Cientistas descobrem “Rei da Antárctida”, fóssil de parente precoce dos dinossauros

Tinha o tamanho de uma iguana, provavelmente era carnívoro, e viveu na Antártida há 250 milhões de anos

O “Antarctanax Shackletoni”
© Adrienne Stroup, Field Museum

Um parente precoce dos dinossauros, do tamanho de uma iguana, viveu na Antárctida há 250 milhões de anos, segundo cientistas norte-americanos citados hoje na publicação científica Journal of Vertebrate Paleontology (Boletim de Paleontologia de Vertebrados).

Nessa altura o que é hoje a Antárctida estava coberto de florestas e tinha temperaturas amenas, abrigando animais selvagens como o réptil agora descoberto, a cujo fóssil foi dado o nome de “Rei da Antárctida”.

“Este novo animal era um arcossauro, um antepassado primitivo de crocodilos e dinossauros”, disse Brandon Peecook, um investigador do museu Field de História Natural, em Chicago, Estados Unidos.

Segundo o responsável, principal autor do artigo em que é descrita a descoberta, a nova espécie era parecida com um lagarto, mas evolutivamente foi um dos primeiros membros desse grande grupo. “Ele explica como é que os dinossauros e os seus parentes mais próximos evoluíram e se disseminaram”, disse.

O esqueleto fossilizado foi encontrado incompleto, mas os paleontólogos dizem ter ainda assim uma ideia aproximada do animal, classificado como “Antarctanax Shackletoni”, com a primeira palavra a traduzir-se por “Rei da Antárctida” e a segunda sendo uma homenagem ao explorador Ernest Shackleton, um britânico que viveu no início do século XX e que liderou três expedições à Antárctida.

Com base nas semelhanças com outros fósseis, Peecook e outros autores do artigo dizem que provavelmente o “Antarctanax Shackletoni” era um carnívoro, que caçava insectos, mamíferos e anfíbios.

“Pensávamos que os animais da Antárctida seriam similares aos que viviam no sul de África, já que as duas massas de terra estavam juntas nessa altura. Mas descobrimos que a vida selvagem da Antárctida é surpreendentemente única”, disse Peecook.

Dizem os autores do artigo que cerca de dois milhões de anos antes do “Antarctanax” viver a Terra teve a maior extinção em massa de todos os tempos, causada por alterações climáticas devido a erupções vulcânicas. Cerca de 90% da vida animal foi morta.

O período seguinte foi de descontrolo evolutivo, com novos grupos a competirem para preencher os espaços deixados livres pela extinção em massa. Os arcossauros foram um desses grupos que tiveram um grande crescimento.

Segundo Peecook, antes da extinção os arcossauros só eram encontrados junto do equador e depois estavam “por todo o lado”. Na Antárctida havia, disse, uma combinação de novos animais e de outros que já estavam extintos em toda a parte mas que sobreviviam ali.

O facto de os cientistas terem encontrado o “Antarctanax Shackletoni” ajuda a reforçar a ideia de que a Antárctida foi um local de rápida evolução e de diversificação, após a extinção em massa.

“Quanto mais tipos diferentes de animais encontramos mais aprendemos sobre o lugar ocupado pelos arcossauros após a extinção em massa”, disse também Peecook.

Diário de Notícias
DN/Lusa
31/01/2019

 

1446: A Terra ficou líquida no dia em que um asteróide dizimou os dinossauros

Don Davis / NASA

É difícil imaginar como  milhões de toneladas de rocha podem, de repente, comportar-se como um líquido, mas foi exactamente o que aconteceu quando um asteróide atingiu a Terra há 66 milhões de anos.

Assim afirmam cientistas americanos que conseguiram reconstruir em detalhes cada passo do impacto colossal que dizimou os dinossauros.

Amostras obtidas da cratera formada após a colisão permitiram concluir que as rochas sofreram um processo de “fluidificação”. Noutras palavras, o material pulverizado começou a comportar-se como uma substância semelhante à água.

Cientistas liderados por Molly Range, da Universidade de Michigan Ann Arbor, usaram dois modelos para a simulação. Um para o impacto inicial de um asteróide de 14 quilómetros de diâmetro em águas rasas e outro focado na consequente disseminação de água deslocada por todo o oceano antigo.

Inicialmente, seria criado quase instantaneamente um espaço côncavo de cerca de 30 quilómetros de profundidade e 100 quilómetros de diâmetro.

A instabilidade do terreno causaria mais tarde o colapso para dentro das margens da cratera. O colapso geraria, por sua vez, uma reacção de ricochete do fundo da cratera a alturas superiores aos Himalaias.

Estes movimentos gigantescos iriam estabilizar num determinado momento – e o que restaria seria uma cratera de cerca de 200 quilómetros de diâmetro e 1 quilómetro de profundidade. Essa cratera é precisamente a que se encontra enterrada sob uma camada de sedimentos no Golfo do México, perto do porto de Chicxulub.

O modelo é chamado de “modelo de colapso dinâmico de formação de cratera”, e o impacto que descreve só é possível se as rochas, por um curto período, perderem a sua solidez e fluírem sem atrito.

Um novo estudo apresenta evidências deste processo, baseado em material de perfuração de rochas de um anel de pico no centro da depressão de Chicxulub. Os anéis de pico são formações de grandes crateras de impacto, criadas pela elevação do solo após as colisões.

“O que descobrimos ao examinar o material da rocha é que ela se tinha fragmentado”, disse Ulrich Riller, investigador da Universidade de Hamburgo, na Alemanha. “A rocha foi esmagada e partida em fragmentos minúsculos que tinham inicialmente milímetros. Isto produziu comportamento semelhante a um fluido que explica a base plana da cratera, algo que caracteriza o Chicxulub e outros casos de grandes impactos, como na Lua.”

A fluidificação não é um processo de derretimento da rocha, mas da fragmentação da mesma por imensas forças de vibração, explica Sean Gulick, da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, e um dos líderes da equipa de perfuração.

“É um efeito de pressão, um dano mecânico. A quantidade de energia que passa por estas rochas é equivalente a terremotos de magnitude 10 ou 11. Estima-se que todo o impacto teve uma energia equivalente a 10 mil milhões de bombas de Hiroshima.”

Após a fragmentação e fluidificação, as rochas recuperaram a sua solidez para formar o anel da cratera. Este regresso ao estado sólido pode ser visto nas amostras obtidas.

ZAP // BBC

Por ZAP
3 Janeiro, 2019

 

1400: Dinossauro desconhecido estava escondido em opalas da Austrália

CIÊNCIA

James Kuether / Universidade da Nova Inglaterra

Opalas encontradas por mineiros numa área deserta da Austrália acabaram por ser fragmentos de fóssil de uma espécie de dinossauro desconhecida até agora.

Baptizado como Weewarrasaurus pobeni, em honra do campo de opalas Wee Warra, que fica perto da pequena cidade de Lightning Ridge, onde foi encontrado, e do comprador de opalas Mike Poben, que doou os fósseis aos cientistas da Universidade da Nova Inglaterra, na Austrália. A descoberta foi publicada a 4 de Dezembro na revista PeerJ.

A criatura viveu há cerca de 100 milhões de anos no período Cretáceo, quando o que é hoje o deserto Lightning Ridge era apenas um espaço verde e exuberante.

O único fragmento de Weewarrasaurus que foi recuperado foi a mandíbula inferior, com os dentes intactos – o que tem ajudado a revelar muita coisa. Para começar, não era um grande dinossauro, tendo apenas do tamanho de um cão de porte médio.

Baseado nos dentes e na forma da mandíbula, o paleontologista Phil Bell, da Universidade da Nova Inglaterra, determinou que era uma espécie pequena de ornitópode, um grupo de herbívoros bípedes.

Lightning Ridge foi uma rica planície aluvial à beira de um gigantesco mar chamado Eromanga Sea, que se espalhou pelo continente australiano. A abundante vida pré-histórica que encheu a área ficou preservada na lama, que se tornaria, milhares de milhões de anos depois, em arenito.

Este fenómeno pode ser observado em todo o mundo. Mas, na Austrália, o que aconteceu foi diferente. Quando o Eromanga Sea começou a desaparecer há 100 milhões de anos, a acidez no arenito seco aumentou. Isto, por sua vez, libertou sílica da rocha, que se acumulou em cavidades, inclusive nos espaços presentes nos fósseis dos animais.

Quando os níveis de acidez diminuíram, a sílica endureceu ao ponto de se transformar em opalas, resultando em moldes de arco-íris brilhantes e cintilantes de restos antigos.

James Kuether / Universidade da Nova Inglaterra

Dois pedaços de osso do maxilar, posteriormente doados aos investigadores da Universidade da Nova Inglaterra, foram encontrado por Poben num saco cheio de opalas que comprou a mineiros.

Com base nos fósseis já encontrados, talvez houvesse pequenas espécies ornitópodes que prosperaram na vegetação exuberante e outras quatro espécies no estado sudeste de Victoria. Apenas uma pequena espécie foi encontrada no estado de Queensland.

Isto é muito diferente da América, onde pequenos herbívoros teriam de competir por comida com gigantes como Triceratops e Alamosaurus. Assim, fósseis como o Weewarrasaurus podem ajudar a entender melhor como a biodiversidade dos dinossauros diferem no mundo.

Bell e a equipa estão a trabalhar para descrever mais fósseis opalizados – uma tarefa complicada, uma vez que geralmente são encontrados partidos devido à acção da mineralização. Entretanto, o Weewarrasaurus recebeu uma nova casa no Australian Opal Centre, entre a sua colecção de fósseis opalizados.

ZAP // Science Alert; Sputnik

Por ZAP
9 Dezembro, 2018

 

1336: Encontrado no Brasil o mais antigo dinossauro de pescoço longo

CIÊNCIA

(dr) CAPPA / UFSM

Encontrado no Rio Grande do Sul, o Macrocollum itaquii tinha 3,5 metros de comprimento e terá vivido há cerca de 225 milhões de anos. Trata-se dos primeiros esqueletos completos de dinossauros descobertos no Brasil.

O Rio Grande do Sul, no Brasil, ficou marcado na história da paleontologia por uma grande descoberta. Foi encontrado na região o dinossauro de pescoço longo mais antigo do mundo.

Os fósseis do Macrocollum itaquii foram localizados em 2013, e a estimativa é de que o animal tenha vivido naquela região há 225 milhões de anos. Esta descoberta é uma marca histórica não só por se tratar de uma nova espécie, mas também porque esta é a primeira vez que são encontrados esqueletos completos de dinossauros no Brasil.

Segundo a Deutsche Welle, investigadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e da Universidade de São Paulo (USP) escavaram três esqueletos fossilizados em rochas triássicas do município de Agudo, no Rio Grande do Sul.

Com os seus imponentes 3,5 metros de comprimento, o Macrocollum itaquii possui um pescoço muito longo, sendo esta uma das principais características do grupo de dinossauros gigantes com grandes pescoços, os saurópodes, como o braquiossauro e o apatossauro.

As rochas triássicas de onde os esqueletos foram escavados têm cerca de 225 milhões de anos, o que faz com que o Macrocollum itaquii seja considerado o dinossauro mais antigo de pescoço longo já descoberto.

Cientificamente, esta descoberta preenche uma lacuna no registo fóssil de dinossauros. Apesar de haver vários esqueletos de períodos mais antigos e mais recentes, esqueletos como estes, com aproximadamente 225 milhões de anos, são bastante raros. Diz respeito a um período importante para a história evolutiva dos dinossauros, dado que antecede o período em que eles se tornaram dominantes em quase todo o planeta.

De acordo com os cientistas, que analisaram a dentição de Macrocollum itaquii, este dinossauro alimentava-se de plantas. Acredita-se que o pescoço longo lhe tenha permitido chegar a vegetações mais altas e, consequentemente, garantir o sucesso do grupo dos sauropodomorfos – do qual o Macrocollum itaquii faz parte – durante a Era Mesozoica.

O nome Macrocollum significa pescoço longo e itaquii é uma homenagem a José Jerundino Machado Itaqui, que foi um dos principais responsáveis pela criação do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colónia (Cappa/UFSM), onde os fósseis do dinossauro estão depositados.

ZAP //

Por ZAP
26 Novembro, 2018

 

1239: Os pássaros “herdaram” os ovos coloridos dos dinossauros

CIÊNCIA

(CC0/PD) foto-augenblick / Pixabay

Afinal, os ovos coloridos não são exclusivamente uma “inovação das aves” como se acreditava até então. Um estudo divulgado recentemente revelou que já os dinossauros punham ovos coloridos, em tons de azul e castanho.

Para chegar a esta conclusão, a equipa de cientistas, liderada pela paleontologista Jasmina Wiemann, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, analisou doze cascas fossilizadas de ovos de dinossauros encontrados na Europa, Ásia e na América do Norte e Sul.

Depois de analisar os vestígios fósseis, a equipa concluiu que um grupo conhecido como Eumaniraptora – um clado de dinossauros com um ancestral comum – possuía os mesmos dois pigmentos que actualmente são encontrados nos ovos coloridos das aves modernas: o pigmento azul-verde, apelidado de biliverdina, e o castanho-vermelho, conhecido como protoporfirina IX, noticiou a agência Reuters.

Este grupo de dinossauros incluía várias espécies como o velociraptor carnívoro e outros pequenos espécimes cobertos com penas, considerados os ancestrais das aves. A investigação descobriu ainda que o carnívoro deinonychus punha ovos azuis com manchas castanhas, enquanto que os do oviraptor tinham uma tonalidade azul escura.

Alguns eram de cor uniforme, outros manchados“, disse  um dos investigadores, Mark Norell., acrescentando que estas tonalidades são semelhantes às dos pássaros actuais. “Eram como os dos pássaros modernos: os ovos do pisco-de-peito-ruivo são azuis de forma uniforme, mas o da codorniz são manchados”, explicou ainda.

“Descobrimos que a cor do ovo não é uma característica exclusiva dos nossos pássaros modernos, mas que esta característica evoluiu antes dos ancestrais dinossauros não-aviários”, concluiu Wiemann.

De acordo com o cientista, a publicação, recentemente publicada na revista Nature, “altera fundamentalmente a muda nossa compreensão sobre a evolução da cor dos ovos, adicionando cor aos ninhos de dinossauros no verdadeiro ‘Mundo Jurássico’”, concluiu.

ZAP // RT / EuropaPress

Por ZAP
4 Novembro, 2018

 

1209: Os dinossauros dominaram o mundo graças aos seus super pulmões

Peter Trusler / University of Queensland
Ilustração do Diluvicursor pickeringi no antigo vale que existia entre a Austrália e a Antárctica.

CIÊNCIA

Os dinossauros eram animais rápidos e activos, características muito intrigantes já que a atmosfera da Terra tinha muito menos oxigénio do que hoje. Mas estes animais podem ter sido bem sucedidos graças aos seus super pulmões, parecidos com os das aves.

Era muito pouco provável que, no ar pobre em oxigénio da era Mesozóica, conseguissem mover-se muito rápido: mas os dinossauros fugiam à regra. Os seus pulmões super eficientes e parecidos com pássaros eram a sua arma secreta, de acordo com um estudo recente, publicado na Royal Society Open Science. Esta adaptação única pode mesmo ter dado aos dinossauros uma vantagem em relação à concorrência.

Há muito tempo que a comunidade científica sabe que as aves descendem de um ramo de dinossauros extintos e que têm um sistema respiratório incomum e sofisticado. No entanto, os paleontologistas debate há muito tempo se os super pulmões surgiram em pássaros ou se já existiam anteriormente – nomeadamente nos dinossauros.

Ao contrário dos pulmões humanos, os pulmões das aves são rígidos. São os sacos de ar especiais ao lado dos pulmões das aves que fazem o trabalho duro, bombeando o ar através dos pulmões, onde o oxigénio se difunde na corrente sanguínea.

Os pulmões estão ligados às vértebras e às costelas, que foram uma espécie de “tecto” da caixa torácica, e tudo isso em conjunto ajuda a manter os pulmões. Além disso, um conector – chamado costovertebral – fornece um suporte adicional e essa configuração permite um fluxo contínuo de oxigénio e requer menos energia do que inflar e desinflar pulmões.

Robert Brocklehurst e William Sellers, da Universidade de Manchester, no Reino Unido, e a bióloga Emma Schachner recuperam a modelos de computador para perceber como é que estes super pulmões evoluíram. Através da comparação das características esqueléticas das vértebras e das costelas em várias espécies conseguiram chegar a uma conclusão.

Descobriram então que vários dinossauros possuíam uma arquitectura pulmonar muito parecida com a das aves. Estes dinossauros tinham, então, uma articulação costovertebral e o tecto ósseo de vértebras e costelas que ajudavam a manter os seus pulmões rígidos. O estudo foi recentemente publicado na Royal Society Open Science.

Estas características sugerem que os dinossauros tinham o mesmo tipo de órgãos respiratórios que as aves. Os super pulmões podiam também ajudar a explicar por que motivo os dinossauros foram capazes de dominar o mundo e espalhar-se, apesar do ar rarefeito da era Mesozóica, adianta a equipa de investigadores.

Os cientistas já achavam estranho as aves terem uns pulmões tão extraordinários e um sistema respiratório muito evoluído. Agora, chegam assim à conclusão de que, afinal, os super pulmões desenvolveram-se muito antes, nos dinossauros, tendo evoluído mais tarde nas aves, muito provavelmente para amparar o voo monitorizado nos pássaros.

Ainda assim, segundo a ScienceMag, o facto de um fóssil ter uma estrutura óssea que indica que muito provavelmente os dinossauros teriam super pulmões não chega. O ideal, antes de tirar conclusões precipitadas, seria encontrar tecido pulmonar, que quase nunca é preservado, e estudá-lo devidamente para, assim, confirmar esta suspeita.

ZAP //

Por ZAP
28 Outubro, 2018

 

1145: Queimaduras solares? Os dinossauros são os culpados

Alex Beynon / Flickr

Sempre que apanhamos sol, uma preocupação emerge de imediato: queimaduras. Por que somos tão vulneráveis à luz solar? Um estudo recente procura responder a este enigma evolutivo, apontando os dinossauros como principais culpados.

O sol emite radiação electromagnética em todo o espectro, mas a parte visível é a única que podemos ver. Há também raios ultravioletas, e essa parte do espectro tem energia suficiente para danificar o nosso ADN. O protector solar impede que os raios UV danifiquem as células.

Os humanos precisam de protector solar porque fazemos parte do grupo conhecido como mamíferos placentários, que carecem de um recurso genético chamado função de reparo do ADN por fotorreação. Organismos que têm essa capacidade podem activar mecanismos de reparo do ADN em resposta à luz solar, como é o caso das plantas e a maioria dos animais.

Segundo o estudo recente, publicado na Cell, há um animal diferente dos mamíferos placentários que não possui esse mecanismo: o caverna da Somáliaou “peixe-vampiro”, Phreatichthys andruzzii.

Como o próprio nome indica, o peixe vive em cavernas submarinas onde não há luz, por isso não precisa de olhos. Após milhões de anos de evolução, também perdeu a função de reparo do ADN de fotorreativação. Ao analisar o ADN do peixe, os cientistas descobriram os genes que deveriam controlar essas habilidades de reparo do ADN.

Segundo o ExtremeTech, a equipa concluiu então que o Phreatichthys andruzzii está nas fases iniciais do mesmo processo que afectou os nossos ancestrais mamíferos há milhões de anos.

O estudo sugere que os mamíferos placentários experimentaram uma selecção relaxada no que diz respeito aos mecanismos de reparo do ADN. Quando as condições de um organismo mudam, traços que antes eram muito importantes podem ser perdidos com o tempo.

Desta forma, se prestarmos atenção à história dos nossos ancestrais mamíferos, apercebemo-nos que eles evoluíram numa época em que os dinossauros passeavam o dia todo,à procura de pequenas porções para comer.

Isto pode ter causado um “gargalo nocturno“, já que os mamíferos sobreviveram durante gerações, escondendo-se no subsolo durante o dia e apenas saindo à noite. Assim, por causa disso, terão perdido o mecanismo de reparo de fotorreativação ao longo do tempo porque não lhes era útil.

A investigação terá ainda de ser aprofundada, procurando pistas na genética dos mamíferos antes que possamos dar esta informação como um dado adquirido. Ainda assim, se a culpa é dos dinossauros, podemos, pelo menos, consolar-nos com o fato de já estarem todos mortos, e nós não.

ZAP //

Por ZAP
15 Outubro, 2018

 

1085: Novo dinossauro gigante descoberto na África do Sul

CIÊNCIA

Há 200 milhões de anos, o Ledumahadi mafube, como foi baptizada a nova espécie, era o maior do seu tempo, garantem os cientistas. É uma das peças que faltavam no puzzle da evolução dos répteis gigantes do Jurássico.

Foto Viktor Radermacher, University of the Witwatersrand /Instagram: Viktorsaurus91

Um dos fósseis encontrados durante os trabalhos de escavação.
Foto Dr. Pia Viglietti

Foi o maior gigante do seu tempo, há 200 milhões de anos. Por isso lhe chamaram Ledumahadi mafube, que em sesotho, a língua nativa da região da África do Sul onde foi descoberto, significa “trovoada gigante na madrugada”. É uma nova espécie de dinossauro e foi encontrada na província de Estado Livre daquele país africano.

Apesar do nome ameaçador, e da sua colossal dimensão – pesava 12 toneladas e tinha pernas que se elevavam a quatro metros de altura -, o Ledumahadi só comia plantas. Mas, sobretudo, a sua descoberta representa mais uma importante peça no complexo puzzle das espécies de répteis gigantes que povoavam – e dominavam – o planeta durante o Jurássico.

A equipa que fez o achado, um grupo internacional de paleontólogos liderados por Jonah Choininiere, da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, afirma que ele é uma espécie de experiência na evolução dos saurópodes, imortalizados no imaginário popular como os simpáticos dinossauros de pescoço comprido. Pelas suas características únicas, segundo os paleontólogos, o Ledumahadi já anuncia aquele grupo de dinossauros.

O “Ledumahadi” “representa uma fase de transição entre dois grandes grupos de dinossauros

“A primeira coisa que me chamou a atenção neste animal foi a robustez incrível dos ossos dos membros”, conta Blair McPhee, um dos autores da descoberta, cujo estudo é publicado nesta quinta-feira na revista científica Current Biology.

“A sua dimensão”, sublinha o investigador, “é semelhante à que caracterizava os saurópodes gigantes, mas ao passo que nesses dinossauros os membros eram delgados, os do Ledumahadi são muito mais compactos e fortes”.

Mais uma peça na evolução

Isso indica, na opinião dos autores, que “a evolução para o gigantismo, nestes animais, não foi um caminho directo, e que a forma como eles se adaptaram às exigências da sobrevivência, que incluíam terem de se movimentar e alimentar, foi muito mais dinâmica neste grupo do que até agora se pensava”.

A escavação do local onde o exemplar estava depositado há milhões de anos permitiu recuperar cerca de uma vintena de fósseis de diferentes partes do corpo – dos membros, e inúmeras vértebras do pescoço, costas e cauda – e o seu estudo detalhado ajudou a reconstituir o animal, que revelou, então, ser uma nova espécie.

A localização no corpo do animal dos fósseis encontrados.
© McPhee et al. / Current Biology

“Olhando para a micro-estrutura dos ossos fossilizados, conseguimos ver que o animal cresceu rapidamente até à idade adulta e que, na altura em que morreu, esse crescimento já tinha parado”, explica, por seu turno, a paleontóloga Jennifer Botha-Brink, do Museu Nacional da África do Sul, em Bloemfontein, e co-autora da descoberta.

Para a investigadora, “é muito interessante” o facto de os fósseis “mostrarem características básicas dos saurópodes, mas também outras que são diferentes”, o que significa que este animal “representa uma fase de transição entre dois grandes grupos de dinossauros”.

O Ledumahadi viveu – e morreu – na região de Clarens, hoje província do Estado Livre da África do Sul, mas é um parente muito chegado dos dinossauros gigantes que então existiam também na Argentina.

Segundo os autores, isso reforça “a tese de que o super-continente Pangeia ainda estava praticamente intacto no início do Jurássico, e mostra como era fácil a estes animais deambular entre uma e outra região”, que hoje estão separadas por um imenso oceano.

Diário de Notícias
Filomena Naves
27 Setembro 2018 — 16:02

See also Blogs Eclypse and Lab Fotográfico

1043: Nova espécie de dinossauro carnívoro pode ter sido descoberta em Torres Vedras

CIÊNCIA

Sociedade de História Natural de Torres Vedras / Lusa

Paleontólogos portugueses e espanhóis poderão ter identificado uma nova espécie de dinossauro carnívoro no litoral de Torres Vedras, Lisboa, que seria o primeiro ‘carcarodontossaurio’ em Portugal e um dos mais antigos do mundo.

“Este exemplar, por um lado, apresenta características diferentes de todas as outras espécies conhecidas até ao momento do grupo ‘carcarodontossaurios’, por outro lado, é o único vestígio conhecido deste grupo neste momento em Portugal e os registos mais próximos do Jurássico Superior conhecidos são de África, em relação aos quais apresenta também algumas características diferentes. Toda esta informação leva-nos a crer que poderá tratar-se de uma nova espécie”, afirmou à agência Lusa a investigadora Elisabete Malafaia, especialista em dinossauros terópodes.

A hipótese é levantada num artigo publicado, esta terça-feira, na revista Journal of Paleontology por esta paleontóloga da Universidade de Lisboa e por Pedro Mocho, do Museu de História Natural de Los Angeles, Pedro Dantas, da Sociedade de História Natural de Torres Vedras, e pelos espanhóis Fernando Escaso e Francisco Ortega, da Universidade de Educação à Distância de Madrid.

O conjunto de fósseis agora descrito, composto por uma sequência de vértebras caudais articuladas, um pé direito praticamente completo, a medir meio metro, e diversos fragmentos do esqueleto do animal foram descobertos e escavados entre 2002 e 2003 nas arribas da praia de Cambelas, freguesia de São Pedro da Cadeira, por elementos da Sociedade de História Natural.

Para os paleontólogos, os fósseis pertencem a um dinossauro carnívoro aparentado a ‘Allosaurus’ mas mais evoluído, sendo identificado ao grupo dos ‘carcarodontosaurios’, que mediria dez metros de comprimento por quatro ou cinco de altura.

Os paleontólogos esperam identificar a espécie com exactidão, dando continuidade ao estudo de outros fósseis pertencentes a pelo menos três espécies de dinossauros terópodes, provenientes de outras jazidas do Jurássico Superior de Portugal.

Além de poder tratar-se de uma nova espécie, este dinossauro é o primeiro ‘carcarodontossaurio’ encontrado em Portugal e um dos mais antigos do mundo, sendo o mais completo do Jurássico Superior.

“No Cretácico, está muito bem representado, nomeadamente no hemisfério sul e, na Europa, em Espanha [existem exemplares do Cretácico Inferior, com 120 milhões de anos] e Inglaterra. Sendo do Jurássico Superior [datado de há 145 milhões de anos], é uma das referências mais antigas a nível mundial, porque, do Jurássico Superior, conhece-se um exemplar em África, mas muito incompleto“, adiantou Elisabete Malafaia.

Por ser um dos mais antigos do mundo, este dinossauro permite também “perceber melhor como foi a evolução inicial deste grupo e a dispersão destes dinossauros no hemisfério norte”.

A diversidade de espécies encontradas na mesma jazida também sugere uma maior diversidade nas faunas de terópodes ‘allosauroides’ do Jurássico Superior da Bacia Lusitana.

Os achados integram a colecção paleontológica da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.

ZAP // Lusa

Por Lusa
19 Setembro, 2018

See also Blogs Eclypse and Lab Fotográfico

911: Fósseis de dinossauro encontrados pela primeira vez no território principal da Escócia

(dr) Neil Clark
Até então, só tinham sido encontrados fósseis na Escócia na ilha de Skye

Várias pegadas que correspondem a diferentes espécies de dinossauros foram descobertas pela primeira vez no território principal da Escócia, anunciou o investigador responsável pela descoberta.

Neil Clark, paleontólogo do museu Hunterian em Glasgow, descobriu as pegadas numa região litoral perto da cidade de Invernes, no nordeste da Escócia. No entanto, a localização exacta do fósseis não foi divulgada para não perturbar a investigação.

As pegadas, encontradas em várias rochas, podem ter pertencido a diferentes espécies de dinossauros do período Jurássico Médio, há aproximadamente 170 milhões de anos.

Estes vestígios são os primeiros a ser encontrados no território principal da Escócia. Até então, só tinham sido encontrados fósseis na ilha de Skye, a noroeste do país.

O tamanho das pegadas sugere que estas pertencem a um membro da família dos saurópedes, um herbívoro de grandes dimensões – que podia medir até 18 metros de altura -, com quatro patas e um pescoço fino e alongado.

Clark, que também é vice-presidente da Sociedade Geológica de Glasgow, fez a descoberta depois de participar numa conferência em Inverness em Março, quando decidiu sair para dar um passeio pela costa. “Fiquei muito emocionado. Soube de imediato o significado da descoberta”, disse o paleontólogo em comunicado.

O especialista em animais pré-históricos lançou uma campanha de micro-financiamento para arrecadar as 5 mil libras necessárias (cerca de 5500 euros) para conseguir comprar um drone que fosse capaz de recolher e mapear as pegadas de dinossauro existentes pela Escócia. O projecto conta com a colaboração da Universidade de Edimburgo.

Clark destacou ainda as pegadas estão localizadas “numa parte completamente nova da Escócia” e, por isso “vão contribuir significativamente” nas pesquisas futuras sobre “os dinossauros deste período na Grã-Bretanha”.

ZAP // EFE

Por ZAP
24 Agosto, 2018

(Foram corrigidos 4 erros ortográficos ao texto original)

See also Blogs Eclypse and Lab Fotográfico

881: Afinal, os corais são contemporâneos dos dinossauros

(CC0/PD) joakant / pixabay

Os cientistas descobriram que as algas que suportam os corais começaram a aparecer durante o período Jurássico Médio, ainda antes da extinção dos dinossauros – 100 milhões de anos antes do que pensávamos.

Um grupo internacional de cientistas descobriu que a associação entre os corais e seus simbiontes, as micro-algas, começou a aparecer há cerca de 160 milhões de anos, e não há 60 milhões como se pensava até então.

A investigação, publicada na quarta-feira no Science Daily, demonstra assim que os actuais recifes de corais são contemporâneos dos dinossauros.

As micro-algas, também conhecidas como zooxantela, vivem nas células dos corais e permitem que estes captem energia solar para construir formações de recifes, que servem de habitat para diversos organismos marinhos.

De acordo com um dos autores do estudo, o professor Todd LaJeunesse da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, a associação com as micro-algas foi “uma das principais razões para o sucesso dos corais modernos”.

Tal como aponta o estudo, os cientistas realizaram uma análise de ADN das micro-algas, um estudo filogenético e comparações genómicas, e descobriram que os simbiontes apareceram e começaram a sua associação com o coral durante o período Jurássico Médio, antes da extinção dos dinossauros.

Os cientistas observaram ainda que, ao longo da sua existência, as associações entre os corais e os seus simbiontes sobreviveram a muitos episódios de mudanças climáticas – inclusive à extinção dos dinossauros.

Esta capacidade de superar as adversidade climáticas sugere ao cientistas que, apesar da crescente preocupação com o aquecimento global, os corais podem também sobreviver a mais uma alteração drástica no clima.

Por SN
16 Agosto, 2018

See also Blogs Eclypse and Lab Fotográfico