4652: Fóssil de dinossauro bico de pato encontrado no continente “errado”

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

drtel / Flickr

Restos fossilizados de um dinossauro herbívoro, comum a uma das duas grandes massas de terra, foram inesperadamente desenterrados em rochas pertencentes à outra, levando os paleontólogos a se perguntarem como o animal conseguiu dar esse salto.

Estava completamente fora do lugar, seria como encontrar um canguru na Escócia”, disse o paleontólogo Nicholas Longrich da Universidade de Bath, que conduziu o estudo sobre a recente descoberta publicado na Science Direct este mês.

O animal fora do lugar era, na verdade, um dinossauro bico de pato, conhecido como hadrossaurídeo. Há cerca de 66 milhões de anos, quando o período Cretáceo se aproximava do fim, os hadrossauros estavam entre os dinossauros herbívoros mais comuns.

Estavam muito presentes no super continente Laurásia – uma massa que mais tarde se dividiu para e se transformou nos actuais continentes da América do Norte, Europa e grande parte da Ásia.

Do outro lado do oceano, uma massa de terra separada conhecida como Gondwana era dominada por uma diversidade de saurópodes de pescoço longo e pesado. Os restos desses gigantes são comummente encontrados em lugares como África, Índia, Austrália e América do Sul.

Misturar os dois grupos de dinossauros parece bastante improvável devido às grandes extensões de água entre os continentes. Contudo, o mais novo membro da família hadrossaurídeo pode ser uma excepção.

Com base num pouco mais do que alguns pedaços de mandíbula e um punhado de dentes arrancados de uma mina de fosfato em Marrocos, a descoberta é uma evidência de que pelo menos um desses animais conseguiu ir mais longe do que se achava ser possível.

“Esses dinossauros evoluíram muito depois da deriva continental dividir os continentes, e não temos evidências de pontes terrestres. A geologia diz-nos que o actual continente africano estava isolada por oceanos. Nesse caso, a única maneira de chegar até lá seria através da água”.

A ideia não é tão rebuscada quanto pode parecer à primeira vista. Os hadrossauros sentiam-se em casa perto de ambientes aquáticos. Alguns mediam até 15 metros de comprimento, e tinham caudas grandes e pernas fortes, capazes de torná-los nadadores bastante competentes.

Porém, com um comprimento inferior a 3 metros, este hadrossauro pode ter tido um pouco mais de dificuldade em fazer uma maratona que poderia incluir nadar centenas de quilómetros, diz o LiveScience.

“Travessias oceânicas explicam como lémures e hipopótamos chegaram a Madagascar, ou como macacos e roedores atravessaram de África para a América do Sul”, diz Longrich, por isso este pequeno dinossauro também pode ser um desses exemplos.

Os cientistas apelidaram o hadrossauro de Ajnabia odysseus.

ZAP //

Por ZAP
14 Novembro, 2020


2586: Kamuysaurus japonicus é a nova espécie de dinossauro descoberta no Japão. Tinha um “bico de pato”

CIÊNCIA

Y. Kobayashi et al. / Scientific Reports
Reconstrução do Kamuysaurus japonicus, a flutuar no mar, com dois mosassauros, duas tartarugas marinhas e quatro amonóides.

‘Kamuysaurus japonicus’ é a nova espécie de hadrossáurio encontrada no Japão. A reconstituição do esqueleto quase completo revela que este tinha um “bico de pato”.

Uma nova pesquisa publicada ontem no Scientific Reports descreve o ‘Kamuysaurus japonicus’ — uma espécie de hadrossáurio ou dinossauro de bico de pato —, retirado da Formação Hakobuchi no Japão.

O fóssil quase completo foi encontrado em depósitos marinhos de 72 milhões de anos, sugerindo que a criatura viveu ao longo da costa. O dinossauro foi baptizado como “Kamuysaurus japonicus”, que significa “deus dragão japonês”.

Os ossos do ‘Kamuysaurus japonicus‘ foram encontrados ao lado dos restos fossilizados de tartarugas marinhas e mosassauros (um réptil aquático extinto que se parecia com uma baleia moderna), reforçando ainda mais a ideia que este dinossauro habitou perto do mar.

Os hadrossáurios eram um grupo de dinossauros que viveu durante o período cretáceo tardio — 100 a 66 milhões de anos atrás. Estes herbívoros podiam andar com quatro ou duas pernas, permitindo que pastassem ao longo do solo ou atingissem galhos altos.

Y. Kobayashi et al. / Scientific Reports
O esqueleto quase completo do ‘Kamuysaurus japonicus’.

Em 2013, a cauda parcial deste espécime foi descoberta na Formação Hakobuchi, levando a escavações mais extensas no local. Os cientistas conseguiram descobrir um esqueleto quase completo, cujos ossos foram analisados pelo paleontólogo Yoshitsugu Kobayashi, do Museu da Universidade Hokkaido e pela sua equipa.

É o “maior esqueleto de dinossauro já encontrado no Japão“, pode-se ler num comunicado de imprensa da Universidade de Hokkaido.

A análise da amostra incluiu cerca de 350 ossos individuais. A criatura era um hadrossáurio de tamanho médio e adulto e tinha cerca de 9 anos quando morreu. Ainda vivo, o herbívoro media cerca de 8 metros e pesava 5,3 toneladas.

Os investigadores especulam que a sua carcaça flutuou para o mar e eventualmente afundou, o que permitiu que esta fosse preservada em sedimentos, revela a Gizmodo. 

Kobayashi e os seus colegas explicaram que o ‘Kamuysaurus japonicus’ era semelhante ao Laiyangosaurus da China e ao Kerberosaurus da Rússia, e que pertence ao clado (grupo de organismos com um antepassado comum) de dinossauros Edmontosaurini.

Y. Kobayashi et al. / Scientific Reports
Representação artística do ‘Kamuysaurus japonicus’.

Consequentemente, a investigação está a fornecer novas ideias sobre a origem deste clado e como estes animais se espalharam pelo planeta. O ‘Kamuysaurus japonicus’ e seus parentes próximos provavelmente viajaram pelo Alasca, que ligou a Ásia à América do Norte durante o final do Cretáceo.

Esta espécie de hadrossáurio exibia três características físicas que a distinguiam de outros membros do clado Edmontosaurini, garantindo assim a criação de um género e espécie de dinossauro novo. Estas características incluíam uma crista no crânio, uma fileira de espinhos inclinados para a frente nas costas e uma placa óssea mais curta do que o normal no osso da mandíbula.

“O facto de ter sido encontrado um novo dinossauro no Japão significa que existiu um mundo independente de dinossauros no país ou no leste da Ásia, com um processo evolutivo diferente“, salientou Yoshitsugu Kobayashi, citado pela Sapo.

O ‘Kamuysaurus japonicus’ terá habitado em regiões costeiras, habitat raro para os dinossauros da época que terá “desempenhado um papel importante na diversificação” dos dinossauros no início da sua evolução.

DR, ZAP //

Por DR
7 Setembro, 2019