1729: Afinal, a grande “explosão de vida” na Terra não foi repentina

Nobu Tamura/ Wikimedia
Opabinia regalis, um dinocarido do período cambriano

Um equipa de especialistas em Ciências da Terra acaba de descobriu novos e importantes informações sobre a Explosão Cambriana, desconstruindo teorias e correntes comummente aceites pela comunidade cientifica.

De acordo com a nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista especializada Nature, a “explosão de vida” na Terra não ocorreu num evento único, como se imaginava até então, tendo antes se desenvolvido em vários episódios que decorreram ao longo de mais de 50 milhões de anos.

Entende-se como Explosão Cambriana o período de intensa actividade evolutiva que originou uma grande diversidade de espécies. Os cientistas estimam que este importante período da evolução da Terra tenha ocorrido há cerca de 530 milhões de anos.

Rachel Wood, professora da Universidade de Edimburgo, na Escócia, e a sua equipa chegaram a esta conclusão depois de estudarem um conjunto de informações sobre materiais fósseis e geoquímicos oriundos de todo o mundo.

Segundo explicou Wood em comunicado, a análise revela “os padrões e ‘motores’ de ascensão da vida complexa na Terra”. “Costumávamos pensar que os animais primitivos surgiram rapidamente após um único evento evolutivo, mas as nossas descobertas sugerem que o fenómeno ocorreu em etapas“.

O período anterior à Explosão Cambriana, entre 540 a 520 milhões de anos atrás, era completamente distinto do que o que lhe sucedeu. Segundo se pode ler no artigo, antes deste período de transição a maioria dos organismos vivos era simples, composta por células individuais ocasionalmente dispostas em colónias.

Não obstante, algumas descobertas de organismos multi-celulares fossilizados avançam o início deste período para, pelo menos, 571 milhões de anos. Entre estes fósseis, destaca a publicação, encontram-se os descobertos na antiga Avalónia (entre a actual Grã-Bretanha e a costa leste da América do Norte), na Austrália, no noroeste da Rússia, na Namíbia (sudoeste da África) e no centro da China.

Por tudo isto, e tendo em conta os novos dados, os cientistas concluem que, na verdade, a “explosão” não foi mais do que uma “fase entre várias” naquela que foi a formação da primeira biodiversidade animal na Terra.A sua sucessão coincidiu com as importantes subidas e descidas das temperaturas oceânicas sentidas pelo planeta.

ZAP //

Por ZAP
17 Março, 2019

 

1467: O campo magnético da Terra deslocou-se inesperadamente (e não se sabe porquê)

NASA Goddard / Flickr
Conceito de artista do Campo Magnético da Terra

O pólo norte magnético terrestre está a deslocar-se, devido a movimentações do ferro líquido no núcleo do planeta, obrigando a antecipar a revisão do modelo que descreve o campo magnético e suporta sistemas de navegação.

Por causa da deslocação do pólo norte magnético, a nova actualização do Modelo Magnético Mundial vai ser feita na terça-feira, um ano antes do previsto, de acordo com um artigo deste mês na revista científica Nature.

A versão em vigor do Modelo Magnético Mundial é datada de 2015 e era para durar até 2020. Mas o campo magnético, que protege a Terra dos ventos solares e radiações cósmicas e cujos pólos se situam próximo dos pólos geográficos do planeta, está a mudar muito rapidamente e os cientistas têm de antecipar uma revisão do modelo.

Em 2018, especialistas em geomagnetismo aperceberam-se que a margem de erro do modelo estava perto de ultrapassar o limite do aceitável para os erros de navegação.

Dois anos antes, e depois de o Modelo Magnético Mundial ter sido actualizado, parte do campo magnético, mais a sul, desviou-se temporariamente para o norte da América do Sul e o leste do Oceano Pacífico. As oscilações no pólo magnético norte agravaram os problemas. As primeiras medições, em 1831, situavam-no no Árctico Canadiano. Em 2001, entrou no Oceano Árctico.

“A localização do pólo norte magnético parece ser regulada por duas grandes zonas do campo magnético, uma sob o Canadá e outra sob a Sibéria. A área da Sibéria está a ganhar a competição”, sustentou o investigador Phil Livermore, da universidade britânica de Leeds.

Geólogos acreditam que a Terra tem um campo magnético porque o núcleo é formado por um centro de ferro sólido cercado por metal líquido em rápida rotação. Isso cria um “dínamo” que comanda o campo magnético.

Os cientistas suspeitam há muito tempo que, como o núcleo fundido está em constante movimento, mudanças em seu magnetismo podem estar afectando a localização na superfície do norte magnético.

A nova actualização do Modelo Magnético Mundial terá em conta dados dos últimos três anos e será mantida até nova revisão, em 2020.

ZAP // Lusa

Por ZAP
11 Janeiro, 2019

 

952: Fim da hora de inverno “é um regresso à Idade Média” (e afecta sobretudo as crianças)

(PPD/C0) Monoar / Pixabay Mais de 4,6 milhões de pessoas participaram no inquérito

O especialista em medicina do sono Joaquim Moita avisa que o fim da hora de inverno seria preocupante sobretudo para as crianças e adolescentes, que passariam a acordar e a ir para as aulas ainda de noite.

A Comissão Europeia vai propor o fim da mudança de hora, depois de essa ter sido a vontade expressa por uma grande maioria dos europeus na consulta pública lançada este verão, acabando com a distinção entre horário de verão e horário de inverno.

Em declarações à agência Lusa, o médico Joaquim Moita, que dirige o Centro de Medicina do Sono do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e a Associação Portuguesa do Sono, lembra que o cérebro humano precisa de exposição à luz solar para acordar devidamente.

“Se acabar a hora de inverno, entre os meses de Novembro e Janeiro iremos estar às 08:15 ainda com noite escura”, avisa o especialista. Ora, às 08:15 muitas das crianças e adolescentes portugueses já estão a ter aulas ou pelo menos a caminho da escola.

“O resultado não será benéfico e o desempenho cognitivo e físico podem ficar comprometidos. As crianças e os adolescentes já deviam ir bem acordados para a escola e, para acordar bem, o cérebro precisa de exposição ao sol, à luz solar”, explica.

O especialista frisa que uma das regras básicas da higiene do sono é precisamente levantar à mesma hora e procurar a exposição solar, o que pode ficar comprometido caso se acabe com a hora de inverno.

“Os mesmos problemas também se podem aplicar ao mundo do trabalho. É muito preocupante para as faixas etárias mais jovens, mas também para quem já trabalha”, indicou o especialista do sono.

Joaquim Moita julga que haveria vantagens em manter a hora de inverno e considera que as alterações entre hora de verão e hora de inverno não constituem qualquer problema médico, até porque o organismo se adapta facilmente a estas mudanças de hora.

O perito lembra que os portugueses “já dormem pouco”, considerando que o fim da hora de inverno pode ainda prejudicar mais o descanso, o número de horas de sono e a forma como se desperta.

Mudança leva os cidadãos para a Idade Média

Em igual sentido, o professor do Departamento de Física Aplicada da Universidade de Santiago de Compostela (USC), Jorge Mira e o físico da Universidade de Sevilha, José María Martín Olalla, concordaram que a decisão de eliminar a mudança de hora semestral em toda a União Europeia “é um passo atrás” que “quebra a estabilidade horária na Europa”.

Para Mira, a decisão é um “passo atrás”, que leva os cidadão para o “tempo da Idade Média”, através da “imposição” de ideias de pessoas “que concebem que a Terra é plana”, reiterou o professor universitário.

Ambos os físicos concordam que a abolição da hora de inverno é um claro passo atrás.

“A razão para a mudança de hora é que o planeta gira o seu eixo de rotação desviado do eixo da órbita, de modo que a diferença entre o dia e a noite muda muito“, explicou Mira em declarações à Europa Press.

O cientista deu o exemplo concreto da Galiza, salientando que a diferença entre o dia e a noite no solstício de verão é de seis horas e 40 minutos e, “apenas três meses depois” essa diferença passa para zero horas.

Mira prosseguiu explicando que, três meses depois a diferença passa a ser de seis horas e 45 minutos a favor da noite. ” A cada três meses, temos seis horas e 45 minutos de variação e a mudança de tempo foi uma forma de atenuar um pouco essa variação, que é o posicionamento mais lógico”, concluiu.

Uma maioria “muito clara” de 84% dos cidadãos europeus pronunciaram-se a favor do fim da mudança de hora na consulta pública realizada este verão, de acordo com resultados preliminares divulgados nesta sexta-feira pela Comissão Europeia.

Os resultados preliminares publicados pelo executivo comunitário revelam que os portugueses que participaram no inquérito online estão em linha com a média europeia, já que 85% também defenderam que deixe de se mudar o relógio duas vezes por ano, o que Bruxelas pretende agora implementar, com a apresentação de uma proposta legislativa. Os resultados finais serão avançados nas próximas semanas.

Naquela que foi, de forma destacada, a consulta pública mais participada de sempre, com mais de 4,6 milhões de contributos oriundos de todos os Estados-membros, a maior parte das respostas veio da Alemanha, onde o assunto foi particularmente mediatizado, apontando a Comissão que a taxa de participação em percentagem da população nacional variou entre os 3,79% na Alemanha e os 0,02% no Reino Unido, tendo em Portugal participado no inquérito 0,33% da população.

Os resultados preliminares, acrescenta Bruxelas, “indicam também que mais de três quartos (76%) dos participantes consideram que mudar de hora duas vezes por ano é uma experiência «muito negativa» ou «negativa»”, e “como justificação do desejo de pôr fim a esta regras alegam o impacto negativo na saúde, o aumento de acidentes de viação ou a falta de poupanças de energia”.

ZAP // Lusa

Por ZAP
1 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 3 erros ortográficos ao texto original)

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889: NASA não consegue “despertar” Opportunity, a sonda adormecida em Marte

Lonesome–Crow / Deviant Art O robô Opportunity encontra-se em Marte desde 2004

Os especialistas da NASA não conseguiram restabelecer ligação com a sonda marciana Opportunity, embora o volume de pó na atmosfera de Marte tenha já reduzido para níveis muito próximos dos normais, revelou a agência norte-americana.

“Neste momento, o nível de pó na atmosfera caiu para 2,1 tau, mas depois aumentou para 2,5 tau. Até que se reduza para o nível 2, não esperamos ‘ouvir’ nada do rover, mas continuamos a monitorizar constantemente os seus sinais“, informaram os participantes da missão.

No início de Junho, Marte foi atingido por uma forte tempestade de pó que abalou a maior parte da cratera Endeavour, onde a sonda Opportunity está a operar. Alguns dias depois, a situação agravou-se de tal forma que os engenheiros tiveram que colocar a sonda em regime de emergência e desligar todos as suas ferramentas excepto o relógio.

Já em meados de Junho, e de acordo com fotografias capturadas pela sua “amiga” – a sonda Curiosity, que está noutra parte do planeta – a tempestade abalou o planeta por completo, sendo oficialmente considera uma tempestade de envergadura planetária.

Só no final do mês de Julho é que a camada de poeira começou a dar tréguas, assentando gradualmente na superfície. Espera-se agora que, nas próximas semanas a situação em Marte melhore radicalmente. Nas primeiras semanas de Agosto, a quantidade de pó na atmosfera reduziu-se várias centenas de vezes, melhorando a situação significativamente.

Até lá, não vale a pena esperar que a Opportunity desperte brevemente, pois o nível de iluminação da superfície marciana continua muito baixo. Além disso, ainda não é certo se as suas baterias conseguiram sobreviver durante quase um mês de “vida” no frio e completa escuridão.

De acordo com os especialistas, uma tempestade semelhante ocorreu no planeta há cerca de 8 anos e foi o motivo da morte da sonda Spirit, “gémea” da Opportunity, que ficou presa na cratera Gusev em 2010.

No entanto, neste caso em particular o rover não corre esse risco, porque Marte está a entrar no verão e as temperaturas na sua superfície não devem baixar para temperaturas inferiores a 40 graus negativos – só a partir daí é que a situação pode ser fatal para a sonda adormecida em Marte.

O robô Opportunity encontra-se em Marte desde 2004. Inicialmente, foi concebido para durar apenas 3 meses, mas continuou a operar durante quase 15 anos. No entanto, o Opportunity não é o único rover exploratório em Marte, e felizmente a sua amiga, Curiosity, tem baterias nucleares, não precisando de energia solar para funcionar.

Para que o Opportunity continue detectável, as outras sondas que exploram o planeta continuam a rastrear o percurso da tempestade para facilitar o trabalho da NASA.

Por ZAP
19 Agosto, 2018

(corrigidos 6 erros ortográficos do texto original)

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324: Especialistas alertam: IA pode ser utilizada para fins criminosos

Gwydion M. Williams / Flickr

Uma equipa de especialistas defendeu, num relatório intitulado “Uso Malicioso da Inteligência Artificial”, que este sistema está cada vez mais vulnerável a potenciais abusos por Estados não reconhecidos internacionalmente.

No relatório “Uso Malicioso da Inteligência Artificial”, a equipa de especialistas adverte para o facto de a Inteligência Artificial estar cada vez mais vulnerável a potenciais abusos por Estados não reconhecidos internacionalmente.

Segundo o relatório, publicado na semana passada, criminosos e terroristas serão capazes, num futuro próximo, de transformar drones em mísseis, de disseminar ainda mais vídeos falsos para manipular a opinião pública e de criar mecanismos automáticos para executarem ciber-ataques.

De acordo com o Expresso, estas são três das ameaças destacadas no documento de 100 páginas, que identifica as três áreas de maior vulnerabilidade: o digital, a segurança física e a política.

O “Uso Malicioso da Inteligência Artificial” lança ainda um pedido àqueles que desenvolvem estes sistemas de AI, para que façam mais para mitigar potenciais maus usos e abusos das suas tecnologias. Sugerem também que os Governos aprovem uma nova legislação na área para impedir estas ameaças.

O grupo de especialistas defende, segundo o jornal, que tanto legisladores como investigadores devem trabalhar em conjunto para se prepararem para o uso malicioso da IA num futuro próximo, de forma a que todos se consciencializem sobre a importância destes perigos – apesar dos pontos positivos desta tecnologia.

À BBC, Shahar Avin, do Centro de Estudos sobre Riscos Existenciais da Universidade de Cambridge, disse que o relatório se centra em áreas já democratizadas, descartado os perigos da Inteligência Artificial num futuro mais distante.

Para o especialista, o principal perigo reside na área de reforço da aprendizagem, em que a Inteligência Artificial é treinada a níveis que ultrapassam as nossas capacidades, sem orientação ou exemplos humanos.

Em breve, pessoas mal-intencionadas poderão ser capazes de treinar um drone com software de reconhecimento facial para encontrarem determinados alvos facilmente e, num futuro próximo, hackers usar tecnologias como a AlphaGo, uma AI desenvolvida para explorar padrões em quantidades maciças de dados e falhas nos códigos informáticos.

“A Inteligência Artificial vai alterar os cenários de risco para os cidadãos, organizações e Estados”, defende Miles Brundage, investigador do Instituto para o Futuro da Humanidade na Universidade de Oxford.

O especialista vai mais longe e refere que, “muitas vezes, os sistemas de AI não se limitam a alcançar níveis humanos de performance, vão muito mais longe que isso. É preocupante mas necessário que se considerem as implicações de ciber-ataques”, alerta.

Para Seán Ó hÉigeartaigh, director executivo do Centro para o Estudo de Riscos Existenciais e um dos autores do relatório, “a Inteligência Artificial veio mudar as regras do jogo”.

“Vivemos num mundo que pode tornar-se pleno de perigos diários por causa dos abusos da AI e precisamos de assumir a responsabilidade por estes problemas, porque os riscos são reais. Já chega“, conclui hÉigeartaigh.

ZAP //
Por ZAP
26 Fevereiro, 2018

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