2375: O primeiro vídeo de um eclipse solar voltou à vida

A primeira gravação de um eclipse solar, que remonta a 28 de maio de 1900, foi ressuscitada. O fenómeno foi gravado pelo mágico britânico Nevil Maskelyne, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, durante uma expedição da Associação Britânica de Astronomia.

O British Film Institute (BFI) e a Royal Astronomical Society (RAS) apresentaram a primeira imagem em movimento de um eclipse solar, captada em 1900. O fragmento do filme original, guardado no arquivo da RAS, foi digitalizado e restaurado em 4K por especialistas do BFI National Archive.

O vídeo encontra-se agora disponível online gratuitamente e tem a duração de um minuto e oito segundos. No registo é possível ver quase o eclipse completo: começa um pouco antes de a Lua cobrir o Sol e dura até esta se começar a afastar.

Esta foi a segunda tentativa de Nevil Maskelyne de capturar um eclipse solar, explica a nota da RAS. Em 1898, o mágico britânico tinha já viajado para a Índia para fotografar um eclipse, mas no regresso o vídeo foi roubado.

O evento não foi fácil de capturar, e o britânico teve que construir um adaptador telescópico especial para a sua câmara. O filme faz agora parte da colecção de astro-fotografia da RAS.

Sobre esta recente redescoberta, Bryony Dixon, curador de cinema mudo do BFI, diz que os primeiros historiadores do cinema procuraram este filme durante muitos anos. “É emocionante pensar que este filme, único sobrevivente conhecido de Maskelyne, tenha reaparecido agora”, explica Dixon.

Também Joshua Nall, membro do Comité do Património Astronómico do RAS, teve algo a dizer sobre o reaparecimento destas imagens: “Esta é uma maravilhosa descoberta de arquivo. Talvez o mais antigo filme astronómico sobrevivente. É um registo realmente impressionante.”

Entusiasta por cinema, Nevil Maskelyne queria mostrar como o desenvolvimento do cinema poderia ser usado para o avanço da ciência. O mágico britânico, que era fascinado por astronomia e se tornou membro da RAS, apresentava-se como um investigador científico de ilusões.

O RAS é uma instituição de caridade fundada a 1820, com sede no Reino Unido, que trabalha para promover as ciências da astronomia e da geofísica. O BFI é uma instituição de caridade cultural fundada em 1933 e é uma das principais organizações do Reino Unido para cinema, televisão e imagem em movimento.

DR, ZAP //

Por DR
27 Julho, 2019

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2286: “Boa sorte e céu limpo.” Os eclipses solares totais são ouro para os cientistas

CIÊNCIA

NASA

Além de ser um espectáculo imperdível para alguns turistas, os eclipses solares totais são também uma oportunidade de ouro para os cientistas observarem a atmosfera do Sol.

“Boa sorte e céu limpo.” Esta é uma expressão muito usada na Astronomia que, para um caçador de eclipses como Huw Morgan, tem um significado especial.

São milhares os turistas que se mobilizam para ver um eclipse solar total, assim como inúmeros cientistas, para os quais este fenómeno é uma oportunidade de ouro para observar a atmosfera do Sol, conhecida como coroa solar. Tal como a Terra, o Sol tem uma atmosfera e um campo magnético que se estende a grandes distâncias pelo Espaço.

A coroa solar é um plasma intenso de protões e electrões separados que atinge temperaturas de um milhão de graus Celsius, ou até mais. Neste ambiente, quente e magnetizado, a física comporta-se de forma bizarra. Morgan, investigador da Aberystwyth University, no País da Gales, acredita que uma melhor compreensão da coroa solar poderia aumentar a nossa segurança na Terra, uma vez que eventos explosivos na coroa podem ter efeitos dramáticos para o nosso planeta.

Uma vez que a sociedade se tornou cada vez mais dependente da tecnologia, entender o clima espacial e, sobretudo, ser capaz de prevê-lo pode ser uma valiosa arma para nós. As erupções do Sol, por exemplo, podem danificar sondas e naves espaciais, sistemas de energia, comunicações e sistemas de GPS. Uma grande erupção solar poderia causar enormes prejuízos à economia global.

A coroa solar é apenas visível durante um eclipse, uma vez que a luz extremamente brilhante vinda directamente da superfície visível do Sol – a fotosfera – a tapa. Uma vez que a fotosfera é cerca de um milhão de vezes mais brilhante do que as regiões mais brilhantes da coroa, observar a coroa solar é quase como estudar o comportamento de um pirilampo a pairar ao lado de um farol, explica Morgan, num artigo publicado no The Conversation.

Um eclipse total ocorre quando a Lua passa à frente do Sol, bloqueando o seu disco brilhante a lançando uma sombra profunda sobre a Terra. Durante este fenómeno, a coroa do Sol é evidenciada, para bom grado dos cientistas. A partir daqui, os especialistas têm poucos minutos para a observar, e tudo o que precisam é de sorte, para que nenhuma nuvem estrague o espectáculo que aguardaram durante tanto tempo.

Enquanto a Lua cobre o disco brilhante do Sol, a atmosfera circundante aparece como um anel fraco, com raios estendidos que apontam para fora da estrela como uma coroa – daí o nome. Estudar este ambiente misterioso poderia ajudar a preparar a Terra para as suas eventuais mudanças de humor, defende Huw Morgan.

Eclipses solares totais fornecem um quadro detalhado e instantâneo da atmosfera solar e são uma preciosa oportunidade para aprender mais sobre a camada oculta do Sol, que pode afectar (e muito) a vida no planeta Terra. Resta aos cientistas esperar “boa sorte e céu limpo”.

ZAP //

Por ZAP
7 Julho, 2019

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1814: NASA capta dois eclipses solares em Marte. Veja-os aqui

Sonda Curiosity captou no mês de Março imagens das duas luas do Planeta Vermelho, Phobos e Deimos, quando escondiam parte do Sol.

Sonda Curiosity capta imagens de eclipse
© NASA

A NASA alcançou mais um feito em Marte com a sua sonda Curiosity, que captou recentemente, ao percorrer o Planeta Vermelho, imagens de dois eclipses solares. As imagens foram reveladas nesta última quinta-feira.

A 17 de Março foram captadas imagens de um eclipse do Sol provocado por Deimos. Dias depois, a 26 de Março, foi a vez da lua de Phobos provocar o seu eclipse. Desde 2012, quando pousou naquele planeta, que a sonda Curiosity estava preparada para estudar este tipo de acontecimento. Na bagagem levava uma câmara Mastcam, com filtros especiais para tais pesquisas eclípticas.

O momento em que Phobos cruza frente ao Sol
© NASA

Além de ser um verdadeiro espectáculo, os eclipses solares marcianos são considerados pelos cientistas como valiosos em termos de informação, pois eles podem ajudar a aperfeiçoar ainda mais os cálculos das órbitas destas duas luas. É que por serem pequenas, as suas trajectórias mudam frequentemente, não só por serem afectadas pela onda gravitacional de Marte, de Júpiter e até mesmo pela influência que uma provoca na outra. E, nos últimos 15 anos, este conhecimento tem sido aperfeiçoado.

O eclipse com Deimos
© NASA

Tudo porque a partir do momento em que os primeiros robôs da NASA chegaram a Marte, em 2004, começaram logo a recolher informação e a documentar os cientistas sobre os eclipses solares, o que diminuiu em muito a incerteza em torno das órbitas das luas.

Imagens dos eclipses solares a partir de Marte
© NASA

Foi assim que os cientistas descobriram que Deimos, a mais pequena lua de Marte, está 40 quilómetros mais longe do que se pensava.

O registo desses fenómenos não é assim tão raro, mas quanto mais informação for possível captar, mais se contribuirá para a investigação.

Desde que os primeiros robôs começaram a fornecer informação, já foram observados 40 eclipses marcianos de Phobos e oito de Deimos, segundo afirma a NASA.

Diário de Notícias
05 Abril 2019 — 23:08

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97: A Bíblia pode ter registado o mais antigo eclipse solar conhecido

(CC0/PD) Buddy_Nath / pixabay

Cientistas revelaram a data do primeiro eclipse solar documentado. Aconteceu no dia 30 de Outubro de 1207 a.C. e foi mencionado no Livro de Josué, o sexto livro do Antigo Testamento.

Segundo um estudo publicado esta quarta-feira na Astronomy & Geophysics, a referência na Bíblia ao mais antigo eclipse solar conhecido pode clarificar as datas de alguns acontecimentos do mundo antigo, nomeadamente as datas do reinado do faraó egípcio Ramsés II, o Grande.

O texto em questão está nos versículos 12 e 13 do capítulo 10 do Livro de Josué. “No dia em que o Senhor entregou os amorreus aos israelitas, Josué exclamou ao Senhor, na presença de Israel: ‘Sol, para sobre Gibeão! E tu, ó Lua, no vale de Ajalon‘. E o sol parou, e a lua permaneceu, até que o povo se vingasse dos inimigos”, lê-se no livro.

Colin Humphreys, um dos autores do estudo e professor da Universidade de Cambridge, diz que, se estas palavras descreverem uma observação real, “pode ter havido um evento astronómico muito importante e o nosso objectivo é entender exactamente o que significa este texto”.

Na versão da Bíblia do Rei Jaime, de 1611, o Sol e a Lua pararam completamente. No entanto, Humphreys acredita que as palavras podem ter um significado diferente. O que o texto poderá dizer é que o Sol e a Lua pararam de brilhar e que aconteceu, de facto, o primeiro eclipse solar.

Os hebreus entraram em Canaã entre 1500 e 1050 a.C., durante o governo do faraó Merneptá, filho de Ramsés II. De acordo com os cálculos dos cientistas, o eclipse solar – observado durante a entrada de Josué em Canaã – ocorreu a 30 de Outubro de 1207 a.C.

Se estes cálculos estiverem certos, este foi o primeiro eclipse solar documentado e, com base nesta descoberta, é possível conhecer o período exacto do reinado de Ramsés II e do filho Merneptá. Para além disso, os cálculos sugerem ainda que o reinado de Merneptá começou em 1210 a.C. e que Ramsés II reinou de 1276 a.C. até 1210 a.C.

“Se estes cálculos forem aceites, haverá um novo ajuste nas datas de vários reinados ao longo da História, o que nos vai permitir estudá-los mais detalhadamente”, explica Colin Humphreys.

ZAP // Live Science / Sputnik

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