2101: Aconteceu em 1970. Dia de testes nucleares (com vídeos)

Neste dia o DN noticiava a 32.ª detonação nuclear realizada pela França ocorrida na véspera. O 15 de maio foi durante vários anos, dia de testes para muitos países.

“Experiências nucleares da França. A 32.ª explosão. Uma bomba atómica sobre um atol do Pacífico.” Foi desta forma que o Diário de Notícias de 16 de maio de 1970 dava conta de mais um teste nuclear gaulês, realizado na véspera e que tinha o objectivo de aperfeiçoar as ogivas dos mísseis balísticos.

Um teste que se realizou num dia que historicamente é de eleição para este tipo de actividades.

A 15 de Maio de 1955 os Estados Unidos realizaram uma explosão nuclear no seu local de testes do Nevada. Um ensaio que foi filmado e cujas imagens são hoje das mais conhecidas no mundo.

Nove anos mais tarde, em 1964, precisamente no mesmo dia, os EUA realizavam um teste semelhante.

Tal como o DN noticiou, o teste nuclear francês de 1970 foi apenas um de vários realizados desde o final dos anos 1960. As imagens de alguns são hoje públicas.

Em 1995, também o 15 de Maio foi o dia escolhido para a China realizar um teste nuclear em Lop Nor.

Diário de Notícias
16 MAI 2019



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2100: Eu, feliz proprietária de um hectare de Lua

OPINIÃO

Que Elon Musk quer criar colónias humanas em Marte, já há muito se sabia, mas agora foi Jeff Bezos quem veio dizer que em 2024 quer ter capacidade para pôr humanos na Lua e colonizá-la. Ora calma aí, senhor Amazon! É que isto de ir viver para o satélite natural da Terra é muito bonito, mas antes de chegar lá e açambarcar todas as crateras, convém perguntar se têm dono.

Loucura? Nem por isso. Eu própria sou a feliz proprietária de um hectare de Lua. Sim. Um hectare. Na Lua.

Em 2007 entrevistei Dennis Hope, um americano que 27 anos antes tinha reivindicado a posse de todos os corpos celestes. O californiano, hoje com 71 anos, veio a Lisboa para inaugurar a primeira embaixada lunar no nosso país e vender terrenos aos portugueses. Foi ele quem me surpreendeu com um canudo de cartão no interior do qual se encontrava um certificado com o meu nome e um mapa com a localização do meu hectare na Lua.

A ideia de vender pedaços de Lua surgiu a Dennis Hope depois do divórcio. Sem dinheiro decidiu reivindicar a posse dos planetas e suas luas. Para tal baseou-se numa lei americana de 1862 que dá a posse das terras devolutas ao primeiro que as reclamar. “Senti-me como os europeus de partida para o Novo Mundo”, explicou-me.

O auto-denominado presidente do Governo Galáctico aproveitou uma lacuna no Tratado Espacial (1967), que proíbe os governos de reclamarem território no espaço mas é omisso quanto aos indivíduos. Registou-se como proprietário, comunicou o facto à ONU e foi mundo fora vendendo pedaços de Lua, mas também de Marte, Vénus ou Mercúrio.

Compradores não faltam, desde presidentes americanos como Jimmy Carter ou George W. Bush até estrelas de cinema como Nicole Kidman ou Tom Cruise.

O meu hectare, esse, tem-me seguido nos últimos 12 anos. Veio comigo para as Torres de Lisboa quando o DN saiu do Marquês de Pombal e lá continua na minha gaveta, saindo à luz do dia sempre que alguém brinca que se isto na Terra não correr bem, podemos ir viver para a Lua.

Um dia, quem sabe. Vizinhança já tenho!

Diário de Notícias
Helena Tecedeiro
03 Junho 2019 — 00:00



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