1706: A Terra está prestes a ficar sem água doce

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Os Estados Unidos tem 204 bacias que abastecem o país de água doce. Destes, 96 não serão capazes de cumprir a oferta habitual a partir de 2071.

“Muitos estados dos EUA terão menos água ao longo do tempo”, explicou Thomas Brown à Reuters, investigador do Serviço Florestal dos EUA e um dos autores do trabalho. Na opinião dos cientistas, as bacias mais afectadas serão as do centro e sul das Grandes Planícies, o sudoeste e o centro da região das Montanhas Rochosas, Califórnia, algumas áreas do sul, como a Florida, e o Centro-Oeste.

De acordo com o estudo publicado em Fevereiro na revista Earth’s Future, as principais causas para a escassez generalizada da água são o aumento da população mundial e as alterações climáticas.

O agravamento da seca que ocorrerá em pouco mais de cinco décadas estará vinculado à crescente demanda de uma população crescente e às mudanças climáticas, o que levará a uma maior evaporação e menos chuvas em alguns estados. O aumento da temperatura anulará o efeito de maior precipitação que é esperado noutras regiões.

De acordo com os modelos que projectaram, 83, 92 e 96 bacias poderiam sofrer escassez nos seus níveis mensais nos períodos 2021-2045, 2046-2070 e 2071-2095, respectivamente.

Para reverter a situação, é necessário modificar os hábitos em relação ao uso da água – nomeadamente na agricultura, responsável por 75% do consumo anual nos EUA e na indústria. Portanto, Brown e a sua equipa disseram que se deve reformular a forma como o recurso é utilizado e aumentar a eficiência do uso.

O estudo sobre o futuro da água nos EUA junta-se a outros que já alertaram sobre a situação global. Especialistas da NASA explicaram que, entre 2003 e 2013, extraiu-se mais do que foi possível recuperar na maioria dos maiores aquíferos subterrâneos do mundo, que fornecem 35% do aquíferos usados no mundo. “A situação é crítica”, disseram.

Outro relatório detalha que os aquíferos “demoram muito mais tempo para responder às mudanças climáticas do que a água na superfície”.

“Metade das correntes subterrâneas do planeta respondem dentro de uma escala de tempo humano de cem anos”, disse Mark Cuthbert, professor da Universidade de Cardiff. O investigador definiu este “grande legado” como “uma bomba-relógio ambiental”, uma vez que qualquer impacto sobre a sua substituição, que depende das chuvas, se manifestará “muito tempo depois”.

O Banco Mundial também aborda a questão no relatório “Mudanças Climáticas, Água e Economia”, de 2016, que indicava que em 2050 a disponibilidade de água potável seria um terço da actual e que a escassez terá repercussões graves na economia.

Por sua vez, o Relatório Mundial sobre Desenvolvimento de Recursos Hídricos da Unesco também alerta que, até 2050, 5,7 mil milhões de pessoas – cerca de dois terços da população mundial – sofrerão com secas, superando os 3,6 mil milhões que sofrem actualmente.

O estudo disse que o crescimento populacional, mudanças no consumo e no desenvolvimento económico significam que a demanda mundial aumenta em 1% a cada ano.

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Por ZAP
13 Março, 2019