2644: Descoberta enguia que tem a maior descarga eléctrica alguma vez vista

CIÊNCIA

(dr) L. Sousa
Electrophorus voltai

Foram descobertas duas novas espécies de enguias eléctricas (Electrophorus electricus), sendo que uma delas tem a maior descarga eléctrica alguma vez vista num animal, com uma potência de 850 volts.

Podendo chegar a 2,5 metros de comprimento, a Electrophorus electricus pode ser encontrada em rios, córregos, pântanos e riachos espalhados pelo norte da América do Sul. Os cientistas tinham assumido há muito tempo que se tratava de uma única espécie mas, afinal, há pelo menos três espécies diferentes. Os resultados foram publicados na revista científica Nature Communications.

David de Santana, zoólogo e investigador do Museu Nacional de História Natural, da Instituição Smithsonian, e os seus colegas foram os responsáveis por esta descoberta, depois de terem examinado 107 espécimes de enguia recolhidas nos últimos seis anos.

Inicialmente, a equipa não conseguiu encontrar nenhuma característica externa que as pudesse distinguir. No entanto, quando analisaram o seu ADN, encontraram diferenças genéticas que claramente apontavam para três espécies distintas.

Depois, ao reexaminar os animais, os investigadores descobriram diferenças físicas subtis, como a forma do crânio e as características da barbatana peitoral. Além disso, cada espécie também parecia estar confinada a uma região específica.

A já conhecida E. electricus pode ser encontrada nas terras altas do escudo das Guianas, ao longo da fronteira da Venezuela e da Guiana. Por sua vez, a E. voltai, uma das duas novas espécies, vive um pouco mais a sul, nas terras altas do escudo brasileiro e, por fim, a E. varii é encontrada nas águas turvas e lentas das planícies.

Curiosamente, os cientistas também descobriram que a Electrophorus voltai pode descarregar até 850 volts de electricidade, em comparação com os 650 volts da E. electricus, tornando-o o “gerador de bioelectricidade vivo mais forte” alguma vez visto.

Apesar desta descoberta, a equipa ainda não conseguiu perceber porque é que uma espécie consegue desenvolver uma carga muito maior do que a outra, quando ambas vivem nas terras altas de baixa condutividade da Grande Amazónia.

“Podemos especular que poderia ser uma adaptação fisiológica para viver em ambientes com baixa condutividade”, explica de Santana à IFLScience. “No entanto, a E. electricus vive num ambiente semelhante e não produz uma descarga tão forte”.

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Por ZAP
16 Setembro, 2019