5271: Chovem electrões. Descoberto furacão de plasma espacial acima do Polo Norte

CIÊNCIA/GEOFÍSICA

(CC0/PD) PIRO4D / pixabay

Uma equipa de cientistas, liderados pela Universidade Shandong, na China, identificou um furacão espacial acima do Polo Norte.

Os investigadores usaram dados de satélite para identificar o furacão espacial acima do Polo Norte e revelaram que não se tratava de um redemoinho de ar, mas sim de plasma, ou seja, um gás ionizado.

Os astrofísicos já haviam detectado furacões espaciais nas baixas atmosferas de Júpiter, Marte, Saturno e no Sol, mas duvidavam que um evento como este pudesse acontecer na alta atmosfera da Terra. Os resultados desta descoberta foram publicados dia 22 de Fevereiro na Nature Communications.

De acordo com a Sky News, a massa de 965 quilómetros de largura despejou electrões, em vez de água, e desfez-se oito horas depois de se ter formado. O investigador Mike Lockwood salientou a importância da descoberta, destacando que provar a existência de furacões de plasma espacial “com uma observação tão marcante é incrível”.

“As tempestades tropicais estão associadas a grandes quantidades de energia, e estes furacões espaciais devem ter sido criados por uma transferência extraordinariamente grande e rápida de energia eólica solar e partículas carregadas para a atmosfera superior da Terra”, explicou.

“Plasma e campos magnéticos na atmosfera dos planetas existem em todo o Universo, pelo que as nossas descobertas sugerem que os furacões espaciais devem ser um fenómeno generalizado”, rematou o cientista.

Este furacão espacial, que ocorreu durante um período de baixa actividade geo-magnética, partilha muitas características com os furacões na baixa atmosfera da Terra – um centro silencioso, braços espirais e ampla circulação.

A equipa estima que estes eventos provoquem efeitos secundários, como perturbações nas comunicações de rádio de alta frequência e erros mais frequentes em radares, navegação por satélite e sistemas de comunicação.

Por Liliana Malainho
6 Março, 2021


1176: Cientistas confirmam que electrões são perfeitamente redondos

CIÊNCIA

DESY/Science Communication Lab

Com uma precisão sem precedentes, cientistas mediram a forma da carga de um electrão confirmando que é extremamente redonda. O resultado apoia o Modelo Padrão das Partículas Física e força a revisão de várias teorias alternativas.

O Modelo Padrão da Física explica como os blocos básicos de construção da matéria interagem através das quatro forças fundamentais sendo um modelo matemático da realidade e, até ao momento, indesmentível.

Porém, é mesmo o facto de ninguém conseguir contradizer o Modelo Padrão que tem intrigado os físicos de todo o mundo.

“O Modelo Padrão, tal como está descrito, não pode estar certo porque não consegue prever por que é que o Universo existe. E isso é uma grande lacuna”, conta o professor na Universidade do Northwestern e membro do ACME Collaboration, Gerald Gabrielse.

De acordo com a Sci-News, para corrigir essa falha do modelo e contrariar o Modelo Padrão, muitos modelos alternativos surgiram que previam que a esfera aparentemente uniforme de um electrão seria, na verdade, assimetricamente esmagada.

Modelos alternativos

A teoria dentro do Modelo Super-simétrico prevê uma partícula parceira para cada partícula no Modelo Padrão para justificar a massa das partículas e diz ainda que as partículas subatómicas pesadas e ainda por detectar influenciam o electrão a alterar a sua forma esférica – num fenómeno ainda não comprovado chamado de “momento do dipolo eléctrico”.

Segundo esta teoria, estas partículas mais pesadas ainda não descobertas podem ser as responsáveis pelos maiores mistérios do Universo e podem até explicar porque é que o Universo é feito de matéria e não de anti-matéria.

“Quase todos os modelos alternativos dizem que a carga de electrões pode muito bem estar a ser esmagada, mas nós não verificamos a hipótese com sensibilidade suficiente. É por isso que decidimos olhar para lá com uma maior precisão”, disse o professor Gabrielse.

O novo estudo

Para o novo estudo, que concluí que os electrões são, de facto, extremamente redondos, os investigadores da ACME dispararam um feixe de moléculas frias de óxido de tório para uma câmara. Depois do disparo, os cientistas estudaram a luz emitida pelas moléculas.

O tipo de luz emitida indicaria aos cientistas a existência, ou não, do “momento do dipolo eléctrico”. Na experiência, a luz, ao não se contorcer sobre ela própria, indicou que a forma dos electrões era, de facto, redonda, confirmando a previsão do Modelo Padrão e atirando por terra todas as outras teorias alternativas como o Modelo Super-simétrico.

A inexistência do “momento do dipolo eléctrico” significou a inexistência das hipotéticas partículas subatómicas pesadas.

Contudo, a investigação publicada dia 17 de Outubro na revista Nature, não exclui por completo a existência dessas partículas – apenas afirma que as suas hipotéticas propriedades diferem daquelas que foram previstas pelos teóricos.

“Se tivéssemos descoberto que a forma não era redonda, essa sim seria a maior notícia da física nas últimas décadas”, revelou o professor Gabrielse. “Mas a nossa descoberta ainda é significativa porque fortalece ainda mais o Modelo Padrão da física de partículas e exclui os modelos alternativos”, acrescenta.

O professor da Universidade de Yale e membro da ACME Collaboration, David DeMille, afirma ainda que “o resultado diz à comunidade científica que precisa de repensar seriamente algumas das teorias alternativas”.

Outro membro da equipa, John Doyle, da Universidade de Harvard acrescentou que a investigação “é um desenvolvimento empolgante para a física de partículas“.

ZAP //

Por ZAP
21 Outubro, 2018

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