3922: Esta estrela é tão grande que poderia “engolir” toda a órbita de Saturno

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

ESO/M. Kornmesser

Uma equipa internacional de investigadores descobriu que a estrela super-gigante vermelha Antares é ainda mais gigantesca do que se pensava. Aliás, é tão grande que toda a órbita de Saturno caberia dentro dela.

Estudos anteriores revelaram que Antares, que se localiza a 550 anos-luz da constelação de Escorpião, é cerca de 700 vezes maior do que o nosso Sol. Porém, esse número aumenta dramaticamente quando é mapeada num espectro diferente.

“O tamanho de uma estrela pode variar drasticamente, dependendo do comprimento de onda da luz com que é observado”, disse Eamon O’Gorman, astrónomo do Instituto de Estudos Avançados de Dublin e principal autor do estudo, em comunicado. “Os comprimentos de onda mais longos do [Very Large Array] revelaram que a atmosfera da super-gigante é quase 12 vezes o raio da estrela“.

A equipa usou as últimas leituras do Very Large Array combinadas com o Atacama Large Millimeter / submilimeter Array para estudar a atmosfera de Antares. No processo, montou o mapa mais detalhado da existência de qualquer estrela além do Sol.

Assim, Antares é tão grande que toda a órbita de Saturno caberia dentro de si.

NRAO/AUI/NSF, S. Dagnello

Estrelas super-gigantes vermelhas são as maiores estrelas encontradas no Universo em termo de volume, mas não em massa. Estas estrelas são relativamente frescas e formam estrelas que começam a entrar em colapso. No fim da sua vida, colapsam e tornam-se uma super-nova.

A região acima da superfície da super-gigante a vermelho, a cromosfera, é mais fria do que a do Sol. Enquanto que a temperatura da cromosfera de Antares é cerca de 3.500ºC, a do Sol é de 20.000ºC.

A sua cromosfera também é muito mais extensa, estendendo-se para 2,5 vezes a do seu raio, em comparação com a cromosfera do Sol, que se estende a apenas 0,5% do seu raio.

“Descobrimos que a cromosfera é morna e não quente, em temperaturas estelares”, explicou O’Gorman. “A diferença pode ser explicada porque as nossas medições de rádio são um termómetro sensível para a maior parte do gás e plasma na atmosfera da estrela, enquanto as observações ópticas e ultravioletas anteriores eram sensíveis apenas a gases e plasma muito quentes”.

Examinando a cromosfera da estrela, os investigadores conseguiram até dizer de onde partem os ventos na sua superfície. “Conhecer os tamanhos e temperaturas reais das zonas atmosféricas dá-nos uma pista de como estes enormes ventos se começam a formar e quanta massa está a ser ejectada”, disse o co-autor Graham Harper, da Universidade do Colorado.

Imagem de gigante vermelha dá vislumbre surpreendente do futuro do Sol

Uma equipa de astrónomos liderada por Wouter Vlemmings, da Universidade de Tecnologia de Chalmers, usou o ALMA (Atacama Large Millimetre/Submillimetre…

Este estudo foi publicado este mês na revista científica Astronomy & Astrophysics.

ZAP //

Por ZAP
27 Junho, 2020

 

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3446: Telescópio do ESO observa superfície de Betelgeuse a diminuir de brilho

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Este mosaico de comparação mostra a estrela Betelgeuse antes e depois da diminuição de brilho. As observações obtidas em Janeiro e Dezembro de 2019 com o instrumento SPHERE, montado no Very Large Telescope do ESO, mostram o quanto a estrela desvaneceu e como é que a sua forma aparente variou.
Crédito: ESO/M. Montargès et al.

Com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) do ESO, os astrónomos capturaram a diminuição de brilho de Betelgeuse, uma estrela super-gigante vermelha localizada na constelação de Orionte. As novas imagens da superfície da estrela mostram não apenas a super-gigante vermelha a desvanecer em brilho, mas também a variação da sua forma aparente.

Betelgeuse tem sido um farol no céu nocturno para os observadores estelares, no entanto durante o último ano temos assistido a uma diminuição do seu brilho. Nesta altura Betelgeuse apresenta cerca de 36% do seu brilho normal, uma variação considerável, visível até a olho nu. Tanto os entusiastas da astronomia como os cientistas pretendiam descobrir o porquê desta diminuição de brilho sem precedentes.

Uma equipa liderada por Miguel Montargès, astrónomo na KU Leuven, Bélgica, tem estado desde Dezembro a observar a estrela com o VLT do ESO, com o objectivo de compreender porque é que esta se está a tornar mais ténue. Entre as primeiras observações da campanha encontra-se uma imagem da superfície de Betelgeuse, obtida no final do ano passado com o instrumento SPHERE.

A equipa tinha também observado a estrela com o SPHERE em Janeiro de 2019, antes da diminuição do seu brilho, dando-nos assim uma imagem do antes e do depois de Betelgeuse. Obtidas no óptico, as imagens destacam as mudanças que ocorreram na estrela, tanto em brilho como em forma aparente.

Muitos entusiastas da astronomia perguntam-se se esta diminuição de brilho da Betelgeuse significará que a estrela está prestes a explodir. Tal como todas as super-gigantes, um dia Betelgeuse transformar-se-á numa super-nova, no entanto os astrónomos não pensam que seja isso que está a acontecer actualmente, tendo formulado outras hipóteses para explicar o que está exactamente a causar as variações em forma e brilho observadas nas imagens SPHERE. “Os dois cenários em que estamos a trabalhar são um arrefecimento da superfície devido a actividade estelar excepcional ou ejecção de poeiras na nossa direcção,” explica Montargès. “Claro que o nosso conhecimento de super-gigantes vermelhas é ainda incompleto e este é um trabalho em curso, por isso podemos ainda ter alguma surpresa.”

Montargès e a sua equipa usaram o VLT instalado no Cerro Paranal, no Chile, para estudar a estrela, a qual se encontra a mais de 700 anos-luz de distância da Terra, e tentar encontrar pistas que apontem para o porquê da diminuição do seu brilho. “O Observatório do Paranal do ESO é uma das poucas infra-estruturas capazes de obter imagens da superfície de Betelgeuse,” diz Montargès. Os instrumentos montados no VLT permitem efectuar observações desde o visível ao infravermelho médio, o que significa que os astrónomos podem observar tanto a superfície da estrela como o material que a circunda. “Esta é a única maneira de compreendermos o que está a acontecer a esta estrela.”

Outra imagem nova, obtida com o instrumento VISIR montado no VLT, mostra a radiação infravermelha emitida pela poeira que circundava Betelgeuse em Dezembro de 2019. Estas observações foram realizadas por uma equipa liderada por Pierre Kervella do Observatório de Paris, França, que explicou que o comprimento de onda capturado nesta imagem é semelhante ao detectado por câmaras que detectam calor. As nuvens de poeira, que se assemelham a chamas na imagem VISIR, formam-se quando a estrela lança a sua matéria para o espaço.

“A frase ‘somos todos feitos de poeira estelar’ é algo que ouvimos muito na astronomia popular, mas donde é que vem exactamente esta poeira?” pergunta Emily Cannon, estudante de doutoramento na KU Leuven, que trabalha com imagens SPHERE de super-gigantes vermelhas. “Ao longo das suas vidas, as super-gigantes vermelhas como Betelgeuse criam e ejectam enormes quantidades de material ainda antes de explodirem sob a forma de super-novas. A tecnologia moderna permite-nos estudar estes objectos, situados a centenas de anos-luz de distância de nós, com um detalhe sem precedentes, dando-nos a oportunidade de desvendar o mistério que dá origem a esta perda de massa.”

Astronomia On-line
18 de Fevereiro de 2020

 

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