3334: Estrelas-do-mar capazes de mudar de cor não têm olhos, mas conseguem “ver”

CIÊNCIA/BIOLOGIA

(dr) Lauren Sumner-Rooney

Uma nova investigação indica que a estrela-do-mar Ophiocoma wendtii é capaz de ver estímulos visuais e que a sua mudança de cor característica pode desempenhar um papel importante nesse fenómeno.

Uma equipa de cientistas demonstrou, pela primeira vez, que a estrela-do-mar Ophiocoma wendtii usa a visão para se guiar através dos recifes de coral, graças a um truque de mudança de cor.

Esta espécie captou atenção científica há cerca de 30 anos, graças à sua drástica mudança de cor entre o dia e a noite e pela sua forte aversão à luz. Recentemente, num artigo científico publicado na Current Biology, os cientistas mostraram que a O. Wendtii é coberta por milhares de células sensíveis à luz, ainda que os comportamentos exactos que controlam este mecanismo permaneçam um mistério.

Lauren Sumner-Rooney, cientista do Museu de História Natural da Universidade de Oxford, no Reino Unido, conduziu centenas de experiências comportamentais para testar a “visão” destas estrelas-do-mar, juntamente com membros da equipa do Museum für Naturkunde, na Alemanha, da Universidade de Lund, na Suécia, e do Instituto de Tecnologia da Geórgia.

As experiências deram “não apenas a primeira evidência de que qualquer estrela quebradiça é capaz de ‘ver’”, como também o “segundo exemplo conhecido de visão em qualquer animal sem olhos”.

Os animais conseguiram procurar áreas de contraste, que os cientistas acreditam que podem imitar estruturas capazes de oferecer abrigo contra predadores. No entanto, uma descoberta inesperada levantou novas questões sobre o funcionamento deste sistema visual.

“Ficamos surpreendidos quando descobrimos que as respostas que vimos durante o dia desapareceram em animais testados à noite. No entanto, as células sensíveis à luz pareciam estar activas”, resumiu Sumner-Rooney, citada pelo Sci-News.

Para tentar descobrir a causa desta mudança de comportamento, a equipa eliminou factores como a perda de motivação e a baixa densidade de luz, mas não descartou a mudança de cor característica de O. wendtii, que varia entre um vermelho escuro durante o dia e bege à noite.

A equipe de Sumner-Rooney já havia demonstrado que outra espécie de estrela-do-mar – Ophiocoma pumila – também estava coberta com sensores de luz, mas não apresentava qualquer mudança de coloração. Curiosamente, esta espécie mais pálida também falhou no exame oftalmológico.

Combinando um conjunto de técnicas, os cientistas reconstruiram modelos digitais de células sensíveis à luz individuais nas duas espécies. A equipa mostrou que, durante o dia, o pigmento restringia a luz que chegava aos sensores num ângulo mais estreito que corresponde à resolução visual hipotética.

Sem esse pigmento – em O. pumila e, durante a noite, em O. wendtii – a luz poderia alcançar os sensores de um ângulo muito mais amplo, tornando desta forma a visão impossível.

“É uma descoberta muito emocionante. Foi sugerido há 30 anos que a mudança de cor poderia ser a chave para a sensibilidade à luz, por isso estamos muito felizes”, disse Sumner-Rooney. De acordo com o matutino, os cientistas também identificaram possíveis semelhanças com um ouriço-do-mar, parentes distantes destas estrelas.

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Por ZAP
8 Janeiro, 2020

spacenews

 

1565: “Deserto submarino” no Pacífico pode provocar desastre ambiental

Uma equipa de cientistas acredita que o desaparecimento progressivo da estrela-do-mar-girassol, cuja causa é ainda desconhecida, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos, pode vir a causar um desastre ambiental no Pacífico. 

Os cientistas alertam para este “deserto submarino” através de uma novo artigo científico publicado na quarta-feira passada na revista especializada Science Advances.

“Nunca vi um declínio desta magnitude numa espécie tão importante”, disse o autor principal do estudo, Drew Harvell, em declarações ao The Washington Post.

A pesquisa dá conta que a doença que afecta a estrela do mar, que prejudicou significativamente a estrela-do-mar-girassol (Pycnopodia helianthoides), pode estar por detrás de surtos de doenças infecciosas que desde 2013 colocam em risco várias espécies de animais, incluindo rãs, corais e até morcegos.

Os investigadores frisam ainda que esta espécie marinha está à beira da extinção, pedindo, por isso, às autoridades que tomem medidas, tentando salvar a espécie através de um programa de reprodução com estrelas-do-mar-girassol em Washington, Canadá e Alasca. Por outro lado, escreveram, o declínio desta espécie coincidiu com o período que aquecimento global que ocorreu no Pacífico entre 2013 e 2015.

A equipa monitorizou o progressivo desaparecimento da estrela-do-mar-de-girassol através de incursões em águas rasas na área entre 2006 e 2014, nas quais foram contabilizadas entre “duas a 100 estrelas” dessa espécie, sendo depois registado uma queda significativa no número de espécies a partir desse momento.

Por último, os cientistas afirmam ainda que o maior inimigo das estrelas-do-mar-de-girassol – os ouriços-do-mar-roxos (Strongylocentrotus purpuratus) – estão a multiplicar-se no fundo do mar, tornando a sobrevivência destas estrelas-do-mar ainda mais complicada, uma vez que se alimentam da vegetação, que é também um elemento-chave para o ecossistema da área em causa do Pacífico.

De acordo com o Oceanário, a estrela-do-mar-girassol é uma das maiores estrelas-do-mar, sendo a mais rápida de todas as espécies já conhecidas. A espécie é capaz de se deslocar 50 centímetros por minuto. Nos Estados Unidos, é também conhecida como sea pigs (porcos do mar), nome devido à sua voracidade.

ZAP //

Por ZAP
7 Fevereiro, 2019

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