2439: O calor da crosta terrestre poderia tornar-se na fonte suprema de energia

Mitch Battros / Earth Changes Media

A necessidade urgente de reduzir as emissões e a ascensão das energias renováveis alterou substancialmente a forma como abastecemos a nossa geração de energia.

Uma das tecnologias mais emergentes do mundo são aquelas destinadas a produzir energia. Além das fontes de geração de energia já existentes, há uma outra permanente, enorme e inexplorada: a energia geotérmica.

A energia geotérmica é derivada do calor da Terra. Produzir este tipo de energia requer dispositivos que possam, de alguma forma, fazer uso do calor dentro da crosta terrestre.

Recentemente, uma equipa de cientistas do Tokyo Institute of Technology fizeram progressos significativos no desenvolvimento de células térmicas sensibilizadas (STCs), um tipo de bateria que pode gerar energia eléctrica a 100℃ ou menos.

Os investigadores propuseram o uso de STCs como um novo método para converter calor directamente em energia eléctrica usando células solares sensibilizadas por corantes. De seguida, os cientistas substituíram o corante por um semicondutor para permitir que o sistema trabalhasse usando calor em vez de luz, explica o Tech Explorist.

(dr) Sachiko Matsushita

A bateria desenvolvida é composta por três camadas intercaladas entre eléctrodos: uma camada de transporte de electrões (ETM), uma camada de semicondutor (germânio) e uma camada de electrólito sólido (iões de cobre). Os electrões passam de um estado de baixa energia para um estado de alta energia no semicondutor, tornando-se termicamente excitados e, depois, transferidos naturalmente para o ETM.

Depois desse processo, os electrões viajam do eléctrodo, passam por um circuito externo e pelo eléctrodo do contador e alcançam o electrólito. Em ambas as interfaces do electrólito, acontecem reacções de oxidação e redução envolvendo iões de cobre, resultando na transferência de electrões de baixa energia para a camada semi-condutora, para que o processo possa iniciar um novo circuito, completando assim um circuito eléctrico.

Durante a experiência, os cientistas descobriram que a electricidade parou de fluir após um período específico e propuseram um mecanismo para explicar esse fenómeno: a corrente pára porque as reacções redox na camada de electrólito terminam devido à realocação dos diferentes tipos de iões de cobre.

O que mais entusiasma os cientistas é o facto de esta bateria ser capaz de reverter a própria situação na presença de calor abrindo o circuito externo durante um período curto de tempo.

Sachiko Matsushita, líder da investigação, cujo artigo científico foi recentemente publicado no Journal of Materials Chemistry A, disse que, “com este projecto, o calor, geralmente considerado como energia de baixa qualidade, poderia tornar-se numa óptima fonte de energia renovável”.

“Estamos muito entusiasmados com a descoberta por causa da sua aplicabilidade, ecologia e potencial para ajudar a resolver a crise global de energia”, rematou.

ZAP //

Por ZAP
13 Agosto, 2019

 

1061: Energy Observer, o primeiro barco com zero emissões passou em Lisboa

Confortável e silencioso, o Energy Observer é a primeira embarcação do mundo auto-suficiente, movida a energias renováveis. A bordo, em movimento mas sem barulho, o comandante diz que o futuro será assim, no mar e em terra.

“No futuro serão assim os barcos, também os automóveis e os apartamentos”, mas também “os bairros inteiros, mesmo os países”, diz Jerôme Delafosse, chefe da expedição e realizador de documentários.

Pele queimada do sol, faz parte de uma equipa de 10 pessoas que trouxe o Energy Observer a Lisboa, o princípio ainda de uma grande aventura que vai durar seis anos, com mais de 10 escalas em 50 países de todo o mundo.

Partiu em Junho do ano passado de Saint-Malo, França, já percorreu mais de nove mil milhas náuticas, e em Portugal vai estar até final do mês. Para mostrar que é possível viajar-se assim, só com energias renováveis, e para sensibilizar para a necessidade de um planeta que use menos combustíveis fósseis e mais combustíveis alternativos.

É Jerôme quem o diz à Lusa, admitindo que a velocidade do catamarã seria superior com outro tipo de combustível, mas chamando a atenção para o silêncio dos motores. “É o primeiro navio que funciona com energias renováveis, solar e eólica e hidrogénio”, diz, salientando depois a ausência de poluição e o silêncio que permite ouvir o mar.

A viagem serve também para testar todo o tipo de tecnologia em situações extremas, para depois a adaptar a outras embarcações, a habitações, a todo o tipo de transportes.

O “futuro da energia”

Jorge Seguro Sanches, secretário de Estado da Energia, acredita que é possível esse futuro. Esteve no catamarã. Esteve na inauguração de uma exposição sobre o Energy Observer e disse que a iniciativa é uma inspiração para Lisboa, para Portugal e para todo mundo. E especialmente para Portugal, o terceiro país da Europa que em 2016 mais incorporou energias renováveis.

“A questão do armazenamento [da energia] e o aproveitamento do hidrogénio vão fazer toda a diferença nos próximos anos”, disse o secretário de Estado na inauguração da exposição.

“O grande desafio que temos pela frente, para um país como o nosso que tem aproveitado bem a energia renovável, na transição energética e na electrificação, é se temos ou não capacidade de a armazenar. Essa capacidade faz toda a diferença, ou através das baterias ou através de modelos como este (o Energy), que tecnologicamente têm um grande potencial e que tem a ver com hidrogénio. Este modelo mostra que é possível”, adiantou.

Jorge Seguro Santos lembrou que ainda esta semana o Governo assinou no Conselho da Energia, na Áustria, uma declaração “no sentido da promoção do hidrogénio na produção na área das energias renováveis”. E Portugal, lembrou, está também a desenvolver um roteiro do hidrogénio.

O entusiasmo de Jorge Seguro Santos não difere do entusiasmo de Jerôme Delafosse. “Um navio agora, transportes públicos amanhã, porque para esses já começou o processo irreversível de cada vez mais se deixarem as energias fósseis”.

Para já está em Lisboa, e depois no Porto, o Energy, e a exposição itinerante de mais de mil metros quadrados junto à Doca da Marinha, com entrada livre.

Ao largo, no Tejo, o catamarã, com um sistema que combina três fontes de energia com o duplo armazenamento de baterias a hidrogénio, produzido a bordo por electrolise da água do mar.

O projecto teve o patrocínio do Presidente francês, o apoio da União Europeia e da UNESCO, além de vários parceiros, e vai andar pelo mundo a falar das energias renováveis, da biodiversidade, da agro-ecologia, da economia circular, dos objectivos de desenvolvimento sustentável da ONU.

Uma iniciativa que “simboliza o futuro da energia”, como resumiu o fundador do projecto e “skipper” Victorien Erussard, queimado do sol como Jerôme, o mesmo entusiasmo por uma aventura de seis anos.

A estabilidade do catamarã irá torná-la mais fácil. E a energia produzida a bordo alimenta todas as máquinas, incluindo a do café. A acreditar nas palavras de Jerôme, longe das cidades, em mar alto, com os motores em pleno, se calhar o som da máquina do café será o mais audível no “Energy”, além do mar.

ZAP // Lusa

Por Lusa
22 Setembro, 2018

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