3157: Descoberta nova espécie de tubarão pré-histórico que podia chegar aos sete metros

CIÊNCIA

(CC0/PD) PIRO4D / Pixabay

Uma nova espécie de tubarão pré-histórico foi descoberta no Kansas, nos Estados Unidos. Este predador podia crescer até quase sete metros de comprimento.

De acordo com a revista Newsweek, Kenshu Shimada, da Universidade DePaul, e Michael J. Everhart, da Universidade Fort Hays State, identificaram esta nova espécie a partir de 134 dentes, 61 vértebras, escamas e cartilagens calcificadas encontradas em rochas da Carlile Formation, nos Estados Unidos.

Os restos analisados datam do Cretáceo Superior, período entre 66 e 100 milhões de anos. Nesta altura, a América do Norte foi separada em duas partes pelo Mar interior ocidental.

Segundo a mesma publicação, esta nova espécie pertence ao género Cretodus, do qual havia quatro espécies conhecidas. O predador recentemente descoberto foi apelidado de C. houghtonorum e mais detalhes desta descoberta foram publicados, em Novembro, no Journal of Vertebrate Paleontology.

“Este novo tubarão difere de todas as outras espécies conhecidas deste género por ter uma variedade distinta de dentes com formas únicas. A nossa análise mostrou que os dentes deste tubarão são diferentes (em tamanho e em forma) de qualquer outra espécie conhecida de Cretodus e que justificam o nome da nova espécie”, explica Everhart em comunicado.

Os investigadores afirmam que o C. houghtonorum era uma espécie grande, estimando que o espécime descoberto teria quase cinco metros de comprimento. No entanto, a sua análise também mostrou que a espécie poderia crescer até quase sete metros.

Relativamente à idade, o espécime analisado pelos investigadores norte-americanos mostra que morreu com cerca de 22 anos, mas a equipa acredita que a espécie poderia viver até aos 51 anos de idade.

Os cientistas dizem ainda que os tubarões recém-nascidos desta espécie teriam cerca de um metro, um “tamanho grande” que sugere que — tal como muitas espécies de tubarões que ainda vivem hoje em dia — os embriões comeriam os seus irmãos enquanto estavam no útero. Os investigadores dizem que isto mostra que o comportamento evoluiu no final do Cretáceo Superior.

Os fósseis do C. houghtonorum foram encontrados perto das barbatanas dorsais de um Hybodontiforme e dos dentes de um Squalicorax. Ambas eram espécies de tubarão mais pequenas e, com base na condição dos restos encontrados, sugerem que a nova espécie morreu logo depois de comer o Hybodontiforme, sendo que depois apareceu o Squalicorax e comeu a carcaça do tubarão maior.

Shimada e Everhart também observaram que a nova espécie provavelmente teria vivido ao lado do Cretoxyrhina mantelli, um dos maiores tubarões do Cretáceo Superior (poderia crescer mais de sete metros de comprimento e teria sido um predador alfa).

Os cientistas acreditam que as duas espécies poderiam ter vivido juntas uma vez que utilizavam ambientes diferentes — o C. houghtonorum ficava perto da costa e o C. mantelli em águas profundas e longe da costa “possivelmente representando um caso de particionamento de recursos entre as duas espécies”, concluíram.

ZAP //

Por ZAP
8 Dezembro, 2019

spacenews

 

3041: Com a ajuda de um radar, cientistas revelaram pegadas de mamutes e humanos pré-históricos

CIÊNCIA

(dr) Cornell University
Os cientistas no Monumento Nacional de White Sands, no Novo México, nos EUA

Espalhados pelo Monumento Nacional de White Sands, nos Estados Unidos, encontram-se os “rastos fantasma” de mamutes mortos há milhares de anos. Agora, investigadores conseguiram revelar pegadas de humanos.

De acordo com o Science Alert, esta descoberta, que remete para o final do Plistoceno, há cerca de 12 mil anos, foi possível graças ao radar de penetração no solo (GPR), capaz de analisar o que se passa por baixo da superfície do solo sem ser necessário escavar.

“Nunca pensámos analisar pegadas. Mas acontece que o próprio sedimento tem uma memória que regista os efeitos do peso e do momento do animal. Isso dá-nos uma forma de entender a biomecânica da fauna extinta que nunca tivemos antes”, declara em comunicado o investigador Thomas Urban, da Universidade de Cornell.

Entre as trilhas descobertas estão 800 metros de pegadas humanas, cruzadas com as impressões de um grande Proboscidea, possivelmente um mamute-colombiano (Mammuthus columbi).

Os resultados coincidem com a análise realizada no ano passado pela mesma equipa. Neste caso, no entanto, foram revelados muito mais detalhes sobre o sedimento subjacente, que podem mostrar como estas criaturas antigas estavam a caminhar.

“Mas há implicações maiores do que apenas este caso de estudo. A técnica poderia ser aplicada em muitos outros locais com pegadas fossilizadas, incluindo potencialmente de dinossauros”, explica Urban, um dos autores do estudo agora publicado na revista científica Scientific Reports.

Com o GPR, os cientistas não precisam de esperar pelas condições perfeitas para identificar e analisar as pegadas, algo que é particularmente útil nas paisagens instáveis de White Sands, assim como noutros lugares espalhados pelo mundo.

“Embora nunca possamos encontrar os restos fossilizados do animal que especificamente fez estas pegadas, sabemos como se moveu, quão grande era, quão rápido estava a andar, apenas por olhar para estas pegadas”, afirma a paleontóloga Lisa Buckley, que não esteve envolvida na pesquisa, em declarações à Gizmodo.

ZAP //

Por ZAP
16 Novembro, 2019

 

2981: Os fogos na Califórnia deixaram uma cicatriz na Terra (e vê-se do Espaço)

INCÊNDIOS/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

NASA

O maior incêndio já registado no condado de Sonoma, na Califórnia, queimou durante quase duas semanas tudo o que aparecia no seu caminho. Até agora, o fogo de Kincade queimou 31.467 hectares de vegetação e ainda está violento.

O seu caminho queimado e enegrecido foi agora revelado numa nova fotografia de satélite da NASA. Em 3 de Novembro, o Radiómetro Avançado de Emissão e Reflexão Térmica do Espaço (ASTER) a bordo do satélite Terra capturou a imagem dos danos.

Essa grande região de cinza escuro que percorre toda a extensão da fotografia é a cicatriz deixada pelo fogo. Está salpicada de pontos amarelados e com pixeis, que são os pontos de calor na visão da ASTER – ou seja, é aí que o fogo ainda arde.

É o maior incêndio da temporada de incêndios na Califórnia em 2019 até agora. Um relatório do National Interagency Fire Center divulgado na semana passada alertou que a temporada deve durar até Dezembro devido às condições de seca, com as chuvas previstas para o final deste ano.

Também é muito mias pequeno do que o maior incêndio do ano passado, o Mendocino Complex Fire, que atingiu 185.800 hectares em Julho, Agosto e Setembro.

De acordo com o Departamento de Silvicultura e Protecção contra Incêndios da Califórnia, nos 12 dias em que o incêndio de Kincade esteve a arder, foram destruídas 374 estruturas – incluindo edifícios residenciais e comerciais -e outras 60 foram danificadas. Por outro lado, apenas quatro pessoas ficaram feridas no incêndio e nenhuma morte foi relatada.

De acordo com o ScienceAlert, estima-se que o incêndio esteja 86% sob controlo e as ordens de evacuação emitidas foram levantadas. Algumas áreas permanecem em espera de evacuação e o Oficial de Saúde do Condado de Sonoma proclamou uma emergência de saúde local e emitiu uma Ordem de Saúde que ainda permanece. Para todos os outros, o National Interagency Fire Center aconselha a preparação.

“A melhor coisa que os cidadãos podem fazer é ser sensatos ao fogo”, afirmou o relatório. “Agora é a hora de se preparar para os incêndios florestais e ter um plano para estar pronto para os incêndios florestais se chegarem à sua área”.

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8 Novembro, 2019

 

2975: EUA querem trazer energia solar do espaço para a Terra

CIÊNCIA

A energia solar parece ser o caminho para substituir o petróleo no nosso planeta. Apesar de ainda estarmos a muitas décadas dessa completa transformação, há já planos e movimentações ambiciosas para recolher energia solar. Assim, conforme foi dado a conhecer, os EUA pretendem enviar energia solar do espaço para a Terra.

O Laboratório de Investigação da Força Aérea dos EUA (AFRL), em parceria com a empresa Northrop Grumman, terá um projecto para desenvolver uma sofisticada tecnologia orbital.

Americanos querem trazer energia solar do espaço para a Terra

De acordo com o que tem sido veiculado, a Força Aérea dos Estados Unidos está a trabalhar no desenvolvimento de um sistema que permite aos militares recolher energia solar no espaço e enviá-la para a Terra.

Conforme relata o Stars and Stripes, este projecto está em andamento no Laboratório de Investigação da Força Aérea em Albuquerque. É um projecto que conta com um financiamento acima dos 100 milhões de dólares e que foi baptizado como Projecto de Demonstração e Investigação Incremental de Energia Solar no Espaço (SSPIDR).

Esta tecnologia permitirá a recolha de enormes quantidades de energia solar no espaço. Posteriormente, essa energia será transmitida de forma concentrada para bases remotas dos EUA durante operações militares.

Como funcionaria a transferência dessa energia solar recolhida?

O SSPIDR recolherá a energia solar no espaço e irá converter a mesma numa radiofrequência para descer à Terra. No planeta, esta radiofrequência será então convertida de volta a energia por meio de estações receptoras no solo.

A ideia pode soar como algo vindo de um romance de ficção científica. Contudo, já existe esta técnica desde a década de 1960. O SSPIDR não só permitiria aos militares enviar energia para postos avançados remotos, como também eliminaria os riscos agora envolvidos no transporte de electricidade para postos avançados em regiões hostis.

Conforme é sabido, os militares actualmente têm que levar geradores de combustível diesel para postos avançados, expondo tropas a possíveis emboscadas. No entanto, o SSPIDR permitiria que os postos avançados recebessem energia sem colocar em risco a vida dos soldados americanos.

Segundo o Engadget, a China planeia lançar o desenvolvimento e o lançamento de um sistema semelhante até 2025.

Eficiência maior do que os painéis solares terrestres

Há um vasto leque de vantagens, inclusive a eficácia do SSPIDR sobre os painéis solares convencionais na Terra. O Departamento de Energia dos EUA estima que cerca de 30% da energia seja reflectida no espaço pela atmosfera da Terra. O SSPIDR poderia recolher energia durante todo o dia – se estiver posicionado correctamente no espaço – e transportá-la continuamente para a Terra.

Produza a sua própria energia eléctrica mas tenha estes cuidados

Nunca a energia solar esteve tão barata e nunca houve tanta vontade do mundo em geral produzir a sua própria energia. Depois de termos explicado que já é possível produzir a sua própria energia eléctrica, … Continue a ler

Pplware
06 Nov 2019

 

2952: Português entre os premiados com 2,7 milhões por imagem de buraco negro

CIÊNCIA

A equipa de cientistas, que inclui o astrofísico português Hugo Messias, que obteve a primeira imagem de um buraco negro recebe este domingo um prémio de três milhões de dólares (2,7 milhões de euros) pelo trabalho inédito.

A NASA também tem estudado os buracos negros
© NASA NASA/Reuters

O Prémio Breakthrough, atribuído nos Estados Unidos, reconhece avanços científicos de excelência, tendo como patrocinadores Mark Zuckerberg, um dos fundadores do Facebook, e Sergey Brin, ex-presidente da Google.

A “fotografia” do buraco negro – localizado no centro da galáxia M87, a 55 milhões de anos-luz da Terra, e com uma massa 6,5 mil milhões de vezes superior à do Sol – foi apresentada em Abril e foi conseguida graças aos dados recolhidos das observações feitas, no comprimento de onda rádio, com uma rede de oito radiotelescópios espalhados pelo mundo, que funcionaram como um só e com uma resolução sem precedentes.

O “telescópio gigante” foi designado Event Horizon Telescope, tendo Hugo Messias participado nas observações com um dos radiotelescópios, o ALMA, no Chile.

A equipa internacional de 347 cientistas que obteve a primeira imagem de um buraco negro super-maciço, neste caso a sua silhueta formada por gás quente e luminoso a rodopiar em seu redor, foi premiada na categoria de Física Fundamental.

A imagem dos contornos do buraco negro – o buraco em si, um corpo denso e escuro de onde nem a luz escapa, não se vê – permitiu comprovar mais uma vez a Teoria da Relatividade Geral, de 1915, do físico Albert Einstein, que postula que a presença de buracos negros, os objectos cósmicos mais extremos do Universo, deforma o espaço-tempo e sobreaquece o material em seu redor.

De acordo com a equipa científica envolvida na observação, a sombra do buraco negro registada é o mais próximo da imagem do buraco negro em si, uma vez que este é totalmente escuro.

Diário de Notícias
Lusa
03 Novembro 2019 — 09:15

 

2882: Cientistas criam vasos sanguíneos artificiais funcionais

CIÊNCIA

qimono / Pixabay

Cientistas nos Estados Unidos usaram impressão 3D para fabricar vasos sanguíneos funcionais que poderão vir a ser usados clinicamente em casos de doenças vasculares.

O resultado das experiências é relatado num estudo publicado esta terça-feira no boletim Applied Physics Reviews e mostra que “o vaso sanguíneo artificial é uma ferramenta essencial para salvar doentes com problemas cardiovasculares“, afirmou o principal autor Ge Gao.

A matéria prima para fabricar este tipo de vasos é biotinta obtida a partir de células da artéria aorta e de uma veia umbilical, que através de uma técnica de impressão 3D foi transformada em aortas abdominais colocadas em seis ratos de laboratório.

“Há produtos usados clinicamente feitos a partir de polímeros, mas não têm células vivas nem funções vasculares”, assinalou Gao, notando que usando materiais orgânicos se consegue preservar a complexidade natural do vaso sanguíneo e acelerar a formação de tecidos vasculares funcionais, mais fortes e menos dados a tromboses.

Depois de fabricado, o vaso sanguíneo artificial é refinado em laboratório para afinar as suas características físicas e biológicas, espessura, alinhamento das células, resistência, flexibilidade e capacidade para se contrair, como um vaso sanguíneo natural.

ZAP // Lusa

Por Lusa
22 Outubro, 2019

 

2867: Encontrado nos EUA um peixe que respira fora de água

CIÊNCIA

Brian Gratwicke / WIkimedia

O Departamento de Recursos Naturais do estado da Geórgia dos EUA anunciou que, pela primeira vez, um Channidae, uma espécie não nativa de peixe que já invadiu com sucesso outros 14 estados, foi vista nas águas da Geórgia pela primeira vez.

O peixe é uma espécie famosa invasora nos EUA e é um predador particularmente prejudicial para as espécies nativas porque pode competir com elas e superá-las. Pode crescer até mais de um metro e as fêmeas podem depositar até 100 mil ovos num ano em vários eventos de desova.

A característica mais marcante é que é um respirador de ar facultativo – pode respirar ar subaquático e regular – para que possa sobreviver em terra durante vários dias, o que também pode contribuir para o seu sucesso.

Em 2002, desencadeou um debate nacional sobre como lidar com espécies não-nativas assumindo o controlo após o infame incidente com estes peixes em Crofton, Maryland. Depois de terem sido encontrados seis peixes adultos em duas lagoas, ambas foram libertadas com pesticidas e todos os peixes – e mais de 1.000 jovens – foram destruídos.

De acordo com o IFLScience, este incidente, por sua vez, inspirou pelo menos filmes de monstros: Snakehead Terror, Frankenfish, Swarm of the Snakehead e o Fishzilla: Snakehead Invasion.

O animal foi relatado pela primeira vez na Geórgia após dois jovens terem sido encontrados num lago localizado em propriedade privada no país de Gwinnett, não muito longe de Atlanta. Foi um pescador que reportou os animais à Divisão de Recursos Naturais do Departamento de Recursos Naturais.

“A nossa primeira linha de defesa na luta contra espécies invasoras aquáticas são os nossos pescadores”, disse Matt Thomas, chefe de pesca da Divisão de Recursos da Vida Selvagem, em comunicado. “Graças ao rápido relato de um pescador, a nossa equipa conseguiu investigar e confirmar a presença dessa espécie neste corpo d’água. Agora estamos a tomar medidas para determinar se se espalharam a partir desse corpo d’água e, esperançosamente, impedir que se espalhe para outras águas da Geórgia”.

Em comunicado, o departamento pede às pessoas, especialmente aos pescadores, que aprendam a reconhecer os peixes de água doce. O conselho é, de acordo com o comunicado: “Mate-o imediatamente e congele-o”. Em seguida, é necessário anotar onde foi encontrado e alertar as autoridades. É ilegal importar, vender, transferir e possuir esta espécie sem uma licença válida para animais selvagens.

Estes peixes são nativas de partes da Ásia, como Rússia, China e Península Coreana. O animal espalhou-se para os Estados Unidos através de libertação não autorizada e os cientistas relataram a presença de populações reprodutivas na Florida, Hawai, Virgínia e Nova York. O peixe prefere água estagnada como lagoas e é principalmente devorador de peixes, mas também pode comer anfíbios, crustáceos e outros invertebrados.

ZAP //

Por ZAP
20 Outubro, 2019

 

2865: A educação científica está sob ataque legislativo nos Estados Unidos

CIÊNCIA

argonne / Flickr

São inúmeros os professores de ciências que trabalham diariamente nas escolas públicas dos Estados Unidos para garantir que os alunos estão equipados com o conhecimento teórico e prático necessário para enfrentar o futuro. No entanto, há alguns projectos de lei que ameaçam a integridade da educação científica no país.

Nos estados do Indiana, Montana e Carolina do Sul, os projectos de lei procuravam exigir a deturpação dos tópicos supostamente controversos dentro da sala de aula. Por sua vez, no Connecticut, Florinda e Iowa, os projectos de lei iam mais longe e visavam além da sala de aula, incluindo tópicos supostamente controversos nos padrões científicos estaduais.

Apesar destas diferenças, os projectos de lei tinham um objectivo comum: minar o ensino da evolução ou das alterações climáticas, avança o Scientific American.

O Indiana, por exemplo, tinha o intuito de obrigar as escolas a ensinarem uma alternativa à evolução, enquanto que o projecto lei de Montana exigiria que as escolas públicas do estado negassem as alterações climáticas nas aulas.

Qualquer um destes projectos seria um ataque ao objectivo da educação de ciências nas escolas públicas, uma vez que é suposto que os alunos tenham o direito de aprender certos tópicos científicos de acordo com a compreensão da comunidade científica. Entre os cientistas, o nível de aceitação da evolução situa-se nos 99% e o das alterações climáticas cifra-se em 97%, pelo que deturpar estes tópicos seria frustrar o ensino científico.

A Associação Nacional de Ensino de Ciências concorda. Em comunicado, a NSTA descreve a evolução como “um importante conceito unificador na ciência” que “deve ser enfatizado nas estruturas e currículos de educação científica do ensino”. Da mesma forma, a associação recomenda que os professores de ciências “enfatizem aos alunos que não existe controvérsia científica sobre os fatos básicos das alterações climáticas“.

Os legisladores, que deveriam defender os professores, apresentam este tipo de projectos de lei e pode haver uma razão para explicar esta atitude: servir as ideologias dos seus eleitores – religiosas, no caso da evolução; políticas, no caso das alterações climáticas.

Certo é que, se os professores de ciências das escolas públicas norte-americanas não conseguirem ensinar evolução ou alterações climáticas com precisão, a alfabetização científica de milhões de estudantes poderá estar em risco.

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19 Outubro, 2019

 

2785: Terramoto de 1964 libertou um fungo mortal no Pacífico

CIÊNCIA

Yakuzakorat / Wikimedia

Há duas décadas, uma infecção fúngica rara, mas mortal, começou a matar animais e pessoas nos EUA e no Canadá. Até hoje, ninguém sabia como chegou lá.

Agora, um par de cientistas apresentou a sua própria teoria: os tsunamis, provocados por um forte terremoto em 1964, encharcaram as florestas do noroeste do Pacífico com água que continha o fungo.

O fungo chama-se Cryptococcus gattii. Como muitas espécies de fungos, tende a preferir viver no solo, principalmente perto de árvores. Mas também podem invadir os pulmões dos animais vivos, onde começam a crescer novamente. A partir daí, podem infectar o sistema nervoso.

A maioria das pessoas expostas a C. gattii não fica doente e a doença não é contagiosa entre as pessoas. Mas é uma das infecções fúngicas mais mortais do mundo, capaz de adoecer pessoas perfeitamente saudáveis. A sua taxa de mortalidade pode chegar a 33%.

C. gattii tem vivido em ambientes tropicais e subtropicais, principalmente na Austrália e na Papua Nova Guiné. Porém, em 1999, estes surtos do mesmo tipo único de C. gattii começaram a aparecer ao longo do Noroeste do Pacífico Norte-Americano, sem uma explicação clara de como o fungo lá chegou. Desde então, os subtipos estabeleceram-se firmemente em toda a costa oeste, adoecendo centenas de animais e pessoas.

Tem havido várias teorias sobre como o C. gattii chegou ao Noroeste do Pacífico. Alguns cientistas argumentaram que surgiu pela primeira vez das florestas tropicais da América do Sul; outros especularam que veio da Austrália.

Os autores do novo estudo, publicado este mês na revista especializada mBio, teorizaram anteriormente que navios da América do Sul levaram o fungo para as águas costeiras do noroeste do Pacífico, logo após a abertura do Canal do Panamá em 1914, que estabeleceu um transporte relativamente fácil entre o Atlântico e Oceanos do Pacífico. O momento faria sentido, com evidências genéticas a sugerir que todas as populações de C. gattii nos EUA e no Canadá têm entre 66 e 88 anos.

Agora, os cientistas argumentam que o fungo conseguiu sustentar-se durante décadas nas águas do Noroeste do Pacífico antes que outro grande evento o espalhasse pelo continente: o Grande Terremoto do Alasca de 1964.

Ainda registado como o maior terremoto já detectado no Hemisfério Norte e o segundo maior do mundo – registando um 9,2 na escala Richter – o desastre natural matou mais de 100 pessoas, destruiu edifícios e desencadeou uma cadeia de tsunamis que chegaram até ao Japão, de acordo com o Gizmodo.

“Esse evento, como nenhum outro na história recente, causou um empurrão maciço de água do oceano nas florestas costeiras do [noroeste do Pacífico]”, escreveram os autores. “Esse evento pode ter causado uma exposição de C. gattii às costas regionais, incluindo as da ilha de Vancouver, Colúmbia Britânica, Canadá, Washington e Oregon”.

O caso dos autores é quase inteiramente circunstancial. Mas trazem algumas evidências convincentes. Por um lado, com base na análise genética, todas as cepas de C. gattii atualmente presentes no noroeste do Pacífico parecem ter chegado lá num grande evento décadas antes de 1999. As primeiras investigações de surtos também encontraram níveis mais altos de fungos nas árvores e nos solos mais perto do nível do mar. Além disso, pelo menos um paciente de Seattle adoeceu com C. gattii em 1971, quase três décadas antes dos surtos de 1999, mas após o tsunami.

Os autores observam que existem outros casos de desastres naturais que desencadearam surtos de doenças infecciosas raras. Por exemplo, um tornado de 2011 em Joplin, Missouri, pode ter espalhado uma onda de infeções devoradoras de carne causadas pelo fungo Apophysomyces.

Mesmo que a teoria seja verdadeira, ainda há a questão de por que passaram décadas até casos começarem a aparecer regularmente. Se é verdade que C. gattii pode sobreviver nas águas costeiras durante longos períodos de tempo, também precisamos de descobrir se há outras áreas do mundo que podem estar em risco.

Para esse fim, os autores estão a analisar amostras de água em todo o mundo para procurar vestígios do fungo que podem ter passado despercebidos.

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6 Outubro, 2019

 

2754: Verme com três sexos descoberto em lago tóxico

CIÊNCIA

(dr) Caltech

O lago Mono, na Califórnia, é um lugar inóspito para a maioria das espécies excepto bactérias e algas resistentes a águas alcalinas. Contudo, investigadores encontraram nele um estranho verme com três sexos.

Oito espécies de vermes microscópicos foram recentemente descobertas no lago Mono, na Califórnia, por investigadores do Caltech, nos Estados Unidos. Dessas oito espécies o instituto destaca uma, completamente desconhecida até agora, que tem três sexos: macho, fêmea e hermafrodita.

Para sobreviverem neste lago altamente salgado, as espécies revelaram ter uma grande resistência ao arsénico, fazendo delas “extremófilos” — organismos que conseguem sobreviver em condições geoquímicas extremas, prejudiciais à maioria das outras formas de vida na Terra.

O verme, temporariamente baptizado de Auanema sp., consegue sobreviver com níveis de arsénico 500 vezes superiores aos sustentados por seres humanos.

O New Atlas explica que o hermafroditismo é relativamente comum no reino dos invertebrados, mas que no caso deste verme as coisas são algo diferentes. Os típicos nemátodes só se dividem em dois géneros: machos e hermafroditas. Contudo, neste caso, foram encontrados exemplares do sexo feminino.

Os investigadores notaram que havia quase tantos hermafroditas como machos e fêmeas. Estes conseguem reproduzirem-se sozinhos, não precisando de um parceiro sexual. Os cientistas repararam também que nos primeiros ciclos reprodutivos, os vermes tendiam a ter machos ou fêmeas. À medida que envelheciam, havia uma maior probabilidade de terem crias hermafroditas.

“Uma possível explicação para este ciclo de vida de três sexos é que fêmeas e machos podem ajudar a manter a diversidade genética por meio de recombinação sexual, enquanto os hermafroditas podem-se dispersar em novos ambientes e estabelecer novas populações — já que eles podem aumentar a população por si próprios”, disse James Siho Lee, co-autor do estudo.

“Os extremófilos podem mostrar-nos muito sobre estratégias inovadoras para lidar com o stress”, disse o líder da equipa de investigadores, Pei-Yin Shih, citado pela Sputnik News. O estudo foi publicado na semana passada na revista científica Current Biology.

“O nosso estudo mostra que ainda temos muito que aprender sobre como estes animais de mil células dominaram a sobrevivência em ambientes extremos”, reconheceu.

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2 Outubro, 2019

 

2733: DARPA quer editar o genoma dos soldados norte-americanos para os proteger “dos pés à cabeça”

MUNDO (ALUCINADO)

pexels.com

O Pentágono quer explorar a possibilidade de editar a composição genética de um soldado para o proteger contra ataques químicos e biológicos.

Por parecer um enredo de ficção científica, mas Steven Walker, director da Agência de Projectos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA), revelou na passada segunda-feira que as Forças Armadas norte-americanas estão muito próximas de se tornar ainda mais intrusivas, caso os investigadores sejam capazes de editar, com sucesso, o genoma dos soldados.

A DARPA está a estudar esta possibilidade “para proteger um soldado no campo de batalha contra armas químicas e bacteriológicas controlando o seu genoma, garantindo assim que o genoma produz proteínas capazes de proteger automaticamente o soldado dos pés à cabeça”, explicou o responsável.

Walker reconheceu que a ideia pode soar um pouco heterodoxa, mas insistiu que os esforços de edição genética promovidos pela agência seriam, primordialmente, para proteger as tropas, e não para aprimorá-las. “Estas tecnologias são de uso dual: podemos usá-las para o bem ou para o mal. A DARPA está empenhada em usá-las para o bem, para proteger os nossos combatentes”, garantiu, num comunicado do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

A ciência ao serviço da defesa poderá fazer com que a DARPA vá ainda mais longe e consiga fornecer às Forças Armadas uma alternativa ao uso de vacinas. “Será impossível acumular vacinas e antivírus suficientes para proteger uma população inteira no futuro. No entanto, até agora, tudo o que temos é uma pesquisa”, advertiu Walker.

Ainda assim, segundo o Washington Examiner, o responsável sublinhou que é por este motivo que a DARPA está empenhada em reunir esforços para “transformar o corpo humano numa fábrica de anticorpos“.

Para que a técnica seja eficaz e útil, será necessário desenvolver ainda a capacidade de remover os genes editados – a chamada “remediação genética“. O programa Genes Seguros da DARPA terá com objectivo reverter os efeitos da já conhecida técnica de Redição genética CRISPR.

ZAP //

Por ZAP
29 Setembro, 2019

 

2722: Guerra nuclear entre Rússia e Estados Unidos mataria 34 milhões de pessoas em poucas horas

CIÊNCIA

Uma guerra nuclear entre a Rússia e os Estados Unidos mataria cerca de 34 milhões de pessoas em poucas horas, revelou uma nova investigação conduzida por cientistas norte-americanos.

A equipa de cientistas da Universidade de Princeton especializada em segurança e armas nucleares criou uma simulação apelidada de “Plano A”, na qual mostra a devastação que uma eventual guerra entre estes dois país provocaria, noticia a BBC.

De acordo com a emissora britânica, os danos seriam assustadores: em cerca de cinco horas, morreriam 34 milhões de pessoas e mais de 57 milhões ficariam feridas.

Os cientistas frisam na mesma investigação que o conflito se tornou “dramaticamente” mais plausível nos últimos dois anos, uma vez que tanto a Rússia como os Estados Unidos deixaram de apoiar medidas de controlo de armas.

“O risco de uma guerra nuclear aumentou dramaticamente depois de os Estados Unidos e a Rússia terem abandonado o tratado de controlo de armas nucleares (…) [Estes países] começaram a desenvolver novos tipos de armas nucleares e ampliaram as circunstâncias nas quais seria possível usar essas mesmas armas”, advertem.

A simulação, que resulta de um projecto do programa de Ciência e Segurança Global (SGS) da universidade norte-americana, contou apenas eventuais mortos e feridos, deixando de fora outros milhões de pessoas que poderiam contrair doenças ou outros problemas de saúde a longo prazo devido ao conflito, detalha o jornal britânico The Independent.

O objectivo da simulação, contaram os especialistas citados pela BBC, passa por chamar a atenção sobre as “consequência potencialmente catastróficas” de uma guerra nuclear entre os Estados Unidos e a Rússia.

Especialistas ouvidos pela emissora britânica consideram que estas simulações podem ser importantes para dissuadir potências mundiais a não chegarem a um confronto nuclear.

“Há já algum tempo que vemos este tipo de situações e são sempre alarmantes“, disse Sarah Kreps, professora da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, onde investiga os impactos da proliferação de armas de destruição em massa.

“Estas simulações são úteis para reforçar a dissuasão. Se não há transparência e se há optimismo sobre as consequências de um conflito nuclear, é mais provável que alguma das partes escale a sua posição, seja consciente ou inconscientemente”, apontou.

A guerra simulada

A equipa publicou no YouTube um vídeo com os resultados da simulação. A simulação começa com a Rússia a tentar impedir uma ofensiva dos Estados Unidos e de membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Na guerra simulada, os russos lançam um míssil nuclear de “advertência” na fronteira entre Alemanha, Polónia e República Checa. Com este ataque, o conflito escala: a Rússia envia aviões com um total de 300 ogivas nucleares e dispara mísseis de curto alcance contra base e tropas da OTAN na Europa.

Em resposta, a OTAN envia aviões que viajam rumo à Rússia com 180 ogivas nucleares. A esta altura do conflito, explica a BBC, o objectivo de cada força passa por evitar que o inimigo tenha oportunidade de se recuperar e, por isso, cada país lança ataques contra as 30 cidades mais povoadas do adversário.

Em cada bombardeio, seriam utilizadas entre 5 e 10 ogivas nucleares, dependendo do tamanho da cidade. O resultado: em 45 minutos, mais 85,3 milhões de vítimas, entre mortos e feridos. Em menos de cinco horas, haveria 91,5 milhões de vítimas: 34,1 milhões de mortes instantâneas e 57,4 milhões de feridos.

Estes números poderiam aumentar significativamente caso se contabilizassem as mortes a longo prazo causadas por resíduos radioactivos deixados no ar.

Um outro estudo, também conduzido por cientistas norte-americanos, concluiu que uma guerra entre estas duas potências mundiais mergulharia o planeta num inverno nuclear que duraria pelo menos uma década e que afectaria todo o globo.

ZAP // BBC

 

2703: Alterações climáticas podem propagar fungo de doença mortal

CIÊNCIA

Até ao momento, dois estados norte-americanos concentram a maioria dos 10 mil casos de febre do vale diagnosticados no país.

© iStock Até ao momento, dois estados norte-americanos concentram a maioria dos 10 mil casos de febre do vale diagnosticados no país.

Califórnia e Arizona, com desertos secos e estações chuvosas, possuem o ambiente e o clima ideais para que o fungo Coccidioides, causador da doença, sobreviva e prospere. Mas, de acordo com um estudo publicado recentemente no GeoHealth, as alterações climáticas, como o aumento da temperatura global, podem fazer com que o fungo se dissemine a nível global.

A estimativa é de que até o ano de 2100, o alcance do fungo cresça a ponto de aumentar em 50% o número de casos de febre do vale. Actualmente, o fungo está restrito ao território actual por conta das chuvas e da temperatura, mas as mudanças climáticas podem aumentar significativamente o seu raio de actuação. “Calculamos que poderia haver mais áreas em que esse fungo poderia viver no futuro”, afirmou Morgan Gorris, investigador do departamento de ciências do sistema terrestre da Universidade da Califórnia em Irvine e principal autor do estudo.

O fungo Coccidioides cresce durante o período de secas, criando esporos que podem ser lançados no ar pelo vento. Esses esporos são inalados, causando a febre do vale. Apesar dos sintomas serem leves, com tosse, febre e calafrios, a doença causa cerca de 200 mortes por ano nos Estados Unidos, vitimando principalmente idosos ou pessoas com o sistema imunológico comprometido.

O estudo comparou as chuvas, a temperatura e outros dados ambientais com as taxas de incidência da febre do vale para identificar as condições ambientais correlacionadas à doença. Com essas informações, a pesquisa pôde prever quais os locais nos quais a doença poderia ser encontrada tendo como base a previsão de condições climáticas para o futuro.

Assim, o resultado foi de que os estados ocidentais ao norte estão mais propensos a ‘receber’ o fungo. “Passará por Oklahoma, Colorado, Wyoming, áreas mais secas”, explicou James Randerson, professor do departamento de ciências dos sistemas terrestres da Universidade da Califórnia e co-autor da pesquisa. Afirmou ainda que a doença tem potencialidade para se propagar por outros países – já que as alterações climáticas afectam o mundo inteiro e a globalização que facilita o transporte de pessoas sobretudo de avião irá com certeza facilitar a sua propagação.

msn lifestyle
Liliana Lopes Monteiro
24/09/2019

 

2688: Jovens do mundo inteiro ocupam a ONU em inédita Cimeira do Clima

AMBIENTE

Justin Lane / EPA
O secretário geral da ONU, António Guterres, com a activista Greta Thunberg, de 16 anos

Mais de 500 jovens, representantes de mais de 140 países, ocuparam este sábado o espaço habitualmente destinado aos diplomatas da ONU.

A United Nations Youth Climate Summit, primeira cimeira da juventude sobre o clima, em Nova York, aconteceu este sábado, após as enormes manifestações contra o aquecimento global que tiveram lugar por todo o mundo na sexta-feira.

Os jovens compareceram em força à cimeira, tendo proposto soluções concretas e exigindo dos chefes de Estado medidas para travar as mudanças climáticas.

Duas gerações inauguraram o dia de debates na sede das Nações Unidas. A primeira foi representada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, o grande dinamizador do encontro, que culmina na segunda-feira com a Cimeira do Clima dos líderes mundiais.

A ambientalista sueca Greta Thunberg representava a segunda geração, este sábado a maioria dos participantes.

Mostrámos que estamos unidos e que os jovens são imparáveis“, disse a activista de 16 anos, que ficou conhecida pelas suas greves às sextas-feiras em frente ao Parlamento sueco, sob o lema “Sextas pelo Futuro”, que se transformaram em um movimento mundial.

A sueca preferiu dar o seu tempo ao representante de outros continentes, e foi o discurso do argentino Bruno Rodríguez, de 19 anos, que expressou melhor a indignação da juventude mundial.

“Dizem que a nossa geração deve resolver os problemas criados pelos actuais governantes, mas não vamos esperar passivamente. Chegou a hora de sermos os líderes“, disse o fundador da organização Jovens pelo Clima Argentina. “Basta! Não queremos mais combustíveis fósseis!”, afirmou o activista.

Energia rara

Segundo a correspondente da RFI em Nova York, Carrie Nooten, raramente se viu nos corredores da ONU tanta energia e tantas soluções concretas. Os participantes puderam apresentar quer projectos tecnológicos quer naturais, criados nos seus países de origem, para combater as mudanças climáticas.

Há muito tempo que pedimos um lugar à mesa dos que tomam as decisões”, disse aos jovens líderes Jayathma Wickramanayake, mandatária para a juventude do secretário-geral da ONU. “Hoje, são os líderes mundiais que estão a pedir para negociar connosco”, completou.

A jovem Kamal Karishma Kumar, das Ilhas Fiji, realçou que para as ilhas do Pacífico combater as mudanças climáticas é uma questão de sobrevivência. “Não queremos que as gerações futuras afundem com nossas ilhas“, afirmou.

Em nome dos 625 milhões de jovens africanos, o queniano Wanjuhi Njoroge recordou que os países de África são os que emitem menos gases de efeito estufa, mas os que mais sofrem com as consequências do aquecimento global, e pediu acima de tudo apoio financeiro “para trabalhar na mitigação e adaptação às mudanças climáticas”.

Sentado entre os jovens, Guterres pediu-lhes que continuem a lutar e exigir que os líderes prestem contas sobre os seus planos para o clima”.

Ainda estamos a perder a corrida contra o aquecimento global. Ainda há quem atribua subsídios às energias fósseis e centrais de carvão. Mas nota-se uma mudança nesta dinâmica, devido em parte às vossas iniciativas e à coragem com que vocês começaram este movimento”, afirmou.

Na sexta-feira, cerca de 4 milhões de jovens saíra às ruas de mais de 5 mil cidades em 163 países do planeta, para participar do maior protesto da história na luta contra as mudanças climáticas.

Cimeira dos líderes mundiais

A cimeira da juventude abriu a Cimeira do Clima da ONU, que termina esta segunda-feira com uma reunião de chefes de Estado. Representantes de mais de 60 países participam do encontro e novos anúncios para conter o aquecimento global são esperados.

Os líderes mundiais começam a chegar este domingo a Nova York para participar no evento, ao qual se segue a Assembleia Geral da ONU da próxima terça-feira. O presidente dos EUA, Donald Trump, tal como o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, vão estar presentes na Assembleia Geral da ONU, mas não participarão na Cimeira do Clima.

O motivo, António Guterres, é não terem mostrado interesse.

ZAP // RFI

Por RFI
22 Setembro, 2019

 

2536: Cientistas criam o primeiro lagarto mutante geneticamente modificado

CIÊNCIA

(CC0/PD) torstensimon / Pixabay

Uma equipa de cientistas da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, conseguiu criar o primeiro lagarto geneticamente modificado recorrendo à técnica de edição genética CRISPR.

No novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Cell Reports, a equipa explica que a técnica de CRISPR consiste numa série de “tesouras moleculares” capazes de inserir, remover, modificar ou substituir partes de ADN do genoma de um organismos vivo.

Outros cientistas tinham já utilizado este método para modificar o ADN de mamíferos, peixes, pássaros e anfíbios, mas esta foi a primeira vez que a técnica CRISPR foi aplicada em répteis. Os especialistas enfrentavam dificuldades com a edição genética neste tipo de animais devido à forma como estes se reproduzem. Ao contrário dos outros animais, os répteis fertilizam os seus óvulos em momentos imprevisíveis.

Para a nova investigação, escreve o jornal britânico Daily Star, a equipa inserir algumas modificações ao método, permitindo assim que esta limitação fosse superada.

Os cientistas injectaram reagentes CRISPR em óvulos não fertilizados em ovários de lagartos. Quando os ovos eclodiram, aproximadamente metade dos lagartos mutantes herdaram genes da mãe e do pai com o ADN modificado.

Os cientistas escolheram levar a cabo a edição genética num o animal albino, uma vez que esta é uma mutação não prejudicial ao espécime.

Além disso, e tendo em conta que os humanos com albinismo têm, por norma, problemas de visão, os cientistas esperam ainda utilizar os lagartos modificados para estudar como é que a perda deste gene afecta o desenvolvimento da retina.

Após esta edição genética bem sucedida, os  geneticistas planeiam agora usar esta mesma técnica noutros animais e esperam poder ajudar a curar doenças e prolongar a esperança de vida humana.

ZAP //

Por ZAP
29 Agosto, 2019

 

2516: Estudo mostra o que aconteceria se EUA e Rússia começassem uma guerra nuclear

CIÊNCIA

TD Teacher Dude’s BBQ /Flickr

Se as duas potências mundiais partissem para uma guerra nuclear, isso faria com que tivéssemos de enfrentar um inverno nuclear que duraria pelo menos uma década e que afectaria todo o globo.

Investigadores norte-americanos da Universidade Rutgers, do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas (NCAR) e da Universidade do Colorado realizaram algumas simulações para descobrir o que aconteceria se os Estados Unidos e a Rússia se atacassem com todas as armas nucleares que actualmente possuem.

De acordo com o Science Alert, uma guerra nuclear entre estas duas potências mundiais iria mergulhar o planeta num inverno nuclear, com nuvens de fuligem e fumo por todo o lado. Globalmente, as temperaturas cairiam uma média de nove graus Celsius, devido à falta de luz solar.

O novo modelo corrobora um dos melhores modelos já existentes, publicado em 2007. Ambos prevêem um inverno nuclear que duraria vários anos, mais de 30% de redução global na precipitação nos primeiros meses e uma nuvem de fumo que chegaria primeiro ao Hemisfério Norte e, de seguida, ao Hemisfério Sul.

De acordo com o novo relatório, publicado em Julho na revista Journal of Geophysical Research: Atmospheres, a nuvem de fumo duraria mais tempo, de acordo com a versão 4 do Modelo de Clima da Comunidade da Atmosfera Total (WACCM4) usada pelos cientistas. Seriam libertadas pelas explosões nucleares cerca de 150 megatoneladas de fuligem.

Esta nuvem iria cobrir o Hemisfério Norte numa semana e todo o planeta dentro de duas semanas, reduzindo assim os níveis de luz na superfície. Posteriormente, demoraria cerca de três anos para a luz na superfície da Terra voltar a 40% do seu nível pré-guerra.

A equipa utilizou dados de incêndios florestais, erupções vulcânicas e detonações de bombas nucleares anteriores para mapear as enormes mudanças no clima, que incluiriam perdas agrícolas “devastadoras”, mudanças nos padrões do vento e o fim das monções de verão.

Este manto de nuvens, ao espalhar e absorver a radiação solar, levaria cerca de uma década para se dispersar, mostra também esta nova simulação. Porém, os níveis de fumo lançados na atmosfera seriam de uma “ordem de magnitude menor” do que aqueles que levaram à extinção dos dinossauros, por isso, os cientistas deixam em aberto a possibilidade de podermos conseguir recomeçar, caso algo deste género aconteça.

ZAP // HypeScience

Por ZAP
26 Agosto, 2019

 

2405: Há uma placa tectónica a “morrer” sob Oregon, nos Estados Unidos

CIÊNCIA

Ali McLure / Flickr

Uma equipa de cientistas da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, está a investigar a “morte” de uma placa tectónica sob Oregon.

Tal como noticia o portal Science Alert, em causa está a placa tectónica Juan de Fuca, que surgiu de uma placa muito maior, a placa Farallón, que desliza sob a placa da América do Norte há dezenas de milhões de anos.

Os especialistas William Hawley e Richard Allen debruçam-se especialmente sobre um área sob o estado de Oregon, onde uma parte da placa parece estar a faltar.

Na verdade, e segundo explicou a equipa, a área em “falta” pode ser, na verdade, um “rasgo” que divide a placa a pelo menos 150 quilómetros de profundidade. Esta característica, sustentaram, “não apenas causa o vulcanismo na América do Norte, como também causa a deformação das secções ainda não-deduzidas da placa oceânica no mar”.

“Esta falha pode eventualmente fazer com que a placa se fragmente e o que restar dos pequenos pedaços vai juntar-se a outras placas próximas”, completaram.

Para chegar a esta conclusão, a equipa estou informações de 217 terramotos e mais de 30 mil ondas sísmicas, criando depois uma imagem detalhada da zona de subdução de Cascadia, uma falha na costa do Pacífico. A partir destes dados, os cientistas conseguiram identificar quais as partes das rochas é que pertenceram à placa de Juan de Fuca.

Graças a este procedimento, os cientistas sugeriram que o movimento da placa ao afundar, através do qual se pode deformar e dobrar, provoca o descolamento e separação das suas partes, resultando depois no rasgo acima mencionado.

A equipa nota que é necessário levar a cabo mais investigações para confirmar o funcionamento e desaparecimento da placa. Ainda assim, defendem os especialistas, o seu comportamento está relacionado com a actividade sísmicas a sul de Oregon e no norte da Califórnia, bem como com os padrões incomuns de vulcanismo verificados nas High Lava Plains, a sul de Oregon.

“O que estamos a ver é a morte de uma placa oceânica“, concluiu Hawley.

“De várias formas, quando estamos a olhar para estas coisas, estamos a olhar para trás no tempo”, disse a sismóloga Lara Wagner, do Carnegie Institution for Science, que não esteve envolvida no estudo, em declarações à National Geographic.

“Se não entendermos como é que estes processos funcionaram [no passado], onde podemos ver toda a história e estudá-la, então as nossas possibilidades de ver o que está a acontecer hoje e entender como é que isto pode evoluir no futuro são zero”.

Os resultados da investigação foram esta semana publicados na revista científica especializada Geophysical Research Letters.

ZAP //

Por ZAP
5 Agosto, 2019

 

Dois milhões querem libertar aliens e há uma localidade em pânico: “Que o céu nos proteja”

© TVI24 Dois milhões querem libertar aliens e há uma localidade em pânico: “Que o céu nos proteja”

A ideia de invasão à Área 51 começou como uma brincadeira na rede social Facebook, mas os militares já avisaram que não será permitida a entrada a civis. A convocatória deixou os 54 habitantes de Rachel, a localidade mais próxima da Área 51, preocupados

Dois milhões de pessoas prometeram juntar-se no dia 20 de Setembro para invadirem uma base da Força Aérea dos Estados Unidos, para conhecerem e libertarem os extraterrestres que alegadamente estão naquele lugar.

A ideia começou como uma brincadeira na rede social Facebook, mas os militares já avisaram que não será permitida a entrada a civis na Área de Teste 51, localizada perto do Aeroporto de Homey e do lago Groom, no estado do Nevada.

Durante várias décadas, os aficionados de objectos voadores não identificados e de supostas visitas de extraterrestres alimentaram especulações em torno das operações militares secretas na Área 51.

Uma das teorias sobre o local é que estão ali depositados os restos de uma suposta nave extraterrestre que teria caído em Roswell, no Novo México, em Julho de 1947.

A base em questão não está classificada como uma área secreta, mas todas as investigações e operações ali realizadas são consideradas como de máximo segredo e a Agência Central de Inteligência (CIA) reconheceu publicamente a existência dessa instalação pela primeira vez em 2013.

Em Junho, um utilizador do Facebook lançou a ideia de uma mobilização em massa de civis para libertar os extraterrestres, com o título de “Vamos invadir a Área 51: Não nos podem parar a todos”.

“Vamos encontrar-nos na atracção do Alien Tourist Center e coordenar a nossa entrada. Se corrermos juntos, podemos mover-nos mais depressa do as balas”, é possível ler-se na convocatória que é concluída com uma mensagem contundente: “Vamos ver os alienígenas”.

As reacções à ideia são várias, desde o entusiasmo daqueles que acreditam realmente na presença de extraterrestres na base militar até à partilha de ‘memes’ com imagens de figuras verdes e vários símbolos da cultura “freak”, como o personagem Sheldon Cooper, da série televisiva “Big Bang Theory”.

Por outro lado, a convocatória deixou os 54 habitantes de Rachel, a localidade mais próxima da Área 51, preocupados.

Rachel tem apenas quatro negócios e uma pousada e a última bomba de gasolina encerrou no ano de 2006, pelo que quem quiser ali chegar deve abastecer os seus veículos em Álamo, a 80 quilómetros de distância.

Na pousada de Rachel já não há quartos disponíveis, assim como em Álamo, onde todos hotéis já estão com lotação esgotada.

O chefe da polícia do Condado Lincoln, Kerry Lee, admitiu à estação de televisão norte-americana CNN que as autoridades terão várias dificuldades em controlar o grupo enorme de pessoas que tenciona deslocar-se à Área 51.

Poderíamos lidar com cerca de mil pessoas, mas com grandes dificuldades. Que o céu nos proteja se 5.000 pessoas vierem. Isso duplicaria a população de todo o condado”, declarou o chefe da polícia.

Outra preocupação de Lee é o perigo intrínseco na área desértica, em pleno Verão e com recursos de resgate limitados.

msn notícias
Redacção TVI24
01/08/2019

 

2364: Raros crocodilos prosperam perto de uma central nuclear nos Estados Unidos

Nick Scobel / Flickr

Os canais junto da central nuclear de Turkey Point, localizada a 40 quilómetros da cidade de Miami, no estado norte-americano da Florida, tornaram-se o lar perfeito para centenas de crocodilos americanos (Crocodylus acutus).

De acordo com a agência AP, que avança com a notícia esta semana, a espécie caminhava para a extinção, mas a situação melhorou recentemente. Segundo o portal Live Science, estes animais estão agora a prosperar, tendo a espécie conseguido reproduzir-se ao ponto de passar de estar categorizada de “em perigo” para “ameaçada”.

O sistema de arrefecimento da central, com os canais artificiais de 270 quilómetros, tornou-se um dos três maiores habitats destes raros répteis nos Estados Unidos. Actualmente, centenas de crocodilos americanos vivem nas suas águas, representando cerca de 25% da totalidade de 2.000 espécimes existentes em todo o país.

A empresa Florida Power & Light, que administra a central nuclear, está a tentar aumentar a população de crocodilos americanos. Para isso, contratou uma equipa de biólogos que ajudam a proteger os répteis da caça e das mudanças climáticas. Os especialistas constroem ainda ninhos para os crocodilos e para as suas crias.

Na semana passada, a equipa capturou 73 filhotes destes crocodilos nos canais. Os filhotes foram medidos e foi-lhes implantando um micro-chip para que os cientistas possam continuar a acompanhar o seu desenvolvimento.

“Os crocodilos americanos têm má reputação, mas [estes animais] estão apenas a tentar sobreviver”, explicou Michael Lioret, um dos biólogos que trabalha na central, citado pela AP. “[Os crocodilos americanos] são tímidos e não querem nada connosco. Os seres humanos são grandes demais para estarem incluídos no seu cardápio”.

Os crocodilos americanos são nativos do sul da Florida, sendo também encontrados em regiões costeiras da América Central e do Sul, bem como no Mar das Caraíbas.

De acordo com o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos, estes répteis podem crescer até aos seis metros de comprimento e pesar mais que 907 quilogramas, apesar de os indivíduos das populações dos EUA tendam a ser um pouco mais pequenos.

Tal como recorda o Live Science, foi a actividade humana que destruiu grande parte dos estuários que eram o habitat desta espécie durante o início do século XX, causando o seu declínio. Agora, as imediações desta central nuclear parecem ser o local perfeito para que estes espécimes possam recuperar – e não, os animais não são radioactivos.

ZAP //

Por ZAP
23 Julho, 2019

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2248: Há uma reserva gigante de água doce oculta debaixo do Oceano Atlântico

CIÊNCIA

Tiago Fioreze / wikimedia

O fundo do Oceano Atlântico esconde um tesouro muito valioso: água doce. Geólogos da Universidade de Colúmbia afirma que na costa nordeste dos EUA há quase três mil quilómetros cúbicos de água doce presa em sedimentos porosos sob a água salgada do mar.

A descoberta, embora surpreendente, era algo do qual já se suspeitava. Especialistas acreditam que este tipos de depósito de água doce são abundantes, mas muito pouco se sabe sobre os seus volumes e a sua distribuição no planeta.

Os cientistas acreditam que este aquífero é o maior já encontrado e avaliam-nos como “gigantesco”. Segundo os seus cálculos, a reserva vai da costa do estado de Massachusetts até Nova Jérsia e abrange cerca de 350 quilómetros da costa do Atlântico nessa região dos EUA. Se a reserva estivesse na superfície, formaria um lago de cerca de 40 mil quilómetros quadrados.

Para detectar a reserva de água, os investigadores usaram ondas electromagnéticas. Uma pista que eles já tinham é que, nos anos 70, algumas companhias petrolíferas que perfuravam a costa não extraíam petróleo, mas sim água doce. Os cientistas, no entanto, não sabiam se eram apenas depósitos isolados ou algo muito maior.

Agora, para conhecer a área em detalhe, lançaram sondas a partir de um barco para medir o campo electromagnético nas profundezas. A água salgada é melhor condutora de ondas electromagnéticas do que a água doce, por isso, pelo tipo de sinais de baixa condutância que receberam, puderam concluir que havia água doce oculta.

De acordo com o estudo publicado na revista Scientific Reports, os geólogos também concluíram que os depósitos são mais ou menos contínuos, estendendo-se da linha da costa até cerca de 130 quilómetros mar adentro. Na sua maioria, estão entre 180 metros e 360 ​​metros abaixo do fundo do oceano.

Os geólogos acreditam que a água doce se possa ter armazenado ali de duas maneiras. Por um lado, acredita-se que no final da Idade do Gelo, grandes quantidades de água doce acabaram presas em sedimentos rochosos, algo que os especialistas chamam de “água fóssil”.

Por outro lado, estudos recentes mostram que os reservatórios provavelmente também se alimentam de chuva e de corpos de água que se infiltram através dos sedimentos na terra e alcançam o mar.

Os investigadores dizem que, de maneira geral, a água do aquífero é mais doce perto da costa e mais salgada à medida que entra no mar. Isso pode significar que, com o passar do tempo, os dois tipos de água se vão misturando.

A água doce terrestre geralmente contém sal em quantidades inferiores a uma parte por mil. Esta é a mesma quantia que encontraram na reserva aquática perto da costa. Nos seus limites externos, o aquífero alcança 15 partes por mil. Em comparação, a água do mar normalmente tem 35 partes por mil.

Segundo explica o geofísico Kerry Key, co-autor do estudo, para usar água das partes mais distantes do aquífero seria preciso dessalinizá-la para a maioria da sua utilização, mas, em todo caso, o custo seria menor do que processar água do mar. O estudo de Key sugere que estas reservas poderiam ser encontradas em muitas outras partes do mundo e poderiam fornecer água potável a lugares áridos que precisam urgentemente dela.

“Provavelmente não temos de fazer isso nesta região”, disse Key em comunicado. “Mas se pudermos demonstrar que existem grandes aquíferos noutras regiões, poderia representar um recurso adicional em lugares como o sul da Califórnia, a Austrália ou a África.”

ZAP //

Por ZAP
29 Junho, 2019

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2209: As nuvens tsunami estão a prender os olhos dos norte-americanos ao céu

Amy Christie Hunter / Facebook

Nuvens em forma de onda – um fenómeno meteorológico raro – foram captadas nos céus de Smith Mountain Lake, no estado da Virgínia, Estados Unidos. As redes sociais não deixaram passar ao lado a beleza inusitada destas nuvens.

Parece uma montagem de Photoshop, mas é real. A imagem das nuvens tsunami, que se tornou viral nas redes sociais, foi captada por Amy Christie Hunter, na passada terça-feira nos céus de Smith Mountain Lake, no estado da Virgínia, Estados Unidos. A norte-americana publicou a fotografia no Facebook e muito rapidamente chegou aos media.

“Quando vi as nuvens rolando sobre a montanha, peguei no meu telemóvel o mais rápido que consegui para capturar o momento”, disse Amy Christie Hunter ao CNET News. “Durou apenas alguns segundos, foi literalmente como uma onda na rebentação.”

Após ter publicado a fotografia na rede social, a norte-americana foi contactada por um meteorologista que lhe pediu autorização para partilhar a imagem nas notícias.

“Quando dei por isso, todos os principais canais televisivos estavam a pedir-me permissão para usar a foto”, disse. Hunter adiantou ainda estar “muito satisfeita” por ter partilhado com o mundo uma imagem de um fenómeno tão raro.

Segundo o Observador, as nuvens tsunami são assim conhecidas popularmente, mas o  nome correto do fenómeno é instabilidade de Kelvin-Helmholtz. Um dos exemplos mais famosos é a mancha vermelha de Júpiter e este fenómeno acontece quando há velocidade de atrito num fluido contínuo ou quando há diferença de velocidade entre dois fluidos, como quando o vento sopra sobre a água, por exemplo.

Ainda assim, este fenómeno que pintou os céus de Smith Mountain Lake não deve ser confundido com as nuvens-prateleira ou as nuvens-rolo, que acontecem antes e durante as tempestades.

Ainda assim, os três acontecimentos têm algo em comum: por serem tão bonitos e tão assustadores ao mesmo tempo, tornam-se virais nas redes sociais assim que são captados quer em vídeos, quer em imagens. As nuvens tsunami da passada terça-feira não foram excepção.

ZAP //

Por ZAP
21 Junho, 2019

Eu também tenho captado nuvens com desenhos fantásticos e fora do que habitual e convencionalmente são as chamadas nuvens. Eis algumas delas:

… mas como não sou americano… ninguém liga…

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2181: Há uma “Cidade do Futuro” inacabada no deserto do Arizona

No deserto do Arizona, nos Estados Unidos, há uma cidade experimental projectada para milhares de pessoas que agora contém apenas algumas dezenas de habitantes.

Durante quase cinco décadas, um grupo chamado Fundação Cosanti tem trabalhado na construção de uma cidade que inspiraria um novo futuro ao design urbano. Hoje, o projecto está apenas 5% concluído.

Chamada Arcosanti, a cidade foi projetada pelo arquiteto italiano Paolo Soleri, cujo sonho era criar um laboratório urbano avançado onde as actividades quotidianas pudessem ser alimentadas pelos recursos naturais da Terra.

Soleri chamou a sua visão de “implosão urbana” – referindo-se ao design que promoveria densidade e reduziria a expansão, eliminando carros e estradas. Em vez de lâmpadas, os quartos seriam iluminados pelos raios naturais do sol e, em vez de ar-condicionado, a vegetação forneceria sombra natural.

Mas, à medida que a construção da Acrosanti se deteriorou, outras cidades e designers começaram a superar as ideias de Soleri. De acordo com o Business Insider, nações como o Qatar e a Arábia Saudita estão a desenvolver cidades com tubos de lixo pneumáticos, trabalhadores robôs, drones-táxis e pontes aéreas movidas a energia solar.

A Malásia quer construir uma cidade com plantas auto-irrigantes e janelas auto-reparadoras. Se a comunidade planeada da Alphabet, em Toronto, for concretizada, poderá apresentar estradas para veículos sem motorista e sensores subterrâneos.

Em comparação com estes projectos, as estruturas baixas de Arcosanti, com cúpulas e fachadas cor de areia agora parecem partes de uma antiga aldeia hippie, de acordo com a Science Alert.

Mas as ideias de Soleri estão longe de ultrapassadas. O arquitecto foi um dos primeiros proponentes do abastecimento local de alimentos, energia solar e vizinhança viável – conceitos que agora são considerados paradigmas do design urbano. Com uma visão inclusiva e o financiamento certo, os conceitos ainda têm o potencial de ajudar a abordar questões como a mudança climática e a superlotação.

Na época em que Soleri imaginou Arcosanti no final dos anos 1960, tinha sido aclamado como protegido de Frank Lloyd Wright e membro do Museu de Arte Moderna. Ele e a esposa também fundaram a Fundação Cosanti, uma organização sem fins lucrativos que possui a terra onde Arcosanti começou a ser construída. Em 1970, Soleri começou a trabalhar nas primeiras estruturas.

A terra foi comprada com um empréstimo. Soleri conseguiu seguidores como estudantes, arquitectos, jornalistas, cineastas e outros que se voluntariaram para ajudar a dar vida à sua visão. Soleri morava no local e frequentemente trabalhava com eles. Mas muitos dos conceitos do arquitecto revelaram-se caros e difíceis de financiar. O financiamento diminuiu e a construção desacelerou. Com o tempo, os seguidores de Soleri começaram também a desaparecer.

“As pessoas originais que trabalham lá ou ficaram frustradas e foram embora ou ficaram lá, ficaram mais velhas e instalaram-se nos seus apartamentos projectados por Soleri para viverem uma vida agradável”, escreveu James McGirk, ex-participante do projecto, no Wired.

As opiniões sobre o carácter de Soleri variam – algumas pessoas descreveram-no como generoso e modesto, enquanto outras disseram que era arrogante e fechado. Mas a maioria dos relatos parece concordar que não estava disposto a comprometer a sua visão. Quando Soleri morreu em 2013, um novo edifício tinha sido concluído em Arcosanti durante quase 25 anos.

Paul Comstock/ Flickr

A vida na “Cidade do Futuro”

A maioria dos 80 moradores de Arcosanti ganha o salário mínimo a trabalhar para a Fundação Cosanti, que mantém a cidade a funcionar. Os residentes são obrigados a trabalhar 40 horas semanais em áreas como manutenção de terrenos, construção ou administração.

Alguns lidam com o arquivo, onde restauram e catalogam os velhos desenhos e modelos de Soleri, enquanto outros trabalham no café ou na galeria da cidade. Outros ainda trabalham para a Cosanti Originals Inc. Grande parte do financiamento actual da cidade vem da venda de sinos de bronze produzidos no local.

Em troca de uma taxa semanal de 75 dólares, os moradores recebem um desconto em alimentos e acesso ilimitado a moradias, serviços públicos e instalações como uma piscina e uma biblioteca de música. Os residentes têm a opção de participar em discussões filosóficas, festas e workshops e é comum encontrar animais de estimação locais.

Fiéis à visão de Soleri, alguns moradores de Arcosanti vivem sem aquecedores, confiando numa estufa solar que liberta ar quente nos seus apartamentos através de um alçapão. Embora os carros não sejam exactamente fora dos limites, a natureza compacta da cidade incentiva as pessoas a andar, reduzindo assim a sua pegada ambiental.

Mas Arcosanti está muito longe de uma utopia sustentável. As suas oliveiras fornecem pouco alívio do calor do deserto e os moradores ainda compram alimentos do supermercado.

Cerca de metade da população de Arcosanti é “semi-transitória”, o que significa que provavelmente permanecerão durante cerca de seis meses a cinco anos. Cerca de 30% são “semi-permanentes”, o que significa que viverão lá durante cerca de cinco a 15 anos.

O festival anual de música Form de Arcosanti ajuda a manter a notoriedade da cidade. O festival, que começou em 2014, apresenta-se como um “retiro criativo” de três dias, que inclui ioga, instalações de arte e uma programação de músicos electrónicos e indie-rock.

ZAP //

Por ZAP
16 Junho, 2019

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