Efeitos das alterações climáticas nos gelos e oceanos já são irreversíveis – IPCC

CIÊNCIA

© Fornecido por LUSA – Agência de Notícias de Portugal, S.A. The new Antarctic explorers

Mónaco, 25 Set 2019 (Lusa) – Os efeitos das alterações climáticas nos oceanos são já irreversíveis, consideraram hoje peritos do Painel Inter-governamental das Nações Unidas, alertando que adiar a redução de emissões só tornará pior um cenário de degelo e subida do nível do oceano global.

Mesmo contendo o aquecimento global em dois graus centígrados acima dos valores médios da era pré-industrial, um quarto do gelo permanente acumulado em regiões como Árctico vai derreter até 2100, percentagem que poderá aumentar para 70% se o mundo aquecer ainda mais, adverte o Painel Inter-governamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) num relatório especial apresentado hoje no Mónaco.

Na apresentação do primeiro relatório especial do IPCC sobre o oceano e a criosfera, a sua vice-presidente Ko Barrett assegurou que “as consequências para a natureza e para a humanidade são vastas e severas”.

Durante o século XX, o oceano “tem sido uma esponja a absorver o dióxido de carbono e o calor em excesso” produzidos pela actividade humana, com consequências para os gelos permanentes, que estão a derreter a um ritmo que acelera a cada ano.

Mesmo os glaciares mais pequenos na Europa, na África oriental, nos Andes ou na Indonésia perderão “80% da sua massa em 2100” se as emissões de gases com efeito de estufa continuarem, salientou.

Durante o século passado, o nível médio das águas oceânicas subiu 15 centímetros, podendo chegar a “1,10 metros em 2100 se as emissões não forem fortemente reduzidas”.

A mensagem dos cientistas que integram o IPCC é que “é urgente uma acção coordenada e verdadeiramente ambiciosa” para conter as mudanças nos oceanos, nas zonas costeiras e montanhosas” que ameaçam a capacidade de centenas de milhões de pessoas de viverem nas suas comunidades, de se alimentarem e de manterem os seus modos de vida.

Da pesca ao turismo, a acidificação e o aquecimento dos oceanos trazem consequências ecológicas – espécies de águas mais frias enfrentam riscos maiores de extinção e outras como os corais são afectadas pelo aumento da acidez das águas – e económicas que ainda é difícil quantificar.

A necessidade de deslocar centenas de milhões de pessoas das zonas costeiras por causa da subida do nível das águas vai depender “das soluções de adaptação” encontradas, sendo certo que “os que dependem da pesca artesanal em latitudes baixas são os mais vulneráveis”, afirmou a investigadora Valérie Masson- Delmotte.

O aumento da temperatura e do nível das águas alterou já as características dos ciclones e outros fenómenos naturais, com ondas mais altas e chuva e vento mais intensos.

Além de protecções físicas para preservar as comunidades costeiras, são necessárias verdadeiras “redes de segurança social”, destacou.

O relatório sobre os oceanos e a criosfera foi feito ao longo de dois anos, reunindo informação de quase sete mil estudos, feitos por 104 cientistas de 36 países.

As conclusões serão levadas à conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas de 2019, a COP25, que se realiza no Chile no próximo mês de Dezembro.

+++ A Lusa viajou a convite da Fundação Oceano Azul +++

APN // JMR

msn notícias
António Pereira Neves
25/09/2019

 

1983: Experiência no Espaço pode ajudar no desenvolvimento de novas terapias anti-envelhecimento

CIÊNCIA

(dr) Gianni Ciofani
Partículas nanoceria (verde) misturadas com células (azul)

A próxima experiência a bordo da Estação Espacial Internacional (EEI) testará os efeitos da micro-gravidade em células vivas misturadas com pequenas partículas de cerâmica.

Não há nenhuma fonte de jovialidade que nos faça voltar no tempo, mas talvez seja possível, no futuro, conter os estragos que a idade vai deixando para trás. Uma experiência da ESA, que acabou de chegar à Estação Espacial Internacional (EEI), testará as nano-partículas como uma forma viável de limpar o corpo dos radicais livres.

Se resultar, este mecanismo poderia ser capaz de prevenir alguns danos celulares associados ao envelhecimento e ajudar os astronautas a manterem-se saudáveis em missões espaciais de longo prazo.

Os materiais necessários para realizar a experiência, baptizada de “Experiência Nano Antioxidantes”, chegaram à estação espacial na manhã do dia 6 de maio, a bordo da cápsula SpaceX Dragon, de acordo com um comunicado divulgado pela ESA.

O objectivo central deste projecto que os cientistas têm em mãos é encontrar novas formas de estimular as células a combaterem influências negativas da micro-gravidade nos músculos e nos ossos dos astronautas durante missões de longa duração.

O bónus desta experiência é ainda mais irresistível: a mesma tecnologia poderia ser utilizada aqui na Terra para tratamentos em idosos e pessoas com doenças degenerativas dos músculos.

As nano-partículas de cerâmica fora desenvolvidas em laboratório e chamadas de “nanoceria”. Estas serão adicionadas a uma cultura de células vivas e mantidas à temperatura de 30ºC durante seis dias.

Segundo a Gizmodo, as nanoceria foram desenvolvidas para imitar a forma como as enzimas agem em organismos vivos e – caso a experiência funcione – proteger organismos contra os danos causados pelo stress oxidativo.

Gianni Ciofani, do Instituto de Tecnologia Italiano, está a fazer uso do ambiente de micro-gravidade próprio da Estação Espacial Internacional para estudar de que forma a ausência de peso influencia o desenvolvimento dessa cultura.

“Estes nano-materiais quimicamente desenvolvidos em laboratório são muito promissores na sua actividade antioxidante”, afirmou Ciofani. “As partículas podem proteger organismos de danos causados pelo stress oxidativo”, disse, acrescentando que “a nanotecnologia já tem sido estudada na Terra, mas sua aplicação no Espaço ainda está numa fase inicial”.

De acordo com a NASA, a equipa quer estudar o papel que a gravidade exerce na produção de espécies reactivas de oxigénio (ROS, em inglês), tanto a nível molecular como a nível celular. Uma abundância de ROS – também conhecidos como radicais livres – nas células pode danificar o ADN e as proteínas, levando a doenças relacionadas com o envelhecimento e, em alguns casos, à morte.

Os antioxidantes inibem o processo de oxidação, sendo capazes de prevenir os efeitos causados por essa acumulação de radicais livres.

Assim, os cientistas pretender expor metade da cultura de células (misturadas com as nanocerias) a condições micro-gravitacionais, enquanto a outra metade será exposta a uma gravidade simulada por uma centrífuga. Seis dias depois, as amostras serão armazenadas a -80°C para retornarem posteriormente à Terra.

Cá, serão comparadas às amostras da experiência semelhante realizada aqui na Terra, que serve assim de experiência controlo. Através da comparação, os cientistas conseguirão observar os efeitos únicos da micro-gravidade no crescimento de células em cultura.

No futuro, estes possíveis avanços poderiam resultar em terapias promissoras. A nanoceria tem o potencial de prevenir a atrofia muscular em astronautas, além de agir como uma terapia anti-envelhecimento para pessoas idosas ou vítimas de Parkinson e outras formas de atrofia muscular.

A Agência Espacial Europeia prevê ainda aplicações cosméticas, como “tratamentos para uma pele mais brilhante e jovem”.

ZAP //

Por ZAP
15 Maio, 2019


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