2382: Amanhã é o dia em esgotamos os recursos anuais do planeta e passamos a viver a crédito

Se todos os país “gastassem” o planeta como Portugal, o limite teria sido atingido a dia 26 de maio, 21 dias mais cedo do que no ano passado.

© EPA/LAUREN DAUPHIN/NASA EARTH OBSERVATOY

A humanidade vai atingir na segunda-feira o limite dos recursos naturais da Terra disponíveis para este ano, três dias mais cedo do que em 2018, alerta a associação ambientalista Zero. Ou seja, este é o dia em passamos a viver a crédito e a esgotar os recursos do planeta a um ritmo não sustentável.

“Este ano o limite será atingido a 29 de Julho, três dias mais cedo do que em 2018, em que a data foi 1 de Agosto, sendo que a tendência tem sido a de adicionar o cartão de crédito ambiental cada vez mais cedo, não obstante todo o discurso político e público sobre economia circular e neutralidade carbónica”, refere a Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável.

Todos os anos é apresentada uma estimativa sobre o dia em que a humanidade atinge o limite do uso sustentável de recursos naturais disponíveis para esse ano, ou seja, o orçamento natural, habitualmente designado como ‘Overshoot Day’ (Dia de Sobrecarga da Terra)” e esse dia é segunda-feira, 29 de Julho.

Esta é a data mais recuada desde que o planeta entrou em défice ecológico no início dos anos 70, assinalou a organização internacional Global Footprint Network, que todos os anos faz este cálculo. A mesma organização indica que, nos últimos 20 anos, a data que a humanidade terá esgotado os recursos naturais que o planeta é capaz de renovar foi antecipada três meses.

“Estamos a esgotar o capital natural da Terra”

A Zero refere que Portugal “é um contribuinte activo para esta situação”, uma vez que, “se todos os países tivessem a mesma pegada ecológica que o nosso país, seriam necessários 2,5 planetas”.

Este ano Portugal gastou os seus recursos naturais disponíveis no dia 26 de maio, 21 dias mais cedo do que no ano passado.

“Actualmente, considerando a média mundial, estamos a consumir cerca de 1,75 planetas com a nossa voracidade de produção e consumo. A sobrecarga só é possível porque estamos a esgotar o capital natural da Terra, o que põe em causa o futuro da humanidade”, alerta a Zero.

Para inverter esta tendência, a associação propõe a adopção de “novas práticas”, nomeadamente na alimentação e na mobilidade.

Na alimentação, a Zero defende a promoção de uma dieta alimentar “saudável e sustentável”, com a “redução do consumo de proteína de origem animal e um aumento significativo do consumo hortícolas, frutas e leguminosas secas.

A associação defende, igualmente, a aposta na mobilidade sustentável, melhorando o acesso e as condições de operação dos transportes públicos e estimulando as formas de mobilidade suave.

Diário de Notícias
DN/Lusa
28 Julho 2019 — 12:30

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1956: Se o mundo fosse só europeu, recursos da Terra acabavam hoje

CIÊNCIA

(CCO/PD) Buddy_Nath / Pixabay

Os recursos naturais da terra estariam esgotados esta sexta-feira se o resto do mundo consumisse como os europeus, indica um relatório divulgado, no qual Portugal aparece menos “gastador” do que a média europeia.

Segundo o relatório, da responsabilidade das organizações ambientalistas internacionais World Wildlife Fund (WWF, Fundo Mundial para a Natureza) e Global Footprint Network, o dia 10 de maio marca a data em que os Europeus verão esgotado o seu orçamento natural anual.

Se todas as pessoas no mundo vivessem como os residentes da União Europeia (UE), os recursos naturais dos quais dependemos esgotar-se-iam neste dia, diz o documento, segundo o qual Portugal teria os seus recursos esgotados apenas no dia 26. O que quer dizer que se o mundo todo vivesse como Portugal os recursos acabavam a 26 de Maio.

Com base nos padrões de consumo os dados indicam que na Europa foi o Luxemburgo a esgotar primeiro os seus recursos, logo a 16 de Fevereiro, enquanto outros países, como a Roménia, Hungria ou Bulgária, apenas esgotam os seus recursos em Junho.

No mundo há países muito mais poupados. Se todos vivessem como em Cuba os recursos dariam até 1 de Dezembro, em Marrocos dariam até dia 16, e no Níger apenas se esgotariam a 25 de Dezembro. Já se o planeta fosse todo norte-americano os recursos tinham-se esgotado no dia 15 de Março.

As duas organizações lembram que a sociedade mundial subiste do que a natureza dá, dos alimentos aos medicamentos, das roupas aos materiais de construção, e explicam que se todos tivessem o mesmo estilo de vida dos europeus a humanidade gastava agora todos os recursos que a Terra pode renovar em cada ano.

Tal significa que eram precisos 2,8 planetas para sustentar a procura de recursos naturais que esse estilo de vida exige. Lembram as organizações que no ano passado os recursos só foram esgotados a 1 de Agosto, pelo que os europeus estão a acelerar o consumo.

“Durante o resto de 2019, a humanidade vai operar a crédito de capital natural, ou seja, estamos a esgotar as reservas que a natureza nos fornece muito mais cedo”, notam as organizações, que falam de uma “pressão ecológica sem precedentes” que inclui desflorestação, perda de biodiversidade, quebra de populações de peixes, escassez de água doce, erosão do solo ou poluição do ar.

O relatório destaca as diferenças entre as Pegadas Ecológicas dos Estados-Membros da UE e as de outros países no mundo e mostra que apesar das grandes variações entre os países da UE nenhum deles está a viver num nível sustentável.

No mapa da Pegada Ecológica, da responsabilidade da Global Footprint Network, Portugal aparece no grupo dos países com menor pegada. Avaliando a quantidade de solo necessário para sustentar o tipo de vida actual no Luxemburgo cada habitante precisa de 12,5 hectares e em Portugal de pouco mais de quatro.

O relatório reafirma as conclusões do relatório científico da Plataforma Intergovernamental para a Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas (IPBES) da ONU, fornecendo recomendações para as mudanças urgentes que são essenciais para empurrar este dia na UE para o final do ano, diz-se num comunicado divulgado pela Associação Natureza Portugal (ANP), que representa em Portugal a WWF.

Ângela Morgado, directora-executiva da ANP|WWF, afirmou, citada no comunicado, que o dia em que são esgotados os recursos “é um alarme gritante” que comprova da UE está a contribuir “para o iminente colapso ecológico e climático do planeta”. “Esta forma de viver não é apenas irresponsável, é completamente perigosa“, alerta.

Sobre o mesmo assunto, Mathis Wackernagel, fundador e presidente da Global Footprint Network: “Estamos a operar um esquema de pirâmide com o Planeta, usando recursos do futuro para administrar a economia de hoje. Isto é arriscado para a prosperidade da Europa. Tal como fazemos para as finanças, também precisamos de uma contabilidade cuidadosa do lado dos recursos”.

A WWF diz que até ao início da década de 1970 o planeta era capaz de prover as necessidades da humanidade, e que desde então o consumo aumentou e agora é muito maior do que a taxa de renovação. A organização sublinha que o consumo da UE é tal que apesar de compreender 7% da população mundial precisa de 20% dos recursos globais.

ZAP // Lusa

Por Lusa
10 Maio, 2019

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1711: Os nossos oceanos estão a perder peixe a um ritmo alucinante

(CC0/PD) joakant / pixabay

As populações de peixes nos nossos oceanos estão a esgotar a um ritmo alarmante, com consequências preocupantes para os que fazem parte da cadeia alimentar – incluindo os seres humanos.

Dados recolhidos entre 1930 e 2010 revelaram que as populações de peixes caiu, em média, 4,1%. Em algumas regiões, como o Mar da China Oriental ou o Mar do Norte, a queda foi mais abrupta: de 15 a 35%. As alterações climáticas e a sobre-pesca são as principais culpadas.

No entanto, os investigadores observaram que um pequeno número de populações de peixes, em vez de diminuir, aumentava – beneficiando do aquecimento das águas que as tornava mais habitáveis (pelo menos para estes peixes).

“Muitas das espécies que beneficiaram do aquecimento vão, provavelmente, começar a diminuir, à medida que as temperaturas começarem a subir”, explicou o cientista Olaf Jensen, da Universidade Rutgers, em Nova Jersey, Estados Unidos.

A equipa investigou de que forma o aquecimento do oceano afectou 235 populações de peixes em todo o mundo, analisando 124 espécies em 38 regiões ecológicas. Além de peixes, incluíram também no estudo alguns crustáceos e moluscos. O artigo científico foi publicado no dia 1 deste mês, na Science.

Normalmente, a água quente é uma má notícia para os peixes: não só contém menos oxigénio, como também prejudica as funções corporais, que em muitos peixes ocorrem à mesma temperatura da água.

“O declínio de 4,1% parece muito pequeno e inofensivo, mas é de 1,4 milhões de toneladas métricas entre 1930 e 2010”, disse Chris Free, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, ao The New York Times.

Segundo o Science Alert, os 4,1% são referentes especificamente ao rendimento máximo sustentável – a quantidade de peixes que podemos capturar sem esgotar o número da população a longo prazo.

Este número torna-se verdadeiramente preocupante se tivermos em conta que estes animais são uma parte significativa da proteína animal na dieta mundial – especialmente nos países costeiros em desenvolvimento. Acresce ainda o facto de 56 milhões de pessoas em todo o mundo trabalharem na indústria pesqueira – ou confiarem nela.

Reduzir a sobre-pesca é, de facto, essencial para minimizar os impactos do aquecimento dos oceanos, caso contrário a situação irá piorar.

ZAP //

Por ZAP
14 Março, 2019

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663: Portugal esgota hoje recursos naturais e começa a usar cartão de crédito ambiental

rawrrrr-321 / Deviant Art

Portugal esgota este sábado os recursos naturais renováveis de 2018, o que significa que vai começar a usar meios que só deveria utilizar a partir de 1 de Janeiro de 2019, anunciou a associação ambientalista Zero.

De acordo com a associação ambientalista Zero, “se todos vivessem como nós”, a partir de domingo “o mundo começaria a usar o cartão de crédito ambiental”, porque “acabam-se hoje os recursos renováveis de Portugal”.

Se cada pessoa no planeta vivesse como uma pessoa média portuguesa, “a humanidade exigiria o equivalente a 2,19 planetas para sustentar as suas necessidades de recursos”, o que implicaria que “a área produtiva disponível para regenerar recursos e absorver resíduos a nível mundial esgotar-se-ia neste dia 16 de Junho”.

“Portugal é, há já muitos anos, deficitário na sua capacidade para fornecer os recursos naturais necessários às actividades desenvolvidas (produção e consumo). A nossa pegada per capita é de 3,69 hectares globais, mas a nossa biocapacidade é de 1,27 hectares globais, com base em dados revistos para toda a série histórica desde 1961″, escreveu a Zero, num comunicado.

Portugal é o 69º país do mundo com maior pegada ecológica por pessoa. Apesar de, entre os países da União Europeia, Portugal ter a quarta pegada mais baixa por pessoa, “esta é, ainda assim, muito superior à capacidade média por pessoa no planeta”.

O consumo de alimentos (32% da pegada global do país) e a mobilidade (18%) encontram-se entre as actividades humanas diárias que mais contribuem para a pegada ecológica portuguesa e são “pontos críticos para intervenções de mitigação da pegada”.

Os dados relativos à pegada ecológica são actualizados anualmente pela Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável, em parceria com a Global Footprint Network.

Tal como um extracto bancário dá a indicação das despesas e dos rendimentos, a contabilização da pegada ecológica avalia anualmente, através de sistemas métricos, as necessidades humanas de recursos renováveis e serviços essenciais e compara-as com a capacidade da biosfera de fornecer tais recursos e serviços.

O dia em que a humanidade atinge o limite do uso sustentável de recursos naturais disponíveis para esse ano, ou seja, o orçamento natural, é habitualmente designado como Overshoot Day.

No ano passado, o overshoot day mundial ocorreu em 2 de Agosto, sendo que o último ano em que o planeta conseguiu viver com o seu orçamento natural anual foi em 1970.

ZAP // Lusa

Por Lusa
16 Junho, 2018

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