4396: Cientistas descobrem nova espécie de crustáceo no lugar mais quente da Terra

CIÊNCIA/BIOLOGIA

M. Pallmann SMNS / Pallmann
Phallocryptus fahimii

Uma equipa de cientistas descobriu uma nova espécie de crustáceo de água doce durante uma expedição ao deserto de Lute, no Irão, também conhecido como o lugar mais quente do planeta.

Hossein Rajaei, do Museu Estadual de História Natural de Stuttgart, e Alexander Rudov, da Universidade de Teerão, fizeram a descoberta durante uma expedição ao deserto de Lute, que tinha como principal objectivo entender a ecologia, biodiversidade, geo-morfologia e paleontologia do deserto.

Segundo o Tech Explorist, espécie identificada pertence ao género Phallocryptus, do qual apenas quatro espécies eram conhecidas em diferentes regiões áridas e semi-áridas. Os biólogos baptizaram a nova espécie de Phallocryptus fahimii em homenagem ao biólogo conservacionista iraniano Hadi Fahimi, que participou na expedição de 2017.

Os espécimes pertencem a uma nova espécie de crustáceos de água doce. “Durante uma expedição a um lugar tão extremo, estamos sempre em alerta, principalmente ao encontrar água. Descobrir crustáceos neste ambiente quente e seco foi realmente sensacional”, comentou Rajaei.

O artigo científico, publicado na Zoology in the Middle East, detalha que Phallocryptus fahimii difere na sua morfologia geral e na sua genética de todas as outras espécies Phallocryptus conhecidas.

“Estes crustáceos são capazes de sobreviver durante décadas nos sedimentos secos e eclodirão na próxima estação chuvosa, quando o habitat aquático se reabastecer. Estão perfeitamente adaptados para viver em ambientes desertos. A sua capacidade de sobreviver, até mesmo no deserto de Lute, destaca a sua resiliência”, disse Martin Schwentner, do Museu de História Natural de Viena.

Com 51.800 km2, o deserto de Lute é o segundo maior deserto iraniano e detém o recorde actual da mais alta temperatura de superfície já registada.

Com base nas medições de satélite de 2006, a NASA relatou uma temperatura recorde na superfície de 70,7° C, que mais recentemente aumentou para 80,3° C. Os seixos escuros presentes na superfície são uma das causas destas temperaturas recordes, sendo que as temperaturas médias diárias variam de -2,6° C no inverno e 50,4° C no verão.

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Por ZAP
26 Setembro, 2020