2681: Mosquitos geneticamente modificados estão a reproduzir-se no Brasil

CIÊNCIA

Frank Hadley Collins / Sanofi Pasteur / Flickr
Fêmea de Aedes aegypti, mosquito que pode transmitir três doenças: zika, dengue e chikungunya

Mosquitos geneticamente modificados estão a reproduzir-se no Brasil, segundo uma investigação recentemente publicada. A empresa responsável pela criação destes insectos mutantes realça que não há perigo para a saúde das pessoas.

O plano para reduzir a população local de mosquitos na cidade de Jacobina, no Brasil, saiu totalmente furado. Com a ideia geral de travar a disseminação de doenças transmitidas por este insecto, como febre amarela, dengue e zika, os cientistas soltaram 450 mil mosquitos geneticamente modificados.

“A alegação era de que os genes da cepa libertada não entrariam na população geral porque as suas crias morreriam. Isso obviamente não foi o que aconteceu“, explicou Jeffrey Powell, autor do estudo publicado na semana passada na revista Scientific Reports.

A verdade é que os mosquitos geneticamente modificados conseguiram reproduzir-se com os outros mosquitos, elevando ainda mais a sua população na região. A experiência iniciada em 2013 foi realizada pela empresa de biotecnologia britânica Oxitec e os resultados conseguidos estão a levantar preocupações em relação à sua segurança.

O objectivo inicial da Oxitec era reduzir a população em 90%, sem afectar a sua integridade genética. De acordo com o Gizmodo, apesar de assegurarem o contrário, cientistas da Universidade de Yale acompanharam o desenvolvimento da experiência e detectaram material genético dos mosquitos geneticamente modificados na população local.

Os investigadores descobriram “claras evidências” de que partes do genoma dos mosquitos transgénicos “foram incorporados na população-alvo”.

“Baseado amplamente em estudos de laboratório, é possível prever qual será o resultado provável da libertação de mosquitos transgénicos, mas estudos genéticos do tipo que fizemos devem ser feitos durante e após essas libertações para determinar se aconteceu algo diferente do previsto”, explicou Powell.

A Oxitec previa que três quartos das crias de mosquitos conseguiriam sobreviver até à idade adulta, mas que seriam demasiado fracos para se reproduzirem. Contudo, não foi isso que se verificou.

Inicialmente, as suas aspirações até estavam bem encaminhadas, com a população de mosquitos em Jacobina a decrescer significativamente. Porém, viria a recuperar, chegando quase aos níveis iniciais. Os cientistas acreditam que isto se tenha devido a uma discriminação por parte das fêmeas, que se recusaram em acasalar com machos modificados geneticamente.

Um porta-voz da Oxitec disse à Gizmodo que a empresa está “actualmente a trabalhar com os editores da Nature Research [a revista científica responsável pela publicação] para remover ou corrigir substancialmente o artigo, que contém inúmeras alegações e declarações falsas, especulativas e sem fundamento sobre a tecnologia dos mosquitos da Oxitec”.

De acordo com o porta-voz, a investigação não identificou nenhum “efeito negativo, deletério ou imprevisto para as pessoas ou para o meio ambiente da libertação dos mosquitos”.

Entretanto, a Scientific Reports adicionou uma nota no artigo em que realça que a investigação está sujeita a críticas que estão a ser consideradas por responsáveis da revista científica.

ZAP //

Por ZAP
21 Setembro, 2019

 

1785: Mil milhões de pessoas ficarão expostas a doenças tropicais se aquecimento global continuar

CIÊNCIA E SAÚDE

USDAgov / Flickr
Aedes aegypti, o mosquito da dengue

Cerca de mil milhões de pessoas ficarão expostas a doenças como a febre dengue se o aquecimento global continuar, afirmam cientistas que estudaram as temperaturas no mundo e concluíram que as doenças de climas tropicais estão em expansão.

Os investigadores afirmam que estas doenças atacarão até as zonas do globo com climas actualmente menos favoráveis aos mosquitos, porque os vírus que estes propagam provocam epidemias explosivas quando se verificam as condições certas.

As alterações climáticas são a maior e mais complexa ameaça à saúde mundial”, afirmou o biólogo Colin Carlson, da universidade norte-americana de Georgetown, em Washington, referindo que “os mosquitos são só uma parte do problema”, mas que a preocupação dos cientistas aumentou depois da epidemia de Zika no Brasil em 2015.

O estudo, publicado esta sexta-feira no boletim científico PLOS, baseou-se no registo mensal das temperaturas mundiais.

Nos próximos cinquenta anos, quase toda a população mundial estará exposta em alguma altura a doenças sazonais dos trópicos, “que já começaram a aparecer em climas propícios” como o estado norte-americano da Florida. “Zonas como a América do Norte, a Europa e montanhas nos trópicos onde o clima era demasiado frio para vírus vão enfrentar novas doenças, como a dengue“, afirmou Carlson.

Ao mesmo tempo que o clima aquece em certas regiões e potencia o aumento da população de mosquitos, nas zonas onde estes já são responsáveis pela transmissão de doenças em maior escala, o número de insectos pode diminuir porque fica demasiado quente para sobreviverem.

“Pode parecer que há más notícias por um lado e boas notícias por outro, mas acaba por ser tudo mau, porque numa região em que fique demasiado quente para a transmissão do dengue há outras ameaças para a saúde que são igualmente graves”, afirmou.

“Temos uma tarefa hercúlea pela frente. Precisamos de perceber, agente patogénico a agente patogénico e região a região, quando poderão surgir problemas para podermos planear uma resposta global”, concluiu.

ZAP // Lusa

Por Lusa
30 Março, 2019

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