2959: Gelo antárctico pode vir a desencadear uma nova era glacial

CIÊNCIA

GRID Arendal / Flickr

As mudanças que estão a ocorrer na Antárctida, com a quebra das suas camadas de gelo e a sua chegada ao mar, podem causar uma descida da temperatura, o que poderia levar a uma nova era glacial. 

Esta é a conclusão de uma investigação levada a cabo por cientistas da Universidade de Chiado, nos Estados Unidos, cujos resultados foram publicados na revista científica Nature.

Depois de realizar uma série de simulações computorizadas, os especialistas de Chicago sugeriram que o aumento do gelo no mar alteraria a circulação no oceano, causando assim uma inversão no efeito de estufa, uma vez que os níveis de dióxido de carbono aumentariam na água e diminuiriam no ar.

Malte Jansen, professor da universidade norte-americana e um dos autores do estudo, disse que é fundamental determinar porque é que a Terra passa por ciclos periódicos de eras glaciais, nos quais os glaciares avançam e cobrem o planeta até que recuam – para que isto aconteça, notou, o clima deve passar por grandes mudanças.

“Temos a certeza de que o balanço de carbono entre a atmosfera e o oceano deve ter mudado, mas não sabemos muito bem como ou por que motivo“, explicou Jansen.

Para tentar explicar estas mudanças, descreve a Russia Today, os cientistas desenvolveram um modelo no qual a atmosfera arrefece o suficiente para gerar gelo marinho antárctico.

Jansen sublinhou que o Oceano Antárctico tem um papel fundamental neste sentido, uma vez que pode condicionar “a circulação dos oceanos” e funcionar como uma “cobertura” que impede a troca de dióxido de carbono com a atmosfera.

Alice Marzocchi, especialista do Centro Nacional de Oceanografia do Reino Unido e autora principal do estudo, explicou que se trata de um loop. “À medida que a temperatura desce, menos carbono é libertado para a atmosfera, o que provoca um maior arrefecimento”.

Para Marzocchi, o oceano é “o maior reservatório de carbono em escalas de tempo geológicas” e, por isso, “estudar o seu papel no ciclo do carbono” permite “simular com maior precisão as mudanças ambientais futuras”.

Rios ocultos de água quente estão a derreter o gelo da Antárctida

O gelo antárctico está a ser desestabilizado por rios ocultos e invertidos de água quente que correm por baixo das…

ZAP //

Por ZAP
4 Novembro, 2019

 

2775: Guerra nuclear entre Índia e Paquistão poderia matar 100 milhões e provocar arrefecimento global

AMBIENTE

rclarkeimages / Flickr

Um estudo criado por investigadores mostra como uma guerra entre a Índia e o Paquistão causar a morte de 100 milhões de mortes, ao que se seguiria a fome em massa a nível global à medida e um novo período de arrefecimento no planeta, com temperaturas não vistas desde a última Era Glacial.

Num artigo publicado quarta-feira, citado pelo Raw Story, os cientistas relatam um cenário criado para o ano 2025, no qual militantes atacam o parlamento indiano, matando a maioria dos seus líderes. Nesse mesmo cenário, Nova Deli retalia, enviando tanques para a parte de Caxemira controlada pelo Paquistão.

Temendo ser invadida, Islamabade atinge as forças invasoras com armas nucleares, desencadeando uma troca crescente – que se torna o conflito mais mortal da História – e envia milhões de toneladas de fumo negro e espesso para a atmosfera.

Este cenário projectado pelos investigadores surge num momento de renovadas tensões entre os dois países, que travaram várias guerras pelo território de maioria muçulmana de Caxemira, e que estão a construir arsenais atómicos. Cada país tem já cerca de 150 ogivas nucleares à sua disposição e o número deverá subir para mais de 200 em 2025.

“A Índia e o Paquistão continuam em conflito por Caxemira e todos os meses lemos sobre pessoas a morrer ao longo da fronteira”, disse à AFP o professor de Ciências Ambientais da Rutgers University, Alan Robock, em dos autores do artigo.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, abandonou em Agosto a autonomia da parte da Caxemira controlada por Nova Deli, com o seu homólogo paquistanês, Imran Khan, a avisar que a disputa poderia transformar-se numa guerra nuclear.

Pierre J. / Flickr

O último conflito na fronteira dois países ocorreu em Fevereiro, terminando depois de o Paquistão devolver à Índia o corpo de um piloto abatido.

Arrefecimento catastrófico

Tendo por a população actual e os centros urbanos – que provavelmente seriam alvos -, os investigadores estimaram que até 125 milhões de pessoas poderiam ser mortas se fossem usadas armas de 100 quilotons – seis vezes mais potentes que as bombas lançadas em Hiroshima. Durante a 2.ª Guerra Mundial, foram mortas entre 75 e 80 milhões de pessoas.

A pesquisa constatou que tempestades de fogo em massa desencadeadas pelas explosões das armas nucleares poderiam liberar entre 16 a 36 milhões de toneladas de fuligem (carbono preto) na atmosfera, que se espalhariam pelo mundo em semanas.

Essa fuligem, por sua vez, absorveria a radiação solar, aquecendo o ar e aumentando a fumaça. A luz solar que atinge a Terra diminuiria de 20 a 35%, arrefecendo a superfície de entre dois a cinco graus Celsius e reduzindo a precipitação em 15 a 30%.

A isso se seguiria a escassez mundial de alimentos, com os seus efeitos a persistir durante aproximadamente uma década.

“Espero que nosso trabalho faça as pessoas perceberem que não se podem usar armas nucleares. São armas de genocídio em massa”, indicou ainda Alan Robock à AFP, acrescentando que as evidências do estudo apoiam o Tratado da ONU, de 2017, sobre a Proibição de Armas Nucleares.

TP, ZAP //

Por TP
4 Outubro, 2019

 

2215: As hienas viveram no Árctico na última Era Glacial

CIÊNCIA

(dr) Julius T. Csotonyi
Impressão artística de hienas ancestrais que viviam no Árctico

Durante a última Era Glacial, hienas que esmigalhavam ossos vaguearam no Árctico canadiano, satisfazendo os seus desejos de carne caçando renas, cavalos e carcaças de mamutes.

A grande descoberta de que as hienas antigas viviam no Árctico norte-americano é baseada em dois pequenos dentes, encontrados por arqueólogos no território de Yukon, no norte do Canadá. Os dois dentes preenchem um buraco no registo fóssil.

Os investigadores já tinham evidências de que a hiena do tamanho de um lobo conhecida como Chasmaporthetes vivia na Mongólia e – depois de cruzar a ponte terrestre do Estreito de Bering – Kansas e centro do México. Os novos dentes mostram onde os Chasmaporthetes moravam entre esses dois lugares: a 6.500 quilómetros do Velho Mundo, na Mongólia, e quatro mil quilómetros ao norte do Kansas.

O Chasmaporthetes conseguiu adaptar-se a todos os tipos de ambientes, segundo disse Jack Tseng, paleontólogo de vertebrados da Universidade de Buffalo, em Nova Iorque, à Live Science.

Os arqueólogos encontraram os dois dentes fósseis nos anos 1970, num sítio conhecido como Old Crow Basin. Mas ninguém publicou estudos sobre os dentes, que se arrastaram duranre décadas nas colecções do Museu Canadiano da Natureza em Ottowa, Ontário.

Tseng só soube da existência dos dentes através do boca a boca. Intrigado, conduziu o seu carro seis horas de Buffalo para Ottawa em Fevereiro. Os dentes, um molar e pré-molar, eram tão distintos, que “nos primeiros 5 minutos, tinha certeza de que eram Chasmaporthetes”, disse.

Quando a maioria das pessoas pensa em hienas, imaginam os carnívoros que vagueiam pela África actualmente. Mas as hienas surgiram na Europa ou na Ásia há cerca de 20 milhões de anos. Só mais tarde chegaram a África e um número ainda menor atravessou a ponte de terra do Estreito de Bering para a América do Norte.

De acordo com o estudo publicado na revista Open Quaternary, estes dentes são desafiadores porque foram encontrados na curva interna de um rio – o que significa que a corrente os levou para longe do seu local de repouso original. Mas com base na geologia da bacia, os dentes têm entre 1,4 e 850 mil anos. Esses dentes não são das hienas mais velhas da América do Norte. Esse prémio vai para os fósseis de hiena de 4,7 milhões de anos encontrados no Kansas.

As hienas antigas nunca se depararam com um humano. Os animais extinguiram-se na América do Norte entre um milhão e 500.000 anos atrás, muito antes de os humanos chegarem às Américas. Não se sabe a razão para o desaparecimento destas hienas, mas é possível que outros carnívoros vorazes da idade do gelo, como o cão (Borophagus), Urso gigante de cara curta (Arctodus) ou canídeo semelhante a um cão de caça (Xenocyon) tenham assumido os seus habitats e os superaram em busca de presas.

Hoje, existem apenas quatro espécies vivas de hiena. Dado que Chasmaporthetes era um triturador de ossos, provavelmente desempenhou um grande papel na eliminação de carcaças na antiga América do Norte.

ZAP //

Por ZAP
22 Junho, 2019

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1746: Cientistas descobrem o que provocou três eras glaciais na Terra

Alex Bradbury

Cientistas estadunidenses calcularam que um evento geológico repetido deu origem às três últimas eras glaciais no nosso planeta, a última das quais ainda mantém o seu gelo nas regiões polares.

Segundo a revista Science, a responsável pela glaciação foi a formação de uma enorme sutura ao nível do mar nas zonas de fricção das placas tectónicas.

Nos últimos 540 milhões de anos houve três ocasiões em que estas “pregas” se formaram, mas apenas em três casos alcançaram o comprimento de mais de 10 mil quilómetros e a formação teve lugar nas regiões tropicais do nosso planeta.

A primeira destas três eras do gelo coincidiu com a colisão de dois paleocontinentes no Ordoviciano Superior (há cerca de 450 milhões de anos) e a segunda aconteceu nas mesmas circunstâncias entre o Permiano e Carbonífero (aproximadamente há 300 milhões de anos). Entre essas eras do gelo e até à terceira (há cerca de 35 milhões de anos) não houve glaciações nem apareceram novas zonas de ruptura nos trópicos.

A última glaciação – que está a chegar ao fim -, segundo esta hipótese, deve-se a uma sutura geológica ainda activa na Indonésia, medindo aproximadamente 10 mil quilómetros de comprimento. Esta região é actualmente uma das zonas mais eficazes do planeta em absorver e eliminar o dióxido de carbono da atmosfera devido à alta presença de ofiolitas, rochas formadas pelo manto superior da crosta oceânica.

“Descobrimos que, cada vez que a zona de sutura dos trópicos chegou ao ponto máximo, aconteceu um evento de glaciação”, resumiu Oliver Jagoutz.

Uma sutura é uma zona de falha ao longo da qual a placa oceânica e a continental chocam. Depois da colisão, geralmente aparece uma cadeia montanhosa de rocha recém-exposta. Várias cadeias, como os Himalaias, ainda contêm alguns troços dessas formações, que ao longo de milénios mudaram a sua posição desde os pontos de colisão originais.

Os investigadores afirmam que conhecem várias zonas que, pelo seu comprimento, poderiam provocar alterações climáticas significativas, mas não causaram porque não se encontram nos trópicos. Além disso, estes fenómenos são ainda responsáveis por pôr fim às eras de glaciação, depois da erosão das rochas chegar a um certo ponto.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
22 Março, 2019

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