2874: Há gelo no pólo sul da Lua e pode ter muitas fontes

CIÊNCIA

NASA’s Goddard Space Flight Center/Scientific Visualization Studio
A sonda LRO encontrou crateras brilhantes na zona do pólo sul da Lua – que correspondem a jazidas de gelo

Um novo estudo sugere que o gelo encontrado na superfície lunar pode ter milhares de milhões de anos, além de ter surgido de diferentes fontes.

O estudo, publicado recentemente na Icarus, sugere que a maioria do gelo lunar pode ser tão antigo quanto a própria Lua, enquanto que outros depósitos de gelo podem ser mais jovens.

Segundo Ariel Deutsch, estudante do Departamento de Ciências da Terra, Meio Ambiente e Planetárias da Universidade de Brown, é importante limitar a idade dos depósitos, uma vez que essa informação pode ser fundamental tanto para a ciência básica quanto para futuras explorações lunares, já que o gelo pode ser utilizado como combustível entre outras utilizações importantes.

“A idade dos depósitos pode dizer-nos algo sobre a origem do gelo, o que nos ajuda a entender as fontes e a distribuição de água no sistema solar interno”, começou por explicar Deutsch.

“Para fins de exploração, precisamos de entender as distribuições laterais e verticais desses depósitos para descobrir qual a melhor maneira de conseguir chegar até eles. Essas distribuições evoluem com o tempo, por isso é que é importante ter uma ideia da sua idade”, continuou, citado pelo Science Daily.

Usando dados do Lunar Reconnaissance Orbiter da NASA, que orbita a Lua desde 2009, os cientistas analisaram as idades das grandes crateras nas quais foram encontradas evidências de depósitos de gelo no pólo sul.

De acordo com os cientistas, a maioria dos depósitos de gelo está dentro de crateras formadas há aproximadamente 3,1 milhões de anos, ou mais. Como o gelo não pode ser mais antigo do que a cratera, esta datação estabelece um limite na idade do gelo.

O facto de a cratera ser antiga, não implica que o gelo encontrado dentro dela também seja. No entanto, neste caso, os cientistas dizem haver boas razões para acreditar que o gelo é realmente antigo.

Se os depósitos de gelo forem realmente antigos, isso pode ter implicações significativas em termos de exploração e potencial utilização de recursos, adiantam os investigadores.

Mas enquanto que a maioria do gelo estava em crateras antigas, a verdade é que os cientistas também encontraram evidências de gelo nas crateras mais pequenas e, a julgar pelas características do gelo, parecem mais recentes.

Foi uma surpresa. Não havia realmente nenhuma observação de gelo em armadilhas frias mais jovem”, explicou Deutsch, referindo-se às características afiadas e bem definidas do gelo encontrado no pólo sul da Lua.

Se há, de facto, depósitos de diferentes idades, isso sugere que também podem ter fontes diferentes. Gelo mais antigo poderia ter sido originado por cometas e asteróides que afectaram a superfície, ou através de actividades vulcânicas que extraíam água das profundezas da Lua. Já os depósitos de gelo mais recentes podem ter outra explicação, como o bombardeio de micro-meteoritos do tamanho de ervilhas ou a implantação pelo vento solar.

Mas a melhor maneira de descobrir é obtendo amostras. Os cientistas querem enviar missões para as recolher, o que ajudaria a descobrir e a responder a todas as questões e incertezas que ainda pairam no ar.

“Quando pensamos em enviar novamente humanos à Lua para exploração a longo prazo, precisamos de saber com que recursos podemos contar, e actualmente não sabemos” concluiu Jim Head, co-autor do artigo científico.

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21 Outubro, 2019

 

2873: Afinal, Vénus pode não ser tão semelhante à Terra como pensávamos

CIÊNCIA

AOES Medialab / ESA

Uma nova investigação questiona a habitabilidade de Vénus, planeta que os cientistas consideram há pouco tempo numa outra investigação poder ter um clima habitável semelhante ao da Terra.

De acordo com a nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Journal of Geophysical Research: Planets, o segundo planeta do nosso Sistema Solar estava repleto de lava e não de água.

O novo estudo, conduzido por uma equipa de especialistas do Instituo lunar e Planetário (LPI), sediado nos Estados Unidos, conseguiu determinar que o que inicialmente se aceitava serem rochas de granito são, na verdade, basalto, formado devido ao processo rápido de arrefecimento da lava, explica o Space.com.

A investigação baseou-se na análise de dados das terras altas de Ovda Regio, em Vénus. “Sabemos tão pouco sobre a superfície de Vénus”, começou por observar o co-autor do estudo, Allan Treiman, citado pelo mesmo portal.

“Se as terras altas de Ovda Regio são feitas de rochas basálticas, como a maior parte de Vénus, estas foram provavelmente trazidas até à sua altura actual por forças internas, possivelmente como as montanhas que resultam de placas tectónicas na Terra”, explicou.

O estudo anterior, publicado em Setembro, dava conta do oposto, descrevendo Vénus como um mundo que poderia ter um clima temperado, capaz de abrigar água líquida antes que uma transformação catastrófica – que ocorreu há 700 milhões de anos – alterasse quase toda a sua superfície (80%).

Os resultados da investigação agora divulgada, ao apontarem para rochas basálticas, questionam o estudo anterior, uma vez que este composto pode ser formado na presença de água ou não. Os cientistas observaram ainda que a transformação que o planeta passou e que produziu uma explosão maciça de dióxido de carbono pode estar relacionada com a actividade vulcânica.

Há cada vez mais indícios de que Vénus pode ter sido habitável

Cientistas da NASA anunciaram esta semana que o planeta, agora considerado um verdadeiro inferno tóxico, pode ter sido habitável. De…

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21 Outubro, 2019

 

2870: NASA – Asteróide perigoso passará perto da Terra a uma velocidade de 40 mil km/h

CIÊNCIA

No próximo dia 25, sexta-feira, passará “perto” da Terra um asteróide à velocidade de 40 mil km/h. De acordo com o Centro de Estudo de Objectos Próximos à Terra da NASA, o objecto 162082 (1998 HL1) tem um tamanho de cerca de 700 metros de diâmetro e é da categoria Apollo.

A rocha espacial foi descoberta em 1998 e é vigiada desde então. Segundo os especialistas, se algum dia este asteróide colidir com o nosso planeta, as consequências serão desastrosas.

Asteróide perigoso debaixo de olho da NASA

Conforme está catalogado pela NASA, este é um asteróide do tamanho de um arranha-céus. Descoberto em 1998, foi já visto pela nossa vizinhança pelo menos 408 vezes. A sua classificação refere que é um Asteróide Potencialmente Perigoso (PHA).

No século passado, quando foi descoberto por astrónomos no projecto Lincoln Near-Earth Asteroid Research (LINEAR) em Socorro, Novo México, deram-lhe o nome de 1998 HL1.

1998 HL1 vai passar perto, mas o que é esse “perto”?

De facto vai passar perto. A passagem mais próxima do asteróide Apollo este ano será de 241.401.600 km de distância, ou 16 vezes a distância da Lua. Claro, comparando com a nossa noção de proximidade terrestre, esta rocha vai passar muito longe. Mas na unidade astronómica, ele vai passar aqui mesmo pertinho!

Apesar de ter já passado várias vezes no quintal da Terra ainda irá passar mais algumas vezes “sem entrar”. Segundo os cálculos da NASA, este não tem uma rota de colisão com o planeta nos próximo 120 anos.

A próxima vez que passar perto da Terra, como agora, será somente no dia 26 de Outubro de 2140. Nessa altura, esta rocha passará a uma distância de 6,18 milhões de quilómetros. Mas antes disso, a gigantesca rocha Apollo continuará a girar o Sol uma vez a cada 508 dias enquanto ele se move numa órbita elíptica.

NASA afirma que nenhum asteróide registado vai colidir com a Terra nos próximos 100 anos

Há hoje uma preocupação maior relacionada com os asteróides. Ameaças do asteróide do Apocalipse ou do Deus do Caos estão a ser vigiadas pela NASA que desdramatiza os possíveis casos de colisão com a … Continue a ler NASA afirma que nenhum asteróide registado vai colidir com a Terra nos próximos 100 anos

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Imagem: NASA
20/10/2019

 

2869: Os furacões podem provocar actividade sísmica tal como um terramoto

CIÊNCIA

NASA Goddard / MODIS Rapid Response Team

Uma equipa de cientistas descobriu um novo fenómeno geofísico no qual furacões ou fortes tempestades podem produzir vibrações no fundo do oceano tão fortes quanto um terramoto de magnitude 3.5.

“As tempestades, furacões ou ciclones extra-tropicais transferem energia para o oceano como fortes ondas oceânicas, e as ondas interagem com a terra sólida produzindo uma intensa actividade de fonte sísmica“, explicou Wenyuan Fan, professor de Ciências da Terra, Oceano e Atmosféricas na Universidade da Florida e principal autor de um novo artigo científico publicado na Geophysical Research Letters.

Os investigadores analisaram quase uma década de registos sísmicos e oceanográficos, de Setembro de 2006 a Fevereiro deste ano, e encontraram uma relação entre fortes tempestades e intensa actividade sísmica (vibrações na crosta terrestre).

Segundo o Europa Press, os cientistas encontraram evidências de mais de 10.000 terremotos entre 2006 e 2019 no alto mar da Nova Inglaterra, Florida e Golfo do México, nos Estados Unidos, bem como no alto mar da Nova Escócia, Terra Nova e Colúmbia Britânica, no Canadá.

“Podemos ter fontes sísmicas no oceano, assim como terramotos dentro da crosta“, resumiu Fan em comunicado. “A parte interessante desta investigação é que as fontes sísmicas causadas por furacões podem durar de horas a dias.”

Neste novo estudo, a equipa de cientistas da universidade norte-americana desenvolveu um novo método para detectar e localizar eventos sísmicos e determinar se tais eventos são terramotos. Com a ajuda desta técnica, descobriram que o furacão Bill, um intenso ciclone tropical que atingiu o leste do Canadá durante o final de Agosto de 2009, produziu vários terramotos na costa da Nova Inglaterra e Nova Escócia.

De igual forma, descobriram também que o furacão Ike, em 2008, causou uma actividade de tempestade no Golfo do México, e o furacão Irene, em 2011, fez exactamente o mesmo perto de Little Bahama Bank, na costa da Florida.

É preciso ter em conta que nem todos os furacões causam terramotos, mas quando ocorrem, os terramotos parecem concentrar-se em certos pontos críticos. No entanto, os cientistas não detectaram qualquer evidência de terramotos na costa do México ou na costa leste dos Estados Unidos, de Nova Jersey à Geórgia.

Mesmo o furacão Sandy, que ocorreu nos Estados Unidos, não causou terramotos, segundo os cientistas. Isto sugere que os terramotos são fortemente influenciados pelas características oceanográficas locais e pela topografia do fundo do mar.

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20 Outubro, 2019

 

2867: Encontrado nos EUA um peixe que respira fora de água

CIÊNCIA

Brian Gratwicke / WIkimedia

O Departamento de Recursos Naturais do estado da Geórgia dos EUA anunciou que, pela primeira vez, um Channidae, uma espécie não nativa de peixe que já invadiu com sucesso outros 14 estados, foi vista nas águas da Geórgia pela primeira vez.

O peixe é uma espécie famosa invasora nos EUA e é um predador particularmente prejudicial para as espécies nativas porque pode competir com elas e superá-las. Pode crescer até mais de um metro e as fêmeas podem depositar até 100 mil ovos num ano em vários eventos de desova.

A característica mais marcante é que é um respirador de ar facultativo – pode respirar ar subaquático e regular – para que possa sobreviver em terra durante vários dias, o que também pode contribuir para o seu sucesso.

Em 2002, desencadeou um debate nacional sobre como lidar com espécies não-nativas assumindo o controlo após o infame incidente com estes peixes em Crofton, Maryland. Depois de terem sido encontrados seis peixes adultos em duas lagoas, ambas foram libertadas com pesticidas e todos os peixes – e mais de 1.000 jovens – foram destruídos.

De acordo com o IFLScience, este incidente, por sua vez, inspirou pelo menos filmes de monstros: Snakehead Terror, Frankenfish, Swarm of the Snakehead e o Fishzilla: Snakehead Invasion.

O animal foi relatado pela primeira vez na Geórgia após dois jovens terem sido encontrados num lago localizado em propriedade privada no país de Gwinnett, não muito longe de Atlanta. Foi um pescador que reportou os animais à Divisão de Recursos Naturais do Departamento de Recursos Naturais.

“A nossa primeira linha de defesa na luta contra espécies invasoras aquáticas são os nossos pescadores”, disse Matt Thomas, chefe de pesca da Divisão de Recursos da Vida Selvagem, em comunicado. “Graças ao rápido relato de um pescador, a nossa equipa conseguiu investigar e confirmar a presença dessa espécie neste corpo d’água. Agora estamos a tomar medidas para determinar se se espalharam a partir desse corpo d’água e, esperançosamente, impedir que se espalhe para outras águas da Geórgia”.

Em comunicado, o departamento pede às pessoas, especialmente aos pescadores, que aprendam a reconhecer os peixes de água doce. O conselho é, de acordo com o comunicado: “Mate-o imediatamente e congele-o”. Em seguida, é necessário anotar onde foi encontrado e alertar as autoridades. É ilegal importar, vender, transferir e possuir esta espécie sem uma licença válida para animais selvagens.

Estes peixes são nativas de partes da Ásia, como Rússia, China e Península Coreana. O animal espalhou-se para os Estados Unidos através de libertação não autorizada e os cientistas relataram a presença de populações reprodutivas na Florida, Hawai, Virgínia e Nova York. O peixe prefere água estagnada como lagoas e é principalmente devorador de peixes, mas também pode comer anfíbios, crustáceos e outros invertebrados.

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20 Outubro, 2019

 

2863: A galáxia pode estar repleta de “micro-máquinas” alienígenas

CIÊNCIA

Naeblys / Canva

A galáxia pode estar repleta de “micro-máquinas” de origem alienígena. Quem o diz é o astrofísico Zaza Osmanov, que parte do conceito de sonda replicante do matemático John von Neuman e o ajusta à nano-escala.

Encontrar seres alienígenas tem-se mostrado uma tarefa complicada para a comunidade científica. O Paradoxo de Fermi continua a questionar por que motivo ainda não encontramos estes seres, tendo em conta a alta probabilidade de existirem.

Um dos caminhos para encontrar vida para lá da Terra pode passar por direccionar a pesquisa para rastos tecnológicos. Uma das teorias mais intrigantes neste âmbito sustenta que a galáxia pode estar repleta de “micro-máquinas” avançadas, as chamadas sondas de von Neuman. Tal como o nome indica, a hipótese foi inspirada na ideia de máquinas que se auto-replicam do matemático John von Neumann, que nunca as estudou ou aplicou no âmbito do Espaço ou da Astronomia.

Ao longo dos tempos, vários teóricos socorreram-se da ideia de von Neumann e aplicaram-na à Astrobiologia: de acordo com os especialistas, civilizações avançadas podem ter criado máquinas que exploram longas distâncias no Universo sem precisar de deixar os seus planetas, um vez que estes dispositivos são capazes de fazer cópias de si mesmo à medida que viajam, aumentando rápida e exponencialmente em número.

A ideia, contudo, alberga alguns problemas: as máquinas replicantes precisariam de “recolher” materiais para fazer nascer novas ao longo do caminho e estes mesmo materiais podem não ser encontrados em qualquer canto ou asteróide do Universo. Erros no processo de replicação são também prováveis, tal como escreve o Hype Science.

Recentemente, o astrofísico Zaza Osmanov, da Universidade Livre de Tbilisi, na Geórgia, apresentou soluções para estes problemas num artigo disponível em pré-publicação no arxiv, sustentando que estas podem mesmo estar por toda a galáxia.

Uma questão de tamanho

Osmanov solucionou alguns destes problemas, argumentando que se trata de uma questão de tamanho – tivemos em conta a escala errada. As sondas de von Neumann funcionariam melhor se fossem microscópicas, com cerca de um nanómetro de comprimento.

A redução do tamanho, explicou, faria com que estas máquinas não precisassem de tantos materiais para se “reproduzirem”, tal como pensaram os cientistas. Um pouco de hidrogénio, aponta a Cosmos Magazine, faria com que estas sondas ficassem abastecidas e prontas para desbravar o Cosmos.

Além disso, o pequeno tamanho tornaria mais fácil e mais rápido o processo de replicação – Osmanov estima que uma população inicial de 100 “micro-máquinas” se transformaria em cerca de 1.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000 (1 x 10³³) em apenas um parsec ou quatro anos-luz.

A pequena escala das máquinas poderia facilitar o trabalhos dos seres alienígenas mas, em sentido oposto, dificultaria o do Homem. Ainda assim e apesar de reconhecer a dificuldade na identificação, acredita Osmanov acredita que é possível detectar estas estruturas – basta olhar na direcção certa.

Estas “nano-máquinas” replicantes poderiam produzir emissões luminosas ao encontrar e recolher protões pelos caminhos do Universos. Estas emissões poderiam, explicou, ser virtualmente impossíveis de detectar por si só contudo, e com alguma sorte, um grande exame de sondas poderia ser observável através do espectro infravermelho.

“Todos os resultados mencionados indicam que, se alguém detectar um objecto estranho com valores extremamente altos de aumento de luminosidade, pode ser um bom sinal para colocá-lo na lista de candidatos extraterrestres à sonda de von Neumann”, concluiu o cientista, citado pela Cosmos Magazine.

A radiação de Hawking pode ser a chave para encontrar vida alienígena

O Universo é assustadoramente antigo e vasto ao ponto de vários cientistas  considerarem a possibilidade de existirem civilizações alienígenas avançadas…

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19 Outubro, 2019

 

2862: Engenheiro da NASA apresenta conceito para nave capaz de voar quase à velocidade da luz

CIÊNCIA

Pixabay / Canva

David Burns, engenheiro da NASA, defende que é possível criar uma sonda capaz de viajar até às estrelas mais remotas à velocidade da luz, desafiando e até violando algumas das regras que regem a Física.

Burns apresentou recentemente o seu conceito para esta nave: um motor helicoidal, que não necessita de combustível para gerar impulso, tal como noticia o portal Science Alert.

O seu projecto (Helical Engine), que o mesmo portal reconhece ser controverso, baseia-se em explorar a forma pela qual a massa pode mudar em “velocidades relativísticas“, isto é, aquelas que se aproximam da velocidade da luz no vácuo.

Apesar do conceito não ter sido ainda considerado por especialistas e de o projecto violar as leis da Física tal como as conhecemos, o engenheiro da agência espacial norte-americana mostra-se à vontade para propor a nave.

Sinto-me à vontade para propor” este projecto (…) Se alguém disser que não funciona, serei o primeiro a dizer que vale a pena tentar”, disse o cientista da NASA à New Scientist.

Para explicar o modelo hipotético do motor, Burns descreveu uma caixa com uma carga interna, mas sem atrito com a superfície, segundo uma nota publicada no site da NASA. As extremidades da carga são unidas por molas que as conectam às paredes da caixa.

O efeito deste motor é que, no vácuo, a caixa irá oscilar, enquanto a carga permanecerá imóvel. Se a massa da carga aumentar repentinamente durante as oscilações, causará um impulso, explica a Russia Today.

New Scientist
@newscientist
NASA engineer’s ‘helical engine’ may violate the laws of physics bit.ly/31bEgFb

1:24 PM · 11 de out de 2019·Echobox Social

O que diz a Relatividade Espacial

De acordo com a relatividade especial, os objectos ganham massa à medida que se aproximam da velocidade da luz. Então, se o peso for substituído por iões e a caixa por um loop, em teoria, pode conseguir-se que os iões se movam mais rapidamente numa extremidade do loop e mais lentamente na outra.

Contudo, o motor hipotético de Burns não é um circuito fechado: é antes helicoidal, com uma mola esticada, daí o termo de “motor helicoidal”.

Nestas circunstâncias, os iões são a carga e a caixa é o circuito no qual as partículas se movem. Os iões aceleram a velocidades relativísticas moderadas, sendo que a sua massa começa a mudar um pouco à medida que a velocidade aumenta. Estas partículas movem-se para frente e para trás ao longo do contorno, criando impulso numa dada direcção.

No caso de um motor helicoidal, a espiral deve atingir cerca de 200 metros de comprimento e 12 metros de diâmetro, de acordo com os cálculos de Burns. Serão ainda necessários 165 megawatts de energia para produzir um Newton (1N) de impulso.

Ainda assim, Burns acredita que o seu projecto para o motor ainda hipotético tem potencial para o futuro, principalmente em ambientes de baixa fricção, como o Espaço sideral. “[No vácuo do Espaço] O próprio motor seria capaz de atingir 99% da velocidade da luz se tivéssemos tempo e energia suficientes”, rematou Burns.

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19 Outubro, 2019

 

2861: Vulcão submerso no Alasca cria bolhas de gás explosivas maiores do que um campo de futebol

CIÊNCIA

(cv) YouTube

Uma equipa de cientistas do US Geological Survey (USGS) descobriu na Ilha de Bogoslof, no Alasca, Estados Unidos, um vulcão que expele gigantescas bolhas de gás explosivas, maiores do que um campo de futebol.

Os especialistas descobriram este vulcão em 2017, tendo esta semana publicado um artigo sobre a descoberta na revista científica especializada Nature Geoscience.

Bogoslof localiza-se no topo de um vulcão subaquático, no extremo sul do mar de Bering. O vulcão, com cerca de 1.828 metros de altura, está na sua grande parte submerso – apenas 90 dos seus metros de altura estão acima do nível da água do mar.

De acordo com a Science Mag, o vulcão não expele lava nem outros materiais, libertando  antes gigantesca bolhas. Estas bolhas foram descobertas por tripulações que navegam na zona, que deram conta que se “criam explosões violentas em torno da superfície do mar”.

Os cientistas acreditam que o fenómeno ocorre quando a água arrefece rapidamente o magma quando sai das aberturas subaquáticas. Trata-se de uma erupção hidro-vulcânica: durante uma erupção explosiva, a lava, rica em gases, é ejectada e permite a formação de uma grande bolha na água do mar acima da “boca” do vulcão, cheia de vapor de água, dióxido de carbono e dióxido de enxofre separados da lava.

A inacessibilidade de muitos vulcões submersos e o perigo associado às explosões das suas borbulhas têm dificultado o trabalho os cientistas para entender melhor este fenómeno.

Para a nova investigação, liderada por John Lyons, os especialistas implantaram microfones de baixa frequência a 60 quilómetros a sul do vulcão, tendo estes detectado “infra-sons” no oceano que, posteriormente, ajudaram a melhor compreender o fenómeno.

Durante os nove meses de observações, foram registadas mais de 70 erupções.

“O infra-som é fruto da oscilação e da ruptura das bolhas magmáticas de gás que se formaram inicialmente nas aberturas submersas, mas que cresceram e explodiram acima do nível do mar”, pode ler-se na nova investigação, que diz ainda apresentar “um registo geofísico único” deste fenómeno natural.

O artigo precisa ainda que estas bolhas, compostas por vapor de água, dióxido de carbono ou dióxido de enxofre, podem medir até 426 metros de diâmetro.

“Propomos que o papel dominante da água do mar durante a efusão de magma rico em gás em águas rasas é produzir repetidamente uma vedação à prova de gás perto da abertura (…) Este mecanismo de vedação leva a sequências de explosões violentas e à libertação de grandes volumes de gás formadores de bolhas”, escreveram os cientistas no artigo, citados pelo Newsweek.

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19 Outubro, 2019

 

2860: “Cidade perdida” do Império Khmer descoberta sob a selva do Cambodja

CIÊNCIA

(dr) Archaeology Development Foundation
Vista aérea de Mahendraparvata

Arqueólogos estão a desvendar a “cidade perdida” escondida na selva do Cambodja, que já foi capital do poderoso Império Khmer.

De acordo com a revista Newsweek, os arqueólogos dizem que esta cidade, conhecida como Mahendraparvata, representa um “enorme e extraordinário experimento inicial no chamado planeamento urbano”, sendo a primeira “cidade-grade” em larga escala que o Império Khmer construiu.

O estudo, publicado na revista científica Antiquity, confirma essencialmente a hipótese de a cidade ter estado localizada em Phnom Kulen e de ter sido uma capital deste Império, que governou vastas áreas do Sudeste Asiático entre 800 e 1400 D.C.

Phnom Kulen é uma cordilheira no noroeste do Cambodja, que fica a cerca de 40 quilómetros de Angkor Wat — o espectacular complexo de templos que é também uma das atracções turísticas mais famosas deste país asiático.

As evidências disponíveis sugerem que Mahendraparvata foi fundada antes de Angkor, e que a última cidade usou o plano urbano do seu antecessor como inspiração.

“A capital de Phnom Kulen governou no final do século VIII e na primeira metade do século IX. Os resultados da datação por radio-carbono confirmam essa ocupação, correspondendo ao reinado de Jayavarman II”, disse à mesma revista Jean-Baptiste Chevance, arqueólogo da Fundação de Arqueologia e Desenvolvimento — Programa Phnom Kulen.

(dr) Chevance et al., Antiquity, 2019
Os eixos em forma de grade da “cidade perdida” do Império Khmer

De acordo com os investigadores, o poder terá passado para Angkor por volta de 900 D.C., depois de Mahendraparvata ter sido abandonada.

Os arqueólogos suspeitavam há muito que uma antiga capital Khmer estava escondida nesta cordilheira cambojana, mas a região é de difícil acesso, o que dificulta a investigação. Além disso, a zona tem ainda bastantes minas terrestres, devido à passagem do sangrento e mortífero Khmer Rouge até à década de 90 — regime que governou o país de 1975 a 1979 e que conduziu um genocídio que matou cerca de um quarto da população.

As primeiras pistas que indicam a presença de uma antiga capital Khmer em Phnom Kulen vieram de várias inscrições associadas ao Rei Jayavarman II, conhecido por ter unificado e governado o Camboja no final do século VIII e no início do século IX.

Posteriormente, as evidências arqueológicas foram limitadas a uma dispersão de santuários pequenos e aparentemente isolados, explica a equipa. Isto deve-se em grande parte ao facto de as cidades Khmer terem sido construídas sobretudo com materiais perecíveis.

Chevance e o resto da equipa começaram a pesquisa arqueológica no início dos anos 2000, concentrando-se nos principais monumentos — como o templo montanhoso em forma de pirâmide (o principal marcador da capital Khmer), outros templos de tijolos e alguns abrigos rochosos.

“Identificámos o palácio real da cidade, um vasto complexo de plataformas e diques de terra localizados numa posição central ligada a outros locais. A nossa pesquisa arqueológica confirmou que esses locais datavam do final do século VIII e início do século IX. Houve uma confirmação mais forte da presença dessa capital na montanha Kulen”.

(dr) Cambodian Archaeological Lidar Initiative
Local de um dos templos recentemente documentados em Mahendraparvata

Mas, devido às limitações das técnicas convencionais de pesquisa e mapeamento na área, uma visão coerente da própria cidade permaneceu ilusória. Contudo, nos últimos anos, surgiu uma revolucionária tecnologia de imagem conhecida como LiDAR (Light Detection and Ranging), que basicamente permite “ver através” da vegetação.

A tecnologia utiliza instrumentos instalados em aeronaves que disparam pulsos de luz laser, em direcção ao solo, centenas de milhares de vezes por segundo, permitindo a criação de mapas 3D detalhados que revelam a topografia do terreno e quaisquer recursos antigos criados pelo Homem.

As últimas pesquisas LiDAR, juntamente com a pesquisa terrestre, revelaram milhares de características arqueológicas numa área de aproximadamente 32 quilómetros quadrados. Esses recursos mostram o que parece ser um sistema de grade avançado que conecta os vários recursos da cidade como barragens, paredes de reservatórios, templos, bairros e o palácio real.

A equipa até acredita ter descoberto evidências de alguns quarteirões da cidade, devido à presença de numerosos cercos de terra que se alinham grosseiramente com — e frequentemente — os principais “eixos” lineares, que são essencialmente um sistema de grade.

Este método também indicou um projecto de engenharia ambicioso para construir um sistema de gestão de águas que, no entanto, ficou incompleto. Segundo os arqueólogos, isto sugere que a cidade pode não ter durado tanto quanto o centro de poder Khmer, embora o reservatório construído possa ter inspirado os lagos artificiais que foram cruciais para o projecto de Angkor Wat.

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19 Outubro, 2019

 

2859: Manto de gelo da Antárctida ainda liberta cloro radioactivo de testes nucleares dos anos 50

CIÊNCIA

Jason Ardell / Flickr

Um novo estudo confirmou que o manto de gelo da Antárctica ainda está a libertar cloro radioactivo, proveniente de testes feitos com armas nucleares na década de 1950.

Quando as bombas nucleares são detonadas — tal como aconteceu nas décadas de 50 e 60, com os testes dos Estados Unidos no Oceano Pacífico —, o cloro-36 é um dos isótopos radioactivos libertados no ar, quando os neutrões reagem com o cloro na água do mar.

Desde então, outros isótopos voltaram aos níveis pré-teste, mas, aparentemente, isso não aconteceu com o cloro-36, como mostra um novo estudo agora citado pelo Science Alert.

Este isótopo também ocorre naturalmente e é usado pelos cientistas para datar os núcleos de gelo, juntamente com o berílio-10. No entanto, no seu estado padrão, o cloro-36 fica permanentemente preso pela neve na Antárctida, portanto, não devemos encontrar nenhuma leitura dele na atmosfera.

“Já não há cloro-36 nuclear na atmosfera global. É por isso que devemos observar os níveis naturais de cloro-36 em todos os lugares”, explica a cientista Mélanie Baroni, do Centro Europeu de Pesquisa e Ensino das Geociências do Meio Ambiente de França (Cerege).

Ao analisar duas áreas específicas da Antárctida — uma com relativamente pouca queda de neve anual e outra com muita —, os cientistas descobriram que altos níveis de cloro-36 ainda estão presentes perto da superfície do gelo à volta do local com pouca queda de neve, a estação de pesquisa russa Vostok.

Em 2008, havia dez vezes os níveis naturais de cloro-36 no gelo à volta da base. A radioactividade resultante é muito pequena para ter um sério impacto na atmosfera da Terra, mas parece que, afinal, este isótopo é mais resistente do que se pensava. Para surpresa dos cientistas, também está a mostrar ser mais ágil, subindo das profundezas da neve desde 1998.

As conclusões deste estudo, publicado em Setembro na revista Journal of Geophysical Research – Atmospheres, podem dar-nos uma nova visão sobre como o clima da Terra evoluiu ao longo de milhões de anos.

Além disso, esta investigação também serve como lembrete para o impacto duradouro que as armas nucleares têm no ambiente, décadas depois de terem sido detonadas.

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19 Outubro, 2019

 

2856: ALMA testemunha formação planetária em acção

CIÊNCIA

Impressão de artista do gás que flui como uma cascata para uma abertura num disco proto-planetário, provavelmente provocado por um planeta em formação.
Crédito: NRAO/AUI/NSF, S. Dagnello

Pela primeira vez, os astrónomos que usam o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) testemunharam os movimentos 3D de gás num disco proto-planetário. Em três locais do disco em torno de uma jovem estrela chamada HD 163296, o gás flui como uma cascata para aberturas que são provavelmente provocadas por planetas em formação. Estes fluxos gasosos há muito que foram previstos e influenciam directamente a composição química das atmosferas dos planetas. Esta investigação foi publicada na edição mais recente da revista Nature.

Os locais de nascimento dos planetas são discos feitos de gás e poeira. Os astrónomos estudam estes chamados discos proto-planetários a fim de entender os processos de formação planetária. As incríveis imagens destes discos, obtidas com o ALMA, mostram lacunas distintas e características anulares na poeira, que podem ser provocadas por planetas bebés.

Para ter mais certeza de que os planetas provocam estas divisões, e para ter uma visão completa da formação planetária, os cientistas estudam o gás nos discos, além da poeira. Noventa e nove por cento da massa de um disco proto-planetário é gás, dos quais o monóxido de carbono (CO) é o componente mais brilhante, e o ALMA pode observá-lo.

No ano passado, duas equipas de astrónomos demonstraram uma nova técnica de caça planetária usando este gás. As equipas mediram a velocidade do gás monóxido de carbono que gira em redor da jovem estrela HD 163296. Distúrbios localizados nos movimentos do gás revelaram três padrões semelhantes a planetas no disco.

Neste novo estudo, o autor principal Richard Teague da Universidade do Michigan e a sua equipa usaram novos dados ALMA de alta resolução do projecto DSHARP (Disk Substructures at High Angular Resolution Project) para estudar em mais detalhe a velocidade do gás. “Com os dados de alta fidelidade deste programa, conseguimos medir a velocidade do gás em três direcções, em vez de apenas uma,” disse Teague. “Pela primeira vez, medimos o movimento do gás em todas as direcções possíveis. Girando, aproximando-se ou afastando-se da estrela, e para cima ou para baixo no disco.”

Teague e colegas viram o gás movendo-se das camadas superiores em direcção ao meio do disco em três locais diferentes. “O que provavelmente acontece é que um planeta em órbita em redor da estrela empurra o gás e a poeira para o lado, abrindo uma lacuna,” explicou Teague. “O gás acima da divisão entra em colapso como uma cascata, provocando um fluxo giratório de gás no disco.”

Esta é a melhor evidência, até à data, de que realmente existem planetas em formação em torno de HD 163296. Mas os astrónomos não podem dizer com 100% de certeza que os planetas provocam o fluxo de gás. Por exemplo, o campo magnético da estrela também pode provocar distúrbios no gás. “De momento, apenas a observação directa dos planetas podia descartar as outras opções. Mas os padrões deste gás são únicos e, muito provavelmente, apenas os planetas podem provocá-los,” disse o co-autor Jaehan Bae, do Instituto Carnegie para Ciência, que testou esta teoria com uma simulação de computador do disco.

As posições dos três planetas previstos neste estudo correspondem aos resultados do ano passado. Estão provavelmente localizados a 87, 140 e 237 UA (1 UA, ou unidade astronómica, é a distância média da Terra ao Sol). Calculou-se que o planeta mais próximo de HD 163296 tem metade da massa de Júpiter e o planeta mais distante tenha o dobro da massa de Júpiter.

Os fluxos de gás da superfície para o plano médio do disco proto-planetário foram previstos no final da década de 1990. Mas esta é a primeira vez que os astrónomos os observam. Além de serem úteis para detectar planetas bebés, estes fluxos também podem esculpir a nossa compreensão de como os planetas gigantes gasosos obtêm as suas atmosferas.

“Os planetas formam-se na camada intermédia do disco, no chamado plano médio. Este é um lugar frio, protegido da radiação estelar,” explicou Teague. “Nós pensamos que estas aberturas provocadas pelos planetas trazem gás mais quente das camadas externas e quimicamente mais activas do disco e que este gás irá formar a atmosfera do planeta.”

Teague e a sua equipa não esperavam poder ver este fenómeno. “O disco em torno de HD 163296 é o maior e o mais brilhante disco que podemos ver com o ALMA,” salientou Teague. “Mas foi uma grande surpresa ver estes fluxos de gás com tanta nitidez. Os discos parecem ser muito mais dinâmicos do que pensávamos.”

“Isto dá-nos uma imagem muito mais completa da formação dos planetas do que jamais sonhámos,” disse o co-autor Ted Bergin da Universidade de Michigan. “Ao caracterizar estes fluxos, podemos determinar como nascem os planetas como Júpiter e caracterizar a sua composição química durante o nascimento. Podemos ser capazes de usar isto para rastrear o local de nascimento destes planetas, pois podem mover-se durante a formação.”

Astronomia On-line
18 de Outubro de 2019

 

2855: ALMA observa fluxos contra-intuitivos em torno de buraco negro

CIÊNCIA

Impressão de artista do coração da galáxia NGC 1068, que alberga um buraco negro que se alimenta activamente, escondido por trás de uma nuvem de gás e poeira em forma de anel. O ALMA descobriu dois fluxos gasosos em contra-rotação em torno do buraco negro. As cores na imagem representam o movimento do gás: o azul é material que se move na nossa direcção, o vermelho é material que se afasta de nós.
Crédito: NRAO/AUI/NSF, S. Dagnello

No centro de uma galáxia chamada NGC 1068, um buraco negro super-massivo esconde-se dentro uma espessa nuvem de poeira e gás em forma de anel. Quando os astrónomos usaram o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para estudar esta nuvem em mais detalhe, fizeram uma descoberta inesperada que poderá explicar porque é que os buracos negros super-massivos cresceram tão depressa no início do Universo.

“Graças à espectacular resolução do ALMA, medimos o movimento do gás nas órbitas mais interiores em redor do buraco negro,” explica Violette Impellizzeri do NRAO (National Radio Astronomy Observatory), que trabalha com o ALMA no Chile e é a autora principal de um artigo publicado na revista The Astrophysical Journal. “Surpreendentemente, encontrámos dois discos de gás girando em direcções opostas.”

Os buracos negros super-massivos já existiam quando o Universo era jovem, apenas mil milhões de anos após o Big Bang. Mas exactamente como estes objectos extremos, cujas massas atingem milhares de milhões de vezes a massa do Sol, tiveram tempo para crescer tanto, é uma questão importante entre os astrónomos. Esta nova descoberta do ALMA pode fornecer uma pista. “Os fluxos de gás contra-giratórios são instáveis, o que significa que as nuvens caem no buraco negro mais depressa do que num disco com uma única direcção de rotação,” disse Impellizzeri. “Esta pode ser uma maneira pela qual um buraco negro cresce rapidamente.”

NGC 1068 (também conhecida como Messier 77) é uma galáxia espiral a aproximadamente 47 milhões de anos-luz da Terra na direcção da constelação de Baleia. No seu centro está um núcleo galáctico activo, um buraco negro super-massivo que se alimenta activamente de um disco giratório e fino de gás e poeira, também conhecido como disco de acreção.

Observações anteriores do ALMA revelaram que o buraco negro está a engolir material e a expelir gás a velocidades incrivelmente altas. Este gás expelido do disco de acreção provavelmente contribui para ocultar a região em redor do buraco negro dos telescópios ópticos.

Impellizzeri e a sua equipa usaram a incrível capacidade de ampliação do ALMA para observar o gás molecular em redor do buraco negro. Inesperadamente, encontraram dois discos de gás contra-giratórios. O disco interno mede 2-4 anos-luz e segue a rotação da galáxia, ao passo que o disco externo (também conhecido como toro) mede 4-22 anos-luz e gira na direcção oposta.

“Não esperávamos ver isto porque o gás que entra no buraco negro normalmente gira apenas numa direcção,” disse Impellizzeri. “Algo deve ter perturbado o fluxo, porque é impossível que uma parte do disco comece a girar para trás sozinha.”

A contra-rotação não é um fenómeno invulgar no espaço. “Vemos isto em galáxias, geralmente a milhares de anos-luz dos seus centros galácticos,” explicou o co-autor Jack Gallimore da Universidade Bucknell, em Lewisburg, no estado norte-americano da Pensilvânia. “A contra-rotação resulta sempre da colisão ou interacção entre duas galáxias. O que torna este resultado notável é que vemos contra-rotação a uma escala muito menor, a dezenas de anos-luz em vez de a milhares de anos-luz do buraco negro central.”

Os astrónomos pensam que o fluxo oposto em NGC 1068 pode ser provocado por nuvens de gás que caíram da galáxia hospedeira, ou por uma pequena galáxia, que passava numa órbita contrária, capturada no disco.

De momento, o disco externo parece estar numa órbita estável em redor do disco interno. “Isto vai mudar quando o disco externo começar a cair no disco interno, o que poderá ocorrer após algumas órbitas ou algumas centenas de milhares de anos. Os fluxos giratórios do gás vão colidir e tornar-se instáveis, e os discos vão provavelmente colapsar num evento luminoso quando o gás molecular cair no buraco negro. Infelizmente, não estaremos cá para testemunhar estes fogos-de-artifício,” concluiu Gallimore.

Astronomia On-line
18 de Outubro de 2019

 

2851: Hubble captou as primeiras imagens do cometa interestelar

O próximo ano servirá para aprender mais sobre o 2I/Borisov.

O Telescópio Espacial Hubble captou no dia 12 de Outubro as primeiras imagens do cometa interestelar 2I/Borisov, as quais revelam que este corpo celeste tem um aspecto semelhante aos que ‘habitam’ o nosso Sistema Solar.

“Os ovos cometas são sempre imprevisíveis. A forma como por vezes brilham de repente ou mesmo começar a fragmentar à medida que são expostos ao intenso calor do Sol pela primeira vez. O Hubble está posicionado para vigiar tudo o que acontecer a seguir com a sua resolução e sensibilidade superiores”, pode ler-se no comunicado de um dos observadores, Max Mutchler.

O 2I/Borisov ficará visível para observação durante o próximo ano e é possível que venham a surgir mais detalhes sobre este corpo celeste.

msn notícias
Notícias ao Minuto
17/10/2019

 

2850: Rios ocultos de água quente estão a derreter o gelo da Antárctida

CIÊNCIA

GRID Arendal / Flickr

O gelo antárctico está a ser desestabilizado por rios ocultos e invertidos de água quente que correm por baixo das plataformas, derretendo-as.

Os cientistas conhecem estes canais basais nas plataformas de gelo há vários anos, mas as circunstâncias por trás da sua formação não eram bem compreendidas. Agora, os investigadores descobriram mais sobre o fenómeno e dizem que é algo que precisamos de levar em consideração ao modelar a elevação do nível do mar.

“A circulação de água quente está a atacar a parte inferior destas plataformas de gelo nos pontos mais vulneráveis”, disse a glaciologista Karen Alley, do College of Wooster, em Ohio, em comunicado.

As plataformas de gelo são uma extensão externa flutuante do gelo terrestre que compõe as camadas continentais de gelo, escreve o ScienceAlert. No caso da Antárctica, cerca de três quartos do continente é cercado por plataformas de gelo flutuantes, que agem como uma barreira natural para ajudar a impedir que as geleiras nas camadas de gelo fluam para o oceano.

Este efeito natural de barreira só funciona, no entanto, se as próprias plataformas de gelo contiverem massa gelada suficiente para sustentar o fluxo marítimo de gelo. Porém, as barreiras antárcticas estão a enfraquecer.

Em 2016, uma equipa liderada por Alley analisou imagens de satélite das plataformas de gelo da Antárctica Ocidental e identificou os rios invertidos de água morna que erodiam as plataformas por baixo, tornando-as mais vulneráveis ​​à desintegração. “As nossas observações mostram que os canais basais estão associados ao desenvolvimento de novas zonas de fissuras, sugerindo que estes canais podem causar fractura no gelo”, explicaram os investigadores no artigo de 2016, publicado na revista especializada Nature Geoscience.

“Concluímos que os canais basais podem formar-se e crescer rapidamente como resultado da intrusão de água quente no oceano, e que podem enfraquecer estruturalmente as plataformas de gelo, potencialmente levando à rápida perda da plataforma de gelo em algumas áreas”.

Num novo estudo, Alley e a sua equipa examinaram novamente os canais basais para investigar o que produz estes rios misteriosos. Por acaso, o processo começa na massa aterrada da própria camada de gelo da Antárctica, e não na plataforma de gelo flutuante. À medida que o gelo flui para o mar a partir da camada de gelo em terra, regiões fracas no gelo de fluxo rápido chamado “margens de cisalhamento” podem formar-se nas bordas da massa.

No novo estudo, publicado na semana passada na revista especializada Science Advances, os cientistas descobriram que os canais basais eram mais propensos a formar-se ao longo das margens dos trechos de gelo enfraquecidos e de fluxo rápido – uma consequência dos fluxos quentes de água flutuante que subiam acima da água mais fria e induziam o derretimento nas secções mais vulneráveis nas plataformas de gelo.

À medida que a fusão ocorre, um canal basal é esculpido na parte inferior da frágil margem de cisalhamento, revelando o ponto mais fraco e produzindo quebras nas plataformas de gelo.

“Estamos a ver um novo processo, em que a água quente entra na plataforma por baixo”, disse o glaciologista Ted Scambos, da Universidade do Colorado Boulder. “A calha torna a plataforma fraca e, em poucas décadas, desaparece, libertando o manto de gelo para sair mais rápido no oceano”.

Embora os investigadores não saibam até que ponto estes rios podem estar a apressar os processos de colapso do lençol de gelo e aumento do nível do mar em geral, os cientistas consideram que é importante estudar os efeitos dos canais basais e incorporar o fenómeno na modelagem das mudanças na camada de gelo.

“Isto pode importar um pouco ou pode importar muito”, disse Alley à National Geographic. “Mas sabemos que isto torna mais provável a perda de plataformas de gelo. Estes canais tornam os pontos fracos mais fracos”.

ZAP //

Por ZAP
17 Outubro, 2019

 

2849: Astronauta capta o colossal “Olho do Sahara” a partir da EEI

CIÊNCIA

ESA

A Agência Espacial Europeia publicou neste domingo uma fotografia da colossal estrutura de Richat, uma formação geológica enigmática no centro da Mauritânia, conhecida como o “Olho do Sahara”.

A estrutura, que tem cerca de 40 quilómetros de diâmetro e fica no meio do deserto do Sahara, é também conhecida como o “Olho de África”.

“Uma memória indelével da primeira missão”, afirmou o astronauta italiano Luca Parmitano, que captou a fotografia a 400 quilómetros de altitude durante a sua estadia na Estação Espacial Internacional (EEI), citado pela agência europeia.

Descoberto em meados de 1965 pelos cientistas da NASA James McDivit e Edward White, o “Olho do Sahara” foi, até há bem pouco tempo, objecto de controvérsia – os cientistas não se entendiam sobre aquela que seria a sua origem.

A hipótese inicialmente apresentada sustentava que a formação, que terá surgido há 500 ou 600 milhões de anos, era fruto de um meteorito que caiu na Terra. Contudo, estudos posteriores revelaram que a estrutura em causa é totalmente geológica e que esta foi criada pelo efeito da erosão ao longo de milhões de anos.

Há ainda quem defenda que a Estrutura de Richart é o Reino perdido de Atlântida, defendendo assimetrias com as descritas por Platão nos seus livros.

ZAP //

Por ZAP
17 Outubro, 2019

 

2848: Enorme impacto cósmico pode ter assolado a Terra há 12.800 anos

CIÊNCIA

Uma equipa de cientistas descobriu excesso de platina em material sedimentar extraído de depósitos de turfa localizados em Wonderkrater, Limpopo, na África do Sul, revelou uma nova investigação.

De acordo com um novo estudo, cujos resultados foram no início do mês de Outubro publicados na revista científica especializada Palaeontologia Africana, a presença deste elemento prova que a Terra sofreu um “impacto cósmico” há 12.800 anos.

Esta descoberta está em linha com a teoria que sustenta que o cometa Clovis impactou a Terra há quase 13 milénios, tendo este acontecimento dado início a uma fase de arrefecimento no final do Pleistoceno, entre 12.800 a 11.500 anos atrás.

Este impacto cósmico – que pode também ter sido causado por um asteróide ou outro qualquer objecto celeste – terá, segundo os cientistas, causado a extinção de muitas espécies de animais. O novo artigo refere mesmo “consequências a nível global”, destruição em massa e mudanças climáticas.

A platina analisada está, por norma, presente nos meteoritos e corresponderia ao período de tempo acima apontado. Por isso, a equipa de cientistas liderada por Francis Thackeray afirma que o impacto de “um objecto desintegrado suficientemente grande” poderia espalhar este elemento químico por todo o mundo.

Restos semelhantes foram já encontrados na América, Europa e Médio Oriente, mas esta é a primeira vez que há evidências deste evento na África.

“A nossa descoberta, pelo menos em parte, apoia a altamente controversa Hipótese de Impacto de Dryas Mais Jovens (YDIH)”, explicou o professor Francis Thackeray, da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, citado em comunicado.

“Precisamos explorar seriamente a visão de que um impacto de um asteróide em algum lugar da Terra pode ter causado mudanças climáticas à escala global e contribuído em certa medida para o processo de extinção de animais de grande porte no final do Pleistoceno, após a última era glacial”, defendeu.

Por sua vez, o geólogo norte-americano Allen West destaca a importância desta investigação, uma vez que esta aponta para “teve efeitos globais”. Outros cientistas há que discordam desta hipóteses, argumentando que há uma “discrepância” de dadas entre os diferentes locais já analisados.

ZAP //

Por ZAP
17 Outubro, 2019

 

2845: Neandertais ocuparam ilhas do Mediterrâneo dezenas de milhares de anos antes do que se pensava

CIÊNCIA

Cientistas descobriram provas de que a ilha de Naxos, na Grécia, já era habitada por neandertais há 200.000 anos, dezenas de milhares de anos antes do que se pensava até agora.

AFP / PIERRE ANDRIEU

Um estudo publicado hoje na revista Science Advances, apresenta conclusões de vários anos de escavações e põem em causa o que se pensava sobre as movimentações humanas na região, que era considerada inacessível para os homens de Neandertal (Homo neanderthalensis), espécie que coexistiu com os humanos modernos (Homo sapiens).

As novas descobertas levaram a que os investigadores reconsiderassem as rotas que a antiga espécie humana seguiu na disseminação da espécie de África para a Europa e demonstram a capacidade de adaptação dos neandertais a desafios ambientais.

“Até recentemente, essa parte do mundo era vista como irrelevante para os estudos com seres humanos, mas estes resultados obrigam-nos a repensar a história das ilhas do Mediterrâneo”, disse Tristan Carter, professor associado de Antropologia da Universidade McMaster, no Canadá, e principal autor do estudo, que contou com a participação de Dimitris Athanasoulis, chefe de Arqueologia do Cycladic Ephorate of Antiquities, do Ministério da Cultura da Grécia.

Embora se soubesse que os caçadores da Idade da Pedra viviam na Europa continental há mais de um milhão de anos, acreditava-se que as ilhas do Mediterrâneo só tinham sido colonizadas há 9.000 anos, por agricultores.

Os estudiosos acreditavam que o mar Egeu, que separava a Anatólia ocidental [Ásia menor] da Grécia continental, era intransponível para os neandertais, sendo a ponte terrestre da Trácia, no sudoeste da Europa, a única passagem.

As novas investigações sugerem agora que o mar Egeu era acessível muito antes do que se pensava. Em certos momentos da Idade do Gelo o mar era mais baixo, expondo uma rota terrestre entre os continentes, permitindo que as populações pré-históricas passassem a pé até Stelida, perto da ilha de Naxos, uma rota de migração alternativa que liga África à Europa.

Os investigadores consideram que a área teria sido atraente devido à abundância de matérias-primas para a construção de ferramentas e de água doce.

No entanto, “ao entrar nesta região, as novas populações teriam enfrentado um ambiente novo e desafiador, com diferentes animais, plantas e doenças, exigindo novas estratégias adaptativas”, disse Tristan Carter.

A equipa encontrou vestígios de actividade humana de 200.000 anos em Stelida, onde desenterrou várias ferramentas e armas de caça.

Os dados científicos recolhidos no local contribuem para o debate acerca da importância das rotas costeiras e marinhas para a disseminação das espécies humanas. Embora os dados sugiram que o mar Egeu tenha sido atravessado a pé, os autores também não descuram a hipótese de que os neandertais possam ter construído embarcações.

A investigação agora publicada faz parte do Projecto Arqueológico Stelida Naxos, colaboração que envolve vários investigadores que trabalham no local desde 2013.

sapo24
16 out 2019 19:16
MadreMedia / Lusa

 

2844: Pode ter sido encontrada (e ignorada) vida em Marte em 1976, defende antigo cientista da NASA

CIÊNCIA

Kevin Gill / Flickr

O antigo cientista da agência espacial norte-americana Gilbert V. Levin afirma que foram encontradas evidências de vida em Marte na década de 70. No entender do especialista, deviam ter sido levado a cabo mais investigações para compreender a verdadeira origem das evidências encontradas.

“Estou convencido de que encontramos evidências de vida em Marte na década de 1970”, afirmou Gilbert V. Levin, que foi o investigador principal de um procedimento experimental que era parte da missão Viking da NASA em Marte.

O procedimento em causa, o Labeled Release (LR), foi levado a cabo em 1970 e relatou resultados positivos de respiração microbiana em Marte, embora a maioria dos cientistas os tenha descartado como um produto de reacções químicas inorgânicas.

Em Julho de 1976, o LR devolveu os seus resultados iniciais de Marte. Surpreendente, os resultados foram positivos. Duas sondas – Viking 1 e 2 – pousaram a uma distância de 6 mil quilómetros uma da outra no Planeta Vermelha e ambas enviaram quatro respostas com base em cinco variáveis, tendo os dados indicado a detecção de respiração microbiana.

As curvas de dados provenientes de Marte eram semelhantes àquelas produzidas por testes da LR em solos na Terra, sustenta o antigo cientista da NASA num novo artigo publicado esta semana na revista Scientific American.

“Parecia que tínhamos respondido à última pergunta”, diz Gilbert V. Levin.

Contudo, quando o Procedimento de Análise Molecular da missão Viking não consegui detectar matéria orgânica, que é essencial para a vida, a NASA concluiu que o LR tinha encontrado uma substância que imitava vida e não a vida em si.

Inexplicavelmente, lamenta Levi, nos 43 anos seguinte a Viking, nenhuma das missões posteriores da NASA em Marte carregava um instrumento de detecção de vida para rastrear estes resultados da década de 70. “Em vez disso, a NASA lançou uma série de missões para determinar se havia um habitat adequado para a vida e, se assim for, para trazer amostras para a Terra para exame biológico”.

Matéria orgânica marciana não foi bem estudada

O ex-cientista da NASA aponta ainda que, apesar de a agência definir a procura por vida alienígena como uma das suas “maiores prioridades”, uma vez que qualquer vida microbiana em Marte poderia potencialmente ameaçar os astronautas enviados ao planeta, bem como a população da Terra no regresso, a matéria orgânica do solo do Planeta Vermelha não foi devidamente estudada.

“Em resumo, temos: resultados positivos de um teste microbiológico amplamente utilizado; respostas de apoio de controlos fortes e variados; duplicação dos resultados de RL em cada um dos dois locais da Viking; replicação do experimento nos dois locais; e o fracasso, ao longo de 43 anos, de qualquer experimento ou teoria em fornecer uma explicação não biológica definitiva dos resultados da Viking LR “, disse Levin, argumentando que as evidências existentes ainda apontam para sinais de vida no Planeta Vermelho, levando assim a novas investigação.

“A NASA já anunciou que o seu módulo de aterragem da missão Mars 2020 não terá um teste de detecção de vida (…) De acordo com o protocolo científico bem estabelecido, acredito que deve ser feito um esforço para colocar procedimentos de detecção de vida no possível missão em Marte”, insistiu.

No entender de Levi, o estudo da matéria orgânica e a implementação destes sistemas de detecção podem, eventualmente, produzir “orientações importantes na procura do Santo Graal” da NASA, rematou o cientista.

ZAP //

Por ZAP
16 Outubro, 2019

 

2843: A Via Láctea roubou minúsculas galáxias à sua vizinha

CIÊNCIA

Chao Liu/National Astronomical Observatories, Chinese Academy of Sciences

Utilizando dados obtidos pelo Telescópio Gaia, os cientistas chegaram à conclusão que a Via Láctea “sequestrou” galáxias da Grande Nuvem de Magalhães, uma outra galáxia que a orbita.

No nosso Universo, a regra é orbitar: a Terra orbita o Sol, a Lua orbita a Terra e mais de 50 galáxias orbitam a Via Láctea, sendo a maior delas todas a famosa Grande Nuvem de Magalhães.

Agora, uma investigação acaba de indicar que, pelo menos, seis das galáxias que actualmente orbitam a Via Láctea costumavam orbitar a Grande Nuvem de Magalhães – até a nossa galáxia as ter roubado.

Uma equipa de astrónomos da Universidade da Califórnia, em Riverside, detalhou a nova descoberta num estudo publicado na Monthly Notices da Royal Astronomical Society e usou dados recolhidos pelo telescópio espacial Gaia.

Ao compararem os dados do Gaia sobre o movimento de galáxias próximas com poderosas simulações de formação galáctica, os cientistas identificaram quatro galáxias anãs ultra-leves e duas galáxias anãs clássicas que, segundo eles, orbitraram a Grande Nuvem de Magalhães, até terem sido roubadas pelo campo gravitacional da Via Láctea.

Segundo o Science Alert, estas novas informações fornecem-nos uma melhor compreensão da história da nossa galáxia e da formação galáctica no geral.

“Se tantas galáxias anãs vieram recentemente com a [Grande Nuvem de Magalhães], isso significa que as propriedades da população de satélites da Via Láctea, há apenas mil milhões de anos, eram radicalmente diferentes“, explicou a cientista Laura Sales em comunicado.

ZAP //

Por ZAP
16 Outubro, 2019

 

2842: Glaciares suíços perderam 10% do volume nos últimos cinco anos

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Os cerca de 4.000 glaciares alpinos, que fornecem água a milhões de pessoas, além de serem atracções turísticas, podem perder 90% do seu volume até ao fim do século se não se reduzirem as emissões de gases com efeito de estufa.

© REUTERS

Os glaciares suíços perderam 10% do volume nos últimos cinco anos, a maior redução em cem anos, alertou esta terça-feira a Academia Suíça das Ciências.

A Academia baseia-se nas medições feitas pelos peritos do painel inter-governamental para as alterações climáticas, que estudou a criosfera – gelos permanentes – em vinte glaciares.

Várias vagas de calor registadas durante o verão deste ano fizeram descer o gelo para “níveis recorde”, apesar de o inverno anterior ter sido marcado por um mês de Janeiro muito frio e chuvoso, sobretudo na vertente norte dos Alpes.

Em Abril e Maio, havia mais 20% a 40% de neve nos glaciares em relação aos valores médios, mas bastaram duas semanas no fim de Junho e fim de Julho para derreter o equivalente a todo o consumo anual de água potável na Suíça.

Segundo um estudo recente da Escola Politécnica Federal de Zurique, os cerca de 4.000 glaciares alpinos, que fornecem água a milhões de pessoas, além de serem atracções turísticas, podem perder 90% do seu volume até ao fim do século se não se reduzirem as emissões de gases de efeito de estufa responsáveis pelo aquecimento global.

Desde 1900 já desapareceram mais 500 glaciares na Suíça.

Diário de Notícias
Lusa
15 Outubro 2019 — 14:10

 

Via Láctea invade “contas bancárias” intergalácticas

CIÊNCIA

Esta ilustração mostra a reciclagem de gás da Via Láctea acima e por baixo do disco estelar. O Hubble observa as nuvens invisíveis de gás que sobem e descem com o seu instrumento COS (Cosmic Origins Spectrograph). A assinatura espectroscópica da luz de quasares de fundo que brilham através das nuvens fornece informações sobre o seu movimento. A luz do quasar tem um desvio para o vermelho em nuvens que se afastam do plano galáctico, enquanto a luz dos quasares que passa por gás que entra parece desviar-se para o azul. Esta diferenciação permite que o Hubble realize uma auditoria precisa do fluxo de entrada e do fluxo de saída do gás no halo da Via Láctea – revelando um excesso inesperado e até agora inexplicado de gás de entrada.
Crédito: NASA, ESA e D. Player (STScI)

A nossa Via Láctea é uma galáxia frugal. As super-novas e os violentos ventos estelares sopram gás para fora do disco galáctico, mas esse gás cai de volta para a Galáxia para formar novas gerações de estrelas. Num ambicioso esforço para determinar todo este processo de reciclagem, os astrónomos ficaram surpresos ao encontrar um excesso de gás recebido.

“Esperávamos encontrar um equilíbrio nas ‘contas’ da Via Láctea, um valor idêntico de entrada e de saída de gás, mas 10 anos de dados ultravioleta do Hubble mostraram que há mais coisas a entrar do que a sair,” disse o astrónomo Andrew Fox, do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland, autor principal do estudo a ser publicado na revista The Astrophysical Journal.

Fox disse que, por enquanto, a fonte do excesso de gás de entrada permanece um mistério.

Uma explicação possível é que o gás novo poderá estar a vir do meio intergaláctico. Mas Fox suspeita que a Via Láctea também esteja a “invadir” as “contas bancárias” do gás das suas pequenas galáxias satélites, usando a sua consideravelmente maior força gravitacional para desviar os seus recursos. Além disso, esta investigação, embora em toda a Galáxia, analisou apenas gás frio e o gás mais quente também poderá ter algum papel.

O novo estudo relata as melhores medições, até agora, da velocidade de entrada e saída de gás da Via Láctea. Antes deste estudo, os astrónomos sabiam que as reservas galácticas de gás são reabastecidas pelo fluxo de entrada e esgotadas pelo fluxo de saída, mas não sabiam as quantidades relativas do gás que entra em comparação com o gás que sai. O balanço entre estes dois processos é importante porque regula a formação de novas gerações de estrelas e planetas.

Os astrónomos realizaram esta investigação recolhendo observações de arquivo do COS (Cosmic Origins Spectrograph) do Hubble, que foi instalado no telescópio pelos astronautas em 2009 durante a sua última missão de manutenção. Os investigadores vasculharam os arquivos do Hubble, analisando 200 observações ultravioletas do halo difuso que rodeia o disco da nossa Galáxia. Os dados ultravioleta ao longo de uma década forneceram uma visão sem precedentes do fluxo de gás na Galáxia e permitiram o primeiro inventário a nível galáctico. As nuvens de gás do halo galáctico só são detectáveis no ultravioleta e o Hubble é especializado em recolher dados detalhados sobre o Universo ultravioleta.

“As observações originais do COS do Hubble foram obtidas para estudar o Universo muito além da nossa Galáxia, mas debruçámo-nos sobre eles e analisámos o gás da Via Láctea em primeiro plano. Temos que dar crédito ao arquivo do Hubble, pois podemos usar as mesmas observações tanto para o Universo próximo como para o Universo mais distante. A resolução do Hubble permite-nos estudar simultaneamente objectos celestes locais e remotos,” observou Rongmon Bordoloi, da Universidade Estatal da Carolina do Norte em Raleigh, co-autor do artigo científico.

Como as nuvens de gás são invisíveis, a equipa de Fox usou luz dos quasares de fundo para detectar estas nuvens e os seus movimentos. Os quasares, os núcleos de galáxias activas alimentadas por buracos negros famintos, brilham como faróis brilhantes a milhares de milhões de anos-luz. Quando a luz do quasar chega à Via Láctea, passa através das nuvens invisíveis.

O gás nas nuvens absorve certas frequências da luz, deixando impressões digitais reveladoras no espectro do quasar. Fox destacou a impressão digital do silício e usou-a para rastrear o gás em redor da Via Láctea. As nuvens de gás de saída e de entrada foram distinguidas graças ao efeito Doppler da luz que passava por elas – as nuvens que se aproximam são mais azuis e as nuvens que se afastam são mais vermelhas.

Actualmente, a Via Láctea é a única galáxia para a qual temos dados suficientes para fornecer uma contabilidade tão completa das entradas e saídas de gás.

“O estudo da nossa própria Galáxia, em detalhe, fornece a base para a compreensão de galáxias por todo o Universo, e percebemos que a nossa Galáxia é mais complicada do que imaginávamos,” disse Philipp Richter, da Universidade de Potsdam, na Alemanha, também co-autor do estudo.

Os estudos futuros vão explorar a fonte do excedente de gás de entrada, bem como se outras galáxias grandes se comportam do mesmo modo. Fox observou que agora existem observações suficientes pelo COS para realizar uma auditoria da galáxia de Andrómeda (M31), a galáxia grande mais próxima da Via Láctea.

Astronomia On-line
15 de Outubro de 2019

 

Para planetas recém-nascidos, os sistemas solares são naturalmente “à prova de bebés”

CIÊNCIA

Um jovem planeta num sistema à prova de bebé: os novos resultados mostram como um limite dentro do disco em torno de jovem estrela parecida com o Sol actua como uma barreira que impede que os planetas mergulhem na estrela.
Crédito: Departamento Gráfico do Instituto Max Planck para Astronomia

Simulações numéricas de um grupo de astrónomos liderado por Mario Flock do Instituto Max Planck para Astronomia, mostraram que os sistemas planetários jovens são naturalmente “à prova de bebés”: os mecanismos físicos combinam-se para impedir os jovens planetas nas regiões interiores de darem um mergulho fatal para a estrela. Processos similares também permitem que os planetas nasçam perto das estrelas – a partir de detritos presos numa região próxima da estrela. A investigação, publicada na revista Astronomy & Astrophysics, explica descobertas pelo Telescópio Espacial Kepler que mostram um grande número de super-Terras em órbita íntima das suas estrelas, nos limites da região à prova de bebé.

Quando uma criança nasce, os pais certificam-se que a sua casa é à prova de bebé, estabelecendo barreiras de segurança que mantêm a criança longe de áreas particularmente perigosas. Novas investigações sobre a formação planetária mostram que algo muito semelhante ocorre nos jovens sistemas planetários.

Os planetas formam-se em torno de uma jovem estrela, cercada por um disco de gás e poeira. Dentro deste disco proto-planetário, os grãos de poeira unem-se, ficando cada vez maiores. Após alguns milhões de anos, atingem alguns quilómetros em diâmetro. Neste ponto, a gravidade é forte o suficiente para unir estes objectos e assim formar planetas, objectos redondos, sólidos ou com um núcleo sólido, com diâmetros de alguns milhares de quilómetros ou mais.

Uma curiosa multidão no limite interior

Assim como crianças, os objectos sólidos num sistema planetário tão jovem tendem a mover-se em todas as direcções – não apenas em órbita da estrela, mas flutuando para fora e para dentro. Isto pode ser potencialmente fatal para planetas que já se encontrem relativamente próximos da estrela central.

Perto da estrela, encontraremos apenas planetas rochosos, com superfícies sólidas, semelhantes à nossa Terra. Os núcleos planetários só podem capturar e manter quantidades significativas de gás para se transformarem em gigantes gasosos muito mais longe da estrela quente. Mas o tipo mais simples de cálculo para o movimento de um planeta perto da estrela, no gás de um disco proto-planetário, mostra que um planeta deste tipo deverá flutuar continuamente para dentro, mergulhando na estrela numa escala de tempo inferior a um milhão de anos, muito menos do que a vida útil do disco.

Se fosse este o cenário completo, seria surpreendente que o satélite Kepler da NASA, que examinou estrelas parecidas com o Sol (dos tipos espectrais F, G e K), encontrasse algo completamente diferente: inúmeras estrelas têm as chamadas super-Terras em órbita íntima, planetas rochosos mais massivos do que a nossa própria Terra. Particularmente comuns são planetas com períodos de aproximadamente 12 dias, até períodos tão baixos quanto 10 dias. Para o nosso Sol, isso corresponderia a raios orbitais de mais ou menos 0,1 UA, apenas cerca de um-quarto do raio orbital de Mercúrio, o planeta mais próximo do nosso Sol.

Foi este o quebra-cabeças que Mario Flock, líder de grupo do Instituto Max Planck para Astronomia, decidiu resolver juntamente com colegas do JPL, da Universidade de Chicago e da Queen Mary University em Londres. Os investigadores envolvidos são especialistas em simular o ambiente complexo em que os planetas nascem, modelando os fluxos e as interacções de gás, poeira, campos magnéticos e planetas nos seus vários estágios percursores. Diante do aparente paradoxo das super-Terras íntimas vistas pelo Kepler, propuseram-se a simular em detalhe a formação planetária perto de estrelas parecidas com o Sol.

Um Sistema Solar à prova de bebés

Os seus resultados foram inequívocos e sugerem duas possíveis razões por trás da ocorrência comum de planetas em íntima órbita. A primeira é que, pelo menos para planetas rochosos com até 10 vezes a massa da Terra (“super-Terras” ou “mini-Neptunos”), estes sistemas estelares jovens são à prova de bebés.

A barreira de segurança que mantém os planetas jovens fora da zona de perigo funciona da seguinte maneira. Quanto mais perto estivermos da estrela, mais intensa a sua radiação estelar. Dentro do limite chamado frente de sublimação, a temperatura do disco sobe acima dos 1200 K e as partículas de poeira (silicatos) transformam-se em gás. O gás extremamente quente dentro dessa região torna-se muito turbulento. Esta turbulência transporta o gás em direcção à estrela a alta velocidade, adelgaçando no processo a região interna do disco.

À medida que uma jovem super-Terra viaja através do gás, é normalmente acompanhada por gás que também gira com o planeta num percurso orbital semelhante a uma ferradura. À medida que o planeta se move para dentro e atinge a frente de sublimação dos silicatos, as partículas de gás que se deslocam do gás mais fino para o gás mais denso fora dos limites dão um pequeno chuto ao planeta. Nesta situação, o gás exercerá uma influência (em termos físicos: um momento) ao planeta viajante e, crucialmente, devido ao salto na densidade, radialmente para fora. Desta forma, a fronteira serve como uma barreira de segurança, impedindo que os jovens planetas mergulhem na estrela. E a localização do limite para uma estrela tipo-Sol, conforme previsto pela simulação, corresponde ao limite inferior para períodos orbitais descobertos pelo Kepler. Como Mario Flock diz: “porque é que existem tantas super-Terras em órbita próxima, como o Kepler nos mostrou? Porque os jovens sistemas planetários têm uma barreira à prova de bebés integrada!”

Construção planetária na fronteira

Existe uma possibilidade alternativa: ao rastrear o movimento de objectos mais pequenos, com alguns milímetros ou centímetros de tamanho, os cientistas descobriram que estes seixos tendem a acumular-se bem atrás da frente de sublimação dos silicatos. Para que a pressão se equilibre directamente na fronteira, o gás fino na região de transição precisa de girar mais depressa do que o normal (já que deve haver um equilíbrio entre pressão e força centrífuga). Esta rotação do gás é mais rápida do que a velocidade orbital “Kepleriana” de uma partícula isolada em órbita da estrela por conta própria. Um seixo que entra nesta região de transição é forçado para este movimento superior à velocidade Kepleriana e é imediatamente ejectado novamente à medida que as forças centrífugas correspondentes o empurram para fora, como uma pequena criança num carrossel. Isto também contribui para a frequência de super-Terras em órbita próxima. As super-Terras formadas não são as únicas com uma barreira de segurança à prova de bebés. O facto de que objectos muito mais pequenos também têm fornece condições ideais para a formação de super-Terras naquele local!

Os resultados não foram uma surpresa completa para os investigadores. De facto, encontraram uma “armadilha” semelhante em modelos de estrelas muito mais massivas (“estrelas Herbig”), embora a uma distância muito maior. Os novos resultados estendem-se para estrelas parecidas com o Sol e acrescentam o mecanismo à prova de bebés para planetas recém-nascidos. Além disso, o novo artigo científico é o primeiro que fornece uma comparação com os dados estatísticos do telescópio espacial Kepler, tendo em cuidada consideração que o Kepler só poderia ver certos tipos de sistema (principalmente aqueles com o plano orbital visto quase de lado).

E o nosso próprio Sistema Solar?

Curiosamente, por estes critérios, o nosso próprio Sistema Solar também poderia ter abrigado um planeta semelhante à Terra mais perto do Sol do que o actual planeta mais interior, Mercúrio. Será o facto de não existir um planeta desse tipo um acaso estatístico, ou será que esse planeta realmente existiu, mas foi expulso do Sistema Solar? Esta é uma pergunta interessante para investigações adicionais. Mario Flock salienta: “O Sistema Solar não só era à prova de bebés, como é possível que o bebé assim protegido tenha ‘voado do ninho’!”

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15 de Outubro de 2019