2385: Paleontólogos descobrem estranhos micróbios em fósseis de dinossauro

CIÊNCIA

Peter Trusler / University of Queensland
Imagem ilustrativa

Uma equipa de paleontólogos procurou preservar proteínas de colagénio nos ossos fossilizados de um dinossauro. Mas os cientistas não encontraram as proteínas: em vez disso, encontraram comunidades incomuns de micróbios modernos.

Para as preservar, uma equipa internacional de paleontólogos decidiu procurar proteínas de colagénio nos ossos fossilizados de um Centrosaurus, mas sem sucesso. Em vez disso, os cientistas encontraram comunidades incomuns de micróbios modernos a viver dentro dos ossos do dinossauro. O artigo científico foi publicado em Junho na eLife.

“É a primeira vez que descobrimos esta comunidade microbiana única nestes ossos fósseis enterrados no subsolo”, disse o principal autor do estudo, Evan Saitta, investigador do Field Museum of Natural History, citado pelo Sci-News.

Durante o processo de fossilização, os tecidos biológicos degradam-se ao longo de milhões de anos. Ainda assim, os cientistas encontraram vestígios de material biológico dentro de alguns fósseis.

Enquanto que alguns cientistas acreditam que estes podem ser os restos de antigas proteínas, vasos sanguíneos e células, tradicionalmente considerados como estando entre os componentes menos estáveis do osso, outros investigadores estão convencidos de que têm fontes mais recentes.

(dr) Evan Saitta / Field Museum of Natural History
Micróbios modernos a fluorescente

Para investigar a origem do material biológico em ossos de dinossauros, Saitta e a sua equipa realizaram várias análises nos ossos fossilizados, com cerca de 75 milhões de anos, do Centrosaurus. Os ossos foram cuidadosamente escavados de forma a reduzir a contaminação.

Depois, os cientistas compararam a composição bioquímica dos fósseis com os modernos ossos de galinha, os sedimentos do local dos fósseis em Alberta, no Canadá, e os antigos dentes de tubarão, chegando assim à conclusão que os fósseis de Centrosaurus não pareciam conter as proteínas de colagénio presentes nos ossos novos ou nos dentes de tubarão muito mais jovens.

Mas vemos muitas evidências de micróbios recentes. Há claramente algo orgânico nestes ossos”, disse o cientista, adiantando ter encontrado carbono orgânico morto sem radio-carbono, aminoácidos recentes e ADN no osso – descobertas indicativas de que o osso hospeda uma comunidade microbiana moderna.

Surpreendentemente, os micróbios encontrados nos ossos não são as mesmas bactérias que vivem na rocha ao seu redor. “É uma comunidade muito incomum. Cerca de 30% das sequências estão relacionadas a Euzebya“, disse Saitta.

“Não sabemos ao certo por que estes micróbios em particular estão a viver nos ossos dos dinossauros, mas não estamos chocados com o facto de as bactérias serem atraídas pelos fósseis”, explicou ainda.

Os ossos fósseis contêm fósforo e ferro, “e os micróbios precisam deles como nutrientes”. Além disso, os ossos são porosos “Se fosse uma bactéria a viver no chão, provavelmente iria querer viver num osso de dinossauro”, concluiu.

ZAP //

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28 Julho, 2019

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2362: Ninhos descobertos na Mongólia mostram que os dinossauros protegiam os seus ovos

CIÊNCIA

(dr) Masato Hattori

Ninhos de dinossauro descobertos no Deserto de Gobi, na Mongólia, mostram que estes animais pré-históricos faziam ninhos em grupo e, tal como os pássaros, protegiam os seus ovos.

De acordo com a revista Nature, uma equipa de investigadores descobriu fósseis de um grupo de 15 ninhos com mais de 50 ovos, com cerca de 80 milhões de anos, no Deserto de Gobi, na Mongólia.

“Os dinossauros costumam ser retratados como criaturas solitárias que faziam os seus ninhos sozinhas, enterrando os ovos e depois indo embora. Agora conseguimos mostrar que alguns dinossauros eram muito mais gregários. Uniam-se e estabeleciam uma colónia que provavelmente os protegia”, explica François Therrien, paleontólogo do Museu Real Tyrrell de Paleontologia, no Canadá.

A descoberta, publicada no início deste mês na revista científica Geology, fornece a mais clara evidência até ao momento que os complexos comportamentos reprodutivos dos dinossauros, como os ninhos em grupo, evoluíram antes das aves modernas se terem separado deles há 66 milhões de anos.

Desde os anos 80 que os paleontólogos desenterram ovos fossilizados ou ninhos que estão agrupados. Mas a rocha circundante geralmente representa vários milhares de anos ou mais, tornando difícil para os investigadores saber se os ovos foram colocados ao mesmo tempo, ou apenas no mesmo lugar, explica Darla Zelenitsky, paleontóloga da Universidade de Calgary, no Canadá, e co-autora do estudo.

Mas este grupo de ninhos agora descoberto é diferente. A formação de 286 metros quadrados contém camadas vivas de cor laranja e cinzenta. Entre estas, encontra-se uma risca fina de rocha vermelha brilhante que conecta todos os 15 ninhos relativamente intactos. Alguns dos ovos esféricos, com cerca de dez a 15 centímetros de diâmetro, haviam eclodido e estavam parcialmente preenchidos com a rocha vermelha.

Uma vez que a tal risca vermelha liga todos os ovos, a descoberta sugere que os dinossauros os tenham colocado juntos, durante a mesma época de reprodução, provavelmente com o objectivo de os proteger de predadores e outras ameaças. “Geologicamente, acho que não poderíamos ter pedido um sítio melhor”, diz Zelenitsky.

A paleontóloga e os colegas também foram capazes de identificar o tipo de dinossauro que colocou lá os ovos. Graças às suas texturas exteriores e interiores, bem como a espessura da casca, os investigadores sugerem que se trata de um terópode não aviário, grupo que inclui o velociraptor e o tiranossauro.

Os investigadores ainda conseguiram estimar que pouco mais mais de metade dos ninhos teve pelo menos um ovo chocado. Essa taxa de sucesso relativamente alta é parecida com a de aves e crocodilos modernos que protegem os seus ninhos, comparativamente com as espécies que os abandonam.

ZAP // HypeScience

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23 Julho, 2019

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2227: O T-Rex tem dois novos primos tailandeses

PALEONTOLOGIA

Universidade de Bonn

Duas novas espécies de dinossauros, que eram predadores eficientes e parentes distantes do Tiranossauro-Rex, foram identificadas em restos fósseis encontrados há 30 anos na Tailândia, revelou a Universidade de Bonn, na Alemanha.

Há três décadas, o Museu de Sirindhorn, no sul da Tailândia, recebeu ossos fossilizados de dinossauros que nunca foram analisados em detalhe. “Há cinco anos encontrei estas descobertas durante a minha pesquisa, explicou Adun Samathi, paleontólogo tailandês que está a fazer o seu doutoramento no Instituto Steinmann de Geologia, Mineração e Paleontologia da Universidade de Bonn.

Depois de “tropeçar” no achado, o investigador levou alguns moldes dos fósseis para serem analisados juntamente com o seu orientador, o professor Martin Sander, recorrendo a tecnologias mais avançadas.

Os resultados da investigação mostram uma nova visão sobre a história dos megaraptors, um grupo de dinossauros de grandes dimensões, que inclui, por exemplo, o T-Rex e que agora tem duas novas espécies conhecidas.

À semelhança do “primo” T-Rex, as novas espécies também corriam sobre as suas patas traseiras. Em sentido oposto, estes familiares tinham braços fortes dotados com grandes garras. Além disso, tinham também cabeças mais delicadas e um focinho largo.

“Conseguimos atribuir os ossos [fossilizados] a um novo megaraptor, que chamamos de Phuwiangvenator yaemniyomi“, revelou Samathi, citado em comunicado.

O nome escolhido, recorda, por um lado, refere-se a Phuwiang, uma área no noroeste da Tailândia, e, por outro lado, tem também a referência ao cientista responsável pela descoberta do primeiro fóssil de dinossauro tailandês.

O investigador revelou ainda mais alguns detalhes sobre o Phuwiangvenator yaemniyomi: era, provavelmente, um corredor rápido com cerca de seis metros de comprimento, ou seja, menor do que o T-Rex (12 metros.)

Quanto à segunda nova espécie descoberta, o estudante afirma que há menos informação. Os ossos identificados também pertencem a um megaraptor, que era um pouco mais pequeno, medindo cerca de 4,5 metros.

O material analisado não foi suficiente para precisar a sua ascendência com exactidão, mas os cientistas acreditam que este seja um outro primo do T-Rex, tendo-lhe atribuído o nome de Vayuraptor nongbualamphuenisis.

“Talvez a situação [das duas novas espécies] possa ser comparada à [situação] dos grandes felinos africanos”, explica Samathi. “Se Phuwiangvenator fosse um leão, Vayuraptor seria um chita”, rematou o estudante.

Os resultados da investigação foram esta semana publicados na revista científica especializada Acta Palaeontologica Polonica.

ZAP //

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24 Junho, 2019

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2153: Foi descoberta mais uma espécie de dinossauro que pode ter gatinhado

CIÊNCIA

Alejandro Otero et. al / Scientific Reports
Mussaurus patagonicus

Os cientistas identificaram mais uma espécie de dinossauro que pode ter gatinhado antes de andar, tal como acontece quando somos bebés.

De acordo com o Science Alert, o dinossauro em causa pertence ao grupo dos Saurópodes, chama-se Mussaurus patagonicus e viveu há cerca de 200 milhões de anos, naquilo que agora podemos chamar de Argentina.

A nova investigação, publicada em maio na revista científica Scientific Reports, sugere que o crescimento dramático nos primeiros anos de vida pode ter levado a uma mudança na forma como se movimentava.

Estas descobertas baseiam-se nas reconstruções 3D feitas a partir de fósseis que demonstram três estágios cruciais na vida destes dinossauros – cria, um ano de idade e fase adulta – e que permitiram aos cientistas descobrir onde o seu centro de massa corporal estaria ao longo da vida.

“Temo-nos esforçado para encontrar outros animais, para além dos humanos, que passam por esta transição. Descobri-lo nestes fósseis é excepcional”, afirma Andrew Cuff, paleontólogo da Universidade de Londres ao Science News.

Uma cria do M. patagonicus teria cabido na palma da nossa mão e pesava cerca de 60 gramas. Nesta fase, os cientistas afirmam que o animal teria uma cabeça e um pescoço relativamente grandes, assim como antebraços bem desenvolvidos, que usava para se movimentar com as quatro patas.

À medida que crescia e ficava com uma cauda mais longa, o centro gravitacional do dinossauro terá mudado para a zona pélvica, permitindo-lhe ficar em pé só com duas. Na fase adulta, esta espécie já teria cerca de seis metros e pesava cerca de mil quilos.

“Não sabemos se este padrão se aplica a todos os Saurópodes. Mas a verdade é que este grupo de animais alterou os seus movimentos de uma forma tão semelhante à dos humanos que é fascinante”, diz o paleontólogo do Museu de La Plata e autor principal do estudo, Alejandro Otero, à National Geographic.

Os investigadores também consideram que os seus modelos sugerem que a longitude da cauda e do pescoço é mais importante quando se trata de descobrir se os dinossauros andavam de pé – talvez mais importante do que o equilíbrio entre o comprimento da pata traseira e dianteira, que os especialistas usaram como linha de orientação até agora.

A maioria destes Saurópodes nunca chegaram à fase de andar em pé e provavelmente andaram toda a vida em quatro patas para conseguir suportar o peso da sua massa corporal. Pensa-se que algumas das excepções tenham sido o Maiassauro, o Iguanodon, o Psitacossauro, o Driossauro e o Massospondylus.

Ter acesso a fósseis suficientes que consigam representar tão bem a vida de um dinossauro é raro, tanto que, no caso deste Mussaurus patagonicus, foram precisos cerca de 50 anos para o conseguir.

“São raros os dinossauros para os quais temos uma boa série de fósseis, desde os ovos ou crias até adultos, e o Mussaurus foi um desses casos, o que nos abriu portas a algumas questões muito interessantes que não eram viáveis há 20 anos”, diz John Hutchinson, um dos investigadores da equipa.

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11 Junho, 2019

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2066: Dinossauro com mais de 20 toneladas andava em “bicos de pés”

CIÊNCIA

Konstantinov, Atuchin & Hocknull.

Uma nova investigação da Universidade de Queensland, na Austrália, descobriu que um dinossauro massivo do Jurássico (com cerca de 24 tonelada) andava em “bicos de pés”, como se estivesse a usar “saltos altos”. 

O estudante de doutoramento Andréas Jannel e os seus colegas analisaram fósseis do saurópode Rhoetosaurus brownei, que datam de 160 a 170 milhões de anos e foram encontrados no sudoeste de Queensland. A investigação visava melhor compreender como é que uma criatura tão grande poderia suportar o seu próprio peso corporal.

Ao analisar os ossos das extremidades do dinossauro, “ficou claro que o Rhoetossauro andava com o calcanhar elevado, o que levanta a questão: como é que as suas pernas poderiam suportar a imensa massa corporal deste animal, que poderia pesar até 40 toneladas?”, questiona Jannel em comunicado.

Embora o Rhoetossauro tenha andado em “bicos de pés”, o seu calcanhar foi “amortecido por uma almofada carnuda”, semelhante às patas dos elefantes, aponta o novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados no Journal of Morphology.

Contudo, há uma pequena grande diferença entre estes animais: os dinossauros eram, pelo menos, cinco vezes mais pesados do que um elefante.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas criaram uma réplica do fóssil e manipularam-no fisicamente de forma a tentar perceber o movimento dos seus ossos. Os cientistas recorreram também a técnicas de modelagem 3-D.

Segundo Jannel, a novidade da “almofada de amortecimento” parece ser “uma inovação-chave durante a evolução dos saurópodes”, cujas vantagens podem ter facilitado a tendência dos enormes corpos destes animais.

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28 Maio, 2019


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2003: Revelada nova espécie de dinossauro saurópode na Lourinhã

CIÊNCIA

Carlos Giachetti / Flickr

Paleontólogos portugueses e espanhóis descreveram uma nova espécie de dinossauro herbívoro saurópode, cujos fósseis foram recolhidos há mais de 20 anos numa praia da Lourinhã, num artigo científico publicado num boletim especializado.

O Oceanotitan dantasi é descrito como sendo um novo género e uma nova espécie de dinossauro saurópode no artigo “Um novo saurópode macronário do Jurássico Superior de Portugal”, publicado na quarta-feira no Journal of Vertebrate Paleontology, a que a agência Lusa teve hoje acesso.

Um dos autores, Pedro Mocho, do Instituto Don Luiz da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e da Sociedade de História Natural de Torres Vedras, disse à Lusa que, enquanto outros saurópodes já conhecidos atingem grandes dimensões, este animal chamou a atenção dos investigadores “pelo seu tamanho mediano”.

As características morfológicas encontradas neste herbívoro “colocava-o fora dos grupos do Jurássico Superior e assemelhava-o a formas do Cretáceo”, explicou. Esta espécie vem contribuir para a enorme diversidade de dinossauros saurópodes encontrados em Portugal com 150 a 145 milhões de anos, pertencentes ao período do Jurássico Superior.

Os autores do estudo escolheram o nome Oceanotitan dantasi, em alusão à costa atlântica, onde foram encontrados os fósseis, à música “oceania” da cantora islandesa Björk e ao paleontólogo português Pedro Dantas, um dos responsáveis pelo renascimento da paleontologia de vertebrados em Portugal nos anos 90 do século XX e então paleontólogo do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, em Lisboa.

O estudo em que é descrita a nova espécie é também subscrito pelos espanhóis Rafael Royo-Torres, investigador do Museu Aragonês de Paleontologia, e Francisco Ortega, da Universidade Nacional de Educação à Distância de Madrid e da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.

Os achados deste dinossauro agora estudado foram feitos em 1996 nas arribas da praia de Valmitão, concelho da Lourinhã, por José Joaquim dos Santos, um cidadão de Torres Vedras que, nos seus tempos livres de carpinteiro, se ocupa a encontrar fósseis de dinossauro e outros animais nas arribas.

Durante mais de 20 anos, José Joaquim dos Santos recolheu alguns milhares de fósseis pertencentes a dinossauros, tartarugas, crocodilos, peixes e até tubarões, cuja colecção foi vendida em 2009 à Câmara de Torres Vedras, para vir a expo-los num futuro museu. A colecção tem vindo a ser estudada desde essa altura por investigadores associados da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.

ZAP // Lusa

Por Lusa
18 Maio, 2019



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1977: Como aprenderam os dinossauros a voar? Novo robô responde

CIÊNCIA

Uma equipa de cientistas da Universidade de Pequim, na China, realizou várias experiências que indicam que os dinossauros desenvolveram a habilidade de voo ao baterem as suas asas quando corriam.

Na linha de tempo da evolução do voo das aves, o deslizamento parece ser o passo mais lógico e aceite. No entanto, uma investigação recente sugere que algumas espécies poderiam ter feito o salto directo para o voo sem qualquer fase de deslizamento, o que poderia forçar os cientistas a reescrever a compreensão da evolução das aves.

Os cientistas acreditam que os pássaros modernos evoluíram de certos tipos de dinossauros, e exemplo disso são as espécies transicionais Archaeopteryx. Esta criatura do tamanho de um corvo, que viveu há 150 milhões de anos, tinha uma estranha mistura de características aviárias e reptilianas, ostentando penas e asas, dentes e até uma cauda.

Estudos recentes mostraram que esta espécie planou e acredita-se que outros, como o Anchiornis, foram também capazes de voar.

Todavia, um recente estudo publicado na PLOS Computational Biology, sugere que o deslizamento não precisou de ter sido necessariamente um passo intermediário para o voo activo, que envolve o esplendoroso bater de asas.

Uma equipa de cientistas, liderada por Jing-Shan Zhao, cientista do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Tsinghua, em Pequim, estudou o Caudipteryx, um animal do tamanho de um pavão e o mais antigo dinossauro não-voador conhecido. Esta criatura, que pesava cerca de cinco quilos, não conseguia voar, mas era capaz de correr a uma velocidade de oito metros por segundo.

Os cientistas suspeitam de que as asas de Caudipteryx, apesar de não conseguirem voar, batiam cada vez que este animal corria, o que, consequentemente, poderá ter levado à eventual evolução do voo activo.

Para testar esta hipótese, os investigadores analisaram os efeitos mecânicos da corrida em diferentes partes do corpo do animal. Segundo cálculos matemáticos, se o Caudipteryx estivesse a correr a velocidades entre 2,5 e 5,8 metros por segundo, as vibrações forçadas das pernas teriam causado o abano das proto-asas do animal.

A hipótese mostra assim que as características físicas do dinossauro permitiam o desenvolvimento da habilidade de voo, mas os cientistas quiseram testar esta possibilidade no mundo real. Para isso, a equipa construiu um robô Caudipteryx em tamanho real capaz de funcionar em diferentes velocidades de uma passadeira.

O movimento de corrida fez com que as asas do robô batessem e, para complementar os resultados, a equipa colocou asas artificiais nas costas de uma avestruz. Em ambos os casos, os movimentos de corrida desencadearam uma vibração passiva das asas, o que confirma a proposta do estudo.

Assim, tanto o modelo matemático como a demonstração real, provam que o movimento de bater de asas foi desenvolvido de forma passiva e natural. “Apesar de este movimento não conseguir levantar o animal no ar, o bater das asas pode ter-se desenvolvido mais cedo do que o próprio deslizamento“, afirma Jing-Shan Zhao, citado pelo New Atlas.

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14 Maio, 2019


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1963: Descoberto dinossauro do Jurássico que voava com asas de morcego

CIÊNCIA

Uma nova investigação, levado a cabo por paleontólogos da Academia Chinesa de Ciências, descobriu uma espécie de dinossauro nunca antes documentada, que tem penas e asas semelhantes às de um morcego, utilizadas para planar. 

De acordo com o novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Nature, o fóssil analisado foi encontrado em 2017 na província de Liaoning, na China. Ambopteryx longibrachium pertence à ordem dos Scansoriopterygidae e terá habitado a Terra há cerca de 163 milhões de anos, durante o Jurássico.

A espécie, de pequenas dimensões (32 centímetros de comprimento e 306 gramas de peso) – da mesma envergadura de uma pega -, tinha uma membrana larga, lisa e macia, que se estendia do corpo aos antebraços.

Em 2007, outro aparente dinossauro desta espécie tinha sido encontrado na província de Henbei. Na época, foi baptizado de “Yi qi” (que significa “asa estranha”). Os especialistas sugeriram que se tratava de um dos primeiros animais planadores, já que tinham asas semelhantes às de um morcego, contudo a sustentação não foi aceite pela comunidade científica até a descoberta deste novo espécime.

Apesar de pertencer à mesma família, o Ambopteryx apresenta diferenças notáveis comparativamente com o seu primo descoberto em 2007: o osso das extremidades superiores é mais largo, possui uma cauda curta que termina em vértebras fundidas e tem ainda membros posteriores mais alongados.

“As descobertas de Ambopteryx e Yi mudam completamente a nossa visão sobre a origem do voo das aves”, afirmou Min Wang, paleontólogo do Instituto de Paleontologia e Paleontologia de Vertebrados da Academia Chinesa de Ciências e líder da equipa de investigadores.

O novo estudo fornece novas informações sobre a evolução dos dinossauros para se adaptarem ao voo. “Durante muito tempo, pensamos que as asas com penas eram o único dispositivo de voo” na evolução das aves, apontou Wang.

“No entanto, as novas descobertas mostram claramente que as asas membranosas também evoluíram em alguns dinossauros intimamente relacionados com as aves. Em conjunto, a amplitude e a riqueza da experimentação relacionada com o voo são maiores do que se pensava até então durante a transição dinossauro-pássaro. Estamos só a ver a ponta do icebergue”, completou o cientista.

Ambopteryx era certamente capaz de planar, assegurou o cientista, o mais difícil é saber é se conseguia “voar” a partir de uma posição estática (por impulso). Provavelmente omnívoros, estes espécimes viveram um estilo de vida arbóreo, rematou o cientista.

ZAP //

Por ZAP
12 Maio, 2019


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1933: Encontradas ossadas de primo anão do T-Rex

CIÊNCIA

Há 92 milhões de anos, um parente do Tiranossauro Rex com menos de um metro de altura vivia junto com os grandes gigantes do Jurássico.

Uma reprodução de como seria o Suskityrannus hazelae.
Foto Andrey Atuchin

Sterling Nesbitt e o fóssil que descobriu aos 16 anos, em 1998.
Foto DR

Suskityrannus hazelae é um novo dinossauro. Parente do famoso e terrível Tiranossauro Rex (T-Rex), o rei do Jurássico, este novo animal era, no entanto, mais discreto. Uma espécie de primo anão do T-Rex, o Suskityrannus hazelae tinha apenas 0,91 centímetros de altura e 2,74 metros de comprimento.

A descoberta, anunciada esta segunda-feira, foi feita pelo departamento de Geociências da Universidade Virginia Tech, dos EUA e publicada na revista Nature Ecology& Evolution . Mas se a sua descoberta só agora foi anunciada, os seus ossos foram encontrados pelo líder da investigação – Sterling Nesbitt – quando este tinha apenas 16 anos e era um estudante do liceu e participava numa escavação no Novo México, em 1998, liderada por Doug Wolfe, autor do estudo agora publicado. O fóssil encontrado pertence a um animal que teria cerca de três anos.

Acredita-se que este primo do T-Rex pesasse na idade adulta entre 20 e 40 quilos, enquanto o próprio do T-Rex pesava 8 toneladas. A dieta seria uma das coisas em comum entre as duas espécies. Este Suskityrannus hazelae viveu há cerca de 92 milhões de anos no período do Cretáceo, durante o qual viveram alguns dos dinossauros mais famosos: Triceratopos, Velociraptor ou o Bractrossauro. Além, claro do Tiranossauro Rex.

Na revista Nature, Sterling Nesbitt refere que a descoberta “liga os tiranossauros mais antigos e mais pequenos do Norte da América e da China com os maiores que resistiram até ao final da extinção dos dinossauros não-aviários”.

Antes do fóssil descoberto por Nesbitt já outro tinha sido encontrado, um ano antes, mas menos completo. E por 20 anos, os cientistas não souberam o que tinham em mãos. “Essencialmente, não sabíamos que era um primo do Tiranossauro Rex durante muitos anos”, referiu à publicação. Ainda se pensou que as ossadas pertenciam a um Velociraptor, até terem percebido que se tratava de um Suskityrannus hazelae. Nome que junta Suski, o nome dado pela tribo americana Zuni aos coiotes, e Tyrannus, o nome latino para rei. Hazelae é uma homenagem ao professor AHzel Wolfe que apoiou a expedição.

Diário de Notícias
Ana Bela Ferreira
06 Maio 2019 — 22:30

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1906: Impressão de pele de dinossauro encontrada perfeitamente preservada. É única no mundo

CIÊNCIA

philjrenaud / Flickr

Várias pegadas de dinossauro com uma precisão sem precedentes foram identificadas por uma equipa de cientistas numa camada de uma rocha extraída na cidade de Jinju, na Coreia do Sul. 

No total são cinco impressões, quatro das quais foram atribuídas com certeza a um mesmo animal bípede que atravessou a lama húmida daquela região há milhões de anos. A equipa de geólogos internacionais considerou que o autor das pegadas foi um dinossauro nomeado como Minisauripus, que terá sido o menor terópode até então conhecido.

Em comunicado, Martin Lockley, professor da Universidade do Colorado em Denver, nos Estados Unidos, explicou que estas são as primeiras amostras já encontradas “onde as impressões perfeitas da pele cobrem toda a superfície de cada pegada”. As impressões representam a “maior resolução de detalhes já registada para qualquer impressão de pele de dinossauro”, observaram os cientistas.

“As pegadas formaram-se numa camada muito subtil de lama fina“, sustentou o especialista norte-americano, comparando estas impressões a  “uma camada de tinta fresca de apenas um milímetro de espessura. Quando o pequeno dinossauro – com o tamanho de um melro – pisou aquela superfície firme e pegajosa, sem escorregar, a textura da pele da planta do seu pé ficou registada em detalhe, completou.

As impressões foram descobertas durante uma escavação de grande escala liderada pelo cientista coreano Kyung Soo Kim, responsável pela prospecção paleontológica da local. Mias tarde, juntou-se à equipa de investigação. Soo Kim viu a primeira marca numa pedra partida e parou de imediato os trabalhos até recuperar todas as impressões.

Gizmodo @Gizmodo

Intricate skin impressions still visible on ‘exquisitely preserved’ dinosaur footprints http://gizmo.do/hXVrfF1 

1802: Um campo nos EUA revela como foi o último dia dos dinossauros na Terra

CIÊNCIA

(dr) Robert DePalma / University of Kansas

Uma enorme ondulação num mar interno e uma chuva de esferas de vidro foram as condições às quais a biodiversidade continental ou marinha não conseguiu sobreviver na América do Norte.

Dinossauros e peixes morreram e foram enterrados numa questão de horas ou mesmo dezenas de minutos após a queda do asteróide Chicxulub.

Esta é a imagem apresentada na sexta-feira em comunicado da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, prevendo uma publicação futura da revista Proceedings of National Academy of Sciences. A imagem apocalíptica vem de um achado paleontológico – não de uma hipótese sobre o último dia dos dinossauros.

O paleontólogo Robert DePalma levou a cabo durante seis anos as escavações no depósito Tanis em Dakota do Norte, perto do município de Bowman, na formação geológica de Hell Creek. Os achados mostram que é um campo que demonstra o abate massivo num período de tempo tempo muito curto, após o impacto do Chicxulub no Golfo do México.

De acordo com o co-autor do estudo, os fósseis da área representam “o primeiro conjunto de mortes massivas de grandes organismos já encontrado” e correspondem à fronteira cretácea e paleogénica. A um tiranossauro rex e um tricerátops juntaram-se a uma variedade de mamíferos, um grande número de insectos e outros seres. Ali estão os esqueletos do extinto réptil Mosasaurus, moluscos amonites, esturjões e peixes-espátula.

Os peixes, muito mais bem conservados, têm algumas esferas de vidro com vários milímetros de diâmetro nas brânquias. Os cientistas têm a certeza de que guardam esses vestígios de um evento desastroso, como a chuva de rochas derretidas, enquanto nadavam com as bocas abertas. Eles estimam que na região, localizada a mais de 3.200 quilómetros da cratera, choveu cristal entre 45 minutos e uma hora após o impacto.

A camada de rocha sedimentar que cobria todo o conjunto de restos ósseos é rica em irídio, um elemento raro na crosta terrestre, mas não nos asteróides. Os cientistas acreditam que esta camada se acumulou devido a ondas gigantes – mas não propriamente um tsunami.

Na sua opinião, era mais provável que fosse um seicha, as típicas ondas estacionárias de um corpo de águas parcialmente fechadas expostas aos efeitos de um forte terremoto. Esse fenómeno ocorreria em Dakota antes de um tsunami atingir uma região tão distante do Golfo do México.

ZAP // Russia Today

Por ZAP
3 Abril, 2019

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1725: Nova espécie de dinossauro descoberta no sul da Austrália

David Herne / Twitter
Galleonosaurus dorisae

Através de cinco maxilares fossilizados, descobertos entre rochas com 125 milhões de anos, uma equipa de cientistas identificou o Galleonosaurus dorisae.

Galleonosaurus dorisae é o nome da recém descoberta espécie de dinossauro em Gippsland, uma região no sul da Austrália, apresentada num estudo publicado recentemente no Jornal of Paleontology.

Segundo os cientistas, este dinossauro era pequeno, aproximadamente do tamanho de um canguru, e herbívoro. Destacava-se certamente pelo facto de ser um bom corredor, característica potenciada pelas suas “poderosas pernas traseiras“. Este dinossauro pertence à família dos Ornitópodes.

A equipa conseguiu identificar esta nova espécie graças a cinco maxilares fossilizados encontrados entre rochas do período Cretáceo, com 125 milhões de anos. Os cientistas contaram com a preciosa ajuda de técnicas de digitalização e de impressão de micro-tomografia 3D.

Matthew Herne, da Universidade de Nova Inglaterra e principal autor do estudo, afirma que esta é a primeira vez que foi possível detectar a que período pertence um dinossauro australiano a partir do seu maxilar.

Ver imagem no Twitter

David Herne PhD @AunatEridu

Western Australian raised, Queensland #Palaeontologist Dr Matthew Herne announces a new #Australian #Dinosaur – Diluvicursor pickeringi https://peerj.com/articles/4113/  #Palaeontology Exquisite #painting by Dr Peter Trussler @perthbrk @MuseumofPerth @PeRRthAus @henna_khan @21Cphilosopher

1691: Asteróides são mais difíceis de destruir do que Hollywood e a ciência pensavam

Novo estudo de universidades norte-americanas mostra que é preciso muito mais energia para destruir estes corpos celestiais que podem ameaçar a Terra

© NASA

Bruce Willis e a equipa que salvou a Terra da destruição no filme Armageddon, há mais de 20 anos (1998), não vão gostar desta notícia. É que, afinal, destruir asteróides requer um pouco (ou bastante) mais esforço do que Hollywood foi projectando nos seus filmes de ficção científica.

Essa é, pelo menos, a conclusão de um novo estudo levado a cabo por investigadores das Universidades de John Hopkins e de Maryland, nos EUA. De acordo com este estudo, os asteróides são consideravelmente mais difíceis de destruir e exigem uma força maior de energia do que os cientistas tinham calculado.

O problema é que a importância do estudo não se limita às produções cinematográficas de Hollywood. Os asteróides, e a possibilidade de um corpo desses de grande dimensão ameaçar a Terra, são um problema real que a comunidade científica acredita ter provocado já a extinção dos dinossauros na era Jurássica. Por isso, é importante encontrar a resposta adequada ao enigma: “É melhor partir o asteróide em pequenos pedaços ou desviá-lo para ir numa direcção diferente? E se for esta última opção, com quanta força devemos acertar-lhe para o mover sem causar ruptura?“, questiona o cientista Charles El Mir, líder deste novo estudo.

Para tentar responder às perguntas com a sua equipa na Universidade John Hopkins, El Mir baseou-se em modelos computacionais que simularam a colisão de dois asteróides: um asteróide alvo, com um diâmetro de 25 quilómetros, e um asteróide menor com um diâmetro inferior a 1,5 km, que atingiu o alvo a uma velocidade de 4,5 quilómetros por segundo.

A experiência evidenciou que, em vez de o pequeno asteróide estilhaçar o maior, como se pensava, o asteróide maior permaneceu relativamente intacto.

“Nós costumávamos acreditar que quanto maior o objeto, mais facilmente ele quebraria, porque os objectos maiores são mais propensos a ter falhas”, explicou Charles El Mir, em comunicado. “As nossas descobertas, no entanto, mostram que os asteróides são mais fortes do que costumávamos pensar e exigem mais energia para serem completamente destruídos”, observou.

As descobertas colocam questões para os cientistas, que procuram a melhor fórmula para lidar com os asteróides em rota de colisão com a Terra. “Somos afectados com bastante frequência por pequenos asteróides”, lembra K.T. Ramesh, director do Hopkins Extreme Materials Institute. “É apenas uma questão de tempo até que essas questões deixem de ser meramente académicas e passem a definir a nossa resposta a uma grande ameaça”, acrescentou. “Precisamos ter uma boa ideia do que devemos fazer quando chegar a hora – e esforços científicos como este são fundamentais para nos ajudar a tomar essas decisões”.

 

Diário de Notícias
08 Março 2019 — 14:46

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1654: Eis Moros, o tiranossauro “anão” que revela que o T-rex nem sempre foi Rei

(dr) Jorge Gonzalez

O Tyrannosaurus rex é celebrizado como o “rei” dos dinossauros devido ao seu enorme porte que pode atingir os 12 metros de comprimento, contudo um novo estudo, esta semana publicado, pode pôr em causa o prestígio da sua “coroa”. 

Uma equipa de paleontólogos norte-americanos, liderados pela especialista Lindsay Zanno, da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, descobriu um fóssil de um tiranossauro com cerca de 77 quilogramas e menos de 1,5 metros de altura.

O pequeno fóssil, apelidado de Moros intrepidus, é o menor dinossauro do seu tipo. De acordo com as estimativas dos especialistas, viveu durante o período Cretáceo, entre 145 e 66 milhões de anos atrás, no território que hoje conhecemos como o Utah. Até então, este mini-tiranossauro é a espécie mais antiga já descoberta na América do Norte.

De acordo com a nova investigação, esta semana publicada na revista especializa Communicacions Biology, a descoberta desta espécie permitiu fechar uma lacuna que somava já 70 milhões de anos no registo fóssil.

Os paleontólogos precisavam de uma evidência esquelética dos tiranossauro norte-americanos de há 150 milhões de anos (período Jurássico ao qual pertencem os remanescentes dos tiranossauros e alossauros primitivos de tamanho médio) até há 81 milhões de anos (no Cretáceo, quando surgiram os maiores tiranossauros e os alossauros, por sua vez, tornaram-se extintos).

Na verdade, os tiranossauros nem sempre foram os enormes predadores que imaginamos hoje em dia. No início da sua evolução, explicaram os cientistas, estes animais eram carnívoros muito pequenos e caçavam juntamente com os alossauros, também carnívoros, mas de porte muito maior.

Os cientistas não sabem ainda como é que os tiranossauros atingiram o seu tamanho colossal, instalando-se depois no topo da cadeia alimentar – esse continua a ser o mistério. Contudo, os paleontólogos sabem agora que esta evolução não levou mais de 16 milhões de anos e que aconteceu apenas no final da era dos dinossauros.

“O que o Moros intrepidus faz por nós é ajudar-nos a entender quem, o quê, porquê, onde e quando os tiranossauros alcançaram o papel principal entre os predadores no subcontinente norte-americano”, rematou a principal autora da investigação, Lindsay Zanno, citado pela National Geographic.

ZAP //

Por ZAP
1 Março, 2019

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1626: Afinal, um asteróide pode não ter sido o “assassino” dos dinossauros

Ntvtiko / Deviant Art

Há 66 milhões de anos, algo mudou o mundo. Cerca de 75% das espécies de plantas e animais morreram, erradicando os dinossauros. Isto marcou o fim do Cretáceo e foi o início de uma nova Era – o Cenozóico – a era dos mamíferos.

Mas não se sabe exactamente o que causou esta extinção em massa da Terra. Registos fósseis e geológicos mostram tempos turbulentos que abrangem um milhão de anos – um impacto gigante de asteróides e intensa actividade vulcânica que se espalhou pelo mundo. Mas o relacionamento entre os fenómenos e o evento de extinção ainda não é claro.

A maioria dos paleontologistas e geólogos acredita que a última extinção em massa de animais na Terra, que ocorreu há 65,5 milhões de anos, foi causada pela queda de um asteróide que formou a gigante cratera de Chicxulub, com cerca de 300 quilómetros, no fundo do mar ao largo da costa do sul do México. A queda do asteróide é inegável, mas o seu papel na extinção dos dinossauros continua a ser objeto de debate.

Em 1989, o paleontólogo Mark Richards sugeriu que a razão para o seu desaparecimento foi o derrame maciço de magma no local do actual planalto indiano de Decã, que ocorreu mais ou menos na mesma época.

Recentemente, os cientistas encontraram indícios de que as ondas sísmicas que surgiram após a colisão entre o asteróide e a Terra “acordaram” os vulcões. As suas emissões, segundo alguns geólogos, ampliaram as consequências do impacto do asteróide e mataram grande parte da fauna marinha.

Duas equipas de geólogos e geoquímicos tentaram resolver este problema calculando a idade dos depósitos vulcânicos em diferentes pontos do planalto, utilizando dois métodos de datação diferentes que detectam a presença de urânio e outros isótopos instáveis de vários elementos nas rochas. Este método torna possível determinar o tempo de erupções vulcânicas com precisão.

Os cientistas analisaram os minerais expelidos pelos vulcões através de medições e obtiveram resultados que indicaram que as erupções vulcânicas no planalto Deccan começaram aproximadamente ao mesmo tempo da queda do asteróide, de acordo com o estudo publicado na revista Science.

Por outro lado, o seu papel na extinção tornou-se agora ainda mais obscuro devido ao período de tempo em que as suas erupções atingiram o pico, bem como às diferenças nas medições dos cientistas.

Descobriu-se que a maioria dos fluxos de magma ocorreu após a queda do asteróide, representando cerca de 70% do volume total de todas as rochas. Esta descoberta põe em dúvida a teoria de Richards e sugere que os vulcões não foram os principais “assassinos” dos dinossauros, mas estiveram activamente envolvidos na destruição da flora e fauna do período Mesozoico.

As análises de datação também sugerem que os vulcões no planalto de Decã irromperam de forma episódica. Os cientistas contaram quatro grandes “surtos” de vulcanismo, um dos quais ocorreu cerca de algumas dezenas de milhares de anos antes da queda do asteróide.

Naquela época, o nível geral de actividade vulcânica duplicou, o que deveria ter tido um impacto extremamente negativo no clima do planeta, elevando a possibilidade de extinção em massa dos habitantes da Terra. Dessa forma, os vulcões teriam sido tão responsáveis pelo cataclismo como o asteróide.

Futuras escavações na Índia mostrarão qual das teorias está mais próxima da verdade e revelarão quem foi o verdadeiro assassino dos dinossauros, répteis marinhos e outros seres vivos da era mesozoica.

ZAP // Science Alert / Sputnik News

Por ZAP
23 Fevereiro, 2019

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Cientistas descobrem “Rei da Antárctida”, fóssil de parente precoce dos dinossauros

Tinha o tamanho de uma iguana, provavelmente era carnívoro, e viveu na Antártida há 250 milhões de anos

O “Antarctanax Shackletoni”
© Adrienne Stroup, Field Museum

Um parente precoce dos dinossauros, do tamanho de uma iguana, viveu na Antárctida há 250 milhões de anos, segundo cientistas norte-americanos citados hoje na publicação científica Journal of Vertebrate Paleontology (Boletim de Paleontologia de Vertebrados).

Nessa altura o que é hoje a Antárctida estava coberto de florestas e tinha temperaturas amenas, abrigando animais selvagens como o réptil agora descoberto, a cujo fóssil foi dado o nome de “Rei da Antárctida”.

“Este novo animal era um arcossauro, um antepassado primitivo de crocodilos e dinossauros”, disse Brandon Peecook, um investigador do museu Field de História Natural, em Chicago, Estados Unidos.

Segundo o responsável, principal autor do artigo em que é descrita a descoberta, a nova espécie era parecida com um lagarto, mas evolutivamente foi um dos primeiros membros desse grande grupo. “Ele explica como é que os dinossauros e os seus parentes mais próximos evoluíram e se disseminaram”, disse.

O esqueleto fossilizado foi encontrado incompleto, mas os paleontólogos dizem ter ainda assim uma ideia aproximada do animal, classificado como “Antarctanax Shackletoni”, com a primeira palavra a traduzir-se por “Rei da Antárctida” e a segunda sendo uma homenagem ao explorador Ernest Shackleton, um britânico que viveu no início do século XX e que liderou três expedições à Antárctida.

Com base nas semelhanças com outros fósseis, Peecook e outros autores do artigo dizem que provavelmente o “Antarctanax Shackletoni” era um carnívoro, que caçava insectos, mamíferos e anfíbios.

“Pensávamos que os animais da Antárctida seriam similares aos que viviam no sul de África, já que as duas massas de terra estavam juntas nessa altura. Mas descobrimos que a vida selvagem da Antárctida é surpreendentemente única”, disse Peecook.

Dizem os autores do artigo que cerca de dois milhões de anos antes do “Antarctanax” viver a Terra teve a maior extinção em massa de todos os tempos, causada por alterações climáticas devido a erupções vulcânicas. Cerca de 90% da vida animal foi morta.

O período seguinte foi de descontrolo evolutivo, com novos grupos a competirem para preencher os espaços deixados livres pela extinção em massa. Os arcossauros foram um desses grupos que tiveram um grande crescimento.

Segundo Peecook, antes da extinção os arcossauros só eram encontrados junto do equador e depois estavam “por todo o lado”. Na Antárctida havia, disse, uma combinação de novos animais e de outros que já estavam extintos em toda a parte mas que sobreviviam ali.

O facto de os cientistas terem encontrado o “Antarctanax Shackletoni” ajuda a reforçar a ideia de que a Antárctida foi um local de rápida evolução e de diversificação, após a extinção em massa.

“Quanto mais tipos diferentes de animais encontramos mais aprendemos sobre o lugar ocupado pelos arcossauros após a extinção em massa”, disse também Peecook.

Diário de Notícias
DN/Lusa
31/01/2019

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1446: A Terra ficou líquida no dia em que um asteróide dizimou os dinossauros

Don Davis / NASA

É difícil imaginar como  milhões de toneladas de rocha podem, de repente, comportar-se como um líquido, mas foi exactamente o que aconteceu quando um asteróide atingiu a Terra há 66 milhões de anos.

Assim afirmam cientistas americanos que conseguiram reconstruir em detalhes cada passo do impacto colossal que dizimou os dinossauros.

Amostras obtidas da cratera formada após a colisão permitiram concluir que as rochas sofreram um processo de “fluidificação”. Noutras palavras, o material pulverizado começou a comportar-se como uma substância semelhante à água.

Cientistas liderados por Molly Range, da Universidade de Michigan Ann Arbor, usaram dois modelos para a simulação. Um para o impacto inicial de um asteróide de 14 quilómetros de diâmetro em águas rasas e outro focado na consequente disseminação de água deslocada por todo o oceano antigo.

Inicialmente, seria criado quase instantaneamente um espaço côncavo de cerca de 30 quilómetros de profundidade e 100 quilómetros de diâmetro.

A instabilidade do terreno causaria mais tarde o colapso para dentro das margens da cratera. O colapso geraria, por sua vez, uma reacção de ricochete do fundo da cratera a alturas superiores aos Himalaias.

Estes movimentos gigantescos iriam estabilizar num determinado momento – e o que restaria seria uma cratera de cerca de 200 quilómetros de diâmetro e 1 quilómetro de profundidade. Essa cratera é precisamente a que se encontra enterrada sob uma camada de sedimentos no Golfo do México, perto do porto de Chicxulub.

O modelo é chamado de “modelo de colapso dinâmico de formação de cratera”, e o impacto que descreve só é possível se as rochas, por um curto período, perderem a sua solidez e fluírem sem atrito.

Um novo estudo apresenta evidências deste processo, baseado em material de perfuração de rochas de um anel de pico no centro da depressão de Chicxulub. Os anéis de pico são formações de grandes crateras de impacto, criadas pela elevação do solo após as colisões.

“O que descobrimos ao examinar o material da rocha é que ela se tinha fragmentado”, disse Ulrich Riller, investigador da Universidade de Hamburgo, na Alemanha. “A rocha foi esmagada e partida em fragmentos minúsculos que tinham inicialmente milímetros. Isto produziu comportamento semelhante a um fluido que explica a base plana da cratera, algo que caracteriza o Chicxulub e outros casos de grandes impactos, como na Lua.”

A fluidificação não é um processo de derretimento da rocha, mas da fragmentação da mesma por imensas forças de vibração, explica Sean Gulick, da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, e um dos líderes da equipa de perfuração.

“É um efeito de pressão, um dano mecânico. A quantidade de energia que passa por estas rochas é equivalente a terremotos de magnitude 10 ou 11. Estima-se que todo o impacto teve uma energia equivalente a 10 mil milhões de bombas de Hiroshima.”

Após a fragmentação e fluidificação, as rochas recuperaram a sua solidez para formar o anel da cratera. Este regresso ao estado sólido pode ser visto nas amostras obtidas.

ZAP // BBC

Por ZAP
3 Janeiro, 2019

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1400: Dinossauro desconhecido estava escondido em opalas da Austrália

CIÊNCIA

James Kuether / Universidade da Nova Inglaterra

Opalas encontradas por mineiros numa área deserta da Austrália acabaram por ser fragmentos de fóssil de uma espécie de dinossauro desconhecida até agora.

Baptizado como Weewarrasaurus pobeni, em honra do campo de opalas Wee Warra, que fica perto da pequena cidade de Lightning Ridge, onde foi encontrado, e do comprador de opalas Mike Poben, que doou os fósseis aos cientistas da Universidade da Nova Inglaterra, na Austrália. A descoberta foi publicada a 4 de Dezembro na revista PeerJ.

A criatura viveu há cerca de 100 milhões de anos no período Cretáceo, quando o que é hoje o deserto Lightning Ridge era apenas um espaço verde e exuberante.

O único fragmento de Weewarrasaurus que foi recuperado foi a mandíbula inferior, com os dentes intactos – o que tem ajudado a revelar muita coisa. Para começar, não era um grande dinossauro, tendo apenas do tamanho de um cão de porte médio.

Baseado nos dentes e na forma da mandíbula, o paleontologista Phil Bell, da Universidade da Nova Inglaterra, determinou que era uma espécie pequena de ornitópode, um grupo de herbívoros bípedes.

Lightning Ridge foi uma rica planície aluvial à beira de um gigantesco mar chamado Eromanga Sea, que se espalhou pelo continente australiano. A abundante vida pré-histórica que encheu a área ficou preservada na lama, que se tornaria, milhares de milhões de anos depois, em arenito.

Este fenómeno pode ser observado em todo o mundo. Mas, na Austrália, o que aconteceu foi diferente. Quando o Eromanga Sea começou a desaparecer há 100 milhões de anos, a acidez no arenito seco aumentou. Isto, por sua vez, libertou sílica da rocha, que se acumulou em cavidades, inclusive nos espaços presentes nos fósseis dos animais.

Quando os níveis de acidez diminuíram, a sílica endureceu ao ponto de se transformar em opalas, resultando em moldes de arco-íris brilhantes e cintilantes de restos antigos.

James Kuether / Universidade da Nova Inglaterra

Dois pedaços de osso do maxilar, posteriormente doados aos investigadores da Universidade da Nova Inglaterra, foram encontrado por Poben num saco cheio de opalas que comprou a mineiros.

Com base nos fósseis já encontrados, talvez houvesse pequenas espécies ornitópodes que prosperaram na vegetação exuberante e outras quatro espécies no estado sudeste de Victoria. Apenas uma pequena espécie foi encontrada no estado de Queensland.

Isto é muito diferente da América, onde pequenos herbívoros teriam de competir por comida com gigantes como Triceratops e Alamosaurus. Assim, fósseis como o Weewarrasaurus podem ajudar a entender melhor como a biodiversidade dos dinossauros diferem no mundo.

Bell e a equipa estão a trabalhar para descrever mais fósseis opalizados – uma tarefa complicada, uma vez que geralmente são encontrados partidos devido à acção da mineralização. Entretanto, o Weewarrasaurus recebeu uma nova casa no Australian Opal Centre, entre a sua colecção de fósseis opalizados.

ZAP // Science Alert; Sputnik

Por ZAP
9 Dezembro, 2018

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1336: Encontrado no Brasil o mais antigo dinossauro de pescoço longo

CIÊNCIA

(dr) CAPPA / UFSM

Encontrado no Rio Grande do Sul, o Macrocollum itaquii tinha 3,5 metros de comprimento e terá vivido há cerca de 225 milhões de anos. Trata-se dos primeiros esqueletos completos de dinossauros descobertos no Brasil.

O Rio Grande do Sul, no Brasil, ficou marcado na história da paleontologia por uma grande descoberta. Foi encontrado na região o dinossauro de pescoço longo mais antigo do mundo.

Os fósseis do Macrocollum itaquii foram localizados em 2013, e a estimativa é de que o animal tenha vivido naquela região há 225 milhões de anos. Esta descoberta é uma marca histórica não só por se tratar de uma nova espécie, mas também porque esta é a primeira vez que são encontrados esqueletos completos de dinossauros no Brasil.

Segundo a Deutsche Welle, investigadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e da Universidade de São Paulo (USP) escavaram três esqueletos fossilizados em rochas triássicas do município de Agudo, no Rio Grande do Sul.

Com os seus imponentes 3,5 metros de comprimento, o Macrocollum itaquii possui um pescoço muito longo, sendo esta uma das principais características do grupo de dinossauros gigantes com grandes pescoços, os saurópodes, como o braquiossauro e o apatossauro.

As rochas triássicas de onde os esqueletos foram escavados têm cerca de 225 milhões de anos, o que faz com que o Macrocollum itaquii seja considerado o dinossauro mais antigo de pescoço longo já descoberto.

Cientificamente, esta descoberta preenche uma lacuna no registo fóssil de dinossauros. Apesar de haver vários esqueletos de períodos mais antigos e mais recentes, esqueletos como estes, com aproximadamente 225 milhões de anos, são bastante raros. Diz respeito a um período importante para a história evolutiva dos dinossauros, dado que antecede o período em que eles se tornaram dominantes em quase todo o planeta.

De acordo com os cientistas, que analisaram a dentição de Macrocollum itaquii, este dinossauro alimentava-se de plantas. Acredita-se que o pescoço longo lhe tenha permitido chegar a vegetações mais altas e, consequentemente, garantir o sucesso do grupo dos sauropodomorfos – do qual o Macrocollum itaquii faz parte – durante a Era Mesozoica.

O nome Macrocollum significa pescoço longo e itaquii é uma homenagem a José Jerundino Machado Itaqui, que foi um dos principais responsáveis pela criação do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colónia (Cappa/UFSM), onde os fósseis do dinossauro estão depositados.

ZAP //

Por ZAP
26 Novembro, 2018

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1239: Os pássaros “herdaram” os ovos coloridos dos dinossauros

CIÊNCIA

(CC0/PD) foto-augenblick / Pixabay

Afinal, os ovos coloridos não são exclusivamente uma “inovação das aves” como se acreditava até então. Um estudo divulgado recentemente revelou que já os dinossauros punham ovos coloridos, em tons de azul e castanho.

Para chegar a esta conclusão, a equipa de cientistas, liderada pela paleontologista Jasmina Wiemann, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, analisou doze cascas fossilizadas de ovos de dinossauros encontrados na Europa, Ásia e na América do Norte e Sul.

Depois de analisar os vestígios fósseis, a equipa concluiu que um grupo conhecido como Eumaniraptora – um clado de dinossauros com um ancestral comum – possuía os mesmos dois pigmentos que actualmente são encontrados nos ovos coloridos das aves modernas: o pigmento azul-verde, apelidado de biliverdina, e o castanho-vermelho, conhecido como protoporfirina IX, noticiou a agência Reuters.

Este grupo de dinossauros incluía várias espécies como o velociraptor carnívoro e outros pequenos espécimes cobertos com penas, considerados os ancestrais das aves. A investigação descobriu ainda que o carnívoro deinonychus punha ovos azuis com manchas castanhas, enquanto que os do oviraptor tinham uma tonalidade azul escura.

Alguns eram de cor uniforme, outros manchados“, disse  um dos investigadores, Mark Norell., acrescentando que estas tonalidades são semelhantes às dos pássaros actuais. “Eram como os dos pássaros modernos: os ovos do pisco-de-peito-ruivo são azuis de forma uniforme, mas o da codorniz são manchados”, explicou ainda.

“Descobrimos que a cor do ovo não é uma característica exclusiva dos nossos pássaros modernos, mas que esta característica evoluiu antes dos ancestrais dinossauros não-aviários”, concluiu Wiemann.

De acordo com o cientista, a publicação, recentemente publicada na revista Nature, “altera fundamentalmente a muda nossa compreensão sobre a evolução da cor dos ovos, adicionando cor aos ninhos de dinossauros no verdadeiro ‘Mundo Jurássico’”, concluiu.

ZAP // RT / EuropaPress

Por ZAP
4 Novembro, 2018

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1209: Os dinossauros dominaram o mundo graças aos seus super pulmões

Peter Trusler / University of Queensland
Ilustração do Diluvicursor pickeringi no antigo vale que existia entre a Austrália e a Antárctica.

CIÊNCIA

Os dinossauros eram animais rápidos e activos, características muito intrigantes já que a atmosfera da Terra tinha muito menos oxigénio do que hoje. Mas estes animais podem ter sido bem sucedidos graças aos seus super pulmões, parecidos com os das aves.

Era muito pouco provável que, no ar pobre em oxigénio da era Mesozóica, conseguissem mover-se muito rápido: mas os dinossauros fugiam à regra. Os seus pulmões super eficientes e parecidos com pássaros eram a sua arma secreta, de acordo com um estudo recente, publicado na Royal Society Open Science. Esta adaptação única pode mesmo ter dado aos dinossauros uma vantagem em relação à concorrência.

Há muito tempo que a comunidade científica sabe que as aves descendem de um ramo de dinossauros extintos e que têm um sistema respiratório incomum e sofisticado. No entanto, os paleontologistas debate há muito tempo se os super pulmões surgiram em pássaros ou se já existiam anteriormente – nomeadamente nos dinossauros.

Ao contrário dos pulmões humanos, os pulmões das aves são rígidos. São os sacos de ar especiais ao lado dos pulmões das aves que fazem o trabalho duro, bombeando o ar através dos pulmões, onde o oxigénio se difunde na corrente sanguínea.

Os pulmões estão ligados às vértebras e às costelas, que foram uma espécie de “tecto” da caixa torácica, e tudo isso em conjunto ajuda a manter os pulmões. Além disso, um conector – chamado costovertebral – fornece um suporte adicional e essa configuração permite um fluxo contínuo de oxigénio e requer menos energia do que inflar e desinflar pulmões.

Robert Brocklehurst e William Sellers, da Universidade de Manchester, no Reino Unido, e a bióloga Emma Schachner recuperam a modelos de computador para perceber como é que estes super pulmões evoluíram. Através da comparação das características esqueléticas das vértebras e das costelas em várias espécies conseguiram chegar a uma conclusão.

Descobriram então que vários dinossauros possuíam uma arquitectura pulmonar muito parecida com a das aves. Estes dinossauros tinham, então, uma articulação costovertebral e o tecto ósseo de vértebras e costelas que ajudavam a manter os seus pulmões rígidos. O estudo foi recentemente publicado na Royal Society Open Science.

Estas características sugerem que os dinossauros tinham o mesmo tipo de órgãos respiratórios que as aves. Os super pulmões podiam também ajudar a explicar por que motivo os dinossauros foram capazes de dominar o mundo e espalhar-se, apesar do ar rarefeito da era Mesozóica, adianta a equipa de investigadores.

Os cientistas já achavam estranho as aves terem uns pulmões tão extraordinários e um sistema respiratório muito evoluído. Agora, chegam assim à conclusão de que, afinal, os super pulmões desenvolveram-se muito antes, nos dinossauros, tendo evoluído mais tarde nas aves, muito provavelmente para amparar o voo monitorizado nos pássaros.

Ainda assim, segundo a ScienceMag, o facto de um fóssil ter uma estrutura óssea que indica que muito provavelmente os dinossauros teriam super pulmões não chega. O ideal, antes de tirar conclusões precipitadas, seria encontrar tecido pulmonar, que quase nunca é preservado, e estudá-lo devidamente para, assim, confirmar esta suspeita.

ZAP //

Por ZAP
28 Outubro, 2018

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1145: Queimaduras solares? Os dinossauros são os culpados

Alex Beynon / Flickr

Sempre que apanhamos sol, uma preocupação emerge de imediato: queimaduras. Por que somos tão vulneráveis à luz solar? Um estudo recente procura responder a este enigma evolutivo, apontando os dinossauros como principais culpados.

O sol emite radiação electromagnética em todo o espectro, mas a parte visível é a única que podemos ver. Há também raios ultravioletas, e essa parte do espectro tem energia suficiente para danificar o nosso ADN. O protector solar impede que os raios UV danifiquem as células.

Os humanos precisam de protector solar porque fazemos parte do grupo conhecido como mamíferos placentários, que carecem de um recurso genético chamado função de reparo do ADN por fotorreação. Organismos que têm essa capacidade podem activar mecanismos de reparo do ADN em resposta à luz solar, como é o caso das plantas e a maioria dos animais.

Segundo o estudo recente, publicado na Cell, há um animal diferente dos mamíferos placentários que não possui esse mecanismo: o caverna da Somáliaou “peixe-vampiro”, Phreatichthys andruzzii.

Como o próprio nome indica, o peixe vive em cavernas submarinas onde não há luz, por isso não precisa de olhos. Após milhões de anos de evolução, também perdeu a função de reparo do ADN de fotorreativação. Ao analisar o ADN do peixe, os cientistas descobriram os genes que deveriam controlar essas habilidades de reparo do ADN.

Segundo o ExtremeTech, a equipa concluiu então que o Phreatichthys andruzzii está nas fases iniciais do mesmo processo que afectou os nossos ancestrais mamíferos há milhões de anos.

O estudo sugere que os mamíferos placentários experimentaram uma selecção relaxada no que diz respeito aos mecanismos de reparo do ADN. Quando as condições de um organismo mudam, traços que antes eram muito importantes podem ser perdidos com o tempo.

Desta forma, se prestarmos atenção à história dos nossos ancestrais mamíferos, apercebemo-nos que eles evoluíram numa época em que os dinossauros passeavam o dia todo,à procura de pequenas porções para comer.

Isto pode ter causado um “gargalo nocturno“, já que os mamíferos sobreviveram durante gerações, escondendo-se no subsolo durante o dia e apenas saindo à noite. Assim, por causa disso, terão perdido o mecanismo de reparo de fotorreativação ao longo do tempo porque não lhes era útil.

A investigação terá ainda de ser aprofundada, procurando pistas na genética dos mamíferos antes que possamos dar esta informação como um dado adquirido. Ainda assim, se a culpa é dos dinossauros, podemos, pelo menos, consolar-nos com o fato de já estarem todos mortos, e nós não.

ZAP //

Por ZAP
15 Outubro, 2018

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