1797: Teste de míssil anti-satélite indiano pode ameaçar Estação Espacial Internacional

(h) Space Research Organization

De surpresa e numa operação de minutos, a Índia destruiu na quarta-feira um satélite de órbita baixa no Espaço, recorrendo a um míssil. Para o primeiro-ministro indiano, o feito afirma o seu país como uma “potência espacial” global.

A operação, baptizada de Mission Shakti (“força” em hindi), foi levada a cabo por uma agência de investigação militar indiana, a DRDO, que lançou o míssil anti-satélite a partir de uma ilha próxima ao estado de Odisha, a leste do país. “Os nossos cientistas destruíram um satélite de órbita baixa a uma distância de 300 quilómetros”, declarou o líder do Executivo indiano, Narendra Modi.

Esta semana, o administrador da NASA, Jim Bridenstine, classificou como “algo terrível” a destruição pela agência espacial indiana de um dos seus satélites. O evento criou 400 fragmentos de detritos orbitais e colocou novos riscos aos astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional (EEI), disse.

Na semana passada, num discurso à nação, o chefe de Governo indiano assinalou o “feito histórico” que foi derrubar o seu próprio satélite de baixa órbita com um míssil terra-espaço em três minutos. Apenas três outros países — os EUA, a Rússia e a China — têm a capacidade de usar um míssil anti-satélite.

Nem todos os fragmentos são suficientemente grandes para serem monitorizados. No entanto, aqueles que o são têm “dez centímetros ou mais”, revelou Bridenstine à ABC, que calcula em cerca de 60 os objectos monitorizados desde o teste indiano.

O satélite foi destruído a uma altitude de 300 quilómetros, bem abaixo da EEI e da maioria dos satélites em órbita, mas 24 dos fragmentos acabaram a gravitar acima do apogeu da estação, anunciou o administrador da NASA. “Este tipo de actividade não é compatível com o futuro dos voos espaciais humanos. É inaceitável e a NASA precisa de ser muito clara sobre o impacto que isto tem em nós”, acrescentou.

Em resultado do teste indiano, o risco de colisão com a EEI aumentou 44%, sublinhou Bridenstine, ainda que esse risco acabe por se dissipar à medida que a maioria dos detritos se incendiar ao entrar na atmosfera. Mesmo as colisões com pequenos objectos podem ser catastróficas no espaço, em grande medida devido à velocidade a que as naves espaciais se movem em órbita — um mínimo de 7,8 quilómetros por segundo.

Na altura do lançamento do míssil anti-satélite, o ministério indiano das Relações Exteriores informou que o teste era feito na baixa atmosfera “para garantir que não haveria detritos espaciais”. “Quaisquer detritos que se gerem irão desintegrar-se e voltar à Terra dentro de semanas”, juntou.

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Por ZAP
2 Abril, 2019

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