3201: A sede do petróleo está a levar os povos indígenas do Equador à extinção

AMBIENTE

Os povos indígenas do Equador estão sob ameaça dos interesses do território em que habitam. Quase metade das reservas equatorianas de petróleo estão debaixo do Parque Nacional Yasuní.

Os interesses dos políticos e dos grandes magnatas é uma força sobrenatural, capaz de derrubar qualquer boa intenção que por vezes possa surgir. Esse é o caso do Parque Nacional Yasuní, no Equador, que tinha como intenção inicial proteger o ambiente e os direitos dos povos indígenas.

Com mais de 10 mil quilómetros quadrados de área, o parque é rico em biodiversidade, mas é também casa para duas tribo indígenas: Tagaeri e Taromenane. Estes dois povos resistiram a todas as tentativas de os integrar na sociedade moderna, mas atravessam agora um desafio como outro nunca antes enfrentado.

O Parque Nacional Yasuní fica por cima de grandes depósitos de petróleo, que segundo o OZY, constituem cerca de 40% das reservas do Equador. Texaco, Petroamazonas, Repsol, Agip e Sinopec são as empresas que constituem o oligopólio que faz a exploração petrolífera em (e ao redor) de Yasuní.

Em 2007, o Governo equatoriano mostrou-se disposto a não avançar com a exploração do petróleo na zona leste do parque. Em troca, pedia 3,6 mil milhões de dólares à comunidade internacional para compensar pelas perdas.

Todos pareciam contentes com a proposta, mas os países que iam doar o dinheiro queriam saber em que é que ele ia ser usado. O então presidente equatoriano, Rafael Correa, recusou-se a responder, alegando que não lhes dizia respeito. Seis anos depois, o plano falhou e os países desistiram da ideia de “indemnizar” o Equador.

Em teoria, o plano tinha tudo para resultar, mas os interesses económicos acabaram por prevalecer. Como consequência, Correa deu luz verde às petrolíferas para começarem a exploração em Yasuní.

Em Fevereiro do ano passado, já com o actual presidente Lenín Moreno no cargo, os equatorianos foram convidados a votar num referendo. Este dava-lhes a hipótese de escolher se queriam aumentar a área de Yasuní que ficaria fora dos limites das petrolíferas, impedindo-as de continuar a explorar esse espaço. Dois terços votaram a favor.

No entanto, paralelamente, o Governo aprovou novos planos para aumentar a exploração em outras zonas de Yasuní. “Isto é uma farsa”, acusou Belén Paez, director da organização ambiental Fundação Pachamama.

Mas nem tudo é um pesadelo e as comunidades indígenas equatorianas conseguiram algumas vitórias contra a indústria petrolífera.

Os Waorani venceram um processo apresentado contra o Estado do Equador por não terem sido consultados antes de perfurarem as suas terras ancestrais. Esta foi uma decisão histórica, já que pode abrir precedentes para outros casos. “O petróleo é um mineral e sustenta o equilíbrio da Terra. Abaixo dele, os espíritos vivem. A terra tem vida”, disse Manari Ushigua, líder dos Sápara.

ZAP //

Por ZAP
15 Dezembro, 2019

 

spacenews

 

‘Yamanasaurus lojaensis’. Nova espécie de dinossauro descoberta no Equador

CIÊNCIA

A criatura terá medido seis metros e vivido na era logo após o período jurássico. Os especialistas encontraram restos de duas vértebras, pedaços de úmero, rádio e tíbia.

Este género de dinossauro é considerado um dos últimos a desaparecer. Os especialistas localizam-no no período Cretáceo
© Twitter

Yamanasaurus lojaensis. É o nome escolhido para a nova espécie de dinossauro, cujos restos fossilizados foram encontrados no Equador. O anúncio foi feito na sexta-feira pela Universidade Técnica Particular da Loja (UTPL), que patrocinou a investigação. Segundo a AFP, trata-se de um titanossauro da era cretáceo (que sucede o período Jurássico).

“Um primeiro dinossauro para o Equador”, onde nunca tinham sido encontrados fósseis de dinossauros anteriormente, disse Juan Pablo Suárez, um dos responsáveis pela investigação na UTPL. E “resultado de um trabalho de pesquisa em parceria com especialistas da Argentina”, contou, em conferência de imprensa na província de Loja.

🎓UTPL @utpl

🇪🇨#OrgulloUTPL ¡Un invaluable aporte científico para Ecuador y el mundo!

Dpto. Geología y Minas #UTPL, apoyados por equipo argentino, presentan resultados de la investigación científica realizada sobre fósiles en reserva del @INPCEcuador, en #Loja.

http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0195667119303027 

Foi na bacia de Alamor-Lancones, perto da cidade de Yamana, que foram encontrados restos de um esqueleto desarticulado e incompleto, duas vértebras – uma da cauda – e pedaços de úmero, rádio e tíbia. Mas foi em 2018, quando o paleontólogo argentino Sebastián Apesteguía, do Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica (CONICET), chegou ao Equador convidado para uma série de palestras, que tudo começou a ser desvendado.

Quando ali aterrou, mostraram-lhe as peças fossilizadas, para que identificasse se eram de dinossauro. “Foi um choque”, disse. “O material que eles me mostraram é incrível, porque são claramente as duas últimas vértebras sacrais de um titanossauro”, conta.

Federico Kukso @fedkukso

El primer dinosaurios hallado en #Ecuador era de huesos cortos y gruesos.
Todos los huesos de sus vértebras estaban perforados por cámaras de aire que los hacían más livianos.

Federico Kukso @fedkukso

El estudio de los restos del primer #dinosaurio hallado en #Ecuador estuvo a cargo de la Fundación Azara (CONICET – Universidad Maimónides) de Argentina y el Departamento de Geología y Minas e Ingeniería Civil de la Universidad Técnica Particular de Loja, Ecuador.

“Naquele momento não havia dúvida de que era um dinossauro de tamanho médio a pequeno”, com aproximadamente seis metros de comprimento. Só mais tarde é que ele e o seu colega Pablo Gallina, com quem coordenador do estudo, foram “capazes de descobrir exactamente que tipo de titanossauro era”.

Federico Kukso @fedkukso

En Ecuador, un equipo liderado por el paleontólogo Sebastián Apesteguía encontró los restos de un titanosaurio que vivió hace 85 millones de años. Es de un grupo llamado saltasaurinos de pequeño tamaño (hasta 6 metros de largo), robustos y con coraza protectora.

A equipa de investigadores diz que os fósseis correspondem ao período Cretáceo. Por isso, a criatura terá vivido há 85 e 65 milhões de anos e é mesmo considerada uma das últimas a aparecer.

Diário de Notícias
08 Dezembro 2019 — 18:35

spacenews

 

664: O maior órgão de tubos do mundo? Chama-se Cotopaxi. É um vulcão

Cientistas monitorizaram o vulcão
| Silvia Vallejo Vargas /Insituto Geofisico of the Escuela Politecnica Nacional (Quito, Ecuador)

Sim, os vulcões também fazem música, e ela pode ajudar a monitorizar a sua actividade e a perceber quando as erupções estão prestes a acontecer, dizem os cientistas

A 90 quilómetros de Quito, a capital do Equador, e muito mais perto de outras pequenas cidades, o Cotopaxi é uma maravilha da natureza… e um risco permanente para as populações. Adormecido durante quase todo o século XX, despertou em 2015, e fez uma pequena demonstração das suas potencialidades. A erupção foi monitorizada por vulcanólogos do país e internacionais e no rescaldo do sobressalto, cujas cinzas chegaram à capital, revelou um dos seus segredos: uma onda sonora, que se assemelha a uma respiração profunda, como o som grave de um órgão de tubos.

É isso mesmo que lhe chama o vulcanólogo Jeff Johnson, da Universidade de Boise State, nos Estados Unidos, e o coordenador do estudo publicado na Geophysical Research Letters que dá conta da “melodiosa” descoberta e das suas possibilidades para a ciência. “É o maior órgão de tubos que já encontrámos”, garante Johnson.

Maior, mesmo. De acordo com as medições feitas pela equipa após a erupção de 2015, o solo no interior da cratera do Cotopaxi afundou-se durante esse episódio eruptivo e o seu tubo interno, que tem uns imensos cem metros de diâmetro, passou a cair a pique até à profundidade de 300 metros.

Foi nessa altura, ao fazer o registo do que estava a acontecer no interior da cratera, que os cientistas deram com aquele infra-som (inaudível ao ouvido humano), correspondente a uma onda sonora, que ficou gravada nos instrumentos de observação, com a forma um pouco bizarra de um parafuso. Por isso a equipa de Jeff Johnson lhe chamou isso mesmo, tornillo, ou seja, parafuso, em espanhol.

A onda sonoro em forma de parafuso
Jeff Johnson

O vulcanólogo compara a onda sonora “à porta de um saloon, que alguém empurrou, e que ficou ali a andar para trás e para diante, até acabar por se deter”. Um sinal “de grande beleza”, diz Johnson, sublinhando que “é extraordinário que a natureza possa produzir este tipo de oscilação”.

A melodia do Cotopaxi, que a cada “respiração” se prolongava por 90 segundos naquele seu formato muito geométrico e certinho, “ressoou” uma vez por dia, todos os dias, no interior da cratera durante todo o primeiro semestre de 2016, após a pequena erupção do ano anterior. Depois disso, o vulcão calou-se, e assim tem estado desde então.

O que esteve na origem da “música” do Cotopaxi? Os cientistas não têm a certeza, a não ser que ela teve directamente a ver com a actividade do vulcão. Mas suspeitam que uma de duas coisas terá escrito aquela “partitura”: parte do chão da cratera poderia estar a colapsar nessa altura, o que pode acontecer quando o magma se move sob o vulcão, ou então havia uma explosão em marcha no fundo da cratera. Uma coisa é certa, a cratera do Cotopaxi mudou de formato durante esse período e, portanto, as duas coisas estiveram ligadas, segundo os vulcanólogos.

Dito de outra forma, isto mostra que a geometria das crateras vulcânicas influencia de forma directa a música própria de cada vulcão, e compreender a “assinatura vocal” de cada estrutura vulcânica pode dar pistas para compreender melhor cada uma delas, bem como a sua actividade, dizem os autores. Recomendam por isso, no artigo, que esses sinais sejam também cuidadosamente monitorizados para se estimar com maior aproximação a possibilidade de ocorrência de erupções vulcânicas.

Diário de Notícias
ciência
16 DE JUNHO DE 2018 18:37
Filomena Naves

[vasaioqrcode]

[SlideDeck2 id=1476]

[powr-hit-counter id=683d8ddc_1529193420739]

632: O maior icebergue da Antárctida está prestes a morrer (perto do Equador)

International Space Station / NASA

Depois de quase 20 anos à deriva, o maior icebergue que já se separou da plataforma de gelo Ross da Antárctida está prestes a desaparecer para sempre.

Em Março de 2000, as nossas atenções voltaram-se para a Antárctida para acompanhar o desprendimento do B-15, o maior icebergue já registado na história. As dimensões eram gigantescas: 195 quilómetros de comprimento por 37 quilómetros de largura – cerca de 11 mil quilómetros quadrados de superfície, isto é, pouco maior que a Jamaica.

Agora, quase duas décadas depois, o B-15 está perto do fim. Cientistas da NASA adiantaram que o icebergue viajou mais de 10 mil quilómetros e está agora muito próximo de uma localização perigosa: o Equador.

Imagens de satélite capturadas pela Estação Espacial Internacional (EEI) a 22 de maio confirmam que o maior fragmento do icebergue – B-15Z – está no Atlântico Sul, perto das Ilhas Geórgia do Sul, onde deve derreter por estar em contacto com águas muito mais quentes e tropicais.

Kelly Blunt, glaciologista da NASA, afirma que essas águas quentes vão passar pelo icebergue “como um conjunto de facas”, fazendo-o derreter.

O B-15 começou a fragmentar-se em 2000, depois de se ter desprendido da plataforma de gelo Ross. O maior pedaço, baptizado de B-15A, media 6,4 quilómetros quadrados. No entanto, ao longo dos anos e enquanto era arrastado pelas correntes, o icebergue foi-se fragmentando cada vez mais.

Hoje, apenas quatro pedaços permanecem com uma área suficientemente grande para serem localizados pelo Centro Nacional de Neve e Gelo, ligado à Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos.

O pedaço observado no mês passado, o B-15Z, ainda tem uma área suficientemente grande, mas está a “morrer”, visto que flutua cada vez mais perto do Equador. De acordo com a NASA, os icebergues dissolvem-se rapidamente quando chegam a essa região. Aliás, no centro do B-15Z já é possível observar uma grande fractura.

B-15 vai morrer. Mas os seus fãs podem pelo menos consolar-se, sabendo que, graças às mudanças climáticas, um outro “maior icebergue de todos os tempos” vai, muito provavelmente, desfazer-se em breve.

ZAP // Live Science

Por ZAP
9 Junho, 2018

[vasaioqrcode]

[SlideDeck2 id=1476]

[powr-hit-counter id=a5bb074e_1528537382707]