3058: Situação trágica. “Veneza está a desaparecer”

CLIMA

Andrea Merola / EPA
Um turista nas inundações em Veneza.

A situação em Veneza é trágica, com 85% da cidade italiana inundada depois das piores cheias dos últimos anos. Mas estas inundações são apenas um alerta para o que pode vir a seguir, já que Veneza assenta numa ilha que se está a afundar, correndo o risco de “desaparecer”.

Este aviso é feito pelo professor catedrático jubilado na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (CNADS), Filipe Duarte Santos, em declarações ao Expresso.

O especialista nota que a situação de “estado de emergência” que Veneza vive resulta apenas em parte das alterações climáticas, como referiu o presidente da Câmara, Luigi Brugnaro, numa altura em que a cidade enfrenta as piores inundações desde 1966.

“O aquecimento global não é a única causa. Veneza está situada numa laguna. A ilha onde a cidade italiana se encontra está a afundar-se devido a uma subsidência, ou seja, a deslocação da superfície abaixo do nível médio do mar. Desde o início do século passado até agora, a ilha afundou-se 23 centímetros“, explica Filipe Duarte Santos no Expresso.

Contabilizando ainda mais 20 centímetros devido à subida do nível da água do mar, isso significa que estamos a falar de um total de 40 centímetros.

Nas mais recentes cheias que ainda afectam a cidade, “a água subiu 1,80 metros e como a maior parte de Veneza está a mais de um metro do mar, basta mais um metro por cima e fica inundada”, aponta ainda Filipe Duarte Santos.

“É preciso fazer algo, porque a cidade está a desaparecer“, alerta este especialista, considerando que “se ficar submersa será uma perda cultural enorme para Itália e para a Europa, do ponto de vista histórico e artístico”.

Mas “o principal problema é que o nível do mar não vai parar de subir até 2100” e “prevê-se que até ao fim do século, o nível médio do mar naquela zona do Mediterrâneo suba mais de um metro”, constata Filipe Duarte Santos, salientando que “falta pouco” para isso, “apenas 80 anos”.

O especialista refere que a situação é “muito difícil” e lembra que as obras previstas para a construção de 78 comportas metálicas para evitar que as marés inundem Veneza, se têm arrastado no tempo, com acusações de corrupção pelo meio.

A cidade está condenada se não avançar com as obras de engenharia“, nota.

Essa obra vai exigir um elevado investimento à autarquia de Veneza que está a enfrentar prejuízos elevados com as inundações. Por outro lado, as cheias estão a afectar o turismo que é a grande “galinha dos ovos de ouro” da cidade que recebe cerca de 36 milhões de turistas por ano.

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19 Novembro, 2019

 

3053: “Apocalipse dos insectos” afectaria todo o planeta, alerta especialista

CIÊNCIA

mtsofan / Flickr

Um eventual “Apocalipse dos insectos” pode trazer graves consequências para os seres humanos e para todo o planeta, alerta um relatório assinado pelo ambientalista britânico Dave Goulson.

De acordo com o documento, desde a década de 1970, a destruição de ambientes naturais e o uso crescente de pesticidas fizeram com que 40% do milhão de espécies conhecidas de insectos ficassem em risco de extinção.

Dave Goulson, que é professor na Universidade de Sussex, no Reino Unido, alerta para os riscos desta situação, mas frisa que a tendência ainda pode ser revertida.

Quanto às espécies já extintas, os cientista explicou que no século passado 23 tipos de abelhas e vespas desapareceram, o que contratas com uma das principais causa do seu declínio, os pesticidas, cuja utilização duplicou nos últimos 25 anos.

Tal como frisa o britânico The Guardian, o declínio nas populações de insectos tem impacto noutras espécies: entre 1967 e 2016, a população de pássaros no Reino Unido caiu 93%.

“Não podemos ter certeza, mas em termos de números, podemos ter perdido 50% ou mais do nossos insectos desde 1970, mas podem ser muitos mais”, disse Goulson, citado pelo diário. “Não sabemos, mas é assustador. Se não pararmos o declínio dos insectos, haverá profundas consequências para toda a vida no planeta e para o bem-estar humano”.

Apesar deste cenário, o especialista considera que esta tendência pode ser revertida, especialmente através do controlo do uso de insecticidas e/ou pesticidas, bem como através da reconversão ou criação de jardim e parques. Este “é o maior desafio da agricultura”, uma vez que “70% da Grã-Bretanha são terras aráveis”.

“Não importa quantos jardins tornemos amigáveis para a vida selvagem, se 70% do campo permanecer hostil à vida, não reverteremos o declínio de insectos”, considerou.

O especialista notou ainda que o Brexit representa uma oportunidade para fazer mudanças em larga escala, uma vez que se trata de  uma “oportunidade potencial para voltar a analisar completamente” o sistema agrícola.

Um estudo divulgado recentemente e levado a cabo na Alemanha chegou a conclusões semelhantes às de Goulson. A investigação, que se debruçou sobre a biodiversidade no país, alertou para a diminuição “assustadora” no número de insectos durante a última década.

Desaparecimento de insectos atingiu um nível “assustador” na Alemanha

Uma investigação conduzida na Alemanha sobre a biodiversidade alertou sobre a diminuição “assustadora” no número de insectos durante a última…

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19 Novembro, 2019

 

3046: O Árctico pode ficar sem gelo no verão de 2044

CIÊNCIA

Kathryn Hansen / NASA / Flickr

As mudanças climáticas provocadas pelo Homem estão muito perto de tornar o Árctico livre de gelo, já a partir do verão de 2044.

Um artigo científico, publicado recentemente na Nature Climate Change por investigadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), nos Estados Unidos, coloca em foco as previsões dos cientistas para um período de 25 anos – e não são animadoras.

Os cientistas tentaram prever o futuro do gelo do Árctico por várias décadas, contando com uma série de modelos climáticos globais que simulam de que forma o sistema climático reagirá ao dióxido de carbono que entra na atmosfera.

Segundo o Europa Press, as previsões não são unânimes: algumas apontam para um Setembro sem gelo a partir de 2026; enquanto que outras sugerem que o fenómeno começará em 2132.

Chad Thackeray, autor principal do estudo, explica que as previsões sobre a perda de gelo divergem muito dependendo da maneira como as pesquisas interpretam o “feedback de albedo”, um fenómeno que ocorre quando um pedaço de gelo marinho derrete completamente, descobrindo uma superfície de água do mar mais escura e que absorve mais luz solar.

Esta mudança na reflectividade da superfície da luz solar causa um maior aquecimento local, o que leva a um maior derretimento do gelo, adianta o cientista, num comunicado da UCLA. Por sua vez, este ciclo agrava o aquecimento, uma das razões pelas quais o Árctico está a aquecer duas vezes mais rápido do que o resto do mundo.

Para esta investigação, a equipa de investigadores determinaram quais os modelos mais realistas tendo em conta a forma como pesam os efeitos do feedback de albedo.

Este fenómeno acontece durante todo o verão, quando o gelo derrete. Além disso, e felizmente em termos de pesquisa, o feedback de albedo acontece durante longos períodos de tempo, devido à acção das alterações climáticas.

A equipa analisou a representação de 23 modelos de degelo sazonal entre 1980 e 2015 e compararam-nos com observações de satélite. Depois, mantiveram os seis modelos “mais realistas” e descartaram todos os outros, o que lhes permitiu reduzir o intervalo de previsões de um Árctico livre de gelo.

De acordo com a investigação, avizinha-se um período infeliz. Ainda que seja difícil imaginar, os cientistas afirmam que estamos a caminho de tornar o Árctico livre de gelo marinho, durante um certo período de tempo (nomeadamente o verão de cada ano), a partir do ano 2044 até 2067.

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18 Novembro, 2019

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3035: O “último refúgio” do Árctico está prestes a desaparecer

CIÊNCIA

O mais antigo e mais espesso gelo marinho do Árctico está a desaparecer duas vezes mais depressa do que o gelo no resto do Oceano Árctico.

Um novo vídeo, criado pela União Geofísica Americana, mostra a era do gelo marinho no Oceano Árctico a norte da Gronelândia desde 1984, logo após o início de observações confiáveis por satélite.

No vídeo, é possível ver que a região outrora robusta de gelo marino mudou drasticamente nas últimas décadas, tornando-o progressivamente mais jovem e mais fina com o passar do tempo.

O vídeo foi feito com base em dados divulgados num novo estudo publicado a 15 de Outubro na revista especializada Geophysical Research Letters. Estudos anteriores sugeriram que este seria o último lugar a perder a sua cobertura de gelo permanente. No entanto, os novos modelos mostram que as investigações estavam erradas, uma vez que o gelo está a desaparecer duas vezes mais depressa do que o resto do gelo do Árctico.

A nova investigação usou observações de satélite e dados atmosféricos para mostrar  a forma como a espessura do gelo em duas sub-regiões do “último refúgio de gelo” flutua cerca de 1,2 metros de ano para ano. No entanto, também detalha uma perda total de 0,4 metros de espessura de gelo por década, totalizando uma perda de 1,5 metros desde o final da década de 1970.

A mudança na previsão acontece porque o gelo é muito mais móvel do que se pensava anteriormente. Embora as sub-regiões sejam antigas, estão sujeitas a fortes correntes oceânicas e ventos atmosféricos que resultam no fluxo de gelo mais antigo da região.

De acordo com o IFLScience, a extensão e espessura do gelo marinho diminui e flui ao longo do ano, dependendo da estação. Além disso, algumas sub-regiões do gelo podem flutuar mais do que outras.

“Não podemos tratar a última área de gelo como uma área monolítica de gelo que vai durar muito tempo”, disse Kent Moore, autor principal do estudo e físico atmosférico da Universidade de Toronto, no Canadá, em comunicado. “Na verdade, há muita variabilidade regional”.

A vida selvagem que vivem nas partes superiores do Hemisfério Norte, desde aves marinhas a ursos polares, depende do gelo marinho para refúgio, descanso, nidificação, forrageamento e caça. Além disso, o gelo do mar desempenha um papel crucial no transporte e distribuição de nutrientes para a água do mar. Portanto, se o gelo do mar colapsar, a cadeia alimentar do Árctico será a próxima.

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16 Novembro, 2019

 

3010: Desaparecimento de insectos atingiu um nível “assustador” na Alemanha

CIÊNCIA

dakiny / Flickr

Uma investigação conduzida na Alemanha sobre a biodiversidade alertou sobre a diminuição “assustadora” no número de insectos durante a última década.

De acordo com o novo estudo, cujos resultados foram publicados na revista Nature, o fenómeno afectou especialmente áreas de pastagem próximas de terrenos cultivados de forma intensiva, havendo também registo desta queda em áreas protegidas e florestas.

A investigação foi realizada entre 2008 e 2017 por uma equipa de cientistas internacionais, que recolheu mais de um milhão de artrópodes de 300 locais diferente na Alemanha – Brandemburgo, Turíngia e Baden-Württemberg.

No total, mais de 2.7000 espécies foram analisadas, estando muitas destas em declínio. Nos últimos anos, houve até espécies raras que a equipa não conseguiu encontrar.

O ecologista Wolfgang Weisser, da Universidade Técnica de Munique e um dos autores da análise, disse que foi uma “surpresa” observar este declínio num espaço de tempo de dez anos. Em comunicado, a equipa frisa que o declínio é maior do que se suspeitava.

“É assustador, mas [o declínio encontrado] está em linha com a imagem apresentada por número crescente de estudos”, acrescentou o especialista, citado na mesma nota.

O declínio nas populações de insectos repetiu-se nos diferentes ambientes estudados e ocorreu com maior intensidade nas pastagens, principalmente nas que são cercadas por quintas e áreas cultivadas, onde a queda foi de 78%.

Ou seja, nas áreas mais afectadas apenas foi encontrado um terço das espécies anteriormente observadas. Por outro lado, nas florestas, o desaparecimento foi de aproximadamente 40%, o que revela que “a perda não se limita aos habitats abertos”.

“Colapso da Natureza.” Declínio acelerado de insectos põe em risco a Humanidade

Um estudo recente adianta que os insetos podem desaparecer em apenas um século, se o ritmo actual de declínio se…

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10 Novembro, 2019

 

2694: Adeus, Pizol. Suíços fizeram funeral a glaciar que (quase) desapareceu

AMBIENTE

Gian Ehrenzeller / EPA

Mais de duas centenas de pessoas reuniram-se neste Domingo para realizar um funeral simbólico pelo desaparecimento de um dos glaciares mais estudados do mundo – Pizol.

Cerca de 250 pessoas reuniram-se após um trilho de duas horas pelo terreno onde antes se encontrava o antigo glaciar, localizado na montanha Pizol, que lhe dá o nome, perto de Liechtenstein e da Áustria, a 2.700 metros de altitude.

O glaciar ainda não desapareceu completamente mas, segundo os cientistas, perdeu 80% do seu volume desde 2006 devido às alterações climáticas. Restam agora 26.000 metros quadrados de gelo, menos do que quatro campos de futebol, refere o Observador.

O Pizol perdeu tanto volume que, “numa perspectiva científica, já nem sequer é um glaciar”, disse à agência AFP a activista Alessandra Degiacomi. Um estudo de investigadores suíços concluiu que, até 2050, pelo menos metade dos glaciares da Suíça vão desaparecer.

O funeral simbólico ao Pizol contou ainda com a presença de um padre e vários cientistas. A cerimónia foi organizada pela Associação Suíça pela Protecção do Clima, que pede a redução para zero das emissões de dióxido de carbono no país até 2050. Uma coroa de flores foi colocada na montanha, em memória do glaciar.

Viemos aqui para dizer ‘adeus’” ao Pizol, disse Matthias Huss, especialista em glaciares. Já o pároco de Mels, localidade onde o glaciar se localiza, pediu “ajuda de Deus para superar o enorme desafio das mudanças climáticas”.

Matthias Huss disse à AFP que, independentemente do que possamos vir a fazer, os Alpes vão perder, pelo menos, metade da massa de gelo até 2100.

O Pizol não é o primeiro glaciar a desaparecer dos Alpes Suíços. “Desde 1850, estimamos que mais de 500 glaciares suíços tenham desaparecido completamente”. Ainda assim, o Pizol é o “primeiro glaciar densamente estudado a desaparecer”. De acordo com o matutino, estava a ser acompanhado pelos especialistas desde 1893.

Depois do Pizol, os especialistas estimam que o maior glaciar dos Alpes, o Aletsch, possa vir a desaparecer completamente nas próximas oito décadas.

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23 Setembro, 2019

 

2498: O desaparecimento de metano em Marte foi resolvido. Mas ainda há perguntas por responder

CIÊNCIA

ATG Medialab / ESA

Cientistas planetários têm estudado aparentes discrepâncias entre as concentrações de metano registadas pelo Curiosity Rover e pelo ExoMars Trace Gas Orbiter.

Supunha-se que alguém deveria estar errado, mas havia um forte desentendimento sobre qual. Uma nova investigação mostra que ambas as leituras estavam certas e as diferenças representavam o tempo das suas medições.

Este é um passo necessário para descobrir se o metano é um subproduto da vida ou o resultado de algum processo geológico. A sonda Curiosity tem registado picos de concentração de metano há anos.

Na Terra, o metano é frequentemente – mas nem sempre – um subproduto de microrganismos metanogénicos, de modo que estes picos despertaram grande excitação. No entanto, quando o Orbiter não gravou a mesma coisa, surgiram especulações de que o detector tinha algum defeito. Havia até uma teoria de que a Curiosity estava a libertar o metano que estava a registar.

No entanto, John Moores, da Universidade York do Canadá, observou que as amostras da Curiosity foram tiradas a meio da noite, enquanto o ExoMars mediu à luz do dia, e perguntou-se se havia um padrão diário, além do ciclo anual previamente identificado. Moores persuadiu a equipa Curiosity a fazer leituras pouco antes do amanhecer e demonstrou que o seu palpite estava certo.

Num artigo publicado na revista especializada Geophysical Research Letters, Moores e Penny King, da Universidade Nacional Australiana, reuniram as observações. King explicou à IFLScience que durante a convecção de Marte o dia faz com que o ar suba e a atmosfera se expanda, antes de se contrair novamente à noite.

“A atmosfera da Terra faz o mesmo”, acrescentou, “mas num grau muito menor”. Esse fenómeno era bem conhecido, mas ninguém o ligou às medições de metano.

O encolhimento atmosférico nocturno concentra a pequena quantidade de metano presente na atmosfera de Marte, perto do solo onde a Curiosity a colhe, explicando as suas leituras mais altas.

A Curiosity fez as medições à noite porque muitas das suas outras funções só funcionam durante o dia, por isso os processos que podem acontecer a qualquer momento são desviados para as horas na escuridão para evitar interferências.

Moores e King usaram os dados combinados dos dois conjuntos de medições para calcular que a Cratera Gale, que a Curiosity está a explorar, está a libertar 2,8 quilos de metano todos os dias de Marte. Dado o diâmetro de 154 quilómetros de Gale, essa é uma quantidade pequena – mas significativa – na fina atmosfera marciana.

Quanto ao que está por trás do metano, isso permanece um mistério. “Alguns micróbios da Terra podem sobreviver sem oxigénio, no subsolo e libertar metano como parte dos seus resíduos”, disse King em comunicado. “O metano em Marte tem outras fontes possíveis, como reacções de rochas aquáticas ou materiais em decomposição que contém metano.”

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23 Agosto, 2019

 

2470: A Islândia fez o funeral ao primeiro glaciar assassinado pelas alterações climáticas

Onde antes havia um glaciar, há a partir de agora um memorial. Numa chamada de atenção ao aquecimento global e ao degelo, a Islândia quis assinalar a perda de Okjokull, também conhecido como _Ok_, um glaciar de 700 anos, extinto em 2014.

Okjökull, que significa “Glaciar Ok” em islandês, tornou-se a primeira grande massa de gelo da Islândia a perder oficialmente seu estatuto de glaciar, em 2014.

Em 1980, o Okjokull cobria 16 km2 de superfície. Em 2012, a extensão coberta tinha passado para apenas 0,7 km2, de acordo com um relatório da Universidade da Islândia, publicado em 2017. Em 2014, as autoridades tomaram finalmente a decisão de desclassificar o Okjokull.

Na placa comemorativa agora descerrada, a menção “415 ppm CO2” é uma referência ao nível recorde de concentração de dióxido de carbono registado na atmosfera, em maio do ano passado, em que valor de CO2 na atmosfera atingiu as 415 partes por milhão.

_Ok_ foi o primeiro a perder o estatuto de glaciar, devido à extensa área de gelo que perdeu. Agora, como monumento, lembra que nos próximos 200 anos, o mesmo acontecerá a outros — um fenómeno que pode ser dramático para o mundo e em particular para a Islândia, cujo território é composto por cerca de 12 mil km2 de glaciares.

O desaparecimento de Okjökull está a ser tratado pelas autoridades islandesas e por activistas do clima como um alerta para os efeitos do aquecimento global.

“O Ok é o primeiro glaciar da Islândia a perder seu estatuto. Nos próximos 200 anos todos os nossos principais glaciares deverão seguir o mesmo caminho“, lê-se na placa.

“Este monumento é para confirmar que sabemos o que está a acontecer e o que é preciso fazer. Só vocês sabem nós o fizemos“, diz a mensagem gravada na placa de bronze, destinada às próximas gerações.

@RiceUNews

Memorial honoring lost glacier to be installed in Iceland Aug. 18. Media invited to attend, more details here: http://news.rice.edu/2019/08/05/memorial-honoring-lost-glacier-to-be-installed-in-iceland-aug-18/#.XUhfDtSzcSc.twitter 

A dedicatória, intitulada “Uma carta para o futuro“, é da autoria do escritor islandês Andri Snaer Magnason. O projecto foi lançado por investigadores locais e da Universidade Rice, nos Estados Unidos.

Os convidados da cerimónia deste domingo incluíram a primeira-ministra da Islândia, Katrín Jakobsdóttir e a irlandesa Mary Robinson, ex-alta comissária da ONU para os Direitos Humanos.

“Este será o primeiro monumento em homenagem a um glaciar perdido para as alterações climáticas em todo o mundo”, afirmou em Julho Cymene Howe, professora da Universidade Rice, na altura da apresentação da iniciativa.

“Assinalando a morte do Ok, esperamos chamar a atenção para o que está a ser perdido com a extinção dos glaciares da Terra”, salientou a investigadora. “Estes corpos de gelo são as maiores reservas de água doce do planeta e congelados dentro deles estão histórias da atmosfera.”

@NASAEarth

On August 18, 2019, scientists will be among those who gather for a memorial atop Ok volcano in west-central #Iceland. The deceased being remembered is Okjökull—a once-iconic #glacier that was declared dead in 2014. https://earthobservatory.nasa.gov/images/145439/okjokull-remembered  #NASA #Landsat

Segundo os investigadores envolvidos no projecto, o debate sobre o aquecimento global “pode ser bastante abstracto, com muitas estatísticas terríveis e modelos científicos sofisticados que podem parecer incompreensíveis” — e um monumento a um glaciar desaparecido pode ser a melhor forma de percebermos o que está a acontecer ao planeta.

ZAP // Deutsche Welle / Euronews

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19 Agosto, 2019

 

2277: Desaparecimento do metano em Marte: investigadores propõem novo mecanismo como explicação

Simulação da erosão do vento em Marte. A ampola de quartzo contém partículas de basalto olivina e uma atmosfera semelhante à de Marte. Ao agitar a ampola, os investigadores simulam um cenário gerado pelo vento, ou seja, o vento faz com que os grãos de areia saltem sobre a superfície. O atrito das partículas cria cargas eléctricas e a estrela amarela ilustra que um átomo de árgon perdeu um electrão. As pequenas cargas electrificas fazem com que as partículas brilhem ligeiramente, conforme ilustrado nas quatro imagens à direita.
Crédito: Laboratório de Simulação de Marte, Universidade de Aarhus

Os processos por trás da libertação e do consumo de metano em Marte são já discutidos desde que o elemento químico foi medido pela primeira vez há aproximadamente 15 anos atrás. Agora, um grupo multidisciplinar de investigação da Universidade de Aarhus (Dinamarca) propôs um processo físico-químico anteriormente negligenciado que pode explicar o consumo de metano.

Há cerca de 15 anos atrás, estaríamos a ler pela primeira vez acerca de metano na atmosfera de Marte. Isto despertou grande interesse, também fora dos círculos científicos, já que o metano, com base no nosso conhecimento do elemento cá na Terra, é considerado uma bio-assinatura, isto é, sinais de actividade biológica e, portanto, vida.

Nos anos seguintes, pudemos ler artigos que informaram alternativamente sobre a presença e ausência de metano. Esta variação levou a dúvidas sobre a precisão das primeiras medições de metano. Medições recentes de metano na atmosfera de Marte mostraram agora que a sua dinâmica é bastante real e o facto de que às vezes apenas podem ser medidas apenas concentrações muito baixas pode ser atribuído a um mecanismo por descobrir que faz com que o metano desapareça da atmosfera e não a uma medição incorrecta.

As fontes de metano ou as causas do seu desaparecimento, até ao momento, ainda não foram identificadas. Especialmente esta última, o rápido desaparecimento do metano, carece de uma explicação plausível. O mecanismo mais óbvio, nomeadamente a degradação fotoquímica do metano provocada pela radiação UV, não pode explicar o rápido desaparecimento do metano, pré-requisito para a explicação da dinâmica.

Erosão e química

Um grupo multidisciplinar de investigadores da Universidade de Aarhus acabou de publicar um artigo na revista Icarus no qual propõem um novo mecanismo que pode explicar a remoção de metano em Marte. Durante anos, este grupo multidisciplinar investigou a importância da erosão de minerais para a formação de superfícies reactivas sob condições parecidas às de Marte. Para este propósito, o grupo de investigação desenvolveu equipamentos e métodos para simular a erosão em Marte nos seus laboratórios “terrestres”.

Com base em minerais análogos de Marte, como basalto e plagióclase, os investigadores mostraram que estes sólidos podem ser oxidados e os gases ionizados durante os processos de erosão. Assim, o metano ionizado reage com as superfícies minerais e liga-se a elas. A equipa de investigação mostrou que o átomo de carbono, como o grupo metila do metano, liga-se directamente ao átomo de silício na plagióclase, que também é um componente dominante do material da superfície de Marte.

O que os cientistas vêm no laboratório também pode explicar a perda de metano em Marte. Através deste mecanismo, que é muito mais eficaz do que os processos foto-químicos, o metano pode ser removido da atmosfera dentro do tempo observado e depois depositado no solo marciano.

Afecta a possibilidade de vida

O grupo mostrou ainda que estas superfícies minerais podem levar à formação de substâncias químicas reactivas, como peróxido de hidrogénio e radicais de oxigénio, que são muito tóxicos para os organismos vivos, incluindo bactérias.

Os resultados do grupo são importantes para avaliar a possibilidade de vida à superfície de Marte ou logo abaixo. Em vários estudos de acompanhamento, os investigadores vão agora examinar o que está a acontecer com o metano ligado e se o processo de erosão, além dos gases na atmosfera, também muda ou até remove completamente o material orgânico mais complexo, que pode ter origem em Marte ou ter chegado a Marte como parte de meteoritos.

Assim sendo, os resultados têm um impacto sobre a nossa compreensão da preservação do material orgânico em Marte e, portanto, sobre a questão fundamental da vida em Marte – entre outros aspectos, em ligação com a interpretação dos resultados do próximo rover ExoMars, que a ESA deverá fazer pousar em Marte em 2021.

Astronomia On-line
5 de Julho de 2019

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2274: A Terra primitiva tinha continentes que desapareceram sem deixar rasto

Simone Marchi

Os continentes podem ter emergido do mar muito antes do que se pensava, mas foram destruídos, desaparecendo sem deixar rasto.

Esta é a conclusão de um novo modelo de radioactividade das rochas antigas da Terra, que questiona os actuais modelos de formação da crosta continental.

Cientistas da Universidade de Adelaide, na Austrália, publicaram dois estudos – um na revista Precambrian Research e outro na revista Lithos – sobre um modelo de radioactividade da rocha há milhares de milhões de anos que concluiu que a crosta continental terrestre pode ter sido mais espessa muito antes do que os modelos actuais sugerem, havendo continentes há quatro mil milhões de anos.

“Usamos este modelo para perceber os processos evolutivos da Terra primitiva até ao presente e sugerimos que a crosta antiga sobrevivente dependeu da quantidade de radioactividade nas rochas – e não aleatoriamente“, disse Derrick Hasterok, do departamento de Ciências Terrestres da Universidade de Adelaide e do Centro Manson para a Geociência em comunicado.

“Se o nosso modelo se mostrar correto, talvez seja necessária uma revisão em muitos aspectos da nossa compreensão da evolução química e física da Terra, incluindo a taxa de crescimento dos continentes e possivelmente até o início das placas tectónicas“.

Hasterok e o seu aluno de doutorado, Matthew Gard, compilaram 75.800 amostras geoquímicas de rochas ígneas – como o granito – com idades estimadas da formação nos continentes. Estimaram a radioactividade nessas rochas hoje e construíram um modelo de radioactividade média de quatro mil milhões de anos até ao presente.

Todas as rochas contêm radioactividade natural que produz calor e aumenta a temperatura na crosta quando decai. Quanto mais radioactiva uma rocha, mais calor produz”, explicou. “As rochas tipicamente associadas à crosta continental têm maior radioactividade que as rochas oceânicas. Uma rocha de quatro mil milhões de anos teria cerca de quatro vezes mais radioactividade quando foi criada em comparação com hoje”.

Mas os cientistas descobriram um deficit inesperado no nível de radioactividade em rochas com mais de dois mil milhões de anos. Quando corrigiram a produção de calor, devido à maior radioactividade que estaria presente, o deficit desapareceu.

“Achamos que teria havido mais rochas parecidas com granito – ou do tipo continental – mas, devido à maior radioactividade e, portanto, ao calor mais elevado, derretiam ou eram facilmente destruídas pelo movimento tectónico. É por isso que estas crostas continentais não aparecem no registo geológico”.

“Os nossos modelos predominantes sugerem que continentes eventualmente cresceram para fora dos oceanos à medida que a crosta se tornava mais espessa. Mas achamos que pode ter havido uma quantidade significativa de crosta continental, ainda que muito instável muito mais cedo”.

Martin Hand diz que o novo modelo pode ter implicações importantes para monitorizar os efeitos do aquecimento global. Os investigadores afirmam que o novo modelo de radioactividade também pode ajudar na busca de rochas quentes com potencial geotérmico e pode ser usado para produzir modelos mais precisos sobre a maturação de óleo em bacias sedimentares.

ZAP //

Por ZAP
5 Julho, 2019

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1828: Alpes europeus podem ficar sem gelo até ao fim do século

© TVI24 (DR)

Os glaciares dos Alpes europeus vão perder metade do gelo até 2050, mesmo com redução de emissões de gases com efeito de estufa, e no final do século podem mesmo acabar, segundo um estudo divulgado esta terça-feira.

O estudo foi publicado na revista A Criosfera, da União Europeia das Geociências (EGU na sigla original), e apresentado hoje na Assembleia Geral da EGU, que decorre em Viena, Áustria, até sexta-feira.

Segundo a investigação, num cenário de aquecimento limitado os glaciares podem perder dois terços do gelo que têm hoje mas com um maior aquecimento o gelo pode desaparecer dos Alpes até 2100.

O estudo foi feito por uma equipa de investigadores da Suíça e dá as estimativas mais actualizadas e detalhadas sobre o futuro de todos os cerca de 4.000 glaciares dos Alpes.

Após 2050 “a evolução futura dos glaciares dependerá fortemente da evolução do clima”, disse o principal autor do estudo, Harry Zekollari, investigador do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça. “No caso de um aquecimento mais limitado uma parte muito mais substancial dos glaciares poderá ser salva”, referiu.

Os responsáveis pelo estudo notam que o recuo dos glaciares terá um grande impacto nos Alpes, já que eles são importantes para o ecossistema, para a paisagem e para a economia da região, pelo turismo, mas também pelo fornecimento de água doce.

Usando modelos matemáticos e dados observacionais os investigadores traçaram várias estimativas. Matthias Huss, outro dos autores do trabalho, precisou que num cenário de emissões elevadas de gases com efeito de estufa no final do século restarão manchas de gelo isoladas, não mais de 5% do volume de gelo que há hoje. Em todos os cenários, com ou sem emissões, os Alpes perdem metade do gelo até 2050.

Daniel Farinotti, outro dos autores do estudo disse que “os glaciares dos Alpes europeus e a sua evolução recente são alguns dos indicadores mais claros das mudanças em curso no clima”.

A perda de gelo está a acontecer em todo o mundo. Um estudo divulgado na segunda-feira indica que os glaciares em todo o planeta perderam mais de nove triliões de toneladas de gelo (um trilião é a unidade seguida de 18 zeros) desde 1961, fazendo aumentar o nível do mar em 27 milímetros.

A equipa que fez o estudo, liderado pela Universidade de Zurique, combinou observações nos locais com informações de satélites sobre as 19 regiões glaciares do mundo.

Segundo o estudo, publicado na revista Nature, as maiores perdas de gelo aconteceram no Alasca, seguindo-se a região da Gronelândia e os glaciares dos Alpes.

A única área a ganhar gelo nos últimos 55 anos foi uma região no sudoeste da Ásia, tanto gelo quanto outra região da Ásia perdeu no mesmo período.

Investigadores identificam glaciar nos Alpes contaminado com micro-plásticos

Uma equipa de investigadores identificou pela primeira vez contaminação de micro-plásticos num glaciar dos Alpes, a 3.000 metros de altitude num parque nacional do norte de Itália.

A investigação foi dirigida por especialistas de universidades de Milão e demonstrou “pela primeira vez a contaminação de micro-plásticos num glaciar alpino”, disseram hoje os investigadores num comunicado com o título “Um glaciar de plástico”.

A contaminação foi quantificada em 75 partículas de plásticos – entre poliéster, poliamida, polietileno e polipropileno – por cada quilo de sedimento, um valor comparável aos níveis observados nos sedimentos marinhos e costeiros da Europa.

Com base nestes dados os investigadores estimam que a língua (projecção de gelo na parte frontal) do glaciar Forni, um dos mais importantes de Itália, “poderá conter entre 131 e 162 milhões de partículas de plástico”.

Sobre a origem desse plástico dizem que pode dever-se aos restos de material usado pelos alpinistas e pessoas que visitam o local, e também a partículas arrastadas pelo vento.

Os especialistas dizem que ainda não se tinha estudado a contaminação por plásticos de áreas de alta montanha, ainda que se saiba que o problema da contaminação existe em muitas regiões do planeta e que chegou mesmo às profundezas da Fossa das Marianas (no Oceano Pacífico, o local mais profundo dos mares).

msn meteorologia
Redacção TVI24
10/04/2019

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1661: O céu pode ficar sem nuvens e deixar a Terra a “arder”

Jonas Witt / Flickr

Uma nova investigação científica adverte que uma alta concentração de dióxido de carbono na atmosfera da Terra pode fazer com que as nuvens desaparecerem do céu. Como resultado, o oceano ficará mais vulnerável à luz do Sol.

De acordo com uma nova investigação, levada a cabo por uma equipa de cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia, os estrato-cúmulos — nuvens baixas com massas arredondadas e cilíndricas com o topo e a base relativamente planos — servem para proteger a Terra do calor excessivo.

Ou seja, se estas nuvens desaparecerem, a temperatura no planeta subiria oito graus Celsius. Além disso, importa frisar, há ainda o aumento estimado entre 2 a 4 graus Celsius causado pelo efeito de estufa. Esta mudança, por sua vez, levaria a sérios cataclismos e causaria a extinção em massa de animais e plantas.

Segundo a investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista especializada Nature Geoscience, a Terra sofreu já um fenómeno similar há 55 milhões de anos: o planeta aqueceu a tal ponto que os crocodilos passaram a nadar nas águas do Árctico, tendo várias espécies de mamíferos sido extintas.

Esta drástica mudança climática ficou conhecida como o Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno. Foi um dos cataclismos climáticos mais significativos da era Cenozoica, que alterou a circulação oceânica e atmosférica, causando uma grande mudança na fauna terrestre.

Para os cientistas, o aquecimento poderia ter sido desencadeado por variadas causa, mas os principais factores foram a intensa actividade vulcânica e a libertação do metano armazenado nos sedimentos oceânicos.

Neste sentido, Kerry Emanuel, especialista em meteorologia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, afirma que o alarmante prognóstico dos cientistas da Califórnia parece ser bastante plausível.

Quanto ao desaparecimento das nuvens, os cientistas também asseguram tratar-se de um processo que se deve a vários factores. No entanto, as estatísticas sobre a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera são realmente alarmantes. Desde 1955, a concentração deste gás cresceu cerca de um terço. Se o processo continuar com ao mesmo ritmo, a humanidade pode chegar a um ponto sem retorno antes do fim do século.

Contudo, e segundo advertem os cientistas, a humanidade é capaz de evitar a repetição do cataclismo devastador do Paleoceno-Eoceno se cumprir os termos do Acordo de Paris.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
5 Março, 2019

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1429: Os Anéis de Saturno estão a “chover” no planeta e vão desaparecer

Uma equipa de cientistas da NASA confirmou que os icónicos anéis de Saturno são não apenas mais recentes do que se pensava, mas também que estão a perder-se, atraídos para o planeta pela sua gravidade – como uma “chuva” de partículas geladas.

No início deste ano, o grupo analisou uma molécula encontrada na atmosfera do planeta usando o telescópio Keck II, localizado no Hawai, e descobriu uma estrutura formada por três átomos de hidrogénio. O problema é que cerca de 1,9 mil litros de água têm vindo a cair no planeta a cada segundo. Esta grande quantidade de chuva pode fazer com que Saturno perca totalmente os seus anéis mais rápido do que se esperava.

“Estimamos que esta chuva de anéis drene uma quantidade de água capaz de encher uma piscina olímpica de anéis de Saturno em meia hora”, disse James O’Donoghue, do Goddard Space Flight Center da NASA, em Maryland, EUA.

“Só com isto, todo o sistema de anéis desapareceria em 300 milhões de anos, mas junte-se a queda de materiais dos anéis no equador de Saturno, medida pela sonda Cassini, e os anéis têm menos de 100 milhões de anos de vida“, acrescenta, citado pelo The New York Times.

Há muito que os cientistas tentam perceber se o planeta tem os anéis desde a sua formação ou se os adquiriu posteriormente. O estudo de O’Donoghue, publicado no início de Novembro na revista Icarus, aponta mais para a segunda hipótese, ao calcular que, provavelmente, têm menos de 100 milhões de anos de idade. A confirmar-se, os anéis estarão a meio da sua vida.

As primeiras pistas a apontar para a “chuva de anéis” foram captadas pela missão Voyager, há décadas, quando detectou variações peculiares na atmosfera superior de Saturno, variações na densidade dos anéis e um trio de bandas escuras e estreitas em torno de algumas latitudes mais a norte.

Estas faixas foram mais tarde associadas à forma do enorme campo magnético de Saturno, com Jack Connerney, da NASA, a propor a teoria de que partículas de gelo com carga eléctrica dos anéis estariam a “chover” na atmosfera superior do planeta.

Os anéis de Saturno são constituídos essencialmente por uma mistura de gelo, poeira e material rochoso. Jeff Cuzzi, da NASA, afirma que o desaparecimento da estrutura que se localiza em torno de Saturno pode realmente ocorrer, uma vez que a dissipação dos anéis não depende apenas de quanto material ainda está neles, mas de outras forças físicas, das mudança no planeta e de como este material é reabastecido.

Agora, a equipa quer ver como é que a chuva de anéis muda com as estações do ano em Saturno. À medida que o planeta avança na sua órbita de 29,4 anos, os anéis são expostos ao Sol em graus variados. Como a luz ultravioleta do Sol carrega os grãos de gelo e faz com que reajam ao campo magnético de Saturno, a variação da exposição à luz do sol pode alterar a quantidade de chuva dos anéis.

MC, ZAP //

Por MC
19 Dezembro, 2018

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1417: Catástrofe cósmica pode ter aniquilado tubarões pré-históricos gigantes

Mary Parrish / Wikimedia

A explosão de estrelas há 2,6 milhões de anos pode ter contribuído para a extinção em massa que varreu os oceanos pré-históricos da Terra, eliminando criaturas como o tubarão gigante conhecido como Megalodon.

Partículas cósmicas destas super-novas cobriram a superfície do planeta Terra de tal forma que podem ter causado cancro em grandes criaturas marinhas. Entre as fatalidades aparentes, encontrava-se o Megalodon – um tubarão do tamanho de um autocarro dos dias de hoje.

A teoria foi apresentada por Adrian Melott, um físico da Universidade do Kansas, nos EUA. “Não há nenhuma boa explicação para a extinção da megafauna marinha”, disse, citado pelo The Independent. “Esta pode ser uma. É essa mudança de paradigma – sabemos que algo aconteceu e, quando aconteceu, podemos pela primeira vez aprofundar e procurar as coisas de uma maneira definitiva”.

Para chegar a esta hipótese, Melott baseou-se no seu conhecimento sobre super-novas históricas e evidências do impacto que tiveram na Terra. Os antigos depósitos no leito do mar de isótopos de ferro – formas radioactivas de ferro – forneceram uma pista crucial.

As conclusões foram publicadas na revista Astrobiology a 12 de Dezembro. Melott afirmou que não havia outra forma de estes materiais chegarem à Terra, excepto devido a explosões de super-nova.

Mais apoio veio da estrutura do universo circundante. A Terra fica perto de algo chamado “Bolha Local” – uma enorme região de gás quente e denso que os astrónomos pensam que resultou de uma série de explosões de super-novas – a explosão de estrelas que atingiram o fim da sua vida. Devido à estrutura desta bolha, é possível que a Terra tenha sido banhada por raios cósmicos.

Durante este tempo, partículas chamadas “múons” teriam caído em grande número na superfície do planeta. Muóns – partículas elementares semelhantes a electrões muito pesados – penetram profundamente as criaturas vivas, incluindo humanos, e são responsáveis por cerca de um quinto da dose de radiação que recebemos.

Geralmente, isto não seria um grande problema. Porém, ao aumentar a exposição aos múons, os investigadores consideram que a radiação poderia ter levado a um aumento das taxas de mutação e cancro. Os maiores animais podem ter sido especialmente susceptíveis, uma vez que seriam atingidos por uma maior dose de radiação.

“Estimamos que a taxa de cancro aumentaria em cerca de 50% para algo do tamanho de um ser humano – e quanto maior, pior seria”, disse Melott. Isto poderia explicar porque é que o Megalodon, bem como um terço de outras grandes criaturas do mar, não conseguiu sobreviver na época seguinte da história do planeta, o Plistoceno.

Os eventos de extinção em massa estão ligados a mudanças climáticas drásticas. Embora raios cósmicos que bombardeiam a atmosfera também possam estar ligados a um clima em mudança, os autores admitem que esta é “uma afirmação controversa”.

ZAP // Phys

Por ZAP
15 Dezembro, 2018

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1381: Um simples sinal negativo pode explicar por que 95% do Universo está a desaparecer

CIÊNCIA

ESA / XMM-Newton / J-T. Li (Universidade de Michigan) / SDSS

Uma equipa de cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, pode ter resolvido um dos maiores mistérios da Física moderna ao unificar a matéria escura com a energia escura num só fenómeno – um fluído de “massa negativa” -, que pode explicar por que motivo está o Universo a desaparecer.

No modelo actual e mais aceite da Cosmologia (LambdaCDM), a matéria escura e a energia escura constituem, no total, mais de 95% do Universo. No entanto, e apesar da sua forte presença no Universo, nada se sabe sobre as suas propriedades físicas. A matéria escura só interage gravitacionalmente, ou seja, tudo o que sabemos sobre este fenómeno é fruto dos seus efeitos gravitacionais com a matéria observável, como as estrelas ou galáxias.

A nova teoria, que reconhece desde logo que nenhum dos conceitos de massa negativa ou de criação de massa são novos, oferece uma nova explicação baseada na sua combinação, sugerindo que se empurramos uma massa negativa, esta acelera na nossa direcção (ou seja, no sentido inverso) – hipótese que pode ainda validar um teoria traçadas por Einstein há um século.

De acordo com o artigo, recentemente publicado na revista científica Astronomy Astrophysics, estes conceitos não conseguem, individualmente, explicar as observações astrofísicas modernas contudo, a sua combinação pode ser uma solução.

“Agora acreditamos que tanto a matéria escura como a energia escura podem ser unificadas num fluído que tem uma espécie de ‘gravidade negativa’, repelindo assim todo o material à sua volta. Embora esta seja uma questão peculiar para nós, sugere que o nosso cosmos é simétrico, tanto em qualidades positivas como negativas”, explicou Jamie Farnes, do Centro de Investigação Electrónica do Departamento de Ciências da Engenharia de Oxfort, citado pela agência Europa Press.

Anteriormente, a existência de matéria negativa havia sido descartada, uma vez que se acreditava que este material se tornava menos denso à medida que o Universo se expandia, o que vai em sentido oposto às observações que demonstram que a energia escura não é diluída com o passar do tempo.

Porém, o novo estudo de Farnes adiciona uma nova variável, aplicando o “tensor de criação”, tal como é descrito no artigo, que permite a criação contínua de massas negativas. Com isto, o cientista argumenta que quando mais e mais massas negativas se formam continuamente, esta massa negativa não se dissolve durante a expansão do cosmos. De facto, o fluído parece assemelhar-se à energia escura.

A nova teoria fornece ainda as primeiras previsões corretas sobre o comportamento dos halos de matéria escura. A maioria das galáxias gira tão rapidamente que deviam dilacerar-se com esse movimento, sugerindo que existe um halo invisível de matéria escura que as mantém juntas, de acordo com Farnes.

A investigação recorreu a simulações computorizadas das propriedades de massa negativa, prevendo a formação de halos de matéria escura, tal como já tinha sido inferido pelas observações que recorrem a radiotelescópios modernos.

O “grande erro” de Einstein pode ter previsto a matéria negativa

Há 100 anos, Albert Einstein deu o primeiro sinal de que poderia existir um Universo “sombrio”, quando descobriu um parâmetro nas suas equações – a “constante cosmológica” – que agora sabemos ser sinónimo de energia escura.

Observações astrofísicas modernas mostram que a constante de Einstein, que o próprio considerou ser o seu “grande erro”, é, na verdade, um fenómeno real. Em anotações datadas de 1918, o físico postulou ser necessária uma modificação na teoria “para que o espaço vazio assuma o papel da gravidade das massas negativas que estão distribuídas por todo o espaço interestelar”.

Apesar de não se mostrar muito satisfeito com a constante, é muito provável que Einstein tivesse já previsto um Universo repleto de massas negativas.

“As abordagens anteriores para combinar a energia escura e a matéria escura têm tentado modificar a teoria da Relatividade Geral de Einstein, o que é incrivelmente desafiador. A nova abordagem pega em duas ideias antigas que são conhecidas por serem compatíveis com a teoria de Einstein – massas negativas e criação de matéria – e combina-as”, explicou o cientista.

“O resultado pode ser muito bonito: a energia escura e a matéria escura podem unificar-se numa só substância, e ambos os efeitos podem explicar-se simplesmente como uma massa de matéria positiva a navegar num mar de massas negativas“, sustentou.

A prova teoria de Farnes surgirá a partir de testes que são futuramente realizados com o radiotelescópio Square Kilometer Array (SKA), projecto internacional que visa construir o maior telescópio do mundo, no qual a Universidade de Oxford participa.

Apesar de reconhecer que há ainda problemas teóricos e simulações computacionais que precisam de trabalho, e tendo também em conta que o modelo do LambdaCDM tem uma vantagem de quase 30 anos, Farnes está “ansioso” para ver se esta versão estendida do LambdaCDM pode coincidir com outros testes observacionais do nosso Universo.

“Se for real, sugiro que os 95% perdidos do cosmos tivessem uma solução estética: esquecemo-nos de incluir um simples sinal negativo“, rematou o cientista.

SA, ZAP // Europa Press; Phys.org

Por SA
6 Dezembro, 2018

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1355: O bacalhau está em risco (e a culpa é das alterações climáticas)

CIÊNCIA

Terry Kearney / Flickr

O bacalhau pode deixar as águas da Noruega e sofrer uma redução drástica da população caso a temperatura global aumente mais do que 1,5 graus celsius, alerta uma investigação do instituto alemão Alfred Wegener.

De acordo com o estudo do Centro Helmholtz de Pesquisa Polar e Marinha, que realiza pesquisas nomeadamente nos oceanos Árctico e Antárctico, com as alterações climáticas e a subida das temperaturas há uma alta probabilidade de se perderem os actuais locais de criação do bacalhau.

Se a meta de conter o aquecimento global em 1,5 graus acima dos valores da era pré-industrial, conforme previsto no Acordo de Paris sobre redução de emissões de gases com efeito de estufa, não for alcançada, com o aquecimento e acidificação do oceano, o bacalhau do Atlântico e o bacalhau polar serão forçados a procurar novos habitats no extremo norte e as populações podem diminuir, indica a investigação.

Os investigadores dizem que tal pode ser “desastroso”, porque o bacalhau polar é a mais importante fonte alimentar para as focas e aves marinhas do Árctico.

Ao mesmo tempo, os pescadores podem perder a região mais produtiva do mundo para a captura do bacalhau, localizada a norte da Noruega. Os resultados do estudo indicam que uma política climática rigorosa pode prevenir as piores consequências, quer para animais quer para seres humanos.

Há peixes, como o bacalhau, que preferem água fria e só desovam em água fria. O bacalhau do Atlântico, um dos alimentos preferidos dos portugueses, desova em águas entre três a sete graus e o bacalhau polar desova a temperaturas entre os zero e os 1,5 graus celsius. Os investigadores Flemming Dahlke e Daniela Storch defendem que esta dependência da água fria pode ser fatal para as duas espécies, devido às mudanças climáticas, especialmente o aquecimento das águas do Atlântico Norte e do Árctico.

A juntar-se a esse aquecimento, a menos que se reduzam drasticamente as emissões de dióxido de carbono e gases com efeito de estufa, vai acontecer a acidificação das águas. Porque quanto mais dióxido de carbono é lançado para a atmosfera mais se dissolve no oceano, onde na ligação com a água forma ácido carbónico, que acidifica quando decai.

“Isso significa que o bacalhau do Atlântico e o bacalhau polar serão duplamente stressados no futuro, o seu habitat irá aquecer e ao mesmo tempo acidificar“, diz Flemming Dahlke, ecologista marinho.

A investigação concentrou-se especialmente nos embriões, concluindo que no momento da eclosão os bacalhaus são muito sensíveis às mudanças das condições ambientais.

As descobertas dos cientistas indicam que nas duas espécies de bacalhau um mesmo que pequeno aumento da temperatura pode causar a morte dos ovos ou produzir deformações nas larvas. E com a acidificação da água, ainda que ela esteja a uma temperatura óptima, o número de embriões que não sobrevive sobe de 20% para 30%, de acordo com as experiências dos investigadores.

As costas da Islândia e da Noruega abrigam actualmente as maiores populações de bacalhau do Atlântico, onde são pescadas todos os anos cerca de 800 mil toneladas, no valor de dois mil milhões de euros.

ZAP // Lusa

Por ZAP
30 Novembro, 2018

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1349: Quasares que desaparecem misteriosamente estão a assombrar os astrónomos

M. Kornmesser / ESO

Os astrónomos estão intrigados com quasares que, aparentemente, mudam de aparência. Já foram vistos várias vezes, mas ainda não há explicação.

O primeiro destes fenómenos foi descoberto pela astrónoma Stephanie LaMassa, que comparou duas imagens do mesmo objecto, mas com dez anos de diferença – e elas não pareciam nada iguais.

A primeira, capturada em 2000, assemelhava-se a um quasar clássico: um objecto extremamente brilhante e distante, alimentado por um buraco negro super-massivo e voraz no centro de uma galáxia. Era azul, com amplos picos de luz.

Mas a segunda imagem, de 2010, tinha apenas um décimo do seu brilho anterior e não exibia os mesmos picos. Noutras palavras, o quasar parecia ter desaparecido, deixando apenas a galáxia de fundo.

Isto deveria ser impossível, uma vez que, embora os quasares façam transições entre galáxias, o processo deve levar pelo menos 10 mil anos.

O estudo do fenómeno não foi fácil, dado que as investigações tendem a não voltar a observar os mesmos objectos que já estudaram no passado. Ainda assim, uma equipa de investigadores conseguiu analisar dados arquivados e descobriu que 50 a 100 “quasares que mudam de aparência”.

Alguns fizeram a transição ainda mais rápido que o primeiro exemplo: no espaço de um mês ou dois. Outros, depois de desaparecerem, reapareceram novamente.

Inicialmente, os astrónomos contemplaram a possibilidade de não serem mesmo os quasares que se alteravam. Poderiam ser, por exemplo, enormes nuvens de poeira que passavam em frente ao quasar, momentaneamente bloqueando a luz.

Um modelo teórico indicou que apenas uma situação excessivamente complexa com múltiplas nuvens poderia reproduzir estas observações. Para começar, qualquer mudança teria demorado muito mais do que alguns anos. Parecia muito improvável.

Outros perguntaram-se mesmo se estes objectos eram quasares. Talvez fossem estrelas a passar muito perto de um buraco negro ou então super-novas poderosas. O problema é que tal luz desvaneceria-se de uma forma específica, fenómeno que os astrónomos não viram.

Disco de ecreção pode ser a resposta

No ano passado, observações sugeriram que a resposta pode estar no disco de acreção dos quasares – um remoinho de matéria quente que circunda o buraco negro e dá-lhes a luminosidade ofuscante.

Zhenfeng Sheng, astrónomo da Universidade de Ciência e Tecnologia da China, examinou múltiplos quasares com aparência variável, tanto a luz visível como a infravermelha. Estes comprimentos de onda permitiram que os investigadores visualizassem não apenas o disco de acreção de cada quasar, mas também o “toro” – o anel de nuvens de poeira que envolve o disco.

O disco de acreção brilhante envia luz visível para o toro escuro, onde é absorvida e re-emitida como luz infravermelha. Devido a isso, qualquer alteração no disco será posteriormente reflectida no toro.

Como ocorreu noutros estudos, os astrónomos viram o tal eco, permitindo-lhes concluir que deve ser um sinal de uma mudança na quantidade de material que flui através do disco de acreção. Os resultados foram publicados no arXiv em Setembro de 2017.

Múltiplas possibilidades para resolver o mistério

Uma maneira de entender o fenómeno é dividir o disco de acreção em duas partes separadas: uma região interna clara que ilumina uma região externa opaca. Se um buraco negro consumir a região interna, o disco externo ficará escuro, pois o seu farol brilhante desaparecerá.

Mas também é possível que o próprio disco de acreção mude de forma. Este ano, estudos em dois quasares diferentes encontraram evidências para apoiar esta teoria. Em cada um, as cores azul e ultravioleta diminuíram primeiro, seguidas pelo verde e finalmente pelo vermelho. Essa sequência flui das cores de maior energia para as de menor energia. Assemelha-se, assim, a alterações que se propagam do disco interno para o disco externo.

“Algo está a fazer com que o disco de acreção diminua de dentro para fora”, disse Barry McKernan, astrofísico do Museu Americano de História Natural.

Como as cores não desaparecem completamente, os astrónomos suspeitam que o disco de acreção interno não tenha sido completamente engolido pelo buraco negro. Em vez disso, o culpado poderia ser uma “frente fria” vinda do buraco.

A velocidade da diminuição do brilho pode revelar pistas sobre a estrutura do disco. Se o disco for viscoso e turbulento, é fácil enviar informações pelo meio dele. McKernan argumenta que o disco deve ser viscoso e inflamado, antes de se transformar num disco fino.

Mas uma segunda hipótese sugere o oposto: o disco de acreção começa a ficar fino antes de inchar. Isso é precisamente o que os astrónomos acham que ocorre quando buracos negros com massa estelares ficam inactivos. Quando estão a acumular muita massa no buraco, o disco de acréscimo é bastante fino e luminoso. Mas quando a taxa de crescimento cai, o disco incha para uma estrutura quase esférica que luta para emitir luz.

Apesar de todas estas hipóteses, os astrónomos ainda não sabem dizer com certeza que mecanismo é responsável pelo fenómeno. Outros factores – campos magnéticos, por exemplo – poderão desempenhar um papel crucial que ainda não entendemos.

ZAP // Hype Science

Por ZAP
30 Novembro, 2018

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1301: Alterações climáticas podem ter feito desaparecer a mais antiga civilização da Terra

CIÊNCIA

Sara jilani / Wikimedia
Sítio arqueológico de Harappa, berço da civilização Harapeana, no Vale do Indo

Investigadores da Instituição Oceanográfica Woods Hole sugeriram que a antiga civilização do Vale do Indo, que se desenvolveu entre 3.300 e 1.300 anos a.C, desapareceu devido à migração causada pelas mudanças climáticas.

A civilização, também conhecida como Harappa, é a civilização mais antiga do mundo, tendo vivido na região do Paquistão, Afeganistão e noroeste da Índia. Recentemente, uma equipa de arqueólogos desvendou o mistério da sua longevidade – mas ainda ninguém tinha descoberto a razão do seu desaparecimento.

Os Harappas construíram cidades sofisticadas, inventaram sistemas de esgoto antes da antiga Roma e desenvolveram um comércio de longa distância.

No entanto, por volta de 1800 a.C, os seus membros deixaram as cidades e mudaram-se para cidades menores perto dos Himalaias. De acordo com o estudo, publicado a 13 de Novembro na revista Climate of the Past, terão sido as alterações climáticas a causar o esgotamento gradual da monção de verão e a intensificação das monções de inverno.

A equipa estudou sedimentos do fundo do mar ao largo da costa do Paquistão, onde encontrou fósseis de plâncton, que verificava a teoria de que a mudança na precipitação sazonal ocorreu naquela época.

De acordo com Liviu Giosan, líder do estudo, “as monções de verão inconstantes prejudicou a agricultura no Indo”. Apesar de chover em menor quantidade nos Himalaias, “pelo menos seria confiável“.

O fim definitivo

O investigador observou que ainda é desconhecido se “os Harappas migraram para o sopé dos Himalaias numa questão de meses, ou se essa migração ocorreu durante séculos”. “O que sabemos é que quando foi concluída, o estilo de vida urbano também acabou“, disse Giosan.

Liviu Giosan, Stefan Constantinescu, James P.M. Syvitski
A civilização do vale do Indo é a maior – mas a menos conhecida – das primeiras grandes culturas urbanas da Mesopotâmia

As chuvas dos Himalaias foram suficientes para manter a antiga civilização durante os séculos seguintes, mas quando estas também se esgotaram, a comunidade chegou ao seu fim definitivo.

“Não podemos dizer que desapareceram completamente devido ao clima”, alertou o geólogo. No entanto, apontou que a mudança nas monções poderia desempenhar um papel nesse processo.

É notável e há uma lição poderosa“, observou Giosan. “Se olharmos para a Síria e para a África, a migração dessas áreas tem algumas raízes nas alterações climáticas. Isso é apenas o começo – o aumento do nível do mar devido às mudanças climáticas pode levar a enormes migrações de regiões baixas como o Bangladesh, ou de regiões mais propensas a furacões no sul dos EUA”.

ZAP // EurekAlert

Por ZAP
18 Novembro, 2018

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1232: Desapareceu uma pequena ilha no Japão

DESTAQUES

Uma pequena ilha no norte do Japão parece ter desaparecido e as autoridades estão a investigar se foi varrida pela água, o que reduziria ligeiramente a área das águas japonesas territoriais.

A ilha, conhecida como Esambe Hanakita Kojima, foi oficialmente registada em 1987 pela Guarda Costeira japonesa, que, à época, nem sabia o tamanho exacto da mesma. Até agora, estava 1,4 metro acima do nível do mar e era visível do ponto mais a norte da grande ilha de Hokkaido, no norte do Japão. Mas agora não pode mais ser avistada.

“É possível que as ilhas mais pequenas acabem por sofrer consequências da erosão”, disse um oficial da Guarda Costeira à AFP. Um desaparecimento como este “poderia afectar um pouco as águas territoriais do Japão”, acrescentou.

O Japão investe na protecção de pequenas ilhas, especialmente o atol de Okinotori, longe de suas grandes ilhas principais, no meio do Pacífico, e que garante grande parte da sua ZEE (Zona Económica Exclusiva). Este país também disputa com a China e a Coreia do Sul a soberania de várias ilhas da região.

O Japão, atingido por frequentes terremotos e catástrofes naturais, nem sempre perde território, às vezes ganha.

Em 2015, uma faixa de 300 metros de terra emergiu da água e apareceu na costa da ilha de Hokkaido. Em 2013, uma ilha vulcânica apareceu a cerca de mil quilómetros a sul de Tóquio, abrangendo outra ilha e se expandindo-se continuamente.

ZAP // Lusa

Por Lusa
3 Novembro, 2018

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1050: Cientistas explicam por que se extinguiram as civilizações antigas

(CC0/PD) Wolk9 / Pixabay
Estátuas Moai, na ilha de Páscoa, no Chile

Cientistas da Universidade Wyoming, nos Estados Unidos, revelaram que o desaparecimento das civilizações antigas que existiram nos últimos 10 mil anos foi provocado pela globalização – o mistério pode estar (finalmente) desvendado.

De acordo com o novo estudo, publicado esta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, estas populações antigas desapareceram devido a processos de globalização, isto é, a ruína de uma civilização causava o colapso de uma outra, num processo em cadeia.

Para a investigação, os especialistas estudaram documentos históricos dos últimos 130 anos, bem como os resultados de testes de radio-carbono de vários fósseis com idades até 10 mil anos, encontrados em diferentes partes do nosso planeta.

Com base nos resultados, os cientistas conseguiram estimar o consumo de energia das várias sociedades humanas antigas, bem como o seu grau de sincronização.

Segundo o estudo, o consumo energético destas sociedades era praticamente igual. Ou seja, o processo de globalização entre os povos pode ter contribuído para o colapso simultâneo de várias civilizações devido à vulnerabilidade face às alterações ambientais causadas pelo desenvolvimento socioeconómico.

“Quanto mais estreitamente conectados e interdependentes nos tornarmos, mais vulneráveis ficamos perante uma grande crise social ou ecológica noutro país, que se estende ao nosso”, disse o investigador Erick Robinson, citado pelo EurekAlert.

“Quanto mais sincronizados estamos, mais facilmente colocamos os nossos ovos numa mesma cesta e menos nos adaptamos a mudanças imprevistas“, sustentou.

Jacopo Baggio, outro cientista que participou na investigação, apontou que a ascensão e queda das sociedades parece ser uma parte inerente de uma civilização e, por isso, estes são factores que devem ser tidos em conta hoje em dia nas sociedades modernas.

“A nossa informação é de há pelo menos 400 anos, quando se deu uma grande mudança das economias orgânicas para as economias de combustível fóssil, mas as tendências de sincronização mantêm-se até aos dias de hoje, ainda mais tendo em conta as interdependências das nossas sociedades”, sustentou.

“A crise financeira de 2007 e 2008 é um bom exemplo”, rematou Robinson.

Por ZAP
21 Setembro, 2018

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953: O Universo está a desaparecer

NASA

O Universo expande-se. À medida que esta expansão acelera, as galáxias afastam-se cada vez mais rapidamente e, um dia, tornar-se-ão inacessíveis, mesmo que viajemos na sua direcção à velocidade da luz.

Quando olhamos para uma estrela, cuja luz chega depois de viajar durante 100 anos, estamos a observar uma estrela que está a 100 anos-luz de distância. Mas quando observamos uma galáxia, cuja luz chega depois de uma viagem de 100 milhões de anos, não estamos a olhar para uma galáxia que está a 100 milhões de anos-luz de distância: este corpo celeste está muito mais distante.

A razão para essa “distorção” é que nas maiores escalas – aquelas que não estão gravitacionalmente unidas a nós – o Universo está a expandir-se.

Quanto mais tempo um fotão de uma galáxia distante demorar para chegar até aos nossos olhos, maior o papel da expansão do Universo, isto é, as galáxias mais distantes ficam ainda mais longe do que a quantidade e tempo que a luz proveniente destes corpos celestes percorreu.

A este fenómeno damos o nome de redshift (desvio para o vermelho) cósmico. Como a luz é emitida com uma energia específica e, consequentemente, um comprimento de onda também específico, esperamos que chegue ao seu destino com um determinado comprimento de onda.

Se o Universo não se estivesse a expandir, e se em vez disso o tecido do Universo fosse constante, esse comprimento de onda seria sempre o mesmo. No entanto, como o Universo se está a expandir, o tecido alonga-se, tornando o comprimento de onda mais longo também.

A expansão do Universo significa que todas as galáxias que não estão gravitacionalmente ligadas a nós vão acabar por desaparecer de vista. Com o passar do tempo, vão tornar-se cada vez mais distantes, afastando-se a velocidades cada vez maiores.

Em termos práticos, isso significa que um fotão que saia da nossa galáxia em direcção a uma distante, ou que saia de uma galáxia distante em direcção à nossa, jamais chegue ao seu destino. A taxa de expansão do Universo é tão grande que galáxias distantes se tornam inacessíveis, mesmo que nos movamos em direcção a elas à velocidade da luz.

Actualmente, esta distância está “apenas” a cerca de 15 mil milhões de anos-luz de distância.

Se considerarmos que o nosso Universo observável tem cerca de 46 mil milhões de anos-luz de raio, e que todas as regiões do espaço contêm o mesmo número de galáxias (em média), isso significa que apenas 3% do número total de galáxias é actualmente acessível. 97% das galáxias no nosso universo observável já estão fora do alcance da humanidade, devido à expansão acelerada do universo.

Isto significa também que, em média, vinte mil estrelas passam de acessíveis a inacessíveis a cada segundo. A luz que as estrelas emitiram há um segundo atrás, algum dia nos alcançará, mas a luz que emitiram neste exacto segundo, jamais chegará.

Se esta é uma forma perturbadora de encararmos o Universo, é também o pensamento que nos leva a afirmar com toda a certeza que cada segundo importa.

Por ZAP
1 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 7 erros ortográficos ao texto original)

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941: O Mar Mediterrâneo pode desaparecer

Eric Gaba / Wikimedia
A deriva continental pode causar o desaparecimento do Mar Mediterrâneo

O Mar Mediterrâneo, que tem uma área de 2,5 milhões de quilómetros quadrados e está localizado entre a África e a Europa, pode vir a desaparecer da superfície da Terra dentro de 50 milhões de anos.

De acordo com um artigo publicado nesta segunda-feira no The Economist, a deriva continental – teoria que descreve o movimento gradual dos continentes da Terra -, será a principal responsável pelo eventual desaparecimento do Mar Mediterrâneo. Caso o mar desapareça, o mundo tal como o conhecemos será no futuro muito diferente.

O fenómeno geológico da deriva continental dá-se porque as placas tectónicas que estão sob a superfície da Terra estão em constante movimento, à deriva sobre uma camada de rocha. Este movimento é impulsionado pelas correntes de calor provenientes do manto terrestre.

Neste momento, a África e a Europa movem-se lentamente em direcção um do outro ao longo do Mediterrâneo, num movimento que levará a uma colisão intercontinental que, por consequência, irá dar origem a um mega-continente – a Eurafrica.

A maioria dos geólogos acredita que, quando se der a colisão entre os dois continentes, o Mediterrâneo irá fechar-se, tornando-se montanhoso à medida que os grandes fragmentos dos continentes forem colidindo. No entanto, não há motivo para alarmismos: o fenómeno geológico só acontecerá num futuro longínquo.

É inevitável associar esta teoria à Pangeia, o super-continente rodeado por um só oceano que foi descrito pela primeira vez no século XX pelo alemão Alfred Wegener. A Pangeia ter-se-á fragmentado depois em dois mega-continentes – Gondwana e Laurásia – que deram depois origem aos continentes como hoje os conhecemos.

Os cientistas teorizam que os super-continentes se formaram durante grandes ciclos ao longo da história da Terra. A Pangea terá sido o mais recente a ter-se fragmentando há 200 milhões de anos ainda durante a era Paleozoica.

Alguns cientistas acreditam que estamos a atravessar um outro ciclo e, uma nova Pangeia, que incluirá montanhas no área agora ocupada pelo Mediterrâneo, poderá estar no horizonte.

Llywelyn2000 / Wikimedia
Da Pangea ao presente, passando por Gondwana

ZAP // MentalFloss

Por ZAP
31 Agosto, 2018

(Foram corrigidos 4 erros ortográficos ao texto original)

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