5386: Degelo no Árctico abre oportunidade para criar nova rota comercial marítima

CIÊNCIA/AQUECIMENTO GLOBAL

(cv) NASA Goddard / Youtube

O Árctico perde 43,8 mil quilómetros quadrados de gelo todos os anos, uma realidade do aquecimento global que abre a possibilidade de uma nova rota marítima que revolucionaria os transportes globais, segundo especialistas ouvidos pela agência Lusa.

O degelo é irreversível, segundo o contra-almirante da Marinha Portuguesa Carlos Ventura Soares, que dirige o Instituto Hidrográfico, mas “neste momento ninguém consegue dizer quão rápido vai ser”.

Uma consequência óbvia é o impacto no ecossistema do Árctico, mas também a abertura de “duas novas grandes áreas: a facilidade de acesso a recursos naturais e abertura de novas rotas marítimas“.

Aquilo com que nações como a Noruega ou os Estados Unidos já contam é com a possibilidade de explorar recursos naturais que o degelo expõe e torna acessíveis nas suas zonas económicas exclusivas.

A possibilidade de navegar de forma segura pelo Árctico com rotas regulares “faria ao canal do Suez, na passagem do trânsito de mercadorias da Ásia para a Europa, o que o canal do Suez fez à rota do Cabo, que deixou de ser tão usada para muito trânsito do Índico para o Atlântico”, afirma o director do Instituto Hidrográfico.

Ventura Soares salienta que poderão decorrer décadas até que haja condições de navegabilidade regular, o que “por enquanto ainda não houve”, para além de “viagens experimentais limitadas ou apenas para portos locais”.

Além de menos gelo, essas rotas precisariam de ter “capacidade de busca e salvamento em caso de acidente, pilotagem marítima, capacidade de limitar eventuais derrames. Enquanto isso não ocorrer, dificilmente poderemos falar de uma rota marítima perene e com possibilidade de utilização comercial, mesmo que dificilmente durante o ano inteiro, mas durante uma grande parte do ano”, refere.

Do lado de algumas das maiores empresas de transporte marítimo ainda não é uma hipótese viável explorar uma rota árctica, mas do lado da chinesa Cosco continua a haver “uma aposta no Árctico como forma de se diferenciar dos seus concorrentes mais directos e tem a vindo a fazer mais algumas viagens sempre com grandes restrições”, disse à Lusa o sócio-gerente da consultora SACONSULT Jorge D’Almeida, com mais de 40 anos no sector marítimo-portuário.

“A maior empresa do mundo quando se fala de contentores é a dinamarquesa Maersk, com o potencial de alterar o sistema mundial de transporte marítimo, que tentou e conseguiu fazer um teste da rota do Árctico em 2018, com uma travessia durante um dos meses em que ainda é possível, embora seja sempre necessário usar quebra-gelos e rebocadores para garantir que os navios passam com gelo disperso”, apontou.

A Cosco, no entanto, tem feito avanços na exploração de uma rota árctica, mas com navios com capacidade máxima para três mil contentores, enquanto “os navios-mãe que fazem a rota da Ásia têm todos capacidade de 16 mil e, no caso dos maiores, 23 mil”.

Isso é uma desvantagem económica, mas um incentivo é o facto de se poder encurtar o tempo de travessia Ásia-Europa em 14 dias ou mais e em transporte marítimo, “o custo financeiro da mercadoria retida durante o tempo de trânsito tem às vezes um impacto tão grande como o frete”.

Jorge D’Almeida acredita que “não será nos próximos 50 anos” que os maiores navios do mundo poderão usar a rota árctica, até porque na rota tradicional que traz carga da Ásia para os portos do norte da Europa (Antuérpia, Roterdão e Hamburgo) via canal do Suez, pode fazer-se negócio pelo caminho com a passagem por entrepostos importantes, como Singapura.

Mesmo que ainda não seja uma realidade, é preciso agir já para salvaguardar o Árctico da cobiça económica dos estados, defendeu em declarações à Lusa a advogada norte-americana Kristina Gjerde, consultora do Programa Global Marinho e Polar da União Internacional para a Conservação da Natureza.

“No Árctico são as pessoas, a vida marinha, o gelo e todo o ecossistema que precisa de ser protegido e onde se passam algumas das mudanças mais rápidas do planeta”, afirma. Segundo os dados mais recentes do norte-americano National Snow and Ice Data Center, o gelo do Árctico no mês de Fevereiro tem vindo a diminuir a um ritmo de 2,9 por cento em cada década.

“O desafio é criar estruturas de governação que sejam legalmente vinculativas e que inibam a corrida aos recursos ou a canais navegáveis que possam vir a ser abertos, como já aconteceu no acordo de pescas em alto mar para o Árctico, que demonstra como países como os Estados Unidos, a Rússia, a China ou estados europeus conseguem colaborar quando se trata de algo que é do interesse internacional”, defende.

Kristina Gjerde salienta que, mesmo sem rotas permanentes a atravessar a região e o trânsito limitado aos portos locais, já há navios movidos a combustíveis pesados a circular, que “são emitidos para a atmosfera e para o gelo, acelerando o aquecimento”.

“O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, tem dito que estamos a fazer guerra ao nosso planeta e temos que pensar no impacto total da navegação, tanto agora como daqui a 20 anos”, afirmou a advogada.

Os impactos totais num ecossistema tão sensível são ainda desconhecidos e todos os oito países com assento no Conselho do Árctico precisam de os avaliar e os cinco com zonas económicas exclusivas na região (Estados Unidos, Canadá, Rússia, Dinamarca, Noruega) precisam de monitorizar o impacto da exploração de recursos.

Precisamos de descarbonizar o transporte marítimo. Garantir uma pegada ecológica silenciosa, porque são lugares que não estão habituados a ruído. Precisam de navegar lentamente e não podem exacerbar o problema das alterações climáticas globais. É preciso avaliar melhor os prós e os contras”, defende Kristina Gjerde.

“Desta vez, há a oportunidade de agir bem. Os navios circulam muitas vezes por sítios onde não deviam. Há naufrágios, há derrames de combustível. Antes de pensar em abrir rotas, seria útil começar a desenhar navios adequados, hiper-seguros. Os antiquados porta-contentores não servem. Têm que ser movidos a energia solar, eólica, só devíamos deixar entrar no Árctico navios com desenho da era espacial. Não bastam navios ‘verdes’. Têm que ser navios ‘brancos’”, considera.

O estado do Árctico e a investigação científica em torno da região estão no centro do congresso científico virtual Arctic Science Summit Week, que começou na sexta-feira passada com reuniões de trabalho, mas cuja parte científica, organizada por Portugal, decorre entre quarta e sexta-feira.

ZAP //LusaLusa

Por Lusa
23 Março, 2021


4824: Mudança drástica no Árctico. Com o degelo, a região está a tornar-se cada vez mais verde

CIÊNCIA/ECOLOGIA/AQUECIMENTO GLOBAL/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Eric Post / UC Davis

O gelo marinho do Árctico tem tido um acentuado decréscimo nas últimas duas décadas. Agora, um novo estudo mostra que à medida que o gelo marinho desaparece, o Árctico está a tornar-se cada vez mais verde e castanho.

O declínio do gelo marinho é um factor de peso nas mudanças climáticas. Na região do Árctico tem contribuído bastante para o aquecimento global, mas está também a dar origem a um novo fenómeno que se caracteriza por um cenário onde se encontra cada vez menos gelo e mais tundra – trata-se da formação vegetal mais degradada e pobre da superfície da Terra, é muito rasteira pois tem apenas com alguns centímetros de altura e é constituída por ervas, musgos e líquenes.

No entanto, o papel que a dinâmica do gelo marinho desempenha em impulsionar as mudanças na vegetação terrestre ainda é relativamente pouco estudado, realça o Phys.

Para realizar o estudo, que foi publicado no jornal PNAS no dia 15 de Dezembro, uma equipa internacional liderada por Agata Buchwal, reuniu 23 cronologias de arbustos e investigou a sua relação com as mudanças na extensão do gelo marinho, temperatura do ar e precipitação. O conjunto de dados incluiu bétulas e salgueiros do Alasca, do Árctico canadense, Gronelândia, Svalbard e Sibéria.

“Este tipo de vegetação não deverá anunciar os efeitos da mudança climática no Árctico”, disse Buchwal. “Em vez disso registam pacientemente as suas respostas às mudanças nos seus anéis de crescimento. E é nossa função aprender com os seus registos”, explicou.

O estudo descobriu que a maioria dos arbustos do Árctico “aproveita” o aquecimento induzido pelo declínio do gelo marinho para aumentar o seu crescimento. Ainda assim, um vasto grupo de arbustos diminuiu progressivamente o seu crescimento durante o período de perda do gelo marinho, pois este tipo de arbustos têm tendência a viver em áreas mais secas.

As descobertas agora apresentadas têm implicações locais e globais a nível das mudanças climáticas, incluindo o potencial de absorção de carbono e os efeitos do albedo (processo onde o gelo nos pólos funciona como um espelho para as radiações solares que chegam à Terra, sendo que se a sua superfície diminuir, a temperatura média do planeta vai aumentar).

As áreas dominadas por tundra que apresentam maior crescimento podem absorver e armazenar mais carbono. Enquanto isso, as regiões com menos crescimento podem sofrer mais perda de carbono para a atmosfera.

“As mudanças climáticas estão a alterar fundamentalmente o próprio carácter do Árctico”, frisou o co-autor Eric Post, ecologista da UC Davis.

O especialista garante que “este novo estudo combina duas áreas de foco: perda de gelo marinho e crescimento de arbustos de tundra”. Ainda assim, a equipa garante, no seu estudo, que o assunto é merecedor de novas e mais detalhadas investigações.

Por Ana Moura
18 Dezembro, 2020


4606: Árctico estão a alterar comportamentos devido às alterações climáticas

CIÊNCIA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Três décadas a monitorizar milhares de animais marinhos e terrestres que habitam ou passam grandes temporadas na zona polar árctica permitiu aos cientistas constatar que as mudanças no clima estão a alterar padrões migratórios e a forma como muitas aves e mamíferos se alimentam e reproduzem. O artigo científico que o aponta foi esta quinta-feira publicado na revista Science e conta com a colaboração de mais de cem investigadores de todo o mundo, entre os quais três portugueses

© Sölvi Vignisson Ostraceiro é uma ave que cada vez mais permanece o ano todo em países como a Islândia e migra menos para Sul

Primaveras antecipadas, Invernos mais amenos e o degelo do Árctico estão a afectar o comportamento de milhares de animais nativos desta região polar que assiste a um aquecimento do clima mais rápido do que qualquer outra parte do planeta. Com base em dados recolhidos nos últimos 30 anos, mais de 150 cientistas de uma centena de instituições de todo o mundo criaram a maior base de dados sobre o movimento de animais marinhos e terrestre em todo o Árctico e constataram que se esta região entrou num “novo estado ecológico”, com alguns dos animais a chegarem mais cedo ou a reproduzirem-se mais tarde e outros a deixarem de migrar para regiões mais quentes no Inverno.

O artigo “Ecological insights from three decades of animal movement tracking across a changing Arctic” — que dá conta das mudanças de comportamento espacio-temporal de várias espécies de aves e mamíferos que habitam ou passam grandes temporadas no Árctico — foi esta quinta-feira publicado na revista “Science”.

Entre aqueles que já passam mais Invernos na Islândia do que no Reino Unido, na Galiza ou no estuário do Tejo (em Portugal) estão os ostraceiros, uma ave preta e branca que chega a atingir quase meio metro de comprimento. “Ao estuário do Tejo chegam por volta de Setembro e regressam à Islândia em Março, mas actualmente não são mais de 150 os que por cá invernam e são cada vez mais os que ficam na Islândia”, conta ao Expresso José Alves, biólogo da Universidade de Aveiro, co-autor do artigo da “Science”.

Esta é uma das aves estudadas pelo investigador no Departamento de Biologia e no Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), que se mostra preocupado com o “fenómeno de amplificação polar árctica”, já que “coloca os animais que habitam esta região na linha da frente dos efeitos das alterações climáticas”. Isto porque, explica, “apesar de os Invernos estarem mais amenos naquela região, quando sucedem duas semanas com temperaturas abaixo de zero, como aconteceu no ano passado, morrem muito mais aves. E esse é um preço muito alto a pagar”. Os cientistas dão conta disso porque elas acabam por dar à costa. “Só sobrevivem as que conseguem encontrar poiso em locais onde as temperaturas nunca vão abaixo de zero, como acontece junto aos lagos onde existe actividade geotermal”, diz José Alves.

Os cientistas conseguem registar os movimentos destas e de outras aves, como a andorinha-do-mar, as águias, ou o maçarico-de-bico-direito, com recurso à colocação de mini equipamentos com precisão GPS que pesam apenas um grama. Já o maçarico tira partido da antecipação da primavera, chegando às zonas de reprodução na Islândia cada vez mais cedo. O problema, alerta José Alves, é que “os agricultores expandem a área agrícola e os maçaricos que colocam cada vez mais os seus ninhos nas zonas agrícolas perderem habitat natural e correm o risco de os ninhos serem apanhados pela máquinas durante a ceifa”.

As baleias chegam mais cedo e escasseia alimento

Animais de maior porte, como as baleias ou as renas, os lobos ou os ursos, também são monitorizados por GPS e revelam igualmente alterações no padrão de migração ou na forma como se deslocam, alimentam e reproduzem.

“As baleias começam a chegar mais cedo às regiões polares devido ao degelo e a maior disponibilidade de habitat”, explica ao Expresso a bióloga marinha Mónica Silva, da Universidade dos Açores, também co-autora (com o colega Rui Prieto) deste artigo da Science. O problema, diz a investigadora do IMAR – Institute of Marine Research e do Centro Okeano, é que estes grandes mamíferos marinhos que se deslocam de áreas tropicais ou subtropicais para passar o verão no Árctico “correm o risco de chegar lá antes de lá chegarem as suas presas (como o krill)”. E assim espécies como a baleia-azul, a baleia-comum ou a sardinheira “podem não encontrar a quantidade necessária de alimento e a migração seguinte para Sul, onde se reproduzem, fica mais dificultada”.

Mudanças comportamentais de longo prazo e em larga escala também têm sido identificadas em águia, ursos, lobos e renas. No caso destes cervídeos de grande porte que habitam a tundra e florestas boreais da Gronelândia, Escandinávia, Rússia, Alasca e Canadá, os investigadores americanos descobriram que as fêmeas mais a Norte estão a dar à luz no início da primavera, enquanto as das populações mais a sul não mudaram. Contudo, os partos com a possibilidade de ainda existir neve profunda na primavera pode levar a morte prematura das crias e dificuldade de encontrar alimento. Já em relação aos seus predadores, com os ursos e lobos a moverem-se menos com temperaturas mais elevadas, o confronto pode ser mais frequente.

O artigo da Science também indica que o novo banco de dados — que reúne estudos de mais de 100 instituições e centena e meia de cientistas sobre mais de nove mil espécies de animais marinhos e terrestres —é um instrumento importante para investigadores e decisores políticos tomarem decisões e enfrentarem a sexta vaga de extinção de espécies em curso.

msn
Carla Tomás
05/11/2020


4443: Degelo na Antárctida revela antiga colónia de pinguins-de-adélia

CIÊNCIA/BIOLOGIA/GEOLOGIA

(dr) Steven Emslie

Cientistas descobriram uma antiga colónia de pinguins-de-adélia, no Cabo Irizar, na Antárctida, graças ao degelo na região.

De acordo com o site IFLScience, alguns dos restos mortais estavam tão bem preservados que deixaram a equipa responsável pela descoberta confusa, visto não haver registos de uma colónia de pinguins no Cabo Irizar desde que os primeiros exploradores chegaram ao Mar de Ross no início dos anos 1900.

Por isso, os investigadores recolheram algumas amostras para fazer uma datação por radio-carbono. As análises revelaram que este lugar na Antárctida já acolheu pinguins em pelo menos três ocasiões, tendo a última terminado há cerca de 800 anos. É possível que essa ocupação tenha chegado ao fim como resultado do aumento da queda de neve, já que, nessa altura, estava a começar a chamada Pequena Idade do Gelo.

Os restos mortais agora encontrados foram provavelmente enterrados pela neve e mantiveram-se preservados em condições notáveis devido ao clima da região, até serem postos a descoberto, novamente, devido ao recente degelo.

“No geral, a nossa amostragem recuperou uma mistura de restos de pinguins antigos e aquilo que parecem ser restos de pinguins recentes, o que implica múltiplos períodos de ocupação e abandono neste local ao longo de milhares de anos. Em todos estes anos que tenho feito investigação na Antárctida, nunca vi um sítio como este”, declarou, em comunicadoSteven Emslie, investigador do Departamento de Biologia e Biologia Marinha da Universidade de North Carolina Wilmington, nos Estados Unidos, e autor do estudo publicado, a 18 de Setembro, na revista científica Geology.

ZAP //

Por ZAP
6 Outubro, 2020

 

 

4347: Até ao final de 2100, o nível do mar pode subir 38 centímetros

CIÊNCIA/AQUECIMENTO GLOBAL

Andrea Della Adriano / Flickr

O nível do mar poderá subir até 38 centímetros até ao final do século devido ao degelo dos glaciares provocado pelo aquecimento do planeta. Esta é a conclusão de um novo estudo publicado esta quinta-feira, citando o cenário mais pessimista traçado.

Para este estudo, publicado na revista científica The Cryosphere, cientistas de cerca de 40 instituições projectaram dois cenários de emissões de gases com efeito de estufa e o seu impacto nas massas de gelo da Gronelândia e da Antárctida.

No primeiro cenário, por força da continuação regular do aumento das emissões, o degelo na Antárctida fará subir até 30 centímetros o nível do mar. Na Gronelândia, o derretimento da massa de gelo contribuirá para um aumento de 38 centímetros do nível dos oceanos.

Considerando o segundo cenário, uma forte redução das emissões de gases com efeito de estufa, levaria a que o degelo na Gronelândia aumentasse o nível das águas em apenas três centímetros.

Um estudo anterior, publicado na Nature Climate Change no início de Setembro, alertou para a possível subida do nível dos oceanos em 40 centímetros até 2100, ameaçando assim centenas de milhões de habitantes das zonas costeiras pelo mundo fora.

Em Fevereiro, outro trabalho, que sintetiza modelos realizados por 27 instituições internacionais, estimou que só o degelo na Antárctida poderá levar a um drástico aumento até 58 centímetros do nível do mar até ao fim do século, caso o ritmo global das emissões de gases com efeito de estufa se mantenha inalterado.

Se os glaciares da Antárctida e da Gronelândia derretessem por completo, o nível das águas poderia subir até 65 metros.

O aumento do nível do mar é uma tendência que já se tem vindo a mostrar preocupante ao longo dos últimos anos.

Em 2015, um grupo de cientistas da agência espacial norte-americana apresentou dados sobre o aumento do nível da água do mar em todo o mundo — que foi, em média, 7,62 centímetros superior ao de 1992. Ainda assim, o panorama varia em diferentes partes do mundo, tendo em algumas zonas chegado a superar os 22 centímetros.

Tendo como base o exemplo do passado, não é difícil prever o futuro que nos espera.

Nível do mar subiu 8 cm desde 1992 (e não vai parar)

O nível do mar subiu, em média, quase oito centímetros em todo o mundo desde 1992 devido ao aquecimento global,…

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ZAP // Lusa

Por ZAP
17 Setembro, 2020

 

 

3972: Área de gelo com a dimensão de duas Espanhas desapareceu no Mar de Wedell nos últimos cinco anos

CIÊNCIA/ANTÁRCTIDA

NASA

O gelo de marinho de verão na região do Grande Mar de Weddell, na Antárctida, diminuiu um milhão de quilómetros nos últimos cinco anos, concluiu uma nova investigação levada a cabo por uma equipa de cientistas internacionais.

Esta área “desaparecida” na região da Antárctida é duas vezes maior do que Espanha e mais de dez vezes o tamanho do território português.

Os resultados da investigação foram publicados na revista especializada Geophysical Research Letters, num artigo científico que detalha as implicações do desaparecimento desta massa de gelo para o ecossistema marinho.

Em comunicado, os cientistas alertam que o gelo marinho que circunda a Antárctida é um habitat importante para muitas espécies, incluindo pinguins e focas, que dependem destas massas de gelo para aceder a alimento e para se reproduzirem.

Para chegar a esta conclusão, escreve a agência espanhola Europa Press, os cientistas analisaram registos de satélite da extensão do gelo marinho e análises climáticas do final dos anos 70, tentando compreender porque é que o gelo marinho de verão na área Antárctida do Mar de Weddell se reduziu em um terço nos últimos cinco anos.

A equipa descobriu que a perda de gelo ocorreu devido a uma série de fortes tempestades no verão antárctico de 2016/17, sendo a situação também agravada pelo reaparecimento de uma área de água aberta no centro do “bloco de gelo” – área de águas abertas, conhecida como polínia -, que não ocorria desde meados da década de 70.

“O gelo marinho da Antárctida continua a surpreender-nos. Em contraste com o Ártico, o gelo em torno da Antárctida estava a aumentar a sua extensão desde a década de 1970, mas depois declinou rapidamente, registando níveis baixos, sendo o mais dos declínios [registado] no Mar de Weddell”, explicou o cientista climático do British Antarctic Survey, sediado em Cambridge (Reino Unido), e principal autor do estudo John Turner.

E alertou: “No verão, esta área possui agora um terço a menos de gelo marinho, [situação] que terá implicações para a circulação oceânica e para a fauna marinha da região”.

ZAP //

Por ZAP
9 Julho, 2020

 

 

2706: Glaciar no Monte Branco está em risco de colapsar

CIÊNCIA

TRAILSOURCE.COM / Flickr
Monte Branco, Chamonix

O degelo deixou de ser um problema apenas da Gronelândia, Antárctida ou Árctico. O risco de colapso de um bloco de gelo de 250 mil metros cúbicos atingiu agora o Monte Branco, a mais alta montanha dos Alpes e da União Europeia.

Parte do glaciar Planpincieux, situado no lado italiano do Monte Branco, está em risco de colapso como consequência do aquecimento global. O alerta foi feito pelas autoridades locais que mandou encerrar a estrada municipal Val Ferret devido ao perigo de avalanche.

O alerta foi feito pelas autoridades locais que mandou encerrar a estrada municipal Val Ferret devido ao perigo de avalanche. De acordo com os especialistas, são cerca 250 mil metros cúbicos do glaciar que estão em risco de colapso, estando a derreter entre 50 e 60 centímetros dessa massa de gelo por dia.

O autarca da vila de Courmayeur, Stefano Miserocchi, explicou que alguns edifícios na região de Rochefort foram evacuados por precaução e garantiu que o risco de avalanche não abrange uma zona residencial ou turística, não havendo motivos para alarme.

“Este fenómeno só mostra, mais uma vez, como a montanha está a atravessar um período de maiores mudanças devido às alterações climáticas e portanto está particularmente vulnerável”, afirmou Stefano Miserocchi, citado pelos media italianos.

Os peritos da Fundação Montanha Segura sublinham que não é possível prever antecipadamente quando poderá ocorrer a avalanche, razão pela qual apelam às autoridades para se manterem vigilantes.

O Monte Branco é a cordilheira mais alta da Europa Ocidental. Possui 11 picos acima de 4.000 metros em França e Itália e atrai centenas de milhares de turistas todos os anos. O glaciar Planpincieux é monitorizado de perto desde 2013, na tentativa de estabelecer a frequência com que o gelo está a derreter. Mas as autoridades alertam que não existe um “sistema de alerta” em vigor.

Em Agosto de 2018, recorda a BBC, um casal de idosos morreu perto de Planpincieux, em Courmayeur, quando o seu carro foi arrastado de uma estrada para um vale durante um deslizamento de terra. Centenas de pessoas foram evacuadas, algumas delas de helicóptero.

No início deste mês, dezenas de pessoas participaram de uma “marcha fúnebre” para marcar o desaparecimento do glaciar Pizol no nordeste da Suíça. O glaciar, nos Alpes Glarus, encolheu para uma fracção minúscula do seu tamanho original. Os cientistas dizem que perdeu pelo menos 80% do seu volume apenas desde 2006, uma tendência acelerada pelo aumento das temperaturas globais.

Esse foi o segundo “funeral” a um glaciar, tendo o primeiro sido na Islândia. Esse evento comemorou a vida do glaciar Ok, que foi declarado morto há cinco anos.

Turistas na Islândia também observaram, no início deste ano, uma secção de um outro glaciar – chamado Breiðamerkurjökull – a quebrar e a formar uma grande onda.

ZAP //

Por ZAP
25 Setembro, 2019

 

2694: Adeus, Pizol. Suíços fizeram funeral a glaciar que (quase) desapareceu

AMBIENTE

Gian Ehrenzeller / EPA

Mais de duas centenas de pessoas reuniram-se neste Domingo para realizar um funeral simbólico pelo desaparecimento de um dos glaciares mais estudados do mundo – Pizol.

Cerca de 250 pessoas reuniram-se após um trilho de duas horas pelo terreno onde antes se encontrava o antigo glaciar, localizado na montanha Pizol, que lhe dá o nome, perto de Liechtenstein e da Áustria, a 2.700 metros de altitude.

O glaciar ainda não desapareceu completamente mas, segundo os cientistas, perdeu 80% do seu volume desde 2006 devido às alterações climáticas. Restam agora 26.000 metros quadrados de gelo, menos do que quatro campos de futebol, refere o Observador.

O Pizol perdeu tanto volume que, “numa perspectiva científica, já nem sequer é um glaciar”, disse à agência AFP a activista Alessandra Degiacomi. Um estudo de investigadores suíços concluiu que, até 2050, pelo menos metade dos glaciares da Suíça vão desaparecer.

O funeral simbólico ao Pizol contou ainda com a presença de um padre e vários cientistas. A cerimónia foi organizada pela Associação Suíça pela Protecção do Clima, que pede a redução para zero das emissões de dióxido de carbono no país até 2050. Uma coroa de flores foi colocada na montanha, em memória do glaciar.

Viemos aqui para dizer ‘adeus’” ao Pizol, disse Matthias Huss, especialista em glaciares. Já o pároco de Mels, localidade onde o glaciar se localiza, pediu “ajuda de Deus para superar o enorme desafio das mudanças climáticas”.

Matthias Huss disse à AFP que, independentemente do que possamos vir a fazer, os Alpes vão perder, pelo menos, metade da massa de gelo até 2100.

O Pizol não é o primeiro glaciar a desaparecer dos Alpes Suíços. “Desde 1850, estimamos que mais de 500 glaciares suíços tenham desaparecido completamente”. Ainda assim, o Pizol é o “primeiro glaciar densamente estudado a desaparecer”. De acordo com o matutino, estava a ser acompanhado pelos especialistas desde 1893.

Depois do Pizol, os especialistas estimam que o maior glaciar dos Alpes, o Aletsch, possa vir a desaparecer completamente nas próximas oito décadas.

ZAP //

Por ZAP
23 Setembro, 2019

 

2197: Degelo na Gronelândia: Esta foto é a prova de que precisa para acreditar

© Twitter Superfície de gelo é agora água.

Uma imagem captada pelo climatólogo Steffen M. Olsen, no passado dia 13 de Junho, prova o impacto que as alterações climáticas estão a ter no Árctico.

O dinamarquês estava no noroeste da Gronelândia, sendo que uma das suas funções seria recuperar os dispositivos de medição que tinham sido colocados no gelo no âmbito da missão Acção Azul. Preparava-se para fazê-lo, a bordo de um trenó guiado por cães, quando percebeu que os caminhos de gelo percorridos pelos animais estavam, afinal, transformados em água.

“As comunidades na Gronelância contam com o gelo para transporte, caça e pesca. Eventos extremos, neste caso a inundação pelo início abrupto do derretimento da superfície, exige uma capacidade de previsão mais apurada no Árctico”, alertou Steffen M. Olsen, no Twitter.

16:08 – 14 de jun de 2019

A sua publicação está a tornar-se viral e um verdadeiro exemplo, alertando para a rapidez com que o gelo do árctico está a derreter.

A Gronelândia tem vindo a perder gelo nas últimas décadas devido ao aquecimento progressivo. Desde os anos 1990 que as temperaturas médias sobre o manto de gelo subiram 1,8 graus celsius no verão e até 3 graus no inverno.

Estimativas indicam que o manto gelado esteja a perder 270 mil milhões de toneladas de gelo em cada ano. Até recentemente grande parte do gelo perdia-se em icebergues, mas agora o derretimento directo já representa 70% das perdas, especialmente por causa da chuva, dizem os investigadores.

msn meteorologia
Notícias Ao Minuto
18/06/2019

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2109: Turistas já fazem reservas para assistir ao degelo dos glaciares do Alasca

DESTAQUE

Smial / Wikimedia

O rápido degelo dos glaciares devido às alterações climáticas criou um novo mercado para os operadores turísticos do Alasca, nos Estados Unidos.

O jornal Anchorage Daily News noticiou que as operadoras de várias empresas de turismo estão a registar um aumento em reservas de viagens de grupos que querem assistir ao recuo do único estado árctico do país.

“As pessoas querem ver os glaciares enquanto há acesso“, disse Paul Roderick, director de operações da “Talkeetna Air Taxi”, que faz viagens aéreas no Alasca. “As pessoas sabem mais sobre glaciares do que antes. Perguntam quão depressa estão a recuar, quando antes mal sabiam o que era um glaciar”, acrescentou, em declarações à mesma publicação.

As operadoras turísticas dizem que os turistas são, maioritariamente, oriundos da Austrália e de mercados emergentes como China e Índia. “Há mais interesse”, disse Peter Schadee, da “Anchorage Helicopter Tours”, que faz voos de helicóptero naquela região. “Temos assistido ao interesse em glaciares de pessoas de todo o Mundo”, acrescentou.

“As pessoas querem muito ver os glaciares, mas estão a derreter muito depressa“, contou Matt Szunday, dono da Ascending Path, uma empresa que faz passeios turísticos a glaciares do Alasca.

O recuo destas gigantes e antigas massas de gelo criou um nicho de mercado, com turistas a fazer marcações para ver os glaciares “antes que seja tarde de mais”.

Uma nova revisão dos dados de pesquisas publicada no Jornal da Glaciologia prevê que os 25 mil glaciares do Alasca perderão entre 30% e 50% de sua massa até ao final deste século. A nível global, os glaciares devem perder entre 18 e 365 da massa, o que poderá resultar numa subida de 25 centímetros no nível da água do mar.

ZAP // Lusa

Por ZAP
4 Junho, 2019



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1708: Temperatura no Árctico vai aumentar entre 3 e 5 graus até 2050

© TVI24 Fotografia aérea mostra o desaparecimento do gelo do Árctico. REUTERS/Kathryn Hansen/NASA

A temperatura no Árctico vai aumentar entre 3 e 5 graus centígrados até 2050, levando à devastação da região e ao aumento do nível dos oceanos em todo o planeta, estima um relatório apresentando esta quarta-feira no Quénia.

Segundo o documento, apresentando na IV Assembleia da ONU para o Meio Ambiente, o degelo no Árctico pode causar a emissão de mais gases com efeito de estufa e aumentar a acidificação e contaminação dos oceanos.

Muitas das alterações na região serão irreversíveis e podem afectar a sua população e a biodiversidade, assinalou Björn Alfthan, porta-voz da fundação norueguesa GRID-Arendal, co-autora do relatório, que se baseia em dados do Conselho Árctico, uma organização intergovernamental composta por oito países e vocacionada para o desenvolvimento sustentável e a protecção ambiental da região.

No Árctico vivem mais de quatro milhões de habitantes, dos quais perto de 10% são indígenas que se dedicam a actividades como a pesca, a mineração e a indústria madeireira.

Além do degelo de terrenos que permanecem congelados mais de dois anos a altas latitudes, o Árctico enfrenta também a contaminação por plásticos.

Especialistas estimam que o gelo marinho do Árctico tenha diminuído 40% desde 1979 e que os Verões na região deixarão de ser gelados antes de 2030 a continuarem as actuais emissões de dióxido de carbono, gás poluente com implicações no aquecimento global.

A IV Assembleia da ONU para o Meio Ambiente, que decorre até sexta-feira na capital do Quénia, Nairobi, conta com a participação de mais de 95 chefes de Estado, ministros e vice-ministros e delegados de mais de 160 países.

A delegação portuguesa é liderada pelo ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, que intervém na quinta-feira numa sessão sobre energias renováveis.

msn notícias
Redacção TVI24
13/03/2019

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