2827: Para as criaturas marinhas, as doenças infecciosas são a sentinela da mudança

CIÊNCIA

Richard Ling / Flickr

Uma recente investigação analisou as mudanças nas doenças relatadas em espécies submarinas num período de 44 anos. A conclusão não surpreende: a saúde dos oceanos está a piorar a passos largos.

A compreensão das tendências oceânicas é importante para avaliar as ameaças actuais aos sistemas marinhos, e as doenças são uma importante sentinela da mudança.

A equipa de Drew Harvell, professor na Cornell University, examinou vários relatórios de doenças infecciosas marinhas de 1970 a 2013, que transcendem as flutuações de curto prazo e as variações regionais. Os resultados da investigação foram publicados no dia 9 de Outubro na Proceedings of Royal Society B.

Para corais e ouriços, os relatos de doenças infecciosas aumentaram no período de 44 anos. Nas Caraíbas, os crescentes relatos de doenças de corais correlacionaram-se com eventos de aquecimento. Já se sabia que o branqueamento de corais aumenta com o aquecimento, mas Harvell explicou que a equipa estabeleceu uma conexão de longo prazo entre o aquecimento e as doenças dos corais.

“Associamos finalmente um assassino de corais como uma doença infecciosa a ataques repetidos de aquecimento ao longo de quatro décadas de mudança”, disse. “O nosso estudo mostra que os relatórios de doenças infecciosas estão associados a anomalias de temperatura quente em corais, numa escala multi-decadal”, acrescentou, citado pelo Phys.org.

Ao longo dos 44 anos, os relatórios de doenças diminuíram em peixes e elasmobrânquios (tubarões e raias). Contudo, uma diminuição das doenças nos peixes não é necessariamente uma boa notícia, uma vez que esse valor pode ser explicado pela sobre-pesca e pode ser um sinal de perturbação ecológica.

“As doenças são importantes para manter os ecossistemas marinhos saudáveis, uma vez que os parasitas desempenham um papel importante na regulação das populações”, explicou. “É possível que muitas populações de peixes estejam agora muito esgotadas para suportar níveis normais de doença, respondendo pela diminuição a longo prazo nos relatórios.”

Estes resultados ajudam os cientistas a perceber de que forma os ambientes em mudança alteram as interacções das espécies e fornecem uma base sólida para a saúde da vida marinha. Os anos estudados “precedem as grandes ondas de calor de 2015, 2016 e 2019 que devem desencadear mais surtos”.

“Ao detectar estas mudanças nas doenças, os nossos resultados oferecem uma visão rara das tendências de longo prazo e vinculam a mudança do ambiente marinho ao risco de doença”, afirmou Allison Tracy, outra autora do estudo.

ZAP //

Por ZAP
13 Outubro, 2019

 

2681: Mosquitos geneticamente modificados estão a reproduzir-se no Brasil

CIÊNCIA

Frank Hadley Collins / Sanofi Pasteur / Flickr
Fêmea de Aedes aegypti, mosquito que pode transmitir três doenças: zika, dengue e chikungunya

Mosquitos geneticamente modificados estão a reproduzir-se no Brasil, segundo uma investigação recentemente publicada. A empresa responsável pela criação destes insectos mutantes realça que não há perigo para a saúde das pessoas.

O plano para reduzir a população local de mosquitos na cidade de Jacobina, no Brasil, saiu totalmente furado. Com a ideia geral de travar a disseminação de doenças transmitidas por este insecto, como febre amarela, dengue e zika, os cientistas soltaram 450 mil mosquitos geneticamente modificados.

“A alegação era de que os genes da cepa libertada não entrariam na população geral porque as suas crias morreriam. Isso obviamente não foi o que aconteceu“, explicou Jeffrey Powell, autor do estudo publicado na semana passada na revista Scientific Reports.

A verdade é que os mosquitos geneticamente modificados conseguiram reproduzir-se com os outros mosquitos, elevando ainda mais a sua população na região. A experiência iniciada em 2013 foi realizada pela empresa de biotecnologia britânica Oxitec e os resultados conseguidos estão a levantar preocupações em relação à sua segurança.

O objectivo inicial da Oxitec era reduzir a população em 90%, sem afectar a sua integridade genética. De acordo com o Gizmodo, apesar de assegurarem o contrário, cientistas da Universidade de Yale acompanharam o desenvolvimento da experiência e detectaram material genético dos mosquitos geneticamente modificados na população local.

Os investigadores descobriram “claras evidências” de que partes do genoma dos mosquitos transgénicos “foram incorporados na população-alvo”.

“Baseado amplamente em estudos de laboratório, é possível prever qual será o resultado provável da libertação de mosquitos transgénicos, mas estudos genéticos do tipo que fizemos devem ser feitos durante e após essas libertações para determinar se aconteceu algo diferente do previsto”, explicou Powell.

A Oxitec previa que três quartos das crias de mosquitos conseguiriam sobreviver até à idade adulta, mas que seriam demasiado fracos para se reproduzirem. Contudo, não foi isso que se verificou.

Inicialmente, as suas aspirações até estavam bem encaminhadas, com a população de mosquitos em Jacobina a decrescer significativamente. Porém, viria a recuperar, chegando quase aos níveis iniciais. Os cientistas acreditam que isto se tenha devido a uma discriminação por parte das fêmeas, que se recusaram em acasalar com machos modificados geneticamente.

Um porta-voz da Oxitec disse à Gizmodo que a empresa está “actualmente a trabalhar com os editores da Nature Research [a revista científica responsável pela publicação] para remover ou corrigir substancialmente o artigo, que contém inúmeras alegações e declarações falsas, especulativas e sem fundamento sobre a tecnologia dos mosquitos da Oxitec”.

De acordo com o porta-voz, a investigação não identificou nenhum “efeito negativo, deletério ou imprevisto para as pessoas ou para o meio ambiente da libertação dos mosquitos”.

Entretanto, a Scientific Reports adicionou uma nota no artigo em que realça que a investigação está sujeita a críticas que estão a ser consideradas por responsáveis da revista científica.

ZAP //

Por ZAP
21 Setembro, 2019

 

1785: Mil milhões de pessoas ficarão expostas a doenças tropicais se aquecimento global continuar

CIÊNCIA E SAÚDE

USDAgov / Flickr
Aedes aegypti, o mosquito da dengue

Cerca de mil milhões de pessoas ficarão expostas a doenças como a febre dengue se o aquecimento global continuar, afirmam cientistas que estudaram as temperaturas no mundo e concluíram que as doenças de climas tropicais estão em expansão.

Os investigadores afirmam que estas doenças atacarão até as zonas do globo com climas actualmente menos favoráveis aos mosquitos, porque os vírus que estes propagam provocam epidemias explosivas quando se verificam as condições certas.

As alterações climáticas são a maior e mais complexa ameaça à saúde mundial”, afirmou o biólogo Colin Carlson, da universidade norte-americana de Georgetown, em Washington, referindo que “os mosquitos são só uma parte do problema”, mas que a preocupação dos cientistas aumentou depois da epidemia de Zika no Brasil em 2015.

O estudo, publicado esta sexta-feira no boletim científico PLOS, baseou-se no registo mensal das temperaturas mundiais.

Nos próximos cinquenta anos, quase toda a população mundial estará exposta em alguma altura a doenças sazonais dos trópicos, “que já começaram a aparecer em climas propícios” como o estado norte-americano da Florida. “Zonas como a América do Norte, a Europa e montanhas nos trópicos onde o clima era demasiado frio para vírus vão enfrentar novas doenças, como a dengue“, afirmou Carlson.

Ao mesmo tempo que o clima aquece em certas regiões e potencia o aumento da população de mosquitos, nas zonas onde estes já são responsáveis pela transmissão de doenças em maior escala, o número de insectos pode diminuir porque fica demasiado quente para sobreviverem.

“Pode parecer que há más notícias por um lado e boas notícias por outro, mas acaba por ser tudo mau, porque numa região em que fique demasiado quente para a transmissão do dengue há outras ameaças para a saúde que são igualmente graves”, afirmou.

“Temos uma tarefa hercúlea pela frente. Precisamos de perceber, agente patogénico a agente patogénico e região a região, quando poderão surgir problemas para podermos planear uma resposta global”, concluiu.

ZAP // Lusa

Por Lusa
30 Março, 2019

[vasaioqrcode]

 

1736: O Espaço esconde uma nova ameaça para os astronautas: herpes

NASA / Wikipedia

As missões espaciais podem ser ainda mais complicadas para os astronautas, uma vez que alguns vírus latentes, como o herpes, são reactivados durante os voos.

De acordo com uma nova investigação da NASA publicada na revista Frontiers in Microbiology, embora os astronautas desenvolvam apenas uma pequena percentagem dos sintomas, a duração do voo espacial aumenta a taxa de reactivação do vírus, o que poderia representar mais desafios para missões como uma expedição a Marte ou além.

“Durante o voo espacial há um aumento na secreção de hormonas do stress, como o cortisol e a adrenalina, que suprimem o sistema imunológico. Descobrimos que as células imunes dos astronautas, particularmente aquelas que normalmente suprimem e eliminam os vírus, se tornam menos eficaz durante voos espaciais e, às vezes, até 60 dias depois”, disse Satish K. Mehta, do Centro Espacial Johnson, em comunicado.

Mehta e os seus colegas descobriram que a urina e a saliva dos astronautas contêm mais amostras de herpes do que antes ou depois da viagem espacial. Um dos culpados, suspeitam os investigadores, é o stress causado pelas missões espaciais.

Os astronautas da NASA suportam semanas ou até meses expostos a micro-gravidade e radiação cósmica, sem mencionar as forças extremas de descolagem e reentrada”, disse Mehta. “Esse desafio físico é agravado por factores stressantes mais familiares, como a separação social, confinamento e ciclo alterado de sono-vigília”.

“Até o momento, 47 dos 89 (53%) astronautas em voos curtos e 14 dos 23 (61%) em missões mais longas da Estação Espacial Internacional (ISS) têm o vírus do herpes nas suas amostras de saliva ou urina “, de acordo com os autores do estudo.

A reactivação do vírus do herpes nos astronautas não só representa uma ameaça para eles, mas também para as pessoas com as quais entram em contacto na Terra. Segundo o estudo, pessoas com o vírus reactivado ainda expelem substâncias infecciosas nos seus fluidos corporais até 30 dias após regressarem da ISS.

Felizmente, essa excreção viral é tipicamente assintomática. Os seis astronautas que desenvolveram sintomas devido à reactivação sofreram apenas sintomas menores. No entanto, o facto de a duração dos voos espaciais poder afectar a reactivação de vírus não é um bom sinal para futuras missões. A duração, frequência e magnitude da propagação viral aumentam com a duração do voo espacial.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
19 Março, 2019

[vasaioqrcode]

 

1696: Doença transmitida por mosquitos pode ameaçar metade do planeta até 2050

Jim Gathany / Wikimedia

Até 2050, metade da população mundial pode estar em risco devido a doenças transmitidas por mosquitos como dengue ou o vírus do Zika.

Uma combinação de mudanças ambientais, urbanização e movimentos humanos em todo o mundo estão a ajudar os mosquitos a espalharem-se para novas áreas, de acordo com os resultados do estudo publicado na revista Nature Microbiology.

“Encontramos evidências de que, se nenhuma acção for tomada para reduzir a actual taxa de aquecimento, haverá habitats em muitas áreas urbanas com grandes quantidades de indivíduos susceptíveis a infecções”, disse Moritz Kraemer, do Hospital Infantil de Boston e a Universidade de Oxford.

A investigação concentra-se nas espécies de mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, ambas conhecidas pela sua capacidade de transportar e transmitir doenças.

O novo estudo analisou dados de rastreamento de mosquitos dos Estados Unidos e da Europa, incorporando uma variedade de factores num modelo para prever a disseminação da espécie nas próximas décadas.

Os investigadores conduziram as simulações em três diferentes cenários climáticos potenciais, assumindo níveis moderados, altos e severos de futuras mudanças climáticas.

Actualmente, os dados sugerem que o Aedes aegypti está a espalhar-se pelos Estados Unidos – a partir dos estados do sul – a uma taxa de cerca de 59 quilómetros por ano, embora se tenha espalhado em taxas mais rápidas no passado. Por outro lado, o Aedes albopictus parece estar a espalhar-se a taxas cada vez mais rápidas em toda a Europa, actualmente a uma taxa de cerca de 63 quilómetros por ano.

O estudo sugere que as duas espécies vão continuar a espalhar-se pelo mundo nas próximas décadas, embora os factores que as impulsionem possam mudar com o passar do tempo.

A curto prazo, o estudo constata que as mudanças ambientais provavelmente não farão muita diferença na taxa de disseminação, pois os mosquitos expandem-se naturalmente. Mesmo sob as condições climáticas actuais, espera-se que ambas as espécies continuem a mover-se para novas áreas.

No longo prazo, porém, espera-se que as mudanças climáticas e outros factores, como o aumento da densidade populacional e a urbanização, se tornem grandes influências no número de pessoas expostas a doenças transmitidas por mosquitos.

Entre 2030 e 2050, a mudança climática – que pode tornar as áreas anteriormente impróprias habitáveis ​​para os mosquitos através do aumento das temperaturas e condições mais húmidas – provavelmente tornar-se-á um factor primordial. Quanto mais severo for o cenário futuro das mudanças climáticas, maior a população em risco.

No geral, a investigação constata que pelo menos 49% da população mundial estará em risco de doenças transmitidas por mosquitos até 2050. Este percentual continuará a crescer, mesmo sob cenários climáticos moderados.

Como resultado, os cientistas observam que “reduzir as emissões de gases do efeito estufa seria desejável para limitar o aumento de habitats adequados“.

ZAP // Scientific American

Por ZAP
11 Março, 2019

[vasaioqrcode]

 

722: Poluição do ar já provocou 3,2 milhões de novos casos de diabetes

(CC0/PD) Foto-Rabe / pixabay

Segundo um estudo da Washington University School of Medicine, de St. Louis, nos Estados Unidos, um em cada sete novos casos de diabetes é causado pela poluição do ar.

Os autores desta investigação acreditam que “a poluição reduz a produção de insulina e provoca inflamações, impedindo o corpo de transformar a glicose do sangue em energia”. O elo entre a doença e a falta de ar puro já tinha sido desenvolvido por estudos anteriores.

A estimativa de 14%, isto é, um em cada sete casos, é baseada em dados médicos de 1,7 milhão de ex-combatentes americanos, acompanhados durante oito anos e meio e escolhidos por não terem diabetes no começo deste estudo. O artigo científico foi publicado dia 29 de Junho, na revista Lancet Planetary Health.

Os investigadores envolvidos no estudo estabeleceram um modelo estatístico para observar de que forma a poluição do ar poderia explicar a aparição desta doença, não esquecendo os factores que favorecem a diabetes, como a obesidade.

“A nossa investigação demonstra um elo significativo entre poluição do ar e a diabetes no mundo”, afirmou em comunicado o professor de medicina Ziyad Al-Aly. “É importante ressaltar este facto porque muitos lobbies económicos afirmam que os limites de poluentes na atmosfera são muito baixos.”

No entanto, sublinha o investigador, “temos provas de que os níveis actuais ainda devem ser reduzidos“.

Países que não respeitam os limites impostos, como a Índia, o Afeganistão e a Guiana, apresentam maior taxa de diabetes decorrente da poluição do ar. No lado oposto, há menos casos deste tipo da doença em nações mais endinheiradas como a França, a Finlândia e a Islândia.

A diabetes é uma das doenças que apresenta um enorme crescimento nas últimas décadas, com mais de 420 milhões de pessoas afectadas em todo o mundo. Além da poluição, a genética, a alimentação e o estilo de vida sedentários são os principais factores associados à aparição da doença.

ZAP // Ciberia / RFI / WUSTL

Por ZAP
3 Julho, 2018

[vasaioqrcode]

[SlideDeck2 id=1476]

[powr-hit-counter id=733c101e_1530609694091]

106: O metal do asteróide que matou os dinossauros pode ser uma arma contra o cancro

Cinemuse / Vimeo
O asteróide que extinguiu os dinossauros atingiu a Terra com um energia equivalente a dez mil milhões de bombas de Hiroshima

Uma nova investigação de cientistas britânicos e chineses sugere que há um metal precioso que pode ajudar a eliminar células cancerígenas: o metal do asteróide que extinguiu os dinossauros.

Esta é a conclusão de um estudo realizado em conjunto por universidades do Reino Unido e da China, segundo o qual os investigadores conseguiram eliminar células cancerígenas, preenchendo-as com oxigénio em estado excitado com irídio.

Este elemento químico encontra-se presente na crosta terrestre há cerca de 66 milhões de anos, com alguns cientistas a acreditar na teoria de que chegou ao nosso planeta com o asteróide que provocou a extinção dos dinossauros.

A platina, outro elemento químico, “utiliza-se em mais de 50% das quimioterapias”, assim como outros metais preciosos, tais como o irídio, porque têm um grande potencial para desenvolver “drogas específicas que atacam as células cancerígenas de uma forma completamente nova e que combatem a sua resistência”, destaca Peter Salder, um dos autores deste estudo, publicado no Angewandte Chemie International Edition.

Concretamente, este método consiste em introduzir um composto com partículas de irídio num tumor e, posteriormente, utilizar um laser através da pele na zona cancerígena. Isto desencadeia um processo que liberta o oxigénio em estado excitado dentro das células malignas até causar a sua destruição.

Durante a investigação, os cientistas utilizaram uma amostra de um cancro do pulmão, que “bombardearam” com um feixe de luz vermelha para activar este composto. Como resultado, todas as células foram destruídas e, além disso, o processo não afectou as células saudáveis.

Este estudo assume “um salto” nos esforços para compreender o funcionamento dos compostos anti-cancerígenos deste tipo e “introduz diversos mecanismos de acção” que apontam como vencer a resistência desta doença e “atacar o cancro de diferentes ângulos”, diz ainda o co-autor do estudo, Cookson Chiu.

ZAP // RT

Por ZAP
6 Novembro, 2017

[vasaioqrcode]

[SlideDeck2 id=42]

[yasr_visitor_votes size=”medium”]

[powr-hit-counter id=30a3d52a_1509964004960]