319: Desmatamento na Amazónia está a atingir ponto sem retorno

Dallas Krentzel / Flickr

A Amazónia aproxima-se perigosamente de um ponto “sem retorno”, que alcançaria se o desmatamento superar 20% da área original, afirmam dois biólogos da Fundação das Nações Unidas.

Num editorial publicado esta quarta-feira pela revista especializada “Science Advances”, o investigador norte-americano Thomas Lovejoy e o brasileiro Carlos Nobre garantiram que o desmatamento da Amazónia está perto de 17% da sua vegetação nos últimos 50 anos, e que o limite de 20% seria o abismo climático.

A Amazónia produz aproximadamente metade da suas chuvas ao reciclar a humidade na medida em que o ar se move a partir do Atlântico, através da América do Sul e rumo a oeste.

Esta humidade é importante para alimentar o ciclo da água da Terra de maneira mais ampla e afecta o bem-estar humano, a agricultura, as estações de seca e o comportamento da chuva em muitos países da América do Sul, segundo os especialistas.

Recentemente, factores como as mudanças climáticas, o desmatamento e o uso generalizado do fogo tiveram influência no ciclo natural da água nesta região, acrescentaram os biólogos.

Até agora, os estudos indicam que as interacções negativas entre esses factores significam que o sistema amazónico mudará para não florestal no leste, no sul e no centro da Amazónia se o desmatamento alcançar níveis que impactem em entre 20% e 25% da região.

De facto, segundo os especialistas, a gravidade das secas de 2005, 2010 e 2015 poderia representar os primeiros reflexos deste ponto de inflexão ecológica. Esses eventos, com as fortes inundações de 2009, 2012 e 2014, sugerem que o sistema está em oscilação.

Além disso, os factores de grande escala, como as temperaturas mais quentes da superfície do mar sobre o Atlântico Norte Tropical, também parecem estar associados com as mudanças na Terra.

Por esses motivos, Lovejoy e Nobre exigiram no artigo que se contenha a área desmatada abaixo de 20% da superfície original para evitar que se chegue a um ponto sem retorno na capacidade regenerativa dessa importante região.

ZAP // EFE

Por EFE
25 Fevereiro, 2018

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