4365: A Antárctida está em perigo. “Glaciar do juízo final” está a derreter a um ritmo alarmante

CIÊNCIA/AQUECIMENTO GLOBAL

Jeremy Harbeck / Nasa

Novas estudos deixam um alerta: A Antárctica está a correr sérios perigos de desaparecer. Os cientistas já apelidaram o Thwaites – um glaciar do tamanho da Grã-Bretanha localizado no oeste do continente –  de “glaciar do juízo final”, devido à rapidez com que está a derreter.

O Thwaites, está a derreter a um ritmo alarmante: está a recuar cerca 800 metros por ano. Os cientistas acreditam que o glaciar deverá perder todo o seu gelo nos próximos 200 a 600 anos. Quando isso acontecer, haverá um inevitável aumento do nível do mar em cerca de 0,5 metros. Contudo, o aumento do nível do mar não é a única consequência do derretimento de gelo na Antárctida – revela o Science Alert.

O colapso do Thwaites pode trazer com ele carradas de gelo que estão presentes no oeste da Antárctica. Sendo assim o aumento do nível do mar não aumentaria apenas 0,5 metros, mas sim 3 metros, o que acabaria por colocar grandes cidades submersas, como é o caso de Nova York, Miami e Holanda – regiões costeiras.

David Holland, professor de ciência atmosférica na Universidade de Nova York diz que este fenómeno pode implicar “uma grande mudança”.

Dois novos estudos acrescentaram ainda mais detalhes a este quadro que já é alarmante. Uma pesquisa publicada na semana passada no jornal Cryosphere, descobriu que as correntes oceânicas quentes podem estar a corroer os extremos do glaciar Thwaites.

Entretanto, um estudo publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences na segunda-feira, usou imagens de satélite para mostrar o Thwaites e o seu vizinho, o glaciar Pine Island. Os dois estão a fragmentar-se mais rapidamente do que se pensava e já contribuíram com cerca de 5% para o aumento global do nível do mar.

A má notícia é que não é só o Thwaites que está a desmoronar, pois a camada de gelo da Antárctica está a derreter seis vezes mais rápido do que na década de 1980, perdendo assim 252 mil milhões de toneladas por ano da sua composição, contra os 40 mil milhões de toneladas por ano que perdia há 40 anos.

O novo estudo PNAS descobriu que as margens de cisalhamento nos glaciares Pine Island e no Thwaites estão a enfraquecer, e por isso estão mais vulneráveis o que faz com que se partam –  o que pode estar a causar o fluxo de gelo para o oceano.

Quando as camadas de gelo derretem por baixo, podem perder a sua estrutura, fazendo com que derretam ainda mais rápido e se desintegrem no oceano, como está a acontecer com o glaciar Thwaites.

A fusão do glaciar Thwaites é tão preocupante que os EUA, e o Reino Unido criaram uma agência internacional para estudar o fenómeno, a Colaboração Internacional do Glaciar Thwaites.

Os investigadores calcularam que o glaciar de Pine Island perdeu uma área equivalente ao tamanho de 10 cidades de Lisboa, nos últimos seis anos. “São os primeiros sinais que temos de que a plataforma de gelo de Pine Island está mesmo a desaparecer“, disse Stef Lhermitte, especialista em satélites e principal autor do estudo PNAS.

De acordo com um relatório de 2018, o aumento do nível do mar pode afectar até 800 milhões de pessoas até 2050.

O relatório, da rede climática C40 Cities, descobriu que o aumento do nível do mar pode ameaçar o fornecimento de energia a 470 milhões de pessoas,e regularmente expor 1,6 mil milhões de pessoas a temperaturas extremamente altas.

Num cenário mais trágico, se todo o de gelo da Antárctica derretesse, os cientistas estimam que o nível do mar aumentaria 60 metros.

ZAP //

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21 Setembro, 2020

 

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3197: A crise climática vista do Espaço. Vídeo da NASA revela degelo dos glaciares no Alasca

CIÊNCIA/CLIMA

Um vídeo publicado recentemente pela NASA mostra o derretimento dos glaciares do Alasca visto do Espaço. Algumas imagens revelam mudanças de quase 50 anos.

O nosso planeta está a caminhar a passos largos para uma situação preocupante de não retorno. Vários dados científicos apontam para um cenário de crise climática global.

Recentemente, a agência espacial NASA partilhou um vídeo no qual é possível observar o degelo dos glaciares e calotas de gelo do Alasca visto do Espaço, informa a Sputnik News.

Durante a conferência anual da União Americana de Geofísica, que se realizou em São Francisco, nos Estados Unidos, os investigadores mostraram uma sequência de imagens do Alasca, da Gronelândia e da Antárctica, tiradas por satélites, incluindo as do estudo geológico do programa Landsat, da NASA.

Juntando todos os dados, os cientistas conseguiram perceber as dramáticas alterações que estão a ocorrer nos glaciares do Alasca. Entre os casos mostrados, um que preocupa particularmente os especialistas é o da diminuição dramática do glaciar Hubbard.

Na Gronelândia, por exemplo, diferentes registos de satélites mostram uma aceleração na diminuição dos glaciares desde ano 2000, assim como surgimento de lagoas devido ao degelo, que estão a espalhar-se nas alturas mais elevadas durante a última década. Este fenómeno poderia acelerar o fluxo de gelo.

Utilizando imagens de 1972 a 2019, o glaciologista Mark Fahnestock, da Universidade Fairbanks, compôs uma sequência de imagens de vários glaciares do Alasca e do território Yukon. “Agora temos este registo extenso e detalhado que nos permite ver o que aconteceu no Alasca. Quando imagens como estas são reproduzidas, temos uma ideia do quão dinâmicos são estes sistemas e quão instável é o fluxo de gelo”, afirmou.

Apesar de as imagens não serem propriamente uma novidade, o vídeo mostra o cenário actual dos glaciares do Alasca.

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15 Dezembro, 2019

 

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3034: O “último refúgio” do Árctico está prestes a desaparecer

CIÊNCIA

O mais antigo e mais espesso gelo marinho do Árctico está a desaparecer duas vezes mais depressa do que o gelo no resto do Oceano Árctico.

Um novo vídeo, criado pela União Geofísica Americana, mostra a era do gelo marinho no Oceano Árctico a norte da Gronelândia desde 1984, logo após o início de observações confiáveis por satélite.

No vídeo, é possível ver que a região outrora robusta de gelo marino mudou drasticamente nas últimas décadas, tornando-o progressivamente mais jovem e mais fina com o passar do tempo.

O vídeo foi feito com base em dados divulgados num novo estudo publicado a 15 de Outubro na revista especializada Geophysical Research Letters. Estudos anteriores sugeriram que este seria o último lugar a perder a sua cobertura de gelo permanente. No entanto, os novos modelos mostram que as investigações estavam erradas, uma vez que o gelo está a desaparecer duas vezes mais depressa do que o resto do gelo do Árctico.

A nova investigação usou observações de satélite e dados atmosféricos para mostrar  a forma como a espessura do gelo em duas sub-regiões do “último refúgio de gelo” flutua cerca de 1,2 metros de ano para ano. No entanto, também detalha uma perda total de 0,4 metros de espessura de gelo por década, totalizando uma perda de 1,5 metros desde o final da década de 1970.

A mudança na previsão acontece porque o gelo é muito mais móvel do que se pensava anteriormente. Embora as sub-regiões sejam antigas, estão sujeitas a fortes correntes oceânicas e ventos atmosféricos que resultam no fluxo de gelo mais antigo da região.

De acordo com o IFLScience, a extensão e espessura do gelo marinho diminui e flui ao longo do ano, dependendo da estação. Além disso, algumas sub-regiões do gelo podem flutuar mais do que outras.

“Não podemos tratar a última área de gelo como uma área monolítica de gelo que vai durar muito tempo”, disse Kent Moore, autor principal do estudo e físico atmosférico da Universidade de Toronto, no Canadá, em comunicado. “Na verdade, há muita variabilidade regional”.

A vida selvagem que vivem nas partes superiores do Hemisfério Norte, desde aves marinhas a ursos polares, depende do gelo marinho para refúgio, descanso, nidificação, forrageamento e caça. Além disso, o gelo do mar desempenha um papel crucial no transporte e distribuição de nutrientes para a água do mar. Portanto, se o gelo do mar colapsar, a cadeia alimentar do Árctico será a próxima.

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16 Novembro, 2019

 

2550: A Rússia tem cinco novas ilhas (e isso é má notícia)

CIÊNCIA

Christopher Michel / Wikimedia

Investigadores encontraram cinco novas ilhas nas águas geladas da costa norte da Rússia. Embora novas descobertas sejam tipicamente algo para comemorar, desta vez, é má notícia.

As ilhas encontradas na Rússia só foram reveladas graças ao derretimento glacial acelerado das mudanças climáticas.

A presença de novas ilhas na área foi sugerida pela primeira vez por uma estudante universitária que estudava imagens de satélite enquanto escrevia o seu trabalho final no fim de 2016. A presença de pelo menos cinco novas ilhas foi confirmada esta semana pelo Ministério da Defesa da Rússia após uma expedição recente pelo Vizir, um navio de investigação da Marinha Russa.

“Foi realizada uma investigação topográfica nas novas ilhas”, disseram os militares em comunicado. “Foram descritos em detalhes e fotografados.” As novas ilhas, com tamanho entre 900 a 54.500 metros quadrados, podem ser encontradas perto de Novaya Zemlya e Franz Josef Land, no Oceano Árctico, dois arquipélagos de centenas de ilhas habitadas apenas por militares.

Todas as ilhas foram anteriormente engolidas pelo gelo do glaciar Nansen, também conhecida como Vylka. No entanto, foram expostas após o recuar do gelo devido ao aumento da temperatura do ar e do oceano.

O Círculo Polar Árctico está a experimentar alguns dos aumentos mais acentuados no clima mais quente do mundo, especialmente no ano passado, que registou um calor recorde em grande parte do Árctico. Num exemplo particularmente chocante, as temperaturas numa vila sueca no Círculo Polar Árctico atingiram 34,8°C em 26 de Julho de 2019. O noroeste da Rússia também viu as temperaturas subirem para 29°C..

Com as temperaturas quentes, vem o degelo do gelo e o derretimento dos glaciares. Os principais episódios de derretimento de superfície ocorreram em muitas partes do Árctico este ano, principalmente na Gronelândia, onde cerca de 197 mil milhões de toneladas de gelo derreteram apenas no mês de Julho.

Um estudo de 2018, publicado na revista especializada Remote Sensing of Environment, analisou os glaciares em redor do arquipélago de Franz Josef Land e descobriu que a perda de massa de gelo entre 2011 e 2015 duplicou em comparação com os intervalos de tempo anteriores.

“Actualmente, o Árctico está a aquecer duas a três vezes mais rápido que o resto do mundo, por isso, naturalmente, glaciares e calotas polares reagirão mais depressa”, disse Simon Pendleton, da Universidade do Colorado, no Instituto de Pesquisa Árctica e Alpina de Boulder, que não está envolvido nesta nova descoberta, em Janeiro.

Além da descoberta de novas terras, as dramáticas mudanças no Árctico estão a causar um efeito devastador na biodiversidade e assentamentos humanos na área e fora dela.

ZAP //

Por ZAP
30 Agosto, 2019