1901: O aquecimento global está a tornar o planeta mais desigual

CIÊNCIA

Tim J Keegan / Flickr

O aquecimento global agravou as desigualdades económicas desde a década de 60 do século XX, favorecendo os países mais frios, indica um estudo da Universidade de Stanford, Estados Unidos, divulgado nesta segunda-feira.

As mudanças causadas pela concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera da Terra enriqueceram países como a Noruega ou a Suécia mas reduziram o crescimento económico de outros como a Índia ou a Nigéria, diz o estudo, publicado na revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

“Os nossos resultados mostram que a maioria dos países mais pobres da Terra é consideravelmente mais pobre do que seria sem o aquecimento global“, disse o cientista Noah Diffenbaugh, especialista em clima e principal autor do estudo. Ao mesmo tempo, acrescentou, dando conta que “a maioria dos países ricos é mais rica do que teria sido” sem alterações climáticas.

O estudo, em co-autoria com Marshall Burke, professor em Stanford, indica que entre 1961 e 2010 o aquecimento global diminuiu a riqueza por pessoa nos países mais pobres do mundo num valor entre 17% e 30%. Em simultâneo, a diferença entre os países mais ricos e mais pobres é agora 25% superior ao que seria sem alterações climáticas, conclui.

Embora a desigualdade económica entre países tenha diminuído nas últimas décadas, a investigação sugere que a diferença teria diminuído mais rapidamente se não existisse o aquecimento global.

O trabalho baseia-se em investigações anteriores em que os autores analisaram 50 anos de temperaturas anuais e o Produto Interno Bruto (PIB) de 165 países. E os responsáveis demonstraram que o crescimento durante os anos mais quentes do que a média acelerou nos países frios e desacelerou nos países quentes.

“Os dados históricos mostram claramente que as culturas são mais produtivas, as pessoas são mais saudáveis e somos mais produtivos no trabalho quando as temperaturas não são nem muito quentes nem muito frias. Isso significa que em países frios um pouco de aquecimento pode ajudar. O contrário é verdadeiro em países que já são quentes”, disse Marshall Burke, citado em comunicado.

Nas palavras do responsável os países tropicais tendem a ter temperaturas muito aquém do ideal para o crescimento económico. Os países nas latitudes médias, como Portugal, os impactos económicos das alterações climáticas têm um peso negativo de 10%.

Os cientistas frisam ainda a importância de aumentar o acesso à energia sustentável para que o desenvolvimento económico dos países mais pobres. “Quanto mais estes países aquecerem, maior será a resistência ao seu desenvolvimento”, concluiu.

ZAP // Lusa

Por ZAP
28 Abril, 2019

 

1884: Uma das praias mais famosas do Hawai está prestes a ficar submersa

Marvin Chandra / Flickr

Os legisladores estão a tomar medidas para enfrentar os efeitos da mudança climática antes que seja tarde demais numa nova tentativa de reconstruir a famosa praia de Waikiki para proteger os moradores de futuras inundações.

O Hawai viu um aumento do nível do mar de mais de 15 centímetros nas últimas décadas e esse aumento está “a acelerar rapidamente”, observa a legislação, acrescentando que dados mostram que Honolulu pode ter enchentes regulares no centro urbano em 15 anos. O aumento do nível do mar será de 1 metro até ao final do século.

A elevação do nível do mar como resultado do aquecimento dos mares foi previamente identificada como uma das principais causas de erosão costeira em todo o Hawai, mas as taxas de erosão diferem entre as ilhas. Mais de três quartos das praias de Maui sofreram erosão no último século, com uma média de 13 centímetros por ano.

Por outro lado, pouco mais da metade das praias de Oahu sofreram a mesma erosão com uma variação média de cerca de três centímetros por ano. Algumas estimativas sugerem que o Hawai poderá ter até três vezes a quantidade de ciclos tropicais no último quarto do século. Um impacto directo em Honolulu pode significar uma perda de mais de 35 mil milhões em infra-estruturas e destruição da economia.

“É apenas uma questão de tempo até que desastres significativos impactem as comunidades costeiras do Hawai e, à medida que o nível do mar continua a acelerar, o impacto potencial dos desastres torna-se mais grave. Como resultado, é prudente e urgente começar a planear a mudança”, diz o projecto.

Adoptando uma sugestão da cidade de Nova York após danos de 16 mil milhões no rescaldo do furacão Sandy, os legisladores do Hawai estão a pedir para começar o planeamento de um projecto piloto de linha costeira que evitará futuras inundações através da ampliação dos espaços dos parques vizinhos e do desenvolvimento da paisagem.

As autoridades esperam que o re-desenvolvimento demore mais de uma década para ser desenvolvido e implementado – mas é apenas o começo. Outras comunidades costeiras em todo o estado da ilha estão igualmente expostas e as autoridades esperam que o modelo possa ser usado noutras cidades.

O programa de protecção costeira implementa uma comissão que abordará preocupações futuras, criará mapas de área de exposição do aumento do nível do mar para separar áreas propensas a inundações, conectar vias costeiras contínuas para acesso de emergência e providenciar medidas personalizadas que protegerão das influências das marés e reduzir as inundações da água do mar da praia de Waikiki nas estradas e nas calçadas durante as marés mais altas.

“A legislatura acha que é necessária uma acção decisiva para evitar os piores impactos que a mudança climática terá sobre o meio ambiente, a economia e a qualidade de vida do Hawai”, escreveram os legisladores. “O Estado comprometeu-se a fazer a transição dos combustíveis fósseis para uma economia de energia limpa que é alimentada por 100% de energia renovável”.

ZAP // IFL Science

Por ZAP
25 Abril, 2019

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1829: Alpes europeus podem ficar sem gelo até ao fim do século

© TVI24 (DR)

Os glaciares dos Alpes europeus vão perder metade do gelo até 2050, mesmo com redução de emissões de gases com efeito de estufa, e no final do século podem mesmo acabar, segundo um estudo divulgado esta terça-feira.

O estudo foi publicado na revista A Criosfera, da União Europeia das Geociências (EGU na sigla original), e apresentado hoje na Assembleia Geral da EGU, que decorre em Viena, Áustria, até sexta-feira.

Segundo a investigação, num cenário de aquecimento limitado os glaciares podem perder dois terços do gelo que têm hoje mas com um maior aquecimento o gelo pode desaparecer dos Alpes até 2100.

O estudo foi feito por uma equipa de investigadores da Suíça e dá as estimativas mais actualizadas e detalhadas sobre o futuro de todos os cerca de 4.000 glaciares dos Alpes.

Após 2050 “a evolução futura dos glaciares dependerá fortemente da evolução do clima”, disse o principal autor do estudo, Harry Zekollari, investigador do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça. “No caso de um aquecimento mais limitado uma parte muito mais substancial dos glaciares poderá ser salva”, referiu.

Os responsáveis pelo estudo notam que o recuo dos glaciares terá um grande impacto nos Alpes, já que eles são importantes para o ecossistema, para a paisagem e para a economia da região, pelo turismo, mas também pelo fornecimento de água doce.

Usando modelos matemáticos e dados observacionais os investigadores traçaram várias estimativas. Matthias Huss, outro dos autores do trabalho, precisou que num cenário de emissões elevadas de gases com efeito de estufa no final do século restarão manchas de gelo isoladas, não mais de 5% do volume de gelo que há hoje. Em todos os cenários, com ou sem emissões, os Alpes perdem metade do gelo até 2050.

Daniel Farinotti, outro dos autores do estudo disse que “os glaciares dos Alpes europeus e a sua evolução recente são alguns dos indicadores mais claros das mudanças em curso no clima”.

A perda de gelo está a acontecer em todo o mundo. Um estudo divulgado na segunda-feira indica que os glaciares em todo o planeta perderam mais de nove triliões de toneladas de gelo (um trilião é a unidade seguida de 18 zeros) desde 1961, fazendo aumentar o nível do mar em 27 milímetros.

A equipa que fez o estudo, liderado pela Universidade de Zurique, combinou observações nos locais com informações de satélites sobre as 19 regiões glaciares do mundo.

Segundo o estudo, publicado na revista Nature, as maiores perdas de gelo aconteceram no Alasca, seguindo-se a região da Gronelândia e os glaciares dos Alpes.

A única área a ganhar gelo nos últimos 55 anos foi uma região no sudoeste da Ásia, tanto gelo quanto outra região da Ásia perdeu no mesmo período.

Investigadores identificam glaciar nos Alpes contaminado com micro-plásticos

Uma equipa de investigadores identificou pela primeira vez contaminação de micro-plásticos num glaciar dos Alpes, a 3.000 metros de altitude num parque nacional do norte de Itália.

A investigação foi dirigida por especialistas de universidades de Milão e demonstrou “pela primeira vez a contaminação de micro-plásticos num glaciar alpino”, disseram hoje os investigadores num comunicado com o título “Um glaciar de plástico”.

A contaminação foi quantificada em 75 partículas de plásticos – entre poliéster, poliamida, polietileno e polipropileno – por cada quilo de sedimento, um valor comparável aos níveis observados nos sedimentos marinhos e costeiros da Europa.

Com base nestes dados os investigadores estimam que a língua (projecção de gelo na parte frontal) do glaciar Forni, um dos mais importantes de Itália, “poderá conter entre 131 e 162 milhões de partículas de plástico”.

Sobre a origem desse plástico dizem que pode dever-se aos restos de material usado pelos alpinistas e pessoas que visitam o local, e também a partículas arrastadas pelo vento.

Os especialistas dizem que ainda não se tinha estudado a contaminação por plásticos de áreas de alta montanha, ainda que se saiba que o problema da contaminação existe em muitas regiões do planeta e que chegou mesmo às profundezas da Fossa das Marianas (no Oceano Pacífico, o local mais profundo dos mares).

msn meteorologia
Redacção TVI24
10/04/2019

 

1706: A Terra está prestes a ficar sem água doce

Mbochart / wikimedia

Os Estados Unidos tem 204 bacias que abastecem o país de água doce. Destes, 96 não serão capazes de cumprir a oferta habitual a partir de 2071.

“Muitos estados dos EUA terão menos água ao longo do tempo”, explicou Thomas Brown à Reuters, investigador do Serviço Florestal dos EUA e um dos autores do trabalho. Na opinião dos cientistas, as bacias mais afectadas serão as do centro e sul das Grandes Planícies, o sudoeste e o centro da região das Montanhas Rochosas, Califórnia, algumas áreas do sul, como a Florida, e o Centro-Oeste.

De acordo com o estudo publicado em Fevereiro na revista Earth’s Future, as principais causas para a escassez generalizada da água são o aumento da população mundial e as alterações climáticas.

O agravamento da seca que ocorrerá em pouco mais de cinco décadas estará vinculado à crescente demanda de uma população crescente e às mudanças climáticas, o que levará a uma maior evaporação e menos chuvas em alguns estados. O aumento da temperatura anulará o efeito de maior precipitação que é esperado noutras regiões.

De acordo com os modelos que projectaram, 83, 92 e 96 bacias poderiam sofrer escassez nos seus níveis mensais nos períodos 2021-2045, 2046-2070 e 2071-2095, respectivamente.

Para reverter a situação, é necessário modificar os hábitos em relação ao uso da água – nomeadamente na agricultura, responsável por 75% do consumo anual nos EUA e na indústria. Portanto, Brown e a sua equipa disseram que se deve reformular a forma como o recurso é utilizado e aumentar a eficiência do uso.

O estudo sobre o futuro da água nos EUA junta-se a outros que já alertaram sobre a situação global. Especialistas da NASA explicaram que, entre 2003 e 2013, extraiu-se mais do que foi possível recuperar na maioria dos maiores aquíferos subterrâneos do mundo, que fornecem 35% do aquíferos usados no mundo. “A situação é crítica”, disseram.

Outro relatório detalha que os aquíferos “demoram muito mais tempo para responder às mudanças climáticas do que a água na superfície”.

“Metade das correntes subterrâneas do planeta respondem dentro de uma escala de tempo humano de cem anos”, disse Mark Cuthbert, professor da Universidade de Cardiff. O investigador definiu este “grande legado” como “uma bomba-relógio ambiental”, uma vez que qualquer impacto sobre a sua substituição, que depende das chuvas, se manifestará “muito tempo depois”.

O Banco Mundial também aborda a questão no relatório “Mudanças Climáticas, Água e Economia”, de 2016, que indicava que em 2050 a disponibilidade de água potável seria um terço da actual e que a escassez terá repercussões graves na economia.

Por sua vez, o Relatório Mundial sobre Desenvolvimento de Recursos Hídricos da Unesco também alerta que, até 2050, 5,7 mil milhões de pessoas – cerca de dois terços da população mundial – sofrerão com secas, superando os 3,6 mil milhões que sofrem actualmente.

O estudo disse que o crescimento populacional, mudanças no consumo e no desenvolvimento económico significam que a demanda mundial aumenta em 1% a cada ano.

ZAP //

Por ZAP
13 Março, 2019

 

1566: O clima está cada vez mais selvagem (e vai piorar)

Christine Zenino / wikimedia

O clima tornou-se selvagem e irá piorar ao longo do próximo século, com o derretimento do gelo na Gronelândia e na Antárctida a causar temperaturas mais extremas e imprevisíveis, segundo um novo estudo.

O trabalho, publicado esta quinta-feira na revista científica Nature, é o primeiro a simular os efeitos, na situação actual, que o gelo derretido nas duas regiões polares terá nas temperaturas dos mares e nos padrões de circulação das massas de água.

“Com as actuais políticas governamentais globais estamos a caminhar para três a quatro graus de aquecimento acima dos níveis pré-industriais, fazendo com que uma quantidade significativa de gelo derretido da Gronelândia e dos campos de gelo antárcticos entre nos oceanos”, disse Nick Golledge, do Centro de Pesquisa Antárctica da Universidade de Victoria, na Nova Zelândia.

O investigador acrescentou que, de acordo com os modelos usados no estudo, “o gelo derretido vai causar alterações significativas nas correntes oceânicas e mudar os níveis de aquecimento em todo o mundo”. Nick Golledge liderou uma equipa internacional de investigadores composta por cientistas da Nova Zelândia, mas também do Canadá, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos.

A equipa combinou simulações dos efeitos do degelo no clima, com observações por satélite das mudanças recentes nas camadas de gelo e criaram previsões mais precisas e confiáveis do que pode acontecer com as actuais políticas em relação ao clima.

As simulações feitas sugerem que vai haver uma subida mais rápida do nível do mar entre 2065 e 2075, e que a água resultante do degelo vai afectar as temperaturas e os padrões de circulação das águas nos oceanos, o que também vai afectar a temperatura do ar.

Os cientistas dizem que a água do mar não vai subir da mesma forma em todo o lado, mas advertem que os efeitos do degelo serão muito mais generalizados.

À medida que a água do degelo entra nos oceanos, por exemplo no Atlântico Norte, as principais correntes oceânicas, como a corrente do Golfo, serão significativamente enfraquecidas. Dizem os cientistas que isso levará a temperaturas do ar mais altas no Árctico, no leste do Canadá e na América Central e a temperaturas mais baixas no noroeste da Europa.

“O aumento do nível das águas do mar devido ao derretimento das camadas de gelo já está a acontecer e tem acelerado nos últimos anos. As nossas novas experiências mostram que ele continuará até certo ponto, mesmo que o clima da Terra estabilize. Mas elas também mostram que se reduzirmos drasticamente as emissões (de gases com efeito de estufa) podemos limitar esses futuros impactos”, disse Nick Golledge.

ZAP // Lusa

Por Lusa
7 Fevereiro, 2019

 

1484: Há uma parte da Antárctida que está a encolher (mas não era suposto)

(CC0/PD) pxhere

Quando os cientistas falam sobre o derretimento da Antárctida, geralmente estão a referir-se à Antárctida Ocidental, onde gigantescos glaciares costeiros estão a derramar grandes quantidades de água.

Mas, do outro lado das montanhas transantárticas a leste, há um manto de gelo muito maior que, normalmente, aparenta estar a manter o frio. Um novo estudo, no entanto, afirma que a Antárctida Oriental também está a perder peso a uma velocidade preocupante.

Um estudo publicado a 14 de Janeiro na revista Proceedings of the National Academies of Sciences aponta para um declínio constante na quantidade de gelo que cobre a Antárctida Oriental desde que os registos de satélite começaram em 1979.

A investigação constata que a perda de massa da Antárctida Oriental ainda está atrasada em relação ao Ocidente – o primeiro perdeu recentemente cerca de 50 mil milhões de toneladas de gelo por ano para os 160 mil milhões deste último.

No total, o estudo estima que o leste da Antárctida adicionou 4,4 milímetros ao nível global do mar da Terra desde 1979, comparado com 6,9 milímetros do Ocidente. De forma preocupante, a Antárctica Oriental detém 52 dos 57 metros potenciais de elevação do nível do mar trancados no gelo da Antárctida.

Observadores o que está a acontecer com o continente congelado saberão que estas são conclusões glaciológicas radicais. De facto, uma análise publicada em Junho passado concluiu que, no geral, a Antárctida Oriental não perdeu gelo.

O novo estudo concentrou-se num único método: o método componente. Essencialmente, os investigadores subtraíram os dados sobre a quantidade de gelo que flui no oceano a cada ano a partir de dados sobre a quantidade de neve que cai no continente.

Assim, os autores conseguiram desvendar uma tendência de queda para a Antárctida Oriental, particularmente dentro do sector da Wilkes Land, que está a perder massa há 40 anos.

Isto sugere que está longe do fim da história para esta parte do mundo. Novos conjuntos de dados devem vir de missões via satélite como o GRACE-Follow On, que usa dados gravitacionais para rastrear a perda de peso da Antárctida, e o ICESat-2, que mede a altura de superfícies geladas, deve ajudar os investigadores a refinar ainda mais os resultados.

Mas uma coisa é certa: se a Antárctida Oriental está a perder peso, e se essa tendência acelerar, o futuro dos litorais da Terra pode começar a parecer muito mais obscuro.

ZAP // Gizmodo

Por ZAP
17 Janeiro, 2019

 

1332: Algumas regiões do planeta vão ter até seis desastres naturais simultâneos este século

CIÊNCIA

Hotli Simanjuntak / EPA

Os desastres naturais vão piorar no próximo século. Este é o alerta de um grupo de investigadores sobre alterações climáticas.

De acordo com um artigo, publicado a 19 de Novembro na revista Nature Climate Change, actualmente, a maioria dos lugares sofre apenas um desastre climático de cada vez. Mas até 2100, as regiões podem esperar lidar com vários desastres de uma só vez.

“Estamos a enfrentar uma ameaça enorme para a humanidade”, disse Camilo Mora, da Universidade do Havai. “Somos sensíveis aos perigos que já aconteceram e, infelizmente, estes riscos só vão piorar.”

Para entender melhor as ameaças que estão por vir, Mora e os seus colegas analisaram mais de três mil artigos científicos e descobriram 467 maneiras pelas quais as mudanças climáticas já afectaram a humanidade.

O relatório narra a forma como os riscos climáticos, como ondas de calor, incêndios florestais, inundações e aumento do nível do mar, afectaram doenças humanas, o suprimento de alimentos, economias, infra-estrutura, segurança, entre outros. “Eu não conseguia parar de estar assustado todos os dias para ser honesto”, disse Mora, principal autor do estudo.

A equipa de investigação criou um mapa mundial complementar e interactivo com base em projecções. A imagem demonstra a sobreposição de impactos da mudança climática nas populações humanas até 2100.

Na mudança do século, por exemplo, as pessoas em Nova York poderá enfrentar quatro riscos climáticos distintos, incluindo a seca, a elevação do nível do mar, as chuvas extremas e as temperaturas altas. Do outro lado do país, Los Angeles provavelmente enfrentará até três desastres. Regiões tropicais especialmente vulneráveis ​​do mundo poderão lidar com até seis ameaças de uma só vez.

O estudo prevê que as nações em desenvolvimento enfrentarão maiores perdas de vidas humanas, enquanto o mundo desenvolvido suportará uma grande carga económica associada a danos e adaptação.

Embora a mudança climática tenha sido estudada extensivamente, Mora disse que investigações anteriores isolam o impacto de um ou dois perigos em vez de fornecer uma visão geral das consequências do aquecimento global.

Os investigadores dão alguns exemplos: o aumento na temperatura atmosférica pode levar à evaporação da humidade do solo em locais secos, o que leva a secas, ondas de calor e incêndios florestais. Em locais húmidos, chuvas extremas e inundações podem acontecer. À medida que os oceanos aquecem, a água evapora rapidamente, causando furacões húmidos e com ventos fortes e tempestades devido ao aumento do nível do mar.

“É como ter um quebra-cabeça no qual todas as peças estão em todo o lado. Só se pode realmente ver a imagem quando todas as peças são colocadas juntas”, disse Mora.

Mora espera que a Ciência acabe por inspirar as pessoas a tornarem-se parte da solução. Mesmo os esforços de comunidades como o projecto Go Carbon Neutral do Havai, que visa compensar as emissões de carbono através da plantação de árvores, podem contribuir para mudar o curso da mudança climática. “Esta é uma luta que não podemos perder. Não temos nenhum outro planeta para onde ir”, rematou.

ZAP // Discover

Por ZAP
24 Novembro, 2018