2406: Estrela super-veloz conseguiu escapar ao buraco negro super-massivo da Via Láctea

CIÊNCIA

(dr) Mark A. Garlick

Muitas estrelas orbitam perto de Sagitário A*, o buraco negro super-massivo no centro da Via Láctea. Mas nem todas têm o mesmo destino.

Em algumas galáxias, algumas dessas estrelas são separadas quando se aproximam do buraco negro super-massivo. Outras mudam de cor devido aos efeitos gravitacionais. E em alguns casos, as estrelas são atiradas para o espaço intergaláctico. S5-HVS1 é uma delas.

Como relatado num artigo disponível no arXiv, ainda a ser revisto por pares, um grupo internacional de cientistas identificou uma estrela hiper-veloz enquanto estudavam objectos para o Southern Stellar Stream Spectroscopic Survey (S5).

A estrela estava a mover-se a 1.017 quilómetros por segundo – o que abrange a distância entre Nova Iorque, nos Estados Unidos, e Sidney, na Austrália, em apenas 15,7 segundos.

Para se mover a essa velocidade, muito mais rápido que uma estrela comum, algo deve tê-la acelerado. A equipa de investigadores tentou estimar de onde a estrela poderia possivelmente ter vindo, e com base em sua análise, a explicação mais provável é o núcleo da Via Láctea.

É muito fácil apontar o dedo ao Sagitário A*. Se o buraco negro super-massivo for, de facto, o culpado, a estrela provavelmente foi expulsa a uma velocidade de cerca de 1.800 quilómetros por segundo e tem vindo a desacelerar lentamente nas suas viagens durante cerca de 4,8 milhões de anos. A estrela, que é um objecto padrão de fusão de hidrogénio, está localizada a aproximadamente 30 mil anos-luz da Terra.

Embora esta seja a estrela mais rápida já descoberta, não é um objecto único. Astrónomos descobriram dúzias destas estrelas, embora a maioria delas tenha sido acelerada para fora da galáxia por outros eventos além das interacções com Sagitário A *.

Os cientistas sugerem que, se uma das duas estrelas num sistema binário for super-nova, poderá dar empurrar a sua companheira além do disco da Via Láctea.

Mas as estrelas não estão apenas a ser expulsas. Os investigadores também já descobriram estrelas que chegam à nossa galáxia, vindas de pequenas companheiras da Via Láctea. Também poderiam ter sido acelerados por uma super-nova ou talvez até por um buraco negro super-massivo que ainda não conhecemos.

ZAP //

Por ZAP
5 Agosto, 2019

 

2168: Super-erupções do Sol podem “fritar” satélites e redes eléctricas nos próximos cem anos

CIÊNCIA

NASA

Na fronteira da Via Láctea, produz-se um dos espectáculos pirotécnicos mais brilhantes da galáxia. Algumas estrelas jovens e activas, por razões que os cientistas ainda desconhecem, lançam explosões de energia que podem ser vistas a centenas de anos-luz de distância.

Estas super-erupções têm uma potência arrebatadora, na ordem de centenas a milhares de vezes maior do que a maior já registada com instrumentos modernos na Terra. Até recentemente, de acordo com um comunicado, os investigadores supunham que estas explosões não poderiam acontecer no nosso antigo e tranquilo Sol.

Porém, um novo estudo, publicado na revista The Astrophysical Journal a partir de dados de diferentes telescópios, afirma que o sol também tem a capacidade de causar grandes erupções, ainda que apenas uma vez em cada poucos milhares de anos.

Se algo semelhante tivesse acontecido há mil anos, as consequências teriam sido reduzidas a uma aurora resplandecente no céu. Mas, agora, alertam os cientistas, isso causaria estragos nas comunicações via satélite e redes de energia do nosso planeta – uma catástrofe em escala global.

Yuta Notsu, investigador da Universidade da Califórnia em Boulder, é o principal autor do estudo, revelado na reunião anual da American Astronomical Society em St. Louis, EUA. Na sua opinião, os resultados devem ser um alerta para a vida no nosso planeta.

“O nosso estudo mostra que as super-erupções são eventos raros”, disse Notsu, de acordo com a ABC. “Mas há uma possibilidade de que possamos experimentá-lo nos próximos 100 anos”.

Se uma super-chama viesse do Sol, a Terra provavelmente estaria no caminho de uma onda de radiação de alta energia. Tal explosão poderia interromper a electrónica mundial, causando apagões e curtos-circuitos nos satélites de comunicação em órbita.

Os cientistas descobriram este fenómeno pela primeira vez graças ao Telescópio Espacial Kepler. A nave da NASA, lançada em 2009, procura planetas que giram em torno de estrelas distantes da Terra. Mas também encontrou algo estranho: às vezes, a luz das estrelas distantes parecia subitamente e momentaneamente mais brilhante.

As explosões de tamanho normal são comuns no Sol. “Quando o nosso Sol era jovem, era muito activo porque girava muito rápido e provavelmente gerava chamas mais poderosas”, explicou o investigadores. “Mas não sabíamos se existem grandes labaredas no Sol moderno com uma frequência muito baixa”.

Para descobrir, Notsu e uma equipa internacional de cientistas voltaram-se para dados da sonda Gaia da Agência Espacial Europeia (ESA) e do Observatório Apache Point, no Novo México. Durante uma série de estudos, o grupo usou os instrumentos para delinear uma lista de super-chamas provenientes de 43 estrelas que se assemelhavam ao nosso Sol. Depois, submeteram esses eventos raros a uma análise estatística rigorosa.

A conclusão: a idade é importante. De acordo com os cálculos da equipa, as estrelas mais jovens tendem a produzir o maior número de super-erupções. Mas as estrelas mais antigas, como o nosso Sol, agora com ​​4,6 mil milhões de anos, também as produzem. “Estrelas jovens têm super-chamas uma vez por semana”, afirmou Notsu. “O Sol faz isso uma vez a cada poucos milhares de anos em média.”

Notsu está convencido de que este grande evento acontecerá, embora não saiba dizer quando. No entanto, isso poderia dar tempo para nos prepararmos, protegendo a electrónica no solo e em órbita da radiação no espaço.

ZAP //

Por ZAP
14 Junho, 2019

[vasaioqrcode]

2160: Missão espacial TESS descobre cinco estrelas raras

Variações de brilho da estrela roAp TIC 237336864, observada pelo satélite TESS. O brilho da estrela varia com duas escalas de tempo diferentes. A variação do brilho na escala mais longa (cerca de 4,2 dias), representada no gráfico principal, permite identificar o período de rotação e resulta da passagem de manchas químicas pela linha de visão do observador, à medida que a estrela roda. No destaque vê-se a variação do brilho na escala mais curta (cerca de 7,4 minutos), resultante das sucessivas expansões e contracções da estrela que se repetem com o período característico das oscilações desta estrela.
Crédito: Daniel Holdsworth (Instituto Jeremiah Horrocks, U. de Central Lancashire)

Uma equipa internacional, liderada pela investigadora do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) Margarida Cunha, recorreu a técnicas asterossísmicas para procurar oscilações num subgrupo de cinco mil estrelas, entre as 32 mil observadas em cadência curta nos primeiros 2 sectores (aproximadamente, os 2 primeiros meses de operações científicas) do satélite TESS da NASA, e descobriu cinco raras estrelas roAp. Estes resultados foram aceites para publicação na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

As estrelas peculiares de oscilação rápida, ou estrelas roAp, são objectos estelares raros. Constituem um subgrupo das estrelas peculiares magnéticas (estrelas Ap), estas últimas caracterizadas por manchas químicas onde a abundância de terras-raras, em particular dos elementos Si, Cr, Eu, pode ser até um milhão de vezes superior à presente no Sol. As estrelas Ap têm campos magnéticos fortes e uma pequena fracção das mesmas, as roAp, oscilam com frequências semelhantes às observadas no Sol.

Nestes dados, a equipa encontrou o mais rápido oscilador roAp, que completa uma pulsação a cada 4,7 minutos. Duas destas cinco estrelas são particularmente desafiadoras à luz do conhecimento actual da área, uma porque é menos quente do que a teoria prevê para estrelas roAp e a outra porque oscila com uma frequência inesperadamente alta.

Margarida Cunha, a primeira autora do artigo (IA e Universidade do Porto) explica a importância de estudar estas estrelas: “Os dados do TESS mostram que as estrelas roAp são raríssimas, representando menos de 1% de todas as estrelas de temperatura semelhante. A importância da sua descoberta reside no facto de elas serem autênticos laboratórios estelares. Permite-nos testar teorias relativas a fenómenos físicos fundamentais no contexto da evolução das estrelas, tais como a difusão de elementos químicos e a sua interacção com campos magnéticos intensos.”

Ao fazer uma análise detalhada de 80 estrelas previamente conhecidas por serem quimicamente peculiares, a equipa descobriu ainda 27 novas variáveis rotacionais Ap. Nestes casos, o brilho varia à medida que cada estrela roda, devido à passagem de manchas químicas pela linha de visão do observador.

Para Daniel Holdsworth, do Instituto Jeremiah Horrocks da Universidade de Central Lancashire, estas observações do TESS: “permitem-nos estudar este tipo raro de estrelas de uma forma homogénea. Podemos finalmente comparar cada estrela com as restantes, sem precisar de tratar os dados de uma forma especial. Com a continuação da missão TESS, que irá fazer uma cobertura quase total do céu, teremos a capacidade de descobrir muitas mais estrelas peculiares. A comparação entre elas vai permitir-nos testar e refinar os mais recentes modelos teóricos, que tentam explicar a origem das oscilações.”

A equipa também obteve dados fotométricos de alta precisão para sete estrelas roAp, conhecidas previamente a partir de observações terrestres. Para quatro destas estrelas, foi ainda possível restringir o ângulo de inclinação (o ângulo de inclinação é o ângulo definido pelo eixo de rotação da estrela e a direcção do observador.) e a obliquidade magnética (ângulo definido pelo eixo de rotação e o eixo do campo magnético da estrela). Margarida Cunha, membro do comité executivo do TESS Asteroseismic Science Consortium (TASC) acrescenta: “Os processos físicos que levam à segregação de elementos químicos, como a difusão, estão entre os mais difíceis de modelar no contexto da física estelar. Esta descoberta de novas estrelas roAp pelo TESS, assim como a observação a partir do espaço de estrelas deste tipo previamente conhecidas, serão fundamentais para avançar o conhecimento nesta matéria.”

Para Victoria Antoci, do Centro de Astrofísica Estelar da Universidade de Aarhus: “É fascinante perceber que temos hoje mais estrelas do tipo roAp suficientemente brilhantes para serem seguidas a partir de telescópios relativamente acessíveis, localizados na Terra. Para compreendermos a física destas estrelas na sua totalidade, é importante complementar os dados que agora temos com informação sobre os seus campos magnéticos e sobre a composição química das suas atmosferas. Estas estrelas têm campos magnéticos fortes, que podem ir até 25 kiloGauss, ou seja, cerca de 250 vezes a intensidade dos ímanes que temos nos nossos frigoríficos.”

Estes novos resultados só se tornaram possíveis com o TESS porque este satélite observa continuamente as estrelas por períodos de pelo menos 27 dias e sem a interferência da atmosfera da Terra, algo que não é possível aos observatórios à superfície do nosso planeta.

Astronomia On-line
11 de Junho de 2019

[vasaioqrcode]

2136: Investigadores descobrem cinco estrelas “raras”

(dr) Gabriel Pérez / SMM

Uma equipa internacional, liderada pelo Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, descobriu, nos dois primeiros meses de operações científicas do telescópio espacial TESS, cinco estrelas “raras”.

Em comunicado, o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) adianta que a descoberta, aceite para publicação na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, recorreu a “técnicas asterossísmicas”, um método que observa as oscilações à superfície das estrelas.

“Entre 32 mil estrelas observadas em cadência curta, nos primeiros dois meses de operações científicas da missão espacial TESS (…) a equipa descobriu cinco raras estrelas ‘roAp’”, afirma o IA. O instituto afirma que “duas” das cinco estrelas são “particularmente desafiadoras”, isto porque uma “é menos quente do que a teoria prevê” e outra “oscila com uma frequência inesperadamente alta”.

As estrelas ‘roAp’ (estrelas de oscilação rápida), são “objectos estelares raros” e constituem um subgrupo de estrelas magnéticas (estrelas Ap) cujos campos magnéticos são fortes e oscilam com frequências semelhantes às observadas no Sol.

Além das cinco estrelas ‘roAp’, a equipa de investigadores encontrou, ao longo das operações científicas, “o mais rápido oscilador ‘roAp‘”, que completa uma pulsação a cada 4,7 segundos.

Citada no comunicado, Margarida Cunha, a primeira autora do artigo acrescenta que os dados recolhidos mostram que “as estrelas ‘roAp’ são raríssimas”, uma vez que representam menos de 1% de todas as estrelas com temperaturas semelhantes.

“A importância desta descoberta reside no facto de elas serem autênticos laboratórios estelares. Permite-nos testar teorias relativas a fenómenos físicos fundamentais no contexto da evolução das estrelas, tais como a difusão de elementos químicos e a sua interacção com campos magnéticos intensos”, adianta.

De acordo com o IA, durante uma análise detalhada de 80 estrelas conhecidas por serem “quimicamente peculiares”, os investigadores descobriram ainda 27 “novas” variáveis rotacionais ‘Ap’, onde o brilho das estrelas varia de acordo com as suas rotações.

Também citado no comunicado, Daniel Holdsworth, do Instituto Jeremiah Horrocks da Universidade de Central Lancashire, no Reino Unido, acredita que estas observações vão permitir “estudar este tipo raro de estrelas de uma forma homogénea”

“Podemos finalmente comparar cada estrela com as restantes, sem precisar de tratar os dados de uma forma especial. Com a continuação da missão TESS, que irá fazer uma cobertura quase total do céu, teremos a capacidade de descobrir muitas mais estrelas peculiares”, aponta.

O IA conclui afirmando que estes resultados só foram possíveis porque o telescópio TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite, Satélite de Rastreio de Trânsito de Exoplanetas), “observa continuamente as estrelas por períodos de pelo menos 27 dias e sem a interferência da atmosfera da Terra, algo que não é possível aos observatórios à superfície do nosso planeta”.

ZAP // Lusa

Por Lusa
7 Junho, 2019



[vasaioqrcode]

2133: Dois planetas observados directamente a crescer em torno de uma jovem estrela

Impressão de artista que mostra os dois exoplanetas gigantes em órbita da jovem estrela PDS 70. Estes planetas ainda estão a crescer através da acreção de material a partir de um disco circundante. No processo, esculpiram gravitacionalmente uma grande divisão no disco. A lacuna estende-se a distâncias equivalentes à distância das órbitas de Úrano e Neptuno no nosso Sistema Solar.
Crédito: J. Olmsted (STScI)

Os astrónomos fotografaram directamente dois exoplanetas que esculpem, gravitacionalmente, uma grande divisão dentro de um disco de formação planetária em redor de uma jovem estrela. Embora já tenham sido observados directamente mais de uma dúzia de exoplanetas, este é apenas o segundo sistema multi-planetário a ser fotografado (o primeiro foi um sistema com quatro planetas em órbita da estrela HR 8799). Ao contrário de HR 8799, os planetas neste sistema ainda estão a crescer a partir da acreção de material do disco.

“Esta é a primeira detecção inequívoca de um sistema com dois planetas que criam uma lacuna no disco,” comenta Julien Girard do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland.

A estrela hospedeira, conhecida como PDS 70, está localizada a cerca de 370 anos-luz da Terra. A jovem estrela com 6 milhões de anos é um pouco mais pequena e menos massiva que o nosso Sol e ainda está a acumular gás. É rodeada por um disco de gás e poeira que tem uma grande abertura que se estende de mais ou menos 3 a 6,1 mil milhões de quilómetros.

PDS 70 b, o planeta mais interior conhecido, está localizado dentro da divisão do disco a uma distância de aproximadamente 3,2 mil milhões de quilómetros da sua estrela, equivalente à órbita de Úrano no nosso Sistema Solar. A equipa estima que tenha uma massa 4 a 17 vezes superior à de Júpiter. Foi detectado pela primeira vez em 2018.

PDS 70 c, o planeta recém-descoberto, está localizado perto da orla externa da lacuna do disco, a cerca de 5,3 mil milhões de quilómetros da estrela, parecida à distância de Neptuno ao Sol. É menos massivo do que o planeta b, entre uma e dez vezes a massa de Júpiter. As duas órbitas planetárias estão perto de uma ressonância de 2 para 1, o que significa que o planeta interior orbita a estrela duas vezes no tempo que leva o planeta mais exterior a completar uma órbita.

A descoberta destes dois mundos é importante porque fornece evidências directas de que a formação de planetas pode varrer material suficiente de um disco proto-planetário para criar uma lacuna observável.

“Com instalações como o ALMA, Hubble ou grandes telescópios ópticos terrestres com ópticas adaptativas, vemos discos com anéis e lacunas por toda a parte. A questão ainda em aberto é: existem aí planetas? Neste caso, a resposta é sim,” explicou Girard.

A equipa detectou PDS 70 c a partir do solo, usando o espectrógrafo MUSE acoplado ao VLT (Very Large Telescope) do ESO. A sua nova técnica depende da combinação da alta resolução espacial fornecida pelo telescópio de metros, equipado com quatro lasers, e da resolução espectral média do instrumento que permite cingir-se à luz emitida pelo hidrogénio, que é um sinal de acreção de gás.

“Este novo modo de observação foi desenvolvido para estudar galáxias e enxames estelares a uma maior resolução espacial. Mas este novo modo também é adequado para fotografar exoplanetas, que não foi de todo o objectivo principal científico do instrumento MUSE,” explicou Sebastiaan Haffert do Observatório de Leiden, autor principal do estudo.

“Ficámos muito surpresos quando encontrámos o segundo planeta,” comentou Haffert.

No futuro, o Telescópio Espacial James Webb da NASA poderá ser capaz de estudar este sistema e outros berçários planetários usando uma técnica espectral similar para se restringir a vários comprimentos de onda do hidrogénio. Isto permitirá que os cientistas possam medir a temperatura e a densidade do gás no disco, o que ajudaria a nossa compreensão do crescimento dos planetas gigantes. O sistema também pode ser alvo da missão WFIRST, que transportará uma demonstração tecnológica de um coronógrafo de alto desempenho que pode bloquear a luz da estrela a fim de revelar a luz mais fraca do disco circundante e dos planetas que o acompanham.

Estes resultados foram publicados na edição de 3 de Junho da revista Nature.

Astronomia On-line
7 de Junho de 2019



[vasaioqrcode]

2122: Duas estrelas estão a explodir misteriosamente (e os cientistas não sabem porquê)

CIÊNCIA

Casey Reed / NASA

Um sistema estelar localizado a 16 mil anos-luz da Terra está a comportar-se de uma forma estranha – e os cientistas ainda não sabem explicar o que está a acontecer.

A estrela em questão chama-se AG Draconis e é uma estrela binária bem conhecida, que está a ser observada pelos cientistas desde o fim do século XIX. Apesar de estar a ser vigiada há muito tempo, os investigadores não têm a certeza do que é que está por trás da sua mais recente actividade estelar.

Uma estrela binária é, na verdade, um sistema composto por duas estrelas separadas que orbitam em torno uma da outra. Dependendo da proximidade das estrelas unidas num sistema binário e os seus estágios relativos de evolução estelar e actividade, as estrelas binárias tendem a exibir algumas interacções bizarras.

A AG Draconis, que consiste numa estrela gigante fria e um anã branca mais quente, é conhecido por manifestar uma actividade de queima simbiótica que alterna entre uma sequência de dois estágios: ilativo e activo.

A cada nove a 15 anos, a AG Draconis demonstra caracteristicamente uma explosão estelar: uma fase intensa de clareamento, que se repete quase anualmente durante vários anos, antes que o sistema binário fique “adormecido” novamente durante outros vários anos – até o ciclo começar a repetir.

Num novo estudo, conduzido pelo astrofísico Rudolf Gális, da Universidade Pavol Jozef Šafárik, na Eslováquia, e  disponível no ArXiv, os investigadores identificaram 36 destas explosões desde 1932, em pelo menos seis estágios separados de actividade de explosão.

De acordo com a equipa de Gális, a maneira como o sistema binário explode durante esses eventos parece ter mudado recentemente – como se as duas estrelas tivessem decidido repentinamente descartar um fenómeno consistente que tem sido o mesmo ao longo de décadas de observações.

Historicamente, as observações ultravioletas e radiológicas mostraram que AG Draconis manifesta dois tipos diferentes de explosões: as frias, que geralmente aparecem no início dos estágios activos (e em grandes explosões); e os quentes, que ocorrem em menor escala no final do ciclo.

Não se sabe ao certo porque é que essas explosões periódicas realmente acontecem, mas uma hipótese é que as reacções termo-nucleares são acesas quando a taxa de acumulação de material extraído da estrela gigante para a estrela anã “excede algum valor crítico e a luminosidade do componente quente aumenta significativamente”, explicam os cientistas.

Mas agora é diferente. Por alguma razão, em 2015, o AG Draconis marcou o início do seu mais recente estágio activo com uma explosão que se assemelhava ao tipo menor e mais quente de evento, e não a explosão fria que cientistas esperavam ver – e a estrela binária continuou a ter explosões quentes sucessivas em 2016, 2017 e 2018.

Por razões que ninguém entende inteiramente, AG Draconis mudou os padrões antigos das suas fases de explosão activa. “A evolução futura da AG [Draconis] é uma questão em aberto. Podemos esperar uma explosão grande e fria ou menor e mais quente?”.

Segundo a estimativa dos investigadores, o próximo evento de AG Draconis já deveria ter ocorrido, embora os cientistas ainda não tenham tido a possibilidade de escrever novas observações. Quando o fizerem, haverá novas notícias da estrela – que terão ocorrido 15 mil anos antes.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
6 Junho, 2019



[vasaioqrcode]

2098: Encontradas 30 estrelas sem-abrigo à deriva. Foram expulsas da sua galáxia

NASA

Recentemente, 30 sistemas estelares binários foram detectados perto de um aglomerado de galáxias a 62 milhões de anos-luz da Terra.

Quando duas estrelas se apaixonam (e são suficientemente massivas e suficientemente próximas), podem começar a estabilizar-se. Os astrónomos chamam-lhes sistemas estelares binários, porque fazem tudo juntas: orbitam um em redor do outro, juntam os seus gases e, às vezes, até ressuscitam juntos.

É bonito, mas nem sempre é bom. Por vezes, um membro do par pode ser castigado pelo comportamento tóxico do parceiro. De acordo com um estudo recentemente publicado no The Astrophysical Journal, os pares encontrados foram expulsos das suas galáxias quando uma das estrelas colapsou contra uma estrela de neutrões e criou uma explosão tão poderosa que enviou os parceiros binários para o espaço interestelar.

“É como um convidado que é expulso de uma festa com um amigo barulhento”, disse o principal autor do estudo, Xiangyu Jin, da Universidade McGill, em Montreal, no Canadá, em comunicado. “A estrela companheira nesta situação é arrastada para fora da galáxia simplesmente porque está em órbita com a estrela que se tornou numa super-nova.”

Jin e os seus colegas descobriram os exilados estelares enquanto estudavam 15 anos de dados de emissão de raios X colectados pelo Chandra X-ray Observatory da NASA. A equipa ampliou o aglomerado de Fornax, um grupo de mais de 50 galáxias conhecidas localizadas na constelação Fornax.

Certos padrões de emissão contam a história de sistemas estelares binários em que um dos parceiros entrou em colapso numa estrela de neutrões, sugou cargas de gás e poeira da sua estrela parceira para um disco em órbita e super-aqueceu o disco a dezenas de milhões de graus.

Os discos quentes eram visíveis apenas na luz dos raios X, de acordo com os investigadores, e cerca de 30 das assinaturas de raios X detectadas vieram de fora dos limites de qualquer galáxia conhecida.

A equipa concluiu que os sistemas brilhantes eram provavelmente um par de uma estrela de neutrões e uma de não-neutrões que tinham sido catapultadas para fora da galáxia de origem quando a estrela de neutrões entrou em colapso.

Trinta pares de estrelas sem-abrigo podem parecer muito, mas provavelmente há inúmeros outro. Os investigadores detectaram cerca de 200 fontes peculiares de emissões de raios-X em Fornax, mas muitas delas estavam demasiado longe para serem resolvidas.

ZAP //

Por ZAP
3 Junho, 2019



[vasaioqrcode]

2004: Algo estranho empurrou estrelas e fez um buraco na Via Láctea (e não se sabe o que é)

(dr) Annedirkse
A Via Láctea, vista do Paquistão

Há algo a abrir buracos na nossa galáxia. Nós não o conseguimos ver e pode não ser feito de matéria normal. Os telescópios não o detectaram directamente, mas há de certeza algo estranho a acontecer.

“É uma bala densa de alguma coisa”, disse Ana Bonaca, investigadora do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, que descobriu estas evidências. A evidência de Bonaca, apresentada na conferência de 15 de Abril da American Physical Society em Denver, é uma série de buracos no fluxo estelar mais longo da galáxia, o GD-1.

Fluxos estelares são linhas de estrelas que se movem juntas através de galáxias, muitas vezes originadas em pequenas bolhas de estrelas que colidiram com a galáxia em questão. As estrelas em GD-1, remanescentes de um “aglomerado globular” que mergulhou na Via Láctea há muito tempo, estão estendidas numa longa linha no céu.

Em condições normais, a corrente deveria ser uma linha, esticada pela gravidade da galáxia. Os astrónomos esperariam um único espaço no ponto em que o aglomerado globular original estava antes das suas estrelas se afastarem em duas direcções.

Mas Bonaca mostrou que o GD-1 tem um segundo buraco. E essa lacuna tem uma margem irregular, como se algo enorme tivesse mergulhado na corrente há não muito tempo, arrastando estrelas com a sua enorme gravidade. GD-1, ao que parece, foi atingido por essa bala invisível.

“Não conseguimos mapeá-lo para qualquer objecto luminoso que tenhamos observado”, disse Bonaca à Live Science. “É muito mais massivo do que uma estrela. Algo como um milhão de vezes a massa do Sol. Não há estrelas dessa massa. Podemos descartar isso. E se fosse um buraco negro, seria um preto super-massivo do tipo que encontramos no centro da nossa própria galáxia”.

Não é impossível que haja um segundo buraco negro super-massivo na galáxia. Mas espera-se ver algum sinal, como chamas ou radiação do seu disco de acréscimo. A maioria das grandes galáxias parece ter apenas um único buraco negro super-massivo no seu centro.

Sem objectos gigantes, brilhantes, visíveis a sair de GD-1, e sem evidência de um segundo buraco negro super-massivo oculto na nossa galáxia, a única opção óbvia que resta é um grande aglomerado de matéria escura. Isso não significa que o objecto é definitivamente absolutamente feito de matéria escura, ressalvou Bonaca.

“Pode ser que seja um objecto luminoso que foi para algum lugar e está escondido em algum lugar da galáxia”, acrescentou. Mas isso parece improvável, em parte devido à grande escala do objecto. “Sabemos que estão a 30 a 65 anos-luz“, disse. “Do tamanho de um aglomerado globular.”

Mas é difícil descartar totalmente um objecto luminoso, em parte porque os investigadores não sabem com que velocidade se estava a mover durante o impacto. Sem uma resposta para isso, é impossível ter certeza de onde a “coisa” terá ido.

Ainda assim, a possibilidade de encontrar um objecto real da matéria escura é tentadora. De momento, os astrónomos não sabem o que é matéria escura. A matéria luminosa, o material que conseguimos ver, parece ser apenas uma pequena fracção do que há lá fora. As galáxias unem-se como se houvesse algo pesado dentro delas, agrupadas nos centros e criando uma enorme gravidade. A maioria dos físicos raciocina que há algo mais e invisível.

Esta esfera densa de algo invisível que mergulha na nossa Via Láctea oferece aos físicos uma nova evidência de que a matéria escura pode ser real. Sugeriria que a matéria escura é realmente “desajeitada”, como prevê a maioria das teorias sobre o seu comportamento.

Se a matéria escura é “desajeitada”, é concentrada em pedaços irregulares distribuídos entre galáxias. Algumas teorias alternativas, incluindo teorias que sugerem que a matéria escura não existe, não incluiriam aglomerados e teriam os efeitos da matéria escura distribuída suavemente pelas galáxias.

Até agora, a descoberta de Bonaca é única, tão nova que ainda não foi publicada numa revista. A investigadora baseou-se em dados da missão Gaia, um programa da Agência Espacial Europeia para mapear milhões de estrelas na Via Láctea e os seus movimentos pelo céu.

Bonaca reforçou os dados com observações do Telescópio Multi-Espelho no Arizona, que mostrou que estrelas se estavam a mover em direcção à Terra e que corpos se estavam a afasta. Bonaca quer fazer mais projectos de mapeamento para revelar outras regiões do céu onde algo invisível parece estar a derrubar estrelas. O objectivo é mapear aglomerados de matéria escura por toda a Via Láctea.

ZAP //

Por ZAP
18 Maio, 2019



[vasaioqrcode]

 

1942: O satélite Gaia anda à procura de estrelas, mas também encontra asteróides

ESA / Gaia / DPAC

O satélite Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA), descobriu três novos asteróides entre os milhares que estão perto do planeta Terra.

O satélite Gaia vasculha os céus para mapear os milhares de milhões de estrelas que compõem a Via Láctea. Mas, enquanto cumpre a sua tarefa, o satélite da Agência Espacial Europeia (ESA) também se cruza com corpos celestes mais próximos de nós, nomeadamente asteróides.

A grande maioria dos asteróides já tinham sido identificados, mas Gaia acrescentou novidades à lista, tendo descoberto três novos asteróides, até agora desconhecidos pelos astrónomos.

Os asteróides são rochas espaciais remanescentes do Sistema Solar primitivo. Ao estudá-los, os cientistas conseguem traçar um quadro do que parecia ser o nosso Sistema Solar há milhares de milhões de anos – um retrato verdadeiramente estimulante para os entusiastas da astronomia.

Em comunicado, a ESA informou que os três asteróides descobertos pelo satélite têm trajectórias incomuns no Espaço. Enquanto o Sol e os planetas orbitam no espaço tridimensional, as órbitas convergem numa “superfície plana”, quase como se tudo o resto estivesse a orbitar em cima de uma plana do tamanho de um sistema solar.

Segundo o Space, a trajectória destes três asteróides é inclinada (cerca de 15 graus, ou até mais) em comparação com o plano do Sistema Solar.

“Esta população de asteróides de alta inclinação é menos estudada, uma vez que a maioria das pesquisas tende a concentrar-se no plano em que a maioria dos asteróides se insere”, explica a ESA. “Mas Gaia consegue observá-los prontamente, pelo que é possível que, no futuro, o satélite encontre mais objectos, contribuindo com novas informações para estudar as suas propriedades.”

A ESA explica que a maioria dos asteróides representados na imagem (que aparecem a vermelho e laranja) encontram-se no cinturão principal, entre as órbitas de Marte e Júpiter. Por sua vez, a vermelho escuro surgem os asteróides Troianos, que se encontram em redor da órbita de Júpiter.

A amarelo, no centro da imagem, observamos as órbitas de vários asteróides perto da Terra, situados a menos de 1,3 unidades astronómicas (ua) do Sol. No meio das órbitas de milhares de asteróides, há três que ainda não tinham sido descobertos. Assinalados a cinzento, representam a primeira descoberta deste género do satélite da ESA.

Estes novos corpos foram descobertos em Dezembro de 2018, confirmando-se agora mediante observações de acompanhamento realizadas pelo Haute-Provence Observatory em França, que permitiram aos investigadores determinar as suas órbitas.

ZAP //

[vasaioqrcode]

 

1941: Após dez anos de silêncio, uma misteriosa estrela volta a emitir ondas de rádio

ESO

Trata-se de uma das estrelas mais estranhas do Universo. Pertence há já pouco comum categoria dos magnetares, cadáveres estelares de enorme densidade e que possuem poderosos campos magnéticos.

Apenas 23 magnetares são conhecidos – 23 casos no meio de milhões de estrelas. Mas o XTE J1810-197 também é diferente da maioria deles, o que o torna excepcionalmente raro. Apenas quatro dos magnetares conhecidos enviam ondas de rádio – e o XTE J1810-197 é um deles.

Era-o, pelo menos, até ao final de 2008 quando, de repente, parou de transmitir. Desde então, e apesar do súbito silêncio do rádio, uma equipa de cientistas do Instituto Max Planck de Radioastronomia e da Universidade de Manchester não tirou os olhos dele. Uma década depois, tão subitamente como cessou, a emissão de ondas de rádio recomeçou.

Conforme explicado pelos astrónomos num artigo publicado no Arxiv, desde o último dia 8 de Dezembro e sem aviso prévio, os instrumentos começaram a receber um novo fluxo de ondas de rádio do misterioso objecto. O perfil das ondas emitidas nesta ocasião difere substancialmente daquelas geradas há mais de uma década.

“As variações de pulso observadas até agora da fonte foram significativamente menos dramáticas, em escalas de tempo de meses a meses, do que as observadas em 2006”, escrevem os autores, citados pela ABC. Entre eles, destaca-se uma série de pequenas ondas na escala de milissegundos que, segundo os cientistas, poderiam ser devidas a “pequenos calafrios” na crosta da estrela.

Sabe-se muito pouco sobre os magnetares. Os modelos existentes sugerem que se formam do mesmo modo que as estrelas de neutrões, a partir do colapso gravitacional dos núcleos de estrelas moribundas maciças. A gravidade esmaga os núcleos de tal maneira que os átomos se rompem e as partículas que o formam comprimem-se.

O resultado é um “cadáver de estrelas” de pequenas dimensões, não maior do que uma pequena cidade, mas com uma massa equivalente a vários sóis.

Estes corpos possuem poderosos campos magnéticos. A ciência não está certa sobre como se pode formar um campo magnético de tal intensidade, embora acredite que poderia ser devido à rotação muito rápida destes cadáveres estelares.

Os magnetares também estão associados a uma série de rajadas de raios gama e raios-x poderosos e estranhos, os eventos mais poderosos do Universo conhecido e que os astrónomos, de tempos em tempos, detectam nos seus telescópios.

Em 2003, após um breve mas intenso clarão de raios X, o XTE J1810-197 começou a emitir pulsos de ondas de rádio, uma vez a cada cinco segundos e meio. Foi a primeira vez que se viu algo assim. Essas emissões continuaram até ao final de 2008.

Anos depois, no entanto, o mesmo comportamento também foi detectado em outros três magnetares. Quatro dos 23 conhecidos emitiam ondas de rádio. De acordo com o novo estudo, pode ser que os “tremores” da crosta dessas estrelas contribuam de alguma forma para as emissões.

Outra equipe de astrónomos usou recentemente a Rede de Telescópios Espaciais da NASA para observar o XTE J1810-197 e dois outros magnetares emissores de rádio e notaram as estranhas variações da transmissão. Os cientistas esperam que, agora que o XTE J1810-197 despertou, observações novas e mais precisas possam pôr fim à especulação e explicar qual é a verdadeira razão para estes estranhos pulsos de rádio.

ZAP //

Por ZAP
8 Maio, 2019

[vasaioqrcode]

 

1928: Misteriosa estrela escondida na Ursa Maior fugiu de outra galáxia

NASA

Uma das formações estelares mais reconhecíveis na nossa galáxia pode estar a abrigar uma fugitiva intergaláctica. Escondida na constelação da Ursa Maior, os astrónomos recentemente expulsaram uma estrela estranha, diferente de qualquer outra na Via Láctea.

Oficialmente conhecido como J1124 + 4535, este corpo celeste bizarro parece ter uma assinatura química incomum e, incidentalmente, a sua origem. Usando um telescópio espectroscópio na China que consegue analisar o espectro de luz de uma estrela, os cientistas notaram que este contém uma mera fracção dos compostos químicos de magnésio e ferro vistos entre os seus vizinhos.

Um estudo de acompanhamento do Telescópio Subaru, no Japão, confirmou as descobertas, além de revelar uma curiosa abundância de um químico chamado európio na estrela, muito mais do que o próprio Sol contém.

A proporção é diferente de tudo que já se viu no resto das estrelas da galáxia – e os cientistas acham que esta pode pertencer a outra galáxia, um remanescente solitário de uma galáxia anã que terá sido engolida pela nossa.

“Estrelas como esta foram encontradas em galáxias anãs actuais“, explicam os autores, “fornecendo a mais clara assinatura química de eventos de acreção passados ​​na Via Láctea.” Uma estrela como J1124 + 4535 é extremamente rara e intrusa na nossa galáxia, mas não significa que esteja sozinha no Universo.

Astrónomos recentemente observaram outras estrelas com baixos teores de metais, voando na periferia da Via Láctea. Além do mais, explicam os autores no artigo publicado na revista Nature Astronomy, as estrelas que se formam em galáxias anãs que orbitam a nossa, como a Ursa Menor, têm composições semelhantes, apresentando baixos níveis de sódio, escândio, níquel e zinco.

“Estrelas formam-se a partir de nuvens de gás interestelar”, explica um comunicado de imprensa sobre a descoberta. “As relações de elemento da nuvem pai transmitem uma assinatura química observável nas estrelas formadas naquela nuvem. Assim, as estrelas formadas juntas têm proporções de elementos semelhantes“.

Por causa de suas semelhanças, os astrónomos acham que o J1124 + 4535 deve ter vindo de uma galáxia anã evoluída e antiga, um pouco semelhante à Ursa Menor. É a primeira vez que vimos algo assim na nossa própria galáxia.

ZAP // Science Alert
Por ZAP
6 Maio, 2019

[vasaioqrcode]

 

1911: Descobertos restos de uma explosão de uma estrela observada em 48 a.C

ESO / M. Kornmesser

Uma equipa europeia, em colaboração com o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, descobriu os restos de uma explosão de hidrogénio, que ocorreu há cerca de dois mil anos, na superfície de uma estrela, foi esta semana anunciado.

Em comunicado, o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) adianta que a descoberta, aceite para publicação na revista Astronomy & Astrophysics, ocorreu há cerca de dois mil anos “no exame globular de estrelas M22 (Messier 22)”, situado a 9.785 anos-luz da constelação de Sagitário.

A investigação, que descobriu um “remanescente de Nova” – uma explosão de hidrogénio que ocorre na superfície de uma estrela e que faz aumentar o seu brilho -, vem ao encontro dos registos “efectuadas por astrónomos chineses no ano 48 a.C.”.

“Esta descoberta (…) confirma uma das mais antigas observações que chegou aos dias de hoje, efectuada por astrónomos chineses em 48 a.C.”, assegura o instituto.

O IA refere que o enxame (aglomerados esféricos compostos por centenas de milhares de estrelas que orbitam fora da galáxia) foi observado pelo MUSE, um espectrógrafo que obtém um “espectro total de cada pixel do céu” e permite medir o brilho das estrelas em função da sua cor.

“O remanescente de Nova descoberto no enxame M22 (um dos 150 enxames globulares que orbita a Via Láctea) é uma nebulosa avermelhada de hidrogénio e outros gases, com um diâmetro de 8.000 unidades astronómicas. Mas apesar do tamanho, a nebulosa tem uma massa de apenas 30 vezes a da Terra”, aponta o instituto.

Citado no comunicado, Jarle Brinchman, investigador do IA e da Universidade do Porto, salienta que, tendo em conta que “a maioria dos eventos astronómicos têm durações demasiado longas”, é “excitante ter conseguido usar o inovador instrumento MUSE para encontrar os restos da explosão de uma estrela, da qual há registos históricos“.

Por sua vez, Fabian Göttgens, o primeiro autor do artigo, afirma que os instrumentos utilizados na investigação permitem confirmar “uma das mais antigas observações” que ocorreu fora do nosso Sistema Solar. “Esta observação permitiu-nos trazer escalas de tempo astronómicas para uma escala humana”, avança.

ZAP // Lusa

Por Lusa
1 Maio, 2019

[vasaioqrcode]

 

1827: Astrónomos encontraram algo inesperado numa estrela que não devia existir

Na astrofísica, qualquer elemento mais pesado que hidrogénio e hélio é denominado “metal” e o lítio está entre os mais leves desses metais.

Investigadores do Instituto de Astrofísica de Canarias (IAC) e da Universidade de Cambridge conseguiram detectar o lítio numa estrela “primitiva”. Esta é a estrela J0023+0307, descoberta há um ano pela mesma equipa com o Gran Telescopio Canarias (GTC) e o Herschel Telescope William (WHT) do Observatorio del Roque de los Muchachos.

Esta descoberta pode fornecer informações cruciais sobre a criação de núcleos atómicos – nucleosíntese – no Big Bang, de acordo com o comunicado publicado pelo IAC.

“Esta estrela primitiva surpreende-nos pelo seu alto teor de lítio e a sua possível relação com o lítio primordial formado no Big Bang”, observa David Aguado, um investigador associado com a Universidade de Cambridge, que é o autor principal do artigo publicado no início deste mês na revista The Astrophysical Journal Letters.

Esta estrela é semelhante ao nosso Sol, mas com um teor de metal muito mais pobre, menos de uma milésima parte da metalicidade solar. Esta composição implica que é uma estrela que se formou nos primeiros 300 milhões de anos do Universo, logo após as super-novas, marcando as fases finais das primeiras estrelas massivas na nossa galáxia.

“O teor de lítio da estrela primitiva é semelhante ao de outras estrelas pobres em metal no halo da nossa galáxia, e definem, aproximadamente, um valor constante, independente do valor do conteúdo metálico da estrela”, explica Jonay González Hernández, investigador e co-autor do artigo.

O lítio do Big Bang é um metal muito frágil que é facilmente destruído no interior das estrelas por reacções nucleares a uma temperatura de 2,5 milhões de graus ou mais. Como a base da atmosfera deste tipo de estrelas pobres em metal não atinge esta temperatura, o lítio permanece nelas durante praticamente toda a sua vida.

J0023 + 0307 ainda está na “Sequência Principal”, a fase em que as estrelas permanecem durante a maior parte das suas vidas e a sua idade é quase a mesma da idade do Universo. “A estrela J0023 + 0307 mantém este conteúdo constante de lítio numa estrela com uma baixíssima metalicidade e, assim, entendemos que o lítio deve ter-se formado numa fase ainda mais precoce na evolução do Universo”, acrescenta Carlos Allende, outro investigador do IAC.

A 7500 anos-luz da Terra, a estrela encontra-se no halo da Via Láctea e na direcção da constelação do Lince. A fonte de energia destas estrelas é a fusão do hidrogénio nos seus núcleos e as suas temperaturas superficiais e luminosidades são quase constantes com o passar do tempo. Outra das suas propriedades é a sua pequena massa, cerca de 0,7 vezes a massa do Sol, embora seja 400 graus mais quente.

ZAP //

Por ZAP
10 Abril, 2019

[vasaioqrcode]

 

1816: Cientistas revelam a origem da explosão mais potente do Universo

ESO

O espaço, povoado por um número inimaginável de galáxias e estrelas, parece um lugar tranquilo. Mas é abalado por fenómenos espectaculares que libertam incríveis quantidades de energia.

Por exemplo, uma explosão de super-nova pode ser 30 vezes mais brilhante que uma galáxia inteira durante vários dias. As longas explosões de raios gama, os fenómenos electromagnéticos mais poderosos que observamos, libertam num segundo toda a energia que o Sol produzirá nos seus nove mil milhões de anos de vida.

Portanto, não é de surpreender que, se um desses eventos ocorresse na Via Láctea e fosse orientado para a Terra, terminasse com toda a vida.

Esses surtos foram descobertos em 1967, mas a origem é um mistério. O que pode libertar estas quantidades de energia em tão pouco tempo? O que podemos aprender sobre o assunto quando descobrimos?

A explicação mais plausível é que vêm da implosão de grandes estrelas, quando geram as super-novas super brilhantes. É difícil saber com acontece, porque os eventos são raros e há poucos para cada galáxia a cada milhão de anos.

Um estudo publicado na Nature Communications, e preparado por investigadores da RIKEN (Japão), concluiu que as longas explosões originam-se em jactos, isto é, em torrentes de partículas aceleradas até quase chegarem ao velocidade da luz, gerada pela morte de estrelas massivas.

“Embora tenhamos elucidado a origem dos fotões – a partir destes surtos – ainda há questões não resolvidas sobre como os jactos se originam em estrelas em colapso”, disse Hirotaka Ito, primeiro autor do estudo, em um comunicado, citado pela ABC. No entanto, continuou: “Os nossos cálculos devem fornecer uma maneira valiosa de explorar o mecanismo fundamental por trás desses eventos extremamente poderosos”.

Os investigadores têm procurado descobrir como estes surtos se formam há décadas. O que há lá fora que seja capaz de acelerar as partículas até esses níveis, de modo que cruzem o espaço entre as galáxias como se nada fosse. Nesse caso, os dados e um trio de supercomputadores conseguiram encontrar uma resposta.

A equipa de Ito concentrou-se na verificação do funcionamento do modelo de “emissão atmosférica atmosférica”, um dos que apresentou mais documentação para explicar os mecanismos de geração dos GRBs. De acordo com este modelo, à medida que um jacto estelar se expande e perde densidade, torna-se mais fácil para os fotões escaparem para o espaço.

Tudo é baseado na “relação Yonetoku”, uma associação que existe entre o espectro e a luminosidade dos GRBs. Isso não só ajuda a explicar o mecanismo de emissão de fotões com precisão, mas também permite que esses fenómenos seja “velas padrão”, objectos astrofísicos como estrelas variáveis ​​Cefeidas ou super-novas cuja luz e propriedades são tão estáveis ​​que nos permitem saber até que ponto estão e calcular distâncias no espaço.

Se este modelo estiver correto, os GRBs seriam um novo farol para sondar as profundezas do Universo. Além de aprender mais sobre a sua evolução e sobre os mistérios permanentes da energia e da matéria das trevas.

Para verificar a validade do modelo e da relação da Yonetoku, os cientistas recorreram a sofisticadas simulações hidrodinâmicas em três dimensões. Assim, desenharam cálculos de transferência de energia e estimaram a libertação de radiação da fotosfera dos jactos, a partir da explosão em volta de estrelas em colapso.

O modelo permitiu descrever o observado e mostrou que a relação de Yonetoku pode ser entendida como um efeito natural dos eventos que ocorrem dentro do jacto. Para Hirotaka Ito, isto “sugere fortemente que a emissão fotos-esférica é o mecanismo de emissão de GRBs”. Graças a isso, as poderosas explosões poderiam agora ser outra das ferramentas dos astrónomos para entrar na escuridão do desconhecido.

ZAP //

Por ZAP
7 Abril, 2019

[vasaioqrcode]

 

1794: Fluxo de dados da missão TESS leva à descoberta de um planeta do tamanho de Saturno

Nesta ilustração, um Saturno quente passa em frente da sua estrela hospedeira. Os astrónomos que estudam as estrelas usaram sismos estelares para caracterizar a estrela, que forneceu informações críticas sobre o planeta. Veja aqui uma simulação do planeta a orbitar a estrela.
Crédito: Gabriel Perez Diaz, Instituto de Astrofísica das Canárias

Os astrónomos que estudam as estrelas estão a fornecer uma ajuda valiosa aos astrónomos que caçam planetas e que perseguem o objectivo principal da nova missão TESS da NASA.

De facto, os asterossismolólogos – astrónomos estelares que estudam ondas sísmicas (ou sismos estelares) em estrelas que aparecem como mudanças no brilho – muitas vezes fornecem informações críticas para encontrar as propriedades de planetas recém-descobertos.

Este trabalho em equipa possibilitou a descoberta e caracterização do primeiro planeta identificado pelo TESS, para o qual as oscilações da sua estrela hospedeira podem ser medidas.

O planeta – TOI 197.01 (TOI é abreviação para “TESS Object of Interest”) – é descrito como um “Saturno quente” num artigo científico recentemente aceite. Isto porque o planeta tem aproximadamente o mesmo tamanho que Saturno e também está muito perto da sua estrela, completando uma órbita em apenas 14 dias e é, portanto, muito quente.

A revista The Astronomical Journal vai publicar o artigo escrito por uma equipa internacional composta por 141 astrónomos. Daniel Huber, astrónomo assistente da Universidade do Hawaii no Instituto de Astronomia de Manoa, é o autor principal do artigo. Steve Kawaler, professor de física e astronomia, e Miles Lucas, estudante, são co-autores da Universidade Estatal do Iowa.

“Este é o primeiro ‘balde de água’ da ‘mangueira’ de dados que estamos a receber do TESS,” comentou Kawaler.

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), liderado por astrofísicos do MIT (Massachusetts Institute of Technology) – foi lançado a partir da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, Florida, EUA, no dia 18 de Abril de 2018. A missão principal do satélite é encontrar exoplanetas, planetas para lá do nosso Sistema Solar. As suas quatro câmaras estão a tirar exposições, ao longo de quase um mês, de 26 faixas verticais do céu – primeiro sobre o hemisfério sul e depois sobre o norte. Depois de dois anos, o TESS terá examinado 85% do céu.

Os astrónomos (e seus computadores) estudam as imagens, procurando trânsitos, minúsculas quedas no brilho estelar provocadas por um planeta em órbita passando em frente. A missão Kepler da NASA – antecessora da missão TESS – procurou planetas da mesma forma, mas examinou uma pequena parte da Via Láctea e focou-se em estrelas distantes.

O TESS tem como alvo estrelas próximas e brilhantes, permitindo que os astrónomos acompanhem as suas descobertas usando outros observatórios espaciais e terrestres para estudar e caracterizar estrelas e planetas. Noutro artigo publicado recentemente na revista The Astrophysical Journal: Supplement Series, os astrónomos do TASC (TESS Asteroseismic Science Consortium) identificaram uma lista de alvos de estrelas oscilantes semelhantes ao Sol (muitas que são parecidas ao nosso futuro Sol) para serem estudadas usando dados do TESS – uma lista com 25.000 estrelas.

Kawaler – que testemunhou o lançamento do Kepler em 2009, e estava na Florida para o lançamento do TESS (mas um atraso de última hora significou que teve que perder o lançamento para regressar a Ames e leccionar) – está no conselho de sete membros do TASC. O grupo é liderado por Jørgen Christensen-Dalsgaard da Universidade de Aarhus, na Dinamarca.

Os astrónomos do TASC usam modelagem asterossismológica para determinar o raio, a massa e a idade de uma estrela hospedeira. Esses dados podem ser combinados com outras observações e medições para determinar as propriedades dos planetas em órbita.

No caso da estrela-mãe TOI-197, os asterossismólogos usaram as suas oscilações para determinar que tem cerca de 5 mil milhões de anos e é um pouco mais massiva e maior que o Sol. Também determinaram que o planeta TOI-197.01 é um gigante gasoso com um raio mais ou menos nove vezes o da Terra, tornando-se aproximadamente do tamanho de Saturno. Tem também 1/13 da densidade da Terra e cerca de 60 vezes a massa da Terra.

Estas descobertas dizem-nos muito sobre o trabalho do TESS: “TOI-197 fornece um primeiro vislumbre do forte potencial do TESS em caracterizar exoplanetas usando asterossismologia,” escreveram os astrónomos no seu artigo científico.

Kawaler espera que a enxurrada de dados provenientes do TESS também contenha algumas surpresas científicas.

“O interessante é que o TESS será o único instrumento do seu género durante algum tempo e os dados são tão bons que planeamos tentar fazer ciência sobre a qual nem tínhamos pensado antes,” disse Kawaler. “Talvez possamos também olhar para as estrelas muito fracas – as anãs brancas – que são o meu primeiro amor e representam o futuro do nosso Sol e do Sistema Solar.”

Astronomia On-line
2 de Abril de 2019

[vasaioqrcode]

 

1721: Investigadores confirmam que estrela de hipervelocidade foi expulsa do disco da Via Láctea

Usando um dos Telescópios Magalhães no Chile, bem como dados da missão espacial Gaia da ESA, os cientistas recriaram a trajectória de uma estrela massiva de hipervelocidade. A trajectória mostra que a estrela foi expelida do disco da Via Láctea, não do Centro Galáctico como se pensava anteriormente.
Crédito: Kohei Hattori

De acordo com investigadores da Universidade de Michigan, uma estrela veloz pode ter sido ejectada do disco estelar da Via Láctea por um enxame de estrelas jovens. Os cientistas dizem que a estrela não teve origem no meio da Galáxia, como pensavam anteriormente.

“Esta descoberta muda drasticamente a nossa visão da origem das estrelas em movimento rápido,” disse Monica Valluri, professora no Departamento de Astronomia da Faculdade de Literatura, Ciência e Artes da Universidade de Michigan. “O facto de que a trajectória desta estrela massiva e veloz tem origem no disco, e não no Centro Galáctico, indica que os ambientes muito extremos necessários para expelir estrelas em movimento rápido podem surgir noutros locais que não em redor de buracos negros supermassivos.”

É necessária muita energia para produzir uma estrela em rápido movimento, normalmente situadas em ambientes extremos, disse Valluri.

A Via Láctea contém dezenas de milhares de milhões de estrelas, a maioria das quais encontram-se distribuídas numa estrutura semelhante a uma pizza chamada disco estelar. Em 2005, os astrónomos descobriram estrelas em movimento rápido que se movem duas vezes mais depressa que a maioria das outras estrelas – a 500 km/s, em comparação com o resto da Galáxia onde as estrelas têm uma velocidade média de pouco mais de 200 km/s.

Até agora foram descobertas menos de 30 destas estrelas extremamente rápidas (geralmente chamadas “estrelas de hipervelocidade”).

Quando estrelas binárias – um par de estrelas que se orbitam uma à outra enquanto se deslocam por uma galáxia – passam demasiado perto de um buraco negro, este captura uma das estrelas do binário e a outra é lançada numa “fisga gravitacional”. A fim de produzir os tipos de velocidades que os astrónomos medem para as estrelas de hipervelocidade, o buraco negro tem que ser muito massivo.

Como existem evidências da existência de um buraco negro super-massivo no centro da Via Láctea, muitos astrónomos pensam que a maioria das estrelas de hipervelocidade foram ejectadas por este buraco negro super-massivo.

Valluri e o investigador pós-doutorado Kohei Hattori, da mesma universidade, estavam interessados em traçar a trajectória de LAMOST-HVS1, uma estrela massiva e veloz que está mais perto do Sol do que qualquer outra estrela de hipervelocidade, para identificar o seu local de expulsão na Via Láctea. Usaram um dos Telescópios Magalhães no Chile para determinar a distância e a velocidade da estrela.

Hattori juntou-se então a um grupo internacional de cientistas que se reuniram em Nova Iorque no ano passado para participar numa “hackatona” para fazer download, partilhar e analisar dados da missão espacial Gaia da ESA, uma missão de astrometria espacial que está a construir o maior e mais preciso mapa tridimensional da Via Láctea.

Usando a posição actual e a velocidade actual da estrela derivada a partir do Gaia e do Magalhães, os astrónomos conseguiram rastrear o seu percurso, ou órbita. Para sua surpresa, parece que a estrela foi ejectada do disco estelar, e não do centro da Via Láctea.

“Nós pensávamos que esta estrela vinha do Centro Galáctico. Mas se analisarmos a sua trajectória, fica claro que não está relacionada com o Centro Galáctico,” disse Hattori. “Temos que considerar outras possibilidades para a origem da estrela.”

Os autores teorizam que a expulsão desta estrela massiva, do disco estelar, pode ser o resultado de uma estrela que sofreu um encontro próximo com múltiplas estrelas massivas ou com um buraco negro de massa intermédia num enxame estelar.

Embora já se conheçam há muito tempo estrelas grandes e fugitivas, expulsas de enxames estelares com velocidades de 40-100 km/s, nenhuma tem a velocidade extrema de LAMOST-HVS1. Os modelos teóricos para estrelas fugitivas que incluem estrelas múltiplas e massivas também produzem muito raramente velocidades tão extremas, sugerindo uma possibilidade mais exótica – um buraco negro de massa intermédia.

O percurso calculado da estrela tem origem num local do braço espiral de Norma que não está associado a enxames estelares massivos anteriormente conhecidos. No entanto, caso este hipotético aglomerado estelar exista, pode estar escondido por trás da poeira no disco estelar. Se for encontrado, proporcionará a primeira oportunidade de descobrir directamente um buraco negro de massa intermédia no disco estelar da Via Láctea.

Além disso, o facto de que esta estrela pode ter sido ejectada de um enxame massivo de estrelas sugere a possibilidade de que muitas outras estrelas em movimento rápido também possam ter sido expulsas deste tipo de objeto, dizem os cientistas.

Tanto a Via Láctea quanto a Grande Nuvem de Magalhães (uma pequena galáxia separada, em órbita da Via Láctea) são conhecidas por terem alguns enxames estelares que podem ter um papel importante na expulsão de estrelas velozes, contrariando a visão amplamente aceite de que foram expelidas por interacções com os buracos negros centrais nestas galáxias.

Os investigadores dizem que isto também levaria a novas informações sobre as interacções das estrelas e sobre a possível formação de buracos negros de massa intermédia em enxames estelares.

Astronomia On-line
15 de Março de 2019

[vasaioqrcode]

 

1699: Os extraterrestres podem estar escondidos em estrelas “abraçadas”

NASA / ESA / Z. Levay (STScI)

A vida alienígena pode ser encontrada em sistemas solares nos quais as estrelas estejam comprimidas umas contra as outras, sugere um novo estudo.

O início da vida dos sistemas planetários pode ser difícil e dramático: os planetas jovens orbitam em torno dos sóis que são encontrados em aglomerados de estrelas que frequentemente colidem uns com os outros violentamente. Pensa-se que estes momentos dramáticos serão difíceis para a vida, uma vez que são agressivos e violentos.

Isto significa que as investigações se concentraram nos planetas e na vida potencial em torno das estrelas que são semelhantes às nossas, já que temos sido tendenciosos ao presumir que qualquer outro sistema solar que tenha alienígenas dentro dele seja parecido com o nosso. Praticamente, nenhum destes “gémeos solares” – estrelas que se parecem com as nossas – foram encontrados.

Mas um novo estudo da Universidade de Sheffield, escreve o The Independent, sugere que este período de dificuldade pode ser positivo pelo menos de uma maneira. Aqueles momentos difíceis em que estrelas se formam em binárias podem aumentar as probabilidades de permitir que os planeta tenham a temperatura certa, estando na zona habitável onde a água líquida pode existir e a vida pode florescer.

Quando encontram uma terceira estrela, um par binário de estrelas pode ser unido. Isto, por sua vez, poderia expandir a zona habitável, tornando a vida ainda mais possível.

A zona habitável é, por vezes, conhecida como a zona de Goldliocks: é a distância das estrelas onde a temperatura não é muito quente nem muito fria. Essas condições perfeitas são consideradas necessárias para a vida, já que a água poderá ser encontrada e as moléculas complexas que se podem transformar em vida podem formar-se.

Cerca de um terço dos sistemas estelares da nossa galáxia são compostos por estes pares binários e a probabilidade de serem maiores é quando as estrelas são jovens. Em tais sistemas, quando as estrelas estão suficientemente longe, a zona de Goldliocks é fixada pela radiação que sai da estrela individual.

Se as estrelas estiverem suficientemente próximas, o tamanho aumenta, porque as estrelas sentem o calor umas das outras e o planeta está mais propenso a estar no lugar certo, escrevem Bethany Wootton e Richard Parker, que publicaram o seu estudo na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Num típico “berçário estelar”, onde haveria 350 ou mais binários, cerca de 20 seriam espremidos de tal forma a expandir a sua zona de Goldilocks – e, com ela, a probabilidade de vida alienígena. Em alguns casos, essas zonas habitáveis ​​até se sobrepõem, o que tornaria as probabilidade de vida ainda maiores.

“O modelo sugere que existem mais sistemas binários em que os planetas se encontram nas zonas de Goldilocks do que pensávamos, aumentando as perspectivas de vida“, diz Wootton. “Aqueles mundos amados por escritores de ficção científica – onde dois sóis brilham em céus acima da vida alienígena, parecem muito mais prováveis ​​agora.”

“Enquanto ainda estamos longe de entender se estes sistemas são realmente capazes de sustentar a vida, o estudo poderá incentivar a observação de lugares onde estão a ocorrer”, disse Parker.

Isto não significa necessariamente que estivéssemos a procurar no lugar errado. Mas, à medida que aprendemos que pode ser possível que sistemas solares estáveis se desenvolvam em lugares muito diferentes dos nossos, é claro quão poucos dados temos.

Uma nova investigação poderia explorar ainda mais o que está a acontecer em torno destes sistemas e tentar descobrir o tipo de ambiente que pode ser lá encontrado.

ZAP //

Por ZAP
12 Março, 2019

[vasaioqrcode]

 

1655: Há uma estrela em Andrómeda que explode todos os anos

ESO

A Andrómeda, a galáxia vizinha da Via Láctea, é o lar de uma super-nova – uma estrela que regularmente sofre erupções dramáticas que derramam das suas camadas exteriores, resultando numa grande concha de material ejectado.

O objeto em questão, conhecido como M31N 2008-12a, tem duas características marcantes: possui uma das maiores camadas de material já vistas em tal estrela e, devido a isto, ocorre mais frequentemente do que as novas recorrentes estudadas anteriormente. A descoberta é relatada na revista científica Nature.

“Quando descobrimos que o M31N 2008-12a entrava em erupção todos os anos, ficamos muito surpreendidos”, disse o co-autor Allen Shafter, da Universidade de San Diego State em comunicado.

Normalmente, este tipo de estrelas entram em erupção com menos frequência. Um padrão mais típico é ter novas explosões a cada dez anos. No entanto, as erupções anuais do M31N 2008-12a ao longo de milhões de anos de actividade levaram à formação da sua notável camada de material que agora se estende por quase 400 anos-luz de diâmetro.

Acredita-se que as novas recorrentes sejam causadas pela interacção entre uma anã branca, o remanescente de uma estrela morta e outra estrela. A anã branca rouba material de seu companheiro e, quando esse gás precipita na densa anã branca, ele é comprimido e aquecido até explodir.

Esta é a nova, quando a estrela pode tornar-se repentinamente um milhão de vezes mais brilhante e parte do material é lançada para o espaço, formando uma casca remanescente.

Além do tamanho e da frequência da erupção, há outro motivo pelo qual a equipa está interessada neste objeto. O sistema tem a característica de possuir uma enorme anã branca, potencialmente perto do limite de quanto material pode roubar antes de se tornar super-nova completa. A equipa quer observar este objecto neste processo.

Uma anã branca a transformar-se num super-nova é um evento moderadamente raro, com características muito específicas – tão específico que os astrónomos conseguiram usá-las como “bastões de medida” para descobrir a distância das galáxias. Estudar a física destas super-novas ajuda a entender o universo como um todo.

A equipa está agora a investigar se o que viram neste objecto é comum ou não no universo. Poderia até haver uma população desconhecida destes objectos.

ZAP // IFL Science

Por ZAP
3 Março, 2019

[vasaioqrcode]

 

1622: Descoberta estrela morta que ainda continua a “alimentar” anéis de poeira

Scott Wiessinger / NASA

Uma cientista da NASA detectou uma antiga e fria estrela morta, que pode fornecer uma possível visão sobre o destino de milhões de anos do nosso Sistema Solar.

A cientista alemã, Melina Thevenot, detectou uma anormalidade enquanto estava a analisar dados recolhidos pela missão espacial Gaia da Agência Espacial Europeia.

Inicialmente, a cientista acreditou que havia algo de errado com as informações mas, entretanto, ao analisar o banco de imagens do telescópio receptor de ondas infravermelhas da NASA activo na missão, a cientista presumiu que as informações poderiam ser úteis, decidindo apresentá-las à equipa de cientistas que está a trabalhar no projecto Backyard Worlds: Planet 9.

Com as novas informações, os líderes do projecto decidiram reposicionar o telescópio Keck II no Hawai numa tentativa de analisar profundamente, confirmando, posteriormente, que não havia erros nas informações, mas, sim, havia uma estrela anã, anciã e fria, circulada por diferentes anéis de poeira, segundo o artigo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.

“Esta estrela anã branca é tão antiga que, qualquer que seja o processo de alimentação de material para os seus anéis, deve estar a operar em escala de milhões de anos“, afirmou John Debes, astrónomo e líder do estudo, ressaltando que “a estrela está realmente a desafiar as nossas hipóteses de como sistemas planetários evoluem”.

A estrela morta descoberta J0207 é do tamanho da Terra e está localizada a aproximadamente 145 anos-luz do nosso planeta.

Além disso, a equipa acredita que a estrela morta possua dois discos de poeira, sendo que o primeiro hospeda um misterioso fenómeno, segundo o portal CNET.

Antigas anãs brancas não costumam preservar discos de poeira, isso porque todo material acaba por ser reduzido lentamente dentro da estrela. “O que torna esta anã branca tão interessante é que ela é mais antiga do que as tradicionais anãs brancas empoeiradas”, afirma Debes.

“A maioria dos modelos que os cientistas criaram para explicar os anéis em torno das anãs brancas só funciona até aos cem milhões de anos, razão pela qual esta estrela desafia as nossas conjecturas de como os sistemas planetários evoluem”, acrescentou o cientista.

Além disso, pode prever o destino do nosso sistema planetário – o que está por vir na Terra. Eventualmente, o nosso Sol expandir-se-á num “gigante vermelho”, engolindo Mercúrio e Vénus, ou até mesmo, a Terra.

Em 2017, a NASA e outros institutos científicos lançaram projecto Backyard Worlds: Planet 9 para procurar planetas escondidos em redor do Sistema Solar.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
22 Fevereiro, 2019

[vasaioqrcode]

 

1616: “Rio” com 4000 estrelas flui surpreendentemente perto do Sol

ESO/Digitized Sky Survey 2/Davide De Martin

Uma equipa de cientistas da Universidade de Viena, na Áustria, acaba de descobriu um “rio de estrelas”, uma corrente estelar que cobre a maior parte do céu do hemisfério Sul.

A corrente é formada por pelo menos de 4000 estrelas que se estão a mover juntas no espaço desde que se formaram, há aproximadamente mil milhões de anos. “[A corrente] é enorme e está surpreendentemente perto do Sol“, disse João Alves, co-autor do estudo.

“A maior parte dos aglomerados de discos galácticos dispersam-se rapidamente após o nascimento, pois não possuem estrelas suficientes para criar um potencial gravitacional profundo, noutras outras palavras, não têm cola suficiente para mantê-los juntos”, explicou Stefan Meingast, o autor principal do estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Astronomy and Astrophysics.

Para a investigação, os cientistas recorreram a dados do satélite ESA Gaia. A partir destas informações, conseguiram estudar o movimento tridimensional das estrelas e imediatamente foram confrontados por um grupo até então desconhecido e não estudado que, surpreendentemente, se movia como uma corrente.

De acordo com os cientistas, foi este surpreendente grupo de estrelas que demonstrou com precisão as características esperadas de um grupo estelar que nasceu junto, sendo depois separado pelo campo gravitacional da Via Láctea.

“Assim que investigamos este grupo específico de estrelas com mais detalhes, soubemos que tínhamos encontrado o que procurávamos: uma estrutura ondulada e contemporânea que se estende por centenas de parsecs ao longo de um terço do céu”, afirmou Verena Fürnkranz, co-autora e aluna de mestrado da Universidade de Viena. “Foi muito emocionante fazer parte de una nova descoberta”, confessou.

Tendo em conta a sua relativa proximidade da Terra, o “rio” recém-descoberto pode ajudar os cientistas a estudar a força da gravidade da Via Láctea, medir a massa da galáxia e ainda ajudar na procura de novos exoplanetas.

ZAP //

Por ZAP
20 Fevereiro, 2019

[vasaioqrcode]

 

1604: Pela primeira vez, a estrela mais brilhante no céu nocturno vai “apagar-se” temporariamente

Ivan Kodzhanikolov / Flickr

Sirius, a estrela mais brilhante no céu nocturno e a quinta estrela mais próxima do nosso sistema solar, será brevemente “apagada” na segunda-feira por um asteróide que se move em redor do Sol.

Esta é a primeira vez que este evento foi previsto pelos astrónomos e será visível como um escurecimento da luz brilhante de Sirius por uma fracção de segundo por volta das 22h30 da noite de na segunda-feira no oeste do México, EUA central e Canadá.

Os astrónomos chamam a este evento “ocultação”, que é quando um objeto celeste é escondido da vista por outro objeto celestial.

Sirius é uma das estrelas mais fáceis de encontrar em todo o céu nocturno. Por um lado, é um dos corpos mais brilhantes e, por outro, porque as três estrelas no Cinturão de Orion apontam para baixo para Sirius nesta época do ano.

A estrela vai ser ocultada por um asteróide chamado 4388 Jürgenstock. É um asteróide de cinco quilómetros de largura do cinturão de asteróides. Foi baptizado em honra do homem que o descobriu, o astrónomo venezuelano Jürgen Stock. Este corpo orbita o Sol uma vez a cada 3 anos e 7 meses.

“Esta é a primeira ocultação de Sirius já prevista”, disse David W. Dunham na International Occultation Timing Association. “Os catálogos de estrelas e as efemérides de asteróides não eram precisos o suficiente para prever tais eventos antes de 1975, por isso ninguém tentou prever as ocultações antes daqueles anos”. Dunham explica que Sirius está longe da eclíptica, onde a maioria dos asteróides vagueiam, e onde estrelas como Regulus, em Leão, são mais frequentemente ocultadas.

Os observadores vão poder ver “a estrela desvanecer ao longo de um período de vários décimos de segundo, provavelmente não desaparecerá completamente e depois recuperará o seu brilho total ao longo de outros vários décimos de segundo”.

Uma estrela brilhante é ocultada por um asteróide razoavelmente grande a cada dois ou três anos. “A última foi uma ocultação de Regulus que foi ocultada pelo grande asteróide Adorea a 13 de Outubro de 2016″, explicou Dunham. As estrelas visíveis a olho nu mais fracas são ocultadas com mais frequência.

Esta ultra-rara ocultação de Sirius pode ajudar os astrónomos a calcular o quão longe está. Ainda nenhum telescópio espacial ou câmara estelar conseguiu medir a sua distância com precisão.

“A missão Gaia tem câmaras sensíveis que foram projectadas para mapear cerca de dois mil milhões de estrelas até à 20ª magnitude”, diz Dunham. “O Sirius é cem milhões de vezes mais brilhante que as mais fracas estrelas, por isso foi muito difícil projectar um sistema que mapeasse ambos”. Embora Gaia tenha algumas técnicas de filtro para obter dados sobre algumas das estrelas mais brilhantes, Sirius é demasiado brilhante para elas.

ZAP // Forbes

Por ZAP
17 Fevereiro, 2019

[vasaioqrcode]

 

“Linha de neve” revela moléculas orgânicas em torno de estrela jovem

Imagem, a cores falsas, de V883 Ori obtida com o ALMA. A distribuição da poeira pode ser vista em tons laranja e a distribuição do metanol, uma molécula orgânica, tem tons azuis.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), Lee et al.

Recorrendo ao ALMA, os astrónomos detectaram várias moléculas orgânicas complexas em redor da jovem estrela V883 Ori. Uma explosão repentina da estrela está a libertar moléculas dos compostos gelados situados no disco de formação planetária. A composição química do disco é semelhante à dos cometas no Sistema Solar moderno. As observações sensíveis do ALMA permitiram com que os cientistas reconstruissem a evolução de moléculas orgânicas desde o nascimento do Sistema Solar até aos objectos que vemos hoje.

A equipa de investigação, liderada por Jeong-Eun Lee (Universidade de Kyung Hee, Coreia), usou o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para detectar moléculas orgânicas complexas, incluindo metanol (CH3OH), acetona (CH3COCH3), acetaldeído (CH3CHO), formiato de metila (CH3OCHO) e acetonitrilo (CH3CN). Esta é a primeira vez que a acetona foi detectada sem ambiguidade numa região de formação planetária ou disco protoplanetário.

Várias moléculas estão congeladas no gelo em torno de partículas de poeira de tamanho microscópico nos discos protoplanetários. O surto repentino de V883 Ori está a aquecer o disco e a sublimar o gelo, que liberta as moléculas sob a forma de gás. A região, num disco, onde a temperatura atinge o ponto de sublimação das moléculas, tem o nome “linha de neve”. Os raios das linhas de neve têm algumas Unidades Astronómicas em torno de estrelas jovens normais, mas são ampliadas quase 10 vezes em torno de estrelas explosivas.

“É difícil fotografar um disco à escala de algumas UAs com os telescópios actuais,” comentou Lee. “No entanto, em torno de uma estrela com comportamentos explosivos, o gelo derrete numa área mais ampla do disco e é mais fácil ver a distribuição das moléculas. Estamos interessados na distribuição das moléculas orgânicas complexas como blocos de construção da vida.”

O gelo, incluindo moléculas orgânicas congeladas, pode estar intimamente relacionado com a origem da vida nos planetas. No nosso Sistema Solar, os cometas são o foco da atenção por causa dos seus ricos elementos gelados. Por exemplo, a lendária exploradora cometária, a sonda Rosetta da ESA, descobriu uma valiosa química orgânica em torno do Cometa Churyumov-Gerasimenko. Pensa-se que os cometas se tenham formado nas regiões mais frias e exteriores do proto-Sistema Solar, onde as moléculas estavam contidas no gelo. O estudo da composição química do gelo nos discos protoplanetários está directamente relacionado com o estudo das moléculas orgânicas nos cometas e com a origem dos elementos básicos da vida.

Graças à visão detalhada do ALMA e à mais larga linha de neve provocada pelo surto estelar, os astrónomos obtiveram a distribuição espacial do metanol e do acetaldeído. A distribuição dessas moléculas tem uma estrutura semelhante a um anel com um raio de 60 UA, o equivalente ao dobro do tamanho da órbita de Neptuno. Os investigadores supõem que dentro deste anel as moléculas são invisíveis porque são obscurecidas por material espesso e empoeirado, e são invisíveis fora deste raio porque estão incorporadas no gelo.

“Dado que os planetas rochosos e gelados são feitos de material sólido, a composição química dos sólidos nos discos é de especial importância. Estes surtos explosivos são oportunidades únicas de investigar sublimados frescos e, portanto, a composição dos sólidos,” explicou Yuri Aikawa da Universidade de Tóquio, membro da equipa de investigação.

V883 Ori é uma estrela jovem localizada a 1300 anos-luz da Terra. Esta estrela está a passar por uma fase explosiva do tipo FU Orionis, um aumento súbito de luminosidade devido a uma corrente de material que flui do disco para a estrela. Estes surtos duram apenas um século, de modo que as oportunidades para observação são bastante raras. No entanto, dado que estrelas jovens com uma ampla gama de idades sofrem surtos do tipo FU Orionis, os astrónomos esperam poder traçar a composição química do gelo ao longo da evolução de estrelas jovens.

Astronomia On-line
8 de Fevereiro de 2019

[vasaioqrcode]