3998: As missões marcianas dos Emirados Árabes Unidos e da China

CIÊNCIA

Impressão de artista da sonda marciana Al-Amal dos Emirados Árabes Unidos.
Crédito: EMM (Emirates Mars Mission)/MBRSC

Os Emirados Árabes Unidos e a China vão em breve fazer parte do clube restrito de países e agências espaciais com sondas marcianas. Juntar-se-ão assim aos EUA, Índia, antiga União Soviética e à ESA.

A nave espacial Al-Amal (“Esperança” em português) tem lançamento previsto para dia 15 de Julho a partir do Centro Espacial Tanegashima no Japão. O objectivo da missão é fornecer uma imagem compreensiva da dinâmica meteorológica da atmosfera de Marte e pavimentar o caminho para mais descobertas científicas. Mas a sonda Al-Amal também é a base de um objectivo muito maior – construir uma colónia em Marte nos próximos 100 anos.

Al-Amal tem 1350 kg; mais ou menos o tamanho de um SUV. Demorará sete meses a viajar 493 milhões de quilómetros até Marte, a tempo de comemorar o 50.º aniversário da união dos Emirados em 2021.

Assim que alcance Marte, colocar-se-á numa órbita de 55 horas, com uma velocidade média de 121.000 km/h, e o contacto com o comando e centro de controle nos EAU será limitado a 6-8 horas duas vezes por semana. A missão tem uma duração prevista de 687 dias – um ano marciano.

A sonda tem três instrumentos científicos:

  • EMIRS (Emirates Mars Infrared Spectrometer), um espectrómetro infravermelho para obter medições da atmosfera inferior e analisar a estrutura da temperatura;
  • EXI (Emirates eXploration Imager), uma câmara de alta resolução capaz de obter imagens com uma resolução espacial superior a 8 km. Irá medir propriedades de elementos químicos, nomeadamente o ozono, na atmosfera de Marte;
  • EMUS (Emirates Mars Ultraviolet Spectrometer), um espectrómetro ultravioleta que irá medir os níveis de oxigénio e hidrogénio na atmosfera superior.

A China, por outro lado e seguindo o sucesso do seu programa lunar, vai lançar a sua missão Tianwen-1 (nome de um antigo poema chinês, “Questões Celestiais” em português) durante a janela de 20 a 25 de Julho, a partir do Centro de Lançamentos Xichang. É composta por um orbitador, um módulo de aterragem e rover a energia solar.

Não é a primeira tentativa da China em alcançar Marte: este país juntou-se à Rússia em 2011 durante a missão Fobos-Grunt, contendo o Yinghuo-1, que seria o primeiro orbitador marciano chinês. No entanto, a propulsão principal da nave falhou em lançá-la para a sua viagem até Marte, permanecendo em órbita da Terra até reentrar na atmosfera em Janeiro de 2012.

O “lander” Tianwen-1 vai usar um para-quedas, retro-foguetes e um airbag para aterrar em Utopia Planitia, Marte.

A missão planeia obter mapas da superfície a partir de órbita, recolher amostras do solo para análise, procurar evidências de vida presente e passada e analisar o ambiente do Planeta Vermelho. A missão actual também servirá para demonstrar tecnologias necessárias para uma missão de recolha e envio de amostras prevista para a década de 2030.

Se tudo correr como esperado, a missão Tianwen-1 chegará a órbita de Marte também em Fevereiro de 2021. A concha metálica que contém o veículo libertar-se-á da sonda para aterrar na superfície no dia 23 de Abril.

Astronomia On-line
14 de Julho de 2020

 

spacenews

 

3969: Dubai vai construir uma cidade marciana no deserto

CIÊNCIA/EAU

(dr) Bjarke Ingels Group
Mars Science City

O Dubai tem em mãos um projecto ambicioso: a construção de uma cidade marciana. O projecto foi apresentado por uma empresa sediada em Copenhaga e Nova Iorque e é uma parte do plano dos Emirados Árabes Unidos de colonizar Marte nos próximos 100 anos.

Na impossibilidade de irem até ao Planeta Vermelho, um conjunto de arquitectos decidiu arregaçar as mangas e recriar a ideia de uma cidade marciana em pleno deserto, nos arredores do Dubai.

O Mars Science City foi projectado para cobrir 176 mil metros quadrados de deserto, o equivalente a mais de 30 campos de futebol, e terá um custo aproximado de 120 milhões de euros.

Segundo a CNN, este projecto contempla a criação do Centro Espacial Mohammed Bin Rashid do Dubai (MBRSC) que visa desenvolver a tecnologia necessária para colonizar Marte nos próximos 100 anos. Foi com esse propósito que os arquitectos da Bjarke Ingels Group (BIG), empresa sediada em Copenhaga e Nova Iorque, apresentaram uma proposta para projectar no deserto um protótipo de uma cidade marciana.

Os especialistas tiveram de ter em consideração o facto de Marte ter uma atmosfera fina: pelo facto de haver pouca pressão de ar, os líquidos evaporam-se rapidamente. Além disso, não existe campo magnético e, como consequência, há pouca protecção à radiação solar.

Jonathan Eastwood, director do Laboratório Espacial do Imperial College London que não está ligado a este projecto, explicou que a possibilidade de se poder viver no Planeta Vermelho vai muito além dos aspectos técnicos. “O maior desafio não é de engenharia ou científico, mas humano. Ou seja, não é só saber como é possível sobreviver, mas também saber como é possível prosperar.”

Ainda assim, a equipa do Bjarke Ingels Group decidiu superar os desafios colocados em Marte. Desta forma, para manter uma temperatura confortável e uma pressão de ar habitável, a cidade seria composta por cúpulas pressurizadas, cobertas por uma membrana de polietileno transparente. Cada uma das cúpulas receberia oxigénio produzido por uma instalação de electricidade no gelo subterrâneo.

À medida que a população crescesse, as cúpulas iriam ficar juntas para formar aldeias e cidades em forma de anéis. As cidades poderiam ser alimentadas e aquecidas usando energia solar e a atmosfera fina poderia ajudar as cúpulas a manter a temperatura.

Os engenheiros explicaram à CNN que os edifícios teriam uma sala debaixo do solo marciano, a uma profundidade até seis metros, para que as pessoas se pudessem proteger da radiação ou de meteoros. Nessas salas poder-se-iam construir “claraboias que poderiam ter aquários”. As janelas de água protegeriam os habitantes da radiação e permitiriam a entrada de luz nessas salas.

“A ideia de proteger gradualmente da radiação é sensata e a ideia das janelas de água é bastante elegante”, disse Jonathan Eastwood.

ZAP //

Por ZAP
7 Julho, 2020

 

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