2155: Afinal, a data em que o Vesúvio destruiu Pompeia pode estar errada

CIÊNCIA

Howard Stanbury / Flickr

A data tradicional da erupção do Monte Vesúvio é a 24 de Agosto de 79, de acordo com registos históricos. O incidente destruiu Pompeia e outros locais na Baía de Nápoles.

Essa data tem sido questionada, no entanto, com base nas roupas pesadas usadas, na presença de algumas frutas e vinhos do outono e numa inscrição em carvão vegetal recuperada no ano passado. Uma análise detalhada dos esqueletos de peixes recuperados de Pompeia é a mais recente evidência neste debate de longa data.

Os romanos antigos tinham uma relação complicada com frutos do mar. Embora muitas pessoas os tenham consumido, especialmente aqueles que viviam perto da costa, esse recurso era mais sazonal e menos confiável do que, por exemplo, a carne de porco.

Muito mais popular foi o molho de peixe fermentado chamado garum, que pode ter sido originalmente criado para preservar o peixe em épocas de abundância. Semelhante ao molho de peixe do leste asiático consumido hoje, garum foi feito de pequenos peixes macerados ao longo de vários meses.

A compreensão arqueológica da criação e composição do garum vem tanto de naufrágios que continham milhares de potes do material, quanto de locais como Pompeia, onde a evidência da produção do condimento foi encontrada na “garum shop” no lado oeste do anfiteatro.

Essa loja produzia 23 ânforas cheias de garum em diferentes estágios de fabricação, e análises arqueológicas sugeriam que cerca de 17 eram feitas de anchovas, pitágeles ou uma mistura dos dois, enquanto o resto era uma miscelânea de arenques, cavalas, atuns e outras espécies. de peixe. Até recentemente, no entanto, não tinha sido feita nenhuma análise detalhada dos esqueletos de peixes.

De acordo com o estudo publicado no International Journal of Osteoarchaeology, Alfredo Carannante, director do departamento de arqueologia mediterrânea do Instituto Internacional de Pesquisa de Arqueologia e Etnologia em Nápoles, detalha a sua análise do conteúdo de uma ânfora. O objectivo de Carannante era determinar as espécies presentes, o tamanho do peixe e a idade à morte, que fornece informações sobre a estação em que foram capturados.

Carannante descobriu que todos os ossos do lote que analisou eram de Spicara smaris, o picarel comum, que geralmente cresce até cerca de 15 centímetros de comprimento e é nativo do Oceano Atlântico, do Mar Mediterrâneo e do Mar Negro.

O picarel de Pompeia tinha sido atirados na ânfora inteiros e não em filetes ou decapitados. O seu pequeno tamanho e os seus anéis de crescimento sugerem que os picarels tinham cerca de um ano de idade quando foram pescados e eram todos do sexo feminino.

A historiadora de alimentos e chef Sally Grainger, especialista em garum, aprecia a análise detalhada de Carannante. Grainger disse, de acordo com a Forbes, que está “particularmente satisfeita por ter destacado o quão inadequado, confuso e superficial o estudo deste material foi até hoje”.

Carannante trouxe à tona a complexidade das descobertas de uma maneira nunca antes feita por outros investigadores e “coloca questões muito importantes sobre a natureza aparentemente incomum do comércio de molhos de peixe em Pompeia”.

O tamanho e o sexo dos peixes podem conter novas pistas sobre a data da famosa erupção. Carannante escreve que “a última camada de crescimento ósseo parece estar bem desenvolvida e ter uma densidade mais leve, revelando que os picarels morreram quando as águas eram mais quentes durante a temporada de verão ou no começo do outono”.

Além disso, sugere que “o estudo da temporada de pesca realizada sobre os restos demonstrou que a captura foi feita no final do verão ou no início do outono quando a água estava mais quente. A comparação dos dados sugere que o período mais provável para a pesca ocorreu na segunda metade do verão ou no início do outono”.

Embora Carannante pondere sobre a sazonalidade do peixe e escreve que a data tradicional de 24 de Agosto coincide bem com os resultados, admite que “não é possível excluir uma data posterior para a destruição vulcânica. Uma data que cai em Outubro também pode ser compatível se os picarels fossem pescados no final do verão e deixados em salmoura durante um mês”.

Carannante “não está directamente interessado em apoiar uma ou outra hipótese” sobre a data, já que a sua investigação sugere que ambas são possíveis. Embora o estudo ofereça uma nova janela para a sazonalidade da erupção vulcânica, o debate sobre a data e a sua importância ainda está em andamento.

ZAP //

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11 Junho, 2019

2111: Humanos antigos testemunharam uma erupção vulcânica na Turquia (e desenharam-na numa rocha)

CIÊNCIA

Um grupo de investigadores internacionais determinou a antiguidade de pegadas pré-históricas encontradas numa camada de cinza anterior à erupção do vulcão Cakallar, localizado em Kula, na Turquia.

De acordo com o comunicado da Universidade de Curtin, na Austrália, cujos especialistas participaram no estudo, junto às “impressões de pés de Kula”, descobertas na década de 1960, foi ainda encontrada uma pintura rupestre que ilustrava a erupção.

Os estudos anteriores estimavam que as pegadas tinham cerca de 250 mil anos, o que sugeria que as testemunhas do fenómeno natural foram os neandertais da época do Plistoceno. Embora, a nova análise, que utilizou dois métodos diferentes – hélio radiogénico e a exposição ao cloro cosmogénico – mostrou que as pegadas eram muito mais jovens.

“As duas abordagens de datação independentes mostraram resultados internamente consistentes e juntos sugerem que a erupção vulcânica foi testemunhada pelo Homo sapiens durante a Idade do Bronze pré-histórica, há 4.700 anos e cerca de 245 mil anos mais tarde do que o originalmente relatado”. disse o investigador Martin Danisik.

O estudo, publicado na revista Quaternary Science Reviews, sugere que os humanos se aproximaram lentamente do vulcão com os seus cães após a primeira erupção, deixando as suas pegadas na camada húmida de cinzas. Quando a actividade vulcânica continuou, a rocha vulcânica enterrou as cinzas e preservou os trilhos.

Estudos anteriores sugeriram, de acordo com o Live Science, que estas pessoas antigas estavam a fugir da erupção. Mas, depois de examinar as distâncias entre os passos, parece que quem os deixou estava a andar a uma velocidade normal.

Além disso, os autores acreditam que os humanos observaram a erupção a uma distância segura, o que, muito provavelmente, torna o Homo sapiens os autores da pintura rupestre próxima.

Segundo Danisik, a pintura “mostra como os seres humanos há 4,7 mil anos eram capazes de retratar processos naturais como uma erupção vulcânica, na sua própria forma artística e com ferramentas e materiais limitados”.

Isto poderá fazer do Homo sapiens o primeiro vulcanólogo do mundo – ou seja, as primeira pessoas a observar e a registar erupções vulcânicas.

ZAP //

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4 Junho, 2019



2090: O Etna voltou a acordar. O maior vulcão da Europa entra em erupção

Orietta Scardino / EPA

O vulcão Etna, situado na região italiana da Sicília, voltou a entrar em erupção esta quinta-feira, com novas fendas abertas na sua face sudeste.

Dois fluxos de lava percorrem algumas centenas de metros no cume do vulcão activo de maior altitude na Europa. A actividade é de intensidade média e caracterizada pela ejecção de cinzas, gases e rochas.

A erupção, no entanto, não afecta as operações no Aeroporto de Catânia, maior cidade dos arredores do Etna. “Estamos no início de uma nova fase eruptiva do Etna, que pode acabar rapidamente ou durar meses”, explicou o director do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV) em Catânia, Eugenio Privitera.

“Os fenómenos estão confinados ao cume do vulcão e não constituem um perigo para centros habitados e pessoas, mas é preciso controlar os fluxos de turistas na zona para sua própria segurança”, acrescentou.

Embora o Etna esteja activo há algum tempo, esta erupção foi significativa, já que foi a erupção do primeiro flanco (lateral), e não a erupção do cume, no Etna por mais de uma década. De acordo com o Programa Global de Vulcanismo da Smithsonian Institution, este paroxismo fazia parte de uma sequência vulcânica prolongada que começou em Setembro de 2013.

Apesar de ser um pouco imprevisível, o Etna está em erupção há anos. Já em Fevereiro deste ano, por exemplo, nuvens de cinzas foram vistas a subir em direcção ao céu a partir de uma série de pequenas explosões do chamado Telhado do Mediterrâneo.

Em Dezembro do ano passado, um sismo de magnitude 4,8 na escala de Richter atingiu a província de Catânia, na Sicília, junto ao monte Etna, fazendo pelo menos dez feridos e provocando alguns danos em edifícios. O sismo ocorreu dois dias depois de o Etna ter entrado em erupção, intensificando a actividade vulcânica na e actividade sísmica na região.

O vulcão do Monte Etna, na parte oriental da Sicília, está a escorregar lentamente para o mar. Um estudo mostrou que há um risco muito maior do que o anteriormente previsto de um colapso originar um tsunami. O Monte Etna está a deslizar para o Mediterrâneo a cerca de três a cinco centímetros por ano.

O Etna é o maior vulcão activo da Europa e um dos vulcões mais activos do mundo. É também a mais alta montanha da Sicília. A extensão total da sua base é de 1190 quilómetros quadrados, com uma circunferência de 140 quilómetros, o que o torna quase três vezes maior que o Vesúvio.

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1 Junho, 2019


1873: Investigadores identificaram os “assassinos” que causaram a maior extinção massiva da Terra

CIÊNCIA

Barcroft / YouTube

Uma equipa de investigadores encontrou fortes evidências de que o evento na história da Terra conhecido como a Grande Mortandade, a maior extinção em massa, foi causada por erupções de vulcões.

As conclusões do estudo, realizado por investigadores da Universidade de Cincinnati, nos EUA, e da Universidade de Geociências da China, foram publicadas a 5 de Abril na revista Nature Communications.

A extinção em massa do Permiano-Triássico, ocorrida há cerca de 250 milhões de anos, terminou com a vida de 95% das espécies marinhas e 70% dos vertebrados terrestres. Hipóteses diferentes ainda estão a ser consideradas e a sua causa exacta ainda não foi esclarecida pela ciência.

De acordo com o portal Science Daily, o grupo de cientistas liderado por Jun Shen encontrou no registo geológico da época um aumento de mercúrio em quase uma dúzia de regiões do mundo, o que, segundo eles, representa evidência de que o cataclismo foi causado por vulcões.

Como explicam, as erupções inflamaram vastos depósitos de carbono, libertando vapor de mercúrio na atmosfera que choveu e acabou nos sedimentos marinhos do planeta.

Os investigadores situam estas erupções no sistema vulcânico das chamadas “armadilhas siberianas”, localizadas na actual Rússia. Esses eventos eram frequentes e duradouros, durando por um período de centenas de milhares de anos e libertando tanto material para o ar que as temperaturas subiram cerca de 10ºC no planeta. O clima mais quente, a chuva ácida e o aquecimento da água foram apontados pelos especialistas como os principais responsáveis pela extinção.

Thomas Algeo diz que os investigadores ainda se estão a perguntar o que foi mais prejudicial. “Criaturas adaptadas a ambientes mais frios não teriam sorte, por isso, o meu palpite é que a mudança na temperatura seria o assassino número 1. Os efeitos seriam agravados pela acidificação e outras toxinas no meio ambiente”, disse.

Além disso, o cientista destacou como um factor importante o facto de as erupções terem ocorrido durante um período prolongado de tempo. “O que importa não é necessariamente a intensidade, mas a duração“, disse Algeo. “Quanto mais tempo passava, mais pressão era exercida sobre o meio ambiente”, concluiu.

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20 Abril, 2019

 

1753: No ano passado, toda a Terra tremeu e ninguém reparou. A culpa foi de uma erupção submarina gigante

David Stanley / Flickr

11 de Novembro de 2018. Um estrondo ricocheteou em redor do mundo. Os humanos não sentiram, mas ficou registado nos sismógrafos. Um artigo sugere que terá sido causado pelo maior evento vulcânico no mar alguma vez registado.

Se a hipótese estiver correta e houver um movimento maciço de magma debaixo do fundo do mar, isso terá implicações para as proximidades de Mayotte e as vizinhas ilhas de Comores, na costa de África.

Mayotte já começou a afundar (cerca de 9 milímetros por mês) e a deslocar-se para leste (16 milímetros por mês) – movimentos que seriam contados com uma câmara subterrânea a ser esvaziada à medida que o magma flui.

“Acreditamos que a crise de 2018 está associada a uma erupção, apesar do facto de que não temos observações directas até agora”, escrevem os investigadores por trás do novo estudo, publicado no EarthArXiv. “Pode ser a erupção no mar com o maior volume alguma vez documentado.”

Com base nas leituras sísmicas feitas na área nos seis meses que antecederam o tremor de Novembro que se espalhou pelo mundo, a equipa sugere que mais de um quilómetro cúbico de magma foi deslocado de um ponto de erupção de cerca de 28 quilómetros abaixo da superfície.

Acredita-se que todo este magma pode não ter atingido o fundo do mar, mas sim fluído para os sedimentos circundantes, com o gás vulcânico a permanecer preso dentro do magma. Isto explicaria porque nada foi observado ainda acima da superfície.

“O evento de 2018 em Mayotte parece mostrar um volume substancial de magma a deixar uma região de armazenamento profunda que, se irrompida, tornaria esta uma das maiores erupções submarinas documentadas” disse o geólogo Samuel Mitchell, da Universidade do Hawai ao Gizmodo.

Enquanto os tremores continuam, os cientistas estão a tentar obter mais instrumentos e equipamentos para a área para ter uma ideia melhor do que realmente está a acontecer. Por enquanto, a ideia de um grande evento vulcânico encaixa bem nos dados existentes.

Ainda há muitas questões não respondidas: porque é que o evento está a acontecer no extremo leste da cadeia de ilhas Comores quando é que as novas ilhas vulcânicas da região estão a oeste? E se o magma permanece preso no subsolo, porque é que cardumes de peixes mortos aparecem na água?

Além disso, o que causou os pulsos de alta frequência que ocorreram ao lado do tremor de baixa frequência em Novembro? Ondas de magma a colidir umas com as outras enquanto uma câmara entra em colapso poderia ser uma explicação, mas até que mais dados da área se tornem disponíveis, é apenas especulação.

Especialistas estão igualmente incertos sobre o que está a causar a actividade vulcânica em primeiro lugar. O sismólogo Stephen Hicks, da Universidade de Southampton, no Reino Unido, disse ao Gizmodo que os movimentos das placas tectónicas, uma região de manto super-aquecido, ou o evento em curso do Leste Africano podem ser responsáveis.

O novo trabalho ainda não foi revisto por pares e os autores por trás dele dizem que outros cenários ainda são possíveis – mas a actividade vulcânica parece encaixar-se no que se sabe até agora.

Ainda é necessária muito mais investigação dos eventos, embora os cientistas pensem que têm uma hipótese promissora. Se mais terremotos estiverem a caminho, as pessoas que vivem em Mayotte – já preocupadas – precisam de estar preparadas.

“Melhorar o conhecimento da distribuição, alinhamento e idades das características vulcânicas offshore, especialmente em torno das ilhas principais, pode levar a uma melhor compreensão do comportamento, evolução e risco relacionado desta área peculiar”.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
23 Março, 2019

 

1297: O super-vulcão de Nápoles pode ter iniciado o seu ciclo mortal de magma

CIÊNCIA

Marta Isabella Reina / Flickr
Os cientistas dizem que o super-vulcão dos Campos Flégreos entrou numa nova fase

O super-vulcão dos Campos Flégreos, próximo da cidade italiana de Nápoles, tem dado indícios de que uma grande erupção pode ocorrer brevemente. De acordo com um novo estudo, o vulcão entrou num novo ciclo de magma, conhecido por preceder as mais devastadores erupções desta zona vulcânica.

Segundo alertaram em 2016 especialistas italianos e franceses, a caldeira vulcânica dos Campos Flégreos, em Nápoles, que poderá ter causado a extinção dos Neandertal, é uma bomba-relógio à espera de explodir na Europa, e pode acordar a qualquer momento.

Num novo estudo agora apresentado, uma equipa de cientistas italianos concluiu que na realidade o mortífero super-vulcão de Nápoles pode já ter iniciado o seu ciclo mortal de magma, que precede potenciais erupções.

“Pensamos que o sistema de encanamentos sub-vulcânicos dos Campos Flégreos está, actualmente, a entrar numa nova fase de construção, podendo potencialmente culminar, num indeterminado ponto no futuro, numa erupção de grande volume”, escreveram os autores no artigo esta semana publicado na Science Advances. 

As descobertas agora publicadas sugerem que super-vulcão dos Campos Flégreos, que se encontra adormecido há quase 500 anos, embarcou num novo ciclo de magma, podendo trazer consequências devastadoras no futuro. No entanto, importa frisar, no plano imediato não há qualquer perigo para os 1,5 milhões de pessoas que vivem na região.

Para chegar a esta conclusão, a equipa de cientistas, liderada pela vulcanologista italiana Francesca Forni, da Universidade Tecnológica de Nanyan, em Singapura, examinou as 23 erupções registadas na história deste super-vulcão.

A mais recente destas erupções, que se estendeu durante oito dias em meados de 1538, pode ter sido grande o suficiente para dar origem a uma nova montanha – apelidada de Monte Nuovo – mas, ainda assim, foi um fenómeno relativamente fraco no rol de todas as erupções nos Campos Flégreos.

Os dois eventos mais notáveis foram a erupção de Campanian Ignimbrite, há cerca de 39 mil anos, e a posterior Neapolitan Yellow Tuff, erupção ocorrida há cerca de 15 mil anos.

Ambas as erupções foram massivas, e prova disso mesmo são as enormes caldeiras que acabaram por formar. Campanian Ignimbrite, por exemplo, dispersou-se por 3,7 milhões de quilómetros quadrados.

Web Gallery of Art / Wikimedia
Os Campos Flégreos, na região de Nápoles, pintura de Michael Wutky, 1780

Novo ciclo de magma no Campi Flegrei

Os cientistas conduziram análises químicas a rochas, minerais e amostras de vidro oriundas das duas grandes erupções acima citadas e, partiram desses dois exemplos para perceber este novo ciclo super-vulcão dos Campos Flégreos. De acordo com o artigo, as condições do magma do vulcão podem estar a entrar novamente na fase de aumento de pressão, que precede potenciais erupções.

“Os nossos dados revelam que a erupção mais recente de Monte Nuovo é caracterizada por magmas altamente diferenciados semelhantes aos que alimentaram a actividade pré-caldeira e as fases iniciais das erupções que a formaram [Campanim Ignimbrite e NYT]”, explicaram os especialistas.

Tendo isto em conta, a equipa sugere que a erupção de Monte Nuovo “é a expressão de uma mudança de estado nas condições de armazenamento do magma através da qual quantidades substanciais de voláteis começam a dissolver-se no reservatório raso”.

Simplificando: o tipo de magma que o Monte Nuovo expeliu – saturado em água e gasoso, sendo também rico em CO2 –, já foi anteriormente visto no desenvolvimento vulcânico de Campi Flegrei, nas suas duas maiores erupções de Campanim Ignimbrite e NYT.

E, por isso, os cientistas acreditam que a mais recente erupção pode ser “sintoma” de que uma maior pode estar a chegar. Contudo, e mesmo uma enorme e destrutiva erupção venha acontecer, seria apenas daqui a muitas centenas (ou até) milhares de anos.

“O super-vulcão dos Campos Flégreos pode manter estas mesmas condições físicas e químicas durante muito tempo”, explicou o co-autor Gianfilippo De Astis, do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia da Itália, em declarações ao New York Times.

Por mais assustador que possa parecer, é importante realizar este tipo de estudos para perceber o comportamento e a evolução do magma, realinhando assim novas técnicas e ferramentas de compreensão.

“Entender o que está a derreter abaixo da superfície é muito importante para nos ajudar a prever os que os vulcões podem fazer no futuro”, explicou à The Verge a vulcanologista Janine Krippner, da Universidade de Concord, que não esteve envolvida na pesquisa.

“Estas erupções realmente massivas têm probabilidade extremamente baixas de ocorrer mas, se acontecer, precisamos de saber o máximo que conseguirmos”, rematou.

Uma ameaça muito maior que os asteróides

Cientistas da agência espacial norte-americana NASA afirmam que a ameaça da possível erupção de um super-vulcão é “substancialmente maior” do que a dos asteróides ou cometas, cuja probabilidade de colidir com o nosso planeta é bastante baixa.

Os 20 super vulcões conhecidos na Terra, entre os quais a caldeira do Parque Yellowstone, nos EUA, e a caldeira vulcânica dos Campos Flégreos, em Itália, explodem em gigantescas erupções de consequências catastróficas, em média, uma vez em cada 100.000 anos.

Estas erupções causam normalmente extinções em massa e lançam o planeta em Invernos vulcânicos que se prolongam por centenas ou milhares de anos – o que se torna um problema para as poucas criaturas que sobrevivem à erupção original.

Mas nem tudo está perdido, porque a NASA tem um plano para salvar a Terra – pelo menos, de uma eventual erupção do super-vulcão de Yellowstone.

ZAP // Live Science / National Geographic

Por ZAP
17 Novembro, 2018

 

1245: A mais profunda erupção vulcânica criou um incrível jardim de vidro

CIÊNCIA

No mais profundo local dos oceanos, sob a Fossa das Marianas, no Pacífico, uma equipa de cientistas descobriu um incrível e vasto “jardim” de vidro vulcânico. 

Esta vasta e extraordinária área é fruto da erupção vulcânica mais profunda até agora conhecida na Terra. O fenómeno geológico ocorreu em 2015, a cerca de 4 a 4,5 quilómetros abaixo do nível médio do mar, relata a revista Frontiers in Earth Science.

Localizada quase na extremidade da Fossa das Marianas, este lugar estende-se por mais de sete quilómetros sobre a região de Mariana Trough, uma bacia em arco no oeste do Pacífico. De acordo com os investigadores, o vidro formou-se como resultado da imediata solidificação do magma ao encontrar fluxos de água fria.

Após a erupção, o calor inicial da lava começa a desaparecer e as correntes trazem várias espécies marinhas para habitar a zona, potenciando a criação de novas espécies, explicou a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOOA)

“Os vulcões submarinos podem ajudar-nos a perceber como funcionam os vulcões terrestres e como influem na composição química dos oceanos, o que pode afectar significativamente os ecossistemas locais”, revelou o geólogo Bill Chadwick, da NOAA.

Por tudo isto, esta é uma oportunidade rara de estudar erupções vulcânicas submarinas, uma vez que, por norma, estas só são descobertas muito depois da erupção ter ocorrido. Até ao momento, apenas 40 fluxos de lava foram detectados.

“É uma especial oportunidade de aprendizagem e nós fomos capazes de encontrá-la”, disse outro dos investigadores, o geólogo Bill Chadwick.

A primeira visita tripulada à Fossa das Marianas, localizada a 11.034 metros de profundidade na fronteira convergente entre as placas tectónicas do Pacífico e das Filipinas, foi realizada pelo norte-americano Don Walsh e pelo suíço Jacques Piccard, em 1960.

Em 2012, o director de cinema James Cameron repetiu a façanha, tornando-se a primeira pessoa a chegar até à zona sozinha.

ZAP // SputnikNews / ScienceAlert

Por ZAP
5 Novembro, 2018

 

1172: Graffiti pode revelar a verdadeira data da erupção que destruiu Pompeia

CIÊNCIA

ElfQrin / wikimedia
Ruínas de Pompeia com o vulcão do Monte Vesúvio ao fundo.

Esta terça-feira, as autoridades italianas anunciaram que a erupção vulcânica que destruiu a cidade romana de Pompeia, em 79 d.C., pode ter acontecido dois meses mais tarde do que pensavam os cientistas.

Até agora, pensava-se que a erupção que tinha soterrado a cidade de Pompeia debaixo de uma chuva de cinzas tinha acontecido a 24 de Agosto de 79 d.C.. No entanto, uma linha escrita em carvão na parede de uma sala investigada por arqueólogos acaba de mudar tudo: afinal, o desastre deve ter acontecido a 17 de Outubro de 79 d.C..

À medida que as escavações avançavam no sítio arqueológico de Pompeia, os cientistas começaram a duvidar da datação inicial, até que encontraram vestígios de romã, nozes e uvas prontas para serem usadas para fazer vinho. Estes vestígios indicavam que o desastre tinha acontecido durante o outono.

Mas o que, até hoje, não passavam de dúvidas, pode ser agora uma confirmação de que esses arqueólogos tinham mesmo razão. O Parque Arqueológico anunciou que os especialistas encontraram uma linha escrita em carvão na parede de uma sala que dizia: “XVI K Nov”, que, em português, significa “16º dia antes do primeiro de Novembro“, ou seja, 17 de Outubro.

Segundo o Observador, esta descoberta vem acentuar as desconfianças dos arqueólogos: afinal, a erupção vulcânica que destruiu Pompeia pode mesmo ter acontecido dois meses depois do calculado pelos cientistas.

De acordo com os especialistas, esta frase foi escrita numa área de uma casa que estava a ser renovada antes da erupção do Vesúvio. Ainda assim, defendem que não terá sido escrita muito antes, porque, como foi escrita em carvão, seria difícil que ela conseguisse sobreviver muito tempo a não ser que fosse preservada pelas cinzas do vulcão.

Apesar de os cientistas não saberem ao certo se a frase foi escrita no dia da catástrofe ou um dia antes, este graffiti indica uma data muito mais aproximada do dia da destruição total de Pompeia.

Alberto Bonisoli, ministro da Cultura, considerou a descoberta de “extraordinária”. “Hoje, com muita humildade, talvez reescrevamos os livros de história, porque datávamos a erupção na segunda metade de Outubro.”

Pompeia foi uma cidade do Império Romano, situada a 22 quilómetros de Nápoles, na Itália, no território do actual município de Pompeia. A antiga cidade foi destruída durante uma grande erupção do vulcão Vesúvio, provocando uma intensa chuva de cinzas e sepultando completamente a cidade.

ZAP //

Por ZAP
19 Outubro, 2018

 

1072: Fonte termal de Yellowstone entra em erupção passados 14 anos

Chuck Martin / Flickr
A fonte termal Ear Spring do Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos

A fonte termal, chamada Ear Spring, situada no Géiser Hill do Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos da América, entrou em erupção no sábado passado, após 14 anos de inactividade.

A actividade térmica no parque tem aumentado nos últimos tempos, mas especialistas afirmam que não há nada a temer.

No dia 15 de Setembro, a fonte, parecida com uma orelha humana, despertou lançando jactos de vapor de água a uma altitude de seis e nove metros, e lançando água a 60 centímetros de altura. Trata-se da primeira erupção deste tamanho desde 1957.

O The Express UK diz que a nova actividade coloca os visitantes em risco, porque a pressão criada no géiser tem enviado detritos e rochas para o céu.

De acordo com funcionários do parque, trata-se da 4ª erupção da fonte nos últimos 60 anos e também da maior altura de jactos de água registada desde 1957, cita a agência AP.

Esta erupção faz parte da recente actividade térmica registada no Géiser Hill, destacou a agência.

ZAP // Sputnik News

Por SN
25 Setembro, 2018

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1021: Cientistas vão largar “ovos de dragão” em vulcões para prever erupções

CIÊNCIA

Cientistas da Universidade de Bristol criaram um sistema de sensores inspirado em “ovos de dragão”. Os “ovos” abrem e analisam todo o ambiente vulcânico assim que é detectado algum tremor.

Subir de mochila às costas um vulcão que mostra sinais de actividade para largar sensores  numa cratera é, no mínimo, uma árdua e perigosa tarefa. E, por essa razão, cientistas britânicos criaram uma maneira de evitar a presença de humanos nesta missão.

Os “ovos de dragão” são pequenas caixas autónomas repletas de sensores inteligentes que podem ser largados bem no centro do vulcão, através do controlo à distância de um quadcopter – um drone composto por 4 rotores.

Caso o vulcão não esteja prestes a entrar em erupção, cada caixa permanece no modo suspenso (stand-by), semelhante ao modo disponível em qualquer computador, consumindo níveis de energia muito baixos.

O comunicado da Universidade de Bristol reivindica para estes “ovos de dragão” o título de “menor consumo de energia em stand-by do mundo”, podendo ficar operacionais por largos meses com uma só carga de bateria.

Os sensores acoplados nos aparelhos despertam e o “ovo” abre assim que é detectado o mais pequeno tremor vulcânico, iniciando o protocolo de registo de valores de temperatura, humidade, frequência e intensidade de vibrações, sendo ainda capazes de analisar a presença de vários gases tóxicos.

Universidade de Bristol
Drone e os ovos de dragão que serão utilizados para analisar vulcões

Os “ovos de dragão” podem ainda trabalhar isoladamente ou em conjunto num sistema interligado em rede e os dados recolhidos pelos sensores podem ser transmitidos em tempo real para uma estação localizada num raio de 10 km do vulcão onde os “ovos de dragão” operam.

Depois de os dados chegarem a essa estação podem ser retransmitidos por satélite para centros de investigação de todo o mundo, onde poderão ser usados em estudos geológicos ou para fornecer alertas sobre erupções iminentes.

“Esta é a primeira vez que um sistema autónomo que usa tecnologia de escuta de zero energia foi implementado neste tipo de ambiente hostil”, afirmou Yannick Verbelen, investigador associado do departamento de física da Universidade de Bristol.

O grande desafio pela frente desta tecnologia é a optimização do design para atender a diferentes critérios e situações.

Os “ovos de dragão” terão de ser leves o suficiente para o drone os suportar, terão de ser capazes de aguentar condições extremas, e ainda extremamente eficientes no consumo de energia visto que, dentro de um vulcão, a sua manutenção é impossível.

Mas desengane-se quem pense que estes “ovos de dragão” têm apenas a função de vigiar vulcões. As capacidades demonstradas por estes dispositivos fazem deles mais valias capazes de ser utilizados noutros âmbitos: em glaciares, falhas geológicas, locais de armazenamento de lixo nuclear e outros locais que demonstrem algum tipo de perigo.

A tecnologia desenvolvida já foi testada no vulcão Stromboli, em Itália, e os resultados positivos permitiram à tecnologia começar a ser desenvolvida com propósitos comerciais.

Por ZAP
14 Setembro, 2018

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627: Falhou o aviso de emergência? Mortes na Guatemala sobem para 99

Erupção aconteceu no domingo | REUTERS /Carlos Jasso

Oposição pede investigação ao presidente da agência de emergência para perceber se houve negligência no aviso das populações

O vulcão Fogo já matou 99 pessoas. À medida que o número de vítimas da erupção de domingo no sul da Guatemala sobe, começa a procurar-se se há responsáveis pela dimensão que a tragédia assumiu. A oposição guatemalteca parece acreditar que sim e aponta já o dedo ao presidente da agência de resposta a emergência (Conred).

Segundo argumenta Mario Teracena, uma figura respeitada da oposição, o governo devia investigar se houve negligência criminal, por atraso no aviso às populações, escreve a BBC.

Isto porque os peritos em vulcanologia terão avisado os responsáveis do Conred para a necessidade de evacuar a área próxima do vulcão Fogo, nas primeiras horas de domingo, devido ao aumento da actividade sísmica e e o aumento de fluxos de matéria vulcânica.

A questão é que a Conred não agiu de imediato e justifica-se que os peritos não foram conclusivos o suficiente para a necessidade de accionarem os mecanismos de evacuação em massa.

Das 99 vítimas mortais, 28 foram já identificadas, anunciou esta quinta-feira o Instituto Nacional de Ciências Forenses.

Erupções subsequentes e as altas temperaturas das rochas e lama têm dificultado as buscas por pessoas que estão desaparecidas.

Mais de 1,7 milhões de pessoas foram afectadas pela erupção do Fogo e mais de 3000 tiveram de ser retiradas das suas casas.

As autoridades calculam que mais de 150 pessoas ainda estão desaparecidas, provavelmente entre os escombros ou soterradas nas suas casas.

Diário de Notícias
07 DE JUNHO DE 2018 07:28
DN/Lusa

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