3836: eSail: primeiro satélite com software de controlo criado em Portugal descola dia 18

CIÊNCIA/ESPAÇO

O mais recente membro da constelação eSail parte rumo ao Espaço a 18 de Junho Imagem da ESA

A Edisoft começou por desenvolver software que testa os diferentes componentes de um satélite – mas acabou por ser brindada com o convite da ESA para desenvolver todo o sistema que permite controlar um satélite enquanto se mantêm em órbita

Nem sempre os maiores feitos são fáceis de descrever, mas Hélder Silva não pode desperdiçar a oportunidade de resumir numa única frase um marco histórico para as tecnologias nacionais: “Arrisco dizer que é o primeiro software produzido por portugueses para controlar um satélite a partir de Terra que vai ser lançado para o Espaço”, explica o director da Área de Software Espacial e Sistemas Embebidos da Edisoft. O software em causa dá pelo nome de RTEMS by Edisoft. A descolagem rumo ao Espaço será feita no dia 18 de Junho, a bordo de um satélite da constelação eSail, a partir da base espacial de Kourou, na Guiana Francesa.

O satélite, que foi construído pela LuxSpace para a Agência Espacial Europeia (ESA), deverá juntar-se a uma constelação que hoje conta com 60 dispositivos em órbita a mais de 500 quilómetros de distância da Terra, com o propósito de fornecer dados de localização a diferentes embarcações (AIS) nos vários oceanos.

Inicialmente, o uso do RTEMS by Edisoft estava confinado aos testes feitos ainda na fase de construção e montagem que confirmam que os diferentes componentes de um satélite estão devidamente instalados e prontos a funcionar com um mínimo de falhas.

“Foi uma surpresa porque era suposto criarmos uma solução para ser usada apenas durante os testes, mas a ESA acabou por nos pedir que fizéssemos também a solução para uso durante as operações do satélite”, recorda Hélder Silva.

RTEMS by Edisoft foi desenvolvido em Java sobre um ambiente misto que combina Windows e Linux. O sistema, que tem certificação para participação em missões espaciais, vai ser instalado nos computadores de uma base terrestre em Svalbard, Noruega, precisamente para permitir executar diferentes manobras e funcionalidades, a partir de comandos activados a partir de Terra. A ESA e a LuxSpace são as responsáveis pelo fabrico do satélite, mas o serviço de localização da constelação eSeal é providenciado pela empresa canadiana exactEarh.

Ainda antes do convite para uso deste software durante a fase em que o satélite, já em órbita, se mantém operacional, este sistema havia valido uma primeira “vitória” à Edisoft. “É um sistema muito grande, que tem de controlar muitos dispositivos, sendo que a ESA já fez saber que pretende usar o nosso software como referência para os testes com pequenos satélites”, refere Hélder Silva.

O responsável da Edisoft lembra que um simples software que testa os diferentes componentes de um satélite pode ter um custo avultado – e poderá afastar agências e empresas menos endinheiradas que apenas pretendem enviar para o espaço pequenos satélites, que são usados durante um período limitado.

“A expectativa é continuar a disponibilizar este software de testes aos satélites produzidos pela LuxSpace e também para os todos os pequenos satélites que a ESA venha a produzir”, acrescenta, Hélder Silva, recordando que a tecnologia criada pela Edisoft também pode ser adaptada a satélites de maiores dimensões se for necessário.

No que toca às operações durante a missão espacial do novo satélite eSail, Hélder Silva admite que a fasquia de exigência é maior: “Tivemos de criar vários protótipos nestes últimos três anos. Se um software falha durante um serviço convencional, pomos tudo a correr outra vez, mas no Espaço não é possível pôr o software a correr tudo de novo, outra vez. Se houver uma falha no sistema, pode perder-se a missão”, conclui Hélder Silva.

Exame Informática
12.06.2020 às 16h21
Hugo Séneca

 

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