2700: A Amazónia está a arder. Mas há uma região no Brasil a ser destruída mais rapidamente

CIÊNCIA

Gil df / Wikimedia

Encostada à Amazónia, uma outra região do Brasil, que alberga 5% das espécies de animais e de plantas de todo o mundo e um armazém de carbono, está a ser destruída a um ritmo ainda mais rápido.

Chama-se Cerrado, estende-se por 200 milhões de hectares e é o bioma mais diverso do mundo. Esta região tem a maior diversidade de fauna e flora no mundo, sendo composta por zonas de savana, campo e floresta, que se estendem por cerca de 200 milhões de hectares.

“É estimado que o bioma tenha 837 espécies de pássaros, 120 de répteis, 150 de anfíbios, mais de um milhão de peixes, noventa mil insectos e 199 tipos de mamíferos,” disse Mercedes Bustamante, uma bióloga da Universidade de Brasília, à CNN.

Mais de 4.800 espécies são endémicas, incluindo lontras gigantes, antas e jaguares, e metade das mais de onze mil espécies de plantas encontradas no Cerrado não podem ser encontradas em mais nenhum lugar no mundo, segundo a World Wildlife Foundation.

O Cerrado representa metade do tamanho da Amazónia e 50% está desflorestado, de acordo com Edegar de Oliveira Rosa, director de Conservação e Restauro dos Ecossistemas da WWF-Brazil. “Estamos a perder 700 mil hectares por ano”, afirmou.

Tal como na Amazónia, explica o Observador, os habitats no Cerrado estão a ser destruídos pela procura de carne. As áreas verdes são transformadas em terrenos para gado e, mais tarde, convertidas em campos para cultivo de soja que é usada para alimentar esse mesmo gado ou exportada para outras partes do mundo.

A desflorestação não é novidade e não acontece apenas no Brasil. Mas a procura por carne tem vindo a aumentar e a China serve-se da soja do Brasil numa altura em que trava uma guerra comercial com os Estados Unidos.

Perante este cenário de um boom agrícola no Brasil, especialistas mostram-se apreensivos, pois crêem que os habitats do Cerrado são o preço a pagar por esta situação. “Já não sobra muito mais do Cerrado” disse Toby Gardner, director da TRASE, uma iniciativa que analisa a transparência das cadeias de fornecimento de bens, à CNN. “O Cerrado está muito mais ameaçado, com três vezes mais perdas que a Amazónia”, acrescentou.

A região do Cerrado representa também uma ameaça no que se refere a alterações climáticas, por ser armazém de uma grande quantidade de carbono no subsolo. Num relatório recente, a Greenpeace sugere que a vegetação que ainda se mantém é um armazém de carbono equivalente a 13.7 giga-toneladas de dióxido de carbono. Mas a capacidade da vegetação em absorver o carbono pode estar em risco por causa da acção humana.

A desflorestação e a agricultura incentivam o aquecimento global através do enfraquecimento da capacidade da terra de absorção do dióxido de carbono da atmosfera, emitindo grandes quantidades de gases de efeito de estufa.

“O clima não tem fronteiras. Os efeitos na biodiversidade, a extinção de espécies, a emissão de carbono, o desmatamento e os incêndios, agravam a crise climática que nos afecta a todos”, afirma Daniela Montalto, uma representante da campanha sobre florestas da Greenpeace.

ZAP //

Por ZAP
24 Setembro, 2019

 

2475: Elon Musk quer largar bombas nucleares em Marte

Elon Musk quer bombardear o “planeta vermelho” para torná-lo habitável para a raça humana. Pode parecer contraditório, mas a ideia do fundador da Tesla e da SpaceX até poderia resultar.

Bombardear Marte para tornar o planeta habitável para humanos. Sim, é esta a solução de Elon Musk, que já tinha sido mencionada anteriormente pelo empresário americano, e que voltou à tona após tweets publicados na sexta-feira passada.

Nuke Mars!

Elon Musk @elonmusk

T-shirt soon

 

Bombardeiem Marte!“, escreveu Musk. “T-shirt disponível em breve”, acrescentou, prometendo uma espécie de merchandising relativo à ideia.

Não se sabe até que ponto é que Elon Musk está a falar a sério, mas algumas das suas mais disparatadas ideias anteriores  — veja-se o hyperloop, o lança-chamas pessoal, e para começar, um famoso “super-desportivo eléctrico com autonomia para 500km” que há 10 anos parecia ficção — acabaram mesmo por se tornar realidade.

E a verdade é que a ideia não é completamente disparatada. O uso de bombas nucleares em Marte, dizem alguns especialistas, poderia fundir as calotas polares do planeta e libertar grandes quantidades de dióxido de carbono para a atmosfera.

Isto permitiria criar uma espécie de efeito de estufa, que acabaria por aumentar a temperatura e a pressão atmosférica do planeta. Teoricamente, estas condições tornariam o planeta habitável para seres humanos.

Em 2015, Musk esteve no talk show americano “The Late Show with Stephen Colbert”, onde abordou a sua ideia de colonizar Marte.

Durante a entrevista, o CEO da SpaceX disse que havia duas formas de aumentar a temperatura do planeta: uma rápida e uma lenta. Desafiado a falar sobre a alternativa mais célere, Musk falou em bombardear Marte com armas nucleares.

Em Novembro do ano passado, Musk disse que havia uma probabilidade de 70% de ir viver para Marte. Além disso, disse que bilhetes para uma viagem ao planeta podem estar disponíveis daqui a sensivelmente seis anos, por “alguns milhares de dólares”.

Confrontado com a hipótese de a mudança para Marte ser um refúgio dos ricos para os problemas da Terra, o norte-americano de 47 anos, respondeu que não achava que seria, uma vez que há uma maior probabilidade de morrer em Marte.

A probabilidade de morrer em Marte é muito maior do que na Terra“. Se aterrar, quer “trabalhar sem pausas para construir a base. Não haverá muito tempo para lazer. E mesmo depois de fazer tudo isto, será um ambiente muito difícil. Portanto haverá uma boa hipótese de morrer”, acrescenta.

Entretanto, Elon Musk continua a gostar de se manter fiel às suas promessas. Aqui estão as prometidas t-shirts “Nuke Mars”.

Elon Musk

@elonmusk

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19 Agosto, 2019

 

2376: Alterações climáticas: podemos ter apenas 18 meses para salvar a Terra

© TVI24 Alterações climáticas: podemos ter apenas 18 meses para salvar a Terra

Até há pouco tempo, a comunidade científica e os líderes mundiais falavam em décadas para agir sobre o clima. Mais recentemente, o prazo passou para os dez anos, mas parece que serão as decisões tomadas nos próximos 18 meses as mais cruciais para travar as alterações climáticas.

O mais recente aviso sobre o tópico surgiu na Reunião dos Ministérios Estrangeiros do Commonwealth, que teve lugar em Londres no dia 10 de Julho, num discurso do príncipe Carlos.

Acredito que os próximos 18 meses vão decidir a nossa capacidade de manter as alterações climáticas em níveis suportáveis para a existência e nos quais consigamos restaurar o equilíbrio que precisamos para a nossa sobrevivência”.

O monarca falava sobre os eventos com os vários líderes internacionais, que vão ter lugar nos próximos meses, até 2020.

No ano passado, o Painel Inter-governamental para as Alterações Climáticas (IPCC) concluiu que, para limitar o aquecimento global em 1,5 graus (o limite considerado seguro pelos cientistas) até ao final do século, as emissões de CO2 terão de ser cortadas em pelo menos 45% até 2030. Um indicador preocupante, uma vez que as tendências actuais apontam para um aquecimento de 3 graus ou mais até 2100.

Para atingir este objectivo ambicioso, de acordo com a BBC, os cientistas apontam que os grandes cortes nas emissões de gases poluentes têm de acontecer até ao final do próximo ano. Esta é também a data limite do Acordo de Paris, que visa a aplicação de medidas para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa até 2020.

A matemática do clima é brutalmente clara: apesar de o mundo não poder ser curado nos próximos anos, pode ficar fatalmente ferido por negligência até ao final do próximo ano”, afirmou Hans Joachim Schellnhuber, fundador do Instituto Climático de Potsdam.

 

Estas são as datas a que deve prestar atenção

Os próximos 18 meses serão decisivos na agenda do clima em todos os países que fazem parte do Acordo de Paris.

O próximo encontro internacional sobre o tópico será num encontro especial do clima, marcado por António Guterres para o dia 23 de Setembro, para reafirmar a aplicabilidade dos compromissos assumidos no COP24.

Após esta reunião, os líderes mundiais tornam a encontrar-se em Santiago, no Chile, para o COP25.

O momento-chave das negociações do Acordo de Paris vai realizar-se no final de 2020, no Reino Unido, com o COP26.

Precisamos do COP26 para assegurar que os países têm intenções sérias quanto às suas obrigações, e isso significa que teremos de dar o exemplo. Juntos, temos de tomar todos os passos necessários para restringir o aquecimento global aos 1,5 graus”, disse o Secretário para o Ambiente britânico, Michael Gove, cujo governo enfrenta um desafio acrescido por causa da possibilidade do Brexit.

msn meteorologia
Susana Laires
26/07/2019

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2280: Destroços do satélite derrubado pela Índia continuam em órbita e ameaçam a EEI

NASA
A EEI – Estação Espacial Internacional

Os destroços do satélite indiano destruído no passado mês de Março pelas Forças Armadas deste país asiático continuam em órbita, pondo em perigo a Estação Espacial Internacional (EEI). Os cálculos oficiais apontaram na altura que os escombros seriam desintegrados em menos de 45 dias.

O aviso é deixado por Jonathan McDowell, astrónomo do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, nos EUA, que identificou 41 fragmentos do satélite indiano ainda em órbita.

Alguns destes escombros estão em altitudes que coincidem com as da EEI – que orbita a pouco mais de 400 quilómetros de altura – e, segundo estimativas de especialistas, vão levar cerca de um ano para caírem na atmosfera e se desintegrarem.

Jonathan McDowell @planet4589

Updated plot of Indian ASAT debris height versus time. Still 41 tracked debris objects in orbit.

A destruição do satélite gerou, pelo menos, 400 fragmentos de lixo espacial, alguns dos quais atingiram altitudes mais altas do que a da EEI, criando perigo de colisão com outros objectos e ameaçando a segurança de astronautas a bordo, disse, em Abril passado, Jim Bridenstine, da agência espacial norte-americana (NASA).

“O risco para a Estação Espacial Internacional aumentou 44%”, disse ainda o responsável da NASA, descrevendo a situação como “inaceitável”.

Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores da Índia têm insistido que a demolição feita na atmosfera mais baixa para evitar a acumulação de detritos, evitando que estes continuassem em órbita ao fim de algumas semanas.

Já primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, descreveu o lançamento do míssil que destruiu o satélite como um “grande avanço, considerando que o feito coloca o país entre as principais potências espaciais do mundo.

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5 Julho, 2019

2154: Afinal, a data em que o Vesúvio destruiu Pompeia pode estar errada

CIÊNCIA

Howard Stanbury / Flickr

A data tradicional da erupção do Monte Vesúvio é a 24 de Agosto de 79, de acordo com registos históricos. O incidente destruiu Pompeia e outros locais na Baía de Nápoles.

Essa data tem sido questionada, no entanto, com base nas roupas pesadas usadas, na presença de algumas frutas e vinhos do outono e numa inscrição em carvão vegetal recuperada no ano passado. Uma análise detalhada dos esqueletos de peixes recuperados de Pompeia é a mais recente evidência neste debate de longa data.

Os romanos antigos tinham uma relação complicada com frutos do mar. Embora muitas pessoas os tenham consumido, especialmente aqueles que viviam perto da costa, esse recurso era mais sazonal e menos confiável do que, por exemplo, a carne de porco.

Muito mais popular foi o molho de peixe fermentado chamado garum, que pode ter sido originalmente criado para preservar o peixe em épocas de abundância. Semelhante ao molho de peixe do leste asiático consumido hoje, garum foi feito de pequenos peixes macerados ao longo de vários meses.

A compreensão arqueológica da criação e composição do garum vem tanto de naufrágios que continham milhares de potes do material, quanto de locais como Pompeia, onde a evidência da produção do condimento foi encontrada na “garum shop” no lado oeste do anfiteatro.

Essa loja produzia 23 ânforas cheias de garum em diferentes estágios de fabricação, e análises arqueológicas sugeriam que cerca de 17 eram feitas de anchovas, pitágeles ou uma mistura dos dois, enquanto o resto era uma miscelânea de arenques, cavalas, atuns e outras espécies. de peixe. Até recentemente, no entanto, não tinha sido feita nenhuma análise detalhada dos esqueletos de peixes.

De acordo com o estudo publicado no International Journal of Osteoarchaeology, Alfredo Carannante, director do departamento de arqueologia mediterrânea do Instituto Internacional de Pesquisa de Arqueologia e Etnologia em Nápoles, detalha a sua análise do conteúdo de uma ânfora. O objectivo de Carannante era determinar as espécies presentes, o tamanho do peixe e a idade à morte, que fornece informações sobre a estação em que foram capturados.

Carannante descobriu que todos os ossos do lote que analisou eram de Spicara smaris, o picarel comum, que geralmente cresce até cerca de 15 centímetros de comprimento e é nativo do Oceano Atlântico, do Mar Mediterrâneo e do Mar Negro.

O picarel de Pompeia tinha sido atirados na ânfora inteiros e não em filetes ou decapitados. O seu pequeno tamanho e os seus anéis de crescimento sugerem que os picarels tinham cerca de um ano de idade quando foram pescados e eram todos do sexo feminino.

A historiadora de alimentos e chef Sally Grainger, especialista em garum, aprecia a análise detalhada de Carannante. Grainger disse, de acordo com a Forbes, que está “particularmente satisfeita por ter destacado o quão inadequado, confuso e superficial o estudo deste material foi até hoje”.

Carannante trouxe à tona a complexidade das descobertas de uma maneira nunca antes feita por outros investigadores e “coloca questões muito importantes sobre a natureza aparentemente incomum do comércio de molhos de peixe em Pompeia”.

O tamanho e o sexo dos peixes podem conter novas pistas sobre a data da famosa erupção. Carannante escreve que “a última camada de crescimento ósseo parece estar bem desenvolvida e ter uma densidade mais leve, revelando que os picarels morreram quando as águas eram mais quentes durante a temporada de verão ou no começo do outono”.

Além disso, sugere que “o estudo da temporada de pesca realizada sobre os restos demonstrou que a captura foi feita no final do verão ou no início do outono quando a água estava mais quente. A comparação dos dados sugere que o período mais provável para a pesca ocorreu na segunda metade do verão ou no início do outono”.

Embora Carannante pondere sobre a sazonalidade do peixe e escreve que a data tradicional de 24 de Agosto coincide bem com os resultados, admite que “não é possível excluir uma data posterior para a destruição vulcânica. Uma data que cai em Outubro também pode ser compatível se os picarels fossem pescados no final do verão e deixados em salmoura durante um mês”.

Carannante “não está directamente interessado em apoiar uma ou outra hipótese” sobre a data, já que a sua investigação sugere que ambas são possíveis. Embora o estudo ofereça uma nova janela para a sazonalidade da erupção vulcânica, o debate sobre a data e a sua importância ainda está em andamento.

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11 Junho, 2019

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2095: Um “caixão” nuclear pode estar a verter partículas radioactivas no Oceano Pacífico

No início deste mês, António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, disse estar preocupado que uma espécie de caixão com décadas de idade possa estar a verter partículas radioactivas no Oceano Pacífico.

Entre 1946 e 1958, o governo dos Estados Unidos testou 67 armas nucleares nas Ilhas Marshall, incluindo a bomba de hidrogénio Bravo de 1954, mil vezes maior que a bomba atómica de Hiroshima – a maior e mais poderosa arma nuclear já detonada pelos EUA.

Os testes ocorreram na superfície de lagoas de atol, muitas das ilhas e debaixo de água. Este sedimento contaminado de ilhas locais poderá ter eventualmente fluído para o Oceano Pacífico Norte.

No final dos anos 1970, o governo dos EUA recolheu solo radioactivo de ilhas vizinhas contaminadas e enterrou cerca de 84 mil metros cúbicos numa cratera criada por uma bomba no Atol de Enewetak. As autoridades cobriram a precipitação com uma cúpula de betão de 45 centímetros de espessura que se tornou conhecida como Cactus Dome, ou Runit Dome – mas era supostamente uma solução temporária.

O fundo do poço não foi revestido e, como a exposição causou a formação de rachaduras na cúpula, as autoridades estão preocupadas com a possibilidade de estarem a libertar material radioactivo no oceano, uma ameaça que só deve piorar com o aumento do nível do mar e aumento da frequência de tempestades intensificadas pela mudança climática.

“Está cheia de contaminantes radioactivos que incluem o plutónio-239, uma das substâncias mais tóxicas conhecidas pelo homem”, disse o senador Jack Ading, da Marshall Islands, à Agência France-Presse. “O caixão está a verter veneno no meio ambiente.”

Depois de os militares dos EUA se retiraram da região em 1986, pagou-se um “acordo completo de todas as reivindicações, passadas, presentes e futuras” relacionadas com o programa de testes nucleares. No entanto, muitos argumentam que as retribuições não foram suficientes.

“Acabo de estar com o presidente das Ilhas Marshall, que está muito preocupado porque há um risco de derrame de materiais radioactivos que estão contidos numa espécie de caixão na área”, disse Guterres em Fiji.

Uma inspecção dos EUA em 2013 descobriu que a precipitação radioactiva nos sedimentos da lagoa já é tão alta que até mesmo uma “falha catastrófica” não resultaria num aumento na exposição à radiação para cerca de 800 residentes. As descobertas confirmaram uma “rápida resposta da maré” ao aumento da água subterrânea sob a estrutura.

Sob um cenário de libertação mais plausível, existe o potencial de contaminação das águas subterrâneas do domo para o ambiente marinho.

Um estudo de 2018 que calculou os fluxos de radioactividade nas águas da lagoa descobriu que os Atóis Bikini e Enewetak ainda são uma fonte de longo prazo de Plutónio e Césio para o Pacífico Norte. Além disso, níveis mais altos de precipitação radioactiva na água do mar e nos sedimentos são encontrados mais nesta região do que nos oceanos do resto do mundo. Em particular, o Runit contribui para cerca de metade do plutónio na coluna de água da lagoa Enewetak.

No entanto, os investigadores concluíram que as águas subterrâneas debaixo da cúpula não são uma fonte significativa. O governo acrescenta que a água subterrânea que flui para o recife oceânico será “muito rapidamente diluída” e resultaria em pouco ou nenhum aumento mensurável na radiação para populações marinhas ou humanas.

ZAP //

Por ZAP
2 Junho, 2019



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2033: CFC. O inimigo da camada de ozono voltou e é chinês

CIÊNCIA

No ano passado uma equipa de cientistas descobriu que a taxa de diminuição de CFC na atmosfera estava a desacelerar. Agora outra equipa detectou a origem do gás proibido.

Buraco do ozono na Antárctida em 2002.
© XSP

Uma equipa de cientistas descobriu a origem do até agora misterioso aumento do CFC-11, um químico que destrói a camada de ozono e cuja produção devia ter sido eliminada em 2010. Num estudo publicado na Nature, os seis cientistas apontam o dedo à produção daquele gás em duas províncias chinesas.

Em 2018 outra equipa de cientistas dera conta de uma grande desaceleração na taxa de diminuição ao longo dos últimos seis anos do CFC-11. Também conhecido como triclorofluorometano, é um dos vários produtos químicos de clorofluorocarboneto (CFC) que foram inicialmente desenvolvidos como refrigerantes durante a década de 1930.

Décadas depois os cientistas descobriram que quando os CFC se decompõem na atmosfera libertam átomos de cloro que são capazes de destruir rapidamente a camada de ozono que nos protege da luz ultravioleta. Um buraco na camada de ozono sobre a Antárctida foi descoberto em meados da década de 1980.

A comunidade internacional aprovou o Protocolo de Montreal em 1987 – ratificado pela China -, que proibiu a maior parte dos produtos químicos perigosos. Investigações recentes previam que o buraco no hemisfério norte poderia ser totalmente reparado até 2030 e na Antárctida até 2060.

No entanto, a nova fonte de poluição pode pôr em causa essas metas. Desde 2013 foram emitidas anualmente pelo leste da China cerca de 7 mil toneladas métricas a mais do que entre 2008 e 2012. Esse aumento, originado principalmente das províncias chinesas de Shandong e Hebei, corresponde pelo menos por 40 a 60% do aumento global anunciado no ano passado.

Estes dados foram obtidos através de medições das estações de monitorização do ar na Coreia do Sul e no Japão.

A ONG Environmental Investigation Agency já tinha dado pistas nesse sentido. Descobriram que o químico ilegal foi usado na maioria do isolamento de poliuretano produzido pelas empresas que contrataram. Um vendedor de CFC-11 estimou que 70% das vendas na China utilizavam o gás ilegal porque o CFC-11 é de melhor qualidade e muito mais barato do que as alternativas.

Diário de Notícias
23 Maio 2019 — 00:33

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2001: Antes da erupção do Vesúvio, as ruas de Pompeia eram reparadas com ferro fundido

CIÊNCIA

Howard Stanbury / Flickr

Funcionários antigos usavam ferro fundido para reparar as ruas de Pompeia antes da história e devastadora erupção do Vesúvio em 79 a.C.

A descoberta revela um método até então desconhecido da reparação das ruas romanas antigas e representa “a primeira comprovação em larga escala do uso romano do ferro fundido”, escreveram os investigadores Eric Poehler, professor de clássicos da Universidade de Massachusetts Amherst; Juliana van Roggen; e Benjamin Crowther, da Universidade do Texas em Austin, num artigo publicado no American Journal of Archaeology.

Quando o Monte Vesúvio entrou em erupção, cobriu a cidade de cinzas e lava. Embora a erupção tenha matado muitos dos habitantes de Pompeia, também preservou a cidade no tempo. Muitas das ruas de Pompeia foram pavimentadas com pedra, mas em Julho de 2014, os arqueólogos descobriram que, com o tempo, a passagem dos carros desgastou as pedras formando buracos profundos.

Repavimentar ruas era um processo caro e demorado, de acordo com registos históricos e vestígios arqueológicos. “Uma opção para conserto, a completa repavimentação em pedra, era um empreendimento difícil e caro que pode bloquear importantes rotas numa cidade durante meses”, escreveram os investigadores.

Isso era um problema para o povo de Pompeia, uma vez que algumas das muitas ruas da cidade poderiam ficar desgastadas rapidamente. “Investigações em Pompeia mostraram que volumes particularmente altos de tráfego concentrados em ruas estreitas poderiam desgastar até mesmo uma superfície pavimentada de pedra em apenas algumas décadas”.

Depois de o ferro derretido ter sido derramado, encheu os furos e endureceu enquanto arrefecia. Além do ferro, outros materiais como pedra, pedaços de terracota e cerâmica também foram inseridos nos buracos para ajudar a preenchê-los. Este método de reparo era mais barato e mais rápido do que repavimentar uma rua. “A forma como os romanos introduziram o material de ferro liquefeito nas ruas de Pompeia permanece um mistério”, escreveram os investigadores.

Os romanos teriam de aquecer ferro ou escória de ferro entre 1.100 a 1.600ºC, dependendo do tipo de ferro a ser derretido, de acordo com os cientistas, observando que os fornos romanos reconstruidos conseguiriam atingir essas temperaturas.

Foram encontrados numerosos exemplos de gotas de ferro em secções de ruas que não precisavam de conserto, o que sugere que o ferro derretido, às vezes, era derramado acidentalmente enquanto era levado para as ruas de Pompeia.

É provável que os escravos levassem o ferro fundido através de Pompeia, disse Poehler, observando que as cidades romanas tinham escravos públicos e magistrados – altos funcionários que detinham poder nas cidades romanas – que poderiam ter usado os seus próprios escravos para realizar tarefas como consertos de rua.

Agora, os investigadores esperam analisar a química do ferro para descobrir de onde foi extraído. Há ainda mais ruas em Pompeia para estudar.

ZAP // Live Science

Por ZAP
18 Maio, 2019


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1731: Cientistas revelam o único método capaz de evitar uma catástrofe climática

(CC0/PD) Myriams-Fotos / Pixabay

Cientistas de três centros universitários adiantam que o único método eficaz para combater os efeitos das alterações climáticas sem prejudicar o meio ambiente é a geoengenharia e as emissões de aerossóis.

Um dos principais equívocos inerentes à geoengenharia solar (colocar aerossóis na atmosfera para reflectir a luz do Sol e reduzir o aquecimento global) é que poderia ser usada como uma solução viável para reverter as tendências do aquecimento global e trazer a temperatura de volta aos níveis pré-industrias.

Mas desengane-se: não é assim tão linear. A aplicação de enormes doses de geoengenharia solar para compensar todo o aquecimento do aumento dos níveis atmosféricos de C02 poderia piorar o problema climático – particularmente os padrões de precipitação – em certas regiões.

No entanto, doses menores de geoengenharia solar aliadas a cortes de emissões poderiam ser a arma fatal para erradicar os riscos das mudanças climáticas.

Uma nova investigação, levada a cabo pela Universidade de Harvard, em colaboração com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e com a Universidade de Princeton, descobriu que se a geoengenharia solar for usada para reduzir para metade os aumentos da temperatura global, pode haver benefícios à escala mundial.

Na prática, o que os cientistas defendem é que é possível determinar um nível seguro de emissões de aerossóis na atmosfera de maneira a que estes reflitam a luz solar e reduzam o aquecimento global. O artigo científico foi publicado recentemente na Nature Climate Change.

“Alguns dos problemas identificados em estudos anteriores são exemplos do velho ditado de que a dose é o veneno“, disse David Keith, professor de física aplicada da Universidade de Harvard e principal autor do estudo, citada pelo Phys.org.

Os cientistas desenvolveram assim um modelo climático de chuvas extremas e ciclones tropicais para determinar o efeito da geoengenharia em diferentes regiões da Terra. Foram determinados os índices extremos de temperatura e precipitação, a disponibilidade de água doce e a intensidade dos furacões.

As emissões de aerossóis na atmosfera reduzem o aumento da temperatura global para metade, têm um efeito favorável no abastecimento de água e na precipitação em várias regiões, compensando o aumento (em mais de 85%) dos desastres naturais.

Ao mesmo tempo, menos de 0,5% dos territórios seriam afectados negativamente pelos métodos da geoengenharia. Estas regiões afectadas são caracterizadas pela resiliência ao aquecimento global, afirmam os cientistas.

Estes resultados refutam a opinião de que os aerossóis podem agravar significativamente a situação climática da Terra. Para evitar um efeito negativo, é necessário calcular correctamente a quantidade admissível de aerossóis emitidos para a atmosfera, advertem os especialistas.

Segundo a investigação, este é o único método para combater eficazmente os efeitos das mudanças climáticas.Uma outra opção seria reduzir ,imediatamente as emissões de gases de efeito de estufa. No entanto, neste último caso, o aquecimento só poderia ser interrompido se todas as instalações eléctricas, fábricas e mesmo automóveis fossem rapidamente desactivados –  e isso parece (muito) improvável.

Muitos cientistas acreditam que a Humanidade já perdeu a oportunidade de evitar uma catástrofe climática causada pelo aumento da temperatura média da Terra em mais de 1,5 graus Celsius. A única esperança reside, assim, nos métodos de geoengenharia.

ZAP //

Por ZAP
17 Março, 2019

– Eles, os cientistas, chamam-lhe de geoengenharia solar. Eu, não cientista, chamo-lhe de CHEMTRAILS e as descargas químicas e emissões de aerossóis estão a ser efectuadas há anos e a instalar doenças nas pessoas…

1691: Asteróides são mais difíceis de destruir do que Hollywood e a ciência pensavam

Novo estudo de universidades norte-americanas mostra que é preciso muito mais energia para destruir estes corpos celestiais que podem ameaçar a Terra

© NASA

Bruce Willis e a equipa que salvou a Terra da destruição no filme Armageddon, há mais de 20 anos (1998), não vão gostar desta notícia. É que, afinal, destruir asteróides requer um pouco (ou bastante) mais esforço do que Hollywood foi projectando nos seus filmes de ficção científica.

Essa é, pelo menos, a conclusão de um novo estudo levado a cabo por investigadores das Universidades de John Hopkins e de Maryland, nos EUA. De acordo com este estudo, os asteróides são consideravelmente mais difíceis de destruir e exigem uma força maior de energia do que os cientistas tinham calculado.

O problema é que a importância do estudo não se limita às produções cinematográficas de Hollywood. Os asteróides, e a possibilidade de um corpo desses de grande dimensão ameaçar a Terra, são um problema real que a comunidade científica acredita ter provocado já a extinção dos dinossauros na era Jurássica. Por isso, é importante encontrar a resposta adequada ao enigma: “É melhor partir o asteróide em pequenos pedaços ou desviá-lo para ir numa direcção diferente? E se for esta última opção, com quanta força devemos acertar-lhe para o mover sem causar ruptura?“, questiona o cientista Charles El Mir, líder deste novo estudo.

Para tentar responder às perguntas com a sua equipa na Universidade John Hopkins, El Mir baseou-se em modelos computacionais que simularam a colisão de dois asteróides: um asteróide alvo, com um diâmetro de 25 quilómetros, e um asteróide menor com um diâmetro inferior a 1,5 km, que atingiu o alvo a uma velocidade de 4,5 quilómetros por segundo.

A experiência evidenciou que, em vez de o pequeno asteróide estilhaçar o maior, como se pensava, o asteróide maior permaneceu relativamente intacto.

“Nós costumávamos acreditar que quanto maior o objeto, mais facilmente ele quebraria, porque os objectos maiores são mais propensos a ter falhas”, explicou Charles El Mir, em comunicado. “As nossas descobertas, no entanto, mostram que os asteróides são mais fortes do que costumávamos pensar e exigem mais energia para serem completamente destruídos”, observou.

As descobertas colocam questões para os cientistas, que procuram a melhor fórmula para lidar com os asteróides em rota de colisão com a Terra. “Somos afectados com bastante frequência por pequenos asteróides”, lembra K.T. Ramesh, director do Hopkins Extreme Materials Institute. “É apenas uma questão de tempo até que essas questões deixem de ser meramente académicas e passem a definir a nossa resposta a uma grande ameaça”, acrescentou. “Precisamos ter uma boa ideia do que devemos fazer quando chegar a hora – e esforços científicos como este são fundamentais para nos ajudar a tomar essas decisões”.

 

Diário de Notícias
08 Março 2019 — 14:46

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1627: Há três datas prováveis para o Apocalipse. Duas das quais ainda este século

(CC0/PD) photoshopper24 / pixabay

A humanidade corre o risco de ser extinta devido à colisão da Terra com um corpo celeste, a uma catástrofe natural ou até tecnológica. Este cenário não é uma fantasia saída dos filmes de Hollywood, mas antes fruto das previsões de vários cientistas.

Apesar de existirem várias e diferentes opiniões sobre a data do fim do mundo, não é ainda certo quando vai acontecer. Ainda assim, o cientistas estão certos de uma coisa: vai ocorrer ainda este século. Tendo em conta as várias correntes sobre o fenómeno, a Sputnik News compilou três previsões científicas próximas sobre o evento apocalíptico.

2036

Entre os possíveis eventos que poderiam levar ao fim do mundo um dos mais populares é a colisão da Terra com um asteróide. É a velha máxima: A questão não é se um asteróide vai colidir com a Terra, é quando.

De momento, o asteróide mais preocupante para os cientistas é o Apophis, que em 13 de Abril de 2029 se aproximará do nosso planeta a uma distância de 38 mil quilómetros (uma distância dez vezes menor do que a existente entre a Terra e a Lua).

Há uma pequena possibilidade de o asteróide entrar numa zona perigosa de 600 metros, onde o campo gravitacional da Terra mudará a sua trajectória de voo. Se isso acontecer, o Apophis colidirá com a Terra em 2036.

Segundo os cientistas da Universidade Técnica Estatal Bauman de Moscovo, na Rússia, na zona de risco, e caso se dê a colisão do Apophis com a Terra em 2036, encontra-se o Extremo Oriente russo, os países da América Central e África Ocidental.

2026

Há mais de 50 anos, o cientista americano Heinz von Foerster publicou com os seus colegas um artigo na revista científica Science, no qual revelou a data exacta do Dia do Juízo Final – 13 de Novembro de 2026. Nesse dia, a população da Terra deixará de crescer exponencialmente e tenderá ao infinito, escreveram os especialistas.

Para fazer os cálculos, Foerster usou dois parâmetros que determinam o destino de qualquer forma de vida: fertilidade e esperança de vida. Em 1975, o astrofísico alemão Sebastian von Hoerner teve em contra outros parâmetros ligados à actividade humana e estabeleceu que o Apocalipse chegará entre 2020 e 2050, quando a população da Terra aumentará a tal ponto que não será capaz de se alimentar.

Os cientistas americanos, por sua vez, usaram números actuais nas fórmulas produzidas de von Hoerner e revelaram que o fim do mundo não deverá acontecer antes de 2300 e 2400 devido ao aquecimento global provocado pelas actividades humanas.

Século XXI

Em 1972 o Clube de Roma, organização informal que reúne intelectuais, cientistas e futurólogos, apresentou um relatório sobre os limites de desenvolvimento da civilização. Os autores analisaram o crescimento da população, a indústria e o consumo dos recursos não renováveis, a deterioração do ambiente e revelaram que existe uma grande possibilidade de o colapso acontecer já no século XXI, se a humanidade não mudar seu comportamento, política e desenvolvimento tecnológico.

Nos anos 1980, diversos matemáticos estabeleceram que, conhecendo o início e duração da humanidade, é possível prever quando esta termina. Esta hipótese chama-se “argumento do Dia do Juízo Final”. Segundo os matemáticos, se quisermos analisar um qualquer processo, o mais possível é que o façamos em meados desse processo, mas não no seu início ou no fim, ou seja, a nossa civilização está a metade do caminho e ainda teremos pela frente alguns séculos ou milénios.

Entretanto, há quem que acredite que colapso da humanidade ocorrerá já em breve. Por exemplo, o futurologista Aleksei Turchin, no livro “Estrutura da Catástrofe Global”, analisa diferentes métodos de cálculo da data exacta do Apocalipse e a maioria aponta que o Dia do Juízo final chegará no século XXI.

Estas previsões vão ao encontro do Relógio do Apocalipse que, no passado mês de Janeiro, actualizou os seus ponteiros, dando conta que estamos a dois minutos do fim – no ano passado, os ponteiros marcavam já esta posição, assinalando, pela terceira vez desde que o relógio existe, a maior aproximação à meia noite.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
23 Fevereiro, 2019

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1446: A Terra ficou líquida no dia em que um asteróide dizimou os dinossauros

Don Davis / NASA

É difícil imaginar como  milhões de toneladas de rocha podem, de repente, comportar-se como um líquido, mas foi exactamente o que aconteceu quando um asteróide atingiu a Terra há 66 milhões de anos.

Assim afirmam cientistas americanos que conseguiram reconstruir em detalhes cada passo do impacto colossal que dizimou os dinossauros.

Amostras obtidas da cratera formada após a colisão permitiram concluir que as rochas sofreram um processo de “fluidificação”. Noutras palavras, o material pulverizado começou a comportar-se como uma substância semelhante à água.

Cientistas liderados por Molly Range, da Universidade de Michigan Ann Arbor, usaram dois modelos para a simulação. Um para o impacto inicial de um asteróide de 14 quilómetros de diâmetro em águas rasas e outro focado na consequente disseminação de água deslocada por todo o oceano antigo.

Inicialmente, seria criado quase instantaneamente um espaço côncavo de cerca de 30 quilómetros de profundidade e 100 quilómetros de diâmetro.

A instabilidade do terreno causaria mais tarde o colapso para dentro das margens da cratera. O colapso geraria, por sua vez, uma reacção de ricochete do fundo da cratera a alturas superiores aos Himalaias.

Estes movimentos gigantescos iriam estabilizar num determinado momento – e o que restaria seria uma cratera de cerca de 200 quilómetros de diâmetro e 1 quilómetro de profundidade. Essa cratera é precisamente a que se encontra enterrada sob uma camada de sedimentos no Golfo do México, perto do porto de Chicxulub.

O modelo é chamado de “modelo de colapso dinâmico de formação de cratera”, e o impacto que descreve só é possível se as rochas, por um curto período, perderem a sua solidez e fluírem sem atrito.

Um novo estudo apresenta evidências deste processo, baseado em material de perfuração de rochas de um anel de pico no centro da depressão de Chicxulub. Os anéis de pico são formações de grandes crateras de impacto, criadas pela elevação do solo após as colisões.

“O que descobrimos ao examinar o material da rocha é que ela se tinha fragmentado”, disse Ulrich Riller, investigador da Universidade de Hamburgo, na Alemanha. “A rocha foi esmagada e partida em fragmentos minúsculos que tinham inicialmente milímetros. Isto produziu comportamento semelhante a um fluido que explica a base plana da cratera, algo que caracteriza o Chicxulub e outros casos de grandes impactos, como na Lua.”

A fluidificação não é um processo de derretimento da rocha, mas da fragmentação da mesma por imensas forças de vibração, explica Sean Gulick, da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, e um dos líderes da equipa de perfuração.

“É um efeito de pressão, um dano mecânico. A quantidade de energia que passa por estas rochas é equivalente a terremotos de magnitude 10 ou 11. Estima-se que todo o impacto teve uma energia equivalente a 10 mil milhões de bombas de Hiroshima.”

Após a fragmentação e fluidificação, as rochas recuperaram a sua solidez para formar o anel da cratera. Este regresso ao estado sólido pode ser visto nas amostras obtidas.

ZAP // BBC

Por ZAP
3 Janeiro, 2019

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1375: “O tempo está a esgotar-se”. David Attenborough prevê “colapso da civilização”

CIÊNCIA

Foreign and Commonwealth Office / Flickr

Se os governos nada fizerem, a civilização e o mundo natural estão em risco de colapsar. O alerta foi feito pelo naturalista britânico, David Attenborough, durante a Cimeira do Clima que decorreu na Polónia na segunda-feira.

“Neste momento, estamos a assistir a um desastre global, feito pelo homem, e que é a maior ameaça que enfrentámos em milhares de anos: as alterações climáticas”, disse o britânico de 92 anos. “Se não fizermos nada, o colapso da nossa civilização e de boa parte do mundo natural está no horizonte.”

David Attenborough, apresentador e narrador de programas sobre a vida selvagem da BBC, foi escolhido para representar a voz das pessoas do mundo na 24ª Cimeira da ONU para o Clima (COP24). Um dos principais objectivos da conferência é encontrar formas de aplicar o Acordo de Paris, celebrado em 2015.

A forma encontrada pelas Nações Unidas para dar voz aos anónimos foi, dias antes do arranque da conferência, pedir a pessoas de todo o mundo que enviassem as suas mensagens para que estas pudessem ser apresentadas aos cerca de 200 representantes de governo reunidos na Polónia.

Foi através de uma montagem, segundo o Observador, que a plateia assistiu às mensagens vindas de todos os cantos do planeta. “Não vêm o que se passa à vossa volta?”, pergunta uma jovem. “Já estamos a ver o impacto das alterações climáticas na China”, diz outra. “Isto costumava ser a minha casa”, diz outra, apontando para ruínas queimadas pelo fogo.

Nesta montagem são também apontados números: 95% dos inquiridos dizem já ter vivenciado de alguma forma as alterações climáticas, enquanto dois terços concluem que esta é a maior ameaça que o mundo enfrenta.

“As pessoas do mundo falaram: o tempo está a esgotar-se. Elas querem que vocês, os tomadores de decisão, ajam agora. Líderes do mundo, vocês têm de liderar. A continuação da civilização e do mundo natural, do qual nós dependemos, está nas vossas mãos”, concluiu Attenbrough na sua apresentação.

A COP24 decorre até dia 14 de Dezembro em Katovice. As novas tecnologias favoráveis ao clima, a população como líder da mudança e o papel da floresta são os temas centrais que a Polónia quer ver discutidos na reunião mundial do clima que começou no domingo.

ZAP // Live Science

Por ZAP
5 Dezembro, 2018

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1369: A Terra pode tornar-se num novo planeta Vénus (e a culpa é das alterações climáticas)

AOES Medialab / ESA
Conceito artístico da superfície de Vénus

Se as alterações climáticas causadas pela humanidade continuarem sem controlo, as consequências podem ser irreversíveis e podem transformar as condições no nosso planeta nas mesmas de Vénus.

No passado, o planeta Vénus já esteve coberto de água e terá sido habitável. Mas o planeta passou por uma mudança climática catastrófica: a atmosfera começou a reter demasiado calor e o surgimento de um grande número de buracos de ozono destruiu o segundo planeta do Sistema Solar, onde a temperatura actual atinge mais de 471ºC.

Estudos no planeta vizinho levaram os cientistas a procurar buracos de ozono no nosso planeta, segundo Ellen Stofan, directora do Museu do Ar e do Espaço do Instituto Smithsonian e ex-investigadora da NASA, que enfatiza que Vénus é um espelho que pode reflectir o futuro da Terra.

De acordo com o cientista planetário e astro-biólogo do Instituto de Ciência Planetária, David Grinspoon, apesar da sua aparência moderna horripilante, Vénus é muito semelhante à Terra – sendo até chamado a “gémea malvada” do Planeta Azul.

“Vénus é um laboratório para entender a física do clima e as mudanças climáticas de um planeta parecido com a Terra. É impossível aprender tudo o que se precisa saber sobre a mudança climática na Terra ao estudar apenas a Terra”, disse ao portal Space.

Daqui a algum tempo, à medida que o Sol começa a envelhecer, o nosso planeta percorrerá o mesmo caminho que Vénus, com a evaporação do oceanos num mundo descontrolado devido ao efeito estufa.

“Acho que Vénus é um aviso importante: o efeito estufa não é apenas uma teoria”, concluiu Stofan.

ZAP // Sputnik

Por ZAP
4 Dezembro, 2018

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1254: O fundo do mar está a dissolver-se (e a culpa é dos humanos)

CIÊNCIA

Dimitris Siskopoulos / Flickr

As mesmas emissões de gases de efeito estufa que estão a causar mudanças climáticas no planeta estão também a fazer com que fundo do mar se dissolva cada vez mais rápido, de acordo com um novo estudo.

O oceano é o que é conhecido como o esgoto de carbono, uma vez que absorve carbono da atmosfera e este carbono acidifica a água. Nas profundezas do oceano, onde a pressão é alta, a água do mar acidificada reage com o carbonato de cálcio, originário das criaturas mortas. A reacção neutraliza o carbono, criando bicarbonato.

Ao longo dos milénios, esta reacção tem sido uma forma prática de armazenar carbono sem prejudicar a química do oceano. Mas, como os humanos queimam combustíveis fósseis, cada vez mais carbono tem acabado por se acumular no oceano. De acordo com a NASA, cerca de 48% do excesso de carbono que os seres humanos enviaram para a atmosfera foram bloqueados nos oceanos.

Todo esse carbono leva a oceanos mais ácidos, o que significa uma dissolução mais rápida do carbonato de cálcio no fundo do mar. Investigadores liderados pelo cientista oceânico Robert Key estimaram a provável taxa de dissolução em todo o mundo, usando a corrente de água, medições de carbonato de cálcio em sedimentos do fundo do mar e outros métricas-chave como a salinidade do oceano e a temperatura.

Os resultados, publicados a 29 de Outubro na revista Proceedings of The National Academy of Sciences, foram uma mistura de boas e más notícias. A boa notícia era que a maioria das áreas dos oceanos ainda não mostrava uma diferença dramática na taxa de dissolução de carbonato de cálcio antes e depois da revolução industrial.

No entanto, existem vários locais onde as emissões de carbono causadas pelo homem estão a fazer uma grande diferença. O maior ponto crítico é o Atlântico Norte ocidental, onde o carbono é responsável por entre 40 e 100% de carbonato de cálcio dissolvido. Há outros pequenos pontos críticos, no Oceano Índico e no Atlântico Sul, onde os depósitos de carbono e rápidas correntes aceleram a taxa de dissolução.

O Atlântico Norte ocidental é o local onde a camada do oceano sem carbonato de cálcio subiu 300 metros. Essa profundidade ocorre quando o carbonato de cálcio proveniente de animais mortos é anulado pela acidez do oceano. Abaixo dessa linha, não há acumulação de carbonato de cálcio.

O aumento na profundidade indica que agora que há mais carbono no oceano, as reacções de dissolução estão a ocorrer mais rapidamente e em profundidades menores.

“A destruição química de sedimentos ricos em carbonatos já depositados já começou e vai intensificar-se e espalhar-se por vastas áreas do leito marinho durante as próximas décadas e séculos, alterando o registo geológico do fundo do mar“, escreveu Key.

Os cientistas ainda não sabem o que essa alteração no fundo do mar significará para as criaturas que vivem nas profundezas, mas futuros geólogos poderão ver mudanças climáticas provocadas pelo Homem nas rochas eventualmente formadas pelo leito oceânico da actualidade.

ZAP // Live Science

Por ZAP
7 Novembro, 2018

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1242: 70% da biodiversidade intacta que resta na Terra está em apenas cinco países

CIÊNCIA

Os poucos ecossistemas intactos que ainda restam na Terra, que ajudam a preservar a vida selvagem e servem como amortecedores cruciais contra os efeitos das alterações climáticas, correm o risco de serem destruídos devido à actividade humana.

O aviso é deixado por investigadores da Universidade de Queensland, na Austrália, e da organização não-governamental norte-americana Wildlife Conservation Society (WCS) através de um artigo publicado na passada quinta-feira na revista Nature.

Actualmente, 77% da superfície terrestre – com excepção da Antárctida – e 87% dos oceanos foram alterados devido a efeitos directos da actividade do Homem. Há cem anos, apenas 15% do planeta era utilizado para actividades agrícolas, aponta o estudo.

Só entre 1993 e 2009, a actividade humana destruiu a vida selvagem numa área de 3,3 milhões de quilómetros quadrados – mais do que a superfície da Índia. Hoje em dia, as únicas águas oceânicas não afectadas pela pesca industrial ou pela poluição estão confinadas às regiões polares.

(dr) Nature
Áreas que ainda mantêm ecossistemas selvagens intactos

“As áreas selvagens são agora os únicos lugares que contêm combinações de espécies próximas da sua abundância natural” e, por isso, estes espaços são os únicos que “apoiam o processo ecológico” necessário para “manter a biodiversidade numa escala evolutiva”, escreveram os especialistas na publicação.

Portanto, estes lugares são “importantes reservatórios de informação genética“, indispensáveis nos esforços reunidos para regenerar a vida selvagem em áreas degradadas pela actividade humana, explicaram os autores.

Cerca de 94% dos ecossistemas selvagens intactos estão actualmente localizados em apenas 20 países, enquanto apenas cinco deles – Rússia, Canadá, Austrália, Brasil e Estados Unidos – compõem 70% da vida selvagem.

(dr) Nature
Os países que contêm 94% de toda a vida selvagem intacta (excluindo a Antárctida)

“Um punhado de países abriga muito desta terra intocada e estes países têm uma grande responsabilidade em manter o que resta da natureza selvagem”, frisou James Watson, professor na Universidade de Queensland e autor principal do estudo.

Face a estes dados, é essencial que os governos unam esforços junto de uma estrutura global para a conservação ambiental, uma vez “a contribuição de ecossistemas intactos não foi especificamente abordada em nenhum dos quadros políticos internacionais, como o Plano Estratégico das Nações Unidas para a Biodiversidade ou o Acordo de Paris”, alertam por fim os autores do estudo.

O novo estudo é divulgado na mesma semana em que o WWF revelou que as populações de animais do planeta diminuíram 60% desde 1970, devido sobretudo à acção humana.

ZAP // RT / Deutsche Welle

Por ZAP
4 Novembro, 2018

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1172: Graffiti pode revelar a verdadeira data da erupção que destruiu Pompeia

CIÊNCIA

ElfQrin / wikimedia
Ruínas de Pompeia com o vulcão do Monte Vesúvio ao fundo.

Esta terça-feira, as autoridades italianas anunciaram que a erupção vulcânica que destruiu a cidade romana de Pompeia, em 79 d.C., pode ter acontecido dois meses mais tarde do que pensavam os cientistas.

Até agora, pensava-se que a erupção que tinha soterrado a cidade de Pompeia debaixo de uma chuva de cinzas tinha acontecido a 24 de Agosto de 79 d.C.. No entanto, uma linha escrita em carvão na parede de uma sala investigada por arqueólogos acaba de mudar tudo: afinal, o desastre deve ter acontecido a 17 de Outubro de 79 d.C..

À medida que as escavações avançavam no sítio arqueológico de Pompeia, os cientistas começaram a duvidar da datação inicial, até que encontraram vestígios de romã, nozes e uvas prontas para serem usadas para fazer vinho. Estes vestígios indicavam que o desastre tinha acontecido durante o outono.

Mas o que, até hoje, não passavam de dúvidas, pode ser agora uma confirmação de que esses arqueólogos tinham mesmo razão. O Parque Arqueológico anunciou que os especialistas encontraram uma linha escrita em carvão na parede de uma sala que dizia: “XVI K Nov”, que, em português, significa “16º dia antes do primeiro de Novembro“, ou seja, 17 de Outubro.

Segundo o Observador, esta descoberta vem acentuar as desconfianças dos arqueólogos: afinal, a erupção vulcânica que destruiu Pompeia pode mesmo ter acontecido dois meses depois do calculado pelos cientistas.

De acordo com os especialistas, esta frase foi escrita numa área de uma casa que estava a ser renovada antes da erupção do Vesúvio. Ainda assim, defendem que não terá sido escrita muito antes, porque, como foi escrita em carvão, seria difícil que ela conseguisse sobreviver muito tempo a não ser que fosse preservada pelas cinzas do vulcão.

Apesar de os cientistas não saberem ao certo se a frase foi escrita no dia da catástrofe ou um dia antes, este graffiti indica uma data muito mais aproximada do dia da destruição total de Pompeia.

Alberto Bonisoli, ministro da Cultura, considerou a descoberta de “extraordinária”. “Hoje, com muita humildade, talvez reescrevamos os livros de história, porque datávamos a erupção na segunda metade de Outubro.”

Pompeia foi uma cidade do Império Romano, situada a 22 quilómetros de Nápoles, na Itália, no território do actual município de Pompeia. A antiga cidade foi destruída durante uma grande erupção do vulcão Vesúvio, provocando uma intensa chuva de cinzas e sepultando completamente a cidade.

ZAP //

Por ZAP
19 Outubro, 2018

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Stephen Hawking previu raça de “super-humanos” que irá destruir a humanidade

O físico e cosmólogo britânico, que morreu no passado mês de Março, deixou artigos e ensaios nos quais prevê a existência de uma raça modificada geneticamente que irá acabar por destruir a humanidade

O físico e cosmólogo britânico Stephen Hawking morreu no dia 14 de Março
© REUTERS/Lucas Jackson

Antes de morrer, Stephen Hawking deixou um aviso: o físico britânico previu que os avanços na engenharia genética vão levar à criação de uma raça de super-humanos, que acabará por destruir a humanidade.

“Acredito que durante este século, as pessoas vão descobrir como modificar a inteligência e os instintos, tal como a agressão. ​​​Vão ser criadas leis contra a engenharia genética em humanos, mas algumas pessoas não vão ser capazes de resistir à tentação de melhorar as características humanas como a memória, a resistência a doenças e a longevidade da vida”, escreveu Stephen Hawking num conjunto de artigos e ensaios, revelados pelo The Sunday Times , e que vão ser publicados esta terça-feira, 16 de Outubro, no livro “Brief Answers to the Big Questions” (“Breves Respostas para as Grandes Questões”, em tradução livre).

Nos seus últimos pensamentos, o físico e o cosmólogo britânico, que morreu no dia 14 de Março, aos 76 anos, refere que as pessoas mais ricas vão, em breve, poder editar o seu próprio ADN e o dos seus filhos com o objectivo de “criar super-humanos com uma memória aprimorada, resistência a doenças, inteligência e longevidade”, escreve a publicação.

Edição genética

Estes super-humanos vão ser uma ameaça à humanidade, avisa Stephen Hawking nos artigos e ensaios que deixou. O professor britânico, que sofria de esclerose lateral amiotrófica, diagnosticada aos 21 anos, refere nos textos que quem não conseguir recorrer à alteração genética vai sofrer com a raça modificada. “Assim que os super-humanos aparecerem vai haver problemas políticos significativos com os humanos que não foram melhorados, que não serão capazes de competir”, argumenta. Hawkings refere que os humanos comuns vão, presumivelmente, acabar por “morrer, ou deixar de ter importância”.

No conjunto de artigos e ensaios, o físico alerta para a possibilidade de existir no futuro “uma raça de seres auto desenhados que vai melhorando a um ritmo acelerado”.

De acordo com o The Guardian, as afirmações de Stephen Hawkings são baseadas na técnica de edição genética CRISPR-Cas9, que permite cortar o genoma (informação genética modificada no ADN) onde se quer para depois repará-lo. Um sistema que tem gerado controvérsia entre a comunidade científica.

Diário de Notícias
DN
15 Outubro 2018 — 15:14

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1142: Os aceleradores de partículas não vão destruir o planeta (mas os humanos sim)

kotedre / DeviantArt
Detalhe do LHC, Large Hadron Collider, acelerador de partículas do CERN

Antes de nos preocuparmos com o que os aceleradores de partículas podem fazer com o nosso planeta – se transformá-lo num buraco negro ou numa grande esfera densa – devemo-nos preocupar com o que nós próprios estamos a fazer à Terra, avisa Martin Rees.

Nos últimos dias, os media têm relatado que o último livro do cosmólogo britânico Martin Rees, On the Future: Prospects for Humanity, faz uma afirmação que deixou muitos a pensar: se tudo der errado, os aceleradores de partículas podem ser capazes de transformar a Terra numa grande esfera densa ou num buraco negro.

Mas, na verdade, segundo Rees, o seu livro diz transmite exactamente a ideia contrária: a probabilidade de isso acontecer é muito baixa. A ideia de o Large Hadron Collider formar mini-buracos negros não tem de nos preocupar, afirma.

“Acho que as pessoas se preocupavam muito com essa questão antes de fazerem experiências. Agora as experiências são realizadas pela natureza – ao extremo“, disse Rees.

Raios cósmicos, ou partículas com energias muito mais altas do que aquelas criadas em aceleradores de partículas colidem frequentemente na galáxia, e ainda não fizeram nada de desastroso. “Não é estúpido pensar nesta possibilidade, mas não devem ser preocupações sérias.”

No entanto, “se estivermos a fazer algo contra a natureza, sim, é preciso ter cuidado. Aliás, é nestes casos que a tecnologia pode ser uma verdadeira ameaça para o futuro”.

A edição genética é um exemplo, dado que pode gerar novos produtos orgânicos que não existem na natureza. Estas alterações genéticas que, essencialmente, alteram o código genético para alterar a probabilidade de herdar certos traços, podem levar a efeitos ambientais imprevisíveis.

A tecnologia, no entender do cosmologista, está também a fazer com que seja mais fácil as acções terem consequência de longo alcance. Rees dá como exemplo um ataque cibernético.

A tecnologia faz também coisas incríveis, especialmente no campo da medicina e nas viagens espaciais. “Apesar de as coisas poderem correr muito bem, há sempre muitos perigos ao longo do caminho por causa do uso indevido das tecnologias”, avisa.

Outra grande ameaça para o nosso futuro é a nossa influência humana no clima, no meio ambiente e na biodiversidade. “É importante ter conversas internacionais sobre como combater as pressões que a humanidade colocou no mundo. E, além disso, é muito mais fácil combater as mudanças climáticas do que migrar para um planeta novo”, afirmou.

“É uma ilusão perigosa pensar que podemos escapar dos problemas do mundo indo para Marte”, disse Rees.

Por ZAP
14 Outubro, 2018

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966: Misteriosa múmia que provocava transe foi destruída no Museu Nacional do Brasil

CIÊNCIA

Dos cerca de 20 milhões de itens de valor incalculável que compunham o acervo do Museu Nacional do Brasil e que foram consumidos pelo incêndio que deflagrou no domingo, havia uma peça em particular que despertava grande curiosidade entre os visitantes – e não era só pela sua raridade. 

A peça em causa era uma rara múmia egípcia, apelidada de Kherima, com cerca de 2 mil anos. De acordo com a BBC, a peça foi levada para o Brasil num caixote de madeira em 1824, pelas mãos do comerciante Nicolau Fiengo.

Dois anos depois, foi oferecida para leilão, acabando por ser comprada por D. Pedro I, que a doou posteriormente ao Museu Nacional do Brasil, no Rio do Janeiro – que, na altura, ainda estava localizado no Campo de Santana, no centro da cidade.

Kherima destacava-se pelo estilo da mumificação. Apresentava os membros enfaixados individualmente e decorados sobre linho, dando-lhe uma aparência semelhante a uma boneca. Este tipo de mumificação era diferente do utilizado da época, dando menos atenção ao corpos que eram simplesmente “empacotados”. Além deste exemplar, há apenas oito múmias do género em todo o mundo.

“Este era um exemplar muito importante por causa do tipo de mumificação utilizado, que preservava a humanidade do corpo. Neste caso em particular, o contorno do corpo feminino”, explicou Rennan Lemos, aluno do doutoramento em Arqueologia na Universidade de Cambridge, em Inglaterra, e pesquisador-associado do Laboratório de Egiptologia do Museu Nacional (Seshat).

No entanto, havia uma outra peculiaridade nesta múmia que atraía o interesse dos visitantes – o poder de transe. Há relatos da década de 60 que dão conta que Kherima teria provocado situações de transe a quem se aproximava dela.

Um destes exemplo remota à décadas de 1960, quando uma jovem terá tocado nos pés da múmia e, fora si, terá dito que pertencia a uma princesa de Tebas chamada de Kherima, assassinada com punhaladas. Outras pessoas relataram sentir um “mal estar súbito” quando se encontravam próximas da múmia.

Sessões de hipnose colectivas

Kherima já se tinha tornado num objecto de culto quando o professor Victor Staviarski, membro da Sociedade de Amigos do Museu Nacional, ajudou a reforçar o misticismo à sua volta. O professor leccionava cursos controversos de egiptologia e escrita hieroglífica ao som de óperas como Aida, de Giuseppe Verdi, e que incluíam a presença de médiuns e sessões de hipnose colectiva – ao lado da múmia.

Naquela época, os alunos podiam tocar na múmia e as reacções inesperadas que resultava dessa interacção foram alimentando o imaginário popular.

“Algumas pessoas diziam que conversavam com a múmia e ela respondia. Numa dessas conversas, a múmia terá dito que era uma princesa do Sol, mas isso não tem qualquer sentido científico, uma vez que esse não era um título do Antigo Egipto”, acrescenta Lemos.

Técnicas de tomografia permitiram revelar que Kherima era filha de um governador de Tebas, uma importante cidade do Antigo Egipto. De acordo com a pesquisa levada a cabo, Kherima teria cerca de 18 a 20 anos e terá vivido durante o Período Romano no Egipto, entre o século I e II. A causa da morte nunca foi identificada.

Uma outra múmia da cantora-sacerdotisa egípcia Sha-amun-en-su, foi também reduzida a cinzas no incêndio que destruiu o Museu Nacional do Brasil. Este exemplar foi um presente oferecido a D. Pedro II, em 1876, na sua segunda visita ao Egipto.

Com mais de 700 peças, a colecção de arqueologia egípcia do Museu Nacional era considerada a maior da América Latina e a mais antiga do continente – com várias múmias e sarcófagos. Acredita-se que todo o acervo tenha sido destruído.

O museu foi criado por D. João VI, de Portugal, e que completaria 200 anos este ano.

ZAP // BBC

Por ZAP
5 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 11 erros ortográficos ao texto original)

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763: NASA pode ter destruído acidentalmente as primeiras provas de vida em Marte

Goddard Space Center / NASA

A NASA pode ter destruído provas da existência de vida em Marte nos anos 1970. O carbono esteve no solo marciano o tempo todo, mas, infelizmente, os Viking podem ter incendiado tudo.

Em 1976, a NASA enviou duas naves como parte do programa Viking ao Planeta Vermelho, que conduziram as primeiras investigações em busca de compostos orgânicos na poeira marciana. O solo esburacado de Marte é constantemente atingido por minúsculos meteoritos ricos em carbono, pormenor que fazia com que a detecção desses sinais de vida fosse considerada uma descoberta quase certa.

O que não aconteceu. Depois de meia década a estudar o Planeta Vermelho, nenhum dos robôs Viking encontrou qualquer evidência de matéria orgânica, ao contrário do robô Curiosity da NASA que confirmou a presença de moléculas orgânicas em Marte, no início deste ano.

Um artigo recente, publicado no Journal of Geophysical Research: Planets, fornece agora uma explicação para os dois robôs Viking não terem encontrado estas provas. O carbono esteve no solo marciano o tempo todo, mas, infelizmente, os Viking incendiaram tudo, escreveram os cientistas.

Na missão Viking dos anos 1970, os equipamentos precisaram de aquecer as amostras recolhidas para que espectrómetro de massa as analisasse.

Os Viking aqueceram as amostras a uma temperatura máxima de 500 graus Celsius para tentar libertar quaisquer compostos orgânicos voláteis aprisionados nas amostras, ou seja, se houvesse carbono, os traços do composto deveriam ter sido detectáveis no vapor. Mas por que não foram?

De acordo com os investigadores, podia haver algo no solo que apanhou a NASA de surpresa, como um combustível hiperinflamável que, acidentalmente, queimou o carbono. Assim sendo, é possível que esse aquecimento tenha incendiado o perclorato, resultando na destruição de quaisquer compostos orgânicos que pudessem estar presentes naquelas amostras.

Em 2008, o Phoenix encontrou evidências de perclorato em Marte, uma descoberta muito aclamada na altura. No entanto, os autores do novo estudo ficaram entusiasmados com a descoberta deste sal mas por um motivo muito diferente: o perclorato é tão inflamável que é usado na Terra para fazer com que o combustível de fogos de artifício queime mais rápido.

Assim, se o perclorato é abundante no Planeta Vermelho, as tentativas do Viking de aquecer as amostras de solo podem ter feito este sal incendiar e eliminar instantaneamente quaisquer moléculas orgânicas.

Esta ideia é reforçada pelo facto de, em 2013, a NASA ter detectado traços de cloro-benzeno no solo de Marte, uma mistura de carbono, hidrogénio e cloro que pode durar meses no solo, resultado da queima do carbono com perclorato.

Os cientistas procuraram a mesma molécula nos robôs Viking, e encontraram vestígios de de cloro-benzeno em amostras recolhidas pela Viking 2.

A autora do estudo, Melissa Guzman, estudante no centro de investigação LATMOS, em França, disse ao NewScientist que, embora esta nova evidência seja convincente, não é uma prova definitiva dos produtos orgânicos marcianos.

É possível, todavia, que os compostos de carbono queimados com o perclorato no forno da Viking tenham vindo da Terra e, acidentalmente, contaminado as amostras.

Por ZAP
14 Julho, 2018

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755: Cientistas já sabem de onde vêm as emissões que estão a destruir a camada de ozono

Greg Shirah / Paul Newman / NASA / GSFC
Buraco da camada de ozono em 2000 registado pela NASA

A Agência de Investigação Ambiental (EIA) descobriu que os clorofluorocarbonos-11, composto químico proibido em 2010, continua a ser amplamente usado na China.

Nos últimos meses, cientistas de todo o mundo foram surpreendidos com um misterioso aumento das emissões de gases que estão a comprometer, de forma drástica, a camada de ozono que protege a Terra.

Agora, um grupo de investigadores acredita ter descoberto os principais responsáveis pelos danos no nosso meio ambiente: espumas de isolamento térmico de poliuretano, produzidas na China, geralmente utilizadas para isolamento de casas.

A Agência de Investigação Ambiental (EIA), sediada no Reino Unido, identificou a presença de CFC-11, ou clorofluorocarbonos-11, na produção dessas espumas no país asiático. Este composto químico foi proibido em 2010 mas, pelos vistos, está a ser amplamente usado nas fábricas chinesas.

O relatório da EIA, divulgado esta segunda-feira, apontou a construção de casas na China como fonte destas emissões atípicas de gases. Há dois meses, cientistas publicaram um estudo que mostrava que a esperada redução do uso de CFC-11, banido há oito anos, havia desacelerado drasticamente.

Os investigadores suspeitavam que o composto continuava a ser utilizado em algum lugar do leste da Ásia. Mas a fonte exacta ainda era desconhecida. Especialistas tinham receio de que o CFC-11 pudesse estar a ser usado de forma secreta para enriquecer urânio na produção de armas nucleares.

Agora, os investigadores dizem não ter dúvidas de que a fonte de produção deste composto está ligada ao uso de espuma para isolamento térmico de casas.

Agente expansor

Os CFC-11 funcionam como um eficiente agente expansor no fabrico de espuma de poliuretano, convertendo-as em isolantes térmicos rígidos usados, principalmente, como forro no tecto de residências para reduzir o custo da electricidade e a emissão de carbono.

O EIA entrou em contacto com fábricas de espuma de poliuretano em dez províncias chinesas. Depois de várias conversas com executivos de 18 empresas, os investigadores concluíram que o composto químico estava a ser usado na maioria dos isolantes de poliuretano produzidos pelas empresas.

A razão é simples: os CFC-11 têm melhor qualidade e são muito mais baratos do que os produtos alternativos. Apesar do CFC-11 ter sido banido, a fiscalização não é eficiente e, por isso, continua a ser utilizado.

“Ficámos totalmente chocados ao descobrir a abertura das empresas ao confirmarem que utilizam os CFC-11 e, ao mesmo tempo, por reconhecerem que é ilegal”, disse à BBC Avipsa Mahapatra, da Agência de Investigação Ambiental.

A EIA calcula que os gases produzidos na China estão ligados ao aumento das emissões observado no relatório da mesma agência em maio. No entanto, embora as suas descobertas sejam consideradas plausíveis, alguns especialistas acreditam que isto não explicaria, por si só, o actual elevado nível de emissão de gases que tem comprometido a camada de ozono.

Stephen Montzka, da Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), afirma à emissora britânica que “o uso generalizado do CFC-11, que parece ser evidente na China com base no estudo do EIA, é bastante surpreendente”.

O especialista pondera, contudo, ser difícil analisar com precisão o cálculo das emissões provenientes do uso do CFC-11 para “saber se é realmente possível que essa actividade explique tudo ou quase tudo que estamos a observar na atmosfera global”.

Porque é que esta descoberta é importante?

Ainda que o uso de CFC-11 em fábricas chinesas não seja o único ou mesmo o maior responsável pela emissão de gases que estão a destruir a camada de ozono, a descoberta do EIA é importante por ter identificado que uma quantidade considerável de químicos ilegais continua a ser utilizada – com a capacidade em potencial de reverter a já observada recuperação da camada de ozono.

A espuma de poliuretano fabricada na China representa quase um terço da produção global desse produto. Os investigadores calculam que a produção vai atrasar numa década ou mais o objectivo de fechar o buraco que permite os efeitos nocivos da radiação solar.

Como a China é signatária do Protocolo de Montreal – tratado de 1987 e que entrou em vigor dois anos depois -, seria possível impor sanções comerciais contra o país. Mas desde que o protocolo foi assinado, há mais de 20 anos, nenhum país foi punido com sanções e dificilmente será esse o caso neste momento.

De acordo com a BBC, é provável que a China seja incentivada a reduzir a produção de CFC-11 e poderá ser aberta uma investigação com o apoio dos responsáveis pelo protocolo para averiguar a situação nesta potência mundial.

Representantes do Protocolo de Montreal vão reunir-se esta semana em Viena, na Áustria, para elaborar um plano na tentativa de solucionar o problema.

ZAP // BBC

Por ZAP
12 Julho, 2018

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