2363: Elefantes são os nossos aliados na luta contra as alterações climáticas

CIÊNCIA

Gary M. Stolz / Wikimedia

Os elefantes-da-floresta desempenham um papel importantíssimo na luta contra as alterações climáticas, nomeadamente no armazenamento de carbono. No entanto, a espécie está em vias de extinção.

Isto de acordo com um novo estudo publicado esta segunda-feira na revista científica Nature Geoscience, que associa a alimentação dos elefantes com o aumento da quantidade de carbono que as florestas conseguem armazenar.

A má notícia é esta espécie de elefantes — parentes menores e mais vulneráveis do elefante africano — estão a extinguir-se rapidamente. A boa notícia é que, se protegermos e conservarmos estes elefantes, lutaremos simultaneamente contra as alterações climáticas.

Os elefantes são inteligentes, conscientes e altamente sociais, mas a sua característica mais notável é o tamanho. Evolutivamente, os elefantes apostaram em tornar-se grandes o suficiente para deter predadores como leões e tigres.

Em troca, eles tornaram-se escravos do seu próprio apetite. Os elefantes precisam de quantidades enormes de alimento todos os dias, algo como 5-10% da sua massa corporal. Uma típica fêmea de três toneladas poderia ingerir 200 quilogramas de alimento num só dia. A sua família pode precisar de consumir mais do que uma tonelada de comida por dia.

Não é fácil encontrar tanta comida, especialmente nas florestas tropicais, onde as plantas têm altas concentrações de defesas químicas para evitar serem comidas. Os elefantes passam a maior parte da vida a comer e a procurar comida. Os elefantes da floresta africana gostam particularmente de árvores jovens, que investem menos em defesas químicas e têm menor densidade de madeira.

Como os elefantes afectam as reservas de carbono

A principal novidade deste estudo é que eles incluem, pela primeira vez, o efeito de distúrbios de alimentação de elefantes num modelo computacional que simula processos demográficos em ecossistemas florestais.

Os investigadores descobriram que o “distúrbio do elefante” — os elefantes alimentam-se partindo galhos, puxando lianas, arrancando plantas inteiras e folhas — faz com que as florestas fiquem com mais árvores maiores. O facto de preferirem árvores pequenas a árvores grandes faz com que, em última análise, leve a um aumento de longo prazo na biomassa total.

Com árvores maiores e com mais madeira, a floresta consegue armazenar mais carbono. Os autores do estudo estimam que o desaparecimento dos elefantes-da-floresta resulte numa perda de até 7% do stock de carbono nas florestas da África Central.

A situação dos elefantes-da-floresta é particularmente dramática. Se no passado chegaram a ser milhões, a sua população agora é inferior a 10% do seu potencial tamanho e, na década de 2002 a 2011, até 62% dos elefantes da floresta podem ter sido mortos. Este declínio é principalmente explicado pela caça furtiva e pela crescente invasão humana dos seus habitats.

Os investigadores mostram que os elefantes-da-floresta produzem serviços para o ecossistema dos quais todos nós beneficiamos. Se todos somos beneficiários da conservação destes elefantes, então também deveríamos ser responsáveis para fazê-lo.

ZAP // The Conversation

Por ZAP
23 Julho, 2019

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