664: O maior órgão de tubos do mundo? Chama-se Cotopaxi. É um vulcão

Cientistas monitorizaram o vulcão
| Silvia Vallejo Vargas /Insituto Geofisico of the Escuela Politecnica Nacional (Quito, Ecuador)

Sim, os vulcões também fazem música, e ela pode ajudar a monitorizar a sua actividade e a perceber quando as erupções estão prestes a acontecer, dizem os cientistas

A 90 quilómetros de Quito, a capital do Equador, e muito mais perto de outras pequenas cidades, o Cotopaxi é uma maravilha da natureza… e um risco permanente para as populações. Adormecido durante quase todo o século XX, despertou em 2015, e fez uma pequena demonstração das suas potencialidades. A erupção foi monitorizada por vulcanólogos do país e internacionais e no rescaldo do sobressalto, cujas cinzas chegaram à capital, revelou um dos seus segredos: uma onda sonora, que se assemelha a uma respiração profunda, como o som grave de um órgão de tubos.

É isso mesmo que lhe chama o vulcanólogo Jeff Johnson, da Universidade de Boise State, nos Estados Unidos, e o coordenador do estudo publicado na Geophysical Research Letters que dá conta da “melodiosa” descoberta e das suas possibilidades para a ciência. “É o maior órgão de tubos que já encontrámos”, garante Johnson.

Maior, mesmo. De acordo com as medições feitas pela equipa após a erupção de 2015, o solo no interior da cratera do Cotopaxi afundou-se durante esse episódio eruptivo e o seu tubo interno, que tem uns imensos cem metros de diâmetro, passou a cair a pique até à profundidade de 300 metros.

Foi nessa altura, ao fazer o registo do que estava a acontecer no interior da cratera, que os cientistas deram com aquele infra-som (inaudível ao ouvido humano), correspondente a uma onda sonora, que ficou gravada nos instrumentos de observação, com a forma um pouco bizarra de um parafuso. Por isso a equipa de Jeff Johnson lhe chamou isso mesmo, tornillo, ou seja, parafuso, em espanhol.

A onda sonoro em forma de parafuso
Jeff Johnson

O vulcanólogo compara a onda sonora “à porta de um saloon, que alguém empurrou, e que ficou ali a andar para trás e para diante, até acabar por se deter”. Um sinal “de grande beleza”, diz Johnson, sublinhando que “é extraordinário que a natureza possa produzir este tipo de oscilação”.

A melodia do Cotopaxi, que a cada “respiração” se prolongava por 90 segundos naquele seu formato muito geométrico e certinho, “ressoou” uma vez por dia, todos os dias, no interior da cratera durante todo o primeiro semestre de 2016, após a pequena erupção do ano anterior. Depois disso, o vulcão calou-se, e assim tem estado desde então.

O que esteve na origem da “música” do Cotopaxi? Os cientistas não têm a certeza, a não ser que ela teve directamente a ver com a actividade do vulcão. Mas suspeitam que uma de duas coisas terá escrito aquela “partitura”: parte do chão da cratera poderia estar a colapsar nessa altura, o que pode acontecer quando o magma se move sob o vulcão, ou então havia uma explosão em marcha no fundo da cratera. Uma coisa é certa, a cratera do Cotopaxi mudou de formato durante esse período e, portanto, as duas coisas estiveram ligadas, segundo os vulcanólogos.

Dito de outra forma, isto mostra que a geometria das crateras vulcânicas influencia de forma directa a música própria de cada vulcão, e compreender a “assinatura vocal” de cada estrutura vulcânica pode dar pistas para compreender melhor cada uma delas, bem como a sua actividade, dizem os autores. Recomendam por isso, no artigo, que esses sinais sejam também cuidadosamente monitorizados para se estimar com maior aproximação a possibilidade de ocorrência de erupções vulcânicas.

Diário de Notícias
ciência
16 DE JUNHO DE 2018 18:37
Filomena Naves

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632: O maior icebergue da Antárctida está prestes a morrer (perto do Equador)

International Space Station / NASA

Depois de quase 20 anos à deriva, o maior icebergue que já se separou da plataforma de gelo Ross da Antárctida está prestes a desaparecer para sempre.

Em Março de 2000, as nossas atenções voltaram-se para a Antárctida para acompanhar o desprendimento do B-15, o maior icebergue já registado na história. As dimensões eram gigantescas: 195 quilómetros de comprimento por 37 quilómetros de largura – cerca de 11 mil quilómetros quadrados de superfície, isto é, pouco maior que a Jamaica.

Agora, quase duas décadas depois, o B-15 está perto do fim. Cientistas da NASA adiantaram que o icebergue viajou mais de 10 mil quilómetros e está agora muito próximo de uma localização perigosa: o Equador.

Imagens de satélite capturadas pela Estação Espacial Internacional (EEI) a 22 de maio confirmam que o maior fragmento do icebergue – B-15Z – está no Atlântico Sul, perto das Ilhas Geórgia do Sul, onde deve derreter por estar em contacto com águas muito mais quentes e tropicais.

Kelly Blunt, glaciologista da NASA, afirma que essas águas quentes vão passar pelo icebergue “como um conjunto de facas”, fazendo-o derreter.

O B-15 começou a fragmentar-se em 2000, depois de se ter desprendido da plataforma de gelo Ross. O maior pedaço, baptizado de B-15A, media 6,4 quilómetros quadrados. No entanto, ao longo dos anos e enquanto era arrastado pelas correntes, o icebergue foi-se fragmentando cada vez mais.

Hoje, apenas quatro pedaços permanecem com uma área suficientemente grande para serem localizados pelo Centro Nacional de Neve e Gelo, ligado à Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos.

O pedaço observado no mês passado, o B-15Z, ainda tem uma área suficientemente grande, mas está a “morrer”, visto que flutua cada vez mais perto do Equador. De acordo com a NASA, os icebergues dissolvem-se rapidamente quando chegam a essa região. Aliás, no centro do B-15Z já é possível observar uma grande fractura.

B-15 vai morrer. Mas os seus fãs podem pelo menos consolar-se, sabendo que, graças às mudanças climáticas, um outro “maior icebergue de todos os tempos” vai, muito provavelmente, desfazer-se em breve.

ZAP // Live Science

Por ZAP
9 Junho, 2018

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