5157: Cientistas afirmam que não é possível localizar a origem da humanidade

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA

(dr) Mark Thiessen / National Geographic

Apesar do número de evidências fósseis já encontradas, não é possível localizar com precisão a área onde os humanos modernos surgiram, concluiu uma nova investigação conduzida por antropólogos da Alemanha e do Reino Unido.

No novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Nature, a equipa sustenta não só que os dados disponíveis são insuficientes para determinar com precisão no espaço e no tempo a génese da humanidade, como também sugere que o evento não pode ser determinado, nem do ponto de vista teórico.

“Ao contrário do que muitos acreditam, nem o registo genético nem o registo fóssil até agora encontrado revelam um lugar ou um período de tempo definido para a origem da nossa espécie”, começa por explicar Pontus Skoglund, especialista do Instituto Max Planck e co-autor do estudo, citado em comunicado.

E acrescenta: “Um momento como este, em que a maior parte da nossa ancestralidade foi encontrada numa pequena região geográfica e as características que associamos à nossa espécie apareceram, pode não ter existido. Para já, seria útil que nos afastássemos da ideia de uma única época e local de origem”.

Para chegar a esta conclusão, a equipa realizou uma revisão completa sobre o conhecimento já existente sobre a ancestralidade humana, frisa o portal Science Alert.

Na mesma nota, Chris Stringer, outro dos especialistas envolvidos na investigação, observa que a origem complexa do Homo sapiens está a tornar-se cada vez mais evidente.

“Alguns dos nossos antepassados terão vivido em grupos ou populações que podem ser identificadas no registo fóssil, enquanto muito pouco se sabe sobre os outros [antepassados]. Na próxima década, o crescente reconhecimento das nossas complexas origens deve expandir o foco geográfico de trabalho de campo paleoantropológico a regiões que antes se consideravam periféricas na nossa evolução, como África central e ocidental e o subcontinente indiano e o sudeste asiático“.

Face à existência de várias espécies e populações que deixaram a sua marca na nossa genética, o grupo de antropólogos sugere que se pergunte, em primeiro lugar, como é que a humanidade se originou – só depois, sustentam, é que se deve explorar o “onde”.

“As principais questões emergentes referem-se aos mecanismos que impulsionaram e sustentaram este mosaico humano, com todos os seus vários fios ancestrais, ao longo do tempo e do espaço”, observa a antropóloga Eleanor Scerri.

“Compreender a relação entre habitats fracturados e a mudança de nichos humanos desempenhará, sem dúvida, um papel fundamental no esclarecimento destas questões, deixando mais claro que padrões demográficos melhor se adaptam ao registo genético e paleoantropológico”, remata a especialista.

ZAP ZAP //

Por ZAP
18 Fevereiro, 2021


2349: Os Australopitecos eram amamentados até aos 12 meses

CIÊNCIA

Wikimedia / Federigo Federighi

As crias dos australopitecos, uma espécie humana extinta que viveu em África, foram amamentadas até ao primeiro ano de vida, segundo um estudo publicado esta segunda-feira na revista científica Nature.

Na investigação da faculdade de medicina Icahn, de Nova Iorque, nos Estados Unidos, foram estudados os dentes fossilizados do Australopithecus Africanus, uma espécie de hominídeo natural da zona que é hoje a África do Sul.

A autora do estudo, Christine Austin, analisou os minerais nos dentes dos recém-nascidos, uma vez que o leite materno contem bário, que se acumula nos dentes.

Nos fósseis dos australopitecos estudados, que terão vivido há cerca de 2,6 e 2,1 milhões de anos, havia bário acumulado, o que levou os investigadores a calcular que as crias tinham sido amamentadas durante um ano, um período que pode ter-lhes permitido sobreviver a uma escassez de alimentos, refere-se no artigo da Nature.

“O padrão de crescimento dos dentes, que se assemelha aos anéis das árvores, permitiu que os investigadores determinassem as concentrações de bário, um elemento encontrado no leite, que se acumulara nos dentes ao longo do tempo e que fornece informação sobre os padrões maternais e de dieta”, afirma a equipa citada em comunicado.

“Os nossos resultados mostram que esta espécie está um bocadinho mais próxima dos humanos do que outros grandes símios que têm comportamentos diferentes na amamentação”, explicou Austin, citada na mesma nota.

Esta primeira espécie de hominídeos, destaca ainda a recente publicação, socorreu-se ainda da amamentação para enfrentar período de escassez de alimentos que, segundos os cientistas, podem ter levado à sua extinção.

ZAP // Lusa

Por ZAP
22 Julho, 2019

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