tendo proposto soluções concretas e exigindo dos chefes de Estado medidas para travar as mudanças climáticas.

Duas gerações inauguraram o dia de debates na sede das Nações Unidas. A primeira foi representada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, o grande dinamizador do encontro, que culmina na segunda-feira com a Cimeira do Clima dos líderes mundiais.

A ambientalista sueca Greta Thunberg representava a segunda geração, este sábado a maioria dos participantes.

Mostrámos que estamos unidos e que os jovens são imparáveis“, disse a activista de 16 anos, que ficou conhecida pelas suas greves às sextas-feiras em frente ao Parlamento sueco, sob o lema “Sextas pelo Futuro”, que se transformaram em um movimento mundial.

A sueca preferiu dar o seu tempo ao representante de outros continentes, e foi o discurso do argentino Bruno Rodríguez, de 19 anos, que expressou melhor a indignação da juventude mundial.

“Dizem que a nossa geração deve resolver os problemas criados pelos actuais governantes, mas não vamos esperar passivamente. Chegou a hora de sermos os líderes“, disse o fundador da organização Jovens pelo Clima Argentina. “Basta! Não queremos mais combustíveis fósseis!”, afirmou o activista.

Energia rara

Segundo a correspondente da RFI em Nova York, Carrie Nooten, raramente se viu nos corredores da ONU tanta energia e tantas soluções concretas. Os participantes puderam apresentar quer projectos tecnológicos quer naturais, criados nos seus países de origem, para combater as mudanças climáticas.

Há muito tempo que pedimos um lugar à mesa dos que tomam as decisões”, disse aos jovens líderes Jayathma Wickramanayake, mandatária para a juventude do secretário-geral da ONU. “Hoje, são os líderes mundiais que estão a pedir para negociar connosco”, completou.

A jovem Kamal Karishma Kumar, das Ilhas Fiji, realçou que para as ilhas do Pacífico combater as mudanças climáticas é uma questão de sobrevivência. “Não queremos que as gerações futuras afundem com nossas ilhas“, afirmou.

Em nome dos 625 milhões de jovens africanos, o queniano Wanjuhi Njoroge recordou que os países de África são os que emitem menos gases de efeito estufa, mas os que mais sofrem com as consequências do aquecimento global, e pediu acima de tudo apoio financeiro “para trabalhar na mitigação e adaptação às mudanças climáticas”.

Sentado entre os jovens, Guterres pediu-lhes que continuem a lutar e exigir que os líderes prestem contas sobre os seus planos para o clima”.

Ainda estamos a perder a corrida contra o aquecimento global. Ainda há quem atribua subsídios às energias fósseis e centrais de carvão. Mas nota-se uma mudança nesta dinâmica, devido em parte às vossas iniciativas e à coragem com que vocês começaram este movimento”, afirmou.

Na sexta-feira, cerca de 4 milhões de jovens saíra às ruas de mais de 5 mil cidades em 163 países do planeta, para participar do maior protesto da história na luta contra as mudanças climáticas.

Cimeira dos líderes mundiais

A cimeira da juventude abriu a Cimeira do Clima da ONU, que termina esta segunda-feira com uma reunião de chefes de Estado. Representantes de mais de 60 países participam do encontro e novos anúncios para conter o aquecimento global são esperados.

Os líderes mundiais começam a chegar este domingo a Nova York para participar no evento, ao qual se segue a Assembleia Geral da ONU da próxima terça-feira. O presidente dos EUA, Donald Trump, tal como o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, vão estar presentes na Assembleia Geral da ONU, mas não participarão na Cimeira do Clima.

O motivo, António Guterres, é não terem mostrado interesse.

ZAP // RFI

Por RFI
22 Setembro, 2019