4956: Qual é o destino do nosso planeta Terra?

CIÊNCIA/TERRA/UNIVERSO

Tudo tem um fim, até o Universo, e há quem diga que será um fim triste e solitário. A nossa casa, o planeta Terra, e a nossa estrela, o Sol, nasceram juntos e os seus destinos estão ligados. Conforme a nossa estrela se torna uma gigante vermelha e se expande, a Terra torna-se numa rocha seca, queimada e inabitável. Isso acontecerá também quando a nossa galáxia, a Via Láctea, colidir com a galáxia de Andrómeda, na porta ao lado.

Se é o Sol que mantém a vida na Terra, será esse mesmo Sol que irá, daqui a 5 mil milhões de anos, aniquilar todo e qualquer ser vivo no planeta.

Como será o fim do planeta Terra?

É do conhecimento comum que o planeta Terra existe graças ao nosso Sol. O nosso planeta formou-se na órbita da estrela, a partir de uma enorme nuvem de gás e poeira no espaço, há 4,5 mil milhões de anos. Da mesma forma, será o Sol a arruinar todos os seres vivos da Terra, daqui a cerca de mil milhões de anos.

Conforme o Sol evolui, expandir-se-á para se tornar numa estrela gigante vermelha e transformará o nosso planeta em cinzas. Além do mais, a morte da Terra acontecerá num cenário de mudanças em escala galáctica. A nossa galáxia, a Via Láctea, e a galáxia de Andrómeda estarão no meio de uma colisão colossal que alterará para sempre o nosso lar galáctico no espaço.

Sol: fonte de vida hoje e gigante vermelho no futuro

O nosso sol é uma estrela do tipo G e, actualmente, está na metade do seu ciclo de vida. Esta categoria de estrelas é muito estável durante a maior parte da sua vida. Vai fundindo discretamente hidrogénio em hélio no seu interior durante milhar de milhões de anos. Um dia, o hidrogénio no interior do Sol esgotar-se-á.

Nesse momento, a pressão interna da gravidade ganhará sobre a pressão externa da fusão interna do Sol, até este aquecer o suficiente para começar a fundir hélio. Nesse momento, o Sol irá inchar para fora, para se tornar uma estrela gigante vermelha.

À medida que o Sol aquece e se expande, as suas camadas externas envolverão os planetas mais internos, Mercúrio e Vénus. A borda externa do Sol crescerá para atingir aproximadamente a órbita da Terra. Como resultado, a água e a atmosfera do nosso planeta irão ferver. Para trás não ficará nada a não ser rocha carbonizada e sem vida.

Marte vai demorar um pouco para aquecer, mas, eventualmente, o planeta vermelho também estará fora da zona habitável para humanos. Nesse ponto, as luas dos planetas externos – como Júpiter e Saturno – serão os únicos lugares restantes no nosso sistema solar para colónias humanas.

Calma, esses locais serão apenas temporários e quem por cá andar terá de procurar outros locais para chamar de lar.

À medida que o nosso Sol se expande para a fase de gigante vermelha, a zona habitável ao redor dele será empurrada para fora do sistema solar. Imagem via NASA / Wendy Kenigsburg.

O tempo corre contra a humanidade

A fase de gigante vermelho do Sol pode continuar durante mil milhões de anos ou mais, mas, eventualmente, o hélio também acabará. Então, o Sol vai soprar um envelope de gás. Os astrónomos que observam através de telescópios noutros sistemas estelares verão o nosso Sol como o que chamamos de nebulosa planetária, uma grande camada de gás em torno de uma estrela moribunda.

No final das contas, esta casca dissipar-se-á no espaço e o que sobrou do nosso Sol tornar-se-á uma estrela anã branca.

Os astrónomos podem olhar para o espaço para vislumbrar o futuro do planeta Terra. Por exemplo, a 400 anos-luz de distância, uma estrela conhecida pelos astrónomos como SDSS J1228 + 1040 é uma anã branca com a sua mortalha funerária de nebulosa de gás e, dentro dela, os astrónomos encontraram a assinatura de um planetesimal ainda a orbitar o seu sol natal muito depois da sua morte.

O que se vai passar com a nossa galáxia?

Portanto, nisto tudo, o que dizer da própria Via Láctea, a grande ilha de estrelas que contém a nossa Terra e o nosso Sol?

No momento em que o nosso Sol cresce na fase de gigante vermelho – muito antes de se estabelecer como uma anã branca – a própria Via Láctea estará a passar por um longo processo de colisão inevitável com a galáxia espiral gigante vizinha, a galáxia de Andrómeda.

Os últimos humanos na Terra – se algum humano sobrar daqui a dois mil milhões de anos – verão a galáxia de Andrómeda a crescer e a ficar mais brilhante no céu nocturno. Actualmente, é quase invisível a olho nu num local com céu escuro. Contudo, daqui a alguns milhar de milhões de anos, a galáxia de Andrómeda será um turbilhão de estrelas de tirar o fôlego e inconfundível, facilmente visível no céu nocturno de todos os habitantes da Terra.

Assim, à medida que a Andrómeda e a Via Láctea se aproximam uma da outra, a grande massa da galáxia de Andrómeda começa a afectar as estrelas na nossa Via Láctea. A nossa galáxia é ampla e plana, como uma panqueca. Apesar de muito distante, nós, na Terra, actualmente vemos as suas estrelas numa noite escura de Agosto como uma grande faixa nebulosa no céu.

No entanto, à medida que a gravidade da Andrómeda distorcer os seus caminhos, as estrelas da Via Láctea serão espalhadas pelo nosso céu.

Pode parecer incrível, mas as estrelas dentro das galáxias estão tão distantes umas das outras que mesmo quando as duas espirais gigantes colidirem, haverá poucos fogos de artifício de colisões entre estrelas. No entanto, as nuvens de gás nas duas galáxias provavelmente irão colidir. O resultado serão formações de vastos conglomerados de novas estrelas.

O fim de tudo… é o começo!

Por fim, as galáxias da Via Láctea e de Andrómeda irão estabilizar para formar uma nova galáxia em forma de bolha massiva. Neste ponto, a Terra, o nosso Sol e o resto do nosso sistema solar podem estar nalgum local totalmente novo com relação ao centro galáctico.

Actualmente, a Terra fica a cerca de 25.000 anos-luz do centro da Via Láctea. Após a fusão de Andrómeda com a Via Láctea, os astrónomos acreditam que o nosso lar no espaço terá sido extraído para uma nova órbita galáctica a cerca de 100.000 anos-luz do centro da nova e grande galáxia combinada Andrómeda-Via Láctea.

Poderia dizer-se que estamos a ser enviados para uma casa de repouso no interior.

Referiu o teórico TJ Cox do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics.

E qual será o destino da humanidade?

Isso é impossível de dizer. Se ela sobreviver, o futuro da humanidade dependerá da nossa capacidade de viajar para longe do nosso Sol moribundo e montar acampamento num outro lugar.

Apesar de tudo, felizmente, ainda temos alguns milhar de milhões de anos para descobrir como realizar esta tarefa monumental. Contudo, estamos já no princípio do fim.

Pplware
Autor: Vítor M.
15 Jan 2021


4761: O eventual destino do nosso Sistema Solar

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/SISTEMA SOLAR

Impressão de artista da fronteira do Sistema Solar.
Crédito: NASA, ESA, G. Bacon (STScI)

Que pensamentos o(a) mantêm acordado(a) à noite? Se forem questões sobre o fim do nosso Sistema Solar… bem, realmente concentra-se no quadro geral! Mas alguns cientistas ponderaram a mesma coisa, e têm uma resposta: parte será engolido e o resto provavelmente vai desintegrar-se.

Depois do Sol envelhecer

O estudo do provável destino do nosso Sistema Solar é das “demandas mais antigas da astrofísica, que remonta ao próprio Newton,” segundo o início de uma recente publicação por Jon Zink (Universidade da Califórnia em Los Angeles). Embora a tradição seja longa, este campo é complicado: resolver as interacções dinâmicas entre muitos corpos é um problema notoriamente difícil.

Além do mais, não é apenas a dinâmica de objectos imutáveis que precisa ser tida em conta. O Sol vai evoluir dramaticamente à medida que envelhece para fora da sequência principal, aumentando de tamanho até envolver as órbitas de Mercúrio, de Vénus e da Terra e perdendo quase metade da sua massa durante os próximos 7 mil milhões de anos.

Os planetas exteriores vão sobreviver a esta evolução, mas não escaparão ilesos: uma vez que a atracção gravitacional da massa do Sol é o que governa as órbitas dos planetas, a perda de massa do nosso Sol fará com que os planetas exteriores se afastem ainda mais, enfraquecendo as suas “amarras” ao nosso Sistema Solar.

O que acontece depois? Zink e colaboradores deixaram a correr este cenário usando uma série de simulações.

O final do Sistema Solar

As simulações dos autores exploram o que acontecerá aos nossos planetas exteriores depois do Sol consumir os planetas interiores, perder metade da sua massa e começar a sua nova vida como uma anã branca. Zink e colaboradores mostram como os planetas gigantes vão migrar para fora em resposta à perda de massa do Sol, formando uma configuração estável na qual Júpiter e Saturno assentam-se numa ressonância de 5:2 – Júpiter completará cinco órbitas para cada duas órbitas de Saturno.

Mas o nosso Sistema Solar não está isolado; existem outras estrelas na Galáxia e uma delas passa perto de nós aproximadamente a cada 20 milhões de anos. Zink e colaboradores incluem os efeitos destas outras estrelas nas suas simulações. Eles demonstram que dentro de mais ou menos 30 mil milhões de anos, as passagens estelares terão perturbado os nossos planetas exteriores o suficiente para que a configuração estável se torne caótica, lançando velozmente a maioria dos planetas gigantes para fora do Sistema Solar.

O último planeta existente permanecerá por mais algum tempo. Mas, daqui a 100 mil milhões de anos, até este planeta remanescente também será desestabilizado por “flybys” estelares e expulso do Sistema Solar. Após a sua expulsão, os planetas gigantes irão vaguear independentemente pela Galáxia, juntando-se à população de planetas “flutuantes”, planetas sem hospedeiras estelares.

De modo que o nosso destino é sombrio: a combinação da perda de massa solar e as passagens rasantes de outras estrelas levará à dissolução completa do Sistema Solar, segundo estas simulações. As boas notícias? Este destino está muitos milhares de milhões de anos no futuro – assim sendo, não perca sono por causa disto.

Astronomia On-line
4 de Dezembro de 2020

 

 

3514: Cometa interestelar Borisov está a desfazer-se

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Os astrónomos detectaram o cometa em Agosto de 2019 e estão a verificar agora que há evidências de que este se está a desfazer

As várias observações feitas pelos astrónomos ao cometa Borisov permitiram concluir que se tratava de um objecto vindo de fora do Sistema Solar e que estaria apenas de passagem. Agora, uma equipa de investigadores polacos fez duas observações e concluiu que o comportamento do cometa indicia que tem estado a ocorrer uma “fragmentação do núcleo”, descreve a publicação Space.com.

Ainda não foi confirmada qual a razão, mas está a ser equacionada a opção de que o fenómeno se deve a uma aproximação ao Sol. Já em Dezembro, os especialistas consideravam que as ‘razias’ ao Sol poderiam ter consequências semelhantes. O cometa interestelar é constituído por gelo e rochas, e as passagens próximas do astro-rei podem resultar nesta fragmentação que, ao que tudo indica, estará mesmo a acontecer.

A novidade da descoberta do Borisov prende-se com a antecedência com que este foi identificado. Durante mais de um ano, os astrónomos puderam acompanhar e estudar a sua viagem pelo nosso Sistema Solar.

Exame Informática
25.03.2020 às 14h12

 

 

2781: O Sol é muito pequeno para acabar como buraco negro

CIÊNCIA

(CC0/PD) Buddy_Nath / Pixabay

O Sol não acabará a sua vida, tal como muitas outras estrelas, convertendo-se num buraco negro ou numa estrela de neutrões, recorda a NASA, dando conta que o seu destino final é outro: uma anã branca.

De acordo com a agência espacial norte-americana, a nossa estrelas precisaria de ser cerca de 20 vezes mais massivo para que terminasse a sua vida como buraco negro.

Segundo explica a NASA, as estrelas que nascem com este tamanho – 20 vezes a massa do Sol – ou com um tamanho maior podem explodir numa super-nova no final das suas vidas antes de desabar num buraco negro, objecto cósmico de grande força gravitacional. Nada, nem mesmo a luz, lhe pode escapar.

Algumas estrelas menores são suficientemente grandes para se tornarem super-novas, mas pequenas demais para se tornarem buracos negros. Por isso, estas entrarão em colapso em estruturas super densas – as chamadas estrelas de neutrões – depois de explodirem como uma super-nova.

O Sol também não é suficientemente grande para esse destino final: tem apenas um décimo da massa necessária para se tornar uma estrela de neutrões.

Então, o que acontecerá com o Sol? Dentro de 6 mil milhões de anos, a nossa estrela terminará como uma anã branca, um pequeno e denso remanescente de uma estrela que brilha com o excesso de calor. O processo, aponta a NASA, começará em cerca de 5.000 milhões de anos, quando o Sol começar a ficar sem combustível.

Tal como a maioria das estrelas, durante a fase principal da sua vida, o Sol cria energia através da fusão de átomos de hidrogénio no seu núcleo.  Daqui a 5.000 milhões de anos, o Sol começará a ficar sem hidrogénio, entrando assim em colapso. Esta situação permitirá ao Sol começar a fundir elementos mais pesados no núcleo, juntamente com a  fusão de hidrogénio numa concha envolvida em torno do núcleo.

Quando isso acontecer, a temperatura do Sol aumentará e as camadas externas da sua atmosfera vão expandir-se muito no Espaço, ao ponto de “engolir” a Terra – situação que tornaria a Terra inabitável para a vida tal como a conhecemos.

Esta será a fase gigante vermelha, que durará cerca de mil milhões de anos até que o Sol entre em colapso total para formar uma anã branca.

ZAP //

Por ZAP
6 Outubro, 2019