3239: O fenómeno das “pedras que andam” no Vale da Morte já existia há 200 milhões de anos

CIÊNCIA

howardignatius / Flickr

Uma equipa de cientistas da Universidade da Columbia sugeriu que o fenómeno das estranhas “pedras que andam” no Vale da Morte, no deserto de Mojave, no estado norte-americano da Califórnia, já ocorria há 200 milhões de anos.

As estranhas pedras têm confundido cientistas, sendo estas já estudadas desde 1940.

Trata-se de um fenómeno geológico que ocorre no lago seco de Racetrack Playa, na Califórnia, onde as pedras – algumas com mais de 320 quilogramas – parecem mover-se por si próprias, deixando sulcos na terra, explica o Science Alert.

Os cientistas da universidade norte-americana revelarem agora novas informações sobre estas pedras depois de terem analisado um fóssil de uma rocha sedimentar que faz parte de uma exposição do estado de Connecticut, onde foi encontrado.

Segundo os cientistas, que apresentaram os resultados da investigação no início de Dezembro na reunião da União Geofísica dos Estados Unidos, o estranho fenómeno pode ocorrer desde há 200 milhões de anos.

Em 2017, o paleontólogo Paul Olsen, da Universidade de Columbia, notou que o fóssil em causa conserva, para além de pegadas de um antecessor do brontossauros e até a textura das sua pele, aquilo que será o rasto de uma pedra deslizante.

Universidade de Columbia / Lull, R.S., 1915

Olsen e a sua equipa não conseguiram indicar se o rasto mostra o movimento de uma ou mais pedras. Contudo, afirmam que a pedra teria peso suficiente para deixar profundas marcas na lama antiga. Os cientistas apontam ainda que esta descoberta pode provar a existência de um breve período gelado durante o Jurrásico Inferior.

“Esta pode ser uma evidência do arrefecimento causado pelo inverno vulcânico“, explica Olsen, citado num comunicado da Universidade da Columbia.

As marcas do fóssil estão em linha com a ideia, que é relativamente consensual, de que as pedras se movem devido ao gelo que se forma em torno delas após um período de chuva no inverno, explica o portal Sputnik News. A chuva origina depois uma capa de água sobre o terreno seco, criando um lago artificial, que congela à noite.

Ao derreter, as placas de gelo à volta das pedras do Vale da Morte movem-se na água, criando assim um rasto na lama que endurece depois quando a água evapora.

Surgiu um lago gigante no Vale da Morte, o lugar mais seco da América do Norte

O Vale da Morte, o lugar mais quente e seco da América do Norte, não é conhecido por chuvas recorde…

ZAP //

Por ZAP
21 Dezembro, 2019

 

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2904: Terramotos na Califórnia despertam falha geológica inactiva há 500 anos

CIÊNCIA

Os recentes terramotos na Califórnia, nos Estados Unidos, despertaram uma falha geológica que estava inactiva nos últimos 500 anos, adiantaram geofísicos do Instituto Tecnológico da Califórnia (Caltech) e do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA.

A falha de Garlock, que atravessa o deserto de Mojave, no sul da Califórnia, está a mover-se pela primeira vez, desde que há registo. Actualmente, a falha geológica está a mover-se a um ritmo muito lento, mas é capaz de produzir um terramoto de magnitude 8, segundo os especialistas.

O motivo desta mudança repentina é, segundo os cientistas, a desestabilização causada pelos terramotos de Ridgecrest, em Julho deste ano. “Acabou por ser uma das sequências de terramotos melhor documentada da história”, adiantou Zachary Ross, professor assistente de geofísica e autor principal do artigo cientifico, publicado na revista Science.

As rupturas provocadas pelos abalos de Ridgecrest terminaram a poucos quilómetros da falha de Garlock, uma falha muito importante que se estende por mais de 300 quilómetros a partir da falha de San Andreas até ao Vale da Morte.

A falha tem permanecido relativamente inactiva durante os últimos 500 anos, mas a tensão exercida pela actividade sísmica fez com que se começasse a mover lentamente e a deslizar dois centímetros desde o mês de Julho, adianta a Sputnik News.

Esta investigação também fornece provas de que os grandes terramotos podem ocorrer de uma forma muito mais complexa do que se pensava até agora. Os cientistas consideram que os maiores terramotos são causados pela ruptura de uma grande falha geológica, e que a magnitude máxima está relacionada com o comprimento da falha.

No entanto, a sequência de sismos de Ridgecrest envolveu cerca de 20 pequenas falhas anteriormente desconhecidas, que se cruzaram numa zona geometricamente complexa e geologicamente jovem. “Não podemos assumir que as falhas maiores são as que ditam a ameaça sísmica, se muitas falhas mais pequenas podem unir-se para criar grandes terramotos”, afirmou Ross.

A investigação mostra que ainda sabemos muito pouco sobre terramotos e sobre o prognóstico do risco sísmico.

ZAP //

Por ZAP
24 Outubro, 2019