2215: As hienas viveram no Árctico na última Era Glacial

CIÊNCIA

(dr) Julius T. Csotonyi
Impressão artística de hienas ancestrais que viviam no Árctico

Durante a última Era Glacial, hienas que esmigalhavam ossos vaguearam no Árctico canadiano, satisfazendo os seus desejos de carne caçando renas, cavalos e carcaças de mamutes.

A grande descoberta de que as hienas antigas viviam no Árctico norte-americano é baseada em dois pequenos dentes, encontrados por arqueólogos no território de Yukon, no norte do Canadá. Os dois dentes preenchem um buraco no registo fóssil.

Os investigadores já tinham evidências de que a hiena do tamanho de um lobo conhecida como Chasmaporthetes vivia na Mongólia e – depois de cruzar a ponte terrestre do Estreito de Bering – Kansas e centro do México. Os novos dentes mostram onde os Chasmaporthetes moravam entre esses dois lugares: a 6.500 quilómetros do Velho Mundo, na Mongólia, e quatro mil quilómetros ao norte do Kansas.

O Chasmaporthetes conseguiu adaptar-se a todos os tipos de ambientes, segundo disse Jack Tseng, paleontólogo de vertebrados da Universidade de Buffalo, em Nova Iorque, à Live Science.

Os arqueólogos encontraram os dois dentes fósseis nos anos 1970, num sítio conhecido como Old Crow Basin. Mas ninguém publicou estudos sobre os dentes, que se arrastaram duranre décadas nas colecções do Museu Canadiano da Natureza em Ottowa, Ontário.

Tseng só soube da existência dos dentes através do boca a boca. Intrigado, conduziu o seu carro seis horas de Buffalo para Ottawa em Fevereiro. Os dentes, um molar e pré-molar, eram tão distintos, que “nos primeiros 5 minutos, tinha certeza de que eram Chasmaporthetes”, disse.

Quando a maioria das pessoas pensa em hienas, imaginam os carnívoros que vagueiam pela África actualmente. Mas as hienas surgiram na Europa ou na Ásia há cerca de 20 milhões de anos. Só mais tarde chegaram a África e um número ainda menor atravessou a ponte de terra do Estreito de Bering para a América do Norte.

De acordo com o estudo publicado na revista Open Quaternary, estes dentes são desafiadores porque foram encontrados na curva interna de um rio – o que significa que a corrente os levou para longe do seu local de repouso original. Mas com base na geologia da bacia, os dentes têm entre 1,4 e 850 mil anos. Esses dentes não são das hienas mais velhas da América do Norte. Esse prémio vai para os fósseis de hiena de 4,7 milhões de anos encontrados no Kansas.

As hienas antigas nunca se depararam com um humano. Os animais extinguiram-se na América do Norte entre um milhão e 500.000 anos atrás, muito antes de os humanos chegarem às Américas. Não se sabe a razão para o desaparecimento destas hienas, mas é possível que outros carnívoros vorazes da idade do gelo, como o cão (Borophagus), Urso gigante de cara curta (Arctodus) ou canídeo semelhante a um cão de caça (Xenocyon) tenham assumido os seus habitats e os superaram em busca de presas.

Hoje, existem apenas quatro espécies vivas de hiena. Dado que Chasmaporthetes era um triturador de ossos, provavelmente desempenhou um grande papel na eliminação de carcaças na antiga América do Norte.

ZAP //

Por ZAP
22 Junho, 2019

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1746: Cientistas descobrem o que provocou três eras glaciais na Terra

Alex Bradbury

Cientistas estadunidenses calcularam que um evento geológico repetido deu origem às três últimas eras glaciais no nosso planeta, a última das quais ainda mantém o seu gelo nas regiões polares.

Segundo a revista Science, a responsável pela glaciação foi a formação de uma enorme sutura ao nível do mar nas zonas de fricção das placas tectónicas.

Nos últimos 540 milhões de anos houve três ocasiões em que estas “pregas” se formaram, mas apenas em três casos alcançaram o comprimento de mais de 10 mil quilómetros e a formação teve lugar nas regiões tropicais do nosso planeta.

A primeira destas três eras do gelo coincidiu com a colisão de dois paleocontinentes no Ordoviciano Superior (há cerca de 450 milhões de anos) e a segunda aconteceu nas mesmas circunstâncias entre o Permiano e Carbonífero (aproximadamente há 300 milhões de anos). Entre essas eras do gelo e até à terceira (há cerca de 35 milhões de anos) não houve glaciações nem apareceram novas zonas de ruptura nos trópicos.

A última glaciação – que está a chegar ao fim -, segundo esta hipótese, deve-se a uma sutura geológica ainda activa na Indonésia, medindo aproximadamente 10 mil quilómetros de comprimento. Esta região é actualmente uma das zonas mais eficazes do planeta em absorver e eliminar o dióxido de carbono da atmosfera devido à alta presença de ofiolitas, rochas formadas pelo manto superior da crosta oceânica.

“Descobrimos que, cada vez que a zona de sutura dos trópicos chegou ao ponto máximo, aconteceu um evento de glaciação”, resumiu Oliver Jagoutz.

Uma sutura é uma zona de falha ao longo da qual a placa oceânica e a continental chocam. Depois da colisão, geralmente aparece uma cadeia montanhosa de rocha recém-exposta. Várias cadeias, como os Himalaias, ainda contêm alguns troços dessas formações, que ao longo de milénios mudaram a sua posição desde os pontos de colisão originais.

Os investigadores afirmam que conhecem várias zonas que, pelo seu comprimento, poderiam provocar alterações climáticas significativas, mas não causaram porque não se encontram nos trópicos. Além disso, estes fenómenos são ainda responsáveis por pôr fim às eras de glaciação, depois da erosão das rochas chegar a um certo ponto.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
22 Março, 2019

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