2404: O gelo das zonas mais altas da Gronelândia está a derreter

(CC0/PD) Barni1 / Pixabay

Todos anos, há gelo que derrete no verão. No entanto, a Gronelândia está a registar um dos maiores eventos de fusão de sempre.

Este ano, o fenómeno começou mais cedo, e a onda de calor que esta semana assolou a ilha está a afectar toda a superfície, incluindo a situada a maiores altitudes, nota o Público.

Há uma onda de calor sempre que as temperaturas ficam cinco graus acima do esperado durante, pelo menos, três dias e, segundo o professor da Universidade Nova de Lisboa Francisco Ferreira, isso não é invulgar. Mas esta “é mais intensa e mais extensa” do que é comum.

Depois de França, Alemanha ou Noruega, há agora estragos na Gronelândia, que faz parte do Reino da Dinamarca e é detentora da segunda maior reserva de gelo do mundo. O investigador sublinha que este é um dos dois grandes eventos de degelo da última década e o que está a acontecer agora pode ser ainda maior do que aconteceu em Julho de 2012, quando 98% da camada de gelo da ilha sofreu um derretimento à superfície.

No entanto, o mais capta a atenção dos cientistas é a extensão do fenómeno: as temperaturas estão acima do esperado desde Abril, antecipando a época anual de degelo.  Entre 11 e 20 de Junho, houve um nível excepcional de fusão. Só nestes dias, o manto de gelo perdeu o equivalente a 80 biliões de toneladas.

Actualmente, a onda está a afectar até os pontos mais altos da ilha. Na Summit Camp, localizada sensivelmente a meio do manto de gelo, 3.216 metros acima do nível do mar, durante oito horas de terça-feira a temperatura atingiu zero graus Celsius.

No espaço de sete anos, aconteceram dois episódios muito significativos que estão a preocupar os cientistas. “Não é o ponto de ruptura, mas estamos perto“, afirmou o cientista ao jornal.

O que acontece na Gronelândia não afecta apenas a região autónoma da Dinamarca, como também o planeta inteiro, sobretudo as regiões costeiras e países insulares como o Kiribati, uma vez que o excesso de água doce escorre para mar.

Em 2012, a água produzida pela fusão de gelo acrescentou mais de um milímetro ao nível do mar. Este ano, já está a taco-a-taco, remata o Público.

ZAP //

Por ZAP
4 Agosto, 2019

 

2109: Turistas já fazem reservas para assistir ao degelo dos glaciares do Alasca

DESTAQUE

Smial / Wikimedia

O rápido degelo dos glaciares devido às alterações climáticas criou um novo mercado para os operadores turísticos do Alasca, nos Estados Unidos.

O jornal Anchorage Daily News noticiou que as operadoras de várias empresas de turismo estão a registar um aumento em reservas de viagens de grupos que querem assistir ao recuo do único estado árctico do país.

“As pessoas querem ver os glaciares enquanto há acesso“, disse Paul Roderick, director de operações da “Talkeetna Air Taxi”, que faz viagens aéreas no Alasca. “As pessoas sabem mais sobre glaciares do que antes. Perguntam quão depressa estão a recuar, quando antes mal sabiam o que era um glaciar”, acrescentou, em declarações à mesma publicação.

As operadoras turísticas dizem que os turistas são, maioritariamente, oriundos da Austrália e de mercados emergentes como China e Índia. “Há mais interesse”, disse Peter Schadee, da “Anchorage Helicopter Tours”, que faz voos de helicóptero naquela região. “Temos assistido ao interesse em glaciares de pessoas de todo o Mundo”, acrescentou.

“As pessoas querem muito ver os glaciares, mas estão a derreter muito depressa“, contou Matt Szunday, dono da Ascending Path, uma empresa que faz passeios turísticos a glaciares do Alasca.

O recuo destas gigantes e antigas massas de gelo criou um nicho de mercado, com turistas a fazer marcações para ver os glaciares “antes que seja tarde de mais”.

Uma nova revisão dos dados de pesquisas publicada no Jornal da Glaciologia prevê que os 25 mil glaciares do Alasca perderão entre 30% e 50% de sua massa até ao final deste século. A nível global, os glaciares devem perder entre 18 e 365 da massa, o que poderá resultar numa subida de 25 centímetros no nível da água do mar.

ZAP // Lusa

Por ZAP
4 Junho, 2019



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1853: Cientistas encontram resíduos radioactivos presos nos glaciares

CIÊNCIA

Christine Zenino / wikimedia

O gelo está a desaparecer e, à medida que derrete, tem deixado para trás alguns presentes de despedida: cadáveres congelados, artefactos antigos, vírus mortos e o mais recente – precipitação nuclear.

Recentemente, uma equipa internacional de cientistas descobriu níveis elevados de radionuclídeos radioactivos – átomos radioactivos que resultam de acidentes nucleares e testes de armas – em todos os glaciares estudados pelos especialistas.

“Queremos provar que esta é uma questão global e não apenas localizada perto de fontes de contaminação nuclear”, adiantou Caroline Clason, professora e investigadora da Universidade de Plymouth, no Reino Unido.

Mas, no meio desta descoberta, há uma boa notícia: os cientistas acreditam que estes resíduos nucleares não representam uma ameaça imediata para o ambiente. Ainda assim, os resíduos foram encontrados, na maioria dos locais, em níveis significativamente mais altos do que o considerado seguro para a ingestão humana.

Segundo Clason, que apresentou as descobertas no dia 10 de Abril na conferência da European Geosciences Union (EGU), estes resíduos podem entrar na cadeia alimentar, à medida que os glaciares continuam a derreter devido às alterações climáticas.

A equipa de cientistas procuraram por resíduos nucleares em crioconite, uma camada de sedimentos escuros encontrados na superfície de muitos glaciares ao redor do mundo. Ao contrário de outros sedimentos comuns, a crioconite é composta por material inorgânico e material orgânico.

As partes orgânicas podem incluir carbono negro ou as sobras da combustão incompleta de combustíveis fósseis, fungos, micróbios e matéria vegetal – fazendo da crioconite uma espécie de “esponja” muito eficiente para o resíduos transportados pelo ar que caem nos glaciares com a chuva ou a neve.

À medida que o clima aquece a água suja do derretimento atravessa os glaciares moribundos, aumenta a quantidade de resíduos acumulados em crioconite.

Os cientistas recolheram amostras de crioconite de 17 glaciares desde a Antárctida até aos Alpes e da Colúmbia Britânica até à região árctica da Suécia. Estas amostras tinham quantidades elevadíssimas de contaminação, adiantou Clason.

Enquanto alguns dos radionuclídeos detectados – como o chumbo-210 – ocorrem naturalmente no ambiente, dois isótopos, em particular, podem ser associados a actividades nucleares humanas.

O amerício-241, um isótopo radioactivo produzido em decomposição de plutónio, foi encontrado em muitos locais estudados e em quantidades que poderiam ser perigosas para a saúde humana. Também o césio-137, um isótopo produzido durante explosões nucleares, foi encontrado em todos os locais estudados em quantidades de dezenas a centenas de vezes superiores aos níveis esperados.

Estes subprodutos nucleares foram, provavelmente, depositados pela explosão da central nuclear de Chernobyl em 1986, adiantou o Live Science. “As pessoas sabiam que o césio-137 permanecia no ambiente, mas não sabem que os glaciares ainda estão a libertar esse resíduo nuclear, 30 anos depois”, disse a cientista durante a apresentação dos resultados da investigação.

Ainda assim, estes resíduos não representam qualquer ameaça conhecida para os seres humanos ou para o ambiente. No entanto, os cientistas temem que possam representar uma ameaça caso se espalhem através da água derretida para rios e lagos, onde os animais comem e bebem com bastante frequência.

“Quando os elementos radioactivos caem sob a forma de chuva, como aconteceu após o acidente de Chernobyl, são evacuados, é um fenómeno pontual. Mas, sob a forma de neve, eles ficam aprisionados no gelo durante décadas, e com o derretimento dos glaciares, terminam nos rios”, explicou Clason.

Com o aquecimento e o consequente derretimento dos glaciares, a cientista teme que estes resíduos entrem cadeia alimentar de alguns animais, acabando nos nossos pratos.

ZAP //

Por ZAP
17 Abril, 2019

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1566: O clima está cada vez mais selvagem (e vai piorar)

Christine Zenino / wikimedia

O clima tornou-se selvagem e irá piorar ao longo do próximo século, com o derretimento do gelo na Gronelândia e na Antárctida a causar temperaturas mais extremas e imprevisíveis, segundo um novo estudo.

O trabalho, publicado esta quinta-feira na revista científica Nature, é o primeiro a simular os efeitos, na situação actual, que o gelo derretido nas duas regiões polares terá nas temperaturas dos mares e nos padrões de circulação das massas de água.

“Com as actuais políticas governamentais globais estamos a caminhar para três a quatro graus de aquecimento acima dos níveis pré-industriais, fazendo com que uma quantidade significativa de gelo derretido da Gronelândia e dos campos de gelo antárcticos entre nos oceanos”, disse Nick Golledge, do Centro de Pesquisa Antárctica da Universidade de Victoria, na Nova Zelândia.

O investigador acrescentou que, de acordo com os modelos usados no estudo, “o gelo derretido vai causar alterações significativas nas correntes oceânicas e mudar os níveis de aquecimento em todo o mundo”. Nick Golledge liderou uma equipa internacional de investigadores composta por cientistas da Nova Zelândia, mas também do Canadá, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos.

A equipa combinou simulações dos efeitos do degelo no clima, com observações por satélite das mudanças recentes nas camadas de gelo e criaram previsões mais precisas e confiáveis do que pode acontecer com as actuais políticas em relação ao clima.

As simulações feitas sugerem que vai haver uma subida mais rápida do nível do mar entre 2065 e 2075, e que a água resultante do degelo vai afectar as temperaturas e os padrões de circulação das águas nos oceanos, o que também vai afectar a temperatura do ar.

Os cientistas dizem que a água do mar não vai subir da mesma forma em todo o lado, mas advertem que os efeitos do degelo serão muito mais generalizados.

À medida que a água do degelo entra nos oceanos, por exemplo no Atlântico Norte, as principais correntes oceânicas, como a corrente do Golfo, serão significativamente enfraquecidas. Dizem os cientistas que isso levará a temperaturas do ar mais altas no Árctico, no leste do Canadá e na América Central e a temperaturas mais baixas no noroeste da Europa.

“O aumento do nível das águas do mar devido ao derretimento das camadas de gelo já está a acontecer e tem acelerado nos últimos anos. As nossas novas experiências mostram que ele continuará até certo ponto, mesmo que o clima da Terra estabilize. Mas elas também mostram que se reduzirmos drasticamente as emissões (de gases com efeito de estufa) podemos limitar esses futuros impactos”, disse Nick Golledge.

ZAP // Lusa

Por Lusa
7 Fevereiro, 2019

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1559: Dois terços dos glaciares dos Himalaias podem derreter até 2100

Wolfgang Beyer / Wikimedia

Dois terços dos glaciares das montanhas do Hindu-Kush-Himalaias poderão derreter até ao fim do século se o planeta continuar a aquecer por causa dos gases de efeito de estufa, segundo um estudo científico.

O chamado “terceiro pólo”, por causa da quantidade de gelo ali concentrada, estende-se por 3.500 quilómetros, entre o Afeganistão e a Birmânia, e a continuação do aquecimento global ameaça desestabilizar os grandes rios da Ásia, concluíram os investigadores do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha, uma organização sediada em Katmandu, no Nepal.

O estudo envolveu 350 cientistas e durou cinco anos, que olharam para os rios alimentados pelo gelo das cordilheiras, que incluem o Ganges, o Mekong e o Rio Amarelo, ao longo dos quais vivem 1,65 mil milhões de pessoas.

“É a crise climática de que ainda não se falou”, afirmou o investigador Philippus Wester.

Mesmo que se limitasse o aumento da temperatura global a 1,5 graus até 2100, cumprindo a meta do acordo de Paris de 2015, a região do Hindu-Kush-Himalaias perderia um terço do gelo, afectando também os 250 milhões de pessoas que vivem nas zonas montanhosas.

“O aquecimento global pode transformar os picos montanhosos gelados que atravessam oito países em montanhas de rocha nua em menos de um século. As consequências para as populações da região, que já é uma das zonas montanhosas mais frágeis e em risco, irão da poluição atmosférica ao aumento dos fenómenos climáticos extremos”, alertou.

Ao influenciar o volume e as alturas dos degelos, o aquecimento global põe em risco a produção agrícola que depende da água que corre da montanha, prejudicando a segurança alimentar e assoberbando os sistemas de distribuição de água urbanos.

O estudo, esta semana publicado na Springer Link, dá ainda conta que as consequências do derretimento dos glaciares dos Himalaias podem afectar quase 2 mil milhões de pessoas com secas mais frequentes, chuvas mais violentas e inundações súbitas.

ZAP // Lusa

Por ZAP
5 Fevereiro, 2019

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1495: Antárctida está a derreter 6 vezes mais depressa (com consequências trágicas)

ravas51 / Wikimedia

A Antárctida está a derreter a uma velocidade inesperada, de acordo com um novo estudo que concluiu que entre 2000 e 2017, a perda de gelo aumentou 280% devido ao aquecimento global e ao influxo de água morna do oceano.

Este novo estudo publicado no jornal científico Proceedings of the National Academy of Sciences demonstra os resultados da “avaliação mais duradoura da massa de gelo antárctica remanescente”, considerando imagens aéreas e de satélite das 18 regiões da Antárctida, incluindo 176 bacias e algumas ilhas vizinhas, para analisar como mudaram ao longo das últimas quatro décadas, como destaca o comunicado dos autores da pesquisa.

A equipa internacional de cientistas das Universidades da Califórnia em Irvine (UCI), nos EUA, do Laboratório de Propulsão da NASA e da Universidade de Utrecht, na Holanda, concluiu que a Antárctida perdeu cerca de 40 mil milhões de toneladas de gelo por ano entre 1970 e 1990.

Mas entre 2000 e 2017, esse número aumentou para os 252 mil milhões de toneladas. Uma subida assinalável e preocupante de 280% que está intimamente relacionada com o aquecimento global e com um influxo de água morna do oceano, notam os autores do estudo.

Os cientistas frisam que a Antárctida está a perder seis vezes mais gelo do que há quatro décadas, o que constitui um sinal de alarme.

Esta perda de gelo levou a um aumento do nível do mar de 1,27 centímetros entre 1970 e 2017. Mas “é apenas a ponta do icebergue”, como destaca o investigador que liderou o estudo, Eric Rignot, professor na UCI.

“À medida que o manto de gelo da Antárctida continua a derreter, esperamos uma elevação do nível do mar de vários metros nos próximos Séculos”, alerta Rignot.

Calor nos oceanos atingiu valor mais alto de sempre

O aquecimento dos oceanos a ritmos inesperados, devido às alterações climáticas, também contribui para o aumento do nível do mar, bem como para o derretimento do gelo antárctico.

E os mais recentes dados apontam que o calor contido no oceano atingiu o valor mais alto de sempre em 2018. Estamos perante um aumento que, comparativamente com 2017, “representa o equivalente a 100 milhões de vezes o calor produzido pela bomba atómica em Hiroxima”, como destaca a Lusa com base na medição de uma equipa internacional de investigadores que analisou a temperatura do mar em profundidades de até 2000 metros.

Este tipo de análise é visto como a melhor forma de aferir as consequências climáticas da concentração de gases com efeito de estufa resultantes da actividade humana.

“Os novos dados, juntamente com vasta literatura, servem como mais um aviso aos governos e ao público em geral sobre o inevitável aquecimento global que vivemos”, aponta o cientista Lijing Cheng, o principal autor desta investigação que foi publicada na revista científica Advances in Atmospheric Sciences.

O aumento do calor oceânico em 2018, comparativamente com 2017, é equivalente a 388 vezes a produção de electricidade da China no mesmo ano, frisa-se no estudo.

Contribuindo para a subida do nível do mar, o aumento da concentração de calor nos oceanos promove os riscos de inundações e coloca em perigo comunidades costeiras, além de fomentar o colapso do gelo antárctico.

As consequências podem ser catastróficas se não forem tomadas medidas para evitar esta tendência.

“O gelo da Antárctida contém 57,2 metros” de “aumento do nível do mar potencial”, atestam os investigadores da UCI. Se a queda de neve não ultrapassar o fluxo de gelo para o oceano, o nível do mar subirá de forma trágica.

Outro dado preocupante deste estudo concluiu que a Antárctida Oriental contribui de forma relevante para a perda de gelo – esta região pode, só por si, representar 52 metros para o potencial aumento do nível do mar.

“Esta região é, provavelmente, mais sensível ao clima do que foi tradicionalmente assumido, e é importante sabe-lo porque contém mais gelo do que a Antárctida Ocidental e do que a Península Antárctida juntas”, destaca Rignot.

“Não quero ser alarmista”. Mas “os locais que passam por mudanças na Antárctida não se limitam a um par deles” e “parecem ser mais extensos do que pensávamos”, o que é “motivo para preocupação”, conclui Rignot em declarações ao The Washington Post.

SV, ZAP //

Por SV
20 Janeiro, 2019

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1484: Há uma parte da Antárctida que está a encolher (mas não era suposto)

(CC0/PD) pxhere

Quando os cientistas falam sobre o derretimento da Antárctida, geralmente estão a referir-se à Antárctida Ocidental, onde gigantescos glaciares costeiros estão a derramar grandes quantidades de água.

Mas, do outro lado das montanhas transantárticas a leste, há um manto de gelo muito maior que, normalmente, aparenta estar a manter o frio. Um novo estudo, no entanto, afirma que a Antárctida Oriental também está a perder peso a uma velocidade preocupante.

Um estudo publicado a 14 de Janeiro na revista Proceedings of the National Academies of Sciences aponta para um declínio constante na quantidade de gelo que cobre a Antárctida Oriental desde que os registos de satélite começaram em 1979.

A investigação constata que a perda de massa da Antárctida Oriental ainda está atrasada em relação ao Ocidente – o primeiro perdeu recentemente cerca de 50 mil milhões de toneladas de gelo por ano para os 160 mil milhões deste último.

No total, o estudo estima que o leste da Antárctida adicionou 4,4 milímetros ao nível global do mar da Terra desde 1979, comparado com 6,9 milímetros do Ocidente. De forma preocupante, a Antárctica Oriental detém 52 dos 57 metros potenciais de elevação do nível do mar trancados no gelo da Antárctida.

Observadores o que está a acontecer com o continente congelado saberão que estas são conclusões glaciológicas radicais. De facto, uma análise publicada em Junho passado concluiu que, no geral, a Antárctida Oriental não perdeu gelo.

O novo estudo concentrou-se num único método: o método componente. Essencialmente, os investigadores subtraíram os dados sobre a quantidade de gelo que flui no oceano a cada ano a partir de dados sobre a quantidade de neve que cai no continente.

Assim, os autores conseguiram desvendar uma tendência de queda para a Antárctida Oriental, particularmente dentro do sector da Wilkes Land, que está a perder massa há 40 anos.

Isto sugere que está longe do fim da história para esta parte do mundo. Novos conjuntos de dados devem vir de missões via satélite como o GRACE-Follow On, que usa dados gravitacionais para rastrear a perda de peso da Antárctida, e o ICESat-2, que mede a altura de superfícies geladas, deve ajudar os investigadores a refinar ainda mais os resultados.

Mas uma coisa é certa: se a Antárctida Oriental está a perder peso, e se essa tendência acelerar, o futuro dos litorais da Terra pode começar a parecer muito mais obscuro.

ZAP // Gizmodo

Por ZAP
17 Janeiro, 2019

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1420: 2018 foi o segundo ano mais quente no Árctico desde que há registo

CIÊNCIA

usgeologicalsurvey / Flickr

Este ano, 2018, foi o segundo mais quente no Árctico desde 1900, quando começou a haver registos das temperaturas, aponta um relatório esta semana divulgado.

Em 2018, a temperatura esteve 1,7 graus Celsius mais elevada do que a média dos últimos 30 anos e o aquecimento global foi duas vezes mais rápido do que a média mundial. O recorde absoluto data de 2016.

Os cinco anos mais recentes foram os mais quentes desde que há registos, de acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que coordenou um relatório de referência, escrito por mais de 80 investigadores de 12 países.

Aquele organismo depende directamente da administração do presidente norte-americano, Donald Trump, que em Novembro rejeitou um relatório sobre os efeitos das alterações climáticas, da responsabilidade de investigadores federais. Apesar disso, a NOAA publicou este ano a 13.ª edição do relatório sobre o Árctico.

“O Árctico enfrenta uma transição repentina, sem precedentes na História da Humanidade”, advertiu Emily Osborne, do programa da NOAA de pesquisa do Árctico, citada pela Agência France Presse.

No Oceano Árctico, o gelo forma-se de Setembro a Março, mas a temporada tem-se encurtado nos últimos anos. O gelo é menos espesso, mais jovem e cobre menos o oceano. O gelo velho, com mais de quatro anos, reduziu-se em 95% em 33 anos.

Segundo o relatório da NOAA, cria-se um círculo vicioso em que o gelo mais jovem é mais frágil e derrete mais cedo na primavera, com menos gelo a significar menos capacidade de reflectir a luz solar, o que tem como resultado que o oceano absorve mais energia e aquece um pouco mais. Os doze anos de cobertura de gelo mais fraca são os últimos doze anos.

O relatório indica que nunca houve tão pouco gelo de inverno no mar de Bering, entre a Rússia e o Alasca, como em 2017-2018. Habitualmente, o inverno mais forte chega em Fevereiro, mas este ano o gelo derreteu naquele mês em proporções sem precedentes.

Donald Perovich, professor na Universidade de Dartmouth, no estado norte-americano de New Hampshire, refere que a perda de gelo atingiu “uma área do tamanho do estado [norte-americano] de Idaho”, cerca de 215.000 quilómetros quadrados em duas semanas de Fevereiro, um terço do território francês.

Por outro lado, de acordo com a NOAA, a aceleração do derretimento da camada de gelo na Gronelândia estabilizou.

ZAP // Lusa

Por ZAP
15 Dezembro, 2018

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1395: A Gronelândia está a derreter mais depressa do que nunca

CIÊNCIA

Christine Zenino / wikimedia

Foram analisados mais de 350 anos para concluir que o manto de gelo da Gronelândia está a derreter mais rapidamente do que no ano passado. O ano de 2012 foi particularmente danoso.

Luke Trusel, da Universidade Rowan, nos Estados Unidos, coordenou uma equipa de cientistas que desenvolveu um registo, recuando até 1650 e analisando camadas de derretimento em núcleos de gelo do Oeste da Gronelândia.

“Os autores ligaram essas camadas a processos de derretimento mais amplos e actuais na Gronelândia” refere o resumo do estudo, que foi publicado recentemente na Nature. Os resultados levam os cientistas a concluir que o derretimento e o escoamento do manto aceleraram recentemente, fora do intervalo da variabilidade passada.

Além disso, segundo o Público, este trabalho permitiu confirmar que o derretimento da camada de gelo da Gronelândia começou a aumentar logo após o início do aquecimento do Árctico, em meados da década de 1800.

Nos últimos 350 anos, o derretimento da superfície em 2012 foi muito mais extenso. Já na década mais recente contida nos núcleos de gelo (2004-2013) observou-se um degelo mais sustentado e intenso do que qualquer outro período de dez anos registado.

Os autores avisam que “devido a uma resposta não linear do derretimento da superfície ao aumento das temperaturas do ar no Verão, o aquecimento atmosférico continuado levará a aumentos rápidos no escoamento do manto de gelo da Gronelândia e nas contribuições no nível do mar“, dado que o manto de gelo da Gronelândia é um dos principais factores naturais que contribui para a elevação do nível do mar.

O manto de gelo da Gronelândia é um importante marcador da evolução do planeta para os cientistas. Ano após ano, enquanto que o mundo aquece, a Gronelândia derrete.

No ano passado, em Junho, um outro estudo concluía que os glaciares e os cumes de gelo na Gronelândia não vão conseguir recuperar da actual situação, por exemplo.

Além disso, um outro estudo adiantava que o derretimento do gelo na costa da Gronelândia terá como consequência a subida do nível do mar em cerca de 3,8 centímetros até 2100. Um clima mais quente no futuro poderá mesmo trazer consequências graves.

ZAP //

Por ZAP
8 Dezembro, 2018

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1342: O gelo no Monte Evereste está mais quente do que devia (e pode derreter)

CIÊNCIA

markhorrell / Flickr

O gelo do Monte Evereste está mais quente do que devia, o que significa que o glaciar será vulnerável aos efeitos futuros das alterações climáticas.

O Khumbu, o maior glaciar do mundo que está localizado nas encostas do Monte Evereste, registou temperaturas vários graus acima do normal, por isso é especialmente susceptível ao aquecimento global e pode afectar o acesso à água potável de cerca de 60 milhões de pessoas que vivem na região.

O estudo, publicado em 14 de Novembro no Scientific Reports, baseou-se em medições térmicas recolhidos no gelo do glaciar ao longo de vários meses em 2017 e 2018 em altitudes de até 5.200 metros acima do nível do mar.

Os especialistas fizeram furos de até 155 metros de profundidade no gelo, onde, posteriormente, colocaram sensores térmicos.

Desta forma, os investigadores determinaram que a temperatura mínima do gelo registada naquela profundidade era de apenas -3,3ºC, ou seja, dois graus acima da temperatura média anual do ar.

“Gelo quente é particularmente vulnerável às mudanças climáticas porque mesmo um pequeno aumento na temperatura pode provocar o derretimento”, disse Duncan Quincey, geógrafo da Universidade de Leeds, no Reino Unido e principal autor do estudo.

A alta temperatura do gelo é atribuída ao calor geotérmico, juntamente com o ar mais quente que vem de alturas mais baixas, e a água que se origina do derretimento. Isto pode gerar um ciclo de feedback positivo perigoso, já que a água absorve melhor o calor do que o gelo, que, quando derretido, é cercado, por sua vez, por uma quantidade maior de água.

“A temperatura interna tem um impacto significativo sobre a dinâmica complexa de um glaciar”, que é “uma parte crucial do abastecimento de água de milhões de pessoas na região de Hindukush e do Himalaia”, referiu Quincey.

De facto, esta é a área com mais gelo – excepto o Árctico e a Antárctida – e, por isso, é apelidada de “terceiro pólo”. Cerca de 60 milhões de pessoas dependem da água das montanhas do Monte Evereste.

A enorme quantidade de gelo é uma reserva valiosa de água potável. Por isso, o aumento da temperatura do gelo pode vir a afectar a população que dela depende, assim que o gelo comece a derreter.

ZAP // RT / Science Alert

Por ZAP
27 Novembro, 2018

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991: Em apenas 4 dias, o calor derreteu toda a neve de inverno de um glaciar no Canadá

NASA

Em apenas 4 dias deste verão, a neve acumulada durante todo o inverno passado no Glaciar Lowell, no Canadá, derreteu, transformando-se numa imensa lagoa que o glaciologista Mauri Pelto apelidou de “pântano de neve”.

A imagem acima demonstra a progressão do rápido derretimento da neve no Parque Nacional e Kluan, no território de Yukon, no Canadá. As imagens foram recolhidas no passado dia 26 de Julho pelo Operational Land Imager (OLI) através do satélite Landsat 8.

Na imagem, as bandas de infravermelhos combinaram-se para diferenciar com clareza as as áreas de água que estão congeladas (azul claro) daquelas que contêm água de degelo (azul escuro). Já as rochas da zona estão identificadas em tonalidade castanhas e a vegetação assinalada a verde.

No dia em que a imagem foi capturada, há pouco mais de um mês, a lama cobria uma área superior a 40 quilómetros quadrados, nota a Europa Press.

Pelto, investigador da Nichols College, observou lagos de lama semelhantes a este em outros glaciares contudo, ressaltou, o rápido derretimento sentido no Glaciar Lowell é incomum. “A única forma de criar um pântano tão extenso de neve é tendo a neve saturada de água até chegar à superfície”, explicou, em Nichols College.

As altas temperaturas sentidas causaram um extenso fenómeno de ablação – a perda de gelo superficial devido ao derretimento -, de acordo com o investigador.

Durante os dias em causa, as temperaturas diárias registadas nas proximidade de Haines Junction, vila localizada a 60 quilómetros do glaciar, atingiram os 29 graus – bem mais altas do que as temperaturas que normalmente atingem a região em Julho.

A “piscina de lama” foi desaparecendo rapidamente à medida que a neve ia derretendo. A 11 de Agosto, a lama deixou o glaciar, dirigindo-se para o lago Loweel. De acordo com Pelto, uma perda tão grande de água deve fazer com que o glaciar recue mais.

ZAP //

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9 Setembro, 2018

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957: Cientistas descobriram uma “bomba relógio” debaixo do oceano Árctico

usgeologicalsurvey / Flickr

O Árctico não está apenas ameaçado pelo derretimento do gelo na sua superfície. Um novo estudo mostra que há também um reservatório de água aquecida que se está a acumular debaixo do oceano.

Segundo o Science Alert, uma nova pesquisa descobriu evidências de um vasto reservatório de água aquecida que se está a acumular debaixo do Oceano Árctico e a penetrar de forma profunda no coração da região polar, ameaçando derreter o gelo que se encontra no topo.

“Documentámos um aquecimento oceânico impressionante numa das principais bacias do interior do Oceano Árctico, a Bacia do Canadá”, explica a oceanógrafa da Universidade de Yale Mary-Louise Timmermans.

A investigadora e o resto da equipa analisaram as temperaturas registadas nessa bacia nos últimos 30 anos e descobriram que a quantidade de calor na parte mais quente da água efectivamente duplicou no período entre 1987 e 2017.

Esta bacia, situada a norte do Alasca, nos Estados Unidos, é composta por camadas mistas de água oceânica, com água fria na superfície e água mais quente e salgada por baixo.

São as condições de aquecimento rápido do reservatório mais quente que deixam os cientistas a reflectir. “Actualmente, este calor está preso abaixo da camada superficial“, explica Timmermans. “Devia misturar-se até à superfície, existe calor suficiente para derreter por completo o gelo que cobre esta região durante a maior parte do ano”.

De acordo com os investigadores, cujo estudo foi publicado esta semana na revista científica Science Advances, as águas submersas mais quentes têm “arquivado” o calor devido ao “aquecimento solar anómalo” das águas superficiais no norte do Mar de Tchuktchi, que alimenta a Bacia do Canadá.

Basicamente, à medida que o gelo do mar derrete sazonalmente e cada vez mais no Mar de Tchuktchi, a água aberta é exposta ao calor da luz solar, aquece e é levada para o norte pelos ventos do Árctico – um fenómeno actual chamado de Beaufort Gyre.

(dr) Yale University

Enquanto esta água aquecida viaja para o Árctico, as águas mais quentes descem abaixo da camada mais fria da Bacia do Canadá – mas a quantidade que aqueceu nas últimas três décadas pode representar “uma bomba-relógio“, alertam os cientistas.

“Este calor não vai desaparecer”, disse à CBC John Toole, um dos investigadores desta equipa e oceanógrafo do Instituto Oceanográfico Woods Hole. “Eventualmente… vai ter que subir à superfície e vai embater contra o gelo”.

Os cientistas pensam que esta ainda não é uma ameaça imediata, no entanto, ventos fortes misturados com camadas de água mais frias e mais quentes – ou um aumento da salinidade, movendo a água mais quente para cima – podem afectar severamente o gelo do Árctico.

E mesmo que esses resultados não aconteçam, a trajectória de temperatura já vista poderia estar a afectar a cobertura de gelo de forma mais subtil, embora ainda ninguém saiba as ramificações exactas.

“Resta ver como as perdas contínuas de gelo irão mudar fundamentalmente a estrutura e a dinâmica da coluna de água”, explicam os autores no estudo, embora notem que nos próximos anos o excesso de calor “vai dar origem a fluxos de calor ascendentes, criando efeitos compostos no sistema ao diminuir o crescimento do gelo marinho no inverno”.

É preciso mais pesquisa para calcular quão séria é esta situação, porém, não há forma de negar que estes mecanismos fazem todos parte de um problema muito maior – e um que não vai desaparecer.

“Estamos a ver cada vez mais águas abertas quando o gelo marinho recua no verão”, diz Timmermans à Canadian Press. “O Sol está a aquecer o oceano directamente, porque este não está mais coberto pelo gelo do mar”.

ZAP //

Por ZAP
3 Setembro, 2018

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