4337: ESA assina contrato de 129,4 milhões de euros para defesa contra asteróides

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ESA

(CC0/PD) Bibbi228 / pixabay

A Agência Espacial Europeia assinou hoje um contrato de 129,4 milhões de euros, que foi anunciado como o primeiro para “defesa planetária” na Europa, no âmbito da missão Hera, vocacionada para estudar e desviar asteróides.

O contrato assinado pela Agência Espacial Europeia (ESA na sigla em inglês) abrange o projecto detalhado, o fabrico e os testes da Hera, “a primeira missão da agência para a defesa planetária”, que tem participação portuguesa, de acordo com informação divulgada pela agência.

“Esta missão ambiciosa será a contribuição da Europa para um esforço internacional de deflexão de asteróides em risco de colisão com a Terra, definida para realizar a exploração sustentada de um sistema de asteróides duplo”, precisou a ESA.

No âmbito da missão, Portugal e a Roménia estão a desenvolver um laser que vai fornecer informações consideradas essenciais para as funções de navegação autónoma da sonda.

A Hera será a primeira sonda a encontrar-se com um sistema de asteróides binário, “uma classe pouco compreendida que compõe cerca de 15% de todos os asteróides conhecidos”, refere um comunicado divulgado pela ESA.

O contrato de 129,4 milhões de euros foi assinado por Franco Ongaro, director de Tecnologia, Engenharia e Qualidade da ESA, e Marco Fuchs, dirigente da empresa espacial alemã OHB, do consórcio Hera, num centro da ESA na Alemanha que servirá como posto de controlo da missão Hera, a lançar em 2024.

O projecto envolve cientistas europeus e norte-americanos.

A sonda DART, com lançamento previsto para Julho, fará um primeiro impacto no menor dos dois asteróides do sistema binário que vai ser estudado e a Hera vai fazer o acompanhamento com “uma análise detalhada” pós-impacto, para transformar os dados recolhidos nesse teste em grande escala numa técnica de deflexão (desvio de direcção) de asteróides.

A acção da Hera demonstrará também várias novas tecnologias, como a navegação autónoma ao redor do asteroide – um pouco como os carros sem condutor na Terra, exemplificou a ESA.

Ao mesmo tempo, vai reunir “dados científicos cruciais” para ajudar os cientistas a compreenderem melhor a estrutura dos asteróides.

ZAP // Lusa

Por Lusa
15 Setembro, 2020

 

 

2363: Elefantes são os nossos aliados na luta contra as alterações climáticas

CIÊNCIA

Gary M. Stolz / Wikimedia

Os elefantes-da-floresta desempenham um papel importantíssimo na luta contra as alterações climáticas, nomeadamente no armazenamento de carbono. No entanto, a espécie está em vias de extinção.

Isto de acordo com um novo estudo publicado esta segunda-feira na revista científica Nature Geoscience, que associa a alimentação dos elefantes com o aumento da quantidade de carbono que as florestas conseguem armazenar.

A má notícia é esta espécie de elefantes — parentes menores e mais vulneráveis do elefante africano — estão a extinguir-se rapidamente. A boa notícia é que, se protegermos e conservarmos estes elefantes, lutaremos simultaneamente contra as alterações climáticas.

Os elefantes são inteligentes, conscientes e altamente sociais, mas a sua característica mais notável é o tamanho. Evolutivamente, os elefantes apostaram em tornar-se grandes o suficiente para deter predadores como leões e tigres.

Em troca, eles tornaram-se escravos do seu próprio apetite. Os elefantes precisam de quantidades enormes de alimento todos os dias, algo como 5-10% da sua massa corporal. Uma típica fêmea de três toneladas poderia ingerir 200 quilogramas de alimento num só dia. A sua família pode precisar de consumir mais do que uma tonelada de comida por dia.

Não é fácil encontrar tanta comida, especialmente nas florestas tropicais, onde as plantas têm altas concentrações de defesas químicas para evitar serem comidas. Os elefantes passam a maior parte da vida a comer e a procurar comida. Os elefantes da floresta africana gostam particularmente de árvores jovens, que investem menos em defesas químicas e têm menor densidade de madeira.

Como os elefantes afectam as reservas de carbono

A principal novidade deste estudo é que eles incluem, pela primeira vez, o efeito de distúrbios de alimentação de elefantes num modelo computacional que simula processos demográficos em ecossistemas florestais.

Os investigadores descobriram que o “distúrbio do elefante” — os elefantes alimentam-se partindo galhos, puxando lianas, arrancando plantas inteiras e folhas — faz com que as florestas fiquem com mais árvores maiores. O facto de preferirem árvores pequenas a árvores grandes faz com que, em última análise, leve a um aumento de longo prazo na biomassa total.

Com árvores maiores e com mais madeira, a floresta consegue armazenar mais carbono. Os autores do estudo estimam que o desaparecimento dos elefantes-da-floresta resulte numa perda de até 7% do stock de carbono nas florestas da África Central.

A situação dos elefantes-da-floresta é particularmente dramática. Se no passado chegaram a ser milhões, a sua população agora é inferior a 10% do seu potencial tamanho e, na década de 2002 a 2011, até 62% dos elefantes da floresta podem ter sido mortos. Este declínio é principalmente explicado pela caça furtiva e pela crescente invasão humana dos seus habitats.

Os investigadores mostram que os elefantes-da-floresta produzem serviços para o ecossistema dos quais todos nós beneficiamos. Se todos somos beneficiários da conservação destes elefantes, então também deveríamos ser responsáveis para fazê-lo.

ZAP // The Conversation

Por ZAP
23 Julho, 2019

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