2790: Asteróide que matou os dinossauros perturbou o ciclo de carbono. Mas os humanos estão a fazer pior

CIÊNCIA

Don Davis / NASA

Desde 1750, os humanos têm perturbado mais o ciclo de carbono do que alguns dos impactos de asteróide mais cataclísmicos da História.

Uma nova investigação sugere mesmo que os efeitos a longo prazo – aquecimento global fora de controlo, acidificação do oceano e extinção massiva – poderiam ser os mesmos.

Esta descoberta aparece publicada esta semana na revista especializada Elements, da autoria de várias equipas de investigadores do Deep Carbon Observatory (DCO) – uma organização de mais de mil cientistas que estudam o movimento do carbono da Terra, desde o núcleo do planeta até a borda do espaço.

Os cientistas examinaram o que chamam de “perturbações” no ciclo de carbono da Terra nos últimos 500 milhões de anos. Nesse período, o movimento do carbono pelo planeta tem sido relativamente estável – o gás carbónico (na forma de dióxido de carbono e monóxido de carbono, entre outros) a ser bombeado para a atmosfera por vulcões e aberturas subterrâneas é mais ou menos equilibrado com o carbono que se afunda no interior do planeta nos limites das placas tectónicas.

Este equilíbrio resulta em ar respirável e um clima hospitaleiro em terra e mar que possibilita a rica biodiversidade do nosso planeta.

No entanto, de vez em quando, devido a um evento cataclísmico (ou “perturbação”), o equilíbrio fora de controlo, inundando o céu com o dióxido de carbono dos gases de efeito estufa, interrompendo o clima do planeta durante centenas de anos e frequentemente resultando numa extinção generalizada.

No novo trabalho, os investigadores identificam quatro dessas perturbações, incluindo várias erupções vulcânicas gigantescas e a chegada do famoso asteróide que matou os dinossauros que atingiu o planeta há cerca de 66 milhões de anos. Estudar os eventos perturbado respode ser a chave para entender o próximo grande cataclismo climático que se está a desenvolver diante de nossos olhos e pelas nossas próprias mãos.

“Hoje, o fluxo de carbono gerado antropogenicamente, principalmente a partir da queima de combustíveis fósseis que se formou ao longo de milhões de anos, está a contribuir para uma grande perturbação no ciclo do carbono”, escreveram os cientistas, de acordo com o LiveScience.

De facto, a quantidade total de CO2 a ser libertada na atmosfera todos os anos pela queima de combustíveis fósseis supera a quantidade acumulada de CO2 libertada por todos os vulcões na Terra – em pelo menos 80 vezes.

A comparação mais vívida que os autores fazem entre a actual crise climática e as perturbações do passado envolve Chicxulub – o asteróide de 10 quilómetros que colidiu com o Golfo do México há 66 milhões de anos, levando à extinção de 75% da vida na Terra, incluindo todos os dinossauros não aviários.

Quando o asteróide caiu na Terra com milhares de milhões de vezes a energia de uma bomba atómica, as ondas de choque da explosão provocaram terramotos, erupções vulcânicas e incêndios florestais, possivelmente ejectando até 1.400 giga-toneladas de dióxido de carbono na atmosfera. O efeito estufa resultante destas repentinas emissões pode ter aquecido o planeta e acidificado os oceanos durante centenas de anos, contribuindo para a extinção em massa de plantas e animais.

As mais altas emissões estimadas de CO2 relacionadas com o Chicxulub são menores do que as emissões acumulativas e contínuas associadas às mudanças climáticas provocadas pelo homem. Essas emissões somam cerca de 2.000 giga-toneladas de CO2 bombeadas para o céu desde o ano de 1750. E as emissões feitas pelo homem aumentam a cada ano que passa.

Os cientistas apontam que o ritmo e a escala em que os seres humanos estão a perturbar o balanço de carbono do planeta são comparáveis ​​a alguns dos eventos geológicos mais cataclísmicos da história.

ZAP //

Por ZAP
7 Outubro, 2019

 

1408: Há um imenso mundo de vida oculto nas profundezas da Terra (e tem bactérias “zombies”)

CIÊNCIA

Extreme Life Isyensya, Belgium
Este nemátodo vive a 1,4 quilómetros abaixo da superfície

Uma equipa internacional de cientistas identificou uma imensa “vida profunda” sob o fundo do mar, que inclui micróbios que podem permanecer nas profundezas durante milhares ou até mesmo milhões de anos, revelou uma nova investigação. 

Durante anos, biólogos e geólogos acreditaram que a vida na Terra estava confinada à superfície dos continentes, bem como aos mares, oceanos e leitos marítimos. Contudo, nos últimos anos tornou-se claro que os limites da biosfera são muito mais amplos.

“Há dez anos, pensávamos que a vida existia apenas em pequenos ‘cantos’ seleccionados da Terra. Agora sabemos que [a vida] é encontrada em praticamente todos os lugares. Podemos dizer que acabamos de começar a estudar esta ‘matéria escura’ da biosfera, a sua parte mais profunda”, disse Karen Lloyd, da Universidade do Tennessee, nos Estados Unidos, durante um encontro da União Geofísica Americana que decorreu em Washington.

Para esta descoberta, a equipa de cientistas, que trabalhou no âmbito do projecto de pesquisa internacional Deep Carbon Observatory (DCO), perfurou o fundo do mar a profundidades de 2,5 quilómetros, encontrando abundantes formas de vida até agora desconhecidas. Estas novas formas de vida persistem sob as mais severas condições, como temperaturas e pressões extremas.

Outro aspecto curioso nestes micro-organismos, frisaram os especialistas, é que estes permanecem “pouco vivos”, ou seja, estas formas de vida existem num estado de movimento muito lento, semelhante a um zombie.

Os especialistas concluíram que há mais biosfera profunda do que se pensava até então. A investigação descobriu que cerca de 70% das bactérias e arqueas do nosso planeta vivem no subsolo, sendo este ecossistema subterrâneo equivalente a 15.000 a 23.000 milhões de toneladas de carbono.

“A biosfera profunda da Terra é enorme”, considerou Rick Colwell, especialista da universidade norte-americana de Oregon, descrevendo as recentes descobertas como um “ecossistema muito empolgante e extremo”.

O investigador sublinhou a diversidade genética encontrada nas profundezas do mar, dando conta que a descoberta poderá ser importante para mapear outros lugares – dentro ou fora da Terra – que possam alojar vida.

“Existe uma diversidade genética de vida abaixo da superfície que é, pelo menos, igual e até talvez exceda a da superfície e nós não sabemos muito sobre isso”, afirmou Colwell, acrescentando que estudar a vida subterrânea “ajudará a perceber o que deve ser procurado noutros planetas ou noutros sistemas onde a vida pode existir”, rematou.

Para lá da Biologia

Em declarações ao diário britânico The Guardian, Karen Lloyd, da Universidade do Tennessee, disse, por sua vez, que a descoberta agora divulgada “é como encontrar um novo reservatório de vida na Terra“. “Uma parte imensa da vida está dentro da Terra e não em cima dela”, rematou o especialista.

Apesar da enorme descoberta, ficam ainda muitas perguntas por responder. Como é que a vida se coloniza a partir das profundezas? Como é que os micróbios interagem com os processos químicos? E, finalmente: o que é que tudo isto nos conta sobre o processo de co-evolução da vida e da própria Terra?

Segundo os cientistas, as descobertas vão para além da Biologia, entrando em campos da Filosofia e da Astrobiologia – área que estuda a vida extraterrestre -, nota ainda o diário.

“Devemos perguntar-nos: Se a vida na Terra pode ser assim tão diferente daquilo que a experiência nos levou a esperar, então que tipo de estranheza podemos esperar enquanto investigamos formas de vida noutros mundos?”, indagou Robert Hazen, mineralogista da Instituição de Carnegie, nos Estados Unidos para a Ciência.

SA, ZAP // SputnikNews; RT

Por SA
12 Dezembro, 2018

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