1237: Telescópio Hubble capturou a gigantesca “Sombra do Batman”

NASA
O fenómeno da “Sombra do Batman” está no canto superior esquerdo da imagem

A NASA entrou no clima de Halloween nesta quarta-feira ao publicar uma imagem capturada pelo telescópio espacial Hubble de um fenómeno apelidado de “Sombra do Batman” – a silhueta escura e em forma de cone de uma estrela muito semelhante ao Sol, localizada a mais de mil anos-luz da Terra. 

O telescópio Hubble capturou uma sombra enorme, provocada por um estrela massiva chamada de HBC 672. De acordo com astrónomos da NASA, esta estrela está cercada por um anel de detritos de poeira, rocha e gelo, que é tão pequeno e distante que nem mesmo o Hubble seria capaz de o ver. No entanto, a sua sombra projecta-se sobre a nuvem onde nasceu, tornando possível a sua identificação através do Hubble.

“As sombras na Terra podem ser misteriosas, mas quando ocorrem no espaço, estas podem fornecer informações que não encontraríamos de outra forma“, escreveu a NASA na sua conta do Twitter.

E continuou: “Nesta imagem, o fenómeno – apelidado de “Sombra do Batman” – abrange aproximadamente 200 vezes o comprimento do nosso Sistema Solar.

O fenómeno é, literalmente, de outro mundo, mais especificamente da Nebulosa Serpente, constelação localizada a cerca de 1.300 anos-luz da Terra.

“Isso é um análogo de como era o Sistema Solar quanto tinha apenas 1 ou 2 milhões de anos”, explicou Klaus Pontoppidan do Instituto de Ciências Espaciais Telescópicas, acrescentando ainda que, de acordo com a informação que têm “o Sistema Solar criou, uma vez, uma sombra parecida”, rematou.

ZAP // SputnikNews

Por SN
3 Novembro, 2018

 

937: Raios gama expelidos próximo de um buraco negro parecem “reverter o tempo”

ESO/A. Roquette

Quando uma estrela massiva colapsa num buraco negro, envia um sinal muito brilhante na forma de explosões de raios gama. Agora, os cientistas descobriram algo muito peculiar sobre estes misteriosos sinais, que são reversíveis no tempo.

Um estudo recente, cujo artigo científico foi publicado recentemente no Astrophysical Journal, descobriu que as rajadas de raio gama são reversíveis no tempo, o que significa que a onda de luz brilhante é expelida de uma forma e, mais tarde, expelida novamente mas de forma inversa.

Os cientistas não sabem o que está a causar estes sinais de raios gama invertidos no tempo, mas a física em torno dos buracos negros é tão estranha que nada deve ser descartado.

“Explosões de raios gama são as fontes mais luminosas conhecidas na natureza. Produzem mais energia do que qualquer outra coisa que emite luz”, explicou o principal autor do estudo, Jon Hakkila, astrofísico e reitor da Escola de Pós-Graduação da Faculdade de Charleston, nos Estados Unidos.

Quando duas estrelas de neutrões colidem, emitem rajadas curtas de raios gama enquanto formam um buraco negro. Super-novas, ou explosões de estrelas, produzem explosões de raios gama mais longas à medida que as estrelas agonizantes entram em colapso em buracos negros. Para ambos os tipos de explosões de raios gama, a maior parte da energia vem na forma de “pulsos”.

Hakkila analisou esses diferentes pulsos de raios gama isoladamente e descobriu que cada pulso tinha três picos distintos onde a luz aumentava e diminuía em intensidade.

A equipa de cientistas descobriu então que a estrutura desses picos era muito parecida com os reflexos de um espelho, isto porque as partes dos pulsos anteriores que surgiram primeiro estavam a aparecer em último lugar, e pulsos subsequentes.

Foi então que a equipa descobriu que seis das explosões de raios gamas mais brilhantes, detectadas pelo Observatório de Raios Gama Compton, da NASA, continham assinaturas de luz com “reversão de tempo”. “Todos têm essa assinatura de brilho que flutua e volta no tempo”, explicou Hakkila.

De uma forma prática e para entender como funciona, imagine que ligava três interruptores: segundo este processo de reversão, ligaria o A, seguido do B e por último o C, e desligaria sempre i C primeiro, depois o B e finalmente o A.

Uma explosão de raios gama representa a formação de um buraco negro, e acontecem todo o tipo de coisas estranhas tanto no espaço e no tempo como na relação entre espaço e tempo na vizinhança de um buraco negro”, esclarece Hakkila.

Apesar de a explosão não estar propriamente a reverter o tempo através de um mecanismo qualquer de radiação, os cientistas não podem excluir nenhuma hipótese.

Ainda assim, a explicação mais plausível assenta na forma como uma onda de choque se move através da matéria. Quando uma estrela explode, uma grande onda de choque pode mover-se através de um determinado material, atingindo, por exemplo, o aglomerado A, depois o B e por fim o C. Para causar o sinal reverso no tempo, a onda teria que, de alguma forma, voltar por esses aglomerados na ordem inversa.

Esse processo poderia acontecer de duas formas: ou a onda tem de atingir algum tipo de superfície reflexiva, semelhante a um espelho, ou os aglomerados devem ser distribuídos de uma forma bizarra que não faz sentido se usarmos a física comum para explicar.

No entanto, nem todos estão convencidos de que a inversão de tempo é a melhor explicação para os sinais de raio gama. Bing Zhang, professor de astrofísica da Universidade de Nevada, nos EUA, é um deles.

A descoberta é baseada na suposição de que cada explosão de raios gama é “composta por vários pulsos bem definidos”, cada um com uma forma que pode ser descrita através de uma equação matemática. Contudo, sustenta, a forma e a natureza desses pulsos podem ser mais complicadas do que uma simples forma matemática.

Por ZAP
30 Agosto, 2018

(Foram corrigidos 2 erros ortográficos ao texto original)

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687: Estrelas massivas podem obrigar-nos a rever toda a história do Universo

ESO/IDA/Danish 1.5 m/R. Gendler, C. C. Thöne, C. Féron, and J.-E. Ovaldsen
A assustadora Nebulosa de Tarântula, ou NGC 2070, uma das galáxias mais próximas de nós

Para entender os padrões que deram forma às galáxias, é necessário estudar estrelas. Ao estudá-las, astrónomos e cientistas conseguem analisar as suas massas, nascimentos e mortes para melhor compreender a história do universo.

O Observatório Europeu do Sul acaba de anunciar que um grupo de astrónomos descobriu que tanto as galáxias do universo primordial como uma galáxia próxima contêm uma proporção de estrelas massivas muito maior do que as encontrada em galáxias até então.

“Encontrámos cerca de 30% mais estrelas com massas maiores que trinta vezes a massa do Sol. Encontramos também 70% mais de estrelas com mais de 60 massas solares”, explicou Fabian Schneider, da Universidade de Oxford, na Inglaterra.

“Os nossos resultados desafiam a ideia anterior que previa um limite de 150 massas solares para a maior massa de nascimento e as conclusões até sugerem que estrelas podem ter massas iniciais de 300 massas solares!”.

As descobertas, realizadas por dois grupos de astrónomos independentes, foram publicadas em dois artigos científicos nas revistas científicas Science em Janeiro e na Nature em Junho, e podem mudar completamente as ideias actuais sobre a forma como as galáxias evoluíram.

Uma das equipas de investigação foi liderada por Schneider, que usou o Very Large Telescope do ESO para observar quase 1.000 estrelas em 30 Doradus, conhecida como a Nebulosa da Tarântula – uma região formadora de estrelas na Grande Nuvem de Magalhães, uma pequena galáxia satélite para a nossa Via Láctea

A outra equipa, liderada pelo astrónomo Zhi-Yu Zhang da Universidade de Edimburgo, recorreu ao ALMA, Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, para investigar a proporção de estrelas massivas em 4 galáxias distintas e cheias de poeira. 

“Estas descobertas levam-nos a questionar a nossa compreensão da história cósmica”, concluiu Rob Ivison, astrónomo da Universidade de Edimburgo.

ZAP // Hype Science / SciNews

Por HS
24 Junho, 2018

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629: ALMA E VLT DESCOBREM DEMASIADAS ESTRELAS MASSIVAS EM GALÁXIAS COM FORMAÇÃO ESTELAR EXPLOSIVA, TANTO PRÓXIMAS COMO LONGÍNQUAS

Esta imagem artística mostra uma galáxia poeirenta no Universo distante que está a formar estrelas a uma taxa muito mais elevada do que a da nossa Via Láctea. Novos dados obtidos com o ALMA permitiram aos cientistas observar para além do véu de poeira e ver algo anteriormente inacessível – que estas galáxias com formação estelar explosiva possuem um excesso de estrelas massivas quando comparadas com galáxias mais calmas.
Crédito: ESO/M. Kornmesser

Com o auxílio do ALMA e do VLT, os astrónomos descobriram que, tanto galáxias com formação estelar explosiva do Universo primordial, como uma região de formação estelar situada numa galáxia próxima, contêm uma proporção de estrelas massivas muito maior do que a encontrada em galáxias mais calmas. Esta descoberta desafia as actuais teorias de evolução galáctica, alterando o nosso conhecimento da história da formação estelar cósmica e da formação contínua de elementos químicos.

No intuito de estudar o Universo longínquo, uma equipa de cientistas liderada pelo astrónomo Zhi-Yu Zhang, da Universidade de Edimburgo, utilizou o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para investigar a proporção de estrelas massivas em quatro galáxias distantes ricas em gás com formação estelar explosiva.

As galáxias com formação estelar explosiva são galáxias que estão a sofrer um episódio de formação estelar muito intensa. A taxa à qual se formam novas estrelas pode bem ser superior a 100 vezes a taxa de formação estelar da nossa galáxia, a Via Láctea. Neste tipo de galáxias, as estrelas massivas produzem radiação ionizante, fluxos estelares e explosões de supernova, fenómenos que influenciam de forma bastante significativa a evolução química e dinâmica do meio que as rodeia. O estudo da distribuição de massa das estrelas nestas galáxias ajuda-nos a compreender melhor não só sobre a sua própria evolução, mas também a evolução do Universo, de modo geral.

Observamos estas galáxias quando o Universo era muito mais jovem do que actualmente, o que significa que, muito provavelmente, estes objectos bebés ainda não sofreram muitos episódios de formação estelar anteriores. Se não fosse este o caso, os resultados poderiam estar comprometidos.

Zhang e a sua equipa desenvolveram uma nova técnica — semelhante à datação por carbono radioactivo (também conhecida por datação por carbono-14) — para medir as abundâncias de diferentes tipos de monóxido de carbono em quatro galáxias muito distantes envoltas em poeira e com formação estelar explosiva. A equipa observou a razão entre dois tipos de monóxido de carbono que contêm diferentes isótopos.

“Os isótopos de carbono e de oxigénio têm origens diferentes”, explica Zhang. “O 18O é mais produzido em estrelas massivas e o 13C é mais produzido em estrelas de massa pequena ou intermédia.” Graças à nova técnica, a equipa foi capaz de observar para além da poeira destas galáxias e determinar pela primeira vez a massa das suas estrelas.

A massa de uma estrela é o factor mais importante para determinar a sua evolução. As estrelas massivas brilham intensamente e têm vidas curtas, enquanto que as estrelas menos massivas, como o Sol, brilham de forma mais modesta durante milhares de milhões de anos. Assim, ao sabermos as proporções de estrelas com massas diferentes que se formam nas galáxias, podemos compreender melhor a formação e evolução das galáxias ao longo da história do Universo, o que, por sua vez, nos dá informações valiosas sobre os elementos químicos disponíveis para formar novas estrelas e planetas e, por fim, o número de “sementes” de buracos negros que podem coalescer para formar os buracos negros super-massivos que vemos no centro de muitas galáxias.

A co-autora do trabalho, Donatella Romano do INAF-Observatório de Astrofísica e Ciências do Espaço em Bolonha, explica o que a equipa descobriu: “A razão de 18O para 13C medida foi cerca de 10 vezes maior nestas galáxias com formação estelar explosiva existentes no Universo primordial do que em galáxias como a Via Láctea, o que significa que existe uma proporção muito maior de estrelas massivas no interior destas galáxias.”

Estes resultados obtidos com o ALMA são corroborados por outra descoberta no Universo local. Com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) do ESO e com o intuito de investigar a distribuição geral de idades estelares e massas iniciais, uma equipa liderada por Fabian Schneider, da Universidade de Oxford, obteve medições espectroscópicas de 800 estrelas situadas na enorme região de formação estelar 30 Doradus, na Grande Nuvem de Magalhães.

Schneider explica: “Descobrimos cerca de 30% mais estrelas com massas superiores a 30 vezes a do Sol do que o esperado e cerca de 70% mais do que as esperadas com massas superiores a 60 massas solares. Os nossos resultados desafiam o limite anteriormente previsto de 150 massas solares para a massa inicial máxima das estrelas e sugerem ainda que as estrelas se podem formar com massas superiores a 300 massas solares!”

Rob Ivison, co-autor do novo artigo científico baseado nos dados ALMA, conclui: “Os nossos resultados levam-nos a questionar a nossa compreensão da história cósmica. Os astrónomos que constroem modelos do Universo têm que voltar ao ponto de partida e usar modelos ainda mais sofisticados.”

Astronomia On-line
8 de Junho de 2018

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