Encontradas duas estrelas “mortas” que se orbitam em minutos

Impressão de artista de um par de anãs brancas, de nome ZTF J1530+5027. Este par “eclipsante” de anãs brancas orbita-se uma à outra a cada sete minutos: quando a estrela maior e mais fria passa em frente, ou eclipsa, a estrela mais pequena e quente, a luz da estrela mais pequena é bloqueada. Para os astrónomos que observam o sistema, o par parece ter desaparecido durante aproximadamente 30 segundos durante a fase eclipsante da sua órbita.
Crédito: Caltech/IPAC/R. Hurt

Duas estrelas mortas foram vistas a orbitar-se uma à outra a cada sete minutos. A descoberta celeste rara foi feita usando o ZTF (Zwicky Transient Facility) do Caltech, um levantamento do céu topo-de-gama no Observatório Palomar que varre rapidamente o céu nocturno à procura de qualquer coisa que se mova, pisque ou varie de brilho.

O novo duo dinâmico, oficialmente conhecido como ZTF J1539+5027, é o segundo par mais rápido de estrelas mortas que se orbitam, de nome anãs brancas, encontrado até hoje. O par é também o mais rápido “sistema binário eclipsante”, o que significa que uma anã branca cruza repetidamente em frente da outra a partir do nosso ponto de vista. A natureza eclipsante das companheiras estelares é fundamental porque permite que os astrónomos aprendam os tamanhos, as massas e os períodos orbitais das estrelas.

Cada uma das recém-descobertas anãs brancas tem aproximadamente o tamanho da Terra, uma sendo um pouco menor e mais brilhante que a outra, e juntas têm uma massa equivalente à do nosso Sol. Os dois objectos orbitam muito próximos um do outro, a um-quinto da distância entre a Terra e a Lua; na verdade, as estrelas em órbita cabiam dentro do planeta Saturno. E completam uma volta em torno da outra a cada sete minutos a velocidades de centenas de quilómetros por segundo.

“À medida que a estrela mais fraca passa em frente da mais brilhante, bloqueia a maior parte da luz, resultando no padrão cintilante de sete minutos que vemos nos dado do ZTF,” disse o estudante Kevin Burdge do Caltech, autor principal de um novo estudo sobre as estrelas publicado na edição de 25 de Julho da revista Nature. “A matéria está a preparar-se para sair da anã branca, maior e mais leve, para a anã mais pequena e mais pesada, que acabará por absorver completamente a sua companheira mais leve. Já vimos muitos exemplos de um tipo de sistema em que uma anã branca foi canibalizada pela sua companheira, mas raramente avistamos sistemas onde ainda se estão a fundir, como neste.”

O par também é único por ser uma das poucas fontes conhecidas de ondas gravitacionais – ondulações no espaço e no tempo – que serão captadas pela futura missão espacial europeia LISA (Laser Interferometer Space Antenna), que deverá ser lançada em 2034. LISA será semelhante ao LIGO (Laser Interferometer Gravitational-wave Observatory) do NSF, que fez história em 2015 ao fazer a primeira detecção directa de ondas gravitacionais de um par de buracos negros em colisão. Mas o LISA detectará as ondas, no espaço, em frequências mais baixas.

“Estas duas anãs brancas estão a fundir-se porque estão a emitir ondas gravitacionais. Uma semana depois do LISA ficar activo, deverá detectar as ondas gravitacionais deste sistema,” diz o co-autor Tom Prince, professor de física no Caltech e investigador sénior do JPL. “O LISA encontrará dezenas de milhares de sistemas binários como este na nossa Galáxia, mas até agora só conhecemos alguns. E este sistema binário de anãs brancas é um dos mais bem caracterizados devido à sua natureza eclipsante.”

Um rápido piscar no céu nocturno

O objecto raro foi detectado pela grande câmara de 576 megapixéis do ZTF, que varre rapidamente todo o céu a cada três noites e a maior parte do plano da Via Láctea todas as noites. Burdge encontrou ZTF J1539+5027 executando um programa de computador que rastreou 10 milhões de objectos cósmicos, procurando mudanças durante um período de três meses. Assim que encontrou objectos candidatos com o ZTF, Burdge usou o NOAO (National Optical Astronomy Observatory) em Kitt Peak para acompanhar e encontrar os candidatos mais promissores.

“Este par destacou-se porque o sinal repete-se com muita frequência e de maneira tão previsível,” disse Burdge, membro da equipa do ZTF no Caltech. “Antes, não conseguíamos procurar objectos que mudam sistematicamente em escalas de tempo de minutos. O ZTF permite-nos fazer isso porque a sua câmara é enorme e porque pode facilmente tirar fotos do céu e depois voltar e repetir.” Observações posteriores com o Telescópio Hale de 200 polegadas, no Observatório Palomar, ajudaram a refinar as medições do novo sistema.

“Apenas alguns meses depois de ficar activo, os astrónomos do ZTF detectaram anãs brancas que se orbitam umas às outras num ritmo recorde,” disse Anne Kinney, directora assistente de ciências matemáticas e físicas do NSF. “É uma descoberta que melhorará em muito a nossa compreensão desses sistemas e é uma amostra das surpresas que ainda estão por vir.”

Um par emaranhado

As anãs brancas começam as suas vidas como estrelas como o nosso Sol, excepto que estavam unidas como um par íntimo. À medida que as estrelas envelheceram, transformaram-se em gigantes vermelhas, embora não ao mesmo tempo. Com o tempo, as estrelas inchadas soltaram as suas camadas externas, deixando para trás duas estrelas mortas – as anãs brancas.

“Às vezes estas anãs brancas binárias fundem-se numa única estrela, e outras vezes a órbita aumenta à medida que a anã branca mais leve é gradualmente destruída pela mais massiva,” explicou o co-autor James (Jim) Fuller, professor assistente de astrofísica teórica no Caltech. “Não temos certeza do que acontecerá neste caso, mas a descoberta de mais sistemas deste tipo dir-nos-á com que frequência estas estrelas sobrevivem aos seus encontros imediatos.”

Outro mistério que os investigadores esperam responder no futuro envolve a temperatura da anã branca mais quente, estimada em 50.000º C, ou nove vezes mais quente do que o Sol. Pensa-se que esta anã branca seja tão quente porque está a começar a “alimentar-se” da sua companheira e a puxar material, um processo que aquece este material a temperaturas escaldantes. Mas esta alimentação, ou processo de “acreção”, é geralmente associado a raios-X, e os investigadores não estão a detectá-los.

“É estranho que não estejamos a ver raios-X neste sistema. Uma possibilidade é que os pontos de acreção na anã branca – as áreas para onde o material está a cair – sejam maiores do que o normal, e isso poderá resultar na emissão de luz ultravioleta e visível em vez de raios-X,” acrescentou Burdge.

A equipa diz que a anã branca dupla, localizada a quase 8000 anos-luz de distância na direcção da constelação de Boieiro, deverá continuar a piscar no céu nocturno por aproximadamente cem mil anos. Os astrónomos amadores até poderão observar o par como um único ponto no céu, piscando a cada sete minutos, com a ajuda de um telescópio com pelo menos um metro de tamanho.

Astronomia On-line
30 de Julho de 2019

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2058: Estrela zombie nasce após rara colisão entre anãs brancas

(dr) Gvaramadze et al / Nature 2019

Cientistas da Universidade de Bonn, na Alemanha, e da Academia de Ciências da Rússia encontraram uma rara estrela entre as nuvens de gás a 10.000 anos-luz da Terra.

A estrela incomum, conhecida como J005311, surgiu muito provavelmente a partir do seu cataclismo cósmico depois da colisão de duas estrelas mortas na constelação de Cassiopeia. A descoberta, publicada recentemente na revista Nature, revela a natureza da exótica estrela zombie e as suas propriedades incomuns.

Para fazer a observação, a equipa utilizou o telescópio espacial Wide-field Survey Explorer, da NASA, e um telescópio terrestre do Observatório Astrofísico Especial da Rússia.

Quando uma estrela pequena esgota o seu combustível, transforma-se numa “anã branca”, ou seja, uma pequena e densa estrela morta. No entanto, os cientistas analisaram a radiação emitida pela estranha estrela e descobriram que não possuía hidrogénio nem hélio, elementos geralmente presentes numa anã branca.

Graças a um sinal emitido pela J005311, os astrónomos suspeitam ter detectado o resultado daquilo que pensam ter sido uma fusão cósmica entre duas anãs brancas que circulavam entre si há milhares de milhões de anos.

“Este é um evento extremamente raro”, explicou Gotz Grafener, co-autor do artigo científico, num relatório divulgado recentemente, no qual adianta ainda que há menos de meia dúzia de objectos como este na Via Láctea.

Habitualmente, colisões entre anãs brancas terminam em grandes explosões estelares, chamadas de super-novas. O curioso é que a J005311 não explodiu – pelo contrário, foi reanimada e começou a queimar novamente.

Este evento, que deixou os cientistas muito surpreendidos, atrasou apenas a morte da estrela alguns milhares de anos, já que o seu destino não pode ser outro: ela irá, eventualmente, morrer. Assim como da primeira vez, a sua vida chegará ao fim no exacto momento em que esgotar todo o seu combustível.

ZAP //

Por ZAP
27 Maio, 2019


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1760: Há uma “estrela morta” que quer fugir da Via Láctea

Astrofísicos americanos descobriram uma “estrela morta” – um pulsar – extremamente incomum. Esse pulsar surgiu na sequência da explosão de uma super-nova que a acelerou a uma velocidade recorde.

Considerando a velocidade muito alta do seu movimento, a estrela poderá deixar a Via Láctea num futuro longínquo, supõem os cientistas, cujo estudo foi publicado na revista Astrophysical Journal Letters.

“A velocidade do seu movimento — 1.130 quilómetros por segundo (4,07 milhões de quilómetros por hora) — significa que irá fugir da galáxia num futuro longínquo. Actualmente não é claro o que aconteceu exactamente a este pulsar, no entanto, supomos que o movimento poderia ter sido acelerado por instabilidades hidrodinâmicas dentro da super-nova no momento em que explodiu”, declarou Dale Frail, do Observatório Nacional de Radioastronomia.

A maioria das estrelas gira em torno do centro da nossa galáxia com velocidade que normalmente não excede 100 quilómetros por segundo. No entanto, desde meados dos anos 2000, os astrónomos descobriram duas dezenas de estrelas que se movem com velocidade tão alta que quase “se libertaram” da força de gravidade da Via Láctea e a abandonaram.

Segundo opinam os astrónomos, essas estrelas começam a mover.se tão rapidamente devido à interacção com o buraco negro maciço no centro da galáxia ou à explosão de uma super-nova, caso se encontrem perto desses objectos.

No entanto, há excepções. Assim, os cientistas prestaram atenção ao pulsar PSR J0002+6216, localizado na constelação de Cassiopeia a uma distância de cerca de 6,5 mil anos-luz da Terra. Ao contrário da maioria dos outros objectos semelhantes, não se localizava dentro dos restos da super-nova nem numa região relativamente “limpa” do espaço aberto, mas perto do casulo da super-nova que explodiu.

Esta característica incomum da “estrela morta” obrigou Freyle e a sua equipa a estudar em detalhe tanto o pulsar como a nuvem de gás quente CTB 1, que fica a cerca de 50 anos-luz de distância. Os dados e imagens enviados pelo radiotelescópio VLA, usado pelos especialistas, trouxeram descobertas inesperadas.

Primeiro, descobriu-se que o PSR J0002+6216 se move a uma velocidade muito alta — a cada segundo afasta-se dos restos da super-nova à velocidade de 4,07 milhões de quilómetros por hora. Isso converte-o no segundo objeto mais veloz da galáxia depois da US 708, uma estrela “comum” que viaja a uma velocidade de 4,32 milhões de quilómetros por hora.

Além disso, a trajectória deste pulsar indica que nasceu no centro da CTB 1 há cerca de 10 mil anos, quando o seu progenitor explodiu.

No início, movia-se mais devagar do que se expandia o próprio casulo da super-nova, mas a velocidade do movimento do gás e da poeira caiu rapidamente devido às interacções com o meio interestelar. Isto aconteceu há cerca de cinco mil anos, segundo evidencia o rasto brilhante do pulsar, que surgiu após sair do casulo da super-nova.

Freyle e os colegas esperam que as observações da CTB 1 e do PSR J0002+6216 os possam ajudar a entender exactamente o que levou à “fuga” do pulsar para fora da Via Láctea e permitirão que os cientistas descubram os mecanismos internos do surgimento das super-novas.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
25 Março, 2019

Não só é lamentável que não se respeite a Língua Portuguesa, utilizando o BRASUQUÊS, como as “traduções” mantenham termos brasileiros como estes “QUILÔMETROS…” -> “A velocidade do seu movimento — 1.130 quilómetros por segundo (4,07 milhões de quilômetros por hora).


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1652: Ondas gravitacionais podem resolver célebre mistério cósmico

R. Hurt / Caltech-JPL
Impressão artística de duas estrelas de neutrões a fundir-se e a libertar ondas gravitacionais

A análise das ondulações no espaço-tempo, criadas por pares de estrelas mortas, pode resolver em breve um mistério cósmico em torno da rapidez com que o Universo se está a expandir.

De acordo com os cientistas, este é o veredicto do mais recente estudo, publicado na Physical Review Letters, que pode também lançar luzes sobre o destino final do Universo.

O cosmos continua em expansão desde o seu nascimento, há cerca de 13,8 mil milhões de anos. Através da medição da taxa actual de expansão do Universo, conhecida como a constante de Hubble, os cientistas podem deduzir a idade do cosmos e os detalhes de seu estado actual.

Além disso, os cientistas podem também usar esse número para tentar adivinhar o destino do Universo: se continuará a crescer para sempre, se entrará em colapso ou se irá romper completamente.

Para medir a constante de Hubble, os cientistas usam dois métodos primários. O primeiro baseia-se em monitorizar objectos próximos cujas propriedades os cientistas conhecem bem, como explosões estelares (super-novas) e estrelas pulsantes (​​cefeidas), com o objectivo de estimar as suas distâncias e deduzir a taxa de expansão do Universo.

Por sua vez, o segundo método centra as atenções nas micro-ondas cósmicas, a radiação remanescente do Big Bang, e examina de que forma o Universo mudou ao longo do tempo para, desta forma, calcular a rapidez com que o cosmos se expandiu.

O problema é que este par de técnicas produziu dois resultados diferentes para o valor da constante de Hubble.

Enquanto que os dados das super-novas e cefeidas sugerem uma taxa de cerca de 73 quilómetros por segundo por 3,26 milhões de anos-luz, a teoria das micro-ondas cósmicas sugere que o Universo está a actualmente a expandir-se a uma taxa de 67 quilómetros por segundo por 3,26 milhões de anos-luz.

Esta discrepância de valores sugere que o modelo cosmológico padrão poderia estar errado. Resolver este debate – conhecido como o conflito da constante de Hubble -, poderia não só lançar luzes sobre a evolução do Universo, como também clarificar o destino final do cosmos.

No mais recente estudo, os físicos sugerem que os dados futuros das ondulações no espaço-tempo (conhecidas como ondas gravitacionais) podem ajudar a romper esta incógnita.

“O conflito da constante Hubble – a maior prova que temos de que nosso modelo do Universo está incompleto – pode ser resolvido em cinco a dez anos“, disse Stephen Feeney, astrofísico do Flatiron Institute, em Nova York, Estados Unidos.

De acordo com a teoria da relatividade geral de Einstein, a gravidade é o resultado de como a massa distorce o espaço-tempo. Quando qualquer objeto com massa se move, ele deve produzir ondas gravitacionais que se movem à velocidade da luz, alongando e comprimindo o espaço-tempo.

As ondas gravitacionais são extraordinariamente fracas, sendo que, só em 2016, os cientistas detectaram a primeira evidência directa da sua existência.

Segundo o Live Science, em 2017, os cientistas detectaram ondas gravitacionais resultantes de colisões de estrelas de neutrões, remanescentes de estrelas que morreram em explosões catastróficas conhecidas como super-novas. Se os restos de uma estrela não são suficientemente grandes para se tornarem em buracos negros, eles provavelmente vão acabar como uma estrela de neutrões.

Ao contrário dos buracos negros, as estrelas de neutrões emitem luz visível. As ondas gravitacionais resultantes dessas fusões, apelidadas de “sirenes padrão“, ajudarão os cientistas a identificar a sua distância em relação à Terra, enquanto a luz dessas colisões ajudará a determinar a velocidade com que elas se movem.

Estes dois dados vão permitir aos cientistas calcular a constante de Hubble. Segundo Feeney, analisar falhas entre cerca de 50 pares de estrelas de neutrões nos próximos cinco a 10 anos pode render dados suficientes para determinar a melhor medida da constante de Hubble.

Ainda assim, esse cálculo depende de quantas colisões de estrelas de neutrões irão ocorrer. “Há uma incerteza considerável na taxa de fusões de estrelas de neutrões – afinal, só vimos uma até hoje“, concluiu Feeney.

ZAP //

Por ZAP
2 Março, 2019

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1622: Descoberta estrela morta que ainda continua a “alimentar” anéis de poeira

Scott Wiessinger / NASA

Uma cientista da NASA detectou uma antiga e fria estrela morta, que pode fornecer uma possível visão sobre o destino de milhões de anos do nosso Sistema Solar.

A cientista alemã, Melina Thevenot, detectou uma anormalidade enquanto estava a analisar dados recolhidos pela missão espacial Gaia da Agência Espacial Europeia.

Inicialmente, a cientista acreditou que havia algo de errado com as informações mas, entretanto, ao analisar o banco de imagens do telescópio receptor de ondas infravermelhas da NASA activo na missão, a cientista presumiu que as informações poderiam ser úteis, decidindo apresentá-las à equipa de cientistas que está a trabalhar no projecto Backyard Worlds: Planet 9.

Com as novas informações, os líderes do projecto decidiram reposicionar o telescópio Keck II no Hawai numa tentativa de analisar profundamente, confirmando, posteriormente, que não havia erros nas informações, mas, sim, havia uma estrela anã, anciã e fria, circulada por diferentes anéis de poeira, segundo o artigo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.

“Esta estrela anã branca é tão antiga que, qualquer que seja o processo de alimentação de material para os seus anéis, deve estar a operar em escala de milhões de anos“, afirmou John Debes, astrónomo e líder do estudo, ressaltando que “a estrela está realmente a desafiar as nossas hipóteses de como sistemas planetários evoluem”.

A estrela morta descoberta J0207 é do tamanho da Terra e está localizada a aproximadamente 145 anos-luz do nosso planeta.

Além disso, a equipa acredita que a estrela morta possua dois discos de poeira, sendo que o primeiro hospeda um misterioso fenómeno, segundo o portal CNET.

Antigas anãs brancas não costumam preservar discos de poeira, isso porque todo material acaba por ser reduzido lentamente dentro da estrela. “O que torna esta anã branca tão interessante é que ela é mais antiga do que as tradicionais anãs brancas empoeiradas”, afirma Debes.

“A maioria dos modelos que os cientistas criaram para explicar os anéis em torno das anãs brancas só funciona até aos cem milhões de anos, razão pela qual esta estrela desafia as nossas conjecturas de como os sistemas planetários evoluem”, acrescentou o cientista.

Além disso, pode prever o destino do nosso sistema planetário – o que está por vir na Terra. Eventualmente, o nosso Sol expandir-se-á num “gigante vermelho”, engolindo Mercúrio e Vénus, ou até mesmo, a Terra.

Em 2017, a NASA e outros institutos científicos lançaram projecto Backyard Worlds: Planet 9 para procurar planetas escondidos em redor do Sistema Solar.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
22 Fevereiro, 2019

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1086: Astrónomos descobrem estrela morta que não deveria existir

Na constelação Cassiopeia há uma estrela morta que não deveria existir. A estrela de neutrões, que acumula material de um companheiro binário muito maior, está a expelir jactos relativísticos.

A cerca de 24 mil anos-luz, na constelação de Cassiopeia, mora uma estrela de neutrões que não deveria existir, pelo menos tendo em conta o modelo actual. Esta estrela morta, que acumula material de um companheiro binário muito maior, está a expelir jactos relativísticos.

Esta estrela tem um campo magnético muito forte – característica muito incomum, dado que, até hoje, os jactos relativísticos só foram observados em estrelas de neutrões com campos magnéticos mil vezes mais fracos.

Uma estrela de neutrões é o ponto final de uma estrela massiva que, um dia, foi uma super-nova. A maior parte do material da estrela explode no espaço, enquanto o núcleo colapsa em si mesmo, tornando-se num objecto super-denso com tamanha gravidade. Se a massa for abaixo de três vezes a massa do Sol, torna-se uma estrela de neutrões com cerca de 10 a 20 quilómetros de diâmetro; caso contrário, torna-se um buraco negro.

Este colapso do núcleo tem um efeito no campo magnético da estrela de neutrões, isto é, faz com que o campo magnético da estrela aumente muito a sua força, tornando-se biliões de vezes maior do que o Sol; mas depois, gradualmente, enfraquece novamente durante centenas de milhares de anos, explicou o astrónomo James Miller-Jones, da Curtin University e do Centro Internacional de Investigação em Radioastronomia (ICRAR).

A estrela em causa é parte de um sistema binário chamado Swift J0243.6 + 6124, descoberto em Outubro de 2017 pelo Swift Observatory. Os jactos não são novidade, até porque são fluxos de radiação e partículas muito conhecidos no Universo. No entanto, realça o cientista, “o forte campo magnético da estrela de neutrões é uma excepção”.

“O espectro de rádio do Swift J0243 é o mesmo de jactos de outras fontes e evolui da mesma maneira”, disse Van den Eijnden. “Pela primeira vez, observamos um jacto de uma estrela de neutrões com um forte campo magnético.” As conclusões foram publicadas recentemente na revista Nature.

Aliás, não é um campo magnético forte qualquer: o campo magnético ao redor Swift J0243.6 + 6124 da estrela de neutrões é de 10 biliões de vezes mais forte do que o do Sol. Esta característica desmente a teoria do campo magnético sobre a supressão de jactos e apela a uma nova investigação em torno de como são produzidos e lançados os jactos.

Até agora, pensava-se que os jactos das estrelas de neutrões eram canalizados a partir do campo magnético na parte interna do disco de acreção. Mas se o campo magnético for muito forte, poderia impedir o disco de ficar perto o suficiente para serem desencadeados. Excepto se esta nova descoberta colocar tudo o que sabíamos até hoje no lixo.

“Não sabemos qual a explicação. Mas, independentemente disso, a nossa descoberta é um grande exemplo de como a ciência funciona, com teorias a serem desenvolvidas e constantemente revistas à luz de novos resultados experimentais”, conclui Van den Eijnden.

Por ZAP
29 Setembro, 2018

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1031: Revelado segredo do “esparguete nuclear”, o material mais resistente do Universo

Casey Reed / Penn State University
O exótico “esparguete nuclear” encontrado no interior das estrelas de neutrões pode ser mais forte do que qualquer outra substância

Uma forma muito estranha de matéria encontrada em objectos ultra-densos, como estrelas de neutrões, parece ser um bom candidato a material mais forte do Universo. Segundo cálculos recentes, esta exótica “massa nuclear” é 10 mil milhões de vezes mais forte do que o aço.

Os cientistas já conheciam esta massa nuclear, uma substância rara que se acredita existir em estrelas mortas ultra-densas, as chamadas estrelas de neutrões. Mas segundo revela um estudo publicado o mês passado na Physical Review Letters, este exótico “esparguete nuclear” pode mesmo ser o material mais rígido do Universo.

Para ter uma ideia de quão densa é esta substância, os cientistas referem que para quebrar a massa nuclear é necessária uma força de 10 mil milhões de vezes maior do que a usada para romper o aço.

“Este é um número absurdamente alto, mas o material também é muito, muito denso, o que ajuda a torná-lo mais forte”, esclarece o co-autor do estudo, Charles Horowitz, da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, citado pela Science News.

Os cientistas acreditam que o “esparguete nuclear” é formada apenas dentro da crosta da estrela. Como algumas estruturas são achatadas e muito parecidas com folhas de lasanha e outras semelhantes a esparguete, esta estrutura ganhou o nome de “massa” nuclear.

A massa nuclear é, então, incrivelmente densa, cerca de 100 biliões de vezes a mais do que a água. Os investigadores envolvidos no estudo usaram simulações de computador para esticar as lâminas da massa nuclear e estudar a reacção do material.

Foram necessárias pressões extremamente altas para deformar esta substância. Além disso, a pressão necessária para a quebrar foi muito superior à usada para quebrar qualquer outro material conhecido.

Simulações anteriores revelaram a força da crosta externa de uma estrela de neutrões, mas a crosta interna, que abriga a tal massa nuclear, era um território completamente inexplorado até agora. “Agora podemos ver que a crosta interna é muito mais forte do que pensávamos”, concluíram os investigadores.

As estrelas de neutrões são formadas quando uma estrela moribunda explode, deixando um remanescente rico em neutrões comprimido a pressões extremas por forças gravitacionais poderosas, resultando em materiais com propriedades estranhas.

No futuro, os cientistas esperam contar com a ajuda do observatório de ondas gravitacionais com interferometria a laser LIGO para confirmar que as estrelas de neutrões têm materiais extremamente fortes nas suas crostas.

Menos de um mês passou desde que uma equipa de matemáticos do MIT conseguiu finalmente descobrir como partir um palito de esparguete em apenas dois pedaços, e já os astrofísicos descobriram uma forma de massa literalmente impossível de partir: o exótico esparguete cósmico das estrelas de neutrões.

ZAP // RT

Por ZAP
18 Setembro, 2018

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945: Buracos negros podem reanimar estrelas mortas

A. Hobart/NASA/CXC
Imagem ilustrativa de uma anã branca a interagir com um buraco negro

Um encontro inesperado com um buraco negro pode reanimar, ainda que momentaneamente, uma estrela morta. De acordo com um novo estudo, por breves e cintilantes instantes, uma estrela pode renascer.

Uma equipa de astrónomos conduziu simulações computorizadas para determinar o que acontece a um corpo celeste morto – conhecido como anã branca – quando este passa perto de um buraco negro de massa intermédia – cerca de mil a 10 mil vezes a massa do sol da Terra.

Os investigadores concluíram que a poderosa gravidade do buraco negro pode esticar e distorcer tão drasticamente as entranhas da anã branca que os processos de fusão nuclear podem reacender-se, mesmo que por breves instantes, convertendo hélio, carbono e oxigénio em elementos mais pesados, como o ferro.

Este violento cataclismo – apelidado de TDE (tidal disruption event, em português evento de perturbação por forças de maré) – também pode gerar ondas gravitacionais, as ondulações no espaço-tempo previstas por Albert Einstein há cerca de um século e detectadas directamente pela primeira vez em 2015 pelo LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory).

Provavelmente, o LIGO não será capaz de detectar estas ondas gravitacionais em particular, de acordo com os investigadores do estudo. Contudo, instrumentos do futuro – como a Antena Espacial do Interferómetro Laser da Agência Espacial Europeia, que pode ser lançada em 2034 – podem já ser capazes de fazer a identificação.

Enormes quantidades de material estelar – que é como quem diz estrelas anãs “desmembradas2 – podem ser sugadas por buracos negros “assassinos”, provocando fortes rajadas de radiação que os telescópios actuais são capazes de detectar.

O novo estudo, disponibilizado para pré-visualização há duas semanas no Arxiv.org, sugere uma nova forma de lidar com os buracos negro de tamanho médio, que se têm mostrado surpreendentemente difíceis de estudar.

Os astrónomos já encontraram imensos buracos negros pequenos (de massa estelar) e buracos negros supermassivos, que contêm milhões de massas solares e são conhecidos por se esconderem no coração da maioria das galáxias – se não de todas.  No entanto, os seus “primos”, os buracos negros de massa intermédia, continuam indescritíveis.

“É importante saber quantos buracos negros intermédios existem, pois este número ajudará a responder à questão de onde vêm os buracos negros supermassivos”, sustentou Chris Fragile, co-autor do estudo e professor de Física e Astronomia no College of Charleston, na Carolina do Sul, nos Estados Unidos.

“Encontrar buracos negros intermédios em vez de eventos de perturbação por forças de maré seria um enorme avanço”, sustentou.

No estudo, os investigadores notaram ainda que os buracos negro supermassivos não são bons disruptores e, provavelmente, devorariam a anã branca antes mesmo de conseguir perturbá-la consideravelmente.

Este trabalho vai além do interesse académico, uma vez que descreve um cenário no qual o nosso próprio Sol pode acabar num futuro distante.

Cada estrela que começa a sua vida com cerca de 8 massas solares ou menos vai acabar como uma anã branca super-densa. Este mesmo aguarda o nosso sol daqui a 5 mil milhões de anos ou mais. Depois do Sol esgotar o seu combustível de hidrogénio, o astro vai aumentar de tamanho e forma, tornando-se num gigante vermelho que acabará por colapsar com uma anã branca.

Por ZAP
31 Agosto, 2018

(Foram corrigidos 6 erros ortográficos ao texto original)

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