2821: O quarto asteróide mais perigoso da lista de riscos da ESA pode atingir a Terra em 65 anos

CIÊNCIA

(CC0/PD) Bibbi228 / pixabay

A Agência Espacial Europeia (ESA) adicionou um pequeno asteróide recém-descoberto à sua lista de objectos com risco de impacto com a Terra.

O asteróide recém-descoberto é uma rocha espacial com cerca de 14 metros de diâmetro, detectado a 23 de Setembro e identificado como 2019 SU3. De acordo com a ESA, a rocha foi identificada como o quarto asteróide mais perigoso da lista de riscos da agência espacial, que enumera todas as rochas espaciais com probabilidades de impactar com o nosso planeta.

Além de fazer parte da lista de riscos, o SU3 2019 também surge na lista de prioridades da ESA, o que significa que a agência espacial está a monitorizar de perto a sua trajectória, adianta o Europa Press. A probabilidade de este asteróide colidir com a Terra é de uma em 147.

O eventual impacto do asteróide com a Terra poderia ocorrer a 16 de Setembro de 2084. Durante esse período, a ESA estima que o asteróide se aproxime do nosso planeta a uma distância de apenas 0.00079 unidades astronómicas ou aproximadamente 118.000 quilómetros de distância.

A esta curta distância, um leve empurrão no asteróide pode enviá-lo facilmente para a Terra. Isto pode acontecer caso o asteróide seja afectado pela atracção gravitacional de planetas próximos.

Segundo a ESA, o SU3 2019 é um asteróide Apollo com uma órbita muito ampla em torno da Terra e do Sol. Ocasionalmente, a órbita deste asteróide cruza-se com a Terra.

À medida que a SU3 2019 completa a sua órbita, passa perto de outros planetas, incluindo Vénus, Mercúrio e Marte. A atracção gravitacional de qualquer um destes planetas pode alterar facilmente a trajectória do asteróide. Quando atinge a vizinhança da Terra, pode já estar em processo de colisão directa com o planeta.

Ainda assim, o asteróide não é suficientemente grande para causar um evento de grande impacto em caso de colisão com a Terra. Dado o seu diâmetro estimado de 14 metros, é muito provável que expluda na atmosfera.

ZAP //

Por ZAP
12 Outubro, 2019

 

2704: “Cavenautas”. Astronautas vivem em cavernas em preparação para futuras viagens espaciais

CIÊNCIA

Seis astronautas, cinco agências espaciais e uma exploração de mundos subterrâneos para ajudar os astronautas a sobreviver noutros planetas. A mais recente aventura da ESA leva uma equipa internacional de astronautas a explorar cavernas, com foco na procura de água.

Seis astronautas de cinco agências espaciais vão colocar em prática o projecto CAVES, que os levará a cavernas terrestres como uma forma de preparação para futuras missões espaciais. Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), a equipa internacional vai aprender técnicas para explorar terrenos, com um foco especial na procura de água.

O CAVES tem também como objectivo melhorar as capacidades de comunicação dos astronautas, nomeadamente no que diz respeito à resolução de problemas e trabalho em equipa.

A primeira caverna explorada pela equipa mora na Eslovénia. Lá, os astronautas vão viver e trabalhar durante seis dias, naquela que é a “simulação mais próxima possível de um planeta com restrições ambientais, psicológicas e logísticas”, explica Loredana Bessone, envolvida no projecto. “O treino envolve ciência real, operações reais e astronautas reais com os melhores espeleólogos do sector”, acrescenta a especialista, citada pelo CanalTech.

Alexander Gerst, da ESA; Joe Acaba e Jeanette Epps, da NASA; Nikolai Chub, da Roscosmos; Josh Kutryk, da agência espacial do Canadá; e Takuya Onishi, da JAXA, pisaram a caverna eslovena, pela primeira vez, no dia 20 de Setembro, e montaram um acampamento para passar seis dias neste ambiente subterrâneo, na companhia de uma equipa de instrutores e de segurança.

No entanto, apesar de não estarem sozinhos, cabe-lhes a tomada de decisões. Isto significa que os seis astronautas vão trabalhar de forma autónoma e completamente isolados do mundo exterior, de forma a simular ao máximo uma situação do género, mas noutro planeta.

A equipa vai aprender a seguir os fluxos de ar e de água como sinais de novos caminhos a serem percorridos. A caverna escolhida pela ESA para esta edição do CAVES fica numa área onde os rios fluem no subsolo, mas, para manter o elemento da exploração, os próprios astronautas não sabem a localização exacta dessas fontes aquosas.

A entrada da caverna conta com um verdadeiro labirinto de passagens quase que inexploradas pela Humanidade. Além de um treino, os “cavenautas” poderão também ajudar a fazer mais descobertas científicas na caverna.

No solo, o controlo da missão acompanha de perto o progresso da equipa, através de um mapa 3D gerado em tempo real. “Enquanto as agências espaciais se preparam para a exploração da Lua, a ESA está a assumir a liderança em expedições subterrâneas para moldar futuras missões de exploração de cavernas lunares. Ideias sobre como detectar, mapear e explorar cavernas na Lua são bem-vindas”, adianta a ESA.

ZAP //

Por ZAP
24 Setembro, 2019

 

2655: Fotografia de Marte mostra dunas de gelo

CIÊNCIA

A imagem é do pólo norte do ‘Planeta Vermelho’.

© ESA / Roscosmos A imagem é do pólo norte do ‘Planeta Vermelho’.

A Agência Espacial Europeia (ESA) e a agência espacial russa Roscosmos partilharam uma fotografia da superfície do pólo norte de Marte, exibindo o uma estranha textura que parecem ser dunas de neve.

As imagens foram captadas pela câmara CaSSIS que se encontra a bordo da sonda ExoMars Trace Gas Orbiter, com a ESA a explicar que durante o inverno a superfície se encontra coberta por dióxido de carbono gelado. É durante a passagem para a primavera que o gelo se converte em vapor e forma as zonas mais escuras.

Por muito interessante que seja a explicação, a imagem serve para reforçar ideia que há paisagens variadas no ‘Planeta Vermelho’ muito além da conhecida superfície arenosa.

msn notícias
17/09/2019

 

2652: Hubble explora a formação e evolução dos enxames estelares na Grande Nuvem de Magalhães

CIÊNCIA

Imagem de NGC 1466, uma “bola” antiga e brilhante de estrelas, pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA. É um enxame globular – uma colecção de estrelas todas mantidas juntas pela gravidade – que está a mover-se lentamente pelo espaço na orla da Grande Nuvem de Magalhães, um dos nossos vizinhos galácticos mais próximos.
NGC 1466 é certamente um objecto extremo. Tem uma massa equivalente a 140.000 sóis e uma idade de mais ou menos 13,1 mil milhões de anos, o que o torna quase tão velho quanto o próprio Universo. Esta relíquia fóssil do Universo primitivo está a cerca de 160.000 anos-luz de distância.
NGC 1466 é um dos cinco enxames na GNM no qual foi medido o nível de evolução dinâmica (ou “idade dinâmica”).
Crédito: ESA/Hubble e NASA

Assim como as pessoas da mesma idade podem variar muito em aparência e forma, o mesmo acontece com colecções de estrelas ou enxames estelares. Novas observações com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA sugerem que a idade cronológica, por si só, não conta a história completa quando se trata da evolução dos aglomerados de estrelas.

Investigações anteriores sobre a formação e evolução de enxames estelares sugeriram que estes sistemas tendem a ser compactos e densos quando se formam, antes de expandirem com o tempo para se tornarem tanto aglomerados grandes como pequenos. Novas observações do Hubble, na Grande Nuvem de Magalhães (GNM), aumentaram a nossa compreensão de como o tamanho dos enxames de estrelas na GNM muda com o tempo.

Os enxames são agregados de muitas (até um milhão) estrelas. São sistemas activos nos quais as interacções gravitacionais mútuas entre as estrelas mudam a sua estrutura ao longo do tempo (mudança conhecida pelos astrónomos como “evolução dinâmica”). Devido a estas interacções, as estrelas mais massivas tendem a “afundar” progressivamente em direcção à região central de um enxame, enquanto as estrelas mais leves podem escapar do sistema. Isto provoca uma contracção progressiva do núcleo do enxame ao longo de diferentes escalas de tempo e significa que os aglomerados estelares com a mesma idade cronológica podem variar muito em aparência e forma devido às diferentes “idades dinâmicas.”

Localizada a quase 160.000 anos-luz da Terra, a GNM é uma galáxia satélite da Via Láctea, que hospeda enxames de estrelas que abrangem uma ampla faixa de idades. Isto difere da nossa própria Via Láctea, que contém principalmente enxames de estrelas mais antigos. A distribuição de tamanhos em função da idade observada para enxames de estrelas na GNM é muito intrigante, pois os aglomerados jovens são compactos, enquanto os sistemas mais antigos têm tamanhos pequenos e grandes.

Verificou-se que todos os enxames, incluindo os da GNM, hospedam um tipo especial de estrelas revigoradas chamadas retardatárias azuis (“blue stragglers” em inglês, assim denominadas devido à sua cor e ao facto da sua evolução “atrasar-se” em relação à das suas vizinhas). Sob certas circunstâncias, as estrelas recebem combustível extra que as faz subir de massa e que as faz aumentar substancialmente de brilho. Isto pode acontecer se uma estrela retira matéria de uma vizinha, ou se colidem.

Como resultado do envelhecimento dinâmico, as estrelas mais massivas “afundam” em direcção ao centro do enxame à medida que fica mais velho, num processo semelhante à sedimentação, chamado “segregação central”. As retardatárias azuis são brilhantes, o que as torna relativamente fáceis de observar, e possuem massas elevadas, o que significa que são afectadas pela segregação central e que podem ser usadas para estimar a idade dinâmica de um aglomerado estelar (isto não quer dizer que todas as estrelas mais massivas e brilhantes dos enxames são retardatárias azuis).

Francesco Ferraro da Universidade de Bolonha, na Itália, e a sua equipa usaram o Telescópio Espacial Hubble para observar retardatárias azuis em cinco velhos enxames de estrelas na GNM, com tamanhos diferentes, e conseguiram classificá-los em termos da sua idade dinâmica.

“Demonstrámos que diferentes estruturas de enxames estelares são devidas a diferentes níveis de envelhecimento dinâmico: têm formas diferentes físicas, apesar de terem nascido no mesmo tempo cósmico. É a primeira vez que o efeito do envelhecimento dinâmico é medido nos enxames da GNM,” diz Ferraro.

“Estes achados apresentam áreas intrigantes para investigações adicionais, pois revelam uma nova e valiosa maneira de ler os padrões observados de aglomerados estelares na Grande Nuvem de Magalhães, fornecendo novas pistas sobre a história da formação de enxames nessa galáxia,” acrescenta a co-autora Barbara Lanzoni.

 

Astronomia On-line
17 de Setembro de 2019

 

2633: Há um buraco negro super-massivo a fazer três refeições por dia

CIÊNCIA

NASA / CXO / CSIC-INTA / G.MINIUTTI ET AL.; DSS
Imagens raio-X do brilho em torno do buraco negro da galáxia GSN 069

No centro da galáxia GSN 069 mora um buraco negro super-massivo que está a consumir grandes quantidades de material num horário regular, a cada nove horas.

Os cientistas já tinham observado dois buracos negros de “massa estelar”, isto é, que pesam aproximadamente 10 vezes a massa do Sol. No entanto, nunca tinham detectado este tipo de comportamento num buraco negro super-massivo.

O buraco negro mora bem no centro da galáxia GSN 069, a 250 milhões de anos-luz da Terra, e contém cerca de 400.000 vezes a massa do Sol. Os cientistas usaram os telescópios espaciais Chandra (NASA) e XMM-Newton (ESA) para concluir que este buraco negro consome, aproximadamente, quatro luas (semelhantes à da Terra) três vezes por dia.

Giovanni Miniutti, do Centro de Astrobiologia da ESA, adiantou em comunicado que o “buraco negro segue um plano nutricional como nunca vimos antes”. “Este comportamento é tão sem precedentes que tivemos de cunhar uma nova expressão para o descrever: erupções quase periódicas de raios-X.”

“Combinando dados dos dois observatórios de raios-X, seguimos as explosões periódicas durante, pelo menos, 54 dias”, explicou Richard Saxton, do Centro Europeu de Astronomia Espacial de Madrid, em Espanha. “Este acompanhamento deu-nos uma oportunidade única de testemunhar o fluxo de matéria num buraco negro super-massivo que acelera e desacelera repetidamente”.

Durante as explosões, a emissão de raios-X torna-se 20 vezes mais brilhante do que durante os momentos de silêncio. A temperatura do gás que cai no buraco negro também aumenta, de meio milhão de graus Celsius durante períodos de silêncio para, aproximadamente, 1,3 milhões durante explosões.

Segundo o Europa Press, os cientistas acreditam que a origem da emissão de raios-X “é uma estrela que o buraco negro quebrou parcial ou completamente e que consume lentamente”, adiantou Margherita Giustini, também do Centro de Astrobiologia da ESA.

“Quanto às repetidas explosões, a história é completamente diferente, cuja origem precisa de ser estudada com novos dados e novos modelos teóricos”.

ZAP //

Por ZAP
14 Setembro, 2019

 

2630: Flashes periódicos e inesperados podem lançar luz sobre a acreção de buracos negros

CIÊNCIA

Uma visão de raios-X do buraco negro activo no núcleo da galáxia distante GSN 069, a cerca de 250 milhões de anos-luz de distância, com base em dados do observatório de raios-X XMM-Newton da ESA. A parte superior da animação mostra as observações reais e o gráfico na parte inferior mostra variações no brilho dos raios-X da fonte em relação ao seu nível “inactivo”.
Esta animação é baseada em quase 40 horas de observações desta fonte, que passa por erupções nunca antes vistas – de nome “erupções quase periódicas”, ou EQPs – a cada nove horas. A sequência foi acelerada para fins de ilustração; cada quadro corresponde a cerca de 3 minutos de tempo real de exposição do XMM-Newton.
Estas erupções foram detectadas pela primeira vez no dia 24 de Dezembro de 2018, quando a fonte aumentou repentinamente de brilho por um factor de 100, e depois voltou aos seus níveis normais numa hora, só para “reacender” novamente nove horas depois.
Embora nunca antes observados, os cientistas pensam que erupções quase periódicas como estas podem ser na realidade comuns no Universo.
Crédito: ESA/XMM-Newton; G. Miniutti & M. Giustini (CAB, CSIC-INTA, Espanha)

O telescópio espacial de raios-X da ESA, XMM-Newton, detectou explosões periódicas nunca antes vistas de radiação de raios-X provenientes de uma galáxia distante que poderão ajudar a explicar alguns comportamentos enigmáticos de buracos negros activos.

O XMM-Newton, o mais poderoso observatório de raios-X, descobriu alguns flashes misteriosos do buraco negro activo no núcleo da galáxia GSN 069, a cerca de 250 milhões de anos-luz de distância. No dia 24 de Dezembro de 2018, a fonte aumentou repentinamente de brilho por um factor de 100, e depois voltou aos seus níveis normais numa hora, só para “reacender” novamente nove horas depois.

“Foi completamente inesperado,” diz Giovanni Miniutti, do Centro de Astrobiologia de Madrid, Espanha, autor principal de um novo artigo publicado anteontem na revista Nature.

“Os buracos negros gigantes piscam regularmente como uma vela, mas as mudanças rápidas e repetidas observadas em GSN 069 a partir do mês de Dezembro são algo completamente novo.”

Outras observações, realizadas com o XMM-Newton bem como com o Observatório de raios-X Chandra da NASA nos meses seguintes, confirmaram que o buraco negro distante ainda mantinha o ritmo, emitindo rajadas quase periódicas de raios-X a cada nove horas. Os investigadores estão a chamar o novo fenómeno de “erupções quase periódicas,” ou EQPs.

“A emissão de raios-X vem de material que está a ser acretado no buraco negro e aquecido no processo,” explica Giovanni.

“Existem vários mecanismos no disco de acreção que podem dar origem a este tipo de sinal quase periódico, potencialmente ligado a instabilidades no fluxo de acreção próximo do buraco negro central.

“Alternativamente, as erupções podem ser devidas à interacção do material do disco com um segundo corpo – outro buraco negro ou talvez o remanescente de uma estrela anteriormente perturbada pelo buraco negro.”

Embora nunca antes observados, Giovanni e colegas pensam que surtos periódicos como estes podem ser na realidade comuns no Universo.

É possível que o fenómeno não tenha sido identificado antes, porque a maioria dos buracos negros nos núcleos de galáxias distantes, com massas de milhões a milhares de milhões de vezes a massa do nosso Sol, são muito maiores do que o buraco negro em GSN 069, que é apenas cerca de 400.000 vezes mais massivo do que o nosso Sol.

Quanto maior e mais massivo o buraco negro, mais lentas as flutuações de brilho que pode exibir, de modo que um típico buraco negro super-massivo entra em erupção não a cada nove horas, mas a cada poucos meses ou anos. Isto tornaria a detecção improvável, pois as observações raramente abrangem períodos de tempo tão longos.

E mais: as EQPs como as encontradas em GSN 069 podem fornecer uma estrutura natural para interpretar alguns padrões intrigantes observados numa fracção significativa de buracos negros activos, cujo brilho parecer variar demasiado depressa para ser facilmente explicado pelos modelos teóricos actuais.

“Conhecemos muitos buracos negros massivos cujo brilho aumenta ou diminui por factores muito elevados em dias ou meses, enquanto esperamos que variem num ritmo muito mais lento,” explica Giovanni.

“Mas se parte desta variabilidade corresponder às fases de subida ou descida de erupções semelhantes às descobertas em GSN 069, então a rápida variabilidade destes sistemas, que parece actualmente inviável, pode ser explicada naturalmente. Novos dados e novos estudos dirão se esta analogia realmente se aplica.”

As erupções quase periódicas avistadas em GSN 069 também podem explicar outra propriedade intrigante observada na emissão de raios-X de quase todos os buracos negros super-massivos brilhantes com acreção: o chamado “excesso suave”.

Consiste na emissão aprimorada a baixas energias de raios-X, e ainda não há consenso sobre o que a provoca, a teoria principal invocando uma nuvem de electrões aquecidos perto do disco de acreção.

Tal como buracos negros semelhantes, o de GSN 069 exibe um excesso de raios-X tão suave durante as explosões, mas não entre as erupções.

“Podemos estar a testemunhar a formação do excesso suave em tempo real, o que poderá esclarecer a sua origem física,” diz o co-autor Richard Saxton da equipa de operações do XMM-Newton no centro de astronomia da ESA na Espanha.

“De momento, não se sabe como a nuvem de electrões é criada, mas estamos a tentar identificar o mecanismo estudando as mudanças no espectro de raios-X de GSN 069 durante as erupções.”

A equipa já está a tentar identificar as propriedades que definem GSN 069, no momento em que as erupções periódicas foram detectadas pela primeira vez, a fim de procurar mais casos de estudo.

“Um dos nossos objectivos imediatos é procurar erupções quase periódicas de raios-X noutras galáxias, para melhor entender a origem física deste novo fenómeno,” acrescenta a co-autora Margherita Giustini do Centro de Astrobiologia de Madrid.

“GSN 069 é uma fonte extremamente fascinante, com potencial para se tornar numa referência no campo da acreção de buracos negros,” diz Norbert Schartel, cientista do projecto XMM-Newton da ESA.

A descoberta não teria sido possível sem as capacidades do XMM-Newton.

“Estas explosões acontecem na parte menos energética da banda de raios-X, onde o XMM-Newton é imbatível. Certamente precisaremos de usar o observatório novamente se quisermos encontrar mais destes tipos de eventos no futuro,” conclui Norbert.

Astronomia On-line
13 de Setembro de 2019

 

2621: Mais de 800 asteróides podem colidir com Terra nos próximos 100 anos

CIÊNCIA

(CC0/PD) Bibbi228 / pixabay

A Agência Espacial Europeia (ESA) estima que existam, anualmente, 878 asteróides na lista dos potencialmente perigosos que podem colidir com o nosso planeta.

A ideia de um enorme asteróide colidir com o planeta Terra pode parecer um enredo de ficção científica, mas, de acordo com a Agência Espacial Europeia (ESA), pode-se tornar realidade.

Segundo o britânico Mirror, a ESA estima que há 878 rochas espaciais que podem esbarrar contra o nosso planeta. “A lista da ESA junta todos os asteróides dos quais temos conhecimento e que têm hipóteses ‘não nulas’ de colidir com a Terra nos próximos 100 anos – destacando que o impacto, sendo bastante improvável, não pode ser excluído.”

Além disso, a ESA adianta que mesmo uma colisão com um asteróide de pequenas dimensões poderia causar “destruições graves”.

Para reduzir o risco de que algo aconteça do futuro, a Agência Espacial Europeia uniu esforços com outros parceiros internacionais, nomeadamente a NASA, em missões de busca destes corpos celestes e no desenvolvimento de tecnologias para desviá-los do seu percurso.

Nos próximos dias, especialistas em defesa planetária vão encontrar-se em várias cidades europeias para coordenar os esforços conjuntos. O primeiro encontro terá lugar em Roma, na Itália, onde os cientistas irão discutir os planos do projecto da NASA – Teste de Redireccionamento de Asteróide Duplo (DART) -, que consiste num impacto cinético no asteróide duplo Didymos B.

Nos dias 12 e 13 de Setembro, os especialistas discutirão em Munique, na Alemanha, a recente passagem de raspão pela Terra, no dia 9 deste mês, do asteróide 2006 QV89 que não tinha sido detectado.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
12 Setembro, 2019

 

2573: Space X recusou mover satélite da Starlink que ia colidir com um outro da ESA

CIÊNCIA

ESA

A Agência Espacial Europeia (ESA) teve que desviar um dos seus satélites meteorológicos para impedir que este colidisse com um outro satélite da Space X. A empresa do multimilionário Elon Musk recusou fazê-lo.

Através do Twitter, a ESA dá conta que o desvio ocorreu na segunda-feira. Em causa estava uma eventual a colisão entre um dos seus satélites e um outro da Space X, que faz parte da “mega-constelação” Starlink, também conhecida como “comboio de satélites”.

“Pela primeira vez, a ESA fez uma manobra para evitar a colisão de um dos nossos satélites com uma ‘mega-constelação’” de satélites da SpaceX, escreveu a ESA.

A agência precisou que a sua equipa de cientistas considerou necessário disparar as hélices do satélite de observação terrestre Aeolus para aumentar a sua altitude, evitando assim a colisão com um dos satélites da empresa de Elon Musk.

Depois de “passar por cima” da Starlink, o satélite voltou à sua trajectória habitual.

Segundo a ESA, citada pelo Público, a SpaceX recusou-se a mover o seu satélite. O jornal tentou, sem sucesso, contactar a ESA e a empresa para obter mais informações.

A ESA recordou que “é muito raro” realizar este tipo de manobras, uma vez que estas são normalmente levadas a cabo para desviar satélites que não estão mais operacionais ou para desviar fragmentos de colisões anteriores. Em 2018, a ESA fez 28 destas manobras manuais para evitar colisões com a sua própria frota de satélites.

The manoeuvre took place about 1/2 an orbit before the potential collision. Not long after the collision was expected, #Aeolus called home as usual to send back its science data – proving the manoeuvre was successful and a collision was indeed avoided

ESA Operations

@esaoperations

It is very rare to perform collision avoidance manoeuvres with active satellites. The vast majority of ESA avoidance manoeuvres are the result of dead satellites or fragments from previous collisions#SpaceDebris

A organização espacial revelou ainda que está a preparar um mecanismo para prevenir estas situações recorrendo a Inteligência Artificial. O objectivo passa por proteger a “sua infra-estrutura espacial” que enfrenta agora mais perigos devido ao aumento do número de satélites em órbita da Starlink.

A “constelação” de Musk foi lançada em maio passado, quando o satélite da ESA já estava em órbita há meses. Contudo, recorda o responsável pelo departamento de resíduos espaciais da ESA, Holger Krag, “não há regras no Espaço”.

“Ninguém fez nada de mal. Não há uma regra que diz que alguém aqui estava primeiro. O espaço não está organizado e acreditamos que precisamos de tecnologia para monitorizar este tráfego”, disse, citado pela Forbes.

A Starlink, que é composta por 60 satélites, foi contestada por vários cientistas na altura em que foi lançada. O astrónomo Alex Parker, que mostrou o seu descontentamento através da sua conta pessoal no Twitter, acredita que, a longo prazo, podem ser vistos mais satélites Starlink a olho nu no céu do que estrelas.

ZAP //

Por ZAP
3 Setembro, 2019

 

Gaia “desembaraça” as “cordas” estelares da Via Láctea

CIÊNCIA

Este diagrama mostra uma visão frontal das “famílias” estelares – enxames (pontos) e grupos co-móveis (linhas grossas) de estrelas – até 3000 anos-luz do Sol, localizado no centro da imagem. O diagrama baseia-se na segunda divulgação de dados da missão Gaia da ESA.
Cada família é identificada com uma cor diferente e compreende uma população de estrelas que se formaram ao mesmo tempo. Tons roxos representam as populações estelares mais antigas, formadas há cerca de mil milhões de anos; os tons azul e verde representam idades intermédias, com estrelas que se formaram há centenas de milhões de anos; os tons laranja e vermelho mostram as populações estelares mais jovens, formadas há menos de cem milhões de anos.
As linhas finas mostram as velocidades previstas de cada grupo estelar nos próximos 5 milhões de anos, com base nas medições do Gaia. A falta de estruturas no centro é um artefacto do método usado para rastrear populações individuais, não devido a uma bolha física.
Um estudo recente usando dados do segundo lançamento do Gaia descobriu quase 2000 enxames não identificados e grupos de estrelas co-móveis e determinou as idades de centenas de milhares de estrelas, tornando possível o rastreamento de “irmãs” estelares e a descoberta dos seus surpreendentes arranjos. O estudo revelou que os mais massivos destes grupos familiares de estrelas podem continuar a mover-se juntas pela Galáxia em configurações longas e semelhantes a cordas milhares de milhões de anos após o nascimento.
Crédito: M. Kounkel & K. Covey (2019)

Um novo estudo de dados da nave Gaia da ESA descobriu que, em vez de sair de casa jovens, como esperado, as “irmãs” estelares preferem ficar juntas em grupos duradouros, semelhantes a cordas.

A exploração da distribuição e da história passada dos residentes estelares da nossa Galáxia é especialmente complexa, pois exige que os astrónomos determinem a idade das estrelas. Isto não é nada trivial, já que estrelas “médias” de massa semelhante, mas idades diferentes, são muito parecidas.

Para descobrir quando uma estrela se formou, os astrónomos devem ao invés olhar para populações de estrelas que se pensa terem-se formado ao mesmo tempo – mas saber quais as estrelas que são irmãs representa um desafio adicional, já que as estrelas não ficam muito tempo nos berços estelares onde se formaram.

“Para identificar quais as estrelas que se formam juntas, procuramos estrelas que se movem da mesma forma, como todas as estrelas que se formaram na mesma nuvem ou enxame se moveriam de maneira semelhante,” diz Marina Kounkel da Western Washington University, principal autora do novo estudo.

“Nós sabíamos de alguns destes grupos estelares em ‘co-movimento’ perto do Sistema Solar, mas o Gaia permitiu-nos explorar a Via Láctea em grande detalhe, a distâncias muito maiores, revelando muitos mais destes grupos.”

Marina usou dados do segundo lançamento do Gaia para rastrear a estrutura e a atividade de formação estelar de uma grande região do espaço em redor do Sistema Solar, e para explorar como isto mudou com o tempo. Este lançamento de dados, divulgado em Abril de 2018, lista os movimentos e posições de mais de mil milhões de estrelas com uma precisão sem precedentes.

A análise dos dados do Gaia, com base num algoritmo de aprendizagem de máquina, descobriu quase 2000 enxames não identificados anteriormente e grupos co-móveis de estrelas que se movem até 3000 anos-luz de distância – aproximadamente 750 vezes a distância até Proxima Centauri, a estrela mais próxima do Sol. O estudo também determinou as idades de centenas de milhares de estrelas, tornando possível o rastreamento de “famílias” estelares e a descoberta dos seus surpreendentes arranjos.

“Cerca de metade destas estrelas encontram-se em configurações longas, semelhantes a cordas, que reflectem características presentes nas suas gigantescas nuvens natais,” acrescenta Marina.

“Geralmente, pensávamos que as estrelas jovens deixavam os seus locais de nascimento apenas alguns milhões de anos depois de se formarem, perdendo completamente os laços com a sua família original – mas parece que as estrelas podem ficar próximas das suas irmãs até alguns milhares de milhões de anos.”

As estruturas em forma de corda também parecem estar orientadas de maneiras particulares em relação aos braços espirais da nossa Galáxia – algo que depende da idade das estrelas dentro de uma corda. Isto é parcialmente evidente para as cordas mais jovens, compreendendo estrelas com menos de 100 milhões de anos, que tendem a estar orientadas num ângulo recto em relação ao braço espiral mais próximo do nosso Sistema Solar.

Os astrónomos suspeitam que as cordas estelares mais antigas devam ter estado perpendiculares aos braços espirais que existiam quando essas estrelas se formaram, que agora foram reorganizadas ao longo dos últimos mil milhões de anos.

“A proximidade e a orientação das cordas mais jovens dos braços espirais actuais da Via Láctea mostram que as cordas mais antigas são um importante “registo fóssil” da estrutura espiral da nossa Galáxia,” diz o co-autor Kevin Covey, também da Western Washington University, no EUA.

“A natureza dos braços espirais ainda é debatida, com o seu veredicto sendo estáveis ou estruturas dinâmicas ainda não definidas. O estudo destas cordas mais antigas ajudar-nos-á a entender se os braços são na maioria estáticos, ou se se movem ou se dissipam e se reformam [no sentido de formar novamente] ao longo de algumas centenas de milhões de anos – aproximadamente o tempo que o Sol leva para completar mais ou menos duas órbitas em torno do Centro Galáctico.”

O Gaia foi lançado em 2013 e tem como missão construir um mapa tridimensional da nossa Galáxia, identificando os locais, movimentos e dinâmicas de aproximadamente 1% das estrelas da Via Láctea, juntamente com informações adicionais sobre muitas destas estrelas. Versões posteriores dos dados do Gaia, incluindo mais dados, e cada vez mais precisos, estão planeadas para a próxima década, fornecendo aos astrónomos as informações necessárias para revelar a história da formação estelar da nossa Galáxia.

“O Gaia é uma missão verdadeiramente inovadora que está a revelar a história da Via Láctea – e das suas estrelas constituintes – como nunca antes,” acrescenta Timo Prusti, cientista do projecto Gaia da ESA.

“Dado que vamos determinar as idades para um número maior de estrelas distribuídas por toda a nossa Galáxia, não apenas daquelas que residem em enxames compactos, vamos estar numa posição ainda melhor para analisar como estas estrelas evoluíram ao longo do tempo.”

Astronomia On-line
30 de Agosto de 2019

 

2543: ESA já sabe qual será a casa dos humanos que colonizarem a Lua: cavernas subterrâneas

CIÊNCIA

(dr) Anton Chikishev / Hebrew University

A Agência Espacial Europeia (ESA) quer que os humanos que, um dia, colonizarem a Lua se abriguem em cavernas subterrâneas.

Enquanto que a superfície da Lua foi explorada, relativamente pouco se sabe sobre o que se esconde abaixo da superfície. A ESA quer explorar sob esta superfície, particularmente os poços que os geólogos planetários sugeriram que poderiam ser causados ​​pelo colapso de tubos de lava quando a lava fluiu sob a superfície há mais de mil milhões de anos.

Os mares lunares – planícies grandes e escuras – foram causados ​​por enormes fluxos de lava basáltica, quase exactamente o mesmo tipo se veria no Hawai, que inundou após impactos de vários tipos de rocha espacial.

“Explorando e mapeando esses tubos poderia fornecer novas informações sobre a geologia da Lua, mas também poderiam ser uma opção interessante como abrigo a longo prazo para futuros visitantes humanos à Lua”, disse Francesco Sauro, director do treinamento de astronauta em geologia planetária da ESA PANGEA em comunicado. “Eles protegem os astronautas da radiação cósmica e micro-meteoritos e, possivelmente, fornecem acesso à água gelada e outros recursos presos no subsolo.”

A agência solicitou ideias sobre como explorar áreas sob os mares lunares e que mais locais essas missões poderiam investigar. A ESA diz que está à procura de ideias para missões além de como aceder e navegar pelas cavernas – por exemplo de que forma poderia ser estabelecido um sistema de comunicação entre as cavernas subterrâneas e o mundo exterior.

“Conceitos de missão podem ser baseados num único rover ou num sistema distribuído de sistemas de satélites, robóticos ou rover que operam juntos”, disse Loredana Bessone, que está a liderar a busca por ideias como chefe de testes de campo analógicos e treino de exploração na ESA. “De qualquer maneira, estamos à procura de sistemas que pousem na superfície lunar, identifiquem e acedam uma caverna e contribuam para a exploração científica da Lua.”

À semelhança da ESA, a Agência Espacial Norte-Americana também está a planear a exploração das cavernas lunares e está a testar o “Moon Diver”, um robô especializado em percorrer os territórios nunca antes analisados do satélite natural da Terra, nos túneis de lava do Havai.

Em 2024, a NASA planeia lançar uma missão para pousar a primeira mulher na Lua como parte do programa de exploração lunar Artemis. Recentemente, revelou detalhes da nave espacial que será usada durante esta missão histórica.

A NASA vai agora trabalhar com empresas privadas para desenvolver a nave espacial. Está a planear enviar duas pessoas do espaço para trabalhar no Pólo Sul da Lua.

Cientistas chineses recentemente publicaram novos planos para um posto robótico no lado oposto da lua para a NASA e a Agência Espacial Europeia, que também está a planear a sua própria “aldeia lunar” no sul lunar.

Pequim anunciou anteriormente planos para lançar uma missão lunar tripulada na próxima década antes da construção de uma base do pólo norte.

Já a Rússia prepara-se para ir à Lua em 2030, 61 anos depois de os EUA terem ganho a corrida lunar à União Soviética, que tinha sido pioneira nas viagens espaciais.

ZAP //

Por ZAP
30 Agosto, 2019

 

2542: Portuguesa Critical Software volta a ajudar a ESA a preparar missões espaciais mais seguras

CIÊNCIA

Com 20 anos de experiência na área, a empresa portuguesa de tecnologia que já trabalhou com a NASA vai agora participar na modernização das directrizes de referência da Agência Espacial Europeia.

Depois de ter participado, em 2006, na criação do guia de Verificação e Validação Independente de Software (ISVV) da Agência Espacial Europeia (ESA), a Critical Software vai agora colaborar com a Rovsing, a empresa de equipamentos para satélites, na modernização das directrizes de referência deste sector.

De acordo com o comunicado feito pela empresa internacional de tecnologia fundada em Portugal, o novo manual vai estabelecer regras relativamente à forma como são levadas a cabo as actividades de ISVV nos sistemas de software da ESA. Embora não sofra alterações desde 2008, o guia vai passar a seguir as normas da European Cooperation for Space Standardization, tendo em conta não só as observações realizadas na área da exploração espacial, mas também os avanços tecnológicos registados no desenvolvimento de software.

Segundo Nuno Pedro Silva, responsável pelo projecto, “na indústria espacial os acidentes podem ter proporções catastróficas”, motivo pelo qual a Critical Software vai trazer os seus 20 anos de experiência na área para garantir que o guia ajude profissionais a criar sistemas cada vez mais seguros.

De acordo com o website da empresa, a ISVV assume uma importância fulcral na preparação de uma missão espacial. Por mais surpreendente que pareça, as naves espaciais não são totalmente testadas antes de serem lançadas, excepto em casos muito particulares, ou então quando se trata de foguetões.

Além do facto de que lançar uma nave apenas para a testar seria economicamente insustentável, dificilmente se conseguem recriar as condições do espaço no nosso planeta. Assim, a ISVV permite aos profissionais independentes e empresas que trabalham na área das actividades espaciais consigam averiguar se o software por eles produzido é seguro.

Sendo uma das primeiras na Europa a disponibilizar serviços de ISVV, a Critical Software teve como primeiros clientes a ESA e a NASA, tendo também participado em mais de 20 missões espaciais.

Sapo Tek
29 Ago 2019 19:20

 

2483: Hubble captou a imagem impressionante do “beijo” de duas galáxias

O Telescópio Espacial Hubble conseguiu fotografar duas galáxias que se “tocaram” pela primeira vez. É um duo conhecido como UGC 2369, e ambos os sistemas serão apenas um… mas daqui a milhões de anos.

Os dois sistemas fotografados pelo telescópio Hubble podem dar pistas do que acontecerá com a nossa Via Láctea.

Hubble captou o beijo entre galáxias

Na impressionante imagem podemos ver a rotação de um ao redor do outro. Isto porque as suas gravidades são atraídas para o fim inevitável: a fusão. Conforme explica a Agência Espacial Europeia (ESA), tudo o que actualmente liga as duas galáxias é uma “ponte fina de gás, poeira e estrelas”.

A maioria das galáxias pertence a um grupo de vários sistemas, nos quais as interacções entre eles são frequentes. E nem sempre acontece de forma violenta ou abrupta. Na verdade, tudo pode ser muito mais subtil, como no caso do UGC 2369. Em muitas ocasiões, o fio invisível da atracção faz com que as galáxias se deformem, com “caudas” e “braços” estendendo-se do centro e transformando-as em formas impressionantes, como é o caso aqui.

This is UGC 2369, seen by NASA/ESA @HUBBLE_space. It’s actually two galaxies interacting, being pulled closer together by their gravitational attraction, in a similar process that will see our galaxy, the Milky Way, collide with the Andromeda galaxy. See http://socsi.in/1myr9 

Via Láctea: Um dia também iremos ser esmagados

As fusões, por outro lado, são muito mais destrutivas, e isso é mais provável de ocorrer especialmente quando as galáxias são semelhantes em tamanho. Esses eventos maiores são menos comuns do que fusões menores, mas acredita-se que a nossa própria galáxia tenha uma colisão “próxima” no futuro.

Neste momento, a Via-Láctea em que vivemos está ocupada esmagando e absorvendo duas galáxias anãs próximas, conhecidas como Sagitário e Cão Maior. Mas um dia, a nossa galáxia pode tornar-se o menu de uma galáxia maior. De facto, os astrónomos estão certos de que a Via Láctea e as galáxias de Andrómeda irão colidir nalgum momento daqui a mil milhões de anos. Exactamente quando poderá ser e como se irá desenvolver ainda está a ser debatido pela comunidade científica.

Embora a fusão UGC 2369 pareça nova, este duo galáctico é considerado num estágio relativamente avançado. Portanto, treinar o olho de Hubble em interacções como esta pode dar-nos uma ideia do destino da nossa própria galáxia.

2481: Aniquilação total para estrelas super-massivas

Impressão de artista da super-nova por instabilidade de pares SN 2016iet.
Crédito: Observatório Gemini/NSF/AURA; ilustração por Joy Pollard

Uma estrela renegada, que explodiu numa galáxia distante, forçou os astrónomos a colocar de lado décadas de investigação e a concentraram-se num novo tipo de super-nova que pode aniquilar completamente a sua estrela-mãe – não deixando nenhum remanescente para trás. O evento de assinatura, algo que os astrónomos nunca haviam testemunhado antes, pode representar o modo pelo qual as estrelas mais massivas do Universo, incluindo as primeiras estrelas, morrem.

O satélite Gaia da ESA notou pela primeira vez a super-nova, conhecida como SN 2016iet, no dia 14 de Novembro de 2016. Três anos de observações intensivas de acompanhamento com uma variedade de telescópios, incluindo o Gemini Norte no Hawaii, o Observatório MMT de Harvard e do Smithsonian, localizado no Observatório Fred Lawrence Whipple em Amado, Arizona, EUA, e os Telescópios Magellan, no Observatório Las Campanas, no Chile, forneceram perspectivas cruciais sobre a distância e a composição do objecto.

“Os dados do Gemini forneceram uma visão mais profunda da super-nova do que qualquer outra das nossas observações,” disse Edo Berger do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica e membro da equipa de investigação. “Isto permitiu-nos estudar SN 2016iet mais de 800 dias após a sua descoberta, quando diminuiu para um centésimo do seu brilho máximo.”

Chris Davis, director de programas na NSF (National Science Foundation), uma das agências patrocinadoras do Gemini, acrescentou: “Estas observações notáveis do Gemini demonstram a importância de estudar o Universo em constante mudança. A procura, nos céus, por eventos explosivos repentinos, a sua observação rápida e, igualmente importante, a sua monitorização ao longo de dias, semanas, meses, e às vezes até anos é fundamental para obter uma visão geral. Daqui a apenas alguns anos, o LSST (Large Synoptic Survey Telescope) da NSF irá descobrir milhares destes eventos e o Gemini está bem posicionado para fazer o trabalho crucial de acompanhamento.”

Neste caso, este olhar profundo revelou apenas uma fraca emissão de hidrogénio na posição da super-nova, evidenciando que a estrela progenitora de SN 2016iet viveu numa região isolada com muito pouca formação estelar. Este é um ambiente invulgar para uma estrela tão massiva. “Apesar de procurarmos, há décadas, milhares de super-novas,” retomou Berger, “esta parece diferente de tudo o que já vimos antes. Às vezes, vemos super-novas que são invulgares num único aspecto, mas que por outro lado são normais; esta é única de todas as maneiras possíveis.”

SN 2016iet tem uma infinidade de excentricidades, incluindo a sua duração incrivelmente longa, grande energia, impressões digitais químicas incomuns e ambiente pobre em elementos mais pesados – para os quais não existem análogos óbvios na literatura astronómica.

“Quando percebemos o quão invulgar era SN 2016iet, a minha reacção foi ‘Whoa – será que está algo horrivelmente errado com os nossos dados?'” disse Sebastian Gomez, também do Centro para Astrofísica e autor principal da investigação. A pesquisa foi publicada na edição de 15 de Agosto da revista The Astrophysical Journal.

A natureza invulgar de SN 2016iet, como revelado pelo Gemini e por outros dados, sugere que começou a sua vida como uma estrela com cerca de 200 vezes a massa do nosso Sol – tornando-se uma das explosões estelares mais massivas e poderosas já observadas. Evidências crescentes sugerem que as primeiras estrelas nascidas no Universo podem ter sido igualmente massivas. Os astrónomos previram que se tais gigantes mantiverem a sua massa durante a sua breve vida (alguns milhões de anos), morrerão como super-novas por instabilidade de pares, que recebe o nome dos pares de matéria-antimatéria formados na explosão.

A maioria das estrelas massivas terminam as suas vidas num evento explosivo que expele matéria rica em metais pesados para o espaço, enquanto o seu núcleo colapsa numa estrela de neutrões ou buraco negro. Mas as super-novas por instabilidade de pares pertencem a outra classe. O núcleo em colapso produz enormes quantidades de raios-gama, levando a uma produção descontrolada de pares de partículas e anti-partículas que, eventualmente, desencadeiam uma explosão termonuclear catastrófica que aniquila toda a estrela, incluindo o núcleo.

Os modelos de super-novas por instabilidade de pares prevêem que ocorrerão em ambientes pobres em metais (termo astronómico para elementos mais pesados do que o hidrogénio e hélio), como em galáxias anãs e no Universo inicial – e a investigação da equipa descobriu exactamente isso. O evento ocorreu a uma distância de mil milhões de anos-luz numa galáxia anã, anteriormente não catalogada, pobre em metais. “Esta é a primeira super-nova em que o conteúdo de massa e metal da estrela está no intervalo previsto pelos modelos teóricos,” disse Gomez.

Outra característica surpreendente é a localização de SN 2016iet. A maioria das estrelas massivas nasce em enxames densos de estrelas, mas SN 2016iet formou-se isolada a cerca de 54.000 anos-luz do centro da sua galáxia anã hospedeira.

“Como uma estrela tão massiva se pode formar em completo isolamento ainda é um mistério,” acrescentou Gomez. “Na nossa vizinhança cósmica local, só conhecemos algumas estrelas que se aproximam da massa da estrela que explodiu e deu origem a SN 2016iet, mas todas vivem em enxames gigantescos com milhares de outras estrelas.” A fim de explicar a longa duração do evento e a sua lenta evolução de brilho, a equipa avança a ideia de que a estrela progenitora expeliu matéria para o seu ambiente circundante a um ritmo de cerca de três vezes a massa do Sol por ano durante uma década antes da explosão estelar. Quando a estrela finalmente se tornou super-nova, os detritos colidiram com este material, alimentando a emissão de SN 2016iet.

“A maioria das super-novas desaparecem e tornam-se invisíveis contra o brilho das suas galáxias hospedeiras em poucos meses. Mas dado que SN 2016iet é tão brilhante e está tão isolada, podemos estudar a sua evolução durante anos,” acrescentou Gomez. “A ideia das super-novas por instabilidade de pares existe há décadas,” disse Berger. “Mas termos, finalmente, o primeiro exemplo observacional que coloca uma estrela moribunda no regime correto de massa, com o comportamento correto, e numa galáxia anã pobre em metais, é um incrível passo em frente.”

Há não muito tempo atrás, não se sabia se tais estrelas super-massivas podiam realmente existir. A descoberta e as observações de acompanhamento de SN 2016iet forneceram evidências claras da sua existência e do potencial para afectar o desenvolvimento do Universo inicial. “O papel do Gemini nesta descoberta surpreendente é significativo,” disse Gomez, “pois ajuda-nos a entender melhor como o Universo primordial se desenvolveu depois da sua ‘idade das trevas’ – quando não ocorreu formação estelar – para formar o esplêndido Universo que vemos hoje.”

Astronomia On-line
20 de Agosto de 2019

 

2478: O Cometa 67p tem companhia. É uma mini-lua

ESA/Rosetta/NavCam

A nave Rosetta não era o único objecto em redor do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko em 2015, de acordo com uma descoberta feita recentemente.

No início deste ano, o astro-fotógrafo espanhol Jacint Roger estava a “passar os olhos” pelas imagens recolhidas pela Rosetta durante a observação do 67P e reparou num pequeno fragmento orbital nos registos do dia 21 de Outubro de 2015, quando a nave estava a cerca de 400 quilómetros do cometa.

Jacint Roger publicou um GIF animado na sua conta do Twitter, em Maio passado, mostrando o movimento deste objecto recém-identificado, que a ESA apelidou de “Churymoon”.

De acordo com a Agência Espacial Europeia, a lua terá apenas cerca de quatro metros de largura e um dia já fez parte do 67P. “A modelagem das imagens da Rosetta indica que este objecto passou as primeiras 12 horas após a sua ejecção num caminho orbital em torno do 67P a uma distância de 2,4 a 3,9 quilómetros do centro do cometa”, refere a equipa da ESA.

Depois disso, “a parte cruzou uma porção do coma, que parece muito brilhante nas imagens, dificultando o seu acompanhamento com precisão; no entanto, observações posteriores no lado oposto do coma confirmam uma detecção consistente com a órbita do objecto, fornecendo uma indicação do seu movimento em torno do cometa até 23 de Outubro de 2015″, explica-se.

Os cometas ejectam constantemente detritos à medida em que se aproximam do Sol. Mas Churymoon é especial: “é provavelmente a maior porção detectada em torno do cometa e será alvo de mais investigações”, garante a ESA.

A Rosetta deixou a Terra em 2004 para perseguir e analisar o cometa 67P, um corpo celeste estudado minuciosamente e que os cientistas acreditam que esconde indícios da génese do nosso Sistema Solar. Só no final de 2014 encontrou o seu alvo e, pouco depois, ejectou a sua pequena Philae que viajou em direcção ao 67P. Esta sonda de menores dimensões captou as primeiras imagens da superfície de um cometa.

Cometas são rochas geladas do sistema solar que normalmente têm órbitas oblongas e, quando se aproximam do Sol, aquecem e emitem gás e poeira para criar um tipo de “coma” (nuvem de poeira e gás que circunda o núcleo de um cometa) atmosférico e, às vezes, uma cauda.

O 67P é um desses exemplos, um objecto de dois lobos medindo até 40,2 quilómetros de diâmetro no seu lóbulo mais longo e 25,7 quilómetros de diâmetro no seu lóbulo mais curto. A sua órbita aproxima-o dos caminhos da Terra e de Júpiter.

A missão Rosetta foi a primeira a pousar um objecto feito por humanos num cometa. A missão também identificou o oxigénio molecular do 67P, o tipo que existe na Terra, que pode remontar ao início do sistema solar.

A jornada de 12 anos que inclui aproximações à Terra, Marte e a dois asteróides antes de chegar ao P67 chegou ao fim em Setembro de 2016.

ZAP //

Por ZAP
20 Agosto, 2019

 

Astrónomos espiam Europa bloqueando estrela distante – graças à missão Gaia

Este “retrato de família” mostra uma composição de imagens de Júpiter, incluindo a sua Grande Mancha Vermelha e as suas quatro maiores luas. De cima para baixo, as luas são Io, Europa, Ganimedes e Calisto. Europa tem quase o mesmo tamanho que a Lua da Terra, enquanto Ganimedes, a maior lua do Sistema Solar, é maior do que o planeta Mercúrio.
Enquanto Io é um mundo vulcanicamente activo, Europa, Ganimedes e Calisto são gelados e podem ter oceanos de água líquida sob a sua crosta. Europa, em particular, pode até abrigar um ambiente habitável.
Júpiter e as suas grandes luas geladas vão ser o foco da missão Juice da ESA. A sonda vai percorrer o sistema joviano durante cerca de três anos e meio, incluindo “flybys” das luas. Também vai entrar em órbita de Ganimedes, a primeira vez que qualquer lua, além da nossa, é orbitada por uma nave espacial.
As imagens de Júpiter, Io, Europa e Ganimedes foram captadas ela sonda Galileo em 1996, enquanto a imagem de Calisto é da passagem rasante da sonda Voyager de 1979.
Crédito: NASA/JPL/DLR

No dia 31 de Março de 2017, a lua de Júpiter Europa passou em frente de uma estrela de fundo – um evento raro que foi capturado pela primeira vez por telescópios terrestres graças aos dados fornecidos pela nave Gaia da ESA.

Anteriormente, só se tinha conseguido observar apenas outras duas luas de Júpiter – Io e Ganimedes – durante um evento como este.

Gaia opera no espaço desde o final de 2013. A missão visa produzir um mapa tridimensional da nossa Galáxia e caracterizar as inúmeras estrelas que chamam a Via Láctea de lar. Tem sido imensamente bem-sucedida até agora, revelando as posições e movimentos de mais de mil milhões de estrelas.

O conhecimento das posições exactas das estrelas que vemos no céu permite que os cientistas determinem quando vários corpos do Sistema Solar parecem passar em frente de uma estrela de fundo a partir de um dado ponto de vista: um evento conhecido como ocultação estelar.

O Gaia não é estranho a tais eventos – o telescópio ajudou os astrónomos a fazer observações únicas da lua de Neptuno, Tritão, enquanto passava em frente de uma estrela distante em 2017, revelando mais sobre a atmosfera e sobre as propriedades da lua.

As ocultações são extremamente valiosas; permitem medições das características do corpo em primeiro plano (tamanho, forma, posição e mais) e podem revelar estruturas como anéis, jactos e atmosferas. Tais medições podem ser feitas a partir do solo – algo que Bruno Morgado (Observatório Nacional do Brasil e LIneA) e colegas aproveitaram para explorar a lua de Júpiter, Europa.

“Nós usámos dados da primeira divulgação de dados do Gaia para prever que, do nosso ponto de vista da América do Sul, Europa passaria em frente de uma estrela brilhante em Março de 2017 – e para prever a melhor localização a partir da qual observar esta ocultação,” disse Bruno, líder da investigação que escreveu um novo artigo que relata as descobertas da ocultação de 2017. O primeiro lançamento de dados do Gaia teve lugar em Setembro de 2016.

“Isto deu-nos uma oportunidade maravilhosa para explorar Europa, já que a técnica fornece uma precisão comparável à das imagens obtidas por sondas espaciais.”

Os dados do Gaia mostraram que o evento seria visível a partir de uma faixa espessa que corta de noroeste a sudoeste toda a América do Sul. Três observatórios localizados no Brasil e no Chile foram capazes de capturar dados – foram tentados um total de oito locais, mas muitos tiveram más condições climatéricas.

De acordo com as medições anteriores, as observações refinaram o raio de Europa para 1561,2 km, determinando precisamente a posição de Europa no espaço e em relação ao seu planeta hospedeiro, Júpiter, e caracterizaram a forma da lua. Ao invés de ser exactamente esférica, Europa é conhecida por ser elipsóide. As observações mostraram que a lua tem 1562 km quando medida exactamente numa direcção (o chamado “semieixo maior” aparente) e 1560,4 km quando medida na direcção perpendicular (o “semieixo menor” aparente).

“É provável que possamos observar muitas mais ocultações como esta das luas de Júpiter em 2019 e 2020,” acrescentou Bruno. “Júpiter está a passar por uma região do céu que tem como fundo o Centro Galáctico, tornando mais provável que as suas luas passem em frente de estrelas brilhantes de fundo. Isto realmente ajudar-nos-ia a definir as suas formas e posições tridimensionais – não apenas para as quatro maiores luas de Júpiter, mas também para as mais pequenas, mais irregulares.”

Usando o segundo catálogo de dados do Gaia, lançado em Abril de 2018, os cientistas prevêem as datas de futuras ocultações de estrelas brilhantes pela lua Europa, Io, Ganimedes e Calisto nos próximos anos, e listam um total de 10 eventos de 2019 a 2021. Os eventos futuros incluem ocultações estelares de Europa (22 de Junho de 2020), Calisto (20 de Junho de 2020 e 4 de maio de 2021), Io (9 e 21 de Setembro de 2019, 2 de Abril de 2021) e Ganimedes (25 de Abril de 2021).

As restantes três já tiveram lugar em 2019, duas das quais – ocultações estelares de Europa (4 de Junho) e Calisto (5 de Junho) – também foram observadas pelos cientistas e para as quais os dados ainda estão em análise.

As próximas ocultações serão observáveis mesmo com telescópios amadores tão pequenos quanto 20 cm a partir de várias regiões do mundo. A posição favorável de Júpiter, com o plano galáctico no fundo, só ocorrerá novamente 2031.

“Os estudos das ocultações estelares permitem-nos aprender mais sobre as luas do Sistema Solar de longe e também são relevantes para futuras missões que visitarão esses mundos,” comentou Timo Prusti, cientista do projecto Gaia da ESA. “Como este resultado mostra, Gaia é uma missão extremamente versátil: não só avança o nosso conhecimento das estrelas, mas também do Sistema Solar mais amplamente.”

Um conhecimento preciso da órbita de Europa ajudará a preparar as missões espaciais que têm este satélite joviano como alvo, como a Juice (JUpiter ICy moons Explorer) da ESA e a Europa Clipper da NASA, que devem ser lançadas na próxima década.

“Estes tipos de observações são extremamente excitantes,” disse Olivier Witasse, cientista do projecto Juice da ESA. “Vai chegar a Júpiter em 2029; ter o melhor conhecimento possível das posições das luas do sistema ajudar-nos-á a preparar para a navegação da missão e à análise de dados futuros, e a planear toda a ciência que pretendemos fazer.

“Esta ciência depende de nós sabermos vários elementos como trajectórias precisas da lua e o conhecimento de quão próxima uma nave espacial chegará a um determinado corpo, de modo que quanto melhor o nosso conhecimento, melhor será esse planeamento – e a subsequente análise de dados.”

Astronomia On-line
30 de Julho de 2019

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2373: Como os buracos negros moldam galáxias

Impressão de artista que mostra como os ventos ultra-rápidos soprados por um buraco negro super-massivo interage com a matéria interestelar na galáxia hospedeira, limpando gás das suas regiões centrais.
Crédito: ESA/ATG medialab

Dados do observatório de raios-X XMM-Newton da ESA revelaram como os buracos negros super-massivos moldam as suas galáxias hospedeiras com ventos fortes que varrem a matéria interestelar.

Num novo estudo, os cientistas analisaram oito anos de observações do XMM-Newton do buraco negro no centro de uma galáxia activa conhecida como PG 1114+445, mostrando como os ventos ultra-rápidos – fluxos de gás emitidos do disco de acreção muito próximo do buraco negro – interagem com a matéria interestelar nas partes centrais da galáxia. Estes fluxos já tinham sido vistos antes, mas o novo estudo identifica claramente, e pela primeira vez, três fases da sua interacção com a galáxia hospedeira.

“Estes ventos podem explicar algumas correlações surpreendentes que os cientistas conhecem há anos, mas que não conseguiam explicar,” disse o autor principal Roberto Serafinelli do Instituto Nacional de Astrofísica de Milão, Itália, que realizou a maior parte do trabalho como parte do seu doutoramento na Universidade de Roma Tor Vergata.

“Por exemplo, vemos uma correlação entre as massas de buracos negros super-massivos e a dispersão de velocidade das estrelas nas partes internas das suas galáxias hospedeiras. Mas não há como tal se deva ao efeito gravitacional do buraco negro. O nosso estudo mostra, pela primeira vez, como estes ventos de buracos negros impactam a galáxia em maior escala, possivelmente fornecendo o elo que faltava.”

Os astrónomos já haviam detectado dois tipos de fluxos nos espectros de raios-X emitidos pelos núcleos activos das galáxias, as densas regiões centrais das galáxias conhecidas por conter buracos negros super-massivos. Os chamados fluxos ultra-rápidos (em inglês “ultra-fast outflows”, ou UFOs), feitos de gás altamente ionizado, viaja a velocidades de até 40% da velocidade da luz e são observáveis nas proximidades do buraco negro central.

Os fluxos mais lentos, conhecidos como absorvedores quentes, viajam a velocidades muito mais baixas, de centenas de quilómetros por segundo, e possuem características físicas semelhantes – como densidade de partículas e ionização – à matéria interestelar circundante. É mais provável que esses fluxos mais lentos sejam detectados a distâncias maiores dos centros das galáxias.

No novo estudo, os cientistas descrevem um terceiro tipo de fluxo que combina características dos dois anteriores: a velocidade de um UFO e as propriedades físicas de um absorvedor quente.

“Nós pensamos que este é o ponto em que o UFO toca a matéria interestelar e varre-a como um limpa-neves,” disse Serafinelli. “Nós chamamos a isto ‘escoamento ultra-rápido de arrasto’ porque o UFO neste estágio está a penetrar na matéria interestelar. É similar ao vento que empurra os barcos no mar.”

Este arrasto acontece a uma distância de dezenas a centenas de anos-luz do buraco negro. O UFO gradualmente empurra a matéria interestelar para longe das partes centrais da galáxia, limpando-a do gás e diminuindo a acreção da matéria em redor do buraco negro super-massivo.

Embora os modelos já tenham previsto antes este tipo de interacção, o estudo actual é o primeiro a apresentar observações reais das três fases.

“Nos dados do XMM-Newton, podemos ver material a distâncias maiores do centro da galáxia que ainda não foi perturbado pelo UFO interno,” disse o co-autor Francesco Tombesi da Universidade de Roma Tor Vergata e do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA. “Também podemos ver nuvens mais próximas do buraco negro, perto do núcleo da galáxia, onde o UFO começou a interagir com a matéria interestelar.”

Esta primeira interacção acontece muitos anos depois do UFO ter deixado o buraco negro. Mas a energia do UFO permite que o buraco negro relativamente pequeno tenha impacto sobre o material muito além do alcance da sua força gravitacional.

De acordo com os cientistas, os buracos negros super-massivos transferem a sua energia para o ambiente circundante através desses fluxos e gradualmente limpam as regiões centrais da galáxia de gás, o que pode então interromper a formação estelar. De facto, as galáxias de hoje produzem estrelas com muito menos frequência do que costumavam nos estágios iniciais da sua formação.

“Esta é a sexta vez que estes fluxos são detectados,” acrescentou Serafinelli. “É tudo ciência muito recente. Estas fases do fluxo já tinham sido observadas separadamente, mas a ligação entre elas não era clara até agora.”

A resolução de energia sem precedentes do XMM-Newton foi fundamental para diferenciar os três tipos de características correspondentes aos três tipos de fluxos. No futuro, com observatórios novos e mais poderosos, como o ATHENA (Advanced Telescope for High ENergy Astrophysics) da ESA, os astrónomos poderão observar centenas de milhares de buracos negros super-massivos, detectando estes fluxos mais facilmente. ATHENA, que será mais de 100 vezes mais sensível do que o XMM-Newton, deverá ser lançado no início da década de 2030.

“A descoberta de uma fonte é excelente, mas o saber que este fenómeno é comum no Universo seria um grande avanço,” comentou Norbert Schartel, cientista do projecto XMM-Newton da ESA. “Mesmo com o XMM-Newton, podemos encontrar mais destas fontes na próxima década.”

Mais dados, no futuro, vão ajudar a desvendar as complexas interacções entre os buracos negros super-massivos e as suas galáxias hospedeiras em detalhe e a explicar a diminuição na formação estelar que os astrónomos observam ter ocorrido ao longo de milhares de milhões de anos.

Astronomia On-line
26 de Julho de 2019

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2337: Gaia começa a mapear a barra da nossa Galáxia

Esta imagem mostra a distribuição de 150 milhões de estrelas na Via Láctea, usando a segunda versão de dados da missão Gaia em combinação com levantamentos ópticos e infravermelhos, com os tons laranja/amarelo indicando uma maior densidade de estrelas. A maioria destas estrelas são gigantes vermelhas. A distribuição é sobreposta a uma visão artística da nossa Via Láctea.
Enquanto a maioria das estrelas estão localizadas mais perto do Sol (a maior mancha laranja/amarela na parte inferior da imagem), uma característica grande e alongada povoada por muitas estrelas também é visível na região central da Galáxia: esta é a primeira indicação geométrica da barra galáctica.
As distâncias das estrelas mostradas neste gráfico, juntamente com a temperatura da sua superfície e extinção – uma medida da quantidade de poeira que existe entre nós e as estrelas – foram estimadas usando o código de computador StarHorse.
Crédito: dados – ESA/Gaia/DPAC, A. Khalatyan (AIP) & equipa StarHorse; mapa galáctico – NASA/JPL-Caltech/R. Hurt (SSC/Caltech)

A primeira medição directa da colecção de estrelas em forma de barra no centro da Via Láctea foi feita combinando dados da missão Gaia da ESA com observações complementares de telescópios terrestres e espaciais.

A segunda versão de dados do satélite de mapeamento estelar, publicada em 2018, tem vindo a revolucionar muitos campos da astronomia. O catálogo sem precedentes contém os brilhos, posições, indicadores de distância e movimentos no céu para mais de mil milhões de estrelas da nossa Via Láctea, juntamente com informações sobre outros corpos celestes.

Por mais impressionante que este conjunto de dados seja, isto é apenas o começo. Embora esta segunda divulgação tenha por base os primeiros 22 meses de investigações do Gaia, o satélite já varre o céu há cinco anos e tem ainda muitos pela frente. Os novos lançamentos de dados planeados para os próximos anos vão melhorar as medições, além de fornecer informações adicionais que nos permitirão mapear a nossa Galáxia e aprofundar a sua história como nunca antes.

Entretanto, uma equipa de astrónomos combinou os dados mais recentes do Gaia com observações infra-vermelhas e ópticas realizadas a partir do solo e do espaço para fornecer uma ante-visão do que os futuros lançamentos do topógrafo estelar da ESA vai revelar.

“Observámos, em particular, dois parâmetros estelares contidos nos dados do Gaia: a temperatura da superfície das estrelas e a ‘extinção’, que é basicamente uma medida da quantidade de poeira que existe entre nós e as estrelas, obscurecendo a sua luz e fazendo com que pareça mais vermelha,” disse Friedrich Anders da Universidade de Barcelona, Espanha, autor principal do novo estudo.

“Estes dois parâmetros estão interligados, mas podemos estimá-los de forma independente, adicionando informações extras obtidas atravessando a poeira com observações infra-vermelhas.”

A equipa combinou o segundo lançamento de dados do Gaia com várias investigações no infravermelho usando um código informático chamado StarHorse, desenvolvido pela co-autora Anna Queiroz e colaboradores. O código compara as observações com modelos estelares para determinar a temperatura da superfície das estrelas, a extinção e uma estimativa melhorada da distância até às estrelas.

Como resultado, os astrónomos obtiveram uma determinação muito mais precisa das distâncias para cerca de 150 milhões de estrelas – em alguns casos, a melhoria é de até 20% ou mais. Isto permitiu que rastreassem a distribuição de estrelas através da Via Láctea para distâncias muito maiores do que o possível só apenas com os dados do Gaia.

“Com o segundo lançamento de dados do Gaia, pudemos testar um raio em torno do Sol de cerca de 6500 anos-luz, mas com o nosso novo catálogo, pudemos estender essa ‘esfera do Gaia’ três ou quatro vezes, alcançando o centro da Via Láctea,” explicou a co-autora Cristina Chiappini do Instituto Leibniz para Astrofísica em Potsdam, Alemanha, onde o projecto foi coordenado.

Lá, no centro da nossa Galáxia, os dados revelam claramente uma característica grande e alongada na distribuição tridimensional das estrelas: a barra galáctica.

“Nós sabemos que a Via Láctea tem uma barra, como outras galáxias espirais barradas, mas até agora só tínhamos indicações indirectas dos movimentos das estrelas e do gás, ou de contagens estelares em levantamentos no infravermelho. Esta é a primeira vez que vemos a barra galáctica no espaço em 3D, com base em medições geométricas de distâncias estelares,” explicou Friedrich.

“Em última análise, estamos interessados na arqueologia galáctica: queremos reconstruir como a Via Láctea se formou e evoluiu e, para isso, precisamos de entender a história de cada um dos seus componentes,” acrescentou Cristina.

“Ainda não está claro como a barra – uma grande quantidade de estrelas e gás que gira em torno do centro da Galáxia – se formou, mas com o Gaia e outros levantamentos futuros nos próximos anos estamos certamente no caminho certo para descobrir isso.”

A equipa está ansiosa pela próxima divulgação de dados do APOGEE-2 (Apache Point Observatory Galaxy Evolution Experiment), bem como por instalações como o 4MOST (4-metre Multi-Object Survey Telescope) no ESO no Chile e o levantamento WEAVE (WHT Enhanced Area Velocity Explorer) do Telescópio William Herschel (WHT) em La Palma, Ilhas Canárias.

A terceira divulgação de dados do Gaia, actualmente planeada para 2021, vai incluir determinações de distância bastante melhoradas para um número muito maior de estrelas, e espera-se que permita o progresso na nossa compreensão da região complexa no centro da Via Láctea.

“Com este estudo, podemos desfrutar de uma amostra das melhorias no nosso conhecimento da Via Láctea que podem ser esperadas a partir de medições do Gaia com a terceira divulgação de dados,” explica o co-autor Anthony Brown da Universidade de Leiden, Holanda, e presidente do Consórcio de Análise e Processamento de Dados do Gaia.

“Estamos a revelar características na Via Láctea que, de outra forma, não podíamos ver: é este o poder do Gaia, que é aprimorado ainda mais em combinação com investigações complementares,” conclui Timo Prusti, cientista do projecto Gaia da ESA.

Astronomia On-line
19 de Julho de 2019

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2261: ESA derrete parte de um satélite para testar “entrada perigosa” na Terra

CIÊNCIA

Um grupo de investigadores colocou uma das partes mais densas de um satélite dentro de um túnel de vento de plasma, com o objectivo de o derreter em nome da Ciência.

Investigadores da Agência Espacial Europeia (ESA) colocaram uma das partes mais densas de um satélite em órbita da Terra num túnel de vento de plasma. O objectivo era derretê-lo para compreender como os satélites ardem durante o processo de reentrada na atmosfera, para minimizar o risco de colocar alguém em perigo na superfície.

Segundo o Science Alert, o teste faz parte da iniciativa Clean Space da ESA e decorreu no Centro Aeroespacial Alemão, em Colónia.

Um magnetotorquer, projectado para interagir magneticamente com o campo magnético da Terra para mudar a orientação do satélite, foi aquecido a vários milhares de graus Celsius dentro do plasma hipersónico.

Tiago Soares, cientista do Clean Space, explicou que toda a equipa observou o comportamento do equipamento em diferentes configurações de fluxo de calor para o túnel de vento de plasma, “de modo a obter mais informações sobre as propriedades dos materiais e a sua capacidade de resistência”. O magnetotorquer “atingiu um fim completo no nível de alto fluxo de calor”, completou.

Teoricamente, o equipamento é completamente queimado assim que mergulha na atmosfera. No entanto, na prática, algumas peças podem chegar à Terra, sendo algumas delas suficientemente grandes para causar danos.

Estudos realizados anteriormente pela agência espacial identificaram alguns elementos dos satélites que são mais propensos a sobreviver ao processo de reentrada, entre eles os magnetotorquers, instrumentos ópticos, propulsores e tanques de pressão, mecanismos que operam painéis solares e giroscópios usados para mudar a direcção de um satélite.

Quer em órbita, quer na Terra, o lixo espacial é uma das grandes preocupações das agências mundiais. Com a entrada de empresas privadas no sector das viagens espaciais, a necessidade de encontrar uma solução para este problema é ainda mais emergente.

Além do espectáculo de uma peça de satélite queimada, o trabalho realizado por esta equipa da ESA mostra que estamos um passo mais perto de encontrar a tal desejada solução.

ZAP //

Por ZAP
2 Julho, 2019

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2235: ESA prepara-se para interceptar pela primeira vez um cometa puro

A Agência Espacial Europeia (ESA) desenvolveu um projecto que visa interceptar um cometa puro – um corpo celeste que nunca passou pelo Sistema Solar -, quando este se aproximar da órbita da Terra em meados de 2028.

A missão, que será composta por três módulos, irá observar de diferentes ângulos um cometa que tem materiais praticamente inalterados desde a sua criação.

Os cientistas pretendem também criar um perfil 3D do corpo celeste, tendo por base informações sobre o seu núcleo, pó e o ambiente do plasma, precisa a ESA numa nota publicada na sua página oficial. O lançamento está previsto para 2028.

Uma vez no espaço, a nave espacial Comet Interceptor ficará a 1,5 milhão de quilómetros da Terra e assumirá um compasso de espera. Depois de um cometa apropriado ser detectado, o corpo será enviado para uma missão de interceptação.

Os cientistas na missão têm como alvo um comenta puro ou um visitante interestelar que se esteja a aproximar do Sistema Solar, semelhante ao Oumuamua: o cometa/asteróide em forma de charuto que foi detectado inesperadamente em 2017.

“Os cometas prísticos ou dinamicamente novos são totalmente desconhecidos e constituem alvos atraentes para a exploração de naves espaciais de curta distância para melhor compreender a diversidade e a evolução dos cometas”, explicou o director de Ciência da NASA, Günther Hasinger, citado no mesmo comunicado.

O projecto, que foi apelidado de Comet Interceptor, é diferente das missões Giotto e Rosetta, uma vez que estes cometas tinham já feito várias aproximações ao Sol, sofrendo, por isso, alterações significativas na sua composição.

“Este tipo de missão inovadora desempenhará um papel importante para complementar o Programa Científico da ESA, segundo o qual se planeia investigar o Universo nas próximas décadas”, concluiu Hasinger.

ZAP //

Por ZAP
26 Junho, 2019

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2216: ESA e NASA testam novo dispositivo para resgatar astronautas incapacitados na Lua

A Lua tornou-se num “must have” para as grandes potências mundiais. Desta forma, assistimos nos últimos anos a acções para recolher mais informações do nosso satélite natural. Além disso, as agências espaciais estão já a traçar metas para voltar a pousar no seu solo. A NASA prometeu lá voltar em breve e, com a ESA, têm protótipos de mecanismos de segurança a aplicar nas missões.

A agência espacial norte-americana e a Agência Espacial Europeia (ESA) estão no fundo do mar a preparar caminhadas no Espaço.

NASA e ESA no fundo do mar a preparar caminhada na Lua

Dadas as semelhanças naturais com a superfície da Lua, o fundo do oceano é o ambiente perfeito para simulações lunares. Assim, as agências espaciais voltam atenções para o habitat subaquático Aquarius no Oceano Atlântico para executar os seus testes.

A ESA tem um protótipo chamado de LESA (Lunar Evacuation System Assembly) que permite que um único astronauta implante a estrutura e levante a sua tripulação incapacitada numa maca móvel antes de trazê-la para um módulo pressurizado. Como resultado, todo o processo de implantação e protecção da sua tripulação na maca deve levar menos de 10 minutos.

Actuais fatos pesam 130 kgs

O equipamento EVA (actividade extra-veicular) que os astronautas usam são volumosas, pesados e não permitem uma ampla gama de movimentos.

Não há como um astronauta levar o seu companheiro de tripulação caído aos ombros, vestindo um fato EVA. O nosso objectivo é trazer todas as acções de resgate para a área de trabalho do astronauta equipado com EVA para garantir um resgate rápido e seguro.

Referiu Hervé Stevenin, chefe de operações de treino espacial e de Neutral Flutuabilidade da ESA.

O LESA pode ser transportado como um carrinho de golfe e colocado perto do astronauta caído para fornecer um mecanismo de elevação e uma maca que é fácil de manobrar. Uma vez que o socorrista usou o dispositivo para levantar o seu companheiro e anexar a maca à parte de trás, este pode activar as rodas da maca e levar o socorrido para um local seguro.

Um protótipo anterior do dispositivo foi testado pelo astronauta da ESA, Pedro Duque, e pelo astronauta da NASA, Kjell Lindgren, em 2017, durante a missão da NASA NEEMO 22.

Segundo informações, os membros da tripulação da NEEMO 23 com outros dois astronautas – a astronauta da ESA Samantha Cristoforetti e a astronauta da NASA Jessica Watkins – colocarão a próxima versão da LESA em teste na Aquarius durante nove dias a partir desta semana.

Christoforetti e a Watkins usarão luvas EVA, que são pressurizadas e limitam a destreza. Entretanto, para simular um ambiente mais realistas, os astronautas vão testar o LESA com o fato espacial EVA.

A ESA tem participado das missões NEEMO da NASA nos últimos oito anos. Com o nosso foco comum em enviar astronautas para explorar a superfície lunar em 2024, testes conjuntos através desta missão do NEEMO 23 abrem caminho para uma potencial cooperação entre a NASA e a ESA.

Referiu Stevenin.

Imagem: ESA
Fonte: ESA
pplware
22 Jun 2019

2165: Asteróide do tamanho de um campo de futebol pode atingir a Terra em Setembro

CIÊNCIA

(dr) Detlev van Ravenswaay

Em Setembro, a Terra tem uma probabilidade de 1 em 7.000 de ser visitada pelo asteróide 2006 QV89. Aliás, há menos probabilidade de ganhar a lotaria do que sermos atingidos pelo objecto celeste – 1 em 100.000.

De acordo com a lista de objectos espaciais da Agência Espacial Europeia (ESA) que poderia colidir com a Terra, a rocha espacial deve visitar-nos em 9 de Setembro de 2019. A lista actualizada em 6 de Junho e, entre os 10 objectos incluídos, o asteróide 2006 QV89 ficou em quarto lugar.

Comparado com o asteróide de dez quilómetros que aniquilou os dinossauros há cerca de 66 milhões de anos, o 2006 QV89 é muito menor, medindo apenas 40 metros de diâmetro. Apesar disso, este asteróide tem o tamanho de um campo de futebol.

A ESA está actualmente a monitorizar o caminho do asteróide, embora ainda seja improvável que a rocha vá realmente atingir a Terra. De acordo com o modelo da agência, o 2006 QV89 está provavelmente a 6,7 ​​milhões de quilómetros do planeta – a Lua está a 384.400 quilómetros de distância.

Este asteróide foi descoberto em 29 de Agosto de 2006 através do Catalina Sky Survey, uma organização sediada num observatório perto de Tucson, no Arizona, quando estava a três mil milhões de quilómetros do nosso planeta. Na realidade, este asteróide até é um visitante frequente da Terra. Após o seu sobrevoo previsto para 2019, espera-se que o objecto volte a passar pelo Planeta Azul em 2032, 2045 e 2062.

A NASA, que rastreia objectos próximos da Terra, emparelhou-se com a ESA no mês passado para publicar informações sobre como o governo e os cientistas deveriam lidar com um ataque real de asteróides.

Um estudo publicado em Março na revista Icarus descobriu que quanto maior o asteróide, mais difícil será explodi-lo. De acordo com um relatório de 2018, há mais de 18 mil objectos próximos da Terra – ou Near Earth Objects (NEO).

Casos de colisão de asteróides com a Terra são raros, mas é conhecido o incidente do ano 1908, o Evento de Tunguska, quando a queda de um meteorito na Rússia provocou uma grande explosão e destruiu 2.000 quilómetros quadrados de floresta.

No ano de 2013, um asteróide destruiu-se, entrando na atmosfera da Terra e os estilhaços do meteorito que caíram provocaram cerca de 2.000 feridos e causaram vários danos na região russa de Chelyabinsk.

ZAP //

Por ZAP
13 Junho, 2019

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2161: Planck não encontra evidências novas de anomalias cósmicas

As anisotropias do fundo cósmico de micro-ondas, observadas pela missão Planck da ESA.
É um instantâneo da luz mais antiga do nosso cosmos, impresso no céu quando o Universo tinha apenas 380.000 anos. Mostra pequenas flutuações de temperatura que correspondem a regiões com densidades ligeiramente diferentes, representando as “sementes” de todas as estruturas futuras: as estrelas e galáxias de hoje.
A primeira imagem da sequência mostra as anisotropias na temperatura da CMB à mais alta resolução obtida pelo Planck. Na segunda, as anisotropias de temperatura foram filtradas para mostrar principalmente o sinal detectado em escalas que rondam os 5º no céu. A terceira imagem da sequência mostra as anisotropias de temperatura filtradas com uma indicação da direcção da fracção polarizada da CMB.
Uma pequena fracção da CMB é polarizada – vibra numa direcção preferida. Este é o resultado do último encontro desta luz com electrões, antes de começar a sua viagem cósmica. Por esta razão, a polarização da CMB retém informação acerca da distribuição da matéria no Universo inicial, e o seu padrão no céu segue o padrão das pequenas flutuações observadas na temperatura da CMB.
Estas imagens são baseadas em dados da divulgação de Legado do Planck, a divulgação final de dados da missão, publicada em Julho de 2018.
Crédito: ESA/Colaboração Planck

O satélite Planck da ESA não encontrou novas evidências para as intrigantes anomalias cósmicas que apareceram no seu mapa de temperatura do Universo. O estudo mais recente não exclui a potencial relevância das anomalias, mas significa que os astrónomos precisam de trabalhar ainda mais duro para entender a origem destas intrigantes características.

Os últimos resultados do Planck vêm de uma análise da polarização da Radiação Cósmica de Fundo em Micro-ondas (CMB – Cosmic Microwave Background) – a luz mais antiga da história cósmica, libertada quando o Universo tinha apenas 380.000 anos.

A análise inicial do satélite, divulgada em 2013, concentrou-se na temperatura dessa radiação no céu. Isto permite que os astrónomos investiguem a origem e evolução do cosmos. Embora tenha confirmado em grande parte a imagem padrão de como o nosso Universo evolui, o primeiro mapa do Planck também revelou uma série de anomalias que são difíceis de explicar dentro do modelo padrão da cosmologia.

As anomalias são características ténues no céu que aparecem em grandes escalas angulares. Não são definitivamente artefactos produzidos pelo comportamento do satélite ou pelo processamento de dados, mas são fracas o suficiente para que possam ser variações estatísticas – flutuações que são extremamente raras, mas não totalmente descartadas pelo modelo padrão.

Alternativamente, as anomalias podem ser um sinal de “nova física”, o termo usado para processos naturais ainda não reconhecidos que estenderiam as leis conhecidas da física.

Para investigar ainda mais a natureza das anomalias, a equipa do Planck analisou a polarização da CMB, que foi revelada após uma análise cuidadosa de dados multi-frequência, desenhada para eliminar fontes de emissão de micro-ondas no plano da frente, incluindo gás e poeira da nossa própria Via Láctea.

Este sinal é a melhor medição, até à data, dos chamados modos-E de polarização da CMB e remonta ao tempo dos primeiros átomos formados no Universo e à libertação da CMB. Foi produzido pela forma como a luz se espalhou através das partículas de electrões pouco antes de os electrões se unirem em átomos de hidrogénio.

A polarização fornece uma visão quase independente da CMB, de modo que se as anomalias também aí aparecessem, isto aumentaria a confiança dos astrónomos de que podem ser provocadas por nova física, em vez de serem falhas estatísticas.

Embora o Planck não tenha sido originalmente construído para se concentrar na polarização, as suas observações foram usadas para criar os mapas mais precisos, até ao momento, da polarização da CMB. Estes foram publicados em 2018, melhorando consideravelmente a qualidade dos primeiros mapas de polarização do Planck, divulgados em 2015.

Quando a equipa do Planck analisou estes dados, não viram nenhum sinal óbvio das anomalias. Na melhor das hipóteses, a análise, publicada a semana passada na revista Astronomy & Astrophysics, revelou algumas pistas fracas de que algumas das anomalias podem estar presentes.

“As medições da polarização do Planck são fantásticas,” diz Jan Tauber, cientista do projecto Planck da ESA.

“No entanto, apesar dos excelentes dados que temos, não vemos nenhum traço significativo de anomalias.”

Assim sendo, isto parece fazer com que as anomalias sejam mais provavelmente acasos estatísticos, mas na verdade não descarta a nova física porque a natureza pode ser mais complicada do que imaginamos.

Até agora, não há hipótese convincente do novo tipo de física que pode estar a provocar as anomalias. Pode ser que o fenómeno responsável só afecte a temperatura da CMB, mas não a polarização.

Deste ponto de vista, apesar da nova análise não confirmar a ocorrência de nova física, coloca importantes restrições sobre ela.

A anomalia mais séria que apareceu no mapa de temperatura da CMB é um deficit no sinal observado em grandes escalas angulares no céu, mais ou menos 5 graus – em comparação, a Lua Cheia abrange cerca de meio grau. Nestas grandes escalas, as medições do Planck são cerca de 10% mais fracas do que o modelo padrão da cosmologia poderia prever.

O Planck também confirmou, com alta confiança estatística, outras características anómalas que haviam sido sugeridas em observações anteriores da temperatura da CMB, como uma discrepância significativa do sinal, como observado nos dois hemisférios opostos do céu, e uma chamada “mancha fria” – uma mancha grande e de baixa temperatura com um perfil de temperatura invulgarmente íngreme.

“Nós dissemos, à época, que a primeira divulgação do Planck testaria as anomalias usando os seus dados de polarização. O primeiro conjunto de mapas de polarização suficiente limpos para este propósito foi lançado em 2018, agora temos os resultados,” diz Krzysztof M. Górski, um dos autores do novo artigo, do JPL da NASA, Caltech, EUA.

Infelizmente, os novos dados não avançaram o debate, pois os resultados mais recentes não confirmam nem negam a natureza das anomalias.

“Temos alguns indícios de que, nos mapas da polarização, poderia haver uma assimetria de potência semelhante à que é observada nos mapas de temperatura, embora permaneça estatisticamente pouco convincente,” acrescenta Enrique Martínez González, também co-autor do artigo, do Instituto de Física da Cantábria em Santander, Espanha.

Embora vá haver uma análise mais profunda dos resultados do Planck, é improvável que produza resultados significativamente novos sobre este tema. O caminho óbvio é progredir para uma missão dedicada especialmente construída e optimizada para estudar a polarização da CMB, mas está pelo menos 10 a 15 anos de distância.

“O Planck deu-nos os melhores dados que teremos, pelo menos, durante uma década,” diz o co-autor Anthony Banday do Instituto de Pesquisa em Astrofísica e Planetologia em Toulouse, França.

Entretanto, o mistério das anomalias continua.

Astronomia On-line
11 de Junho de 2019

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