2182: Há uma “Cidade do Futuro” inacabada no deserto do Arizona

No deserto do Arizona, nos Estados Unidos, há uma cidade experimental projectada para milhares de pessoas que agora contém apenas algumas dezenas de habitantes.

Durante quase cinco décadas, um grupo chamado Fundação Cosanti tem trabalhado na construção de uma cidade que inspiraria um novo futuro ao design urbano. Hoje, o projecto está apenas 5% concluído.

Chamada Arcosanti, a cidade foi projetada pelo arquiteto italiano Paolo Soleri, cujo sonho era criar um laboratório urbano avançado onde as actividades quotidianas pudessem ser alimentadas pelos recursos naturais da Terra.

Soleri chamou a sua visão de “implosão urbana” – referindo-se ao design que promoveria densidade e reduziria a expansão, eliminando carros e estradas. Em vez de lâmpadas, os quartos seriam iluminados pelos raios naturais do sol e, em vez de ar-condicionado, a vegetação forneceria sombra natural.

Mas, à medida que a construção da Acrosanti se deteriorou, outras cidades e designers começaram a superar as ideias de Soleri. De acordo com o Business Insider, nações como o Qatar e a Arábia Saudita estão a desenvolver cidades com tubos de lixo pneumáticos, trabalhadores robôs, drones-táxis e pontes aéreas movidas a energia solar.

A Malásia quer construir uma cidade com plantas auto-irrigantes e janelas auto-reparadoras. Se a comunidade planeada da Alphabet, em Toronto, for concretizada, poderá apresentar estradas para veículos sem motorista e sensores subterrâneos.

Em comparação com estes projectos, as estruturas baixas de Arcosanti, com cúpulas e fachadas cor de areia agora parecem partes de uma antiga aldeia hippie, de acordo com a Science Alert.

Mas as ideias de Soleri estão longe de ultrapassadas. O arquitecto foi um dos primeiros proponentes do abastecimento local de alimentos, energia solar e vizinhança viável – conceitos que agora são considerados paradigmas do design urbano. Com uma visão inclusiva e o financiamento certo, os conceitos ainda têm o potencial de ajudar a abordar questões como a mudança climática e a superlotação.

Na época em que Soleri imaginou Arcosanti no final dos anos 1960, tinha sido aclamado como protegido de Frank Lloyd Wright e membro do Museu de Arte Moderna. Ele e a esposa também fundaram a Fundação Cosanti, uma organização sem fins lucrativos que possui a terra onde Arcosanti começou a ser construída. Em 1970, Soleri começou a trabalhar nas primeiras estruturas.

A terra foi comprada com um empréstimo. Soleri conseguiu seguidores como estudantes, arquitectos, jornalistas, cineastas e outros que se voluntariaram para ajudar a dar vida à sua visão. Soleri morava no local e frequentemente trabalhava com eles. Mas muitos dos conceitos do arquitecto revelaram-se caros e difíceis de financiar. O financiamento diminuiu e a construção desacelerou. Com o tempo, os seguidores de Soleri começaram também a desaparecer.

“As pessoas originais que trabalham lá ou ficaram frustradas e foram embora ou ficaram lá, ficaram mais velhas e instalaram-se nos seus apartamentos projectados por Soleri para viverem uma vida agradável”, escreveu James McGirk, ex-participante do projecto, no Wired.

As opiniões sobre o carácter de Soleri variam – algumas pessoas descreveram-no como generoso e modesto, enquanto outras disseram que era arrogante e fechado. Mas a maioria dos relatos parece concordar que não estava disposto a comprometer a sua visão. Quando Soleri morreu em 2013, um novo edifício tinha sido concluído em Arcosanti durante quase 25 anos.

Paul Comstock/ Flickr

A vida na “Cidade do Futuro”

A maioria dos 80 moradores de Arcosanti ganha o salário mínimo a trabalhar para a Fundação Cosanti, que mantém a cidade a funcionar. Os residentes são obrigados a trabalhar 40 horas semanais em áreas como manutenção de terrenos, construção ou administração.

Alguns lidam com o arquivo, onde restauram e catalogam os velhos desenhos e modelos de Soleri, enquanto outros trabalham no café ou na galeria da cidade. Outros ainda trabalham para a Cosanti Originals Inc. Grande parte do financiamento actual da cidade vem da venda de sinos de bronze produzidos no local.

Em troca de uma taxa semanal de 75 dólares, os moradores recebem um desconto em alimentos e acesso ilimitado a moradias, serviços públicos e instalações como uma piscina e uma biblioteca de música. Os residentes têm a opção de participar em discussões filosóficas, festas e workshops e é comum encontrar animais de estimação locais.

Fiéis à visão de Soleri, alguns moradores de Arcosanti vivem sem aquecedores, confiando numa estufa solar que liberta ar quente nos seus apartamentos através de um alçapão. Embora os carros não sejam exactamente fora dos limites, a natureza compacta da cidade incentiva as pessoas a andar, reduzindo assim a sua pegada ambiental.

Mas Arcosanti está muito longe de uma utopia sustentável. As suas oliveiras fornecem pouco alívio do calor do deserto e os moradores ainda compram alimentos do supermercado.

Cerca de metade da população de Arcosanti é “semi-transitória”, o que significa que provavelmente permanecerão durante cerca de seis meses a cinco anos. Cerca de 30% são “semi-permanentes”, o que significa que viverão lá durante cerca de cinco a 15 anos.

O festival anual de música Form de Arcosanti ajuda a manter a notoriedade da cidade. O festival, que começou em 2014, apresenta-se como um “retiro criativo” de três dias, que inclui ioga, instalações de arte e uma programação de músicos electrónicos e indie-rock.

ZAP //

Por ZAP
16 Junho, 2019

2150: Meteoritos-chave descobertos no Chile podem revelar a origem do Sistema Solar

CIÊNCIA

Universidade Católica do Chile

Um estudo geológico levado a cabo no deserto do Atacama por cientistas da Universidade Católica do Chile (UCN) encontrou vários condritos carbonáceos, meteoritos-chave para entender a origem do Sistema Solar, bem como as causas que levaram à vida no planeta Terra. 

De acordo com um comunicado da UCN, os objectos, encontrados entre as cidades de Antofagasta e Taltal, fazem parte dos primeiros minerais formados a partir da nebulosa que cercou o Sol há 4,56 mil milhões de anos.

“É o tipo mais primitivo de meteorito já encontrado, é uma das rochas que contém os primeiros materiais sólidos condensados, numa altura em que o Sistema Solar se estava a formar. Estes meteoritos carregam a mais antiga evidência dos primeiros estágios de formação dos planetas”, explicou a cientista que liderou o estudo, Millarca Valenzuela.

“Se conseguirmos medir a composição [destes condritos carbonáceos], poderemos ter informações sobre a composição da nebulosa solar onde o cristal se estava a formar”.

Além das pistas sobre a origem do Sistema Solar, a matriz destes meteoritos sugere a sua possível participação na origem de vida na Terra. Os objectos têm até 5% de carbono, possuindo também “minerais, água e aminoácidos de base pequena e material orgânico abiótico […] que poderiam ser a semente a partir da qual o material orgânico pode ter evoluído para algo mais complexo”, sustentou a especialista.

Valenzuela é geóloga e uma das cientistas responsáveis pela descoberta no Chile. Em 2017, o asteróide 11819, localizado entre Júpiter e Marte, foi baptizado em sua honra.

Uma outra investigação, conduzida por cientistas de França e de Itália detectou matéria orgânica com 3.330 mil milhões de anos preservada em sedimentos vulcânicos nas Montanhas Barberton. É provável que a matéria pertença a um condrito carbonáceo extraterrestre. Os resultados desta investigação foram publicados no fim de maio na revista científica especializada Geochimica et Cosmochimica Acta.

ZAP //

Por ZAP
10 Junho, 2019



1724: Surgiu um lago gigante no Vale da Morte, o lugar mais seco da América do Norte

(CC0/PD) pxhere

O Vale da Morte, o lugar mais quente e seco da América do Norte, não é conhecido por chuvas recorde ou lagos gigantes. Mas, depois de uma tempestade ter passado pelo deserto, algo estranho aconteceu.

Elliott McGucken, um fotógrafo, estava a tentar chegar a Badwater Basin, onde pensava que poderia haver inundações, quando viu o lago gigante. “É uma sensação surreal ver tanta água no lugar mais seco do mundo”, disse McGucken à SF Gate. “Há uma ironia mesmo que não tenha conseguido chegar à Badwater Basin. No geral, acho que estas fotografias são, provavelmente, mais únicas.”

Ele publicou fotos do lago temporário de 16 quilómetros de extensão, com o Panamint Range ao fundo, no Instagram.

Não é precisa muita água para um lago emergir neste lugar incrivelmente árido. “Como a água não é prontamente absorvida no ambiente do deserto, mesmo chuvas moderadas podem causar inundações no Vale da Morte”, explicou Chris Dolce, meteorologista da Weather.com. “A inundação pode acontecer mesmo quando não está a chover. Normalmente, riachos secos ou arroios podem ficar inundados devido à chuva a montante.”

O Vale da Morte está localizado no leste da Califórnia. Durante o verão, pode ser um dos lugares mais quentes do mundo. Em 1972, registou a mais alta temperatura da superfície terrestre natural da Terra, com 93,9ºC. Nos últimos dois anos, é o lugar onde se marca o mês mais quente medido no planeta.

É também o lugar mais seco da América do Norte. Num ano normal, o Vale da Morte só recebe cerca de 60 milímetros de água da chuva. As chuvas do Vale da Morte em 5 e 6 de Março foram de 22 milímetros – quase o triplo de toda a precipitação média de Março.

“Tempestades raras trazem vastos campos de flores silvestres. Oásis exuberantes abrigam minúsculos peixes e refúgio para a vida selvagem e para os humanos”, explica o Serviço Nacional de Parques. “Apesar de seu nome mórbido, uma grande diversidade de vida sobrevive no Vale da Morte.”

ZAP // Science Alert

Por ZAP
16 Março, 2019

[post-viewa]

 

994: Eugenia Kalnay sonha com o plano que põe fim à expansão do deserto do Sahara

CIÊNCIA

Luca Galuzzi – www.galuzzi.it / wikimedia
Deserto do Sahara na Líbia

O deserto do Sahara está a expandir-se, uma tendência que se tem verificado, pelo menos, há um século. Apesar de ser um fenómeno aparentemente impossível de parar, nada impediu um grupo de cientistas de sonhar com uma solução.

A solução proposta baseia-se num grande esquema que envolve cobrir vastas áreas do deserto do Sahara com painéis solares e moinhos de vento. Eugenia Kalnay, cientista atmosférica da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, pensa nesta ideia há já uma década. O artigo científico foi publicado no dia 7 de Setembro na revista Science.

O seu conselheiro académico no MIT, Jule Charney foi um dos primeiros a descrever o ciclo vicioso que pode levar à desertificação. Com a seca, a vegetação verde desaparece e a sujeira clara que permanece reflecte mais o sol.

Isso faz com que a superfície da Terra arrefeça o que, por sua vez, significa que há menos calor a levar o ar até níveis mais altos e mais frios da atmosfera – processo que, normalmente, produz a precipitação. Assim, há menos chuva e, consequentemente, mais vegetação prejudicada.

Kalnay queria encontrar uma forma de recuperar as correntes atmosféricas. “Ocorreu-me que o mesmo ciclo resultaria no caminho oposto, o que faria aumentar a precipitação e, consequentemente, a vegetação”. Foi então que a cientista pensou em painéis solares. Como são escuros, os painéis não reflectem a luz solar, o que poderia ajudar a aquecer a superfície e a recuperar as correntes de ar que trazem a chuva.

Assim, a investigadora criou uma simulação de computador de um deserto Sahara sobrenatural, onde cerca de 20% da terra está coberta de painéis solares. O modelo transformou ainda o deserto num gigantesco parque eólico, coberto de turbinas, que, segundo a cientista, poderiam ajudar a impulsionar as correntes de ar.

Para surpresa de Kalnay, a simulação resultou: mostrou que as chuvas aumentaram o suficiente para trazer de volta a vegetação. “É maravilhoso”, comenta a investigadora. “Ficamos muito felizes porque parece ser uma solução muito importante para alguns dos problemas que temos.”

Segundo o NPR, a fazenda super solar que Kalnay idealizou é enorme e capaz de gerar quatro vezes mais electricidade do que a que todo o planeta consome actualmente. Confrontada com o facto de o seu cenário se assemelhar a um filme de ficção científica, a cientista atirou: “Seria ficção científica se a tecnologia não estivesse disponível.”

Para Kalnay, alguns milhares de milhões de painéis solares não é nada de inexequível. Ainda que alguns cientistas estejam a ponderar a possibilidade de serem construídas grandes fazendas solares no Sahara, nada se assemelha ao cenário que Kalnay simulou.

ZAP //

Por ZAP
11 Setembro, 2018

See also Blogs Eclypse and Lab Fotográfico