4962: Quão escuro é o Universo? Mais do que pensávamos, apurou a New Horizons

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA
A sonda New Horizons

Novas medições levadas a cabo pela sonda espacial não tripulada da NASA New Horizons mostram que o Universo não é tão escuro como pensávamos.

A escuridão do Universo é um fenómeno conhecido e estudado, sendo especialmente notório quando nos afastamos das luzes das grandes cidades e, ao olharmos para cima, observamos um céu que parece ainda mais escuro entre as estrelas.

Acima da atmosfera, o Espaço sideral é ainda mais escuro, não sendo, contudo, totalmente negro, uma vez que espelha um brilho fraco de algumas estrelas e galáxias distantes.

As novas medições da sonda da agência espacial norte-americana mostram que estas estrelas e galáxias não são tão abundantes como alguns cientistas teorizaram até então e, por isso, o Universo não é tão escuro como pensávamos.

De acordo com o novo, cujos resultados foram aceites para publicação na revista Astrophysical Journal, carecendo ainda de revisão de pares, o Universo tem “apenas” centenas de mil milhões de galáxias, em vez dos dois biliões de galáxias relatadas anteriormente, a partir da extrapolação de dados do telescópio espacial Hubble (NASA).

“É um número importante para se saber: quantas galáxias existem? Simplesmente, não vemos a luz de dois biliões de galáxias”, disse Marc Postman do Space Telescope Science Institute em Baltimore, Maryland, citado em comunicado.

Tod Lauer, autor principal do estudo, acrescentou: “Pegue em todas as galáxias que o Hubble pode ver, duplique esse número e é isso que vemos – mas nada mais”.

Para chegar a esta revisão do número de galáxias, a equipa de cientistas analisou imagens de arquivo da New Horizons, corrigindo algumas variáveis, como a luz oriunda das estrelas da Via Láctea que estão a reflectir a poeira interestelar. Estes corpos deixaram um brilho de fundo extremamente fraco, mas ainda mensurável.

Então, de onde vem a luz residual do Cosmos?

Os cientistas acreditam que a luz residual do Cosmos pode surgir de galáxias anãs muito difusas e relativamente próximas ou de galáxias muito mais fracas em distâncias mais longas.

As estrelas intergalácticas, também conhecidas como estrelas “rebeldes” por não pertencerem a qualquer galáxia, pode também ser as culpadas ou talvez os halos das galáxias sejam mais brilhantes do que imaginámos.

O telescópio James Webb, cujo lançamento está previsto para Outubro, poderá fazer observações importantes para determinar com precisão quão escuro é o Cosmos.

Por Sara Silva Alves
18 Janeiro, 2021


4851: O Chile e a Argentina escureceram durante o eclipse solar total (e um novo cometa foi descoberto)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

ESA/NASA/SOHO/Andreas Möller (Arbeitskreis Meteore e.V.)/processed by Jay Pasachoff and Roman Vanur/Joy Ng.
A câmara LASCO C2 no observatório ESA/NASA SOHO mostra o cometa C / 2020 X3 (SOHO) no canto inferior esquerdo

No dia 14 de Dezembro, o eclipse solar total, observado na América do Sul, revelou uma pequena partícula que voava além do Sol. Assim que se aproximou da superfície da nossa estrela, desintegrou-se. Era um cometa.

Enquanto o Chile e a Argentina testemunhavam o eclipse solar total, no dia 14 de Dezembro, uma pequena partícula voava além do Sol: um cometa recentemente descoberto.

Segundo o SciTechDaily, o cometa foi observado, pela primeira vez, em dados de satélite analisados pelo astrónomo tailandês amador Worachate Boonplod, no âmbito do Projecto Sungrazer, financiado pela NASA.

O entusiasta por astronomia descobriu o cometa um dia antes do eclipse e estava ansioso para ver se a sua descoberta espreitava na atmosfera externa do Sol, aparecendo como uma pequena mancha nas fotografias do eclipse.

O C/2020 X3 (SOHO), assim baptizado, é classificado como um cometa rasante Kreutz, o que significa que faz parte da família de cometas que tiveram origem num objecto maior que se fragmentou há milhares de anos e continuam a orbitar a nossa estrela.

No momento em que a imagem do eclipse foi tirada, o cometa viajava a cerca de 700 mil quilómetros por hora, aproximadamente a quatro milhões de quilómetros da superfície do Sol, adianta o comunicado da NASA.

O cometa tinha cerca de 15 metros de diâmetro e desintegrou-se devido à intensa radiação solar, poucas horas antes de chegar ao seu ponto mais próximo do Sol.

Por Liliana Malainho
22 Dezembro, 2020


4187: Hubble ajuda a resolver o mistério do escurecimento de Betelgeuse

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Novas observações do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA sugerem que o escurecimento inesperado da estrela super-gigante Betelgeuse foi provavelmente provocado por uma imensa quantidade de material quente ejectado para o espaço, formando uma nuvem de poeira que bloqueou a luz estelar proveniente da superfície de Betelgeuse.
Esta impressão de artista foi criada usando uma imagem de Betelgeuse obtida no final de 2019, obtida com o instrumento SPHERE acoplado ao VLT (Very Large Telescope) do ESO.
Crédito: ESO, ESA/Hubble, M. Kornmesser

Novas observações do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA sugerem que o escurecimento inesperado da estrela super-gigante Betelgeuse foi provavelmente provocado por uma imensa quantidade de material quente ejectado para o espaço, formando uma nuvem de poeira que bloqueou a luz estelar proveniente da superfície de Betelgeuse.

Betelgeuse é uma estrela super-gigante vermelha envelhecida que aumentou de tamanho como resultado de mudanças evolutivas complexas nos processos de fusão nuclear no seu núcleo. A estrela é tão grande que se substituíssemos o Sol no centro do nosso Sistema Solar, a sua superfície externa estender-se-ia para lá da órbita de Júpiter. O fenómeno sem precedentes do grande escurecimento de Betelgeuse, eventualmente perceptível até mesmo a olho nu, começou em Outubro de 2019. Em meados de Fevereiro de 2020, o brilho desta estrela monstruosa tinha caído por mais de um factor de três.

Este escurecimento repentino confundiu os astrónomos, que procuraram desenvolver teorias para explicar a mudança abrupta. Graças às novas observações do Hubble, uma equipa de investigadores sugere agora que se formou uma nuvem de poeira quando o plasma super-quente foi libertado de uma ressurgência de uma grande célula de convecção na superfície da estrela e passou pela atmosfera quente para as camadas externas mais frias, onde arrefeceu e formou poeira. A nuvem resultante bloqueou a luz de aproximadamente um-quarto da superfície da estrela, começando no final de 2019. Em Abril de 2020, a estrela havia regressado ao seu brilho normal.

Vários meses de observações espectroscópicas no ultravioleta de Betelgeuse pelo Hubble, começando em Janeiro de 2019, produziram uma linha temporal perspicaz que levou ao escurecimento da estrela. Estas observações forneceram novas e importantes pistas para o mecanismo por trás da queda de brilho. O Hubble viu um material denso e aquecido movendo-se pela atmosfera da estrela em Setembro, Outubro e Novembro de 2019. Então, em Dezembro, vários telescópios terrestres observaram a estrela a diminuir de brilho no seu hemisfério sul.

“Com o Hubble, vimos o material à medida que deixava a superfície visível da estrela e se movia pela atmosfera, antes de formar poeira que fez a estrela parecer ficar mais escura,” disse Andrea Dupree, directora associada do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica. “Pudemos ver o efeito de uma região densa e quente, na parte sudeste da estrela, movendo-se para fora.”

“Este material era duas a quatro vezes mais luminoso do que o brilho normal da estrela,” continuou. “E então, cerca de um mês depois, o hemisfério sul de Betelgeuse escureceu visivelmente à medida que estrela ficava mais fraca. Pensamos que é possível que uma nuvem escura tenha resultado do fluxo que o Hubble detectou. Apenas o Hubble nos dá esta evidência do que levou ao escurecimento.”

A equipa começou a usar o Hubble no início do ano passado para analisar a estrela massiva. As suas observações fazem parte de um estudo do Hubble de três anos para monitorizar variações na atmosfera externa da estrela. A sensibilidade do telescópio à radiação ultravioleta permitiu aos investigadores analisar as camadas acima da superfície da estrela, que são tão quentes que emitem principalmente na região ultravioleta do espectro e não são vistas no visível. Estas camadas são aquecidas parcialmente pelas turbulentas células de convecção da estrela que borbulham para a superfície.

“A resolução espacial de uma superfície estelar só é possível em casos favoráveis e apenas com o melhor equipamento disponível,” disse Klaus Strassmeier, do Instituto Leibniz para Astrofísica em Potsdam, Alemanha. “Nesse sentido, Betelgeuse e o Hubble foram feitos um para o outro.”

Os espectros do Hubble, obtidos no início e no final de 2019 e em 2020, sondaram a atmosfera externa da estrela medindo linhas espectrais do magnésio ionizado. De Setembro a Novembro de 2019, os investigadores mediram material que passava da superfície da estrela para a sua atmosfera externa. Este material quente e denso continuou a viajar além da superfície visível de Betelgeuse, alcançando milhões de quilómetros da estrela. A essa distância, o material arrefeceu o suficiente para formar poeira, disseram os cientistas.

Esta interpretação é consistente com as observações no ultravioleta do Hubble em Fevereiro de 2020, que mostraram que o comportamento da atmosfera externa da estrela voltou ao normal, embora no visível ainda estava mais ténue.

Embora Dupree não saiba a causa do surto, pensa que foi auxiliado pelo ciclo de pulsação da estrela, que continuou normalmente durante o evento, conforme registado por observações no visível. Strassmeier usou um telescópio automatizado do Instituto Leibniz para Astrofísica chamado STELLA (STELLar Activity) para medir as mudanças na velocidade do gás na superfície da estrela à medida que subia e descia durante o ciclo de pulsação. A estrela estava a expandir-se no seu ciclo ao mesmo tempo que a célula convectiva ressurgia. A pulsação ondulando para fora de Betelgeuse pode ter ajudado a impulsionar o plasma que fluía pela atmosfera.

A super-gigante vermelha está destinada a terminar a sua vida numa explosão de super-nova e alguns astrónomos acham que o escurecimento repentino pode ser um evento pré-super-nova. A estrela está relativamente perto, a cerca de 725 anos-luz de distância, de modo que o evento de escurecimento teria acontecido por volta do ano 1300, já que a sua luz está agora a alcançar a Terra.

Dupree e seus colaboradores terão outra chance de observar a estrela com o Hubble no final de Agosto ou início de Setembro. De momento, Betelgeuse encontra-se no céu diurno, demasiado perto do Sol para observações com o Hubble.

Astronomia On-line
18 de Agosto de 2020