2506: Altar de pedra com 2.800 anos confirma que uma guerra bíblica realmente aconteceu

CIÊNCIA

(dr) Adam Bean

Um altar de pedra inscrito com 2.800 anos de idade, encontrado dentro de um santuário moabita na antiga cidade de Ataroth, na Jordânia, pode dar mais informações sobre uma antiga guerra bíblica.

O altar tem duas inscrições. As palavras estão na língua moabita, enquanto os números nas inscrições estão em Hierático (um sistema de escrita egípcio). O altar parece datar a um tempo após Mesha, rei de Moab, se ter rebelado com sucesso contra o reino de Israel e conquistou Ataroth, uma cidade que o reino de Israel tinha controlado.

Nessa altura, Israel estava dividida em duas, com um reino do norte que mantinha o nome de Israel e um reino do sul chamado Judá.

A Bíblia hebraica menciona a rebelião, dizendo que antes de Mesha se rebelar, Moab tinha que dar a Israel um tributo anual de milhares de cordeiros e uma vasta quantidade de lã de carneiro. A rebelião também é descrita na chamada estela Mesha, descoberta em 1868 em Dhiban, na Jordânia, que afirma que Mesha conquistou Ataroth e matou muitos dos habitantes da cidade.

O altar foi descoberto enquanto o santuário estava a ser escavado, em 2010. O altar e o santuário foram descritos recentemente na revista Levant.

Uma das duas inscrições escritas no altar parece descrever o bronze que foi saqueado após a captura de Ataroth. “Pode-se especular que quantidades de bronze saqueadas da cidade conquistada de Ataroth foram apresentadas como ofertas no santuário e registadas neste altar”, escreveram os investigadores no artigo.

A segunda inscrição no altar é fragmentária e difícil de entender. Parte parece dizer que “4.000 homens estrangeiros foram dispersos e abandonados em grande número”, enquanto outra parte da inscrição menciona “a cidade desolada”.

“Ainda não há muita clareza sobre esta inscrição”, escreveram os arqueólogos, observando que a inscrição pode falar de eventos ocorridos durante a rebelião de Mesha contra Israel e a captura de Ataroth.

Substâncias perfumadas como incenso, madeiras aromáticas e óleos teriam sido queimadas no altar, disse o autor Adam Bean, do Departamento de Estudos do Oriente Próximo da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore.

O altar fornece a confirmação de que os moabitas conseguiram conquistar Ataroth, explicou o co-autor Christopher Rollston, professor de línguas semíticas e literaturas do noroeste da Universidade George Washington em Washington, D.C.

O altar também mostra que, há 2.800 anos, os moabitas tinham escribas habilidosos. As inscrições no altar “são as primeiras evidências que temos até agora para uma escrita moabita distinta”, disse Rollston à Live Science, observando que a inscrição descoberta em 1868 usava a escrita hebraica para escrever a língua moabita.

“Muitas vezes falamos sobre a sofisticação da educação dos escribas do antigo Israel, e com razão, [mas as inscrições no altar mostram] que a antiga Moabe tinha alguns escribas talentosos”, disse Rollston.

Hoje, Ataroth é chamado Khirbat Ataruz. As escavações no local são conduzidas por Chang-Ho Ji, que é reitor de educação na Universidade La Sierra, em Riverside, Califórnia.

ZAP //

Por ZAP
24 Agosto, 2019

 

2505: Os extraterrestres podem brilhar no escuro (e é assim que os podemos encontrar)

CIÊNCIA

KELLEPICS / pixabay

Formas de vida extraterrestre podem brilhar em vermelho, azul e verde para se protegerem de explosões estelares de radiação ultravioleta. E essa luz brilhante pode ser a chave para os encontrarmos.

A maioria dos exoplanetas potencialmente habitáveis que conhecemos orbitam anãs vermelhas – o tipo mais comum de estrela na nossa galáxia e as menores estrelas do universo. Anãs vermelhas, como Proxima Centauri ou TRAPPIST-1, estão na vanguarda da busca pela vida.

Mas se a vida extraterrestre existe nesses planetas, têm um grande problema. Anãs vermelhas geralmente inflamam, ou emitem uma explosão de radiação UV que pode prejudicar a vida nos planetas em redor dela.

“Muitos dos planetas potencialmente próximos e habitáveis que estamos a começar a encontrar provavelmente são mundos de alta radiação ultravioleta“, disse o principal autor do estudo, Jack O’Malley-James, investigador associado do Centro Cornell de Astrofísica e Ciência Planetária. “Estávamos a tentar pensar em maneiras com as quais a vida poderia lidar com os altos níveis de radiação UV que esperamos em planetas que orbitam estrelas anãs vermelhas”.

Organismos no nosso próprio planeta protegem-se da radiação UV de várias maneiras: vier no subsolo, viver debaixo de água ou usar pigmentos que os protegem o sol. Mas há uma maneira com a qual a vida na Terra lida com a radiação ultravioleta que também tornaria a vida extraterrestre mais fácil de detectar – a biofluorescência.

Certos corais no nosso planeta protegem-se dos raios UV do sol brilhando. As suas células geralmente contêm uma proteína ou pigmento que, uma vez exposta à luz ultravioleta, pode absorver parte da energia de cada fotão, fazendo com que se desloque para um comprimento de onda mais longo e seguro. Por exemplo, alguns corais podem converter luz UV invisível em luz verde visível.

O’Malley-James e a sua equipa analisaram a fluorescência produzida por pigmentos de coral e proteínas e usaram-na para modelar os tipos de luz que poderiam ser emitidos pela vida em planetas em órbita vermelha. Descobriu-se que um planeta sem nuvens e coberto de criaturas fluorescentes poderia produzir uma mudança temporária no brilho que é potencialmente detectável.

Além disso, como as anãs vermelhas não são tão brilhantes como o nosso sol, não mascaram essas marcas biológicas.

Mas “para termos uma hipótese de detectar a biofluorescência num planeta, uma grande parte do planeta teria de estar coberta por quaisquer criaturas fluorescentes“, disse O’Malley-James. Além disso, ainda não temos telescópios suficientemente fortes para detectar um planeta onde cada centímetro da sua superfície esteja coberto por criaturas brilhantes.

Mas a próxima geração de telescópios, como o European Extremely Large Telescope, pode detectar esses vislumbres da vida. Mesmo com esses telescópios os exoplanetas seriam apenas leves aberturas de luz, mas os instrumentos poderiam descodificar a quantidade de luz vermelha, verde ou infravermelha emitida. Se organismos extraterrestres brilharem verdes, por exemplo, a quantidade de luz verde durante um surto aumentaria. Ainda assim, o brilho precisaria ser “muito brilhante” para detectá-lo.

“Não vemos fluorescência tão forte na Terra porque não temos níveis tão altos de UV na superfície.” O novo estudo, publicado este mês na revista especializada Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, também supõe que a vida em planetas que orbitam anãs vermelhas teria desenvolvido uma fluorescência muito brilhante ao longo de milhões de anos.

Um possível próximo passo seria expor a vida biofluorescente na Terra à luz UV em laboratório e ver se esse tipo de evolução ocorre em pequena escala. Se acontecer, as próximas gerações de organismos irão brilhar mais intensamente. “Um próximo passo a longo prazo seria começar a procurar a biofluorescência noutros mundos.”

Se um dia pudermos viajar para um desses planetas brilhantes, seria “muito interessante de ver”, disse. Pairando numa nave espacial, veríamos o que parecia ser “uma aurora boreal super-carregada a cobrir a superfície do planeta”.

ZAP //

Por ZAP
24 Agosto, 2019

 

2504: Nova espécie de dinossauro carnívoro identificada na Península Ibérica

CIÊNCIA

(CC0/PD) pxhere

Uma nova espécie de dinossauro carnívoro foi identificada na província de Castellon, em Espanha, o primeiro representante do grupo na Península Ibérica a que deram o nome de Vallibonavenatrix cani.

A espécie habitou a Península Ibérica há 125 milhões de anos e segundo um comunicado divulgado esta quinta-feira pela equipa que a identificou “é o primeiro representante do grupo de dinossáurios espinossaurídeos descrito no registo fóssil ibérico”.

A descrição da nova espécie de dinossauro terópodes foi publicada recentemente na revista Cretaceous Research, tendo o estudo sido liderado por Elisabete Malafaia, do Instituto Dom Luiz da Faculdade de Ciência da Universidade de Lisboa e investigadora do Grupo de Biologia Evolutiva da Universidad Nacional de Educación a Distancia (GBE-UNED), de Espanha, em colaboração com outros investigadores da UNED e da Universidade Autónoma de Madrid.

Os fósseis que permitiram a identificação da espécie são provenientes de rochas do Cretácico Inferior da localidade de Santa Águeda, em Vallibona (província de Castellón, Espanha). Foram descobertos no início da década de 1990 por Juan Cano Forner.

O nome da nova espécie é composto por ‘Vallibonavenatrix’, que significa “a caçadora de Vallibona” e ‘cani’ em homenagem a Juan Cano Forner.

A espécie pertence ao grupo dos dinossauros carnívoros que se caracteriza por um crânio e dentes que têm semelhança com os crocodilos e pelas espinhas neurais altas em algumas das vértebras.

ZAP // Lusa

Por Lusa
23 Agosto, 2019

 

2502: Exoplaneta rochoso e do tamanho da Terra não tem atmosfera

Esta impressão de artista mostra o exoplaneta LHS 3844b, com 1,3 vezes a massa da Terra e em órbita de uma estrela anã M. De acordo com observações pelo Telescópio Espacial Spitzer da NASA, a superfície do planeta pode estar coberta sobretudo por rocha vulcânica escura, sem nenhuma atmosfera aparente.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/R. Hurt (IPAC)

Um novo estudo usando dados do Telescópio Espacial Spitzer da NASA fornece um raro vislumbre das condições à superfície de um planeta rochoso que orbita uma outra estrela que não o Sol. O estudo, publicado esta semana na revista Nature, mostra que a superfície do planeta poderá ser semelhante à da Lua ou à de Mercúrio: o planeta provavelmente tem pouca ou nenhuma atmosfera e pode estar coberto pelo mesmo material vulcânico refrigerado encontrado nas áreas escuras da superfície da Lua, chamadas mares.

Descoberto em 2018 pela missão TESS (Transiting Exoplanet Satellite Survey) da NASA, o planeta LHS 3844b está localizado a 48,6 anos-luz da Terra e tem 1,3 vezes o raio da Terra. Orbita uma estrela pequena e fria, chamada anã M – especialmente interessante porque, dado que é o tipo estelar mais comum e duradouro da Via Láctea, as anãs M podem albergar uma alta percentagem do número total de planetas da nossa Galáxia.

O TESS encontrou o planeta através do método de trânsito, que envolve a detecção de quando a luz observada de uma estrela-mãe escurece por causa de um planeta que orbita entre a estrela e a Terra. A detecção da luz vinda directamente da superfície do planeta – outro método – é difícil porque a estrela é muito mais brilhante e abafa a luz do planeta.

Mas durante observações de acompanhamento, o Spitzer foi capaz de detectar a luz da superfície de LHS 3844b. O planeta completa uma órbita em torno da sua estrela hospedeira em apenas 11 horas. Com uma órbita tão íntima, LHS 3844b tem muito provavelmente “bloqueio de marés”, ou seja, um lado do planeta está permanentemente virado para a estrela. O lado diurno tem uma temperatura de aproximadamente 170º C. Sendo extremamente quente, o planeta irradia muita luz infravermelha e o Spitzer é um telescópio infravermelho. A estrela-mãe do planeta é relativamente fria (embora ainda seja muito mais quente do que o planeta), o que faz com que a observação directa do lado diurno de LHS 3844b seja possível.

Esta observação assinala a primeira vez que os dados do Spitzer foram capazes de fornecer informações sobre a atmosfera de um mundo terrestre em torno de uma anã M.

A busca pela vida

Ao medir as diferenças de temperatura entre o lado quente e o lado frio do planeta, a equipa descobriu que existe uma quantidade insignificante de calor sendo transferido entre os dois. Se existisse uma atmosfera, o ar quente do lado diurno expandir-se-ia naturalmente, produzindo ventos que transferiam calor em redor do planeta. Num mundo rochoso com pouca ou nenhuma atmosfera, como a Lua, não existe ar para transferir calor.

“O contraste de temperatura neste planeta é quase tão grande quanto possível,” disse Laura Kreidberg, investigadora do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica em Cambridge, no estado norte-americano de Massachusetts, autora principal do novo estudo. “Isto combina maravilhosamente com o nosso modelo de um planeta rochoso sem atmosfera.”

A compreensão dos factores que podem preservar ou destruir atmosferas planetárias é parte de como os cientistas planeiam procurar ambientes habitáveis para lá do nosso Sistema Solar. A atmosfera da Terra é a razão pela qual a água líquida pode existir à superfície, permitindo que a vida prospere. Por outro lado, a pressão atmosférica de Marte é agora inferior a 1% da da Terra e os oceanos e rios que outrora polvilharam a superfície do Planeta Vermelho desapareceram.

“Nós temos muitas teorias sobre o comportamento das atmosferas planetárias em torno de anãs M, mas não temos conseguido estudá-las empiricamente,” disse Kreidberg. “Agora, com LHS 3844b, temos um planeta terrestre fora do nosso Sistema Solar onde, pela primeira vez, podemos determinar observacionalmente que uma atmosfera não está presente.”

Em comparação com estrelas parecidas com o Sol, as anãs M emitem altos níveis de radiação ultravioleta (embora menos luz no geral), o que é prejudicial à vida e pode erodir a atmosfera de um planeta. São particularmente violentas na sua juventude, expelindo um grande número de proeminências, ou surtos de radiação e partículas que podem arrancar as atmosferas planetárias em desenvolvimento.

As observações do Spitzer descartam uma atmosfera com mais de 10 vezes a pressão da da Terra (medida em bares, a pressão atmosférica da Terra, ao nível do mar, ronda 1 bar). Uma atmosfera entre 1 e 10 bares, em LHS 3844b, foi também quase totalmente descartada, embora os autores notem que poderá haver uma pequena chance de existir caso algumas propriedades estelares e planetárias satisfaçam determinados critérios muito específicos e improváveis. Eles também argumentam que, com o planeta tão perto da estrela, uma atmosfera fina seria arrancada pela intensa radiação e pelo fluxo da estrela (frequentemente chamado “vento estelar”).

“Ainda estou esperançosa que outros planetas em torno de anãs M consigam segurar as suas atmosferas,” disse Kreidberg. “Os planetas terrestres no nosso Sistema Solar são extremamente diversos e espero que o mesmo seja verdadeiro para os sistemas exoplanetários.”

Uma rocha despida

O Spitzer e o Telescópio Espacial Hubble já reuniram informações sobre as atmosferas de vários planetas gasosos, mas LHS 3844b parece ser o mais pequeno para o qual os cientistas usaram a luz vinda da sua superfície para aprender mais sobre a sua atmosfera (ou falta dela). O Spitzer usou anteriormente o método de trânsito para estudar os sete mundos rochosos em torno da estrela TRAPPIST-1 (também uma anã M) e para aprender mais sobre a sua possível composição geral; por exemplo, alguns provavelmente contêm água gelada.

Os autores do novo estudo deram um passo em frente, usando o albedo da superfície de LHS 3844b (a sua reflectividade) para tentar inferir a sua composição.

O estudo publicado na Nature mostra que LHS 3844b é “bastante escuro”, de acordo com o co-autor Renyu Hu, cientista do JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, que administra o Telescópio Espacial Spitzer. Ele e os seus co-autores pensam que o planeta está coberto por basalto, um tipo de rocha vulcânica. “Sabemos que os mares da Lua são formados por vulcanismo antigo,” explicou Hu, “e postulamos que isso pode ter sido o que aconteceu neste planeta.”

Astronomia On-line
23 de Agosto de 2019

 

2501: Cientistas detectaram um buraco negro a engolir uma estrela de neutrões

Impressão de artista de um buraco negro prestes a engolir uma estrela de neutrões.
Crédito: Karl Knox, OzGrav

Cientistas dizem ter detectado, pela primeira vez, um buraco negro a engolir uma estrela de neutrões.

As estrelas de neutrões e os buracos negros são remanescentes super-densos de estrelas mortas.

Na quarta-feira, 14 de Agosto de 2019, instrumentos de ondas gravitacionais nos EUA e na Itália detectaram ondulações no espaço-tempo de um evento cataclísmico que ocorreu a 900 milhões de anos-luz da Terra.

A professora Susan Scott, membro da equipa e da Escola de Física da Universidade Nacional Australiana (ANU, “Australian National University”), disse que esta conquista completou o trio de observações da equipa presente na sua lista original, que inclui a fusão de dois buracos negros e a colisão de duas estrelas de neutrões.

“Há cerca de 900 milhões de anos, este buraco negro comeu uma estrela muito densa, conhecida como estrela de neutrões – possivelmente extinguindo a estrela instantaneamente,” disse Scott, líder do Grupo de Teoria Geral da Relatividade e Análise de Dados, da mesma instituição de ensino, e do Centro ARC de Excelência para Descoberta de Ondas Gravitacionais (OzGrav).

“O telescópio SkyMapper da ANU respondeu ao alerta de detecção e estudou toda a provável região do espaço onde o evento ocorreu, mas não encontrámos nenhuma confirmação visual.”

Os cientistas ainda estão a analisar os dados para confirmar o tamanho exacto dos dois objectos, mas as descobertas iniciais indicam uma grande probabilidade de um buraco negro ter engolido uma estrela de neutrões. Espera-se que os resultados finais sejam publicados em revistas científicas.

“Os cientistas nunca detectaram um buraco negro menor que cinco massas solares ou uma estrela de neutrões maior que 2,5 vezes a massa do nosso Sol,” acrescentou a professora Scott.

“Com base nesta experiência, estamos muito confiantes de que acabámos de detectar um buraco negro a engolir uma estrela de neutrões.

“No entanto, existe a pequena mas intrigante possibilidade de que o objecto engolido foi, ao invés, um buraco negro muito leve – muito mais leve do que qualquer outro buraco negro que conhecemos no Universo. Isso seria um prémio de consolação verdadeiramente incrível.”

A ANU é a parceira australiana do LIGO (Advanced Laser Interferometer Gravitational-wave Observatory), o instrumento científico mais sensível já construído e que consiste de detectores duplos nos EUA.

O Observatório Gravitacional Europeu tem um detetor de ondas gravitacionais na Itália, de nome Virgo.

Astronomia On-line
23 de Agosto de 2019

 

2500: Ferramentas de pedra com 45 mil anos descobertas na Mongólia

CIÊNCIA

Nicolas Zwyns / University of California

Uma colecção de artefactos de pedra descobertos no sítio arqueológico de Tolbor-16, na Mongólia, provam que o Homo sapiens viajou pela Eurásia cerca de dez mil anos antes do que se pensava.

O Homo sapiens moderno viajou pela Eurásia há 45 mil anos, cerca de dez mil antes do que anteriormente os especialistas pensavam. As escavações em Tolbor-16, na Mongólia, trouxeram à tona 826 ferramentas de pedra que dão provas sólidas de ocupação humana nessa zona.

“O sítio arqueológico aponta para um novo local onde os humanos modernos podem ter encontrado pela primeira vez os seus misteriosos primos, os Denisovanos“, disse Nicolas Zwyns, investigador da Universidade da Califórnia e autor do estudo publicado, na semana passada, na revista Scientific Reports.

“Com lâminas longas e regulares, as ferramentas assemelham-se às encontradas em outros locais na Sibéria e no noroeste da China — o que indica uma dispersão em larga escala de seres humanos por toda a região”, explicou Zwyns. Objectos como estes já tinham sido encontrados na Sibéria, mas não com este grau de estandardização.

O arqueólogo belga também se mostrou intrigado com esse aspecto, realçando que as ferramentas foram “produzidas de uma forma complicada, mas sistemática”. O investigador notou ainda uma espécie de assinatura típica dos artefactos que mostram pertencer todos a um mesmo grupo com um conhecimento técnico e cultural em comum.

Nicolas Zwyns / University of California
Algumas das ferramentas encontradas em Tolbor-16.

Segundo o Sci-News, a tecnologia usada nas ferramentas levou os arqueólogos a excluir que tenham sido neandertais ou denisovanos a ocupar o espaço.

“Embora não tenhamos encontrado restos humanos no local, as datas que obtivemos correspondem à idade dos primeiros Homo sapiens encontrados na Sibéria”, disse Zwyns. “Depois de considerar cuidadosamente outras opções, sugerimos que essa mudança na tecnologia ilustra os movimentos do Homo sapiens na região“, acrescentou.

A datação das ferramentas coincide com as previsões do primeiro encontro entre o Homo sapiens e os denisovanos. “Embora ainda não saibamos onde se encontraram, parece que os denisovanos transmitiram genes que mais tarde ajudaram o Homo sapiens a estabelecer-se em altitudes elevadas e a sobreviver à hipóxia no Tibete”, explicou Zwyns.

Evidências do solo da região sugerem também que, durante um período, o clima ficou mais quente e húmido na Mongólia, passando de uma região fria e seca para um clima mais propenso a animais e humanos. Zwyns encontrou também fragmentos de ossos que confirmam a presença de animais de pasto.

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23 Agosto, 2019

 

2499: Pela primeira vez, astrónomos encontraram um exoplaneta sem atmosfera

CIÊNCIA

Hubble / ESA

Nos últimos anos, investigadores descobriram um tesouro de planetas rochosos que orbitam anãs vermelhas, pequenas estrelas com um raio 60% menor que o nosso Sol.

Apesar do seu tamanho, estas estrelas são muito activas – tanto que muitos acreditam que os planetas em redor delas podem ter dificuldades em manter uma atmosfera. Agora, uma nova investigação publicada na revista especializada Nature reforça essa ideia.

Uma equipa de astrónomos liderada por Harvard analisou 100 horas de observações do exoplaneta LHS 3844b para identificar sinais de uma atmosfera. Os cientistas descartaram uma atmosfera densa – 10 vezes da que temos na Terra – e uma atmosfera menos densa. O modelo que melhor se ajusta aos dados é um planeta rochoso estéril, semelhante ao Mercúrio, mas com um dia mais quente com cerca de 770°C de temperatura.

“Esta é a primeira vez que conseguimos dizer conclusivamente se um exoplaneta terrestre tem uma atmosfera ou não”, disse a principal autora do estudo, Laura Kreidberg, do Clay for the Center for Astrophysics, de Harvard e Smithsonian, disse à IFLScience.

O planeta tem um raio de cerca de 1,3 vezes o da própria Terra e orbita uma anã vermelha chamada LHS 3844, localizada a 48 anos-luz de distância, na constelação de Indus no céu do sul. Foi um dos primeiros exoplanetas descobertos pela Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS) da NASA, depois de lançado no ano passado.

O planeta orbita a estrela em 11 horas, a apenas 10 milhões de quilómetros de distância dela. Isto é cerca de 7% da distância entre a Terra e o Sol. Mesmo que a sua estrela seja muito mais fraca do que o nosso Sol, recebe muito mais radiação.

A questão agora é se esta nova investigação é aplicável a planetas semelhantes no tamanho da Terra, como Proxima b ou os planetas TRAPPIST-1, que foram descobertos nos últimos anos. Estes planetas estão mais longe das suas estrelas do que o LHS 3844b. Por serem menos irradiados, podem conseguir manter a sua atmosfera contra a erosão do vento estelar.

“É difícil generalizar a partir de uma amostra de um. Eu diria que o nosso resultado confirma previsões teóricas de que os planetas terrestres quentes em torno dos M-anões têm dificuldade em manter as suas atmosferas”, explicou Kreidberg. “Precisamos de fazer essa medição em mais planetas, por isso podemos aproveitar o grande tamanho da amostra de exoplanetas para avaliar com que frequência e sob quais circunstâncias mantêm as suas atmosferas”.

O estudo da falta de atmosfera deste planeta foi realizado com o observatório infravermelho da NASA Spitzer, cuja missão está prestes a terminar.

O seu avançado substituto, o Telescópio Espacial James Webb (JWST), estará no espaço em 2021. Estimativas recentes sugerem que a excelente capacidade do JWST levará a observações rápidas de atmosferas do planeta do tamanho da Terra. Um estudo também sugere que pode ser capaz de caracterizar todas as atmosferas dos sete planetas no sistema TRAPPIST-1 em apenas um ano.

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23 Agosto, 2019

 

2498: O desaparecimento de metano em Marte foi resolvido. Mas ainda há perguntas por responder

CIÊNCIA

ATG Medialab / ESA

Cientistas planetários têm estudado aparentes discrepâncias entre as concentrações de metano registadas pelo Curiosity Rover e pelo ExoMars Trace Gas Orbiter.

Supunha-se que alguém deveria estar errado, mas havia um forte desentendimento sobre qual. Uma nova investigação mostra que ambas as leituras estavam certas e as diferenças representavam o tempo das suas medições.

Este é um passo necessário para descobrir se o metano é um subproduto da vida ou o resultado de algum processo geológico. A sonda Curiosity tem registado picos de concentração de metano há anos.

Na Terra, o metano é frequentemente – mas nem sempre – um subproduto de microrganismos metanogénicos, de modo que estes picos despertaram grande excitação. No entanto, quando o Orbiter não gravou a mesma coisa, surgiram especulações de que o detector tinha algum defeito. Havia até uma teoria de que a Curiosity estava a libertar o metano que estava a registar.

No entanto, John Moores, da Universidade York do Canadá, observou que as amostras da Curiosity foram tiradas a meio da noite, enquanto o ExoMars mediu à luz do dia, e perguntou-se se havia um padrão diário, além do ciclo anual previamente identificado. Moores persuadiu a equipa Curiosity a fazer leituras pouco antes do amanhecer e demonstrou que o seu palpite estava certo.

Num artigo publicado na revista especializada Geophysical Research Letters, Moores e Penny King, da Universidade Nacional Australiana, reuniram as observações. King explicou à IFLScience que durante a convecção de Marte o dia faz com que o ar suba e a atmosfera se expanda, antes de se contrair novamente à noite.

“A atmosfera da Terra faz o mesmo”, acrescentou, “mas num grau muito menor”. Esse fenómeno era bem conhecido, mas ninguém o ligou às medições de metano.

O encolhimento atmosférico nocturno concentra a pequena quantidade de metano presente na atmosfera de Marte, perto do solo onde a Curiosity a colhe, explicando as suas leituras mais altas.

A Curiosity fez as medições à noite porque muitas das suas outras funções só funcionam durante o dia, por isso os processos que podem acontecer a qualquer momento são desviados para as horas na escuridão para evitar interferências.

Moores e King usaram os dados combinados dos dois conjuntos de medições para calcular que a Cratera Gale, que a Curiosity está a explorar, está a libertar 2,8 quilos de metano todos os dias de Marte. Dado o diâmetro de 154 quilómetros de Gale, essa é uma quantidade pequena – mas significativa – na fina atmosfera marciana.

Quanto ao que está por trás do metano, isso permanece um mistério. “Alguns micróbios da Terra podem sobreviver sem oxigénio, no subsolo e libertar metano como parte dos seus resíduos”, disse King em comunicado. “O metano em Marte tem outras fontes possíveis, como reacções de rochas aquáticas ou materiais em decomposição que contém metano.”

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23 Agosto, 2019

 

2497: Há um misterioso reservatório de metano debaixo do oceano

CIÊNCIA

(CC0/PD) Mariamichelle / pixabay

Cientistas descobriram evidências de um enorme reservatório distribuído de metano formado por reacções químicas no fundo do oceano.

Há séculos que se sabe que há metano abiótico – criado em reacções que não envolvem matéria orgânica ou criaturas vivas – enterrado no leito do mar, que é libertado através de aberturas nas profundezas. No entanto, as origens do gás neste ambiente subaquático ainda não foram totalmente compreendidas.

“Identificar uma fonte abiótica de metano do fundo do mar tem sido um problema com o qual estamos a lutar há muitos anos”, disse, em comunicado, o geoquímico marinho Jeffrey Seewald, do Instituto Oceanográfico Woods Hole (WHOI). “Aqui está uma fonte de energia química que está a ser criada pela geologia.”

Num novo estudo publicado este mês na revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences, Seewald e outros investigadores da WHOI analisaram amostras de rocha do manto superior da Terra e crosta oceânica inferior recolhidas do oceano: 160 pedaços de rocha no total, provenientes de numerosas cristas oceânicas, juntamente com zonas de sub-ducção e secções erguidas da crosta oceânica chamadas ofiolitos.

Em quase todos os locais de mar profundo amostrados, as técnicas de espectroscopia e microscopia revelaram que as rochas continham bolsões de metano, muitas vezes juntamente com hidrogénio.

Quanto ao modo como o metano é produzido, os cientistas dizem que isto acontece quando a água do mar, movendo-se lentamente através da crosta oceânica profunda, fica aprisionada dentro do mineral quente formador de rocha chamado olivina – o principal componente do manto superior da Terra.

Com o tempo, o mineral começa a arrefecer. Quando isso acontece, a água armazenada dentro das “inclusões fluidas” dentro da rocha passa por uma reacção química chamada serpentinização, que acaba por produzir metano e hidrogénio.

Uma vez formados, o metano e o hidrogénio podem permanecer selados dentro da rocha “em escalas de tempo geológicas até serem extraídos por dissolução ou fractura do hospedeiro olivina”.

Sabe-se que o metano existe noutras partes do Sistema Solar e as novas descobertas ajudam a explicar como pode persistir, mesmo na ausência de água líquida ou actividade hidrotérmica.

“Como as inclusões fluidas se podem formar em rochas ricas em olivina que interagem com a água em corpos celestes noutras partes do Sistema Solar, a sua formação pode ter implicações importantes na manutenção da vida microbiana além da Terra”, observam os autores, notando que a eventual ventilação ou fuga dessas fontes de combustível das rochas poderia potencialmente sustentar formas de vida.

Na Terra, é possível que este ciclo de produção e libertação química possa ter sido um factor importante na sobrevivência de organismos terrestres oceânicos. Segundo os cientistas, o processo deverá estar “ocorrer desde o início das placas tectónicas” e “pode ter apoiado os ecossistemas microbianos dentro de diversos ambientes geológicos”.

A equipa reconhece que a explicação de como a massiva distribuição de metano surgiu é especulativa. A origem dos fluidos aprisionados não pode ser determinada de forma inequívoca, mas notam que a detecção de outros químicos dentro das rochas é “consistente com um fluido de fonte semelhante à água do mar“.

A equipa estima que os depósitos oceânicos no total excedam a quantidade de metano na atmosfera da Terra antes da era industrial.

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23 Agosto, 2019

 

2493: Há uma piscina natural no meio do deserto mais quente do mundo

Um casal a viajar pela Etiópia aventurou-se no deserto e experimentou nadar numa piscina natural num dos lugares mais quentes do planeta.

A neozelandesa Bridget Thackwray e o namorado, Topher Richwhite formam a Expedition Earth, a dupla que viaja pelo mundo a bordo de um jipe (baptizado de Gunther) e visita os lugares mais belos e remotos do planeta.

A dupla visitou a depressão de Danakil, na Etiópia, que é um dos lugares mais quentes do planeta. A área é salpicada de desertos e fontes termais. Bridget foi filmada a dar um mergulho numa piscina natural no meio de um imenso deserto de sal.

Bridget, citada pelo Daily Mail, explicou que “a depressão de Danakil é um dos locais mais quentes e mais baixos do planeta. A piscina estava a 127 metros abaixo do nível do mar e era muito, muito salgada”.

Diz-se que o deserto de Danakil, no Corno de África, é o local mais parecido na Terra para a vida extraterrestre. As suas altas temperaturas, que durante o dia excedem 50ºC, e as altas concentrações de enxofre e sal que brotam da terra, tornam a área da depressão de Afar na Etiópia num lugar inóspito onde apenas os turistas mais intrépidos se atrevem a entrar.

A Depressão Danakil foi formada pela divergência de três placas tectónicas no Corno da África. É conhecido como “o berço da humanidade” após a descoberta de um fóssil do hominídeo mais antigo já encontrado – chamado Lucy – que remonta a 3,2 milhões de anos.

O que caracteriza a paisagem do deserto de Danakil é o vulcão Dallol, uma cratera localizada a 45 metros abaixo do nível do mar e cujas correntes crescentes criam fontes de enxofre e sal.

Os turistas que se atrevem a entrar nesta área perigosa devido à situação política na Etiópia vai descobrir uma paisagem impressionante onde a areia do deserto é substituída pelas fontes de enxofre e minerais que dão tons amarelos, verdes ou brancos ao terreno.

Nesta grande área da Etiópia, conhecida como “inferno na terra” e à qual a National Geographic denominou o “lugar mais cruel”, a vida parece muito complicada, mas é a terra natal dos povos nómadas Afar conhecidos pela sua capacidade de suportar o calor intenso e os ventos escaldantes e dedicados ao comércio de sal.

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22 Agosto, 2019

 

2492: Os efeitos das alterações climáticas podem deixar as aranhas mais agressivas

CIÊNCIA

judygva / Flickr
A aranha Anelosimus studiosus

As alterações climáticas vão provocar muitos efeitos negativos no planeta e os cientistas acabaram de encontrar um novo: aranhas mal-humoradas.

O aquecimento global poderá não só aumentar a frequência e a intensidade de tempestades tropicais, bem como os chamados eventos climáticos “cisne negro”, assim baptizados por se tratarem de eventos imprevisíveis e de grande impacto.

E acontece que, quando falamos de aranhas, as mais agressivas serão aquelas que provavelmente vão sobreviver ao clima tempestuoso e que portanto transmitem os seus traços às novas gerações.

Segundo o Science Alert, um desses casos é o aracnídeo Anelosimus studiosus, que pode ser encontrado no continente americano, incluindo nas costas do Golfo e do Leste, destruídas por ciclones tropicais, entre maio e Novembro, vindos do Oceano Atlântico.

Geralmente, estas aranhas vivem em colónias em teias tridimensionais, mas nem todas partilham de forma pacífica o mesmo espaço. A espécie exibe dois fenótipos comportamentais: algumas são mais tolerantes e sossegadas, outras são mais agressivas. Podem viver lado a lado na mesma colónia, no entanto, quanto mais agressivas forem, mais agressiva é a colónia no geral. Problema: esta característica é hereditária.

Para determinar o efeito que as tempestades estão a ter nas aranhas, cientistas da Universidade McMaster, no Canadá, esperaram até conseguir prever um “landfall” — segundo o IPMA, quando o centro do furacão intersecta a linha de costa — e então amostraram colónias de aranhas naquele local. Depois, regressaram 48 horas após a passagem da tempestade, analisando novamente as colónias.

A equipa também registou o número de ovos em cada colónia e a taxa de sobrevivência das crias. No total, os investigadores escolheram três grandes ciclones ocorridos em 2018 e fizeram uma amostra de 240 colónias.

Inicialmente, a taxa de sobrevivência foi bastante alta (75,42%) mas a longo prazo, e no geral, o número de ovos diminuiu, assim como a taxa de sobrevivência das crias. Porém, isso não foi distribuído de forma uniforme entre colónias agressivas e tranquilas.

“Ao seguir os ciclones tropicais, observámos que colónias com respostas de forrageamento mais agressivas produziram mais ovos e tiveram mais crias a sobreviver até ao início do inverno, enquanto a tendência oposta emergiu em locais de controlo”, escreveram os investigadores no artigo publicado na revista Nature.

“Esta tendência é consistente em várias tempestades que variam no tamanho, na duração e na intensidade. Isto mostra que estes efeitos não são idiossincráticos, mas sim respostas evolutivas robustas que se sustentam em tempestades e em locais que ocupam uma extensão de cinco graus de latitude”.

A razão por que isto acontece ainda não é clara, mas uma diminuição dos recursos alimentares imediatamente depois da tempestade pode ser um factor. Além disso, as espécies de aranhas concorrentes também podem ser mais agressivas — exigindo que indivíduos mais agressivos protejam a colónia dos invasores.

Os investigadores também notam que as progenitoras podem estar demasiado ocupadas a tentar encontrar alimento e a proteger os seus recursos para poder investir tempo nos cuidados maternos, forçando as crias a desenvolver melhores habilidades de sobrevivência.

Por isso, sim, podemos estar a criar um “aranhapocalipse” sem darmos conta.

ZAP //

Por ZAP
22 Agosto, 2019

 

2491: Encontrado em Marrocos o mais antigo estegossauro do mundo

CIÊNCIA

Carlos Giachetti / Flickr

Cientistas britânicos consideram que uma nova espécie de estegossauro – um dos dinossauros mais reconhecíveis, por causa dos ossos em forma de placa que se projectam da espinha e pelos espinhos nas suas caudas – é também a mais antiga descoberta em todo o mundo.

Os seus restos mortais foram encontrados nas montanhas do Médio Atlas, cadeia montanhosa que se estende ao largo do sudoeste ao nordeste do Marrocos, e, desde então, foram estudados por uma equipa de especialistas do Museu de História Natural de Londres.

Embora só tenham algumas vértebras e um osso do topo de um membro frontal, a equipa, liderada por Susannah Maidment, reconheceu rapidamente o animal devido a semelhanças anatómicas com o estegossauro conhecido.

Os cientistas concluíram que é uma nova espécie e género e data do Jurássico Médio, muito mais cedo do que os espécimes mais conhecidos. A equipa baptizou-o de Adratiklit boulahfa, um nome que significa “lagarto da montanha” na língua berbere e refere-se a Boulahfa, a cidade onde o espécime foi encontrado.

“A descoberta de Adratiklit boulahfa é particularmente emocionante, uma vez que a datamos no Jurássico médio”, disse Maidment, em comunicado. “Os estegossauros mais conhecidos datam muito mais tarde no período jurássico, o que faz com que seja o mais antigo descrito e ajuda a melhorar a nossa compreensão da evolução deste grupo de dinossauros.”

O estegossauro era um extenso grupo de espécies de dinossauros blindados encontrados no sul da África, América do Norte, Ásia e Europa. Este espécime é o primeiro a vir do norte da África, de acordo com o estudo publicado este mês na revista especializada Gondwana Research.

Acreditava-se anteriormente que quando a Terra estava dividida em dois super-continentes, Laurasia e Gondwana, os tyrophoros eram mais comuns e diversos no primeiro. A descoberta recente parece questionar essa ideia.

Nesse sentido, a descoberta de Adratiklit boulahfa apoia a teoria de que o registo fóssil de dinossauros blindados em Gondwana é significativamente distorcido, tanto por factores geológicos como por esforços de recolha.

ZAP //

Por ZAP
22 Agosto, 2019

estegossauro

 

2490: Descobertas oito novas fontes de Explosões Rápidas de Rádio vindas do Espaço

CIÊNCIA

CHIME
O radiotelescópio CHIME permitiu descobrir 8 novas fontes de FRBs

As Explosões Rápidas de Rádio (Fast Radio Bursts, FRBs) são dos enigmas mais intrigantes da astronomia moderna. Estes sinais de rádio, por norma, duram milésimos até desaparecer, mas alguns repetem-se de forma irregular.

Desde a descoberta das primeiras explosões rápidas de rádio em 2007, dezenas de sinais foram detectados. A maioria destes FRBs são de eventos pontuais, mas em 2015 a origem de uma explosão foi identificada no local de outra explosão, detectada em 2012.

Desde então, esta fonte, conhecida como FRB 121102, emitiu mais de cem sinais desconcertantes, que se repetem em ciclos irregulares. Durante anos o FRB 121102 era a única fonte conhecida destes sinais, mas em Janeiro uma segunda fonte foi descoberta — seguida por uma terceira em Junho.

Mas agora, uma equipa de astrónomos da McGill University, no Canadá, descobriu nada menos que oito novas fontes de FRBs. A descoberta foi apresentada num artigo publicado em Maio na revista Astrophysical Journal Letters.

Através do radiotelescópio CHIME (Experiência Canadiana de Mapeamento de Intensidade de Hidrogénio), os investigadores conseguiram observar duas explosões de seis fontes, enquanto outras emitiram três explosões.

De acordo com a New Atlas, a fonte que mais chamou a atenção dos cientistas, foi a que lançou 10 explosões no período de quatro meses de observação.

Um dos maiores enigmas dos FRBs é perceber quão próximos os sinais de repetição e os de não repetição são, e se estes vêm do mesmo tipo de objetos ou ambientes.

Ao comparar os novos sinais com os já conhecidos, a equipa de investigadores reparou que as medidas de dispersão — que explicam como é que o sinal fica “esticado” enquanto viaja pelo cosmos — parecem estar ao mesmo alcance para os dois tipos de fonte FRBs.

Com isto, os sinais de repetição tendem a durar mais do que os sinais de não repetição. E ainda, depois do fenómeno das 10 explosões, alguns dos novos sinais também foram encontrados a emitir sub-explosões mais fracas.

Os investigadores concluíram que os fenómenos podem ser oriundos de fontes diferentes ou, pelo menos, de fontes semelhantes em condições diferentes.

Os sinais do FRB 121102 foram encontrados completamente distorcidos, o que significa que a sua origem pode estar muito próxima de um buraco negro, de uma nebulosa ou de uma remanescente de super-nova. Nem todas as repetições podem viver nestas condições extremas, o que pode mudar os seus sinais.

DR, ZAP //

Por DR
22 Agosto, 2019

 

2488: Cientista americana diz estar certa de que a Terra será atingida por asteróide

Uma cientista americana de uma ONG dedicada a proteger a Terra diz que é 100% certo que um asteróide atingirá o nosso planeta. A cientista é Danica Remy, presidente da Fundação B612.

Após um asteróide não ter passado longe da Terra no início deste mês, uma cientista declarou que um futuro impacto é inevitável. Embora ainda não esteja claro quando ocorrerá, a cientista disse que a certa altura, um asteróide acabará por atingir a Terra.

No último dia 10 de Agosto, uma enorme rocha espacial aproximou-se bastante do nosso planeta. Identificado como 2006 QQ23, o asteróide tinha cerca de 570 metros de comprimento (maior que a Torre Eiffel, em Paris), e viajava a uma velocidade de 16.700 quilómetros por hora.

Após a passagem próxima do asteróide, Danica Remy, a actual presidente da ONG B612 Foundation, na Califórnia, disse que uma colisão entre um asteróide e o planeta Terra está prestes a acontecer.

“É 100% certo de que vamos ser atingidos, mas não se sabe com 100% de certeza quando é que isso vai acontecer”, disse Remy à NBC News.

Apesar da certeza do impacto com um asteróide, Remy acredita que a Terra não corre o risco de ser atingida por rochas espaciais que poderiam acabar com a vida no planeta, que são aquelas rochas com mais de um quilómetro de comprimento.

Devido ao seu enorme tamanho, estes asteróides podem ser facilmente identificados e detectados por agências espaciais. Com base nas suas últimas descobertas, a Terra não corre o risco de ser atingida por um desses asteróides gigantes.

Embora a Terra esteja relativamente segura dessas gigantescas rochas espaciais, o mesmo não pode ser dito para os asteróides menores, que têm maiores hipóteses de atingir a Terra, uma vez que são pequenos o suficiente para serem atraídos pelas forças gravitacionais do planeta.

Ao contrário dos asteróides que poderiam acabar com a vida no planeta, a destruição causada pelo impacto de um asteróide menor será localizada. Mesmo assim, Remy observou que um impacto desses ainda pode ter um efeito devastador em algumas regiões do mundo.

“O tipo de devastação que estaríamos observando é mais regional do que um nível planetário”, disse Remy. “Mas ainda vai ter um impacto global, nos transportes, na rede e no clima”.

ZAP // Oficina da Net

Por ZAP
21 Agosto, 2019

 

2485: Novo estudo adensa mistério sobre “Lago dos Esqueletos” nos Himalaias

CIÊNCIA

markhorrell / Flickr
Himalaias

Esqueletos humanos encontrados no lago Roopkund, na Índia, pertenceram a pessoas de origens várias, algumas do Mediterrâneo, que morreram em eventos separados por mil anos.

O lago Roopkund, na Índia, é famoso por terem sido descobertos nas suas margens centenas de esqueletos, que estudos vieram indicar que eram muito mais antigos do que inicialmente se supunha.

Agora, segundo um estudo publicado esta terça-feira na revista Nature Communications, conclui-se que os esqueletos pertenciam a grupos geneticamente distintos que morreram em vários momentos e em pelo menos dois episódios separados por mil anos.

O estudo envolveu uma equipa internacional de 28 investigadores, de instituições da Europa mas também dos Estados Unidos e da Índia.

Situado a mais de cinco mil metros de altitude, nas montanhas dos Himalaias, o lago sempre intrigou os cientistas, que não entendem a presença de centenas de restos de esqueletos nas margens do também conhecido como “Lago dos Esqueletos”.

“O Lago Roopkund é há muito tempo alvo de especulações sobre quem eram esses indivíduos, o que os levou ao lago e como é que eles morreram”, disse um dos autores do artigo, Niraj Rai, do Instituto Birbal Sahri de Paleociências, em Lucknow, na Índia, que há muito trabalha nos esqueletos de Roopkund.

Agora, análises de ADN revelam uma história ainda mais complexa, mostrando que os esqueletos derivam de pelo menos três grupos genéticos distintos, depois de feita a sequenciação genética completa de 38 indivíduos.

O primeiro grupo é composto por 23 indivíduos com ancestrais relacionados com as pessoas da actual Índia, que não parecem pertencer a uma única população. O segundo maior grupo é formado por 14 indivíduos com ascendência mais relacionada a pessoas que hoje vivem no Mediterrâneo oriental, especialmente na actual Grécia. E o terceiro tem uma ancestralidade mais típica da que é encontrada no Sudeste Asiático.

A presença de indivíduos com ancestrais no Mediterrâneo, sugerem os especialistas, indica que o Lago Roopkund não tinha apenas um interesse local mas antes atraía visitantes de várias partes do mundo. A análise da dieta alimentar também confirmou as diversas origens, disseram os responsáveis.

E explicaram ainda que a datação por carbono permitiu perceber que os esqueletos não são da mesma altura, como se supunha inicialmente, e que o primeiro grupo genético provém de um período entre os séculos VII e X e os outros dois de um período posterior, entre os séculos XVII e XX.

“Ainda não está claro o que trouxe estes indivíduos para o Lago Roopkund ou como eles morreram”, disse Niraj Rai.

“Através do uso de análises biomoleculares, como ADN antigo, reconstrução dietética por isótopos estáveis, e datação por radio-carbono, descobrimos que a história do Lago Roopkund é mais complexa do que imaginávamos, e levanta-se a questão impressionante de como migrantes do Mediterrâneo oriental, que têm um perfil de ancestralidade que é hoje extremamente atípico da região, morreram neste local há apenas algumas centenas de anos” disse outro dos autores do estudo, David Reich, da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, Estados Unidos.

ZAP // Lusa

Por Lusa
21 Agosto, 2019

 

2484: Buraco negro apanhado a engolir uma estrela de neutrões

CIÊNCIA

M. Kornmesser / ESO

Um buraco negro que engole uma estrela de neutrões terá sido detectado pela primeira vez devido a ondas gravitacionais, anunciaram esta segunda-feira cientistas.

Segundo a investigadora Susan Scott, da Universidade Nacional da Austrália, que participou no trabalho, o buraco negro “comeu” há 900 milhões de anos uma “estrela muito densa”, conhecida como estrela de neutrões, “possivelmente apagando a estrela de forma imediata”.

O evento, que ocorreu à distância astronómica de 8.550 milhões de biliões de quilómetros da Terra, gerou ondas gravitacionais (ondulações na curvatura espaço-tempo) captadas na quarta-feira.

Da Austrália, o telescópio SkyMapper examinou toda a região do espaço onde o fenómeno poderia ter-se produzido, mas a equipa de astrónomos não obteve nenhuma “confirmação visual”. Apesar das reticências, os primeiros resultados sugerem “a grande possibilidade” de se tratar de um buraco negro a envolver uma estrela de neutrões, o tipo de estrelas mais pequeno e denso do Universo que se conhece.

De acordo com Susan Scott, os cientistas nunca detectaram um buraco negro mais pequeno do que cinco massas solares nem uma estrela de neutrões com mais de 2,5 vezes a massa do Sol. “Com base nesta experiência, estamos muito seguros de que o que acabámos de detectar é um buraco negro a engolir uma estrela de neutrões”, afirmou, citada pela agência noticiosa espanhola Efe.

A investigadora e docente da Universidade Nacional da Austrália ressalvou que “existe a pequena mas intrigante possibilidade” de o corpo celeste engolido ser um buraco negro mais pequeno do que qualquer outro que se conhece, o que, ainda assim, seria “um prémio de consolação incrível”.

Os buracos negros, localizados no centro das galáxias, são regiões do Universo com uma força gravitacional tão grande que nada deixa escapar, nem mesmo a luz. Tanto as estrelas de neutrões como os buracos negros são resquícios muito densos de estrelas mortas, assinala a Universidade Nacional da Austrália em comunicado.

As ondas gravitacionais, detectadas pela primeira vez em 2016, cem anos depois do físico Albert Einstein as ter previsto, acontecem devido a fenómenos de grande violência que geram grandes quantidades de energia, como a explosão de uma estrela ou a colisão de dois buracos negros.

ZAP // Lusa

Por Lusa
20 Agosto, 2019

 

2483: Hubble captou a imagem impressionante do “beijo” de duas galáxias

O Telescópio Espacial Hubble conseguiu fotografar duas galáxias que se “tocaram” pela primeira vez. É um duo conhecido como UGC 2369, e ambos os sistemas serão apenas um… mas daqui a milhões de anos.

Os dois sistemas fotografados pelo telescópio Hubble podem dar pistas do que acontecerá com a nossa Via Láctea.

Hubble captou o beijo entre galáxias

Na impressionante imagem podemos ver a rotação de um ao redor do outro. Isto porque as suas gravidades são atraídas para o fim inevitável: a fusão. Conforme explica a Agência Espacial Europeia (ESA), tudo o que actualmente liga as duas galáxias é uma “ponte fina de gás, poeira e estrelas”.

A maioria das galáxias pertence a um grupo de vários sistemas, nos quais as interacções entre eles são frequentes. E nem sempre acontece de forma violenta ou abrupta. Na verdade, tudo pode ser muito mais subtil, como no caso do UGC 2369. Em muitas ocasiões, o fio invisível da atracção faz com que as galáxias se deformem, com “caudas” e “braços” estendendo-se do centro e transformando-as em formas impressionantes, como é o caso aqui.

This is UGC 2369, seen by NASA/ESA @HUBBLE_space. It’s actually two galaxies interacting, being pulled closer together by their gravitational attraction, in a similar process that will see our galaxy, the Milky Way, collide with the Andromeda galaxy. See http://socsi.in/1myr9 

Via Láctea: Um dia também iremos ser esmagados

As fusões, por outro lado, são muito mais destrutivas, e isso é mais provável de ocorrer especialmente quando as galáxias são semelhantes em tamanho. Esses eventos maiores são menos comuns do que fusões menores, mas acredita-se que a nossa própria galáxia tenha uma colisão “próxima” no futuro.

Neste momento, a Via-Láctea em que vivemos está ocupada esmagando e absorvendo duas galáxias anãs próximas, conhecidas como Sagitário e Cão Maior. Mas um dia, a nossa galáxia pode tornar-se o menu de uma galáxia maior. De facto, os astrónomos estão certos de que a Via Láctea e as galáxias de Andrómeda irão colidir nalgum momento daqui a mil milhões de anos. Exactamente quando poderá ser e como se irá desenvolver ainda está a ser debatido pela comunidade científica.

Embora a fusão UGC 2369 pareça nova, este duo galáctico é considerado num estágio relativamente avançado. Portanto, treinar o olho de Hubble em interacções como esta pode dar-nos uma ideia do destino da nossa própria galáxia.

2482: Beta Pictoris C: Novo planeta gigante está a 63,4 anos-luz da Terra

Foi na órbita da estrela Beta Pictori que os cientistas descobriram um novo planeta gigante, o Beta Pictoris C. Esta descoberta acontece 10 anos após ter sido também encontrado um outro planeta gigante, o Beta Pictoris B. Os exoplanetas Beta Pictoris B e Beta Pictoris C estão em órbita da estrela Beta Pictoris.

O novo planeta está a 63,4 anos-luz da Terra. Sabe-se também que tem uma massa cerca de 3.000 vezes maior do que a do nosso planeta.

O estudo foi publicado na revista da especialidade Nature Astronomy e revela que há um novo planeta no universo. Este novo planeta gigante orbita a sua estrela a uma distância quase três vezes superior à que separa o Sol da Terra.

Beta Pictoris C  está entre a sua estrela e o planeta Beta Pictoris B

O Beta Pictoris C foi caçado pelo espectrógrafo HARPS do Observatório Europeu do Sul, no Chile. Está situado entre a sua estrela e o planeta Beta Pictoris B, que é 16 vezes maior do que a Terra. O Beta Pictoris B orbita a sua estrela a uma distância oito vezes superior à que separa o Sol da Terra. Um dia neste planeta não excede as oito horas.

Segundo os cientistas, os dois planetas estão ainda a formar-se.

A estrela Beta Pictoris ganhou destaque na década de 1980. Nessa altura permitiu aos astrónomos obterem a primeira imagem de um disco de poeira e gás em torno de uma estrela. Além disso, o sistema planetário do qual a estrela faz parte tem “apenas” 20 milhões de anos. Isto significa que é mais jovem do que o Sistema Solar, que tem 4,6 mil milhões de anos. No entanto poderá assemelhar-se ao que deveria ser a Terra e outros planetas solares após a sua formação.

A Beta Pictoris é a segunda estrela mais brilhante na constelação de Pictor. Tem uma massa 1,75 vezes maior que a do Sol e possui uma luminosidade 8,7 vezes maior. Devido às temperaturas muito altas, a vida dificilmente poderia existir na sua superfície, bem como nos satélites

pplware
19/08/2019

 

2481: Aniquilação total para estrelas super-massivas

Impressão de artista da super-nova por instabilidade de pares SN 2016iet.
Crédito: Observatório Gemini/NSF/AURA; ilustração por Joy Pollard

Uma estrela renegada, que explodiu numa galáxia distante, forçou os astrónomos a colocar de lado décadas de investigação e a concentraram-se num novo tipo de super-nova que pode aniquilar completamente a sua estrela-mãe – não deixando nenhum remanescente para trás. O evento de assinatura, algo que os astrónomos nunca haviam testemunhado antes, pode representar o modo pelo qual as estrelas mais massivas do Universo, incluindo as primeiras estrelas, morrem.

O satélite Gaia da ESA notou pela primeira vez a super-nova, conhecida como SN 2016iet, no dia 14 de Novembro de 2016. Três anos de observações intensivas de acompanhamento com uma variedade de telescópios, incluindo o Gemini Norte no Hawaii, o Observatório MMT de Harvard e do Smithsonian, localizado no Observatório Fred Lawrence Whipple em Amado, Arizona, EUA, e os Telescópios Magellan, no Observatório Las Campanas, no Chile, forneceram perspectivas cruciais sobre a distância e a composição do objecto.

“Os dados do Gemini forneceram uma visão mais profunda da super-nova do que qualquer outra das nossas observações,” disse Edo Berger do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica e membro da equipa de investigação. “Isto permitiu-nos estudar SN 2016iet mais de 800 dias após a sua descoberta, quando diminuiu para um centésimo do seu brilho máximo.”

Chris Davis, director de programas na NSF (National Science Foundation), uma das agências patrocinadoras do Gemini, acrescentou: “Estas observações notáveis do Gemini demonstram a importância de estudar o Universo em constante mudança. A procura, nos céus, por eventos explosivos repentinos, a sua observação rápida e, igualmente importante, a sua monitorização ao longo de dias, semanas, meses, e às vezes até anos é fundamental para obter uma visão geral. Daqui a apenas alguns anos, o LSST (Large Synoptic Survey Telescope) da NSF irá descobrir milhares destes eventos e o Gemini está bem posicionado para fazer o trabalho crucial de acompanhamento.”

Neste caso, este olhar profundo revelou apenas uma fraca emissão de hidrogénio na posição da super-nova, evidenciando que a estrela progenitora de SN 2016iet viveu numa região isolada com muito pouca formação estelar. Este é um ambiente invulgar para uma estrela tão massiva. “Apesar de procurarmos, há décadas, milhares de super-novas,” retomou Berger, “esta parece diferente de tudo o que já vimos antes. Às vezes, vemos super-novas que são invulgares num único aspecto, mas que por outro lado são normais; esta é única de todas as maneiras possíveis.”

SN 2016iet tem uma infinidade de excentricidades, incluindo a sua duração incrivelmente longa, grande energia, impressões digitais químicas incomuns e ambiente pobre em elementos mais pesados – para os quais não existem análogos óbvios na literatura astronómica.

“Quando percebemos o quão invulgar era SN 2016iet, a minha reacção foi ‘Whoa – será que está algo horrivelmente errado com os nossos dados?'” disse Sebastian Gomez, também do Centro para Astrofísica e autor principal da investigação. A pesquisa foi publicada na edição de 15 de Agosto da revista The Astrophysical Journal.

A natureza invulgar de SN 2016iet, como revelado pelo Gemini e por outros dados, sugere que começou a sua vida como uma estrela com cerca de 200 vezes a massa do nosso Sol – tornando-se uma das explosões estelares mais massivas e poderosas já observadas. Evidências crescentes sugerem que as primeiras estrelas nascidas no Universo podem ter sido igualmente massivas. Os astrónomos previram que se tais gigantes mantiverem a sua massa durante a sua breve vida (alguns milhões de anos), morrerão como super-novas por instabilidade de pares, que recebe o nome dos pares de matéria-antimatéria formados na explosão.

A maioria das estrelas massivas terminam as suas vidas num evento explosivo que expele matéria rica em metais pesados para o espaço, enquanto o seu núcleo colapsa numa estrela de neutrões ou buraco negro. Mas as super-novas por instabilidade de pares pertencem a outra classe. O núcleo em colapso produz enormes quantidades de raios-gama, levando a uma produção descontrolada de pares de partículas e anti-partículas que, eventualmente, desencadeiam uma explosão termonuclear catastrófica que aniquila toda a estrela, incluindo o núcleo.

Os modelos de super-novas por instabilidade de pares prevêem que ocorrerão em ambientes pobres em metais (termo astronómico para elementos mais pesados do que o hidrogénio e hélio), como em galáxias anãs e no Universo inicial – e a investigação da equipa descobriu exactamente isso. O evento ocorreu a uma distância de mil milhões de anos-luz numa galáxia anã, anteriormente não catalogada, pobre em metais. “Esta é a primeira super-nova em que o conteúdo de massa e metal da estrela está no intervalo previsto pelos modelos teóricos,” disse Gomez.

Outra característica surpreendente é a localização de SN 2016iet. A maioria das estrelas massivas nasce em enxames densos de estrelas, mas SN 2016iet formou-se isolada a cerca de 54.000 anos-luz do centro da sua galáxia anã hospedeira.

“Como uma estrela tão massiva se pode formar em completo isolamento ainda é um mistério,” acrescentou Gomez. “Na nossa vizinhança cósmica local, só conhecemos algumas estrelas que se aproximam da massa da estrela que explodiu e deu origem a SN 2016iet, mas todas vivem em enxames gigantescos com milhares de outras estrelas.” A fim de explicar a longa duração do evento e a sua lenta evolução de brilho, a equipa avança a ideia de que a estrela progenitora expeliu matéria para o seu ambiente circundante a um ritmo de cerca de três vezes a massa do Sol por ano durante uma década antes da explosão estelar. Quando a estrela finalmente se tornou super-nova, os detritos colidiram com este material, alimentando a emissão de SN 2016iet.

“A maioria das super-novas desaparecem e tornam-se invisíveis contra o brilho das suas galáxias hospedeiras em poucos meses. Mas dado que SN 2016iet é tão brilhante e está tão isolada, podemos estudar a sua evolução durante anos,” acrescentou Gomez. “A ideia das super-novas por instabilidade de pares existe há décadas,” disse Berger. “Mas termos, finalmente, o primeiro exemplo observacional que coloca uma estrela moribunda no regime correto de massa, com o comportamento correto, e numa galáxia anã pobre em metais, é um incrível passo em frente.”

Há não muito tempo atrás, não se sabia se tais estrelas super-massivas podiam realmente existir. A descoberta e as observações de acompanhamento de SN 2016iet forneceram evidências claras da sua existência e do potencial para afectar o desenvolvimento do Universo inicial. “O papel do Gemini nesta descoberta surpreendente é significativo,” disse Gomez, “pois ajuda-nos a entender melhor como o Universo primordial se desenvolveu depois da sua ‘idade das trevas’ – quando não ocorreu formação estelar – para formar o esplêndido Universo que vemos hoje.”

Astronomia On-line
20 de Agosto de 2019

 

2480: Lua brilha mais do que o Sol em imagens do Fermi da NASA

Estas imagens mostram a visão cada vez mais aprimorada do brilho de raios-gama da Lua do Telescópio Espacial de Raios-gama Fermi da NASA. Cada imagem de 5 por 5 graus é centrada na Lua e mostra raios-gama com energias acima dos 31 milhões de electrões-volt, dezenas de milhões de vezes superiores à da luz visível. Nestas energias, a Lua é realmente mais brilhante do que o Sol. As cores mais brilhantes indicam um maior número de raios-gama. Esta sequência de imagens mostra como exposições mais longas, variando de dois a 128 meses (10,7 anos), melhorou a visão.
Crédito: NASA/DOE/Colaboração LAT do Fermi

Se os nossos olhos pudessem ver radiação altamente energética chamada raios-gama, a Lua pareceria mais brilhante do que o Sol! É assim que o Telescópio Espacial de Raios-gama Fermi da NASA tem visto o nosso vizinho no espaço ao longo da última década.

As observações de raios-gama não são sensíveis o suficiente para ver claramente a forma de disco da Lua ou quaisquer características da superfície. Em vez disso, o LAT (Large Area Telescope) do Fermi detecta um brilho proeminente centrado na posição da Lua no céu.

Mario Nicola Mazziotta e Francesco Loparco, ambos do Instituto Nacional de Física Nuclear da Itália em Bari, têm analisado o brilho da radiação gama da Lua como forma de entender melhor um outro tipo de radiação espacial: partículas velozes chamadas raios cósmicos.

“Os raios cósmicos são principalmente fotões acelerados por alguns dos fenómenos mais energéticos do Universo, como ondas de choque de estrelas explosivas e jactos produzidos quando a matéria cai em buracos negros,” explicou Mazziotta.

Dado que as partículas são electricamente carregadas, são fortemente afectadas por campos magnéticos, que a Lua não possui. Como resultado, até raios cósmicos de baixa energia podem alcançar a superfície, transformando a Lua num prático detector espacial de partículas. Quando os raios cósmicos atacam, interagem com a superfície poeirenta da Lua, de nome rególito, para produzir emissão de raios-gama. A Lua absorve a maioria destes raios-gama, mas alguns escapam.

Mazziotta e Loparco analisaram as observações lunares do LAT do Fermi para mostrar como a visão melhorou durante a missão. Eles reuniram dados de raios-gama altamente energéticos acima dos 31 milhões eV (electrão-volt) – mais de 10 milhões de vezes superior à energia da luz visível – e organizaram-nos ao longo do tempo, mostrando como exposições mais longas melhoram a visão.

“Vista a estas energias, a Lua nunca passaria pelo seu ciclo mensal de fases e ficaria sempre Cheia,” explicou Loparco.

À medida que a NASA planeia enviar novamente seres humanos à Lua até 2024 através do programa Artemis, com o objectivo eventual de enviar astronautas a Marte, a compreensão dos vários aspectos do ambiente lunar assume uma nova importância. Estas observações de raios-gama são uma lembrança de que os astronautas da Lua precisarão de protecção contra os mesmos raios cósmicos que produzem esta radiação gama de alta energia.

Embora o brilho de raios-gama da Lua seja surpreendente e impressionante, o Sol ainda brilha mais, com energias superiores a mil milhões de electrões-volt. Os raios cósmicos com energias mais baixas não alcançam o Sol porque o seu poderoso campo magnético os impede. Mas os raios-gama muito mais energéticos podem penetrar este campo magnético e atingir a atmosfera mais densa do Sol, produzindo raios-gama que chegam ao Fermi.

Embora a Lua, em raios-gama, não mostre um ciclo mensal de fases, o seu brilho varia com o tempo. Os dados do LAT do Fermi mostram que o brilho da Lua varia em cerca de 20% ao longo do ciclo de 11 anos do Sol. As variações na intensidade do campo magnético do Sol durante o ciclo mudam a quantidade de raios cósmicos que chegam à Lua, alterando a produção de raios-gama.

Astronomia On-line
20 de Agosto de 2019

 

2479: Buraco negro super-massivo poderá “engolir” todo o Universo

CIÊNCIA

tose / Canva

A descoberta recente de um buraco negro super-massivo deu aos astrónomos uma nova perspectiva sobre a força potencial destes objectos celestes. 

Em entrevista ao Express UK, o cientista David Whitehouse afirma que o Universo poderá, num futuro longínquo, vir a ser “engolido” por um buraco negro gigante.

Para sustentar esta afirmação, o astrónomo recordou o buraco negro recém-descoberto por astrónomos da América do Sul, cuja descoberta trouxe novos dados sobre quão grandes estes corpos podem ser. “Este [buraco negro recém-descoberto] é enorme, então talvez possam existir buracos negros ainda maiores“, explicou o cientista, dando conta que estes corpos crescem ao alimentar-se de matéria, gás, estrelas e pó.

Existem várias teorias físicas, segundo Whitehouse, que defendem que, num determinado momento no futuro, um buraco negro pode tornar-se suficientemente grande para absorver cada vez mais estrelas e, eventualmente, poderá “engolir” o Universo.

“Existem teorias que nos indicam que, possivelmente, num futuro muito remoto, tudo acabará num buraco negro, todo o Universo”, opinou Whitehouse.

Por isso, o cientista afirma que é importante investigar estes corpos celeste, uma vez que as suas propriedades físicas únicas permitem que os cientistas tenham uma “perspectiva diferente sobre o Universo e aquilo que este é capaz de criar”.

“Os buracos negros têm diferentes tipos de formas e tamanhos. Existem buracos negros do tamanho de um átomo. Por outro lado, no centro das galáxias, há buracos negros gigantescos que excedem o tamanho do Sol em mil milhões de vezes, são objectos fascinantes”, apontou ainda o cientista.

Os buracos negros são tão densos que criam uma força gravitacional capaz de capturar a luz – nada lhes consegue escapar. Contudo, esta incrível massa também deforma o tempo e o espaço nas suas imediações. De acordo com equações teoréticas, apenas as estrelas que são muito maiores que o Sol podem formar um buraco negro.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
20 Agosto, 2019

 

2478: O Cometa 67p tem companhia. É uma mini-lua

ESA/Rosetta/NavCam

A nave Rosetta não era o único objecto em redor do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko em 2015, de acordo com uma descoberta feita recentemente.

No início deste ano, o astro-fotógrafo espanhol Jacint Roger estava a “passar os olhos” pelas imagens recolhidas pela Rosetta durante a observação do 67P e reparou num pequeno fragmento orbital nos registos do dia 21 de Outubro de 2015, quando a nave estava a cerca de 400 quilómetros do cometa.

Jacint Roger publicou um GIF animado na sua conta do Twitter, em Maio passado, mostrando o movimento deste objecto recém-identificado, que a ESA apelidou de “Churymoon”.

De acordo com a Agência Espacial Europeia, a lua terá apenas cerca de quatro metros de largura e um dia já fez parte do 67P. “A modelagem das imagens da Rosetta indica que este objecto passou as primeiras 12 horas após a sua ejecção num caminho orbital em torno do 67P a uma distância de 2,4 a 3,9 quilómetros do centro do cometa”, refere a equipa da ESA.

Depois disso, “a parte cruzou uma porção do coma, que parece muito brilhante nas imagens, dificultando o seu acompanhamento com precisão; no entanto, observações posteriores no lado oposto do coma confirmam uma detecção consistente com a órbita do objecto, fornecendo uma indicação do seu movimento em torno do cometa até 23 de Outubro de 2015″, explica-se.

Os cometas ejectam constantemente detritos à medida em que se aproximam do Sol. Mas Churymoon é especial: “é provavelmente a maior porção detectada em torno do cometa e será alvo de mais investigações”, garante a ESA.

A Rosetta deixou a Terra em 2004 para perseguir e analisar o cometa 67P, um corpo celeste estudado minuciosamente e que os cientistas acreditam que esconde indícios da génese do nosso Sistema Solar. Só no final de 2014 encontrou o seu alvo e, pouco depois, ejectou a sua pequena Philae que viajou em direcção ao 67P. Esta sonda de menores dimensões captou as primeiras imagens da superfície de um cometa.

Cometas são rochas geladas do sistema solar que normalmente têm órbitas oblongas e, quando se aproximam do Sol, aquecem e emitem gás e poeira para criar um tipo de “coma” (nuvem de poeira e gás que circunda o núcleo de um cometa) atmosférico e, às vezes, uma cauda.

O 67P é um desses exemplos, um objecto de dois lobos medindo até 40,2 quilómetros de diâmetro no seu lóbulo mais longo e 25,7 quilómetros de diâmetro no seu lóbulo mais curto. A sua órbita aproxima-o dos caminhos da Terra e de Júpiter.

A missão Rosetta foi a primeira a pousar um objecto feito por humanos num cometa. A missão também identificou o oxigénio molecular do 67P, o tipo que existe na Terra, que pode remontar ao início do sistema solar.

A jornada de 12 anos que inclui aproximações à Terra, Marte e a dois asteróides antes de chegar ao P67 chegou ao fim em Setembro de 2016.

ZAP //

Por ZAP
20 Agosto, 2019