4129: Descoberta a primeira disrupção gigante nas nuvens de Vénus

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA

Uma equipa internacional de cientistas, que incluiu um investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), descobriu a “primeira disrupção gigante” nas nuvens de Vénus que tem fustigado as zonas profundas da atmosfera há pelo menos 35 anos.

Em comunicado, o IA avança que nos céus de Vénus, constituídos sobretudo por dióxido de carbono e nuvens de ácido sulfúrico, foi descoberta uma disrupção atmosférica gigante “ainda desconhecida em qualquer outra parte do Sistema Solar”.

“[A disrupção] desloca-se veloz a 50 quilómetros de altitude e passou despercebida durante pelo menos 35 anos”, refere o instituto, observando que o estudo, liderado pela agência espacial japonesa JAXA, foi publicado na revista Geophysical Research Letters.

Esta clivagem de escala planetária nas nuvens de Vénus pode estender-se por 7500 quilómetros, cruzando o equador, explica o instituto português, acrescentando que a mesma “desliza periodicamente em torno do globo sólido em cinco dias, a cerca de 328 quilómetros por hora”.

Citado no comunicado, Pedro Machado, investigador do IA, afirma que, se tal acontecesse na Terra, “seria como uma superfície frontal, mas à escala planetária, o que é algo inacreditável”. “Como parte da campanha de validação, estivemos a rever as imagens das minhas observações no infravermelho em 2012 com o Telescópio Nacional Galileo, nas Ilhas Canárias, e estava lá a descontinuidade tal e qual”, refere o investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

De acordo com o IA, outros padrões gigantes têm vindo a ser observados nas nuvens da atmosfera de Vénus, como a “onda Y ou a onda estacionária em forma de arco“.

“Ambas nas nuvens altas, mas esta [disrupção] é a primeira candidata a onda planetária descoberta a baixas altitudes”, lê-se no documento, acrescentando que esta região profunda da atmosfera é responsável pelo efeito de estufa “descontrolado que retém o calor e mantém a superfície a 465 graus Celsius”. “Ondas de escala planetária como esta poderão ajudar a estabelecer uma ligação entre a superfície e a dinâmica da atmosfera de Vénus como um todo, a qual, em certa medida, é ainda um mistério”, salienta.

Também citado no comunicado, Javier Peralta, líder do estudo, acrescenta que uma vez que a disrupção não é observada em imagens no ultravioleta que sondam o topo das nuvens, “torna-se de importância critica confirmar a sua natureza ondulatória”.

“Assim teríamos finalmente encontrado uma onda a transportar momento e energia da atmosfera profunda e a dissipar-se antes de chegar ao topo das nuvens. Estaria assim a depositar momento precisamente ao nível onde observamos os ventos mais rápidos da designada super-rotação atmosférica de Vénus, cujos mecanismos são um mistério de longa data”, afirma.

Para os investigadores, é para já difícil fornecer uma interpretação física convincente, tendo em conta que este é um fenómeno meteorológico novo e ainda não visto em outros planetas. No comunicado, o IA afirma ainda não ter só contribuído com o trabalho anterior no âmbito do seu programa de pesquisa dos ventos de Vénus, mas também com novas observações com o telescópio de infravermelhos IRTF da NASA, no Havai, coordenadas com as observações simultâneas a partir do espaço com a sonda Akatsuki.

ZAP // Lusa

Por Lusa
7 Agosto, 2020

 

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4128: Feitos de estrelas. Os nossos ossos são compostos por estrelas que explodiram

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA

Uma nova investigação concluiu que metade do cálcio do nosso Universo é oriundo de uma super-nova rica em cálcio, que explodiu há milhões de anos.

O novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica The Astrophysical Journal, significa, na prática, que os ossos e dentes humanos são compostos, essencialmente, por restos de estrelas mortas que explodiram há muito tempo.

Estas explosões criaram o cálcio que compõe a nossa estrutura óssea.

“Estes eventos são tão poucos que nunca soubemos o que produziu uma super-nova rica em cálcio”, começou por explicar Wynn Jacobson-Galan, estudante da Universidade Northwestern (Estados Unidos) e principal autor do novo estudo.

“Observando o que esta estrela fez no seu último mês antes de atingir o seu fim crítico, espiamos um lugar nunca antes explorado, abrindo novas vias de estudo”, continuou, em comunicado citado pelo portal de ciência Futurism.

Foi em abril de 2019 que um evento extremamente brilhante, a cerca de 55 milhões de anos-luz da Terra, chamou à atenção da comunidade internacional de Astronomia.

“Todo o país com um telescópio proeminente debruçou-se a visualizar este objecto”.

A emissora norte-americana CNN observa que os astrónomos foram rápidos ao ponto de muitos conseguiram observar a super-nova apenas dez horas após a explosão.

“A explosão está a tentar arrefecer (…) Quer doar a sua energia e a emissão de cálcio é uma forma eficiente de o fazer”, observou Raffaella Margutti, cientista da mesma universidade norte-americana e co-autora do estudo.

A explosão em causa expeliu uma quantidade imensa de cálcio e os cientistas conseguiram concluir que este evento gerou metade do cálcio de todo o Universo.

“Não era apenas rica em cálcio (…) Era a mais rica dos ricos“, completou.

O Humano é realmente feito de estrelas, tal como vaticinou o astrónomo Carl Sagan.

ZAP //

Por ZAP
8 Agosto, 2020

 

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4127: O Bosão de Higgs foi apanhado a fazer algo inesperado

CIÊNCIA/FÍSICA

rupertomiller / Flickr
Detalhe do LHC, Large Hadron Collider, acelerador de partículas do CERN

Uma equipa de cientistas do Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN) observou o Bosão de Higgs, a fazer algo inesperado: à medida que caía, esta parecia decompor-se numa combinação inesperada de partículas.

De acordo com o portal Futurism, esta é a primeira vez que o Bosão de Higgs, cuja descoberta rendeu um Prémio Nobel em 2013, foi observado a decompor-se num par de muões (partículas elementares semelhantes aos electrões).

As observações foram partilhadas esta semana numa conferência de Física de Alta Energia e os resultados estão disponíveis em pré-visualização no portal arXiv.org.

A descoberta deste novo comportamento do Bosão de Higgs, celebrizado popularmente como A Partícula de Deus, reforça o Modelo Padrão da Física, que há muito é desafiado pela descoberta de novas partículas elementares.

Tal como frisa o mesmo portal, uma das melhores formas de os físicos analisaram o Bosão de Higgs é observá-lo a “morrer”, isto é, a decair, a decompor-se.

Por norma, A Partícula de Deus decompõem-se em partículas relativamente pesadas, mas os muões são muito mais leves do que as partículas que surgem normalmente e interagem menos com o campo magnético emitido pelo Bosão de Higgs.

“[A nossa equipa no CERN] orgulha-se de ter alcançado esta sensibilidade no decaimento do Bosão de Higgs em muões e de ter conseguido mostrar a primeira evidência experimental deste processo”, disse o porta-voz do CERN, Roberto Carlin, em comunicado.

Os muões são partículas de segunda geração. Já os átomos, são compostos por partículas de primeira geração como electrões, as gerações mais altas existem apenas em ambientes de alta energia – como um laboratório de física de partículas – e decaem rapidamente.

Esta foi a primeira vez que o Bosão de Higgs foi observado por cientistas a interagir com qualquer partícula de segunda geração.

“O Bosão de Higgs parece interagir também com partículas de segunda geração, de acordo com o Modelo Padrão, um resultado que será aprimorado com os dados que esperamos recolher nos próximos procedimentos”, concluiu Carlin.

O Bosão de Higgs, recorde-se, é a partícula elementar proposta no Modelo Padrão de partículas que confere massa à matéria no Universo.

Na prática, era a peça-chave que faltava encaixar no modelo.

Foi baptizada em homenagem a Peter Higgs, o físico britânico que, juntamente com outros cientistas, propôs em 1964 o mecanismo de Higgs para explicar a origem da massa das partículas subatómicas no Cosmos. Quase meio século depois, Higgs e François Englert receberam o Prémio Nobel de Física pelo seu trabalho.

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ZAP //

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8 Agosto, 2020

 

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4126: Mudanças climáticas podem vir a causar mais mortes do que a covid-19, alerta Bill Gates

CIÊNCIA/AMBIENTE/CORONAVÍRUS

As mudanças climáticas podem custar muito mais vidas nas próximas décadas do que a pandemia do novo coronavírus (covid-19).

O alerta é do co-fundador da Microsoft, Bill Gates, que, através de uma reflexão no seu blogue pessoal, e admitindo as consequências negativas da covid-19, alerta que as alterações climáticas que ocorrem no planeta podem vir a causar mais mortes.

O filantropo compara a taxa de mortalidade do novo coronavírus, que é de aproximadamente de 14 mortes por 100.000 pessoas, com o aumento esperado na taxa de mortalidade relacionado com o aumento da temperatura global à boleia das emissões.

“Até o final do século, e se o crescimento das emissões continuar em elevados níveis, as mudanças climáticas poderão ser responsáveis ​​por 73 mortes adicionais por cada 100.000 pessoas. Num cenário de emissões mais baixas, a taxa de mortalidade cai para 10 mortes por 100.000 pessoas”, pode ler-se na sua reflexão.

Tomando qualquer um dos dois cenários, o mais optimista ou o mais pessimista, Gates alerta que qualquer projecção mostra que o índice de mortalidade associado às mudanças climáticas será semelhante ou muito superior ao do novo coronavírus.

“Em 2060, as mudanças climáticas podem ser tão mortal como a covid-19 e em 2100 podem ser cinco vezes mais mortais”, alerta o multimilionário.

Na mesma publicação, Gates alerta para os problemas económicos que serão também causados pelas alterações climáticas, à semelhança do que já acontece com a covid-19.

“Nas próximas dez décadas, os danos económicos causados ​​pelas mudanças climáticas serão, provavelmente, tão graves como os de uma pandemia numa escala semelhante ao coronavírus (…) E, até o final do século, será muito pior se o mundo permanecer na sua trajectória de emissões [de gases com efeito de estufa]”, disse.

Por tudo isto, Gates recomenda que se tomem medidas imediatas para travar o aquecimento global do planeta.

Bill Gates previu várias vezes uma pandemia. E sabia que o mundo não estava preparado

Embora para muitos a pandemia de coronavírus pareça ter surgido do nada, há anos algumas pessoas vêm a alertar sobre…

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7 Agosto, 2020

 

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Buraco negro não “consegue fazer o seu trabalho”

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Composição de imagens obtidas pelo Chandra, em raios-X, com dados ópticos do Hubble que mostram um enxame galáctico com um buraco negro no seu centro que não está activo. As consequências deste buraco negro adormecido é que a formação estelar foi autorizada a permanecer desenfreada – a um ritmo 300 vezes maior do que o visto na Via Láctea. Os dados do Chandra revelam que sem um buraco negro super-massivo central activo na maior galáxia do enxame, enormes quantidades de gás são capazes de arrefecer o suficiente para desencadear uma grande quantidade de nascimento estelar.
Crédito: raios-X – NASA/CXO/Univ. de Montreal/J. Hlavacek-Larrondo et al; Ótico – NASA/STScI

Astrónomos descobriram o que pode acontecer quando um buraco negro gigante não interfere na vida de um enxame de galáxias. Usando o Observatório de raios-X Chandra da NASA e outros telescópios, mostraram que o comportamento passivo do buraco negro pode explicar uma notável quantidade de formação estelar que ocorre num distante enxame galáctico.

Os enxames de galáxias contêm centenas ou milhares de galáxias permeadas por gás quente que emite raios-X e que supera a massa combinada de todas as galáxias. As ejecções de material alimentadas por um buraco negro super-massivo na galáxia central do enxame geralmente evitam que esse gás quente arrefeça para formar um grande número de estrelas. Este aquecimento permite que os buracos negros super-massivos influenciem ou controlem a actividade e a evolução do seu enxame hospedeiro.

Mas o que é que acontece se esse buraco negro deixar de estar activo? O enxame de galáxias SpARCS104922.6+564032.5 (SpARCS1049 para abreviar), localizado a 9,9 mil milhões de anos-luz de distância da Terra, está a fornecer uma resposta.

Com base nas observações do Telescópio Espacial Hubble da NASA e do Telescópio Espacial Spitzer, os astrónomos descobriram anteriormente que estavam a formar-se estrelas a um ritmo extraordinário de aproximadamente 900 novos sóis (em termos de massa) por ano no enxame SpARCS1049. Isto é superior a 300 vezes o ritmo a que a nossa Galáxia, a Via Láctea, forma as suas estrelas (à taxa observada no enxame SpARCS1049, todas as estrelas da Via Láctea formar-se-iam em apenas 100 milhões de anos, o que é um período de tempo curto em comparação com a idade da nossa Galáxia, que tem mais de 10 mil milhões de anos).

“Isto lembra-me o antigo ditado ‘quando o gato sai de casa os ratos passeiam,'” disse Julie Hlavacek-Larrondo da Universidade de Montreal no Canadá, que liderou o estudo. “Aqui o gato, o buraco negro, está calmo e os ratos, as estrelas, estão muito ocupados.”

Esta formação estelar furiosa está a acontecer a cerca de 80.000 anos-luz do centro de SpARCS1049, numa região fora de qualquer das galáxias do enxame. Os astrónomos perguntam-se: o que está a provocar este prodigioso ciclo de nascimento estelar?

A resposta pode vir de novos dados do Chandra que revelam o comportamento do gás quente em SpARCS1049. Na maior parte do enxame, a temperatura do gás é de cerca de 36 milhões de graus Celsius. No entanto, no local da formação estelar, o gás é mais denso do que a média e arrefeceu até uma temperatura de cerca de 5,5 milhões de graus Celsius. A presença deste gás mais frio sugere que outros reservatórios de gás não detectados arrefeceram a temperaturas ainda mais baixas que permitem a formação de um grande número de estrelas.

“Sem o buraco negro a bombardear activamente energia para o ambiente, o gás pode arrefecer o suficiente para que este ritmo impressionante de formação estelar possa ocorrer,” disse o co-autor Carter Rhea, também da Universidade de Montreal. “Este tipo de buraco negro ‘desligado’ pode ser uma maneira crucial para as estrelas se formarem no início do Universo.”

Embora existam muitos exemplos em que a energia injectada pelos buracos negros para o seu ambiente é responsável por reduzir a taxa de formação estelar por factores de dezenas ou milhares de vezes, ou mais, estes enxames estão tipicamente a poucas centenas de milhões de anos-luz da Terra e são muito mais antigos do que SpARCS1049.

No caso de SpARCS1049, os astrónomos não veem nenhum sinal de que um buraco negro super-massivo na galáxia central esteja activamente a puxar matéria. Por exemplo, não há evidências de um jacto de material soprando para longe do buraco negro no rádio, ou de uma fonte de raios-X do meio da galáxia, indicando que a matéria foi aquecida quando caiu em direcção a um buraco negro.

“Muitos astrónomos pensaram que, sem a intervenção de um buraco negro, a formação estelar ficaria fora de controlo,” disse a co-autora Tracy Webb da Universidade McGill, que descobriu SpARCS1049 pela primeira vez em 2015 com o Telescópio Espacial Spitzer da NASA. “Agora temos evidências observacionais de que isso é realmente o que ocorre.”

Porque é que o buraco negro está tão silencioso? A diferença observada na posição entre o gás mais denso e a galáxia central pode ser a causa. Isto significaria que o buraco negro super-massivo no centro desta galáxia está sedento de combustível. A perda de uma fonte de combustível do buraco negro evita surtos e permite que o gás arrefeça sem impedimentos, com o gás mais denso arrefecendo mais depressa. Uma explicação para este deslocamento é que dois enxames galácticos mais pequenos colidiram em algum momento no passado para formar SpARCS1049, afastando o gás mais denso da galáxia central.

O artigo que descreve estes resultados foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters e está disponível online.

Astronomia On-line
7 de Agosto de 2020

 

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4123: VLBA encontra planeta em órbita de estrela pequena e fria

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Ilustração mostra como o movimento da estrela em torno do centro de massa entre ela e o planeta provoca uma “oscilação” no seu movimento pelo espaço. A capacidade do VLBA em detectar este efeito minúsculo revelou a presença do planeta.
Crédito: Bill Saxton, NRAO/AUI/NSF

Usando a “visão” rádio super-nítida do VLBA (Very Long Baseline Array) da NSF (National Science Foundation), astrónomos descobriram um planeta do tamanho de Saturno em órbita de uma estrela pequena e fria a 35 anos-luz da Terra. Esta é a primeira descoberta de um exoplaneta com um radiotelescópio usando uma técnica que requer medições extremamente precisas da posição de uma estrela no céu, e apenas a segunda descoberta exoplanetária com esta técnica e para radiotelescópios.

A técnica é conhecida há muito tempo, mas tem sido difícil de usar. Envolve rastrear o movimento real da estrela pelo espaço e, em seguida, detectar uma minúscula “oscilação” nesse movimento provocada pelo efeito gravitacional do planeta. A estrela e o planeta orbitam em torno de um local que representa o centro de massa combinado de ambos. O planeta é revelado indirectamente se esse local, chamado baricentro, estiver longe o suficiente da estrela para provocar uma oscilação detectável pelo telescópio.

Espera-se que esta técnica, chamada técnica astrométrica, seja particularmente boa para detectar planetas do tipo Júpiter em órbitas distantes da estrela. Isto porque quando um planeta massivo orbita uma estrela, a oscilação produzida na estrela aumenta com uma maior separação entre o planeta e a estrela e, a uma determinada distância da estrela, quanto mais massivo o planeta, maior a oscilação produzida.

A partir de Junho de 2018 e continuando por ano e meio, os astrónomos rastrearam uma estrela chamada TVLM 513–46546, uma anã fria com menos de um-décimo da massa do nosso Sol. Além disso, usaram dados de nove observações anteriores da estrela pelo VLBA entre Março de 2010 e Agosto de 2011.

Uma análise extensa dos dados desses períodos de tempo revelou uma oscilação reveladora no movimento da estrela, indicando a presença de um planeta comparável com Saturno em termos de massa, orbitando a estrela uma vez a cada 221 dias. Este planeta está mais perto da estrela do que Mercúrio do Sol.

As estrelas pequenas e frias como TVLM 513–46546 são o tipo estelar mais comum na nossa Galáxia, a Via Láctea, e muitas delas foram encontradas com planetas pequenos, comparáveis à Terra e Marte.

“Espera-se que os planetas gigantes, como Júpiter e Saturno, sejam raros em torno de estrelas pequenas como esta, e a técnica astrométrica é mais adequada para encontrar planetas parecidos com Júpiter em órbitas largas, de modo que ficámos surpreendidos ao encontrar um planeta de massa menor, semelhante a Saturno, numa órbita relativamente compacta. Esperávamos encontrar um planeta mais massivo, parecido a Júpiter, numa órbita maior,” disse Salvador Curiel, da Universidade Nacional Autónoma do México. “Detectar os movimentos orbitais deste companheiro de massa planetária sub-Júpiter numa órbita tão compacta foi um grande desafio,” acrescentou.

Foram descobertos mais de 4200 planetas em órbita de outras estrelas que não o Sol, mas o planeta em torno de TVLM 513–46546 é apenas o segundo a ser descoberto usando a técnica astrométrica. Outro método muito bem-sucedido, chamado de técnica de velocidade radial, também se baseia no efeito gravitacional do planeta sobre a estrela. Essa técnica detecta a ligeira aceleração da estrela, seja na direcção da Terra ou na direcção oposta, provocada pelo movimento da estrela em torno do baricentro.

“O nosso método complementa o método de velocidade radial, que é mais sensível a planetas situados em órbitas próximas, enquanto o nosso é mais sensível a planetas massivos em órbitas mais distantes da estrela,” disse Gisela Ortiz-Leon do Instituto Max Planck para Radioastronomia na Alemanha. “De facto, estas outras técnicas encontraram apenas alguns planetas com características como massa do planeta, tamanho orbital e massa da hospedeira estelar, semelhantes ao planeta que encontrámos. Pensamos que o VLBA, e a técnica de astrometria em geral, podem revelar muitos planetas semelhantes.”

Uma terceira técnica, chamada método de trânsito, também muito bem-sucedida, detecta o ligeiro escurecimento da luz estelar quando um planeta passa à sua frente, a partir da perspectiva da Terra.

O método astrométrico tem sido bem-sucedido na detecção de sistemas estelares binários próximos e foi reconhecido já no século XIX como um meio potencial de descobrir exoplanetas. Ao longo dos anos, várias destas descobertas foram anunciadas e depois não sobreviveram a uma análise mais aprofundada. A dificuldade tem estado na oscilação estelar produzida por um planeta, oscilação esta tão pequena quando vista da Terra que requer uma precisão extraordinária nas medições posicionais.

“O VLBA com antenas separadas por até 8000 km, proporcionou-nos o grande poder de resolução e a precisão extremamente alta necessária para esta descoberta,” disse Amy Mioduszewski, do NRAO (National Radio Astronomy Observatory). “Além disso, as melhorias que foram feitas na sensibilidade do VLBA deram-nos a qualidade de dados que tornou agora possível este trabalho,” acrescentou.

Curiel, Ortiz-Leon, Mioduszewski e Rosa Torres da Universidade de Guadalajara, no México, relataram as suas descobertas na revista The Astronomical Journal.

Astronomia On-line
7 de Agosto de 2020

 

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ALMA captura “fábrica agitada” de planetas

Imagem do disco de formação planetária da jovem estrela RU Lup pelo ALMA. A inserção (disco avermelhado em baixo e à esquerda) mostra uma observação anterior (DSHARP) do disco de poeira com anéis e divisões que sugerem a presença de planetas em formação. A nova observação mostra uma grande estrutura espiral (a azul), feita de gás, que alcança muito mais longe do que o disco compacto de poeira.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), J. Huang e S. Andrews; NRAO/AUI/NSF, S. Dagnello

Os ambientes de formação planetária podem ser muito mais complexos e caóticos do que o que se pensava. Isto é evidenciado por uma nova imagem da estrela RU Lup, feita com o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array).

Todos os planetas, incluindo os do nosso Sistema Solar, nascem em discos de gás e poeira em torno de estrelas, os chamados discos proto-planetários. Graças ao ALMA, temos imagens impressionantes de alta resolução de muitas destas “fábricas” planetárias, mostrando discos empoeirados com vários anéis e divisões que sugerem a presença de planetas emergentes. Os exemplos mais famosos são HL Tau e TW Hydrae.

Mas os discos não são necessariamente tão bem organizados quanto estas observações iniciais da poeira sugerem. Uma nova imagem de RU Lup pelo ALMA, uma jovem estrela variável na direcção da constelação de Lobo, revelou um gigantesco conjunto de braços em espiral feitos de gás, que se estendem muito além do bem conhecido disco de poeira. Esta estrutura espiral – semelhante a uma “mini-galáxia” – estende-se a quase 1000 UA (Unidades Astronómicas) da estrela, muito mais longe do que o disco compacto de poeira, que alcança cerca de 60 UA.

Observações anteriores de RU Lup com o ALMA, que faziam parte do DSHARP (Disk Substructures at High Angular Resolution Project), já revelavam sinais de formação contínua de planetas, sugeridos pelas lacunas no seu disco protoplanetário de poeira. “Mas também notámos algumas estruturas gasosas de monóxido de carbono (CO) que se estendiam para lá do disco. É por isso que decidimos observar novamente o disco em torno da estrela, desta vez focando no gás e não na poeira,” disse Jane Huang do Centro Harvard Smithsonian para Astrofísica, autora principal de um artigo científico publicado na revista The Astrophysical Journal.

Os discos proto-planetários contêm muito mais gás do que poeira. Enquanto a poeira é necessária para acumular os núcleos planetários, o gás cria as suas atmosferas.

Nos últimos anos, observações de alta resolução de estruturas de poeira revolucionaram a nossa compreensão da formação de planetas. No entanto, esta nova imagem do gás indica que a visão actual da formação planetária ainda é muito simplista e que pode ser muito mais caótica do que se deduziu anteriormente a partir das imagens conhecidas de discos com anéis ordenadamente concêntricos.

“O facto de observarmos esta estrutura espiral no gás após uma observação mais longa sugere que provavelmente não vimos toda a diversidade e complexidade dos ambientes de formação planetária. Podemos ter perdido muitas das estruturas de gás noutros discos,” acrescentou Huang.

Huang e a sua equipa sugerem vários cenários que podem possivelmente explicar a razão dos braços espirais aparecerem em torno de RU Lup. Talvez o disco esteja a colapsar sob a sua própria gravidade, devido à sua enorme massa. Ou talvez RU Lup esteja a interagir com outra estrela. Outra possibilidade é que o disco está a interagir com o seu ambiente, acumulando material interestelar ao longo dos braços espirais.

“Nenhum destes cenários explica completamente o que observámos,” disse o membro da equipa Sean Andrews. “Podem existir processos desconhecidos a ocorrer durante a formação planetária que ainda não contabilizámos nos nossos modelos. Só iremos aprender o que são se encontrarmos outros discos parecidos com o de RU Lup.”

Astronomia On-line
7 de Agosto de 2020

 

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Já não basta ter de corrigir os textos para a lingua portuguesa, ainda tenho de converter as imagens para formato standard?

 

4121: Dois terços do gelo dos glaciares dos Himalaias podem desaparecer até 2100

CIÊNCIA/GLACIOLOGIA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

markhorrell / Flickr
Himalaias

Caso as metas climáticas não sejam atingidas, cerca de dois terços do gelo dos glaciares dos Himalaias podem desaparecer até 2100, revela um novo estudo.

No mundo da glaciologia, o ano de 2007 entraria na história. Foi o ano em que um erro aparentemente pequeno num importante relatório internacional anunciou grandes mudanças na nossa compreensão do que estava a acontecer com os glaciares dos Himalaias.

Apenas um ano após o documentário de Al Gore, “Uma Verdade Inconveniente”, ter desencadeado diálogo sobre o aquecimento global antropogénico, o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) publicou o seu 4.º Relatório de Avaliação.

Este resumo foi o padrão para informar o mundo sobre as alterações climáticas. O relatório continha um pequeno, mas sério erro – que todas as geleiras dos Himalaias desapareceriam até 2035.

O escândalo provocou uma enxurrada de novos estudos e agora podemos ver que alguns glaciares dos Himalaias sobreviverão no próximo século. Os dados mais recentes mostram-nos que, se reduzirmos as nossas emissões de gases com efeito estufa, entre um terço e metade do gelo dos glaciares será perdido até 2100. Caso contrário, dois terços dos glaciares dos Himalaias desaparecerão até ao final deste século.

A gralha no relatório foi devida a um erro de digitação aparentemente não intencional, dando credibilidade a uma declaração infundada. O IPCC citou um relatório da World Wildlife Foundation, que retirou a data do colapso dos Himalaias numa entrevista à New Scientist. Essa entrevista citou especulações de um glaciologista indiano, que aparentemente citou mal o trabalho de outro cientista que previa que glaciares em todo o mundo diminuiriam em 80% até 2350.

O IPCC acabou por pedir desculpa por não ter identificado esse erro. Embora embaraçoso, não menosprezou as conclusões principais. O IPCC comprometeu-se a melhorar o seu processo de revisão por pares antes do próximo relatório em 2013.

Após o relatório do IPCC, o Governo indiano agiu rapidamente para suprimir o pânico com um estudo controverso que apresentava evidências selectivas, mostrando que os glaciares no norte da Índia e no Paquistão eram estáveis ou estavam até mesmo em expansão. No entanto, os glaciares de Karakoram em questão beneficiam de uma maior queda de neve no inverno e Verões mais frios, como resultado do aquecimento global.

Resolver um erro nos Himalaias

Os glaciologistas ficaram a imaginar qual seria o destino dos glaciares dos Himalaias. Poucos estudos estavam a ser feitos e os dados eram escassos. Problemas no acesso a geleiras remotas e de alta altitude em regiões politicamente instáveis impediram o trabalho de campo. A guerra civil no Nepal, os talibã no Paquistão e a suspeita em relação aos cientistas estrangeiros na China e na Índia tornaram essas montanhas lugares difíceis para se trabalhar.

Observações e investigações de campo sugeriram que os glaciares não estavam a mudar notavelmente. Os glaciologistas logo perceberam que as alterações no volume de gelo estavam ocultas por detritos rochosos nas superfícies de muitos glaciares grandes.

Depois, no início de 2010, os rápidos avanços na tecnologia dos satélites e a desclassificação das fotografias de satélite da Guerra Fria abriram uma janela para essas montanhas remotas. A escala da mudança dos glaciares nos Himalaias pôde ser vista pela primeira vez.

O futuro dos glaciares

Um novo estudo mostra que a taxa de perda de gelo nos glaciares dos Himalaias duplicou nos últimos 20 anos e é semelhante à taxa de perda de gelo em todo o mundo. Embora se pensasse que altitudes extremas protegeriam os glaciares das alterações climáticas, agora sabemos que as montanhas altas estão a aquecer duas vezes mais rápido do que o resto do planeta.

A proliferação de dados permitiu que os glaciologistas treinassem modelos de computador para projectar como os glaciares mudarão no futuro. Esses modelos mostram-nos que entre um terço e metade do gelo dos glaciares nos Himalaias serão perdidos até 2100. Se não agirmos para manter as alterações climáticas dentro da ambiciosa meta do Acordo de Paris, de 1,5ºC, dois terços serão perdidos no mesmo período.

Enquanto o enfraquecimento das monções de verão e a poluição atmosférica afectam a expectativa de vida dos glaciares, o aumento da temperatura global está a causar o encolhimento dos glaciares dos Himalaias. Estas previsões são más notícias para mil milhões de pessoas que dependem de rios alimentados por glaciares para obter água na primavera, no início da temporada agrícola.

Por ZAP
7 Agosto, 2020

 

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4120: Afinal, Marte estava coberto de gelo e não de rios (e isso pode ter sido favorável à vida antiga)

CIÊNCIA/MARTE/ASTRONOMIA

ESO/M. Kornmesser
Impressão artística mostra como Marte seria há 4 mil milhões de anos

Afinal, o antigo Marte estava coberto por gelo e não por rios, tal como sugerem investigações anteriores, concluiu um novo estudo que deixa mais distante a possibilidade de o Planeta Vermelho ter tido alguma forma de vida.

De acordo com a nova publicação, o elevado número de vales antigos esculpidos na superfície marciana foi formado pela água que foi derretendo sob enormes camadas de gelo de glaciares, não sendo fruto de rios de fluxo livre, como apontaram várias investigações anteriores, refere o portal Futurism.

Este estudo, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica especializada Nature Geoscience, desafia a hipótese de um antigo Planeta Vermelho quente e húmido, que postula que Marte já foi coberto por enormes sistemas fluviais, alimentados por chuvas e grandes oceanos de água líquida.

Para chegar a esta conclusão, a equipa de cientistas do Canadá e dos Estados Unidos, analisaram mais de 10.000 vales marcianos e compararam-nos depois com canais da Terra que foram esculpidos sob glaciares.

O estudo segue uma outra investigação recente que incluiu imagens de alta resolução recolhidas pela câmara HiRISE, que está colocada a bordo do Mars Reconnaissance Orbiter da agência espacial norte-americana (NASA) e que concluiu que, muito provavelmente, grandes rios já fluíram na superfície de Marte há milhões de anos.

“Nos últimos 40 anos, desde que os vales marcianos foram descobertos pela primeira vez, partiu-se da suposição de que rios já fluíram em Marte, corroendo e originando todos estes vales”, começou por explicar Anna Grau Galofre, autora principal do estudo e antiga aluna de doutoramento na Universidade da Colúmbia Britânica, citada em comunicado.

“Mas existem centenas de vales em Marte e todos estes parecem ser muito diferente uns dos outros (…) Se olharmos para a Terra a partir de um satélite, vemos muitos vales: alguns esculpidos por rios, outros por glaciares e outros por outros processo – e cada um deste tipo tem uma forma distinta”.

E Mark Jellinek, co-autor do estudo e professor na UBC, completa, citado na mesma nota: “Estes resultados são a primeira evidência da extensa erosão sub-glacial impulsionada pela drenagem canalizada de água sob uma camada de gelo antiga em Marte.

Apesar de a existência de grandes quantidades de gelo na superfície de Marte, os cientistas dizem que estas condições podem até ter ajudado a suportar a vida antiga no planeta – a hipótese da habitabilidade não é descartada por causa das baixas temperaturas.

“Uma camada de gelo daria mais protecção e estabilidade à água subjacente, além de fornecer protecção contra a radiação solar na ausência de um campo magnético – algo que Marte já teve, mas que desapareceu há milhões de anos”, rematou Jellinek.

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7 Agosto, 2020

 

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4119: A perda de biodiversidade pode estar a deixar-nos doentes

CIÊNCIA/MICROBIOLOGIA

Prawny / Pixabay

A perda de biodiversidade, nomeadamente microbiana, pode enfraquecer as nossas resistências e tornar-nos mais débeis ao longo do tempo.

Em 2050, espera-se que 70% da população do mundo viva em vilas e cidades. A vida urbana traz muitos benefícios, mas os habitantes da cidade em todo o mundo estão ver um rápido aumento de problemas de saúde, como asma e doença inflamatória intestinal.

Agora, alguns cientistas acham que isso está relacionado com a perda de biodiversidade. A possibilidade é avançado no portal The Conversation por Jake M. Robinson, investigador da Universidade de Sheffield, no Reino Unido. Actualmente, a taxa a que diferentes espécies são extintas é mil vezes maior do que o normal.

A diversidade microbiana é uma grande parte da biodiversidade que está a ser perdida. E esses micróbios – bactérias, vírus e fungos, entre outros – são essenciais para manter ecossistemas saudáveis. Como os seres humanos fazem parte desses ecossistemas, a nossa saúde também sofre quando desaparecem ou quando barreiras reduzem a nossa exposição a eles.

O nosso intestino, pele e vias respiratórias abrigam microbiomas distintos. Só o intestino humano abriga até 100 biliões de micróbios, o que supera as nossas próprias células humanas. Os nossos micróbios fornecem serviços que são essenciais para a nossa sobrevivência, como o processamento de alimentos e o fornecimento de químicos que apoiam o funcionamento cerebral.

O contacto com uma gama diversificada de micróbios no nosso ambiente também é essencial para fortalecer o nosso sistema imunológico. Micróbios encontrados em ambientes mais próximos aos que nos desenvolvemos desempenham um papel importante em “educar” o nosso sistema imunológico.

Parte do nosso sistema imunológico é de acção rápida e inespecífica, o que significa que ele ataca todas as substâncias na ausência de regulamentação adequada. Micróbios do nosso ambiente ajudam a fornecer esse papel regulador. Eles também podem estimular substâncias químicas que ajudam a controlar a inflamação e impedir que o nosso corpo ataque as nossas células, ou substâncias inócuas, como pólen e poeira.

A exposição a uma gama diversificada de micróbios permite que os nossos corpos montem uma resposta defensiva eficaz contra patogénicos. Outra parte do nosso sistema imunológico produz pequenos exércitos de “células de memória” que mantêm um registo de todos os patogénicos que o nosso corpo encontra. Isso permite uma resposta imune rápida e eficaz a patogénicos semelhantes no futuro.

Para ajudar a combater doenças infecciosas como a covid-19, precisamos de sistemas imunológicos saudáveis. Mas isso é impossível sem o apoio de diversos microbiomas. Assim como os micróbios desempenham papéis importantes nos ecossistemas, ajudando as plantas a crescer e a reciclar os nutrientes do solo, eles também fornecem ao nosso corpo nutrientes e químicos que promovem uma boa saúde física e mental. Isso fortalece a nossa resiliência ao enfrentar doenças e outros momentos stressantes das nossas vidas.

Mas as nossas cidades geralmente não têm biodiversidade. Muitos de nós trocamos espaços verdes e azuis por espaços cinzentos. Como resultado, os moradores urbanos estão muito menos expostos a uma diversidade de micróbios promotores de saúde. A poluição também pode afectar o microbioma urbano. Poluentes do ar podem alterar o pólen, de modo que é mais provável que ele cause uma reacção alérgica.

A “germofobia”, a percepção de que todos os micróbios são maus, agrava esses efeitos, incentivando muitos de nós a esterilizar todas as superfícies de casa, e muitas vezes impede que as crianças saiam e brinquem na terra. O solo é um dos habitats com maior biodiversidade da Terra; portanto, os estilos de vida urbanos podem realmente prejudicar os jovens, cortando essa conexão vital.

As pessoas que vivem em áreas urbanas mais carentes têm problemas de saúde, menor esperança média de vida e maiores taxas de infecções. Não é por acaso que essas comunidades geralmente carecem de espaços verdes e azuis acessíveis e de alta qualidade.

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7 Agosto, 2020

 

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4117: Novo método prevê erupções solares com algumas horas de antecedência

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA

Um novo método capaz de prever explosões solares poderia ajudar a Humanidade a preparar-se contra possíveis desastres causados por este fenómeno explosivo da nossa estrela.

As erupções solares são explosões que ocorrem na superfície do Sol e que libertam plasma e partículas super-carregadas. Apesar de a Terra ter a protecção da magnetosfera, parte dessa radiação pode chegar à atmosfera superior, causando tempestades geo-magnéticas.

Este tipo de tempestades pode ser verdadeiramente catastrófico para o nosso planeta. Em 1859, foi registada uma tempestade tão grande que formou auroras boreais em países como Cuba. Além disso, equipamentos eléctricos, como baterias, foram afectados por fortes descargas eléctricas, que causaram curto-circuitos e explosões.

Uma vez que os cientistas não sabem exactamente como é que as erupções são desencadeadas no Sol, não há forma de prever quando poderá acontecer um fenómeno deste género. Pelo menos, até hoje.

Kanya Kusano, do Instituto de Pesquisa Ambiental Espaço-Terra do Japão, afirma que a sua equipa encontrou um método eficaz de prever as explosões.

Segundo o New Scientist, o método, apelidado de “esquema kappa“, consegue prever erupções solares muitas horas antes de acontecerem. A equipa aplicou o método aos dados recolhidos entre 2008 e 2019 e conseguiu prever sete dos nove maiores surtos ocorridos até 24 horas antes.

De acordo com o artigo científico, publicado recentemente na Science, o esquema kappa baseia-se nos campos magnéticos associados às explosões solares.

Antes de uma erupção começar, as correntes eléctricas fluem ao longo das linhas de campo magnético do Sol. Quando duas dessas linhas se sobrepõem, elas passam por um processo conhecido como reconexão, unindo as linhas e libertando uma vasta quantidade de energia – a erupção solar.

A equipa conseguiu prever onde e quando estes eventos de reconexão ocorrem usando dados magnéticos e de imagem do Solar Dynamics Observatory (SDO), da NASA. Os cientistas só não conseguiram observar duas explosões, porque tiveram eventos de reconexão muito acima da superfície solar, não se enquadrando no campo de visão do SDO.

Os investigadores esperam que este novo método possa ser usado para prever grandes explosões solares no futuro. “Agora estamos a tentar implementar esta descoberta para uma previsão muito prática do clima espacial”, rematou Kusano.

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6 Agosto, 2020

 

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4116: Não foram meteoros. Uma forte actividade vulcânica arrefeceu a Terra há 13 mil anos

CIÊNCIA/GEOLOGIA/VULCANOLOGIA

(cv) webcamsdemexico / YouTube

Porque é que a Terra arrefeceu repentinamente há 13 mil anos? Sedimentos antigos encontrados numa caverna no Texas, nos Estados Unidos, parecem ter resolvido este grande mistério.

Alguns cientistas acreditam que o fenómeno que arrefeceu repentinamente o nosso planeta, há 13 mil anos, foi causado por um impacto extraterrestre, como uma colisão de meteoros.

No entanto, cientistas das universidades norte-americanas de Houston, Baylor e Texas A&M descobriram que as evidências deixadas em camadas de sedimentos na caverna de Hall, no estado do Texas, eram resultado de erupções vulcânicas, avança o Europa Press.

Michael Waters, co-autor do artigo científico publicado no dia 31 de Julho na Science Advances, explicou que esta caverna tem um registo de sedimentos que se estende por mais de 20 mil anos. “É um registo excepcional que oferece uma oportunidade única de cooperação interdisciplinar para investigar uma série de questões importantes.”

A equipa de investigadores descobriu que, dentro da caverna, existem várias camadas de sedimentos, datados da época do impacto extraterrestre, que poderiam responder à misteriosa questão do arrefecimento repentino do planeta.

“Este trabalho mostra que a assinatura geoquímica associada ao evento de arrefecimento da Terra não é única, tendo ocorrido quatro vezes entre 9 mil e 15 mil anos atrás”, disse Alan Brandon, professor de geo-ciências da Universidade de Houston e líder desta investigação.

O gatilho para este evento de arrefecimento não veio do Espaço. As evidências geo-químicas anteriores de um grande meteoro a explodir na atmosfera refletem um período de grandes erupções vulcânicas”, concluiu o cientista.

Depois de um vulcão entrar em erupção, a propagação global de aerossóis reflete a radiação solar recebida para longe da Terra e pode levar ao arrefecimento global durante um período de cinco anos, dependendo do tamanho e da escala de tempo da erupção.

O estudo indica que o episódio de arrefecimento, conhecido como Dryas recentes, foi causado por numerosos processos coincidentes baseados na Terra, e não por um impacto extraterrestre. “O Dryas recentes, que ocorreu há cerca de 13.000 anos, interrompeu o aquecimento característico da Terra no final da última era glacial”, disse Steven Forman, professor de geo-ciências e co-autor do estudo.

O clima da Terra podia estar num ponto de inflexão durante o Dryas recentes, possivelmente devido à descarga de placas de gelo no Oceano Atlântico Norte, a uma melhor cobertura de neve e a poderosas erupções vulcânicas – factores que podem ter resultado num intenso arrefecimento do hemisfério norte.

O período de arrefecimento durou, aproximadamente, 1.200 anos, tornando uma única erupção vulcânica um importante factor inicial. No entanto, os autores salvaguardam que foram necessárias outras mudanças no sistema terrestre, como o arrefecimento do oceano e a cobertura de neve, para manter este período mais frio.

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6 Agosto, 2020

 

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4115: Uma das maiores “cascatas” da Terra situa-se no fundo do mar

CIÊNCIA/GEOLOGIA

Frank Koesters / Geology

As Victoria Falls são a maior cascata da Terra e as Angel Falls a mais alta. No entanto, por mais impressionantes que possam parecer, estas duas maravilhas da natureza ficam muito aquém da verdadeira vencedora.

A maior e mais poderosa cascata da Terra é cercada por água e situa-se no oceano. De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos, a cascata – Canal de Faroe Ban – situa-se especificamente no Estreito da Dinamarca, que separa a Islândia da Gronelândia.

Segundo o EurekAlert, a água fria viaja do sul até encontrar uma mais quente, no mar de Irminger. A água com temperaturas mais baixas, sendo mais densa, afunda sob a água quente após uma queda no fundo do oceano que cria um fluxo descendente estimado em mais de 3,5 milhões de metros cúbicos por segundo.

A altura desta cascata é de 3,51 quilómetros, “três vezes maior do que as Angel Falls”. A diferença é que, como esta cascata se encontra no fundo do oceano, “é necessário material científico específico para poder a detectar”, esclarece a NOAA.

Os cientistas estão cientes deste fenómeno há muito tempo e é por esse motivo que o investigam desde 1995, principalmente devido ao importante papel que a cascata desempenha na estabilidade da circulação de retorno do Atlântico Sul (AMOC), um importante regulador do sistema climático global.

Até agora, os investigadores acreditavam que esta cascata era causada por uma corrente de água gelada que vinha do norte da Gronelândia, em latitudes mais altas, e outra quente que viajava directamente no estreito de latitudes mais baixas.

No entanto, investigações recentes descobriram uma nova rota na qual a água quente, depois de ir para o norte das Ilhas Faroé até à encosta norueguesa, volta para a localização da cascata, criando assim uma nova (e tortuosa) rota.

“Esta nova corrente oceânica e o caminho que leva ao Canal do Faroe Bank são descobertas empolgantes”, comentou Léon Chafik, principal autor do artigo, publicado recentemente na Nature Communications.

Esta nova rota pode ser explicada graças às forças do vento que ocorrem na superfície, que são “capazes de alterar as direcções que a água segue até atingir o canal por diferentes profundidades”. Segundo os cientistas, a “circulação atmosférica desempenha um papel importante na orquestração dos regimes identificados”.

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5 Agosto, 2020

 

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4114: “Partenon dos Naufrágios”. Grécia abre o seu primeiro museu arqueológico subaquático

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

dsabo / Canva

A Grécia abriu nesta segunda-feira o seu primeiro museu arqueológico subaquático, que reúne um conjunto de ânforas do século V a.C e que foi baptizado como o “Pártenon dos Naufrágios”, na costa da ilha de Alonissos, no Mar Egeu.

A partir de agora, o Governo grego permitirá que mergulhadores certificados possam aceder à herança subaquática do país, depois de converter o naufrágio de um navio de carga neste museu debaixo de água, conta o diário britânico The Guardian.

A atracção turística e cultural abriu oficialmente nesta segunda-feira e estará disponível para visitas até 2 de Outubro, de acordo com o mesmo jornal.

A um profundidade de 28 metros, os mergulhadores mais curiosos poderão ver um navio afundado há cerca de 2.500 anos, carregado de quase 4.000 ânforas – vaso ladeado por duas “asas” – que permanecem quase intactas apesar da passagem do tempo.

Para as pessoas que não preenchem os requisitos para efetuar o mergulho, o museu helénico oferece um projecto que permite fazer a viagem em realidade virtual.

O naufrágio Peristera, assim baptizado depois de a ilha de Alonissos, onde foi descoberto, ter ficado desabitada, representa um grande navio mercante de Atenas que afundou em meados de 425 a.C devido ao mau tempo. O director das autoridades subaquáticas da Grécia, Pari Kalamara, precisou aos média locais que a embarcação carregava milhares de ânforas de vinho Calcídica, no norte do paós e nas ilhas de Skopelos.

Foi em 1985 encontrado por um pescador na costa de Peristera. Tem 25 metros de comprimento, dimensões que levam os historiadores a acreditar que este é o maior navio já descoberto debaixo de água, segundo frisa a Russia Today.

“Mostrámos à Humanidade o Partenon dos Naufrágios”, disse o governador da região da Tessália, à qual Alónissos pertence, Kostas Agorastos, em entrevista à ERT.

Outros três naufrágios encontrados no Golfo Pagasético, na Grécia central, também fazem parte deste projecto, incluído num programa financiado pela Comissão Europeia que visa tornar a região num local arqueológico subaquático.

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5 Agosto, 2020

 

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4113: Descoberto “Stonehenge de madeira” no complexo pré-histórico dos Perdigões

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

(dr) Era – Arqueologia

Escavações arqueológicas no complexo dos Perdigões, no distrito de Évora, identificaram “uma estrutura única na Pré-História da Península Ibérica”, anunciou, esta terça-feira, a empresa Era – Arqueologia, que escava no local há mais de 20 anos.

Em declarações à agência Lusa, o arqueólogo responsável pelas escavações que decorrem em terrenos pertencentes à Herdade do Esporão, António Valera, disse tratar-se de “de uma construção monumental em madeira, de que restam as fundações, de planta circular e com mais de 20 metros de diâmetro”.

Segundo Valera, esta construção “seria composta por vários círculos concêntricos de paliçadas e alinhamentos de grandes postes ou troncos de madeira, a qual foi já exposta em cerca de um terço da sua planta”.

Trata-se de “uma construção de carácter cerimonial”, um tipo de estrutura apenas conhecido na Europa Central e nas Ilhas Britânicas, de acordo com o arqueólogo responsável, com as designações “Woodhenge”, “versões em madeira de Stonehenge”, ou “Timber Circles” (círculos de madeira).

“Esta é a primeira a ser identificada na Península Ibérica, estando datada entre 2800-2600 a.C., ou seja, será anterior à construção em pedra de Stonehenge [em Inglaterra], para a qual se tem avançado uma cronologia em torno a 2500 a.C.”, sublinhou o arqueólogo.

A estrutura agora identificada localiza-se no centro do grande complexo de recintos de fossos dos Perdigões e “articula-se com a visibilidade sobre a paisagem megalítica que se estende entre o sítio e a elevação de Monsaraz”, a nascente.

Perdigões – Campanha de 2020

1 minuto ERA para contar a história da confirmação de uma grande descoberta realizada pela nossa equipa no Complexo Arqueológico dos Perdigões.

Publicado por ERA Arqueologia em Segunda-feira, 3 de agosto de 2020

1 minuto ERA para contar a história da confirmação de uma grande descoberta realizada pela nossa equipa no Complexo Arqueológico dos Perdigões.

“Um possível acesso ao interior desta estrutura encontra-se orientado ao solstício de Verão, reforçando o seu carácter cosmológico”, referiu Valera, realçando que “esta situação é também conhecida noutros ‘woodhenges’ e ‘timber circles’ europeus, onde os alinhamentos astronómicos das entradas são frequentes, sublinhando a estreita relação entre estas arquitecturas e as visões do mundo neolíticas”.

O arqueólogo realçou que “esta descoberta reforça a já elevada importância científica do complexo de recintos dos Perdigões no contexto internacional dos estudos do Neolítico Europeu, aumentando simultaneamente a sua relevância patrimonial”, que foi reconhecida em 2019 com a classificação como Monumento Nacional.

O sítio arqueológico dos Perdigões, nos arredores de Reguengos de Monsaraz, corresponde a “um grande complexo de recintos de tendência circular e concêntrica definidos por fossos, abrangendo uma área de cerca de 16 hectares e tendo um diâmetro máximo de cerca de 450 metros”, segundo informação da Era.

Este sítio está ser escavado há 23 anos pela empresa e tem reunido colaborações de várias instituições e investigadores nacionais e estrangeiros.

O que foi descoberto até aqui diz-nos que o sítio terá sido ocupado durante cerca de 1400 anos, desde o final do Neolítico Médio (3400 a.C.) e o início da Idade do Bronze (2000 a.C.) e “é visto essencialmente como um grande centro de agregação de comunidade humanas, onde se desenvolveriam práticas cerimoniais e se geriam relações identitárias, culturais e políticas entre diferentes grupos”.

A sua implantação na paisagem “é representativa do seu carácter cosmogónico“, situando-se “num anfiteatro natural, aberto ao vale da Ribeira de Vale do Álamo, onde se localiza uma das maiores concentrações de monumentos do megalitismo alentejanos. As entradas dos recintos mais exteriores, e outras em recintos mais interiores, estão orientadas aos solstícios ou aos equinócios, funcionando o horizonte para o qual está virado como um autêntico calendário anual do nascer do sol”, ainda segundo a Era – Arqueologia.

ZAP // Lusa

Por Lusa
4 Agosto, 2020

 

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4112: Astrónomos podem ter encontrado estrela de neutrões perdida há décadas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Quando uma estrela morre e se dá uma super-nova, é natural que se forme uma estrela de neutrões. Em Fevereiro de 1987, os astrónomos assistiram a uma enorme super-nova, a cerca de 160 mil anos-luz, a mais próxima da Terra em muitos anos. Contudo, não registaram a formação de nenhuma estrela de neutrões que deveria ter sido deixada como rasto.

Agora, os astrónomos puderam finalmente ver a estrela morta há mais de 30 anos, presente naquilo que resta da super-nova de 1987.

Estrela de neutrões é o culminar de uma super-nova

Dependendo do tipo de estrela que morre, podemos contar com vários tipos de super-novas. Assim, existem as super-nova tipo II, que dão origem a uma estrela de neutrões e têm início com uma estrela de massa 8 a 30 vezes maior que a do Sol. À medida que o tempo passa, essa estrela fica cada vez mais instável, uma vez que deixa de possuir elementos que suportem a fusão nuclear.

O culminar da vida de uma estrela desse tipo é explodir, libertando o seu material para o Espaço, bem como neutrinos e luz. Enquanto isso o núcleo da estrela colapsa e os astrónomos assistem a uma transformação numa estrela de neutrões.

Ilustração da SN1987A, por B. Saxton.

Episódio de 1987 não deixou rasto esperado… até agora

Em 1987, tudo aconteceu como se esperava. Uma estrela super-gigante azul, já velha, com a massa 20 vezes superior à do Sol, explodiu e o espectáculo de luzes foi até visível a olho nu aqui na Terra. Da Sanduleak -69 202 só ficou um rasto de super-nova chamado SN 1987. Todavia, no centro dessa super-nova não foram encontrados vestígios da expectável estrela de neutrões.

Até que, em Novembro do ano passado, uma equipa de investigadores liderada por Phil Cigan da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, anunciou ter encontrado uma mancha quente e brilhante no núcleo da SN 1987. Segundo eles, que visualizaram o fenómeno através do Atacama Large Millimeter Array, no Chile, essa mancha consiste numa estrela de neutrões envolvida por uma nuvem de poeira.

Suposta NS 1987 é a mais jovem já detectada

No entanto, o que a equipa considerou ser a estrela de neutrões era, conforme vieram a descobrir, demasiado brilhante. Por isso, uma outra equipa da National Autonomous University, no México, liderada pelo astrofísico Dany Page, provou teoricamente que a mancha brilhante podia ser, de facto, uma estrela de neutrões.

Isto, porque o brilho que emana é efectivamente consistente com a emissão térmica de uma estrela de neutrões muito jovem. Ou seja, ainda está muito quente devido à super-nova. A esta estrela, aparentemente descoberta, foi dado o nome de NS 1987.

De acordo com a equipa de Dany Page, a NS 1987 teria 25 quilómetros de largura e cerca de 1,38 vezes a massa do Sol. Além disso, é a estrela de neutrões mais jovem alguma vez detectada, estando a segunda mais jovem num vestígio da super-nova Cassiopeia A, que explodiu no século XVII e está a 11 mil anos-luz de distância.

Como a suposta NS 1987 ainda está envolvida em poeira, a sua observação directa, a fim de confirmar a teoria da equipa de Page, é impossível. Assim sendo, os astrónomos vão continuar a estudá-la, para perceber se podem confirmar a estrela de neutrões da super-nova de 1987.

Pplware
Autor: Ana Sofia
04 Ago 2020

 

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“Arqueologia estelar” revela restos de antigo enxame globular que é o “último do seu género”

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista do fino fluxo estelar retirado do enxame globular na constelação da Fénix, rodeando a nossa Via Láctea. Para o estudo, os astrónomos tiveram como alvo estrelas gigantes vermelhas e mediram a sua composição química.
Crédito: Geraint F. Lewis e colaboração S5

Uma equipa de astrónomos, incluindo Ting Li e Alexander Ji do Instituto Carnegie, descobriu uma corrente estelar composta pelos restos de um antigo enxame globular que foi dilacerado pela gravidade da Via Láctea, há 2 mil milhões de anos, quando as formas de vida mais complexas da Terra eram os organismos unicelulares. Esta descoberta surpreendente, publicada na revista Nature, vira de cabeça para baixo a sabedoria convencional de como estes objectos celestes se formam.

Imagine uma esfera composta por um milhão de estrelas ligadas pela gravidade e orbitando um núcleo galáctico. É um enxame globular. A Via Láctea abriga cerca de 150, que formam um halo ténue que envolve a nossa Galáxia.

Mas o enxame globular que gerou este fluxo estelar recém-descoberto teve um ciclo de vida muito diferente dos enxames globulares que vemos hoje.

“Isto é arqueologia estelar, descobrindo os restos de algo antigo, varrido por um fenómeno mais recente,” explicou Ji.

Usando o AAT (Anglo-Australian Telescope), a corrente de estrelas foi revelada pela colaboração S5 (Southern Stellar Stream Spectroscopic Survey). Liderada por Li, a iniciativa visa mapear o movimento e a química de fluxos estelares no Hemisfério Sul.

Neste estudo, a colaboração focou-se num fluxo de estrelas na direcção da constelação da Fénix.

“Os restos do enxame globular que compõem o fluxo na constelação da Fénix foram perturbados há muitos anos, mas felizmente mantêm a memória da sua formação durante o Universo primitivo, que podemos ler a partir da composição química das suas estrelas,” disse Li.

A equipa mediu a abundância de elementos mais pesados – o que os astrónomos chamam de metalicidade de uma estrela.

A composição de uma estrela espelha a da nuvem galáctica de gás da qual nasceu. Quanto mais gerações anteriores de estrelas semearem este material com elementos pesados que produziram durante as suas vidas, mais enriquecidas, ou metálicas, são as estrelas. Portanto, uma estrela primitiva muito antiga não terá quase elementos pesados.

“Ficámos muito surpreendidos ao descobrir que o Fluxo da Fénix é distintamente diferente de todos os outros enxames globulares da Via Láctea,” explicou Zhen Wan da Universidade de Sidney. “Embora o enxame tenha sido destruído há milhares de milhões de anos atrás, ainda podemos saber que se formou no início do Universo.”

Dado que outros enxames globulares conhecidos são enriquecidos pela presença de elementos pesados forjados por gerações estelares anteriores, teorizou-se que havia uma abundância mínima de elementos mais pesados necessária para a formação de um enxame globular.

Mas o progenitor do Fluxo da Fénix está bem abaixo desta metalicidade mínima prevista, colocando um problema significativo para ideias anteriores sobre como nascem os enxames globulares.

“Uma explicação possível é que a Corrente Estelar da Fénix é o último exemplo do seu género, o remanescente de uma população de enxames globulares que nasceram em ambientes radicalmente diferentes daqueles que vemos hoje,” explicou Li.

Os investigadores propuseram que estes enxames globulares defuntos foram continuamente dilacerados pelas forças gravitacionais da Via Láctea. Os restos de outros enxames globulares antigos também podem viver como fluxos fracos que ainda podem ser descobertos antes que se dissipem com o tempo.

“Ainda há muito trabalho teórico a ser feito, e agora existem muitas questões novas para explorar sobre como as galáxias e os enxames globulares se formam,” disse o co-autor Geraint Lewis, também da Universidade de Sidney.

Astronomia On-line
4 de Agosto de 2020

 

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4109: Um número surpreendente de exoplanetas podem hospedar vida

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/astrobiologia

O sistema planetário TRAPPIST-1 tem três planetas na sua zona habitável, em comparação com o nosso Sistema Solar que tem apenas um.
Crédito: NASA/JPL/Caltech

O nosso Sistema Solar possui um planeta habitável – a Terra. Um novo estudo mostra que outras estrelas podem ter até sete planetas parecidos com a Terra na ausência de um gigante gasoso como Júpiter.

Esta é a conclusão de um estudo liderado pelo astro-biólogo Stephen Kane da Universidade da Califórnia em Riverside, publicado a semana passada na revista The Astronomical Journal.

A busca por vida no espaço é geralmente focada no que os cientistas chamam de “zona habitável”, que é a área em torno de uma estrela na qual um planeta em órbita pode ter oceanos de água líquida – uma condição para a vida como a conhecemos.

Kane tem vindo a estudar um sistema próximo chamado TRAPPIST-1, que possui três planetas semelhantes à Terra na sua zona habitável.

“Isto fez-me pensar sobre o número máximo de planetas habitáveis que uma estrela pode ter e o porquê da nossa só ter um,” disse Kane. “Não parecia justo!”

A sua equipa criou um sistema modelo no qual simularam planetas de vários tamanhos em órbita das suas estrelas. Um algoritmo representou forças gravitacionais e ajudou a testar como os planetas interagiram entre si durante milhões de anos.

Os cientistas descobriram que é possível que algumas estrelas suportem até sete planetas habitáveis, e que uma estrela como o nosso Sol pode, potencialmente, suportar seis planetas com água líquida.

“Mais de sete, e os planetas ficam demasiado próximos um do outro e desestabilizam as órbitas uns dos outros,” disse Kane.

Então porque é que o nosso Sistema Solar só tem um planeta habitável se é capaz de suportar seis? Ajuda se o movimento dos planetas for circular, em vez de oval ou irregular, minimizando qualquer contacto próximo e mantendo órbitas estáveis.

Kane também suspeita que Júpiter, que tem duas vezes e meia a massa de todos os outros planetas do Sistema Solar combinados, limitou a habitabilidade do nosso Sistema.

“Tem um grande efeito na habitabilidade do nosso Sistema Solar porque é massivo e perturba outras órbitas,” explicou Kane.

Sabemos que apenas um punhado de estrelas possuem vários planetas nas suas zonas habitáveis. Seguindo em frente, Kane planeia procurar estrelas adicionais cercadas inteiramente por planetas mais pequenos. Estas estrelas serão os principais alvos para imagens directas com telescópios da NASA, como o HabEx (Habitable Exoplanet Observatory) do JPL da NASA.

O estudo de Kane identificou uma dessas estrelas, Beta CVn, que está relativamente próxima a 27 anos-luz de distância. Por não ter um planeta parecido com Júpiter, será incluída como uma das estrelas verificadas para vários planetas na zona habitável.

Estudos futuros também vão envolver a criação de novos modelos que examinam a química atmosférica dos planetas na zona habitável de outros sistemas estelares.

Projectos como estes fornecem mais do que novos caminhos na busca por vida para lá da Terra. Também fornecem aos cientistas uma visão das forças que podem mudar um dia a vida no nosso próprio planeta.

“Embora saibamos que a Terra tem permanecido habitável durante a maior parte da sua história, ainda existem muitas questões sobre como estas condições favoráveis evoluíram com o tempo e sobre os factores específicos por trás dessas mudanças,” disse Kane. “Medindo as propriedades dos exoplanetas cujas vias evolutivas podem ser semelhantes à nossa, obtemos uma visualização do passado e do futuro deste planeta – e do que devemos fazer para manter a sua habitabilidade.”

Astronomia On-line
4 de Agosto de 2020

 

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4108: Telescópio Webb vai estudar Júpiter, os seus anéis e duas intrigantes luas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A lua Io orbita Júpiter nesta imagem obtida pela sonda Cassini da NASA. Júpiter e Io aparecem enganosamente perto nesta imagem, quando na realidade a lua orbita a quase 350.000 km do planeta gigante gasoso.
Crédito: NASA/JPL/Universidade do Arizona

Júpiter, que tem o nome do rei dos antigos deuses romanos, comanda a sua própria mini-versão do nosso Sistema Solar de satélites circundantes; os seus movimentos convenceram Galileu Galileu de que a Terra não era o centro do Universo no início do século XVII. Mais de 400 anos depois, os astrónomos vão usar o Telescópio Espacial James Webb da NASA para observar estes famosos objectos, levando os instrumentos do observatório às suas capacidades máximas e preparando as bases para descobertas científicas de longo alcance.

Uma equipa de mais de 40 investigadores, liderada pelos astrónomos Imke de Pater da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e Thierry Fouchet do Observatório de Paris, desenharam um ambicioso programa de observação que realizará algumas das primeiras observações científicas do Sistema Solar do Webb – estudando Júpiter, o seu sistema de anéis e duas das suas luas: Ganimedes e Io.

“Será uma experiência realmente desafiadora,” disse de Pater. “Júpiter é tão brilhante, e os instrumentos do Webb são tão sensíveis, que observar o planeta brilhante e os seus anéis e luas mais fracas será um excelente teste de como tirar o máximo proveito da tecnologia inovadora do Webb.”

Júpiter

Além de calibrar os instrumentos do Webb para o brilho de Júpiter, os astrónomos também devem levar em consideração a rotação do planeta, porque Júpiter completa um dia em apenas 10 horas. Várias imagens têm que ser agregadas num mosaico para capturar completamente uma certa área – a famosa tempestade conhecida como Grande Mancha Vermelha, por exemplo – uma tarefa ainda mais difícil já que o próprio objecto está em movimento. Apesar de muitos telescópios já terem estudado Júpiter e as suas tempestades, o grande espelho e os poderosos instrumentos do Webb vão fornecer novas informações.

“Sabemos que a atmosfera imediatamente acima da Grande Mancha Vermelha é mais fria do que outras áreas de Júpiter, mas a maiores altitudes, na mesosfera, a atmosfera parece ser mais quente. Vamos usar o Webb para investigar este fenómeno,” disse de Pater.

O Webb também irá examinar a atmosfera da região polar, onde a sonda Juno da NASA descobriu grandes grupos de ciclones. Os dados espectroscópicos do Webb vão fornecer muitos mais detalhes do que tem sido possível em observações anteriores, medindo ventos, partículas de nuvens, composição de gases e a temperatura.

As futuras observações de planetas gigantes do Sistema Solar com o Webb vão beneficiar das lições aprendidas nestas observações iniciais do sistema joviano. A equipa tem a tarefa de desenvolver métodos para trabalhar com observações do Webb de planetas do Sistema Solar, que podem ser usadas posteriormente por outros cientistas.

Anéis

Todos os quatro gigantes gasosos do Sistema Solar têm anéis, os de Saturno sendo os mais proeminentes. O sistema de anéis de Júpiter é composto por três partes: um anel principal plano, um halo dentro do anel principal, em forma de lente dupla convexa; e o anel “gossamer”, exterior ao anel principal. O sistema de anéis de Júpiter é excepcionalmente ténue porque as partículas que os compõem são tão pequenas e esparsas que não refletem muita luz. Ao lado do brilho do planeta, praticamente desaparecem, o que representa um desafio para os astrónomos.

“Estamos realmente a puxar as capacidades de alguns instrumentos do Webb ao limite para obter um novo conjunto único de observações,” disse o co-investigador Michael Wong da Universidade da Califórnia em Berkeley. A equipa vai testar estratégias de observação para lidar com a luz dispersa de Júpiter, e construir modelos para serem usados por outros astrónomos, incluindo aqueles que estudam exoplanetas em órbita de estrelas brilhantes.

A equipa também vai procurar fazer novas descobertas nos próprios anéis. De Pater realçou que podem haver “luas menores efémeras” no sistema dinâmico de anéis e possíveis ondulações no anel devido a impactos de cometas, como aquelas observadas e rastreadas até ao impacto do Cometa Shoemaker-Levy 9 em 1994.

Ganimedes

Várias características do gelado Ganimedes tornam-no fascinante para os astrónomos. Além de ser a maior lua do Sistema Solar e maior até que o planeta Mercúrio, é a única lua conhecida por ter o seu próprio campo magnético. A equipa vai investigar as partes mais externas da atmosfera de Ganimedes, a sua exosfera, para melhor entender a interacção da lua com partículas do campo magnético de Júpiter.

Existem também evidências de que Ganimedes pode ter um oceano de água salgada líquida por baixo da sua espessa superfície de gelo, que o Webb investigará com um estudo espectroscópico detalhado de sais à superfície e de outras substâncias. A experiência da equipa no estudo da superfície de Ganimedes pode ser útil no estudo futuro de outras luas geladas do Sistema Solar, suspeitas de terem oceanos subterrâneos, incluindo a lua de Saturno, Encélado, e o satélite joviano Europa.

Io

Em contraste dinâmico com Ganimedes, está a outra lua que a equipa vai estudar, Io, o mundo mais vulcanicamente activo do Sistema Solar. A superfície dinâmica está coberta por centenas de enormes vulcões que superam aqueles da Terra, bem como lagos de lava derretida e planícies de lava solidificada. Os astrónomos planeiam usar o Webb para aprender mais sobre os efeitos dos vulcões de Io na sua atmosfera.

“Ainda há muito que não sabemos sobre a estrutura da temperatura atmosférica de Io, porque ainda não tivemos dados para distinguir a temperatura em diferentes altitudes,” disse de Pater. “Na Terra, temos como certo que, quando subimos uma montanha, o ar fica mais fresco – aconteceria o mesmo em Io? De momento, não sabemos, mas o Webb pode ajudar-nos a descobrir.”

Outro mistério que o Webb vai investigar em Io é a existência de “vulcões furtivos”, que emitem plumas de gás sem poeira que reflete a luz que pode ser detectada por naves espaciais como as missões Voyager e Galileo da NASA, e que por isso até agora não foram detectados. A alta resolução espacial do Webb poderá isolar vulcões individuais que anteriormente apareciam como uma grande mancha quente, permitindo que os astrónomos recolham dados detalhados sobre a geologia de Io.

O Webb também fornecerá dados sem precedentes da temperatura de pontos quentes de Io e determinará se estão mais próximos do vulcanismo da Terra de hoje, ou se têm uma temperatura muito mais alta, semelhante ao ambiente da Terra nos primeiros anos após a sua formação. Observações anteriores da missão Galileo e de observatórios no solo sugeriram estas temperaturas altas; o Webb vai seguir essas investigações e fornecer novas evidências que podem resolver o caso.

Esforço de equipa

As observações detalhadas do Webb não vão suplantar aquelas de outros observatórios, mas ao invés coordenar com eles, explicou Wong. “As observações espectroscópicas do Webb vão cobrir apenas uma pequena área do planeta, de modo que vistas globais de observatórios terrestres podem mostrar como os dados detalhados do Webb encaixam no que está a acontecer a uma escala maior, semelhante à maneira como o Hubble e o Observatório Gemini fornecem contexto para as observações detalhadas e de perto pela sonda Juno.”

Por sua vez, o estudo das tempestades e da atmosfera de Júpiter pelo Webb vão complementar os dados da Juno, incluindo sinais de rádio provenientes de relâmpagos, que o Webb não detecta. “Nenhum observatório ou sonda pode ‘fazer tudo’,” disse Wong, “por isso estamos empolgados com a combinação de dados de vários observatórios para nos contar muito mais do que podemos aprender com apenas uma única fonte.”

Esta investigação está a ser realizada como parte do programa ERS (Early Release Science) do Webb. Este programa fornece tempo para projectos seleccionados no início da missão do observatório, permitindo que os investigadores aprendam rapidamente a melhor maneira de utilizar os recursos do Webb, enquanto produzem ciência robusta.

O Telescópio Espacial James Webb será o principal observatório científico espacial do mundo quando for lançado em 2021. Vai resolver mistérios do nosso Sistema Solar, olhar para mundos distantes em torno de outras estrelas e investigar as misteriosas estruturas e origens do nosso Universo e o nosso lugar nele. O Webb é um projecto internacional liderado pela NASA e pelos seus parceiros, a ESA e a Agência Espacial Canadiana.

Astronomia On-line
4 de Agosto de 2020

 

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4107: Cientistas tornam a luz invisível visível pela primeira vez

CIÊNCIA/FÍSICA

(dr) Vrije Universiteit Brussel
Luz manipulada em forma de elefante

Uma equipa de cientistas da Vrije Universiteit Brussel e de Harvard conseguiu, pela primeira vez, tornar visível a luz de campo próximo.

Existem vários tipos de luz, alguns visíveis e outros invisíveis ao olho humano. Os nossos olhos e cérebro não têm as ferramentas necessárias para processar a luz ultravioleta ou infravermelha, tornando-as invisíveis.

No entanto, existe um outro tipo de luz que é invisível simplesmente porque nunca chega aos nossos olhos: quando atinge certas superfícies, parte dessa luz adere e permanece na superfície, em vez de ser reflectida ou dispersa. Este tipo de luz é conhecido como “luz de campo próximo”, explica o Science Daily.

Actualmente, a luz de campo próximo é usada em microscopia de alta resolução, mas também tem potencial inexplorado no campo da manipulação de partículas ou na comunicação óptica. Contudo, como este tipo de luz não alcança o olho humano, os cientistas nunca desenvolveram um mecanismo para tirar proveito dela.

Vincent Ginis e cientistas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, desenvolveram recentemente um sistema para controlar a luz de campo próximo, alcançado um controlo tridimensional sem precedentes deste tipo especial de luz: um controlo que permite seu aproveitamento prático.

Para manipular a luz de campo próximo, Ginis desenvolveu um dispositivo no qual a luz confinada num guia de ondas oscila entre dois espelhos. Cada reflexão faz com que a luz mude de modo, isto é, a luz passa a propagar-se com um padrão espacial diferente.

Depois de várias reflexões, os padrões multiplicaram-se e criaram um perfil complexo de intensidade de luz ao longo do guia de ondas.

A luz de campo próximo perto da superfície do guia de ondas também muda: quando os diferentes padrões da luz são sobrepostos, nasce uma forma específica de onda, que pode ser programada adaptando a amplitude dos modos da luz reflectida.

É mais ou menos como a música“, explicou Ginis. “A música que ouvimos é a super-posição de muitas notas, ou modos, reunidos em padrões concebidos pelo compositor. Uma nota sozinha não é nada, mas, tomadas em conjunto, podem criar um tipo de música. Enquanto a música opera no tempo, o nosso gerador de campo próximo opera no espaço tridimensional, e o aspecto mais intrigante do nosso dispositivo é que uma nota gera a outra.”

Os cientistas sublinharam, ainda, que este processo de moldagem da luz acontece remotamente, o que significa que nenhuma parte do dispositivo interage directamente com a luz de campo próximo.

Este processo reduz a interferência, uma característica muito importante para aplicações como a manipulação de partículas.

(dr) Vrije Universiteit Brussel

Ginis moldou a luz do campo próximo na forma de um elefante para demonstrar este feito – mais especificamente, um elefante dentro de uma jibóia, uma homenagem ao clássico de Antoine de Saint-Exupery, O Principezinho. O artigo científico foi recentemente publicado na Science.

ZAP //

Por ZAP
4 Agosto, 2020

 

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4101: Astrónomos encontraram os restos de uma colecção única de estrelas (arrasada pela Via Láctea)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

James Josephides / Swinburne Astronomy

Uma equipa internacional de investigadores descobriu uma estrutura em torno da Via Láctea apelidada de Phoenix Stream. Esta é uma faixa de estrelas que se acredita ser o que resta de um antigo aglomerado globular destruído pela Via Láctea há cerca de dois mil milhões de anos.

Aglomerados globulares são colecções esféricas de estrelas que orbitam galáxias. Mais de 150 deles foram descobertos apenas na Via Láctea. Estudos abrangentes dessas e de muitas outras que orbitam galáxias distantes sugerem que se formaram desde a geração mais antiga de estrelas.

O que é verdadeiramente único no Phoenix Stream é a a sua composição de estrelas. Os investigadores descobriram o que resta do aglomerado globular mais antigo conhecido, uma relíquia de uma época passada.

“Depois de saber que estrelas pertenciam ao fluxo, medimos a sua abundância de elementos mais pesados ​​do que o hidrogénio e o hélio, algo que os astrónomos chamam de metalicidade. Ficamos realmente surpreendidos ao descobrir que o Phoenix Stream tem uma metalicidade muito baixa, tornando-o distintamente diferente de todos os outros aglomerados globulares da galáxia ”, disse Zhen Wan, investigador da Universidade de Sydney, em comunicado. “Embora o aglomerado tenha sido destruído há milhares de milhões de anos, ainda podemos dizer que se formou no início do Universo a partir da composição das suas estrelas.”

Acredita-se que os aglomerados globulares tenham um “piso de metalicidade”, abaixo do qual não se podem formar da forma que se espera. Esse valor mínimo vem do enriquecimento esperado das estrelas mais antigas, feitas exclusivamente de hidrogénio e hélio, e do seu desaparecimento explosivo que espalha elementos mais pesados pelo cosmos.

Se o Phoenix Stream era de facto um aglomerado globular, talvez o universo tenha mais do que uma forma de formar essas colecções compactas de estrelas. “Esse fluxo vem de um aglomerado que, pelo nosso entendimento, não deveria existir“, explicou o co-autor do estudo Daniel Zucker, da Macquarie University.

“Uma explicação possível é que o Phoenix Stream representa o último de seu tipo, o remanescente de uma população de aglomerados globulares que nasceram em ambientes radicalmente diferentes daqueles que vemos hoje”, afirmou Ting Li, do Carnegie Observatories e líder da colaboração internacional S5, que estuda fluxos estelares.

A equipa continua com dúvidas sobre como o Phoenix Stream se formou e se é único, mas planeia estudar mais fluxos estelares para descobrir.

Descoberto um pacífico “rio de estrelas” na Via Láctea. É o que resta da morte violenta de uma galáxia

Uma equipa de astrónomos descobriu um vasto fluxo de estrelas que acreditam ser os restos de uma galáxia anã maciça…

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Este estudo foi publicado na semana passada na revista científica Nature.

ZAP //

Por ZAP
3 Agosto, 2020

 

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4100: Cientistas já sabem de onde vieram as pedras de Stonehenge

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

howardignatius / Flickr

Afinal, de onde vieram as imponentes rochas do famoso Stonehenge? Um novo estudo científico dá-nos a resposta a esta pergunta.

De acordo com o site Science Alert, um novo estudo descobriu que a maioria das pedras gigantes de Stonehenge – conhecidas como sarsens – parece compartilhar uma origem comum a 25 quilómetros de West Woods.

A descoberta publicada, a 29 de Julho, na revista científica Science Advances reforça a teoria de que os megálitos foram levados para Stonehenge na mesma altura, por volta de 2500 A.C., a segunda fase da construção do monumento, o que, por sua vez, pode ser um sinal de que os seus construtores eram de uma sociedade altamente organizada.

Em declarações à agência France-PresseDavid Nash, autor do estudo e professor de geografia física na Universidade de Brighton, explicou que a equipa teve de desenvolver uma nova técnica para analisar os sarsens, que medem até nove metros de altura e pesam até 30 toneladas.

Em primeiro lugar, os investigadores usaram um raio-X portátil para analisar a composição química das rochas, que são compostas 99% por sílica, mas contêm vestígios de outros elementos.

De seguida, examinaram duas amostras principais de uma das pedras que foram obtidas durante os trabalhos de restauração em 1958, mas que desapareceram até ressurgir em 2018 e 2019, respectivamente.

A equipa realizou uma análise mais sofisticada destas amostras, utilizando um dispositivo de espectrometria de massa, que detecta com maior precisão uma maior variedade de elementos. O resultado obtido foi, então, comparado com os 20 possíveis locais de origem destas rochas sedimentares, sendo que West Woods é o que mais se aproxima.

“Deve ter sido um esforço enorme naquele momento. Stonehenge é como uma convergência de materiais trazidos de vários lugares. Acho que estamos a olhar para aquilo que seria uma sociedade muito organizada”, afirma Nash.

ZAP //

Por ZAP
3 Agosto, 2020

 

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