4522: Super-gigante Betelgeuse é mais pequena, está mais perto do que se pensava

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Ao contrário de muitas estrelas, Betelgeuse é grande o suficiente e está perto o suficiente para os cientistas a resolverem com instrumentos como o telescópio ALMA.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/E. O’Gorman/P. Kervella

De acordo com um novo estudo feito por uma equipa internacional de investigadores, podem ser necessários mais 100.000 anos até que a estrela gigante vermelha Betelgeuse morra numa explosão de fogo.

O estudo, liderado pela Dra. Meridith Joyce da Universidade Nacional Australiana, não só dá a Betelgeuse um novo sopro de vida, como mostra que é mais pequena e está mais próxima da Terra do que se pensava anteriormente.

A Dra. Joyce diz que a super-gigante – que faz parte da constelação de Orionte – há muito que fascina os cientistas. Mas, ultimamente, tem-se comportado de maneira estranha.

“Normalmente é uma das estrelas mais brilhantes do céu, mas observámos duas quedas no brilho de Betelgeuse desde o final de 2019,” disse a Dra. Joyce.

“Isto levou à especulação de que podia estar prestes a explodir. Mas o nosso estudo fornece uma explicação diferente.

“Sabemos que o primeiro evento de escurecimento envolveu uma nuvem de poeira. Descobrimos que o segundo evento, menor, foi provavelmente devido às pulsações da estrela.”

Os investigadores conseguiram usar modelagem hidrodinâmica e sísmica para aprender mais sobre a física que impulsiona estas pulsações – e ter uma ideia mais clara da fase da vida em que Betelgeuse se encontra.

De acordo com o co-autor, o Dr. Shing-Chi Leung da Universidade de Tóquio, a análise “confirmou que as ondas de pressão – essencialmente, ondas de som – foram a causa da pulsação de Betelgeuse.”

“Está de momento a queimar hélio no seu núcleo, o que significa que não está nem perto de explodir,” disse a Dra. Joyce.

“É provável que a explosão só ocorra daqui a mais ou menos 100.000 anos.”

O Dr. László Molnár, co-autor do estudo do Observatório Konkoly em Budapeste, diz que o estudo também revelou o quão grande é Betelgeuse, e a sua distância à Terra.

“O tamanho físico real de Betelgeuse tem sido um pouco misterioso – estudos anteriores sugeriram que podia ser maior do que a órbita de Júpiter. Os nossos resultados dizem que Betelgeuse estende-se apenas a dois-terços dessa distância, com um raio de 750 vezes o raio do Sol,” disse o Dr. Molnár.

“Assim que obtivemos o tamanho físico da estrela, pudemos determinar a distância à Terra. Os nossos resultados mostram que está a apenas 530 anos-luz de nós – 25% mais perto do que se pensava.”

A boa notícia é que Betelgeuse ainda está demasiado longe da Terra para que a eventual explosão tenha aqui um impacto significativo.

“A explosão de uma super-nova ainda é um evento muito importante. E este é o nosso candidato mais próximo. Isto dá-nos uma oportunidade rara de estudar o que acontece com estrelas como esta antes de explodirem,” conclui a Dra. Joyce.

Astronomia On-line
20 de Outubro de 2020

 

4511: Estrela que vai explodir numa super-nova está mais perto da Terra do que se pensava

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A gigante Betelgeuse, é uma estrela de brilho variável e é das que se podem ser vistas da Terra. Contudo, esta está destinada a explodir como uma super-nova. Os astrónomos descobriram agora que afinal o astro está 25% mais perto de nós, a uma distância de 530 anos-luz.

Esta estrela, que é mil vezes maior que o nosso Sol, irá explodir como uma super-nova. Este é um dos mais violentos e espectaculares eventos de todo o Universo.

Estrela Betelgeuse vais explodir numa super-nova

Alpha Orionis, conhecida como Betelgeuse, fez disparar os alarmes no início deste ano. Os astrónomos detectaram que o brilho desta gigante, uma estrela gigante vermelha que está no fim da sua existência, foi drasticamente reduzido em três ocasiões diferentes e durante um período de apenas três meses (entre Outubro de 2019 e Janeiro de 2020).

Este comportamento não era visto nos últimos 150 anos. Assim, o comportamento levou os cientistas a pensar que poderia ser um sintoma inequívoco de que a estrela gigantesca estava a ficar sem tempo e prestes a explodir como uma super-nova.

No entanto, após dois meses de estudos intensos, os investigadores perceberam que, embora Betelgeuse esteja de facto no final da sua vida e acabe por se transformar numa super-nova, a sua explosão pode não ser, afinal, iminente.

Um astro mil vezes maior que o nosso Sol

Os estudos concluíram que o primeiro dos três escurecimentos da gigante vermelha foi devido a uma emissão de material, na forma de poeira. A quantidade expelida ofuscou durante alguns meses parte da sua luz. Então, conforme a nuvem se dissipou, o brilho voltou ao normal.

Conforme um novo estudo realizado por uma equipa internacional de investigadores da Australian National University, sugere que poderão passar mais 100.000 anos até que se dê a explosão da estrela. Este tempo é apenas um suspiro no que toca ao tempo estelar, apesar de ser uma eternidade para o ser humano.

Além disso, a equipa de cientistas também descobriu que a estrela é realmente menor e mais próxima da Terra do que se acreditava anteriormente. O trabalho acaba de ser publicado no The Astrophysical Journal.

[Betelgeuse] tem-se comportado de maneira estranha nos últimos tempos. Sabemos que o primeiro evento de escurecimento envolveu uma nuvem de poeira. E descobrimos que o segundo evento, menor, foi provavelmente devido às pulsações da estrela.

Referiram os investigadores.

Os investigadores usaram modelagem hidrodinâmica e sísmica para aprender mais sobre a física que impulsiona estas pulsações. Além disso, a tecnologia agora usada permitirá ter uma ideia melhor de exactamente em que fase da sua vida Betelgeuse se encontra.

A estrela está agora a queimar hélio no seu núcleo, o que significa que não está ainda perto de explodir. Poderemos estar a observar este comportamento durante cerca de cem mil anos antes de ocorrer uma explosão. Quando esse momento finalmente chegar, a estrela gigante tornar-se-á num dos objectos mais brilhantes do céu. O seu brilho será tal que lançará sombras à noite e ficará, durante meses, perfeitamente visível durante o dia.

Concluiu Meridith Joyce da Universidade Nacional da Austrália.

A explosão poderá ser um momento único para a Terra

A explosão é muito violenta. Contudo, a Betelgeuse ainda está muito longe da Terra para que a sua explosão tenha um impacto significativo no nosso planeta.

Apesar disso, os investigadores dizem que este ainda é um grande problema quando uma super-nova explode. E esta estrela a explodir será o astro mais próximo de nós. Então, isso dá-nos uma oportunidade única de estudar o que acontece às estrelas como esta antes de explodirem.

Pplware
Autor: Vítor M.
18 Out 2020

Stellarium

 

3919: Esta estrela é tão grande que poderia “engolir” toda a órbita de Saturno

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

ESO/M. Kornmesser

Uma equipa internacional de investigadores descobriu que a estrela super-gigante vermelha Antares é ainda mais gigantesca do que se pensava. Aliás, é tão grande que toda a órbita de Saturno caberia dentro dela.

Estudos anteriores revelaram que Antares, que se localiza a 550 anos-luz da constelação de Escorpião, é cerca de 700 vezes maior do que o nosso Sol. Porém, esse número aumenta dramaticamente quando é mapeada num espectro diferente.

“O tamanho de uma estrela pode variar drasticamente, dependendo do comprimento de onda da luz com que é observado”, disse Eamon O’Gorman, astrónomo do Instituto de Estudos Avançados de Dublin e principal autor do estudo, em comunicado. “Os comprimentos de onda mais longos do [Very Large Array] revelaram que a atmosfera da super-gigante é quase 12 vezes o raio da estrela“.

A equipa usou as últimas leituras do Very Large Array combinadas com o Atacama Large Millimeter / submilimeter Array para estudar a atmosfera de Antares. No processo, montou o mapa mais detalhado da existência de qualquer estrela além do Sol.

Assim, Antares é tão grande que toda a órbita de Saturno caberia dentro de si.

NRAO/AUI/NSF, S. Dagnello

Estrelas super-gigantes vermelhas são as maiores estrelas encontradas no Universo em termo de volume, mas não em massa. Estas estrelas são relativamente frescas e formam estrelas que começam a entrar em colapso. No fim da sua vida, colapsam e tornam-se uma super-nova.

A região acima da superfície da super-gigante a vermelho, a cromosfera, é mais fria do que a do Sol. Enquanto que a temperatura da cromosfera de Antares é cerca de 3.500ºC, a do Sol é de 20.000ºC.

A sua cromosfera também é muito mais extensa, estendendo-se para 2,5 vezes a do seu raio, em comparação com a cromosfera do Sol, que se estende a apenas 0,5% do seu raio.

“Descobrimos que a cromosfera é morna e não quente, em temperaturas estelares”, explicou O’Gorman. “A diferença pode ser explicada porque as nossas medições de rádio são um termómetro sensível para a maior parte do gás e plasma na atmosfera da estrela, enquanto as observações ópticas e ultravioletas anteriores eram sensíveis apenas a gases e plasma muito quentes”.

Examinando a cromosfera da estrela, os investigadores conseguiram até dizer de onde partem os ventos na sua superfície. “Conhecer os tamanhos e temperaturas reais das zonas atmosféricas dá-nos uma pista de como estes enormes ventos se começam a formar e quanta massa está a ser ejectada”, disse o co-autor Graham Harper, da Universidade do Colorado.

Imagem de gigante vermelha dá vislumbre surpreendente do futuro do Sol

Uma equipa de astrónomos liderada por Wouter Vlemmings, da Universidade de Tecnologia de Chalmers, usou o ALMA (Atacama Large Millimetre/Submillimetre…

Este estudo foi publicado este mês na revista científica Astronomy & Astrophysics.

ZAP //

Por ZAP
27 Junho, 2020

 

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3445: Telescópio do ESO observa superfície de Betelgeuse a diminuir de brilho

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Este mosaico de comparação mostra a estrela Betelgeuse antes e depois da diminuição de brilho. As observações obtidas em Janeiro e Dezembro de 2019 com o instrumento SPHERE, montado no Very Large Telescope do ESO, mostram o quanto a estrela desvaneceu e como é que a sua forma aparente variou.
Crédito: ESO/M. Montargès et al.

Com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) do ESO, os astrónomos capturaram a diminuição de brilho de Betelgeuse, uma estrela super-gigante vermelha localizada na constelação de Orionte. As novas imagens da superfície da estrela mostram não apenas a super-gigante vermelha a desvanecer em brilho, mas também a variação da sua forma aparente.

Betelgeuse tem sido um farol no céu nocturno para os observadores estelares, no entanto durante o último ano temos assistido a uma diminuição do seu brilho. Nesta altura Betelgeuse apresenta cerca de 36% do seu brilho normal, uma variação considerável, visível até a olho nu. Tanto os entusiastas da astronomia como os cientistas pretendiam descobrir o porquê desta diminuição de brilho sem precedentes.

Uma equipa liderada por Miguel Montargès, astrónomo na KU Leuven, Bélgica, tem estado desde Dezembro a observar a estrela com o VLT do ESO, com o objectivo de compreender porque é que esta se está a tornar mais ténue. Entre as primeiras observações da campanha encontra-se uma imagem da superfície de Betelgeuse, obtida no final do ano passado com o instrumento SPHERE.

A equipa tinha também observado a estrela com o SPHERE em Janeiro de 2019, antes da diminuição do seu brilho, dando-nos assim uma imagem do antes e do depois de Betelgeuse. Obtidas no óptico, as imagens destacam as mudanças que ocorreram na estrela, tanto em brilho como em forma aparente.

Muitos entusiastas da astronomia perguntam-se se esta diminuição de brilho da Betelgeuse significará que a estrela está prestes a explodir. Tal como todas as super-gigantes, um dia Betelgeuse transformar-se-á numa super-nova, no entanto os astrónomos não pensam que seja isso que está a acontecer actualmente, tendo formulado outras hipóteses para explicar o que está exactamente a causar as variações em forma e brilho observadas nas imagens SPHERE. “Os dois cenários em que estamos a trabalhar são um arrefecimento da superfície devido a actividade estelar excepcional ou ejecção de poeiras na nossa direcção,” explica Montargès. “Claro que o nosso conhecimento de super-gigantes vermelhas é ainda incompleto e este é um trabalho em curso, por isso podemos ainda ter alguma surpresa.”

Montargès e a sua equipa usaram o VLT instalado no Cerro Paranal, no Chile, para estudar a estrela, a qual se encontra a mais de 700 anos-luz de distância da Terra, e tentar encontrar pistas que apontem para o porquê da diminuição do seu brilho. “O Observatório do Paranal do ESO é uma das poucas infra-estruturas capazes de obter imagens da superfície de Betelgeuse,” diz Montargès. Os instrumentos montados no VLT permitem efectuar observações desde o visível ao infravermelho médio, o que significa que os astrónomos podem observar tanto a superfície da estrela como o material que a circunda. “Esta é a única maneira de compreendermos o que está a acontecer a esta estrela.”

Outra imagem nova, obtida com o instrumento VISIR montado no VLT, mostra a radiação infravermelha emitida pela poeira que circundava Betelgeuse em Dezembro de 2019. Estas observações foram realizadas por uma equipa liderada por Pierre Kervella do Observatório de Paris, França, que explicou que o comprimento de onda capturado nesta imagem é semelhante ao detectado por câmaras que detectam calor. As nuvens de poeira, que se assemelham a chamas na imagem VISIR, formam-se quando a estrela lança a sua matéria para o espaço.

“A frase ‘somos todos feitos de poeira estelar’ é algo que ouvimos muito na astronomia popular, mas donde é que vem exactamente esta poeira?” pergunta Emily Cannon, estudante de doutoramento na KU Leuven, que trabalha com imagens SPHERE de super-gigantes vermelhas. “Ao longo das suas vidas, as super-gigantes vermelhas como Betelgeuse criam e ejectam enormes quantidades de material ainda antes de explodirem sob a forma de super-novas. A tecnologia moderna permite-nos estudar estes objectos, situados a centenas de anos-luz de distância de nós, com um detalhe sem precedentes, dando-nos a oportunidade de desvendar o mistério que dá origem a esta perda de massa.”

Astronomia On-line
18 de Fevereiro de 2020

 

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